VIOMUNDO

Diário da Resistência

Sobre


Você escreve

Grécia ameaça detonar o partido do austeritarismo


08/05/2012 - 19h44

por Luiz Carlos Azenha

Domingo, quando foram divulgados os resultados das eleições na França e na Grécia, optamos por dar destaque ao segundo.

A França, com certeza, tem maior peso político, econômico e diplomático. Mas está no campo dos que definem as regras da austeridade.

A Grécia está no campo dos que praticam a austeridade. Junto com Portugal, Irlanda, Espanha e toda a periferia da zona do euro.

Publicamos, recentemente, aliás, que o “core” da União Europeia estava perigosamente reduzido a Alemanha, Finlândia e Luxemburgo.

Grosseiramente, a austeridade imposta na zona do euro a partir da parceria Alemanha-França requer uma imensa transferência coletiva de renda para pagar o rombo criado pela bolha especulativa inventada pelos banqueiros, que começou a estourar lá atrás, com a quebra da Lehman Brothers, em 2008. Detonar direitos sociais está na essência da operação. Instalar governos colaboracionistas, também. Foi assim, especialmente na Itália e na própria Grécia.

Porém, é certo que chegaria a hora de um acerto de contas com o eleitorado. Não há austeridade possível se não há quem se submeta a ela. Por isso consideramos o resultado eleitoral na Grécia mais importante. Lá está sendo definido o futuro do euro.

Hoje, a manchete do Financial Times entrega o jogo: Esquerda grega ataca austeridade “bárbara”.

O que, em resposta, levou um executivo do Banco Central Europeu a considerar publicamente, pela primeira vez, a saída da Grécia da zona do euro.

O líder do Syriza, partido de esquerda que conquistou 16,78% dos votos domingo, disse: “Os eleitores rejeitaram as políticas bárbaras do acordo de salvamento; eles abandonaram os partidos que apoiaram o plano, efetivamente abolindo as demissões [de funcionários públicos] e os cortes de gastos adicionais”.

Os partidos pró-austeridade já tentaram formar um governo, sem sucesso.

Tudo indica que os partidos que se opõem aos planos de austeridade também serão incapazes (será preciso juntar comunistas e neonazistas). Os comunistas acusam o Syriza de ser social-democrata.

O plano apresentado hoje por Alexis Tsipras fala em abolir o acordo de 174 bilhões de euros [o segundo, de resgate], estatizar o sistema bancário, reverter as reformas trabalhistas, declarar moratória e adotar a representação proporcional no governo.

O jovem Tsipras, de 38 anos, está se revelando uma raposa. Ele sabe que vai fracassar na tentativa de formar um governo. Mas aproveitou o momento sob os holofotes para apresentar a plataforma eleitoral do partido para as novas eleições que, tudo indica, serão convocadas para junho.

Dependendo dos resultados — ou de concessões da Alemanha, quem sabe, até lá –, a Grécia já tem data para voltar ao drachma.

PS do Viomundo: A gente sabe que as coisas estão feias quando o FT chama o Syriza de “partido esquerdista radical”.

PS do Viomundo2: Sei não, essa expansão brasileira baseada no endividamento…

Leia também:

Weisbrot: Saída à Argentina

Dr. Doom: Divórcio doloroso mas necessário

Mike Whitney leu a sentença de morte da Grécia

Ajude o VIOMUNDO a sobreviver

Nós precisamos da ajuda financeira de vocês, leitores, por isso ajudem-nos a garantir nossa sobrevivência comprando um de nossos livros.

Rede Globo: 40 anos de poder e hegemonia

Edição Limitada

R$ 79 + frete

A mídia descontrolada: Episódios da luta contra o pensamento único

R$ 40 + frete

Pacote de 2 livros - A mídia descontrolada e Rede Globo

Promoção

R$ 99 + frete

A gente sobrevive. Você lê!


25 comentários

Os comentários aqui postados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do VIOMUNDO. Todos as mensagens são moderadas. Não serão aceitos comentários com ofensas, com links externos ao site, e em letras maiúsculas. Em casos de ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência, denuncie. Leia o nosso termo de uso.

