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Alexandra Mello: Que tal mais confronto de ideias e menos de pessoas?
Observatório da Imprensa
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Alexandra Mello: Que tal mais confronto de ideias e menos de pessoas?


12/06/2018 - 14h24

Observatório da Imprensa

por Alexandra Mello*, especial para o Viomundo

Estamos a pouquíssimos meses de uma das eleições mais importantes desse país, e o que mais se vê nas redes sociais são, ainda, acusações de um lado e de outro.

Gente olhando pra trás e apontando o dedo pra quem pensa ou faz ou é diferente.

E o mais curioso: cada um fazendo isso do seu quadrado (ou melhor, da sua bolha). Com a ilusão de que está fazendo debate. Que espécie de debate é esse?

Se você quer mesmo mudar o mundo, se espera que as pessoas revejam suas posições, se acha o seu olhar mais correto, adequado, incrível, inteligente ou sei lá o quê, se gasta TANTA saliva, ou, melhor, TANTO dedo pra isso (dedos têm sido bem mais corajosos que boca), será que é deletando, bloqueando, ignorando, excluindo, xingando, que vai conseguir o que pretende?

Óbvio e ululante que não!

Na sua bolha, não há muito que fazer. Nela, você gasta o maior tempo compartilhando com aqueles que já pensam como você.

Se quer mesmo mudar o mundo, mude você.

Mude sendo paciente, tolerante e persistente para dialogar com quem está, na sua visão, equivocado.

Mude conversando com quem pensa diferente. Seja porque cresceu e conviveu com o diferente (de você). Seja porque não foi estimulado a pensar e, portanto, repete o que escuta sem qualquer reflexão. Seja porque é convicto e tem todos os argumentos para justificar suas crenças. Seja porque é um baita de um babaca. Esse, pode ter certeza, acha exatamente o mesmo de você.

Mude conversando com crianças. Não para fazê-las pensar como você. Mas fazendo perguntas. Escutando-as. Contribuindo para que se tornem seres pensantes. Críticos. Autônomos. Para não crescerem como aqueles que só repetem o que escutam sem qualquer reflexão (mesmo que seja o que escutam de você).

Mude vivendo democraticamente. A arrogância é a pior coisa que existe. A arrogância afasta. A arrogância te faz um ser egocentrado. A arrogância inviabiliza.

É claro que é difícil. Às vezes, insuportável. Mas quem disse que lutar é fácil? E quem disse que falar só com e para os iguais é luta?

O que adianta falar tanto de sair do quadrado, de dentro de um? É senso comum achar que um ambiente apropriado (lembrando que apropriado pra um pode não ser pra outro) vai favorecer uma boa formação para as crianças que crescem nele.

E o contrário? A lógica não deveria ser a mesma? O que adianta chamar, por exemplo, um homofóbico de babaca? Ele pode ter crescido num ambiente desrespeitoso, preconceituoso, repressor, reacionário. Justifica? Não. Torna justo? De jeito nenhum. Mas talvez explique.

Portanto, você não estará fazendo nada por uma sociedade sem homofobia, chamando-o de babaca. Você não muda nada assim. Nada! Absolutamente nada! Ao contrário. Isso só o faz ainda mais homofóbico. Ache-o babaca, mas tente encontrar uma maneira mais eficaz para mudar isso.

Até quando vamos ficar acusando quem é isso ou aquilo, quem deu o golpe quem não deu, se foi golpe ou se não foi, quem bateu panela quem não bateu, quem colocou o vice quem não colocou?

Isso tudo, do jeito que é feito nas redes sociais está mais do que desgastado. Vamos olhar pra frente. Vamos nos preocupar com a responsabilidade dos nossos votos. Vamos nos apropriar do nosso país. Vamos nos preocupar mais com votos para o legislativo.

Não aprendemos dessa vez o quanto deputados e senadores determinam o rumo desse país? E ainda assim, vamos continuar nos preocupando apenas com os candidatos a presidente e só lá no finalzinho é que vamos definir os outros?

Vamos nos preocupar com as alianças que estão sendo feitas nos estados. Vamos nos preocupar menos em, vaidosamente, ficar exibindo nossas posições e mais em compartilhar informações e análises importantes.

Que espécie de democracia queremos com essa atitude autoritária e arrogante de eliminar pessoas porque pensam ou são diferentes? Sabe qual é o problema?

A maior parte das pessoas (dos mais endinheirados, é claro) está mais preocupada com uma educação “puxada” para seus filhos (afinal, eles precisam ser os melhores) do que com uma mais humanista que sensibilize os alunos para questões sociais relevantes.

