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Partido de esquerda que propõe romper com a troika ultrapassa socialistas na Grécia


06/05/2012 - 20h35

Syriza quer governo de esquerda para romper com a troika

do Esquerda.net

Os partidos da troika podem ficar em minoria no parlamento grego. O líder do Syriza, que alcança o segundo lugar na eleição, propõe um governo de esquerda para romper com o memorando. E diz que “Merkel tem de perceber que as políticas de austeridade sofreram uma grande derrota”. Resultados na Grécia são um “sinal importante que o povo grego dá à Europa”, afirmou a eurodeputada do Bloco Marisa Matias.

Artigo | 6 Maio, 2012 – 22:26

O resultado das eleições gregas representa um autêntico terremoto político: com cerca de metade dos votos contados, a coligação Syriza, que se opõe ao memorando da troika, já ultrapassou em muito o resultado obtido nas eleições de 2009 e confirma-se como a segunda força política grega e a primeira da esquerda. Alexis Tsipras, o líder da coligação, diz que o resultado de hoje mostra que os gregos e os europeus querem “cancelar o memorando da barbárie” a que a troika tem sujeitado o seu país nos últimos anos. A confirmarem-se os resultados que apontam que os partidos apoiantes do memorando serão minoritários no parlamento grego – mesmo com os 50 deputados que são automaticamente atribuídos ao partido vencedor, a Nova Democracia -, Tsipras propôs a formação de um governo de esquerda e disse que esta eleição é “uma mensagem de derrube” do governo da troika.

“A nossa proposta é a de um governo de esquerda que, com o apoio do povo irá recusar o memorando e pôr fim ao rumo pré-determinado do país para a miséria”, afirmou Tsipras, que disse estar certo que a subida meteórica do Syriza não se deve a uma pessoa ou partido em especial, mas a esta proposta que repetiu na campanha eleitoral. A coligação parceira do Bloco de Esquerda no Parlamento Europeu e no Partido da Esquerda Europeia – de que Tsipras é vice-presidente – venceu as eleições em onze círculos eleitorais, incluindo a capital Atenas.

O líder do PASOK falou antes de Tsipras e reagiu à derrota histórica – o partido deve perder mais de dois terços dos votos que teve na última eleição – dizendo que procurará formar um governo com os partidos que apoiam o memorando. Evangelos Venizelos disse estar certo que os resultados deste domingo “excluem o velho sistema dos dois partidos” no governo.

Antonis Samaras, líder do partido mais votado, reagiu aos resultados conhecidos com duas condições para dar início à formação do governo: a manutenção do euro e a mudança das políticas do memorando da troika para “ter crescimento e dar alívio à sociedade grega”.

Os resultados eleitorais — numa altura em que estão contados 70% dos votos —  dão 19.8% para a Nova Democracia, 16,3% para o Syriza, 13,6% para o PASOK, 10,5 para os Gregos Independentes, 8,4% para o KKE (PC grego), 6,9% para os neonazis da Aurora Dourada e 6% para a Esquerda Democrática. A extrema-direita do LAOS, que participou e depois rompeu com o governo da troika, não deverá eleger deputados, obtendo 2,9%. A abstenção está estimada em 38%.

Em comunicado, o KKE já veio rejeitar a proposta do Syriza, classificando esta força de social-democrata e acusando-a de servir para impedir a radicalização da sociedade grega. Para a secretária-geral Aleka Papariga, o resultado do partido não foi uma surpresa, mas a distribuição dos votos indica que o KKE não conseguiu mobilizar o sentimento antitroika do povo grego desta eleição, nem mesmo nos tradicionais bstiões eleitorais comunistas, perdendo votos nas zonas urbanas, onde disputa deputados com os neonazis. O surgimento em força da Aurora Dourada – sobretudo no voto urbano e nos bairros populares – veio abalar a política grega.

Resultados na Grécia são um “sinal importante que o povo grego dá à Europa”

“Já felicitámos o dirigente e o candidato da coligação de esquerda, com quem temos excelentes relações e com quem temos feito um caminho conjunto no sentido de combater esta Europa de austeridade”, informou Marisa Matias.

A eurodeputada do Bloco de Esquerda considera que, com estes resultados, o povo grego “rejeitou a deriva neoliberal de austeridade”. “O que é muito importante porque é um sinal claro de que o povo grego está aberto a que outras propostas surjam, que não sejam sempre neste mesmo caminho”, disse, sublinhando ainda que “rejeitou uma outra, de rejeitar o projeto europeu, porque a Europa pode ser outra coisa”.

