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Diário da Resistência


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Brickell Avenue: Onde a grama é realmente bacana


22/07/2013 - 15h35

O candelabro exótico no spa de um dos três prédios do condomínio onde Joaquim Barbosa comprou apartamento, em Miami

De repente
vendi meus filhos
a uma família americana
eles têm carro
eles têm grana
eles têm casa
a grama é bacana
só assim eles podem voltar
e pegar um sol em Copacabana

[De Paulo Leminski]

por Luiz Carlos Azenha

Não nos interessa a transação, em si, nem eventuais manobras para pagar menos impostos no futuro, nos Estados Unidos.

O que nos chama atenção é o fato de um profissional de formação intelectual sólida ter optado por colocar os ganhos — provavelmente de uma vida — num apartamento em Miami, cidade onde o balizamento intelectual se dá nas águas onde baleias e golfinhos encarcerados disputam a atenção do distinto público (não há diferença detectável entre Miami, Orlando e adjacências).

Falamos do apartamento que o presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, adquiriu na Brickell Avenue, em Miami.

A Brickell é onde latinos de todas as origens, encantados com os Estados Unidos, despejam suas economias — de origem duvidosa ou não — para viverem a ilusão de que também são parte do “sonho americano”, que aprendem nos programas originais de TV ou nas cópias colonizadas.

Certamente não sabem do status de Miami em Boston, Nova York ou São Francisco.

Não sabem que os norte-americanos ricos de verdade vivem em Palm Beach, os latinos ricos de verdade compram casas em Key Biscayne e os estadunidenses de classe média, especialmente os aposentados, vivem em condomínios distantes dos centros urbanos, para evitar… o exibicionismo dos latinos recém-chegados.

Portanto, a classe média compra apartamentos na avenida Brickell exclusivamente por uma questão de status, já que mesmo como negócio imobiliário é um investimento ruim, tema ao qual voltaremos mais tarde.

O que nos interessa, como dizia antes, é especular sobre os motivos que teriam levado um homem de sólida formação intelectual a escolher… Miami.

Certamente o ministro Barbosa não deve ser homem de frequentar a Disney, nem o Sea World. Estaria em busca de um refúgio tropical, para por em dia as leituras?

Se sim, por que não investir o dinheiro em Salvador, Recife ou Fortaleza, onde compraria imóvel com mais de 73 metros quadrados, possivelmente numa localização melhor que o condomínio da Brickell?

Afinal, o condomínio onde Joaquim Barbosa investiu tem três torres e lotação garantida nos meses de férias do fim do ano, quando a elite decadente de nuestra América superlota Miami.

Registre-se que, se for apenas mais um caso de mente colonizada — duvidamos que seja –, Joaquim Barbosa não está só.

Façam vocês mesmos a experiência: procurem nas ruas brasileiras dez camisetas com estampas. Certamente, 8 ou 9 delas farão menção a algum produto ou terão palavra ou frase em inglês.

Simular uma existência cultural distante de sua própria origem e entorno parece ser um traço dos brasileiros.

Ano passado, viajando com um casal de profissionais de TV pelo interior de Pernambuco, notei que ambos passavam o tempo assistindo a episódios do seriado House em um laptop.

Ouviam exclusivamente rock britânico ou norte-americano.

O alarme começou a soar quando ambos, moradores de bairros periféricos de São Paulo, não demonstraram qualquer empatia pelos moradores ou pela cultura pernambucana, uma das mais fascinantes do Brasil. Frequentemente, ao chegar a uma pequena cidade, procuravam a “familiaridade” de um shopping center, onde o mundo invariavelmente se iguala.

O alarme disparou quando ambos se disseram incomodados com o rádio do carro, que eventualmente tocava música brasileira.

Foi assustador, mas há quem argumente — não foi o caso deles — que o brasileiro pode se dar ao luxo de exibir tal despreendimento justamente por ter uma cultura forte, inabalável e uma capacidade inigualável de triturar as influências externas para produzir novidades híbridas. Será?

Depois do casal, nada mais nos surpreende. Nem as placas que a companhia aérea United espalha, em inglês, no saguão do aeroporto de Guarulhos, anunciando possível punição aos passageiros… baseada em leis dos Estados Unidos.

