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Vladimir Safatle: Claramente a favor do aborto


19/03/2012 - 11h11

por Vladimir Safatle, em CartaCapital

Há algum tempo, a política brasileira tem sido periodicamente chantageada pela questão do aborto. Tal chantagem demonstra a força de certos grupos religiosos na determinação do ordenamento jurídico brasileiro, o que evidencia como a separação entre Igreja e Estado está longe de ser uma realidade efetiva entre nós. Uma das expressões mais claras dessa força encontra-se no fato de mesmo os defensores do aborto não terem coragem de dizer isso com todas as letras.

Sempre somos obrigados a ouvir afirmações envergonhadas do tipo: “Eu, pessoalmente, sou contra, afinal, como alguém pode ser a favor do aborto? Mas esta é uma questão de saúde pública, devemos analisá-la de maneira desapaixonada…”

Talvez tenha chegado o momento de dizermos: somos sim absolutamente a favor do aborto. Há aqui uma razão fundamental: não há Estado que tenha o direito de legislar sobre o uso que uma mulher deve fazer de seu próprio corpo. É estranho ver algumas peculiaridades brasileiras. Por exemplo, o Brasil deve ser um dos poucos países onde os autoproclamados liberais e defensores da liberdade do indivíduo acham normal que o Estado se arrogue o direito de intervir em questões vinculadas à maneira como uma mulher dispõe de seu próprio corpo.

Há duas décadas, a artista norte-americana Barbara Kruger concebera um cartaz onde se via um rosto feminino e a frase: “Seu corpo é um campo de batalha”. Não poderia haver frase mais justa a respeito da maneira com que o poder na contemporaneidade se mostra em sua verdadeira natureza quando aparece como modo de administração dos corpos e de regulação da vida. Esta é a função mais elementar do poder: fazer com que sua presença seja percebida sempre que o indivíduo olhar o próprio corpo.

Nesse sentido, não deixa de ser irônico notar como alguns setores do cristianismo, como o catolicismo e algumas seitas pentecostais, parecem muito mais preocupados com o corpo de seus fiéis que com sua alma. Daí a maneira como transformaram, a despeito de outros segmentos do cristianismo, problemas como o aborto, a sexualidade e o casamento homossexual em verdadeiros objetos de cruzadas. Talvez seria interessante lembrar: mesmo entre os cristão tais ideias são controversas. Os anglicanos não veem o aborto como um pecado e mesmo entre os luteranos, embora se digam contrários, ninguém pensaria em excomungar uma fiel por ela ter decido fazer um aborto.

É claro que se pode sempre contra-argumentar dizendo que problemas como o aborto não podem ser vistos exclusivamente como uma questão ligada à autonomia a que tenho direito quando uso meu corpo. Pois haveria outra vida a ser reconhecida enquanto tal. Esse ponto está entre os mais inacreditáveis obscurantismos.

Uma vida em potencial não pode, em hipótese alguma, ser equiparada juridicamente a uma vida em ato. Um embrião do tamanho de um grão de feijão, sem autonomia alguma, parasita das funções vitais do corpo que o hospeda e sem a menor atividade cerebral não pode ser equiparado a um indivíduo dotado de autonomia das suas funções vitais e atividade cerebral. Não estamos diante do mesmo fenômeno.

A maneira com que certos grupos políticos e religiosos se utilizam do conceito de “vida” para unificar os dois fenômenos (dizendo que estamos diante da mesma “vida humana”) é apenas uma armadilha ideológica. A vida humana não é um conceito biológico, mas um conceito político no qual encontramos a sedimentação de valores e normas que nossa vida social compreende como fundamentais. Se dizemos que alguém desprovido de atividade cerebral está clinicamente morto, mesmo se ele conservar grande parte de suas funções vitais ainda em atividade graças a aparelhos médicos, é porque autonomia e autocontrole são valores fundamentais para nossa concepção de vida humana.

Assim, quando certos setores querem transformar o debate sobre o aborto em uma luta entre os defensores incondicionais da vida e os adeptos de alguma obscura cultura da morte, vemos a mais primária tentativa de transformar a vida em um conceito ideológico. Isso se admitirmos que será necessariamente ideológico um discurso que quer nos fazer acreditar que “as coisas falam por si mesmas”, que nossa definição de vida é algo assentado nas leis cristalinas da natureza, que ela não é uma construção baseada em valores sociais reificados.

