VIOMUNDO

Diário da Resistência


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Mike Whitney leu a sentença de morte da Grécia


15/02/2012 - 03h48

Qual é o Conteúdo das Novas “Medidas de Austeridade”

A Sentença de Morte da Grécia

Por Mike Whitney, no CounterPunch, em 13.02.2012

“Nós estamos diante da destruição. Nosso país, nossas casas, estão a ponto de pegar fogo. O centro de Atenas está em chamas”. (Costis Hatzidakis, parlamentar conservador)

No domingo, o Parlamento grego aprovou uma nova rodada de medidas de austeridade que vão aprofundar ainda mais os cinco anos de depressão e dilacerar as últimas fibras da coesão social. Para assegurar um empréstimo de 130 bilhões de euros, os líderes políticos gregos concordaram em se dobrar ao “Memorando de Entendimento” (MOU) que não somente vai intensificar os sacrifícios dos trabalhadores comuns mas também vai, efetivamente, entregar o controle da economia da nação aos bancos e corporações estrangeiros.

O Memorando é um documento calculado e mercenário como jamais algo foi escrito. E enquanto o foco está  nos cortes profundos nas pensões, no salário mínimo e nos salários do setor privado; existe muito mais nesse mandado oneroso do que se enxerga à primeira vista. O documento de 43 páginas deve ser lido do começo ao fim para que se possa compreender todo o vácuo moral das pessoas que ditam a política na zona do Euro.

A Grécia terá de provar que atingiu todas as metas antes de receber um centavo do dinheiro alocado no programa de socorro financeiro. O Memorando destaca, com muitos detalhes, todas as metas – de redução de gastos com remédios que salvam vidas a “remoção de barreiras à venda de produtos restritos, como comida de bebê”.

Isso mesmo; de acordo com os autores do memorando obscuro, a única maneira através da qual a Grécia poderá sair do buraco é envenenando as crianças com alimentos banidos.

O MOU exige um corte de 10% nos salários do funcionalismo público, cortes nos “fundos de seguro social e nos hospitais”, e mais privatização dos bens públicos. Tudo isso vai reduzir ainda mais o PIB.

Sobre a privatização: “O governo está pronto para oferecer à venda o que ainda possui de controle em empreendimentos estatais, se necessário para atingir os objetivos da privatização. O controle público será limitado a casos de redes críticas de infraestrutura.”

No lugar de fornecer auxílio fiscal para que a Grécia possa cumprir suas metas orçamentárias e se reerguer, a troika (Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional) está usando a crise para tomar bens vitais do estado e entrega-los às corporações amigas. O MOU está abrindo novas avenidas de exploração e pilhagem. E tem mais:

“O governo não vai propor nem implementar medidas que possam infringir as regras de livre movimentação de capitais. Nem o estado ou entidades públicas fecharão acordos com acionistas com a intenção ou efeito de barrar a livre movimentação de capitais ou influenciar a administração ou o controle das empresas. O governo não vai dar início nem apresentar qualquer proposta de teto de votação ou aquisição, e não vai estabelecer qualquer direito de veto desproporcional e não justificável ou qualquer forma de direito especial nas empresas privatizadas.”

Bem, fica muito claro: o capital manda. Os interesses das corporações e dos bancos terão precedência sobre os das pessoas. A proclamação dos limites do papel do governo a um aprovador das ações predatórias dos especuladores, cujo interesse exclusivo é engordar a carteira de seus acionistas.

Também existe um longo capítulo sobre “Reformas Estruturais para Incentivar o Crescimento” que nunca explica como a economia deve se expandir quando as medidas de austeridade estão reduzindo o consumo e os investimentos. Ao contrário, o Memo foca com precisão na remoção de barreiras alfandegárias e no corte de salários. Aqui vai um exemplo:

“Dado que o resultado do diálogo social para promover o emprego e a competitividade deixou a desejar, o governo vai tomar medidas para rapidamente ajustar o custo da mão-de-obra para combater o desemprego e restabelecer o custo de competitividade, assegurar a eficácia das recentes reformas do mercado de trabalho, alinhar as condições trabalhistas das empresas que pertenciam ao estado às condições do restante do setor privado e tornar os acordos sobre a jornada de trabalho mais flexíveis. Esta estratégia deve ter como meta a redução nominal do custo da unidade de mão de obra na economia em 15% entre 2012-2014. Ao mesmo tempo, o governo deve promover suaves negociações trabalhistas em vários níveis e combater a economia informal.”