Jair de Souza: Documentário Catastroika em português « Viomundo – O que você não vê na mídia

03 de junho de 2012 às 10h46

[…] Grécia ameaça detonar o partido do austeritarismo […]

Responder

Mario Silva Lima

09 de maio de 2012 às 15h32

Não conheco em detalhes o plano de Malenchon,candidato da esquerda francesa nas últimas eleições,mas li um comentário que afirmava que o plano de Malenchon era inviável porque confisfacava o dinheiro dos ricos.Parece-me que não há nada de errado em confiscar dos ricos,pois errado é confiscar de quem não tem nada, como recomenda o receituário de dna.Ângela Merckel e da famigerada troika e seus banqueiros.Portanto, seria bom para quem conseguir formar um governo na Grécia prestar atenção ao plno de Malenchon.Qual o problema?Quem criou a crise que a pague.

Responder

Eduardo Lima

09 de maio de 2012 às 10h39

Eu não entendi o “PS do Viomundo2: Sei não, essa expansão brasileira baseada no endividamento…” Pode me explicar.

Responder

Bernardino

09 de maio de 2012 às 10h04

“austeridade” é o nome que a mídia-corrupta dá para o roubo da sociedade pelas oligarquias financeiras
es Essafrase merece repetiçao em todos os sites,PASSOS,ate porque ela define bem o lema da bandidagem ANGLO -SIOnista:Enfraquecer a PEriferia p
fortalecer o centro(eles mesmos)para isso lançam mao da imprensa corrupta que prega falsamente demkocracia e direitos humanos que eles nao respeitam.Daí a necessidade de se armar e ter armas nucleares para
enfrentar a Bandidagem americana e seus asseclas!!

Responder

    Fabio Passos

    09 de maio de 2012 às 12h22

    O avanço da idiotia neoliberal foi sustentado no mundo inteiro por uma máquina de propaganda corrupta: As corporações midiáticas.

    Aqui no Brasil a rede globo, quadrilha veja, fsp e estadão até hoje repetem os mantras neoliberais e choram pelo finado fhc.
    Quebraram o Brasil e ainda assim não tem vergonha na cara.
    Insistem em defender o roubo dos especuladores e prescrever “austeridade” aos trabalhadores.

    Quem são os defensores do capital vagabundo?
    civita
    marinho
    frias
    mesquita

    É muito vagabundo jogando contra o Brasil…

Julio Silveira

09 de maio de 2012 às 08h56

O dia que o estado começar a olhar com mais atenção para o tal mercado e perceber que ele não passa de meia duzia de pessoas controla essa entidade, num nível de poder que sobrepõe-se até ao estado, e passar a pensar em colocá-los em seu devido lugar, as coisas começarão a melhorar para os cidadãos em geral. O que ocorreu foi por causa de conveniências politicas. Formou-se uma parceria sólida do sistema financeiro com o sistema politico em detrimento do cidadãos, nos sistemas democráticos, souberam se aproveitar do sistema em suas deficiências para equilibrar o poder financeiro entre o individuo eleitor comum e a força dessas grupos para conseguir seu poder dissuasório. A raiz de tudo está aí, os políticos no mundo abdicaram de seu papel de legislar para todos, para seus países, e se concentrar em favorecer um sistema, que poderia ser melhor. Tornaram-se carimbadores da concentração para poucos e exclusão para a maioria, esquecem que isso pode funcionar em beneficio de poucos por um tempo, mas no fim pode destruir nações.

Responder

Renato

09 de maio de 2012 às 01h41

Finalmente, alguém da esquerda fica questionando sobre o fato do crescimento da economia brasileira for baseada no endividamento das pessoas. Eu sempre fui educado que para gente comprar algo, tinha que poupar $$$. Ou poupar o $$$, para ser usado em uma emergência.
Mas o Governo preferiu orientar o povo a gastar. Logo teremos uma cria alá brasileira provocada pelos derivativos.