Levando isso em conta, temos de saudar o fato de alguns arautos do conservadorismo pretenderem colocar tal questão na pauta do debate político brasileiro e esperar que existam algumas pessoas dispostas a compreender a importância do que está em jogo. Desativar as molas do poder passa pela capacidade de colocá-lo a uma distância segura de nossos corpos.

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132 comentários

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Bruno89

26 de março de 2012 às 15h40

ciencias humanas no Brasil é so doutrinação ideologica marxista como esse professor. conhecimento, humm…uma ou outra escola tecnica como o ime ou o ita.

Responder

Luc

24 de março de 2012 às 02h28

Claramente não sabe o que está falando!
Política, História, questões sociais ok, é a tua área, você manja e te admiro muito, mas biologia? Grão de feijão? Atividade cerebral? Parasita??
Você não sabe nada sobre isso Safatle!
É claramente a favor do aborto, então de zero a 9 meses qualquer mulher tem direito a abortar seu filho?
Num casamento tudo vai bem, o filho tem 6 meses, amanhã a mulher resolve abortar e o marido, quer dizer, o pai deve ficar quieto e ajudar a esposa a abortar seu filho?
É fácil jogar tudo como questão religiosa e falar que o estado é laico, que é ateu, mas a questão de fato é Biologia!
Meu e-mail está aí no arquivo, discuta comigo. (postei isso na Carta Capital tbm)
Tbm sou da USP (C. Biológicas), a gente se vê!
Na boa, não se queime de graça!

Rafael Barberino , ótimo comentário!

Responder

    Miguel

    26 de março de 2012 às 12h04

    e biologicamente tem alguma sustentacao pro que voce falou contra o Safatle?

    Luc

    27 de março de 2012 às 12h44

    Dizer num título de texto "Claramente a favor do aborto" já é uma irresponsabilidade, pois ele excetuou algum período de gestação por exemplo?
    Muitos conceitos biológicos são conhecidos da sociedade, todos sabem que não é só depois de nascido que o bebê adquire consciência, funções neurais, sentidos (sente carinho, dor, fome, frio, etc) , a criança na barriga da mãe tem todas estas capacidades bem antes de 9 meses..
    Sabemos que se retirarmos uma criança da gestação da mãe com 6 meses e o bebê tiver cuidados adequados, tem consideráveis chances de vida. É o caso dos prematuros. E menos do que isso? Qual o limite? Entende como fica difícil generalizar ou não especificar?

    Wildner Arcanjo

    27 de março de 2012 às 18h16

    Enfim, irresponsabilidade, de quem tem o papel e a caneta.

milton anesio

21 de março de 2012 às 00h34

Este comentário deste Rafael Barberino é realmente excelente.
É um comentário curto, e também muito, mas muito excelente mesmo.
Um primor.
Isso aí é um banho gelado decisivo nestes abortistas ingênuos.
É francamente a solução definitiva deste impasse sofistico colocado nas cabeças de nossas criancinhas inocentes que estão vendo e ouvindo os diabólicos abortistas assassinos nas TVs.

Responder

renato

20 de março de 2012 às 19h13

Tu iscapô da tosa JOnh.Ficaram cum peninha di tu.Foi não.

Responder

Benedito

20 de março de 2012 às 14h53

Qual o problema em matar um ser humano? Opa, calma, pessoal. Eu quero dizer que em algumas situações, matar outro ser humano está dentro da lei. Em guerras, por exemplo. Ou em legítima defesa. Então, a questão não é ser contra o aborto porque mata outro ser vivo. Não matamos outro ser vivo pra comer carne? Os antropófagos matavam outros seres humanos para serem nutridos da força e da coragem do inimigo ao degluti-los. Ou os antropófagos não eram humanos? Sou a favor do aborto. E ponto.

Responder

Vera Silva

20 de março de 2012 às 12h53

Assino com você, Vladimir Safatle.
Quero um Brasil laico como diz a constituição. Nada mais nem nada menos que isto.