Para Marisa Matias, porque “nunca colocaram a hipótese da saída do Euro, nem da União Europeia, mas antes lutaram por um projeto europeu que seja mais solidário e mais consistente”, os gregos dão “um sinal muito importante quer à Europa, quer a Portugal”, que está “numa situação muito semelhante à da Grécia”.

PS do Viomundo: No mesmo dia, o socialista François Hollande se elegeu presidente da França e Angela Merkel perdeu eleições regionais na Alemanha.

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23 comentários

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Grécia ameaça detonar o partido do austeritarismo « Viomundo – O que você não vê na mídia

08 de maio de 2012 às 19h44

[…] Domingo, quando foram divulgados os resultados das eleições na França e na Grécia, optamos por dar destaque ao segundo. […]

Responder

Bonifa

07 de maio de 2012 às 11h53

Se os fascistas europeus tinham a cabeça do lado de fora, agora se erguem até os ombros. O crescimento dos fascistas, tanto na França quanto na Grécia, tem o significado de um claro recado: Se as esquerdas vitoriosas não passarem das palavras à ação, se esta última tentativa democrática de enfrentamento e mudança do sistema neoliberal falhar, a outra alternativa será o nacionalismo Fascista. Ou, mais remotamente, a revolução violenta de fato socialista.

Responder

    Fabio Passos

    07 de maio de 2012 às 12h04

    Análise corretíssima.

    Se a esquerda continuar negando sua responsabilidade histórica de promover uma ruptura com o capital para responder as justas demandas populares… os fascistas vão se aproveitar.

    E isto nos impacta diretamente.

    Os ventos de um eventual avanço socialista na Europa seguramente chegam até o Brasil.
    O ruim é que o futum nauseabundo de um retrocesso fascista também.

Bernardino

07 de maio de 2012 às 10h23

eELIAs, A REDE GLOBO está de Luto pela derrota do SARKOZY,agora de manha a a CB-Lixo do grupo,deu a noticia como se HOLLAND fosse assumir a presidencia da REnault,nem sequer falou que ele foi vitorioso e nem citou a palavra venceu.Esse PIG é lixo mesmo,sendo o lixo melhor pelo menos se RECICLA e eles nao!!!A FRANÇA nao poderia dar outro exemplo que nao a vitoria dos socialista,pois o SArkozy LAMBIA as botas dos EUA,deixando a França,outrora independente,nas maos dos ANGLO-SIONISTAS!!!VIVA LA FRANCE!!!!

Responder

    Fabio Passos

    07 de maio de 2012 às 11h24

    CB-Lixo. rsrs
    Muito bom.

    Fico pensando.
    Será que a maioria dos ouvintes não percebem que estão sendo feito de idiotas pela globo?

Julio Silveira

07 de maio de 2012 às 08h40

Quando a democracia perde força e importância, para se tornar mera carimbadora do poder de alguns controladores do poder financeiro, a humanidade se torna frágil. Não consigo conceber que o poder de milhares de cidadãos possa ser subjugado por meia duzia de pessoas obscuras que determinam a crise, a fome, até a morte de ideais, de governos, sonhos e pessoas. Quando isso acontece os cidadãos viraram marionetes.

Responder

    Fabio Passos

    07 de maio de 2012 às 11h21

    É dever da esquerda representar os anseios de mudança da população.
    Se a esquerda permanecer de costas para as demandas populares e mancomunada com as oligarquias financeiras… corremos o risco do fascismo.

    Esta esquerda institucionalizada abdicou da Revolução.
    Mas a população não.

FrancoAtirador

07 de maio de 2012 às 01h07

.
.
VÍDEO DO DOMINGO ESPETACULAR SOBRE CASO VEJA/CACHOEIRA

http://videos.r7.com/r7/service/video/playervideo.html?idMedia=4fa7165c6b71517ecda2e07e

Fonte: R7, via Luis Nassif OnLine

Responder

Elias

06 de maio de 2012 às 23h46

Domingo, 6 de maio de 2012, 23:40, há poucas horas da vitória do socialista francês François Hollande, o Portal UOL não apresenta nada em sua página. O IG e O TERRA colocam Hollande em primeiro Plano. Terra publica inclusive os cumprimentos de Dilma Rousseff a François Hollande. Começo a pensar em retirar minha assinatura do UOL. Esse Portal e seu Grupo está cada vez mais se explicitando como um órgão de direita.

Responder

    Luís

    07 de maio de 2012 às 13h52

    Sinceramente não sei o que você está esperando para se desvencilhar do ditaUOL, o portal de Internet da ditabranda. A única coisa do UOL que eu acompanho atualmente é o Charges.com.br.

    E me surpreendi com a reportagem do Terra. Sempre achei o Terra muito parecido com o UOL.