Tentativas de encontrar placas equivalentes, em português, no aeroporto JF Kennedy, foram infrutíferas.

Se fosse apenas mais uma pequena demonstração de que ainda não nos livramos de nossa histórica síndrome de viralatas, tudo bem. Mas, estamos na prática regredindo?

Sim, temos a tradição de beber em fontes externas. O problema é que, se no passado algumas de nossas referências foram as universidades de Coimbra ou de Paris, agora aspiramos à atmosfera cultural de Miami!

Uma cidade de extrema-direita, que deriva seu dinamismo do medo, da insegurança e da rejeição das elites da América Latina às suas próprias origens.

Miami é um simulacro da vida nos Estados Unidos, com atores e atrizes convidados tentando imitar os originais.

Por conta de quase 20 anos de vida nos Estados Unidos, que incluiram um período trabalhando com o ex-piloto de automobilismo Emerson Fittipaldi — este sim, morava bem, em Key Biscayne, com a lancha “estacionada” no quintal — frequentei muito a cidade.

Lembro-me perfeitamente do primeiro boom imobiliário, inclusive por ter feito reportagens a respeito dele. A ideia era capturar investimento da América Latina de maneira permanente, oferecendo imóveis que rendessem mais que o dinheiro da compra. Por isso, os condomínios deveriam incorporar serviços que seriam oferecidos com um custo-extra aos moradores. De spas a massagistas, de lavanderias a cineclubes.

A ideia é a mesma que foi adotada, mais tarde, pelos cassinos de Las Vegas, muitos dos quais foram demolidos e reconstruídos do zero. Não bastava atrair os jogadores. Agora, era preciso trazer também as esposas, filhos e parentes. Enquanto um estava no cassino, as crianças se divertiam num parque e outro fazia compras. Ou seja, um processo contínuo de ordenhar o investidor/turista, de arrancar dele todo o dinheiro disponível.

Mas o estouro da bolha imobiliária, em 2008, comprometeu tanto Miami quanto Las Vegas.

Conhecedores disso, os corretores da Flórida passaram a depositar toda a esperança em estrangeiros para sustentar, no mercado, valores que um norte-americano dificilmente pagaria — Joaquim Barbosa investiu pelo menos R$ 546 mil por 73 metros quadrados, segundo a Folha, numa torre do condomínio que não tem vista para o mar.

Como dizem os corretores gringos, “location, location, location”, ou seja, o valor está no endereço “nobre” da Brickell Avenue. Faria sentido se Barbosa morasse em Miami e precisasse ter fácil acesso ao centro da cidade, por exemplo. Fora disso, o presidente do STF conseguiria um apartamento muito melhor em outros bairros gastando bem menos.

Um filho na universidade, tratamento médico especializado, cidadania dos Estados Unidos… são inúmeras as razões pelas quais alguém faz investimento na Flórida. A escolha específica de Barbosa pode ser, no entanto, bem parecida com a de muitos outros brasileiros: um investimento anti-econômico para satisfazer a vaidade e sossegar a permanente ansiedade do status.

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Por Laurindo Lalo Leal Filho



42 comentários

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Gerson Carneiro: Médico com cara de médico - Viomundo - O que você não vê na mídia

30 de agosto de 2013 às 22h59

[…] Brickell Avenue: Onde a grama é realmente bacana […]

Responder

Barbosa viola lei ao sediar empresa em imóvel funcional - Viomundo - O que você não vê na mídia

29 de julho de 2013 às 12h09

[…] Brickell Avenue é lugar de novo rico […]

Responder

Djijo

25 de julho de 2013 às 09h11

Será que foi doação de um certo banqueiro pelo desempenho no processo mentirão?