Responder

abolicionista

20 de março de 2012 às 10h30

Parabéns pelo texto, Azenha. Infelizmente essa chantagem tende a agravar-se. O obscurantismo tupiniquim não conhece limites. Quando leio debates a respeito do embrião ser ou não um ser humano me lembro das discussões de Santo Agostinho sobre o homúnculo. Enquanto isso a PM executa milhares de jovens na periferia e isso nunca vira assunto de discussão. Tenho um misto de vergonha e asco quando esse assunto vem à baila. Parabéns ao Vladimir pela serenidade com que trata de uma questão tão evidente e, gostaria de dizer, já superada.

Responder

    Conceição Lemes

    20 de março de 2012 às 11h28

    Abolicionista, este texto é do professor Vladimir Safatle. abs

    Alexandre Bitencourt

    20 de março de 2012 às 13h25

    Quem dera os conservadores defendessem outras pautas como as que você citou com tanto afinco como no caso do aborto. Infelizmente a hipocrisia reina.

Rodrigo Leme

20 de março de 2012 às 09h45

Uma gravidez inesejada é uma vida muito ingrata na maioria das vezes para uma criança. Por mais que a libração do aborto possa gerar alguns problemas (como a diminuição do senso de responsabilidade ao se ponderar métodos ani-concepcionais), a geração de crianças mal amadas e porcamente criadas por pais que não as querem gera problemas sociais muito piores.

Responder

Daniel

20 de março de 2012 às 09h06

Como o ser humano adora tentar mandar na vida dos demais… E pior ainda, ainda não aprenderam a parar de dar ouvidos para este CÂNCER chamado "religião", e me pergunto se um dia irão parar. Ou só irão parar quando forem extintos por ela?

Prezados, quem deveria decidir sobre a questão é a mãe, única e exclusivamente ela e ponto final. Porquê não serão vocês que irão carregar a criança por nove meses na barriga, e muito menos serão vocês que irão cuidar da criança pelo resto da vida. Chega a ser calhorda querer decidir por ela quando não serão vocês os que sofrerão as consequências da decisão.

A mulher quer abortar porquê não têm condições de criar a criança ou ela foi fruto de uma violência? É decisão DELA. A mulher sabe que o futuro filho virá com uma deficiência grave que fará com que ele não sobreviva muito tempo, e mesmo assim ela decide levar a gravidez adiante? É decisão DELA.

NENHUM de vocês têm QUALQUER direito que seja de decidir pela mãe. Ou vocês irão criar a criança? vocês vão alimentá-la, vesti-la, tratar dela dia e noite se ela não passar de pouco mais do que um "vegetal" pelo resto da vida por alguma deficiência congênita? Claro que não vão.

Responder

Diniz

20 de março de 2012 às 02h24

Dúvida cruel: foi a religião que inventou o Diabo ou foi o Diabo que inventou a religião ?

Responder

Jorge Moraes

20 de março de 2012 às 01h03

O exponencial crescimento da Rede escancarou dificuldades, angústias e problemas para os quais antes apenas pesquisas de problemático acesso podiam contemplar, e isso de forma precária.

Dentre os pontos que sobressaem estaria um dose cavalar de intolerância. Ou intolerâncias, dado que elas são de variadas espécimes.

O grande facilitador de sua disseminação, como já exaustivamente demonstrado por analistas, é a possibilidade dos partícipes comparecerem às discussões – polêmicas, como a do aborto; ou mais triviais – sob identidades falsas. E justamente por isso tão reveladoras.

O tema do aborto se transformou em algo como uma panaceia eleitoral para grupos retrógrados. Seu uso distorcido revelou-se instrumento potente para a operacionalização de desvios e tergiversações de conveniência para aqueles que já não dispõem de argumentos convincentes no tablado da política, propriamente dita.

Vacas magras, tempos obtusos e duros (de aguentar), os que vivenciamos. O Safatle (e não só ele, vários comentadores também o fizeram) trouxe indispensável racionalidade à discussão.

Responder

Miguel

20 de março de 2012 às 00h55

Querem dotar um amontoado de celulas sem capacidade fisiologica propria e sem atividade cerebral dos mesmos direitos que um ser humano. inclusive penalizando humanos.

Responder

Alberto

19 de março de 2012 às 23h37

Os fetófilos são de amargar. O problema deles não é que são fetófilos. Tem todo o direito à opinião. Só não têm direito de querer que todo mundo siga suas doutrinas fetófilas.