Você não acha, querido leitor, que se você tivesse recomendado políticas que resultassem em dois anos de recessão severa e desemprego recorde (o desemprego na Grécia, agora, está no pico, em 20,6%), que você ficaria caladinho e admitiria que você decididamente não sabe do que está falando?

Não se você fosse ministro das finanças da União Europeia. Você prescreveria as mesmas políticas que falharam em toda parte; as políticas que reduziram o consumo, encolheram a arrecadação do governo, incrementaram o desemprego e aprofundaram a crise. Esse é o tipo de idiotice que se passa como política na zona do euro.

O Memorando também contém uma seção esclarecedora sobre “ambiente de negócios”, que vai de todas as benesses para a indústria ao livre comércio. Aqui, um exemplo típico:

“…[que o governo grego] pare de destinar as cobranças não recíprocas calculadas sobre o preço do combustível em favor do Fundo Mútuo de Distribuição dos Operadores de Prospecção de Combustíveis Líquidos”.

Tilim! Mais boquinhas para os empresários. O documento todo é, assim, um favor às corporações atrás do outro.

“Implementação da lei 3982/2011 sobre a aprovação rápida de licenças para profissões técnicas, atividades manufatureiras e parques de negócios e outras provisões”.

O que isso tem a ver, você perguntaria?

Não tem. Simplesmente mostra o que o MOU realmente é. Uma “lista de desejos” das corporações; uma mistura de políticas punitivas de aperto de cinto para a classe trabalhadora e benesses para as grandes empresas de petróleo, gás, eletricidade, aviação, estradas, comunicações, etc. “Autorização rápida de licenças” e “comida de bebê” não tem nada a ver com ajudar a Grécia a atingir suas metas orçamentárias. É uma piada. Olhe isso:

Memo: “De acordo com os objetivos da política expressa na lei 3919/2011 sobre a regulamentação das profissões, o governo remove todas as barreiras do mercado de táxis… de acordo com as práticas internacionais.”

Então, até mesmo os motoristas de táxi ganham um lugar no balaio? Isso não parece um pouco irrelevante?

Nada disso tem algo a ver com ajudar a Grécia. É apenas pilhagem corporativa desvairada. A Grécia é uma grande piñata que rachou e abriu e todo mundo está se acotovelando para encher a mão de balas.

Memo: “O governo cria uma força tarefa (para) rever a …a administração judicial, incluindo a possibilidade de remover casos inativos dos registros dos tribunais…Seguindo a entrega do plano de trabalho para a redução do acúmulo de casos relativos à cobrança de impostos em todos os tribunais administrativos e tribunais de apelação em janeiro de 2012, o que providencia alvos intermediários para a redução do acúmulo de até 50% até o fim de junho de 2012, ao menos 80% até o fim de dezembro de 2012; para acabar com todo o acúmulo de casos até o fim de julho de 2013, o governo apresenta seu plano até o fim de maio de 2012.”

Se a Grécia quer incrementar a arrecadação, por que restringir a caça à sonegação de impostos? Isso não é contraproducente? Esse é apenas mais um sinal de que o Memo foi desenhado por homens poderosos que operam por trás da capa de seus lacaios políticos.

Memo: “O governo lança o Decreto Presidencial da reforma dos magistrados da justiça criando uma nova estrutura, ocupando postos vagos com formandos da Escola Nacional de Juízes e realocando juízes e pessoal administrativo com base em recursos existentes disponíveis no judiciário grego e na administração pública. [Q4-2012] O governo lança, em conjunto com o corpo de especialistas externos, um estudo dos custos de litígios civis, seu aumento recente e seu efeito no volume de trabalho dos tribunais civis, com recomendações devidas até o fim de Dezembro de 2013.”

Claro; simplesmente deixe grandes financeiras e a elite corporativa “enxugar” o acúmulo de trabalho dos tribunais com seus machados e os processos serão cortados pela metade. O que isso diz a respeito dos homens autores deste texto?

Você pode perceber a farsa que esse chamado Memorando de entendimento realmente é. Ele não vai ajudar a Grécia a sair da depressão em que se encontra, e não vai levar a uma maior integração da zona do Euro. É apenas mais uma refeição para as hienas corporativas.