Para uma educação que tenha como principal meta formar seres autônomos, intelectual e emocionalmente.

A professora da educação infantil, pra quem ninguém está dando a menor bola, pode fazer muito mais pelo país do que as pessoas que perdem tanto tempo repetindo as mesmas coisas para os mesmos seguidores.

Olhar pra trás é importante pra entender o que se passa. Mas ficar lá remoendo não tá com nada (serve pra mim também).

Vamos abrir mais espaço para a educação nas redes sociais. Mas não para seus dados estatísticos. E sim para o que está se passando no ambiente escolar, diariamente.

Em muitas escolas, a matemática continua sendo ensinada como se fosse conhecimento social e não construído. Em muitas, a criança quase não tem voz. Em muitas, crianças especiais precisam sair porque os pais de outras entendem que sejam ameaça para seus filhos (fácil ser homofóbico assim lá adiante, né?).

Em muitas, o texto da prova de história é cheio de metáforas quando a criança ainda não tem idade para entendê-las. Diagnóstico? Não interpreta textos. Em muitas, a história que está passando diante dos olhos dos alunos ficará pra ser dada um dia, quando uma versão estiver registrada em apostilas.

Por que é tão difícil entender que isso tudo deveria ser assunto de todos nós e não só da pedagogia?

Que tudo isso tem tudo a ver com os cidadãos que teremos lá na frente? Que serão ou não preconceituosos, terão ou não consciência da importância do voto, baterão ou não panela, saberão ou não viver em democracia.

A palavra ditado da sala de aula (em muitas, uma prática extenuante ainda) tem a mesma origem da palavra ditadura e do verbo ditar.

Portanto, que tal pensarmos melhor (servindo pra mim!) antes de ditar o que o outro deve dizer, não fazer, escrever, ser, vestir, não dizer, fazer, pensar?

Que tal mais confronto de ideias? De pessoas, não está nos levando a lugar algum.

*Alexandra Mello é psicóloga/psicopedagoga. 

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22 comentários

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Toledo

16 de junho de 2018 às 20h43

Grato pelos esclarecimentos… Fico feliz que seja dessa forma.
O texto toca num ponto primordial: a educação. Em relação a esse tema, gostaria de fazer duas observações. Primeiramente, vejo uma grande falha nas famílias, independente de sua constituição. Não existe a preocupação de se educar os filhos quanto a coisas básicas, como respeito ao próximo, cumprir os deveres antes de exigir direitos, etc. E o que é pior: muitos pais querem terceirizar a educação para os professores. Numa sala de aula, subsidiariamente, o professor pode até aprimorar essa educação que começa em casa, mas sua função principal não é essa.
A outra observação se refere à escola em si. Evidentemente, o professor deve estimular o senso crítico, o pensar dos alunos, mas isso não é a única função da escola. É necessário ensinar português, matemática, física, química, etc. Hoje em dia vemos muitos alunos terminando o ensino médio e ainda são analfabetos funcionais, infelizmente. Prova disso é que muitas empresas estão com dificuldade de encontrar profissionais qualificados no mercado.

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Ada Mello

15 de junho de 2018 às 16h34

Parabéns Alexandra! Concordo plenamente com sua exposição! Está na hora de nos respeitarmos e irmos em busca de candidatos que nos propiciem um Brasil com mais paz.

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    Alexandra Mello

    16 de junho de 2018 às 09h33

    Obrigada.
    “ninguém liberta ninguém, ninguém se liberta sozinho: os homens se libertam em comunhão”.
    (Paulo Freire)

Toledo

15 de junho de 2018 às 11h17

Acredito que a própria autora ficaria envergonhada com o fato, pois, apenas por conter pontos de vista diferentes, meu primeiro comentário não foi publicado. Pena a moderação não aceitar o diálogo, que só tem a enriquecer o debate, sempre de modo respeitoso. Mas fico na esperança de que esse pensamento mude e possamos todos nos unir para que nosso país evolua.

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    Alexandra Mello

    16 de junho de 2018 às 09h19

    Toledo, os comentários ficam aguardando a moderação. E isso leva algum tempo. Pontos de vista diferentes não seriam razão para serem barrados. Obrigada.