Responder

J,C,CAMARGO

19 de março de 2012 às 21h45

Existe SIM a separação entre Estado e Igreja! Más o que é o Estado e quem o representa? É lógico que é a So-
ciedade, onde estão, também, as pessoas que representam suas Igrejas! Assim, o que não existe, e unca exis-
tirá, é a separação entre O Estado e a Sociedade que o representa! Daí, que assuntos polêmicos hão que ser /
discutidos pela Sociedade! E como? O Plebiscito é uma forma de Discussão!

Responder

Marta

19 de março de 2012 às 21h34

A descriminalização do aborto não passa pelo direito de vc ser contra ou a favor. Ninguém faz aborto simplesmente não é crime. Quem é contra, não faça. Quem é a favor, faça se assim o desejar ou precisar.
A criminalização coloca na cadeia mães de família, muitas vezes, arrimo de família. Na Espanha, por exemplo, um país católico, houve dois plebiscitos: o primeiro criminalizou e o segundo descriminalizou porque ninguém queria ver suas mulheres, irmãs ou mesmo mães na cadeia. Nem por isso, o número de abortos aumentou.
Considero que a lei do aborto é como a do divórcio. Na época houve o mesmo embate que misturou crença religiosa e direito civil.
Por que é que quem é contra tem que obrigar quem não é, a ser? a seguir sua opinião?
E não me venham, hipocritamente, dizer que é favor da vida, considerando que milhares de mulheres morrem por fazerem abortos clandestinos….

Responder

    Fabio_Passos

    19 de março de 2012 às 23h38

    Muito bem dito.
    Os hipócritas são a favor da perseguição e morte das mulheres pobres.

    PedroAurelioZabaleta

    20 de março de 2012 às 02h32

    Valeu, Marta!
    Muito bem esclarecido.

Fabio_Passos

19 de março de 2012 às 21h07

Correto.
Ceder a chantagem dos fundamentalistas é um erro crasso.

O governo Dilma já cedeu… e continua sofrendo chantagens.
É assim a natureza dos chantagistas. Não vão parar.

Dilma precisa ter coragem de defender seus compromissos históricos… e parar de fingir que é um josé serra de saias.

Responder

Arthur Schieck

19 de março de 2012 às 19h34

Não considero a questão do direito da mulher como fundamental nessa discussão. A razão que me faz ser a favor do aborto está no momento em que penso: o que será desse ser depois de nascer?
Se a possibilidade do aborto é levantada por uma mulher é porque ela não deve ter essa criança de jeito nenhum. E que seja feito o mais rápido possível, antes que embrião desenvolva seu sistema nervoso central. Considero que quanto maior o tempo de gestação mais o aborto se aproxima de um infanticídio.
O problema desse debate é a religião. Os religiosos acreditam que existe vida humana desde a fecundação e isso emperra qualquer debate. Por eles nem estupro seria motivo de aborto.

Responder

mineiro

19 de março de 2012 às 19h29

e os meios incomunicaçao ou melhor , meios de manipulaçao. quantas coisas erradas eles nao incentivam fazer. nao a um programa que preste nas grandes emissoras de televisao . so incentivam a beber , drogar , prostituir e tudo mais . isso tambem é uma maneira entre aspas de abortar a sociedade. tudo é uma coisa so , as mulheres sao incentivadas pelos meios de manipulaçao a fazer sexo e depois a consequencia disso é a gravidez e depois consequentemente o aborto . tambem tudo isso tem que por na balança.

Responder

Sérgio Alfa

19 de março de 2012 às 19h26

No afã de enquadrar os supostos "fundamentalistas cristãos", a articulista se demonstrou ainda mais preconceituosa e sectária. Há os contra o aborto e sua criminalização. Há os contra o aborto, mas a favor de sua descriminalização. E há os a favor do aborto e sua descrminalização. Simples, assim. Não é necessário a autora empregar um discurso tão radical e raivoso contra quem dela discorda, nem jogar todo mundo no limbo dos "religiosos obscurantistas"? Na minha singela opinião, a mulher tem todo o direito, mas também o dever de zelar pelo seu corpo. A partir do momento que prefere negligenciar esse direito-dever, engravidando, seu direito se relativiza em prol da vida em potencial que passa a habitar seu ventre. O argumento não é religioso, mas apenas a maneira como eu gostaria de ser tratado, se eu fosse o feto, em quem EU identifico humanidade. Apenas discordo de jogar a "mãe" em uma cela pútrida, como muitos querem. Há outras formas de punir. Mas, tudo isso não significa que a mulher tenha poderes absolutos sobre o próprio corpo. Senhora articulista, respeite a opinião alheia, por favor.