Responder

    guilherme

    29 de julho de 2013 às 18h45

    De repente…

O Dr. Barbosa, o domínio do fato e o condomínio do fausto |

25 de julho de 2013 às 01h03

[…] que é.  Registro, portanto, que não é totalmente inédito por aqui o fausto do lugar. Aqui, o link para seu post. Curtir isso:Curtir […]

Responder

Rômulo Gondim – O Dr. Barbosa, o domínio do fato e o condomínio do fausto

24 de julho de 2013 às 18h45

[…] que é.  Registro, portanto, que não é totalmente inédito por aqui o fausto do lugar. Aqui, o link para seu post.  Por: Fernando Brito Fonte: […]

Responder

Sérgio Costa

24 de julho de 2013 às 15h18

O problema é generalizar, assim como:
-ninguém pode andar… com câmera no pescoço…
– é impossível andar tranquilamente em Salvador ou Maceió…
Bem já estive neste lugares, ” e talvez porque não seja ninguém ou nem exista”, simplesmente andei “tranquilamente” tirei fotos, não com câmera no pescoço, mas com celular e nada me aconteceu, minha filha se encontra com meu neto nesta paragens neste exato momento e me liga dizendo que esta adorando e até agora nada lhe aconteceu….?

Responder

laura

24 de julho de 2013 às 14h25

O lugar é idiota, como era de se esperar em Miami.
E extremamente nouveau riche.

Responder

O Dr. Barbosa, o domínio do fato e o condomínio do fausto | TIJOLAÇO | “A política, sem polêmica, é a arma das elites.”

24 de julho de 2013 às 13h51

[…] que é.  Registro, portanto, que não é totalmente inédito por aqui o fausto do lugar. Aqui, o link para seu post.  TweetARTIGOS RELACIONADOSMídia fez uma polícia que bate e mata, mas não […]

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Edgar Rocha

23 de julho de 2013 às 23h34

Por favor, sejamos resilientes e nunca mal humorados. Imaginem o Barbosa de sunguinha rosa ou verde limão em Miami Beach, tomando, sei lá, caipirinha e comendo farofa (em nome da brasilidatch), com a pança enlameada de areia e bronzeador (sic), de reibão azarando as loiras e se achando, no meio de uma turba de coxinhas gays (IT’S RAINING MEN!!!!). Depois ele vai pra uma festança do balacobaco, mostrando o cofrinho e o rolex, pra curtir James Brown com Gera-samba. Realiza e sinta-se vingado.

Responder

Rogério Ferraz Alencar

23 de julho de 2013 às 22h25

Augusto diz que “preferiria mil vezes investir em Miami que Salvador, Fortaleza, Maceió… Em Miami pelo menos existe segurança e você pode andar tranquilamente pela cidade”. É certo que a segurança no Brasil inexiste, é ridícula. Mas os Estados Unidos não são esse paraíso todo. O estilista Gianni Versace na certa pensava assim, que poderia andar tranquilamente por Miami. E foi assassinado. John Lennon talvez pensasse o mesmo de Nova Iorque, até topar com Mark Chapman. Correr em Boston pode não ser muito saudável. E, se as escolas brasileira vez por outra têm caso de agressões a professores, as americanas de vez em quando têm massacres de professores e alunos.

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Fabio Passos

23 de julho de 2013 às 21h15

Santa mancada Batman! Surfando em miami beach?!?

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Mari

23 de julho de 2013 às 18h27

Azenha, eu senti uma vontade enorme de vomitar. Joaquim Barbosa é um novo-rico e age segundo o figurino.

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Acássia

23 de julho de 2013 às 16h47

1) não me importo com sua vida pessoal
2) não me importo se pagou caro, se há melhores
3) só interessam duas coisas:
a-como pudemos ficar tão distantes dos controles do país a ponto de permitir que o salário de juízes permitam essa poupança numa moeda 2 vezes a nossa….e mandarem a conta pro preço do sabão em pó do pobre.
b-como ainda não nos escandalizamos suficientemente com a gastança de Brasilia. Precisamos de mais protestos.
c-se ele não tem uma firma real nos States, foi só uma justificativa, já é imoral.

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Carlos J. R. Araújo

23 de julho de 2013 às 11h50

O JB é um moderno capitão do mato. Coitado, ele sabe que nunca será aceito como um dos personagens da Casa Grande, a qual, inclusive e sinalizando o destino dele, já iniciou o “pagamento” pelo serviço sujo que realizou com várias reportagens -, repetindo o secular modelo de agradecimento. Mas ele, mesmo assim, não entendeu ainda que, repetindo o velho exemplo do capitão do mato do sécs. XVII e XIX, nunca será aceito pela Casa Grande.