Toledo

15 de junho de 2018 às 00h35

O texto demonstra uma grande lucidez da autora. Parabéns! Precisamos de pessoas dispostas ao diálogo, não apenas com sua própria “panelinha”, mas com pessoas de pensamentos opostos.
Não será através da força, da imposição de ideias e nem com “salvadores da pátria” que o país terá justiça social e desenvolvimento. Essa evolução passa pelo fortalecimento de nossas instituições e definição de objetivos e
metas para o país.
Sou militar há 23 anos, conservador quanto a comportamento e liberal em relação às economia. Porém acredito que todas as vertentes de pensamento tem contribuições a dar para o crescimento desse país de natureza tão linda e de uma riqueza ainda incalculável.

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Edgar Rocha

13 de junho de 2018 às 20h50

Em condições normais, muitos “pontos de vista diferentes” seriam caso de polícia, não de contra-argumentação. Eu não discuto nem argumento com quem acha, por exemplo, que gay tem mais é que apanhar pra aprender a ser homem. Isto é bem diferente de achar que privatização é solução pro Brasil, por outro lado. Discordo desta posição, mas, enfim, é uma ideia. Já no primeiro caso, não é uma ideia. É uma demonstração de caráter, pura e simples.
É como achar que a voz de assalto é uma ideia a ser discutida. Se me disserem “passa a grana”, ou eu passo, ou eu corro.
Me lembro do que disse o Dalai Lama em sua visita ao Brasil. Perguntaram se ele tem compaixão por alguém que deseja matá-lo. A resposta foi a seguinte ” Se um cachorro louco vier me morder, eu subo numa árvore e deixo pra ter compaixão quando estiver seguro” (algo mais ou menos assim).
Enfim, não quero ser deselegante, mas pedidos de conciliação e fraternidade para com os coxinhas saem melhor na voz da Sandra Annemberg. Depois de um golpe de Estado e dentro da Globo, ficam bem oportunos. E não precisam ser sinceros. É a era da pós-verdade. Pra que sinceridade?
É por causa desta postura “paz e amor” que tem brasileiro que ouve guizo de cascavel e começa a sambar.

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    Alexandra Mello

    14 de junho de 2018 às 07h53

    Edgar Rocha, a maneira elegante (embora um pouco irônica… entendo que é difícil ser elegante sem uma pitada de ironia quando achamos absurdo o que o outro fala) como você se coloca provoca reflexão e transformação. Eu entendo que é difícil ter estômago para manifestações de ódio como esta de dizer que “gay tem mais é que apanhar pra aprender a ser homem”. A minha dúvida é: no que resulta não conversar ou deletar? Não é neste ser que eu estou pensando, mas na mudança que eu quero ver e que, desse jeito, não estamos conseguindo provocar. É só ver os dois dígitos do Bolsonaro. Em nenhum momento do meu texto, eu defendo que sejamos amiguinhos ou paz e amor. Eu jamais conseguiria. Nem sugeri conciliação ou fraternidade. Eu apenas propus pensarmos se esta maneira está tendo alguma eficácia. Veja só, eu tenho proposto insistentemente (e propus nesse de novo), darmos mais espaço para a importância da educação nessa transformação. E isso é sempre ignorado. Como se fosse coisa de professorinha e psicóloga de criancinha. Obrigada pela elegância irônica. Ou ironia elegante rs.

    Viviane

    14 de junho de 2018 às 17h24

    Alexandra, não sei se estou me intrometendo, mas, se sua intenção era ressaltar a importância da Educação para formar adultos mais tolerantes, seu texto poderia ser escrito eliminando a primeira parte, porque a impressão que ficou foi que você defende diálogo com adultos, de caráter já formado. Pior, em ambiente virtual, onde sequer podemos diferenciar pessoas reais de perfis fakes. É completamente diferente de dialogar com crianças e adolescentes, com os quais temos a responsabilidade de ensinar preceitos éticos. O que eu e outras pessoas tentamos alertar é que há temas e pessoas sobre e com os quais não adianta discutir.
    E, por favor, não projete esse estereótipo da “professorinha”, como se discordar do seu texto fosse igual a desvalorizar a sua profissão.