Responder

mineiro

19 de março de 2012 às 19h23

eu sou a favor do aborto em casos extremos , em casos de extupro por exemplo. agora o autor dizer que a mulher pode fazer o que bem entender do seu corpo. ai é uma imbecilidade. da mulher mandar no seu corpo é uma coisa , agora fazer o que bem entender é outra muito diferente. tudo tem que ter regras . agora por exemplo se a mulher nao gostar mais de um cara e ela estar gravida do mesmo . se ela por exemplo querer fazer um aborto ai pode. pelo que o texto diz é isso . porque tem loucos de todo tipo. tambem temos que olhar para outro lado , quantas mulheres nao fazem aborto clandestinos e morrem ou ficam mutilada pra sempre. tudo isso temos que botar na balança.

Responder

_Rorschach_

19 de março de 2012 às 18h42

Apesar de gostar de meter o bedelho em tudo, se há uma questão que me põe em dúvidas é a do abortamento. Ora leio bons argumentos e pendo para um lado, ora leio bons em favor de outro e torno a ficar em cima do muro.

E ficar em cima do muro me incomoda.

Mas acho que é um erro dos favoráveis ao aborto associar a causa anti-abortista tão somente aos religiosos. Sou um ateu dos mais convictos. A bíblia e um livro sobre mitologia grega têm para mim o mesmo valor.

Mas por que então fico ressabiado com este tema???

Porque me incomoda a possibilidade de matar um ser vivo.

Responder

    beattrice

    19 de março de 2012 às 20h03

    O problema é a definição de "ser",
    os fundamentalsitas defendem que um embrião de UM DIA de vida é autonomo,
    não se verá um não fundamentalista bem informado a defender tal coisa,
    de onde a correlação.

    Lucas Parente

    19 de março de 2012 às 23h38

    Mas, Beattrice, vc há de convir que não é uma questão fácil decidir sobre quando, exatamente, acontece essa "autonomia".

    Ao pé da letra, nem depois de sair do útero o bebê tem autonomia, pois ainda depende da mãe (ou de outra pessoa) para tudo. E continuará dependente ainda por bastante tempo. No entanto, a mãe não pode legalmente optar entre cuidar ou não do filho nascido. Abandono de incapaz é crime… O que não impede que muitos pais e mães abandonem os filhos.

    Uma vez na faculdade um amigo me disse uma frase que até hoje me dá um nó na cabeça – um bebê ainda não é uma pessoa, o que nos torna pessoas é a aquisição da cultura. No final, a escolha é nossa (dos adultos) sobre o que fazer com esse bebê ainda "sem cultura", bem como sobre o destino do embrião, do feto, dos óvulos fecundados, etc.

    Acho que o assunto é bastante complexo. Mas também acho que o Estado deveria colocar o tema do aborto fora da esfera penal. Descriminalizar totalmente. Isso poderia ajudar a amadurecer o debate, colocá-lo num patamer menos hipócrita e mistificado.

    Em todo caso, ainda não consegui me decidir contra ou a favor do aborto. Imagino então as dificuldades que passa uma mulher ao tomar uma decisão dessas…

    Êta vida difícil essa das mulheres…

    beattrice

    20 de março de 2012 às 13h36

    Por essas e outras a decisão é da MULHER e não do Estado, ou do padre, do pastor, etc etc etc etc

    Lucas Parente

    21 de março de 2012 às 08h24

    Você propõe, então, que os homens fiquem fora desse assunto. Seria isso?

    Lucas Parente

    21 de março de 2012 às 21h49

    Você está propondo, então, que os homens simplesmente fiquem fora desse assunto?

    Obs.: Talvez o comentário anterior não tenha sido enviado corretamente. Então postei duas vezes a mesma pergunta.