O que a Grécia precisa é de uma reestruturação radical de suas dívidas. Precisa dar calote nos credores privados, recapitalizar seus bancos e incrementar o auxílio fiscal até que a economia se recupere. Outro pacote de empréstimo não vai ajudar a atingir essas metas. Simplesmente vai adiar o dia do acerto de contas. Seria melhor para todo mundo se o país declarasse uma moratória rapidamente e começasse o processo de sair do buraco agora — e não mais tarde.

Mike Whitney mora no estado de Washington. Ele contribuiu para o livro “Hopeless: Barack Obama and the Politics of Illusion”, que sairá pela AK  Press.

Leia também:

 

Allen Frances: Um alerta a médicos e pais sobre o déficit de atenção





53 comentários

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Grécia ameaça detonar o partido do austeritarismo « Viomundo – O que você não vê na mídia

08 de maio de 2012 às 20h30

[…] Mike Whitney leu a sentença de morte da Grécia […]

Responder

Jotage

17 de fevereiro de 2012 às 15h16

Tá todo mundo louco. Com quem o BCE e FMI pensam que estão falando? Com o FHGC?
O G é por minha conta, é de genuflexão.

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    beattrice

    21 de fevereiro de 2012 às 14h41

    O BCE, o FMI e a dita Comissão Européia formam a troika do mal que pretende desencadear uma guerra ou estabelecer o IV REICH.

Julio Silveira

16 de fevereiro de 2012 às 15h00

Nas democracias que conheço, onde a parte do povo é votar em um tutor, que o usara para arbitrar, geralmente a seu favor (de seu interesse não o do povo). Democracia que não funcionar como uma onda, vinda de baixo para cima, está fadada a ser um arremedo um codinome. Temos no mundo o inverso, uns poucos oportunistas do sistema ditam, de cima para baixo o que bem entendem como o melhor ao cidadão resta obedecer sob pena morte, vinda, o que é mais tragico, de seus sustentados . Enquanto vigir esse conceito de democracia o cidadão apreguiçado não tem do que reclamar. Esperar a santidade homana, que sejam de fato ilibados e integros diante do poder e dos recursos, homens sem preparo psicologico algum, a não ser ambição, e cada vez mais sem a cultura civica basica, as facilidades e possibilidades consequentes para se construir personalidades autoritarias, faz disso é uma utopia. Em um conto da carochinha que está ai, sendo mostrada todo santo dia. Vem de todas as direções onde hajam poder. Desde militares aos civis, sem distinção, exatamente da mesma forma.

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PedroAurelioZabaleta

16 de fevereiro de 2012 às 01h22

Alguém aí ainda tem alguma dúvida sobre onde estaríamos se não tivéssemos escolhido o NuncaDantes em 2002?
Ou o NuncaDantes em 2006?
ou a Dilma em 2010?
A Grécia é o bairro Pinheirinho da Europa!

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ZePovinho

15 de fevereiro de 2012 às 21h09

esistir.info/financas/mee_13fev12.html

França acelera ratificação do MEE

por Rudo de Ruijter [*]
No dia 2 de Fevereiro de 2012 a nova versão do Tratado do Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE) foi assinada pelos representantes legais (Embaixadores do Comité dos Representantes Permanentes, CoRePer) dos 17 países da zona euro. [1]

Anteriormente Alain Juppé havia apresentado um projecto de lei com tramitação acelerada para fazer com que o tratado fosse ratificado pela Assembleia Nacional [2] .

A sessão de ratificação está prevista para 21 de Fevereiro de 2012.

Fim do poder supremo do parlamento

Como tenho denunciado nos meus artigos sobre o MEE, este tratado põe fim à soberania nacional dos países membros e reduz de modo significativo o poder dos parlamentos nacionais, em particular o seu poder supremo, o de decidir acerca do orçamento dos seus respectivos países. O tratado que será associado ao MEE reduzirá ainda mais as possibilidades dos governos nacionais para gerirem seus países e enfrentarem os problemas.