    Edgar Rocha

    14 de junho de 2018 às 19h37

    Alexandra, muitíssimo obrigado por responder. O que discordo do teu ponto de vista é essencialmente o fato de que não é o momento pra se falar em diálogo e argumentação pura e simples. Para mim, é impossível se estabelecer diálogo nas condições e nos campos impostos para a apresentação de ideias. Estou falando das redes sociais e de tantos espaços já determinados onde quem propõe discussão já o faz com a certeza de que não haverá possibilidade de contra-argumentação. Uma coisa é polemizar contigo, dentro de um espaço virtual que se propõe a ser democrático como o Viomundo. Outra coisa é ter de discutir nos outros espaços de maior repercussão, ou nas instâncias já viciadas do mundo real. Falar aos pares – neste caso entendo como par todos aqueles que possuem pretensões realmente democráticas em sua atuação – já tem se tornado difícil, que dirá falar com o diferente , com aquele que já fala espumando no canto da boca e pronto pra partir pro pau e pro berreiro. Não dá.
    O momento, acredito eu, é de enfrentamento direto, de demarcação de espaço e apresentação de termos. O outro, mas do que em qualquer época de minha vida, é mesmo o outro. É aquele que vê no diferente algo ilegítimo, inferior, depreciativo. Brasileiros não estão acostumados com esta realidade. Jamais as posições foram tão claras, tão diretas, tão desavergonhadas. Até a hipocrisia histórica já começa a se tornar obsoleta: preto é lixo mesmo, viado é sujo, mulher é pra apanhar e parir, velho tá fazendo hora extra, criança é objeto, pobre tem que ser eliminado, etc. etc. etc. Falam-se estas coisas abertamente. Ou a gente aprende a enfrentar, aceita a ideia de que há sim, inimigos a serem combatidos, gente que se não for enfrentada, vai matar sem medo, sem culpa…
    Me desculpe por ter apelado `ironia anteriormente, mas se for falar o que penso a seco, sai isto. E acredite, tenho razões de sobra (eu muitos outros que já foram vítimas de ameaças, agressões, assédio, humilhação e, por fim, assassinato, como tantos) pra ter certeza de que, a única barreira de contenção ao covarde sistema e seus beneficiados não é outra coisa senão o medo do caos e da perda de controle. O momento é de ruptura, não de reconstrução de nada. Meus respeitos.

    Alexandra Mello

    16 de junho de 2018 às 09h14

    Viviane, não há intromissão alguma da sua parte. Afinal, é este o debate que eu defendo. O “professorinha” e o “psicóloga de criancinhas” não foram em reação a qualquer discordância. De maneira alguma. Debate precisa de antagonismo. Justamente o que ocorre tão pouco nas bolhas, onde o que se faz é arrebanhar seguidores. A ironia (e você tem razão, ela é desnecessária) refere-se ao pouco espaço que se tem e que se dá, nas redes sociais, a este tema, como se não fosse tão relevante para todos nós. Quanto a retirar a primeira parte do texto, eu não faria isso porque o que eu quero (e tento fazer em tudo que escrevo), é justamente defender o quanto estas coisas todas estão interligadas e são interdependentes. Escrever um texto que fale só da educação, é manter esta fragmentação como se (desculpe pela ironia novamente), fosse assunto apenas para “professorinhas” e “psicólogas de criancinhas”. Se você reparar, Viviane, matérias que falam sobre isso, estão geralmente nos telejornais da hora do almoço ou em programas matutinos. Por que será né? Paulo Freire dizia que “quando a educação não é libertadora, o sonho do oprimido é ser o opressor”. É isso. Talvez, vocês tenham razão de que não adianta discutir certos assuntos, com certas pessoas. Mas eu prefiro acreditar que se eu conseguir, ao longo da vida inteira, contribui para que uma única pessoa deixe de ser preconceituosa e violenta, eu vou achar que valeu a pena não desistir.

ana s.

12 de junho de 2018 às 17h10

Gente, que texto de auto-ajuda é esse? Vamos deixar o passado para trás e vamos nos dar as mãos e vamos ser todos amiguinhos e blablablá… Estamos vivendo um golpe continuado. É guerra! Não tem essa de “uma das eleições mais importantes de nossa História”. É uma eleição fraudada pelo golpe e o vencedor que sair dela não terá legitimidade para reverter o golpe nem para tocá-lo pra frente. Estamos é à beira de um abismo. Não tem essa de estender a mão a quem nos empurrou até aqui.

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    Júlio Pacca

    15 de junho de 2018 às 10h46

    Puxa Ana

    A reconciliação sul-africana nos mostrou o poder da resignificação sem necessariamente ser resignação. Os líderes não se manifestam apenas na guerra, mas na capacidade de articular uma visão de futuro. Há que se julgar sim os golpistas, mas isso não implica em decapitá-los.
    A autora não propõe nenhuma auto ajuda. Acho que ela propõe uma hetero-ajuda (se é que existe está expressão), na qual nos propomos a pensar o diferente. Penso que as cisões que Alexandra aponta, ultrapassam uma questão política; endereçam uma questão sociológica maior, que de certa maneira tem determinado a maneira pela qual se pensa As relações políticas. A mudança não precisa ser por exterminação, mas por transformação.