    Magali

    03 de abril de 2012 às 15h20

    O que é um ser vivo?
    Um ser vivo pode ser uma vaca, um cachorro, um gato, um pé de alface; Ou seja, formas de vida que são mortas diariamente para nos alimentar.
    O que está em pauta aqui é a sacralização de uma vida humana e a sua importância.
    Quando começa uma pessoa?
    Para mim, uma pessoa começa quando passa a possuir senciência, consciência e auto-consciência e racionalidade.
    É o critério utilizado para dar fim a uma existência humana (morte cerebral), deveria ser o critério utilizado para atribuir a sua importância também.

    Outra questão, por que colocar a existência de uma futura-pessoa acima da de uma mulher que já possui uma história, uma trajetória?
    Isso se chama inversão de valores. Uma velha tentativa de dominação do útero alheio.

_Rorschach_

19 de março de 2012 às 18h42

Pesquiso sobre o assunto e acho várias teorias para o que é ser "vivo". Cada qual a gosto do freguês…

O STF, pelo que sei, só decidiu que embriões desenvolvidos FORA do útero não são pessoas.

Mas e os embriões dentro do útero? Quando se tornam pessoas?????

Alguém aqui do forum – sem gracinhas ou ofensas – poderia me tirar essa dúvida e esclarecer, objetivamente, qual seria o parâmetro para realizar esse desejado "aborto legalizado"?

Por ex: haveria um limite máximo de meses para interromper a gravidez ou poder-se-ia abortar até o oitavo mês por ex?

OBS: não estou perguntando sobre as teorias jurídicas concepcionistas, natlistas e da personalidade condicionada pois estas já estão batidas.

Responder

    beattrice

    19 de março de 2012 às 20h05

    Na grande maioria dos países civilizados onde os direitos civis das mulheres são respeitados e a interrupção da gravidez ou aborto não são criminalizados o prazo figura como de tres meses para o procedimento legal. Há alguns países em que tal limite é maior.

    Aline C Pavia

    20 de março de 2012 às 09h18

    Infelizmente a comparação do Brasil com países civilizados não se aplica.
    Aqui no Brasil, educação sexual é distribuir camisinha de graça no Carnaval e no dia 1º de dezembro, e instalar máquinas de camisinha nas escolas.
    Muitas mulheres no Brasil inteiro têm de optar entre comprar o Microvlar ou Diane por 12 reais ou por comida na mesa. Para essas mulheres SIM considero que hoje não veem opção… como bem disse a Dra. Albertina Takiuti, elas não querem fazer curetagem pós-abortamento, elas "só querem tirar, doutora".

    beattrice

    20 de março de 2012 às 13h32

    Realmente não se aplica, estamos a séculos de uma politica publica civilizatoria.

    _Rorschach_

    20 de março de 2012 às 20h36

    Valeu moça.

    Vi que a maioria dos projetos fala realmente em 3 meses.

Rodrigo Falcon

19 de março de 2012 às 17h51

Só pra constar…
Quer dizer que ter pele negra, ser esculachado e escrever mal são sinônimos?

Pelamor!

Responder

    Julio_De_Bem

    19 de março de 2012 às 19h23

    Dont feed the trolls.

    Alberto

    20 de março de 2012 às 08h30

    Está de jejum?

Rodrigo Falcon

19 de março de 2012 às 17h30

Esta tenho que colocar em caixa alta, com o perdão do Azenha e da Conceição, para definitivamente não deixar dúvidas…

SE HOMEM ENGRAVIDASSE O ABORTO SERIA LEI!

Responder

    Christian Schulz

    19 de março de 2012 às 21h50

    Fato.

    Sob risco de exagero, acho uma frase muito bacana: "Sem útero, sem opinião!"

    Não gosta de aborto? Não faça um.

    Fabio_Passos

    19 de março de 2012 às 23h31

    Esta perversão de legislar e impor suas crenças sobre o corpo alheio é algo muito assustador.

joel

19 de março de 2012 às 16h59

Se não há nenhum risco para a vida da mulher, praticar um aborto é sim um crime, um atentado contra a vida e deve ser penalizado. É um crime muito maior que o assalto por exemplo. Caso contrário vamos acabar com o código penal.