Comprometer-se financeiramente sem conhecer as condições

Se os países da zona euro ratificarem o tratado do MEE [3] , eles comprometem-se com contribuições financeiras. Contudo, não poderão beneficiar das contrapartidas pois estas serão condicionadas por um outro tratado que não é ainda definitivo (e portanto não está assinado e nem ratificado). Curioso? Sim. Esta contribuição financeira não é de pequeno montante. Com os números actuais tratar-se-ia, no arranque, de um montante quase comparável aos impostos sobre os rendimentos anuais. Este montante é devido em cinco fatias anuais. Mas já está previsto que só alguns dias após a ratificação francesa, no mês de Março, é que as necessidades financeiras para o MEE venham a ser reavaliadas. Montantes várias vezes superiores já foram anunciados. ……………………….
[youtube EIHC34exwZ4 http://www.youtube.com/watch?v=EIHC34exwZ4 youtube]

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ricardo silveira

15 de fevereiro de 2012 às 21h04

Torço para que o povo grego não aceite os termos do acordo. Vão comer o pão que o diabo amassou, mas, em curto tempo, vão ficar muito melhor do que estão. A Argentina está melhor hoje que antes do calote. São muitos os exemplos que mostram a perversidade do capitalismo financeiro.

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Carlos Cruz

15 de fevereiro de 2012 às 20h53

O povo grego ( e depois dele o portugues, espanhol e italiano) está sendo jogado em um campo de concentração alemão, com as fornalhas ardendo, prontas para dizimar em nome da ocupação e pilhagem. Auschwitz-Birkenau é fichinha frente ao que fazem na Grecia, e podendo se alastrar por toda Europa. Ja escreví que a Alemanha perdeu a guerra na década de 1940, mas agora invade e pilha a Europa atraves do garrote financeiro.

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Rafael

15 de fevereiro de 2012 às 20h33

Acredito que a Grécia não vai sair dessa situação. Só vai piorar. Digo isso pelo seguinte: Argentina que deu o calote fez isso por causa das consequências políticas de manter o país quebrado. Na Grécia hoje esse risco não existe. A democracia por lá virou um circo e o povo é o palhaço. O primeiro ministro da Grécia é um banqueiro que está por imposição, não foi eleito democraticamente. Democracia não se aplica na Grécia. Então manter o país na falência não muda nada. Ninguém vai meter a cara e aplicar um calote da dívida, o membros do governo grego estão lá justamente para isso não acontecer.

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Rafael

15 de fevereiro de 2012 às 20h26

O que acontece com a Grécia hoje é o que aconteceria com o Brasil se serra tivesse sido eleito em 2002. Estávamos rumo ao desastre. Rumo à falência.

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    Bruno

    16 de fevereiro de 2012 às 00h27

    Rafael
    Não estamos livres de ser atingidos por essa crise profunda do sistema capitalista. Somos um país capitalista. Estamos nesse rolo.
    De qualquer forma assistir a essa lenta agonia do povo trabalhador grego soa trágico. E o mundo assistiu a tudo,sordidamente silente.

Matheus

15 de fevereiro de 2012 às 20h19

A única solução para a Grécia é um governo de esquerda radical para nacionalizar os bancos, dar o calote na dívida e passar o fogo nesse bando de burguês corrupto que destruiu o país.

E depois falam de Cuba, não é? Sem embargo, com ajuda financeira da União Européia, FMI e Banco Mundial, a Grécia autodestruiu-se ao adotar o capitalismo liberal, da mesma forma que o Chile nos anos 1980, a Argentina em 2001, o Brasil sob FHC, etc. E Portugal e EEUU também não vão bem das pernas.

Responder

ZePovinho

15 de fevereiro de 2012 às 19h49

Vamos divulgar o projeto do senador Lindbergh Farias(PT-RJ),meu contemporâneo de graduação lá na Paraíba,mizifio Azenha.SARAVÁ!!!!!!!!!!
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMos

Projeto proíbe governo de indexar dívida pública ao juro do BC
Senador Lindbergh Farias (PT-RJ) apresenta proposta para que Tesouro Nacional não possa mais vender títulos públicos atrelados à taxa de juros do Banco Central, a Selic. Para ele, indexação, que só existe no Brasil, prejudica contas públicas e dá poder ao "mercado" para pressionar BC contra redução de juros. Um terço da dívida atual varia junto com a Selic.
André Barrocal
BRASÍLIA – O senador Lindbergh Farias (PT-RJ) vai apresentar projeto de lei para proibir o uso da taxa básica de juros do Banco Central (BC) e do dólar como indexadores da dívida pública. A proposta, que altera uma lei de 2001 que define as regras gerais para a gestão de títulos públicos pelo Tesouro Nacional, estabelece prazo de dois anos para o fim da venda de papéis com aqueles dois indexadores.