Responder

    Wlademir Carvalho

    09 de maio de 2012 às 08h32

    Favor nāo confundir endividamento com inadimplência.

    A maioria dos chamados “endividados” certamente tem suas economias que servirāo para o equilíbrio das suas dívidas futuras…vide a caderneta de poupança que bate sucessivos recordes.

    Acho que a oposiçāo e seus seguidores estāo com a confiança minguada…tudo pelo que anseiam e anseiaram nāo vem obtendo êxito.

Jaime

08 de maio de 2012 às 23h57

Desde o tempo do Delfim Neto, todos os economistas adotaram os preceitos da Escola de Chicago, um dos quais era de que é absolutamente normal o crescimento baseado no endividamento (naturalmente o credor era sempre o mesmo). Naquela época a esquerda dizia que o para-sol do quepe dos militares era na verdade uma viseira (dessas que se põe em burros e jumentos), mas sendo assim, diria que os economistas portavam adicionalmente viseiras laterais, superiores e inferiores (alguns as portam até hoje).

Responder

Márcio Carneiro

08 de maio de 2012 às 23h03

Vou repetir o que eu falei no outro artigo sobre a Grécia.
O Povo (esse o povo de verdade e não o povo mito do marxismo) está mandando uma clara mensagem que não aceita pagar a conta da farra dos banqueiros.

Responder

Lucas Cardoso

08 de maio de 2012 às 22h51

O segundo PS do Azenha é essencial. Crescimento econômico baseado em endividamento é o caminho da ruína. Consumo baseado em endividamento arruinou os EUA. O endividamento do governo foi uma das causas do colapso grego.

O aumento do consumo só é seguro se for baseado em melhorias salariais, e o aumento dos gastos governamentais só é seguro baseado em aumento dos impostos sobre riquezas e operações financeiras. O PT quer ter uma coisa sem a outra pra não desagradar os empresários, mas isso terá consequências gravíssimas para nosso futuro.

Responder

Marcus

08 de maio de 2012 às 22h01

PS2 do Azenha: Só que nossa “bolha” mais contextável está nos bancos públicos, isso é uma diferença gritante (e não são exatamente títulos podres). A saída dos planos de financiamento terá que ser bem feita. É claro que se tudo der certo, o próprio engrenar da economia vai ser a saída.

Responder

laura

08 de maio de 2012 às 21h57

É isso aí, Azenha, a expansão brasileira baseada no endividamento(crédito) é de certa forma mais do mesmo.
Não é só isso, mas aqui também esta tendo arrocho nos gastos públicos. Os servidores das Universidades Federais param amanha e quinta contra tal arrocho. Sou a favor. Ninguém aguenta mais. Sugiro que façam uma matéria sobre isso, entrevistando funcionarios e grevistas .

Responder

    Mariac

    11 de maio de 2012 às 13h19

    Meu único problema com reportagens sobre greves é que ninguém posta o contra-cheque.E ficam querendo enganar o leitor. O problema é a divisão da renda. Se uns ganharem muito bem outros vão ganhar muito mal.

    Ninguém solicita transporte coletivo e financia seu carrinho.Eu sou a única pessoa que conheço que devolveu um carro ganhado, era ecologista desde que nasceu, tentou criar um jornal ecológico aos 23 anos, em plena ditadura ( e quando ninguém falava nisso) e não se conseguiu, claro. E não participou do pedido para o último aumento salarial pois está contente com 3000.

    Abel

    11 de maio de 2012 às 15h16

    Pois é. E eu, quando me aposentar, vou me dar por satisfeito se conseguir chegar ao teto do INSS. Mas é da natureza humana querer sempre mais…

ricardo silveira

08 de maio de 2012 às 21h45

Quando um país depende da participação de um partido neonazista para formar o governo e definir sua política de salvação nacional é porque a vaca já se atolou no brejo. Tomara que encontrem um caminho seguro, mas, com ou sem dominação do mercado financeiro o futuro dos gregos é totalmente incerto.

Responder

Francisco

08 de maio de 2012 às 21h21

Até onde sei o problema não é casa demais, pode vir a ser classe média de menos.