    Julio Pacca

    15 de junho de 2018 às 20h58

    Extermínio e não exterminação: desculpe o erro

Viviane

12 de junho de 2018 às 17h04

Sinto muito, mas anos de participação em redes sociais não me permitem mais a ingenuidade de, como você, achar que todos os “perfis” que ali estão são de pessoas reais, “de carne e osso”, como eu e você. Concordo com o diálogo com os diferentes no mundo real, mas no virtual, não perco mais meu tempo discutindo com bots ou pior, provocadores pagos.

Responder

    Alexandra Mello

    13 de junho de 2018 às 20h50

    Viviane, está havendo muita agressividade entre os de carne e osso. E às vezes, até mesmo entre os que estão de um mesmo lado.

    Viviane

    14 de junho de 2018 às 11h13

    Alexandra, grata pela atenção, mas eu levantei uma questão e você respondeu a outra. O ponto para o qual eu quis atentar foi que não podemos confiar que o perfil do outro lado da nossa tela é de uma pessoa. Na maior boa vontade, eu posso estar dialogando com um algoritmo ou com uma pessoa paga para provocar embates virtuais. Por isso, recomendo deixar nossa capacidade de diálogo para as pessoas reais. E ainda assim, concordo com o comentário do Edgar Rocha: há temas que simplesmente não se discutem! Eu não vou mudar o caráter de quem diz que “preto não é gente”, por exemplo.

    Alexandra Mello

    14 de junho de 2018 às 22h08

    Viviane, eu entendi a sua questão e respondi a ela, referindo-me aos ataques virtuais impetuosos (aliás, esta é a melhor palavra para o que eu quero dizer), entre pessoas que sabemos serem reais, conhecidas, de carne e osso. Quanto a discutir ou não determinados temas com pessoas que dizem e pensam coisas desse tipo, talvez vcs tenham razão. Pode ser em vão. Mas não quero desistir.

Julio Pacca

12 de junho de 2018 às 16h48

Interessante texto. Gostei da maneira pela qual você articula o espaço de discussão como o de mediação de ideias e valores. É neste que pode se construir um saber coletivo, talvez a única maneira de expressar algo que traga um sentimento de pertecimento, de co-autoria e co-responsabilidade frente à tendência narcísica, encimesmada e individualista que marca a(s) sociedade(s) global(is) atual(is). Num tempo que indivíduos não necessitam de coletivos para se expressar, o imediatismo da comunicação instânea e sem edição do supergo viola o lugar da solidariedade, que necessita de diálogo, de empatia, de pertencimento.
Há que se discutir a maneira pela qual esta sociedade pós-crash the 2009 tem se organizado. Similar ao crash de Bolsa de NY em 1929, com o passar dos anos parece ter consolidado as condições para o surgimento de sociedades elitistas, racistas, e violentas que culmina com regimes fascistas de ódio em varios países, incluindo o Brasil de GV, de Hitler, o atual de Trump. Assim, gostaria de salientar a dimensão contextual e histórica em que vivemos, radicalizada pelas ferramentas individualistas (ainda que democráticas) das redes sociais. Na minha opinião e como contribuição ao brilhante texto, para estabelecer o diálogo que Alexandra é preciso revelar sem ódio este conflito sabendo que talvez o mundo não precise de “uma” saida. Mas de caminhos e processos sólidos de diálogo e governação. Parabéns pelo texto brilhante!

Responder

    Alexandra Mello

    14 de junho de 2018 às 22h28

    Um dos problemas, entre tantos outros, é que nas redes, a entonação é a de quem lê e não a de quem fala (ou melhor, escreve). Quem escreve joga as palavras pro alto sem saber em que mãos cairão. Pra quê então edição do superego? Bacana ser, na minha inocência, escutada por você, que sei ter ressalvas a esta minha tolerância. Obrigada.

Cleusa

12 de junho de 2018 às 14h51

Cara Alexandra Mello, brilhante texto! Concordo com suas ideias ali expostas! Porém não podemos nos esquecer que temos preso injustamente – Lula – o melhor presidente que o Brasil teve depois de Getúlio Vargas!

Responder

    Alexandra Mello

    13 de junho de 2018 às 21h04

    Obrigada Cleusa. Eu só acho que afastamos quando somos muito viscerais. O que poderia ser debate, vira ruptura.


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