Não é demasiado dizer que o capitão do mato, ontem e hoje, é pior do que a Casa Grande: ele aceita fazer o trabalho sujo (coisa que a Casa Grande não faz com suas próprias mãos) e, no caso do JB, ele pensa que a breguice de adquirir o apartamento de luxo em Miami vai ajudar na sua aceitação pela Casa Grande. Só rindo.

Mas o pitoresco de tudo é que, ao contrário do que eu pensava, estudos e um doutorado na França (o JB passou lá oito anos!) não são suficientes para civilizar ninguém. A breguice não tem cura.

Responder

Hans Bintje

23 de julho de 2013 às 11h28

Azenha:

A origem dessa experiência não é brasileira, nem sequer latino-americana.

Chama-se ZARDOZ – título de um filme inglês de 1974.

Explico ( http://cinegnose.blogspot.com.br/2012/01/deus-esta-morto-no-filme-zardoz.html ):

“O monólogo introdutório do filme de Arthur Frayn (o personagem que comandava a gigantesca cabeça de pedra de Zardoz) é a síntese de toda a estória:

‘Eu agora apresento minha história, repleta de mistério e intriga, rica em ironia e o mais satírico… passa-se muito além num futuro possível, logo nenhum desses eventos ainda ocorreu… Mas eles podem. Estejam atentos… para que não terminem como eu… Neste conto eu sou um falso deus, por ocupação… e um mágico, por vocação. Merlin é meu herói. Sou o mestre das marionetes. Eu manipulo muitos dos personagens e eventos que verão… Mas sou também inventado, para seu entretenimento, e diversão. Pobres criaturas, quem lhes moldou a partir do barro? Deus também está no showbiz?’

É a ficção científica pós-moderna caracterizada pelo que podemos chamar de ‘Hipo-utopia’. ‘Hipo’ no sentido de ‘insuficiência’, ‘posição inferior’ + ‘topia’ do grego ‘topus’, ‘lugar’. Na Hipo-utopia o futuro tal qual previsto nas utopias científicas e tecnológicas modernistas não se realizou, nem nos seus aspectos positivos (utópicos) ou negativos (distópicos). Mais do que isso, a distopia agora é ontológica: o protagonista sempre experimentará uma reviravolta ao descobrir que a realidade em que vive é ilusória. Em outras palavras, a noção de lugar ou realidade enfraquece-se para no lugar se impor a simulação, o artifício ou simplesmente a alucinação.”

Responder

rodrigo

23 de julho de 2013 às 01h12

É engraçado como os “homens públicos” se metem no meio do ninho de cobras do sistema republicano (que de público mesmo não tem muita coisa, mas essa é outra história…), esquecendo completamente de seus próprios telhados de vidro. E o que é pior, com a enorme probabilidade de começar a dançar conforme música alheia.

Responder

Rios

22 de julho de 2013 às 23h40

Adoro Orlando, pelos parques e avenidas largas. Miami é muito chinfrim. Quer comprar um ap bacana, vá pra NYC, Chicago ou Boston.

Responder

Mateus Paul

22 de julho de 2013 às 22h32

Mais uma análise cirúrgica, caro Azenha!

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Francisco

22 de julho de 2013 às 21h45

O mótivo da compra é algo que é mato em Joaquim Barbosa (e damais brasileiros deslumbrados congeneres…): vontade de ser o que não é…

Responder

Leo V

22 de julho de 2013 às 21h41

Me parece uma boa análise psicológica. Boa conclusão no final. Faz bastante sentido.

Responder

francisco niterói

22 de julho de 2013 às 20h59

Azenha

Dia desses, recebi de um amigo doces da regiao de campos – rj, doces tradicionais chamados chuvisco.

Ele me contou que, quando passou com uma amiga na casa da doceira, esta ficou toda sem graça e lhe disse, ao ser comunicada que os doces seriam trazidos para niteroi, “meus doces sao simples, nao sei se vao gostar”. Detalhes: sao maravilhosos.

Me lembrei de um amigo frances que ficou horrorizado com o Caco Antibea/ Falabela chamando “cajuzinho” de doce de pobre. Ele me disse assim: o macaron jamais seria tratado assim e muitos turistas o consideram mais um item da genial culinaria/cultura francesa.

