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Diário da Resistência


João Paulo Rillo: Ótimo para França, péssimo para Haddad
João Paulo Rillo: "Eu quero, de verdade, Haddad governador. Espero que Lula e PT também queiram". Foto: Reprodução PT
Repolitizando 06/06/2022 - 14h59

João Paulo Rillo: Ótimo para França, péssimo para Haddad


Por João Paulo Rillo

Quero Haddad governador

Por João Paulo Rillo*

Há poucos dias, o ex-governador Márcio França fez uma declaração interessante ao comentar a sua pretensão de se aliar a Rodrigo Garcia em troca do apoio do atual governador à candidatura de Lula desde o primeiro turno: “decisões assim, fortes, como fez Alckmin, são para protagonistas, é hora de separar os homens dos meninos”, disse França.

Com a justificativa de ampliar o apoio a Lula, Paulinho da Força e Márcio França tentam uma aproximação com Rodrigo Garcia, cogitando, inclusive, a possibilidade de França ser candidato ao senado em aliança com PSDB.

Os gestos são legítimos, mas, por conhecer a biografia dos envolvidos, reservo-me o direito de desconfiar das intenções propagadas. Lula já tem ao seu lado o político mais forte e consolidado da direita tradicional paulista, o ex-governador Geraldo Alckmin.

Na minha modesta leitura, essa aproximação tem mais a ver com os incômodos investigativos que recai sobre França e seus familiares, realizados pela Policia Civil de São Paulo – diga-se de passagem, explorados de maneira leviana pelo tucanato – do que com a altruísta tarefa de eleger Lula no primeiro turno e livrar o Brasil de Bolsonaro e sua quadrilha de milicianos e criminosos.

Essa aproximação soma quase nada ao Lula, já que Alckmin, hoje, é infinitamente mais expressivo do que Garcia. Aliás, Alckmin conhece Rodrigo como poucos.

Esse movimento é ótimo para França, espetacular para Rodrigo e péssimo para Haddad.

A permanência de Márcio França na disputa ao governo cria sérias e quase incontornáveis dificuldades para Rodrigo acessar uma vaga ao segundo turno.

Dificilmente o carioca e candidato bolsonarista Tarcísio de Freitas não alcançará mais de 20% dos votos no primeiro turno.

A candidatura de Márcio França interdita o crescimento de Rodrigo e esse deveria ser o objeto principal do diálogo entre PT e PSB em São Paulo.

Se Márcio França realmente está preocupado com o Brasil e se considera capaz de chegar ao segundo turno em São Paulo, deveria manter sua candidatura até o fim. E, em caso de derrota, deveria ser valorizado pela tarefa cumprida, seria justo e legítimo ter espaços em um futuro governo federal ou estadual.

Ganhar São Paulo deveria ser o segundo imperativo do campo progressista. O primeiro é derrotar Bolsonaro.

Penso que Lula, Alckmin, PT e PSB deveriam chamar Márcio França e usar as palavras que ele mesmo lançou a Rodrigo Garcia: decisões assim, fortes, são para protagonistas, é hora de separar os homens dos meninos.

Se, de fato, quer tentar ser governador, que seja até o fim. Se der Haddad e França no segundo, será uma grande vitória do campo democrático.

Se a candidatura de França não chegar ao segundo turno, mas contribuir para que Rodrigo também não chegue, nossas chances de vitória em São Paulo aumentam muito se enfrentarmos o carioca bolsonarista no segundo turno.

É nessa hora que Alckmin cumprirá um papel importantíssimo, aproximando setores da centro-direita tradicional paulista da campanha de Haddad

No entanto, se o PT e Lula assistirem passivos a esse movimento de Márcio França em tentar uma aproximação com Rodrigo Garcia para salvar a própria pele, estaremos jogando Haddad à própria sorte.

Segundo turno entre Rodrigo e Haddad é todo mundo (inclusive e principalmente o bolsonarismo) contra nós.

Nunca tivemos um quadro tão favorável em São Paulo.

Espero, sinceramente, que Lula intervenha e evite esse movimento equivocado, perigoso e desnecessário de França, que, ao final e ao cabo, só servirá para o projeto pessoal dele mesmo e para o fortalecimento da eleição de um governador conservador, reacionário, absolutamente comprometido com os piores interesses financeiros de desmonte do estado e, pior, com capacidade incrível de se adaptar ao fascismo tupiniquim.

Eu quero Haddad governador. Espero que Lula e PT também queiram.

*João Paulo Rillo é vereador em Rio Preto e presidente do PSOL-SP.

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2 comentários

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Zé Maria

06 de junho de 2022 às 20h57

Hoje, às 22h, tem Haddad na TV Cultura.

Espera-se que o Candidato do PT vá preparado
para alertar os telespectadores sobre a Estratégia
[email protected] Âncora e dos ‘Jornalistas presentes’ de
tumultuar a Entrevista, todos falando ao mesmo
tempo e interrompendo a resposta do Entrevistado.

Responder

    Zé Maria

    06 de junho de 2022 às 21h01

    #HaddadNoRodaViva


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