Responder

Rafael Barberino

19 de março de 2012 às 16h38

Suponhamos um caso limite: um obstetra que resolve interromper uma gravidez muito DESEJADA. Ele o faz sem o consentimento ou a ciência da mãe. Qual foi o crime deste médico? Maus trato aos animais ou assassinato? Só vejo uma resposta possível: assassinato, e de um ser humano que deve ter seu direito a vida e a autonomia garantidos mesmo quando são apenas em potência. Acuse-o de qualquer outra coisa e veja se os sentimentos da mãe em relação as suas expectativas de justiça serão satisfeitos. Não o serão.

Por que fetos desejados teriam mais direitos que outros não desejados? É preciso decidir de maneira universal: ou ninguém tem o direito eliminar o feto, ou todos o terão.

Feto parasita?! É possível realmente, falando com pessoas de bom senso (ver a crítica da faculdade de Julgar de Kant), tratar a vida do feto como a de um parasita? Não há nada de ultrajante nisso? Ou como determinar o início então da vida propriamente humana, então? Com o nascimento? Por que o seria? Afinal, ele continua tão "parasita" (dependente) quanto. Com o advento da fala? Então poderia me livrar de um bebê, sem remorso? Em suma, para mim, a relação de incapacidade do feto e do recém-nascido estão muito próximas para determinarem diferenças de direitos tão grandes. Ao menos, ainda não há autonomia, nem propriamente consciência de si (há não ser que consideremos PONTENCIALIDADE como motivo para espectativas de direitos, mas aí feto e recém-nascido estão novamente em pé de igualdade).

Por fim, a despeito da laicidade do Estado, para a maioria absoluta da população a vida ainda guarda um mistério que está para além da compreensão. E isso não é obscurantismo, mas sim reconhecimento da ignorância própria (sentimento bastante socrático). Este sentimento deve ser contabilizado pelo legislador em sua função. Na dúvida do que seja este mistério da vida, parece-me mais prudente preservar o direito à vida.

PS: Não são só os religiosos que são contra o aborto. Que é isso!!! Não tem debate. Todo mundo está certo do que diz é a verdade. Como o prof. Vladimir mesmo ensina em suas aulas, essa é uma das características mais certas da loucura!!

PS2: Eu acho que a legislação brasileira sobre o aborto muito adequada (de repente uma ou outra alteração). Agora, pensar o aborto como método radical anticoncepcional é no mínimo leviano. Digno, no entanto, de nossa sociedade hedonista. Eu entendo os motivos pelos quais alguém poderia querer abortar. O que não entendo é necessidade de transformar isso em algo digno. Alguém poderia me explicar?

Responder

    Miguel

    20 de março de 2012 às 00h52

    Isso que voce e' obscurantista sim. e de uma confusao conceitual extraordinaria, que a tentaitva de mobilizacao de linguajar mais rebuscado nao disfarca.

    Rafael Barberino

    20 de março de 2012 às 09h52

    Desculpa Miguel, mas para mim é muito obscuro, como simplesmente taxar os argumentos contrários aos seus de "obscurantistas" pode contribuir minimamente para a maturidade da discussão. Por que não poderia simplesmente contra-atacar e dizer que você é, sei lá, "dogmático", por exemplo? POR UMA ÚNICA RAZÃO NÃO: ESSE É O TIPO DE COMENTÁRIO QUE NÃO LEVA A (perdão pela expressão) PORRA NENHUMA!!! Acho que agora meu português está mais claro, não acha?

    Miguel

    20 de março de 2012 às 15h10

    sim, muito mais claro. e por que gastar tanto paragrafo pra tentar dar algum ar de logica a um argumento que so se sustenta se voce acreditar em "alma"? Enquanto transcendencias estiverem entre as alternativas, e' obscurantismo. nao precisa argumentar mais do que isso, e quem depende de dogma pra sustentar qualquer coisa e' quem insiste em incluir alma no assunto. tao dificil assim entender que biologicamente um zigoto nao e' equivalente a un individuo nascido, e que a mistificacao disso depende de forca politica?

    Do ponto de vista estritamente logico, ter que dizer a todo momento que negar dados simples como a diferenca entre um zigoto e um individuo e' o equivalente a dar bom dia a cavalo.