Para o senador, o atrelamento de títulos ao juro básico do BC, a chamada Selic, é uma jaboticaba que só existe no Brasil e prejudica o país por três razões principais.

Primeira: quando o banco, de olho no controle da inflação, decide subir o juro, aumenta a dívida automaticamente. “O esforço fiscal para administrar essa dívida tem sido gigantesco”, disse Lindbergh à Carta Maior.

Segunda: o atrelamento dá poder ao “mercado” contra o interesse público. “Estou convencido de que, a cada discussão sobre juros, há uma pressão destes credores para o BC não baixar a Selic porque eles ganham dinheiro com isso”, afirmou o senador.

Terceira: indexar ajuda a atrair especuladores estrangeiros ao Brasil, que vêm em busca de lucro alto. Se houvesse um freio no ingresso de dólares, a moeda norte-americana deixaria de baratear. O câmbio valorizado afeta as exportações e estimula a entrada de importados. ……………………

[youtube 5aMvA4OOSN8 http://www.youtube.com/watch?v=5aMvA4OOSN8 youtube]

Responder

    Rafael

    15 de fevereiro de 2012 às 20h19

    Isso é muito bom. Tomara que aprove.

FrancoAtirador

15 de fevereiro de 2012 às 19h32

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A ÚLTIMA CARTADA NEOLIBERAL: O GOVERNO SEM POVO.
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Responder

    FrancoAtirador

    16 de fevereiro de 2012 às 00h01

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    .
    Grécia, a receita infalível para destruir um país

    Por Marco Aurélio Weissheimer, na Carta Maior

    A cobertura jornalística sobre a crise na Grécia e em outros países europeus é abundante em números, mas escassa em relatos sobre os dramas sociais cada vez maiores.

    Uma exceção nessa cobertura é uma matéria da BBC que fala sobre como a crise financeira grega causou tamanho desespero em algumas famílias que elas estão abrindo mão dos próprios filhos.
    Há casos de abandono de crianças em centros de juventude e instituições de caridade em Atenas.
    “No último ano, relatou à BBC o padre Antonios, um jovem sacerdote ortodoxo grego, “recebemos centenas de casos de pais que querem deixar seus filhos conosco por nos conhecerem e confiarem em nós.
    Eles dizem que não têm dinheiro, abrigo ou comida para suas crianças e esperam que nós possamos prover-lhes isso”. Até há bem pouco tempo, a Aldeias Infantis SOS da Grécia costumava cuidar de crianças afastadas de seus país por problemas com álcool e drogas. Agora, o problema principal é a pobreza (ver vídeo).

    Crescem casos de abandono e desnutrição infantil
    Segundo os responsáveis pelas Aldeias SOS está crescendo o caso também de crianças abandonadas nas ruas. De acordo com as estatísticas oficiais, 20% da população grega está vivendo na pobreza e cerca de 860 mil famílias estão vivendo abaixo da linha da pobreza. No final de janeiro, o governo grego anunciou que iria começar a distribuir vales-refeição para as crianças após quatro casos de desmaios em escolas por desnutrição. A medida, segundo o governo, seria aplicada principalmente nos bairros mais afetados pela crise econômica e pelo desemprego. Em um segundo momento, também receberiam os vales as famílias em situação econômica mais grave. “Há casos de alunos de famílias pobres que passam o dia todo na escola sem comer nada”, denunciou, em dezembro de 2011, Themis Kotsifakis, secretário geral da Federação de Professores de Ensino Médio.

    Apesar desses relatos, para as autoridades do FMI, do Banco Central Europeu e da Comissão Europeia, a Grécia ainda não reuniu todas as condições para receber uma nova ajuda. A perversidade embutida neste discurso anda de mãos dadas com o cinismo. No dia 24 de janeiro deste ano, Sonia Mitralia, membro do Comitê Grego contra a Dívida e do Comitê para a Anulação da Dívida do Terceiro Mundo (CADTM), denunciou, diante da Comissão Social da Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa, em Estrasburgo, a crise humanitária sem precedentes que está sendo vivida na Grécia. Segundo ela, as medidas de austeridade propostas pela troika representam um perigo para a democracia e para os direitos sociais.