Enquanto a redistribuição de renda perceverar, tudo bem. O deficit de casas no Brasil é astrnômico, principalmente se levarmos em conta que metade das casas que existem, não são casas, mas “arranjos”.

De todo modo, acredito (espero) que o modelo por endividamento só perdure até os gringos voltarem a comprar. No mais, é sofrer antes da hora…

Responder

Felipe

08 de maio de 2012 às 21h12

O começo da crise, lá nos EUA, não foi só uma questão de bolha imobiliária.
Foi a utilização do subprime(coletivamente) em derivativos. Ou seja, misturou financiamento de ALTO RISCO com outras formas de investimento através do derivativos, que, na teoria, diminuiria o risco.

O financiamento imobiliário no Brasil não é de alto risco, os juros não são abusivos e o governo tem o controle, aliás, eu espero que tenha. hehehe

Responder

José X.

08 de maio de 2012 às 20h53

Alguém me explique o aconteceu na Espanha, onde elegeram os caras que apoiam o “austeritarismo” (e que obviamente, logo em seguida já começou a ferrar o povo espanhol). Se bem que talvez por lá não há muito o que escolher, mas eleger o tal de Rajoy foi uma burrice fenomenal.

Responder

    zezinho

    09 de maio de 2012 às 11h40

    Muito fácil de responder. Simplesmente foram levados ao poder os representantes da oposição. Em épocas como essa a coisa mais normal é eleger a oposição. Em alguns lugares foi a esquerda e em outros a direita.

Willian

08 de maio de 2012 às 20h53

“Sei não, essa expansão brasileira baseada no endividamento…”

Exato, Azenha, um dia a nossa bolha explode também.

Responder

Nilo

08 de maio de 2012 às 20h50

O capitalismo vive do consumo. Chega um ponto que as pessoas precisam ficar pobres para voltarem a consumir. A nossa vez vai chegar daqui uns 10 anos. Pela quantidade contrução de moradias que estão sendo feitas a nossa bolha imobiliaria também vai chegar, Por isso vendi 2 casas de aluguel e comprei terrenos comerciais.

Responder

Gilberto Rozzoline

08 de maio de 2012 às 20h16

Noto principalmente a construção civil. Salvador está um verdadeiro canteiro de obras. Quando circulo pela cidade, tenho a sensação que estão fazendo prédios demais. Vai chegar uma hora que não teremos mercado para tantos imóveis. Ai… USA, Espanha…

Responder

Fabio Passos

08 de maio de 2012 às 20h03

“austeridade” é o nome que a mídia-corrupta dá para o roubo da sociedade pelas oligarquias financeiras.

E a roubalheira não tem limites. As nações são saqueadas até quebrar. Isto aconteceu na América Latina na última década do século passado: fhc quebrou o Brasil, menem quebrou a argentina… agora acontece na Europa.

Tomara que a Grécia consiga resgatar a sua democracia e atender os desejos de seu povo.

Nós aqui no Brasil também temos de aprofundar as medidas de proteção contra a nova onda da crise. Ainda temos uma das mais altas taxas de juros do planeta. É preciso tascar taxa no capital vagabundo.

Responder

carlos cruz

08 de maio de 2012 às 19h57

Realmente é preocupante que brasileiros estejam aumentando o consumo atraves (apenas!) do aumento de suas dívidas, sem que haja distribuição de renda real. Lembra a década de 70, o tal “milagre”, quando Estado e brasileiros torraram dinheiro que não possuiam, e tambem os anos FHC, do dolar R$0,50, e a explosão quando tudo ruiu. Já nos foi provado (varias vezes!) que a festa acaba mal e a sociedade paga no final, ficando com os restos e a divida. Preocupante…

Responder

Deixe uma resposta

Apoie o VIOMUNDO - Crowdfunding
Loja
Compre aqui
A mídia descontrolada

O livro analisa atuação dos meios de comunicação e traz uma coletânea de artigos produzidos por um dos maiores especialistas do Brasil no tema da democratização da comunicação.