Foi por isso que uma amiga estava preocupada com a “diversidade” de cupcakes da festa da filha. A chamei de “caquinha” e lhe disse que preferia cajuzinho. Ela me chamou de “politicamente correto” de forma bem depreciativa e eu ri. Nao perco a piada. Resultado: os cupcakes estavam secos e sem graca, mas todas as dondocas pegando o telefone da doceira. Acabou a diversidade.

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José X.

22 de julho de 2013 às 20h43

73 metros quadrados ? Em Miami ? Esse negócio todo é muito estranho…

Responder

Fabio Passos

22 de julho de 2013 às 20h35

Apartamento em miami.
Morram de inveja… perdedores. rsrs

Responder

Augusto

22 de julho de 2013 às 20h31

Eu preferiria mil vezes investir em Miami que Salvador, Fortaleza, Maceió… Em Miami pelo menos existe segurança e você pode andar tranquilamente pela cidade, coisa simplesmente impossível de se fazer em Salvador ou em Maceió, por exemplo. Hoje em dia, no Brasil, ninguém pode andar ao meio dia com uma câmara fotográfica pendurada no pescoço. Investir em Miami, não importando o lugar em que estiver o imóvel, é muito melhor que investir em qualquer lugar do Brasil. Simples assim! Quisera eu ser cidadão americano e viver num país digno como os Estados Unidos! Não é à toa que milhares de mexicanos e milhares de latinos tentam todos os anos atravessar a fronteira em direção à América.

Responder

    Maurício

    23 de julho de 2013 às 08h32

    Eu concordo com você que cada um faz o que quer da vida, se quer morar nos EUA, OK, vá. Mas veja, ele é presidente do STF, ele é co-responsável por tornar o país em que nasceu e vive melhor, julgando, sendo honesto e dando exemplo. Se ele está aqui figurativamente o que ele faz no STF? Esse é o problema do Brasil, muitos pensam dessa forma e o país como um todo sofre. A culpa do governo corrupto e ineficiente é do povo. O governo e seus líderes são reflexo do povo. Não adianta fazer manifestação se na prática você não segue as leis, quer tirar vantagem do próximo, não pensa e age como uma comunidade e não é patriota. Todo mundo reclama mas vejo poucos fazendo algo de concreto pra melhorar. Nas redes sociais, na rua, em conversas e em blogs como esse, quantos não dizem: “o governo é uma merda”, “esse cara é ruim”, “PT isso ou PSDB aquilo”. Quantos realmente falam “o governo é ruim, pra ser bom precisa fazer X ou Y, mudar aquilo”? Poucos, muito poucos… Basta o povo ser honesto que o governo vai ser honesto e nem precisa contar com eleições, todos os funcionários públicos vem do povo, se todos forem honestos não há corrupção. Se os funcionários das empresas privadas e públicas forem honestos eles não praticam corrupção. Se todos pensarem no coletivo os serviços vão ser executados, o bom-senso vai prevalecer, os problemas vão ser resolvidos, o país muda radicalmente pra melhor de um dia pro outro. Acho que esse é o tipo de discussão que o Brasil precisa ter, se isso não mudar nada vai melhorar e nao adianta que esse ou aquele partido esteja no governo.

    Vera Silva

    23 de julho de 2013 às 14h28

    Concordo com você Maurício e assino.

baader

22 de julho de 2013 às 18h06

agora o senhor barbosa vai poder ler os “jornais” que os brasileiros extrema direita publicam em miami, no papel e com tintas ainda frescas. vale a prática para quem quer ter uma idéia dos viralatas daqui que vão para lá tomar banho de cultura, depois de lavarem banheiros por anos a fio.

Responder

bill

22 de julho de 2013 às 17h59

“Não nos interessa a transação, em si, nem eventuais manobras para pagar menos impostos no futuro, nos Estados Unidos.”

Creio que a criação de uma empresa para adquirir o imóvel é um fato de interesse sim, pois provavelmente afronta o inciso I do artigo 36 da Loman (Lei Orgânica da Magistratura)

Art. 36 – É vedado ao magistrado:

I – exercer o comércio ou participar de sociedade comercial, inclusive de economia mista, exceto como acionista ou quotista;

Se ele for o sócio responsável pela empresa, s.m.j, está infringindo a Loman.