    “Dizimaram toda uma sociedade europeia para nada”
    Mitralia lembrou que as próprias autoridades financeiras admitem que, se suas políticas de austeridade fossem 100% eficazes, o que não é o caso, a dívida pública grega seria reduzida para 120% do PIB nacional, em 2020, ou seja, a mesma percentagem de 2009 quando iniciou o processo de agravamento da crise.
    “Em resumo, o que nos dizem agora cinicamente, é que dizimaram toda uma sociedade europeia…absolutamente para nada!”.
    Estamos vendo agora, acrescentou, “o sétimo memorando de austeridade e destruição de serviços públicos, depois dos seis primeiros terem provado sua total ineficácia.
    Assiste-se a mesma cena em Portugal, na Irlanda, na Itália, na Espanha e um pouco por toda a Europa, disse ainda Mitralia: afundamento da economia e das populações numa recessão e num marasmo sempre mais profundos.

    Além do abandono de crianças e da desnutrição infantil, Mitralia aponta outros deveres de casa que estão sendo cobrados da Grécia e cuja execução é considerada insuficiente:
    o desemprego é de 20% da população e de 45% entre os jovens;
    as camas dos hospitais foram reduzidas em 40%;
    já não há nos hospitais públicos curativos ou medicamentos básicos, como aspirinas;
    em janeiro de 2012, o Estado grego não foi capaz de fornecer aos alunos os livros do ano escolar começado em setembro passado; milhares de cidadãos gregos deficientes, inválidos ou que sofrem de doenças raras tiveram seus subsídios e medicamentos cortados.
    Mas, para o FMI e a União Europeia, a Grécia ainda não está fazendo o suficiente…

    [youtube j17kutUZ7fs http://www.youtube.com/watch?v=j17kutUZ7fs youtube]

    Íntegra em:

    http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMos

Luiz

15 de fevereiro de 2012 às 19h06

Isso é um golpe, estão executando as dívidas de um estado como se fosse uma empresa. Eles podem ter inventado o Estado, mas pelo jeito isso foi a tanto tempo que ja se esqueceram que é muito diferente de uma padaria,. Pelo visto os donos da padaria vão vender todos os fornos e danem-se os clientes, que procurem outra padaria. Acho que lá ja não tem mais solução pelas regras do jogo, pois o jogo acabou.

Responder

Bonifa

15 de fevereiro de 2012 às 18h24

Isso não é um "memorando de entendimento". São as duras condições impostas por conquistadores. A Grécia perdeu a soberania. Vai comer o pão que o Diabo amassou, se tiver ainda sorte de comer alguma coisa. Foi invadida, dominada, subjugada e agora sujeita-se às regras cruéis dos conquistadores. Só que, pela primeira vez na História, os conquistadores não são outros países. São simplesmente os banqueiros internacionais, em carne e osso, sem intermediários. E eles não vão se saciar apenas com a Grécia, esses modernos Hunos financeiros.

Responder

eunice

15 de fevereiro de 2012 às 18h00

E o PT está a treinar para hiena. Quero dizer, o governo atual.

Responder

eunice

15 de fevereiro de 2012 às 17h59

Doravante, FHC e Serra serão chamados de hienas. As hienas que se refestelaram enquanto a
mídia vigiava.

Responder

Luiz

15 de fevereiro de 2012 às 17h55

Esse é o momento do povo grego escolher seu destino. Se deixar nas mãos dos agentes financeiros, tiram até o País deles, assim como fizeram com os palestinos.

Responder

RicardãoCarioca

15 de fevereiro de 2012 às 16h38

Não tem nada que me lembre mais a triste era FHC em nosso país do que esse momento grego. Vocês, mais jovens não viram e/ou não sentiram na pele aquela caristia, estatais sendo primeiro, sucateadas; em segundo, perdendo qualidade; em terceiro, recebendo críticas da impressa vendida e dos grupos políticos no poder; em quarto, vendo ser criado o clima político favorável para venda; em quinto, as vendas a preços módicos; em sexto, uma rápida turbinação de capital para revigorar as estatais e atender todas as demandas represadas para que; em sétimo, fossem entregues, as agora ex-estatais, sem passivos, só com ativos. Tudo as nossas custas, já que as poupudas comissões foram para os bolsos deles através de empresas off-shores.
Pensem bem antes de quererem votar em demotucanos.