Fabio Passos

06 de maio de 2012 às 23h30

Boas notícias.
Tomara que as novas forças políticas sejam capazes de retirar a Grécia da austeridade-suicida imposta pela banca internacional.

Responder

FrancoAtirador

06 de maio de 2012 às 23h25

.
.
FRANÇA E GRÉCIA: A HISTÓRIA APERTA O PASSO
As eleições presidenciais francesas e o avanço da esquerda radical na Grécia, subtraindo maioria parlamentar à direita, a exemplo da derrota de Cameron na 5ª-feira, são decisões locais.
Mas o revés que elas impuseram ao conservadorismo tem um alcance mundial e o seu significado é claro: devem acelerar a travessia para um novo ciclo histórico.
(CARTA MAIOR)
.
.
O escrutínio da austeridade

Por Saul Leblon, na Carta Maior

Trata-se agora, na Europa e no Brasil, como no resto do mundo, de acelerar a construção de alternativas consequentes ao modelo que naufraga.
Caso contrário, há o risco de se morrer na praia tragado pelo vácuo conservador.

Íntegra em:

http://www.cartamaior.com.br/templates/postMostrar.cfm?blog_id=6&post_id=973

Responder

    Willian

    07 de maio de 2012 às 08h27

    Menos, menos…o que aconteceu nestes países é o mesmo que aconteceu em outros: a situação perdeu, seja ela de esquerda ou de direita. 13 eleições na Europa pós-crise, 13 vitórias da oposição.

Mancini

06 de maio de 2012 às 23h12

Azenha, a França também está tomando juízo e agora o sem nada do eleitor grego devolve o presente de grego… Já postamos o vídeo de sua Casa, sobre a ‘revistinha’ veja em http://refazenda2010.blogspot.com Muito obrigado!

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marcosomag

06 de maio de 2012 às 23h05

A América do Sul, com exceção da Colômbia e Chile, jogou o receituário de veneno neoliberal no lixo, e experimenta período de crescimento econômico com distribuição de renda. Hollande deve ouvir Melenchón, seguir o bom exemplo sul-americano e voltar ao Welfare State.

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Gustavo Pamplona

06 de maio de 2012 às 22h43

Globo agora finge que defende negros…

Depois de dois baques do DEM no STF, a Globo passou a colocar filmes de atores negros americanos e neste exato momento enquanto escrevo este comentário está passando uma matéria daquela menina do cinema que foi insultada racialmente por um médico…

Bom… vocês já sabem do livro do Ali Kamel…

—-
Desde Jun/2007 fingindo que defendo negros no “Vi o Mundo”! ;-)

Responder

Willian

06 de maio de 2012 às 22h24

Em todos as eleições na Europa após a crise o partido que estava no poder perdeu. No Brasil será igual: enquanto a economia for bem o PT estará no poder. A vida as vezes é simples.

Responder

    Roberto Locatelli

    07 de maio de 2012 às 07h59

    A Europa está afundando porque os governos fazem o que o FMI manda.
    A América do Sul cresce porque, aqui, os governos fazem o contrário.
    Simples assim.

    Jorge Nunes

    07 de maio de 2012 às 08h28

    É uma visão bastante limitada.

    As persoas percebem que políticas estão dando erradas.

Paciente

06 de maio de 2012 às 21h36

A Grécia sempre tirando a Europa do eixo… Logo após a segunda guerra, só não virou socialista por uma forte intervenção militar inglesa. Socialista? Como assim? O berço da democracia?!
O norte da Europa forjou um conceito de “Europa” liberal e cartesiana. A Grécia lembra aquelas avós de gente pobre que ficou rica: fazendo “passar vexame” por que come farinha com rapadura (e de boca aberta).
Democracia não é sinônimo de capitalismo e Alemanha e Inglaterra não são paradigma de felicidade. Esse é o recado grego: o povo faz mais questão de ser feliz do que de ser liberal, mais questão de ser soberano do que ser um mito legitimador, pendurado na parede.

Responder

    Sergio

    07 de maio de 2012 às 00h05

    Caraca, esse comentário foi melhor que de muito intelectual blogueiro!

    MARCELO

    07 de maio de 2012 às 13h27

    Se compararmos o Metrô de Londres com essa pocilga que é o Metrô do PSDB de São Paulo,
    eu fico com os ingleses.Aliás,Londres ganha em quase tudo de São Paulo que virou uma
    espécie de Maranhão do Sudeste nas mãos das viuvinhas do Mário Covas.

Márcio Carneiro

06 de maio de 2012 às 21h09

Sendo simples e direto.
O Povo cansou de pagar a conta da festa dos poderosos.

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