Segue link disponibilizado no Tijolaço, indicando o JB como presidente da empresa.
http://www.corporationwiki.com/Unknown/BRASILIA/assas-jb-corp/101577721.aspx

Responder

Emilio

22 de julho de 2013 às 17h36

Vc tem toda razão, Miami é um simulacro, a verdadeira essência dos EUA é Detroit.

Responder

Paulo Oliveira

22 de julho de 2013 às 17h34

Prezado Azenha, matou a cobra e mostrou todos os paus!!!!!! Impagável o trecho: “o balizamento intelectual se dá nas águas onde baleias e golfinhos encarcerados disputam a atenção do distinto público (não há diferença detectável entre Miami, Orlando e adjacências)”.

Responder

    Bob

    23 de julho de 2013 às 09h51

    Eu diria que o balizamento intelectual para os brasileiros se situa entre os parques temáticos e Apple Stores, BestBuys, Targets, BrandSmarts, etc…

    E passa longe de lugares como Hialeah e Little Havana. Sacumé, não se pode encontrar defeitos na vaca sagrada…

Mauro Assis

22 de julho de 2013 às 17h11

O JB é culpado por ser brega?

Responder

Clayton Augusto Benevides

22 de julho de 2013 às 17h06

Excelente artigo, mostra que nosso complexo de vira-latas ainda é presente na nossa classe proletária mas de altos salários. Penso que é banzo de uma corte que o Brasil nunca teve de fato. O banzo de uma elite ridícula, que nunca produziu algo que fizesse a diferença, nem inteligência, cultura ou tecnologia, porque quando isso foi produzido no Brasil, não foi por gente desta casta!

Responder

    Bob

    23 de julho de 2013 às 10h05

    BINGO!

    Elite latinoamericana deslumbrada pensa que tem sangue azul e faz parte da realeza!

    O curioso é que o americano médio simplesmente ABOMINA essas coisas, o americano médio não é ostentador e não suporta a carteirada, o “você sabe com quem está falando?” tão comum em nossa elite. Talvez seja a influência protestante (trabalho duro + frugalidade, fartura mas sem ostentação), com um pouco da desconfiança em relação a autoridades, existente desde os tempos coloniais.

    Como já ouvi de alguns americanos: o país foi fundado por gente que fugia de tirania e opressão na Europa, então não fazia sentido recriar algo de que não gostavam na nova terra. Na América Latina foi o contrário: portuguesada/espanholada que veio pra cá queria fazer exatamente o mesmo que na Europa.

    Engraçado que esses princípios a nossa elite não tenta imitar…

    Elvys

    23 de julho de 2013 às 15h41

    Elite deslumbrada, brega e acima de tudo, muito atrasada.
    Para alguns que estão em Miami, só falta um superesportivo italiano (ferrari, lamborghini) na garagem, com cores berrantes e acabamento interno bem cafona.

Elvys

22 de julho de 2013 às 17h00

Boa análise Azenha, ainda mais pelo fato de ter trabalhado um bom tempo nos EUA. E o preço dos imóveis não estavam em queda nos States, por conta da crise financeira? Quanto ao Presidente do STF, gosto não se discute, mesmo que seja duvidoso. Eu mesmo se tivesse uma bela grana, teria comprado o rancho que pertenceu ao ator Steve McQueen, na ensolarada Califórnia, localizado ao norte de Los Angeles. O link do jornalista Flávio Gomes: http://flaviogomes.warmup.com.br/2012/06/se-fosse-aqui-2/.

Enquanto isso, me contento com minha casa na Zona Leste de São Paulo, SP.

Responder

Ricardo

22 de julho de 2013 às 16h39

Azenha, muito preciso, sem tirar nem por.

Isso é exatamente aquilo que agente chama de vergonha alheia, não é ? Essa elite – que é apenas economica, pois não tem nada de intelectual – é a vergonha desse país, por ser mesquinha, grosseira, estúpida e arrogante.
Em terra de cegos, quem tem olho é CAOLHO mesmo.

Responder

Melinho

22 de julho de 2013 às 16h38

É isso ai: “A escolha específica de Barbosa pode ser, no entanto, bem parecida com a de muitos outros brasileiros: um investimento anti-econômico para satisfazer a vaidade e sossegar a permanente ansiedade do status”.