Responder

WALDIR FERREIRA

15 de fevereiro de 2012 às 15h40

a Grecia estara vivendo uma ditaduta economica,onde sempre sobra no lombo do povo grego,
imagines vcs se esta crise fosse num pais arabe,os capitalistas estariam a fomentando,
a salvação,ocupem Atenas,
invadam o congresso,
expulsem os congressistas vendilhões….
tomem o PODER !!!!!!!

Responder

Jeff

15 de fevereiro de 2012 às 15h39

Viva a republica corrupta Helenica !

Responder

    Bonifa

    15 de fevereiro de 2012 às 18h26

    O Diabo não deixou de ter seu fã-clube.

lukaspereira

15 de fevereiro de 2012 às 15h37

o IV Reich parece cada vez mais perto… a Alemanha é sempre protagonista dos momentos difícieis da Europa, é impressionante como a história se repete!

Responder

_Rorschach_

15 de fevereiro de 2012 às 15h25

Daqui a pouco vão vender o Partenon…

Responder

    beattrice

    21 de fevereiro de 2012 às 14h46

    Um político alemão teve a ousadia de sugerir isso em público, os gregos responderam pedindo todos os produtos de saque da Grécia que estão em museus europeus DE VOLTA.

Marcelo

15 de fevereiro de 2012 às 15h23

Quero ver na hora que não existir mais nada pra privatizar. Aí vão mandar as mães vender suas filhas.

Responder

Alan Carvalho

15 de fevereiro de 2012 às 15h15

Só faltou dizer que a letra Z será abolida do alfabeto grego.

Responder

LULA VESCOVI

15 de fevereiro de 2012 às 14h21

Por que o povo grego não aproveita e toma conta do poder,fazendo a revolução?

Responder

    eunice

    15 de fevereiro de 2012 às 18h03

    Vai morrer gente, mas talvez façam. E Coreanos também enfrentam a malvadeza. Agora brasileiro….
    esfomeado e cansado do metô, esse não.

    Abdula Aziz

    15 de fevereiro de 2012 às 19h23

    O brasileiro esfomeado e cansado do metrô e dos impostos não toma e nem tomará alguma atitude porque têm seu carnaval, o futebol e o churrasco do fim de semana. Esse tipo de povo nunca tomará uma iniiciativa pra nada.
    E depois tem gente que escreve falando mal dos argentinos. Os caras vão pra rua e fazem barulho. Fazem o "panelaço". A gente fica em casa soltando bufa, deitado, no sofá. Que país é esse.

    Rafael

    15 de fevereiro de 2012 às 20h21

    Abdula essa característic do povo é por causa de 21 anos de regime militar. Esse período criou a cultura que se manifestar, mobilizar é errado, é coisa de vagabundo, de comunista. O regime militar dominou o povo, deixou o povo com medo de se mobilizar.

    beattrice

    21 de fevereiro de 2012 às 14h42

    Na Argentina também houve ditadura militar, por que lá a gritaria não para nunca e a mobilização é permanente?

    Bruno

    16 de fevereiro de 2012 às 00h43

    Abdula
    Fomos teinados para pensar que somos assim. Mas isso não é verdade. Somos latinoamericanos,terra de mestiços de feitos heróicos.Histórias que não são contadas.
    Quem ouviu falar de Abreu Lima,um brasileiro pernambucano, nascido em 1794, que expulso do Brasil por participar de insurreição em Pernambuco, foi lutar com Simón Bolívar pela libertação da América do Sul? E de Sepé Tiaraju, um índio guerreiro guarani, considerado um santo popular brasileiro e declarado "herói guarani missioneiro rio-grandense" pela Lei nº 12.366? E a Conjuração Baiana? E os milhares de quilombos ponteando o Brasil de norte a sul? São tantas heróicas lutas,que até pouco tempo permaneciam ocultas,no interesse de comprovar a "passividade"do brasileiro. Que nada mais é do que uma lenda.
    Primeiro que tudo temos que resgatar essa história verdadeira das nossas lutas populares. E isso vem sendo feito com muita competência por jovens e não tão jovens historiadores brasileiros.
    E sacudir o jugo, unir as forças e sair para a luta.

    Filipe Rodrigues

    16 de fevereiro de 2012 às 13h26

    Meu caro LULA VESCOVI, a Grécia terá eleições em Abril, os partidos de extrema-esquerda tiveram um crescimento considerável nas pesquisas, com grandes chances de vencerem as eleições.
    O Partido Comunista Grego vai eleger sua maior bancada desde 1958.