O supremo do supremo precisa demonstrar que pode morar em Miami. Porque ele está muito bem de vida.

Responder

FRANCISCO NITEROI

22 de julho de 2013 às 16h15

azenha

tinha visto o candelabro da foto em outro blog e pensei assim: “é o resumo da CAFONALHA de miami”. Pensamos igual, mas neste caso não ha muito mérito pois a coisa é horrorosa mesmo.
mas lendo o teu post eu me lembrei do ultimo programa do Bill MAHER onde foi discutida a questap abaixo e foram convidados dois republicanos para o debate. E claro que o BILL MAHER os trucidou mas dá pra ver o “carinho” que os nossos JB et caterva serão recebidos em Mia,i ( quem nao conhece o Bill Maher, ele tem um programa na HBO canal 76- é uma ilha de bom senso no meio da pasteurização americana).

mas vamos ao post que li no Maria fro:

“Em meio à indignação geral nos Estados Unidos e no mundo pela absolvição de George Zimmerman, surgiu nas redes sociais uma comovente carta que se difundiu rapidamente entre os indignados com o caso.

George Zimmerman trabalhava como vigia na cidade de Sanford, no estado da Flórida. Em fevereiro de 2012, ao abordar o jovem negro Trayvon Martin, de 17 anos, Zimmerman disparou e terminou com a vida do estudante, que estava desarmado.

Neste fim de semana, a Justiça dos Estados Unidos absolveu Zimmerman, por considerar que sua ação foi em legítima defesa. A resolução se deu através de um juri, conformado por seis mulheres brancas, que decidiram de forma unânime. Organizações de direitos humanos afirmam que a acusação não levou em conta a questão racial durante o julgamento, o que favoreceu a absolvição. Em pronunciamento oficial, Barack Obama, primeiro presidente negro dos Estados Unidos, pediu que se respeitasse a decisão da Justiça.

Entre as muitas manifestações que ganharam as ruas estadunidenses e inundaram as redes sociais, ganhou destaque a de Alex Fraser, um cidadã0 afroamericano, que publicou uma carta dirigida a Zimmerman em sua conta no Facebook, na que denuncia o que significa ser negro nos Estados Unidos.

A carta diz o seguinte:

Querido George Zimmerman,

Pelo resto da sua vida, você sentirá o que é ser um homem negro nos EUA.

Sentirá que as pessoas ficam olhando para você. Estarão te julgando por coisas que você considera injustas. Você perderá a oportunidade de conseguir certos trabalhos por motivos que estão fora do seu controle. Você pode se achar um cidadão honrado, mas se perguntará por quê as pessoas preferem prejulgá-lo.

Alguns cruzarão para a outra calçada ao ver você. Alguns te insultarão. Em dias que a raiva for muito forte, você vai querer gritar com o mais profundo da sua alma. Mas, no dia seguinte, terá que levantar da cama, manter-se firme e seguir adiante.

Aposto que você nunca pensou que, ao disparar num homem negro, acabaria herdando todas as suas batalhas.

Desfruta a sua “liberdade”.

Atenciosamente,

Um homem negro que poderia ser Trayvon Martin.

(tradução realizada através da versão em espanhol, publicada no portal Cuba Debate)”

Responder

Mardones

22 de julho de 2013 às 15h59

Não sei qual razão levou Barbosa a comprar um apartamento tão pequeno por um preço tão alto. Se ele queria praia sossegada, certamente faria melhor investimento no litoral nordestino – fora das capitais – ou até mesmo no litoral do sudeste – fora o Rio de Janeiro.

No entanto, creio que não há problema em um intelectual morar num lugar sem tradição no ramo. Aliás, o determinismo geográfico já foi superado há algum tempo.

Preocupa-me mais o fato dele ter usado artifícios jurídicos legais e imorais para pagar menos tributos do qualquer sintoma de suposta inferioridade que abunda nas mentes latinas.

Responder

    Mauro Assis

    22 de julho de 2013 às 19h22

    Mardones,

    É imoral vc fazer um negócio legal de forma a pagar o menor imposto possível?

    Não entendi.


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