Marcos

15 de fevereiro de 2012 às 13h41

É nesta hora do desespero que os financistas mais ganham. FHC chegou a colocar a tx de jutos em 49%. O dinheiro corre dos trabalhadores para os financistas. A Grecia devia dar logo o calote, ai consegue negocia em outras bases, quanto mais demorar, piior.

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Lucas Cardoso

15 de fevereiro de 2012 às 13h34

O mais esquisito nessa austeridade grega é que cortaram o salário mínimo mas não cortaram os salários dos parlamentares, governadores e do primeiro-ministro.

Esquisito, não?

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Francisco

15 de fevereiro de 2012 às 12h03

Quer saber? Bem feito!

No "Mein Kampf", o próprio Hitler dizia que na economia de mercado existem duas classes os "capitalistas" e os "proletários". Dizia ele: " (…) a Alemanha não será proletária de ninguém.".

A natureza do capitalismo é essa, um engolindo o outro, sem dó ou piedade. Guerra, chacina e Lexotan. Dó e piedade não dão lucro. Tava bom na hora da "xêpa", Grécia? Pois é, agora guenta… ou abraça o socialismo!

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Arthur Schieck

15 de fevereiro de 2012 às 10h37

Lembro vagamente que a Argentina deu um megacalote há alguns anos e ninguém morreu por isso.
afinal, quem tem medo do calote?

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    Fabio_Passos

    15 de fevereiro de 2012 às 22h25

    Exato.
    O exemplo positivo da Argentina está aí bem recente… infelizmente ainda não apareceu um Kirchner grego.

    beattrice

    21 de fevereiro de 2012 às 14h44

    Os bancos, alemães e franceses, que "emprestaram" $$$$ à Grécia para subjugar o país e obrigar os gregos a consumirem bens de consumos destes dois países.

Julio Silveira

15 de fevereiro de 2012 às 09h49

Parece que o mundo todo é governado por corporações financeiras dirigidas por "Brilhantes".

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    Bruno

    16 de fevereiro de 2012 às 00h51

    Parece?
    Não dá outra.

Eduardo Di Lascio

15 de fevereiro de 2012 às 09h34

Estão brincando com fogo. O povo europeu não é molenga como os brasileiros e vai botar (mais ainda) para quebrar.

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    beattrice

    21 de fevereiro de 2012 às 14h45

    Aliás os gregos literalmente botaram fogo inclusive no Banco Central.

Pedro

15 de fevereiro de 2012 às 09h05

O movimento Ocupe tem como lema: A ÚNICA SOLUÇÃO É A REVOLUÇÃO MUNDIAL.

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    renato

    15 de fevereiro de 2012 às 11h10

    DEPOIS DO CARNAVAL……..Vem a sexta feira santa, Pascoa, festa junina, dia das crianças hallowim, dias dos namorados ,dia das mães, dia dos pais, corpus christis, 1º de maio, Tiraddentes, 7 de setembro, 15 de novembro,dia dos mortos, nossos aniversários, balada, feriado emendado, amigo secreto, natal e por fim final do ano. Acha que eles vão conseguir colocar nós na revolução…Nem a pau, tá bom assim, nunca antes esteve tão bom….Agora que eu comecei a comer o filé, voces querem revolução e escasez geral,
    Este movimento que vá se ocupa com outra coisa…

    Lucas Cardoso

    15 de fevereiro de 2012 às 13h37

    isso mesmo, renato! Justo agora que o fazendeiro resolveu dobrar a ração, eles querem uma revolução dos bichos!!

    eunice

    15 de fevereiro de 2012 às 18h02

    Como ironia serve.

augusto

15 de fevereiro de 2012 às 08h56

Ah!
E a banca financeira brutal.corporativa acaba de cometer seu maior erro!
Porque é na desgraça que surge o líder. E lider é a quem seguimos sem mesmo perguntar aonde vai.
E zorba vai achar que ' antes a morte que um viver de escravos'.

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Caracol

15 de fevereiro de 2012 às 06h58

Bem… talvez que quando o pau vier a comer de uma vez na Grécia, mostrando o caminho para acabar com essa loucura, o mundo venha a receber deles um "presente de grego", desta vez no bom sentido.
Quem sabe, mais uma vez, uma nova "civilização" venha da Grécia?

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