    Rafael Barberino

    20 de março de 2012 às 16h02

    Melhorou um pouco, temos agora um contra-argumento.

    Mais ainda é pouco. Veja bem Miguel: o meu argumento é essencialmente jurídico. Interessava-me mostrar alguns casos limites que o direito teria que lhe dar caso se aprovasse o aborto. Não pressuponho a ideia de alma para nada no argumento central.

    E no fim, num segundo argumento, também não ponho a ideia de alma em jogo, lembro apenas dos limites do nosso conhecimento.

    Agora, quem não reconhece a diferença entre um zigoto e um indivíduo? Há também muita diferença entre ser um cavalo ou um homem. Mas, o que é melhor ser zigoto de cavalo ou de humano? Há uma grande diferença entre ser um zigoto humano e ser um homem já maduro: é a diferença entre a potência e o ato. O que quero saber se a potência que o zigoto tem para se desenvolver em homem em ato não lhe dá alguma expectativa de direito maior do que as concedidas ao zigoto de Bucéfalo!

    Rafael Barberino

    20 de março de 2012 às 16h16

    Essa necessidade de transformar todo argumento contra-abortista num argumento religioso é sintomática, para não dizer engraçada. Será realmente que os pró-abortistas não tem argumentos que funcionem também com aqueles que são contra o aborto, mas não por motivos religiosos?

    Miguel

    20 de março de 2012 às 20h44

    voce nao consegue mesmo entender que direitos so se aplicam a individuos, e nao humanos, portanto nao ha qualquer controversia juridica ai? e a "potencia" do zigoto tem mais direitos que o individuo em "ato" (na pratica e' o que significa criminalizar)

    e' preciso relacionar com religiao, porque tirando a possibilidade de alma, nada mais pode dar sustento a uma teoria absurda de que o embriao e' a mesma coisa que um individuo. pode dar quantas cambalhotas retoricas voce quiser.

    Rafael Barberino

    21 de março de 2012 às 00h23

    Mais uma coisa: não é preciso trazer a religião para o assunto, mas não seria errado que religiosos se utilizassem de suas crenças para argumentar contra o aborto. Pois, o Estado é laico, não a cultura.

    Antes de mais reclamações, Habermas também tem discutido com maturidade esse assunto.

    Miguel

    22 de março de 2012 às 22h18

    religiosos podem discutir que quiserem, eles discutem ate o sexo dos anjos. So nao podem almejar que suas conclusoes teologicas orientem a legislacao.

    esfera publica habermasiana, serio? criticos contemporaneos tem desmontado com maturidade essa ficcao neokantiana.

    Miguel

    22 de março de 2012 às 22h19

    e se esta preocupado com a esfera publica habermasiana, o principio da legitimidade e' chave. nao ha legitimidade para qualquer orientacao teologica especifica determinar a orientacao do direito.

    Rafael Barberino

    20 de março de 2012 às 09h54

    Só mais uma coisa. Do ponto de vista estritamente lógico o seu comentário não é mais do que uma falácia não-formal de relevância ataque ao homem ofensivo. Vamos melhorar o nível da conversa? E em vez de nos atacarmos mutuamente, argumentos a causa em questão.

    Marta

    20 de março de 2012 às 08h27

    O título deste argumento é "Além da Imaginação".

    Rafael Barberino

    20 de março de 2012 às 08h42

    Poxa vida, "-3" ? Por que as pessoas que não gostaram do que escrevi não comentam para que possa entender onde estou errando? Ou será que os argumentos pró-abortistas só servem contra argumentos de origem religiosa?

    Luiz Moraes

    26 de março de 2013 às 11h47

    Caro Rafael Barberino, parabéns pelo seu comentário. Quanto a explicação que vc pede no final, vai aqui a realidade:

    Trata-se de “ignorância”, “medo”, e “transferência de culpa”…

beattrice

19 de março de 2012 às 16h10

Como discutir a questão das funções cerebrais para melhorar o entendimento de quem inisiste em não entender que um embrião é um ente, um feto é outro e um ser humano é outro, todos distintos,
com quem não usa o cérebro?

Responder

Yarus

19 de março de 2012 às 15h51

Aborto no Chile, pode?

Responder

    Fabio_Passos

    19 de março de 2012 às 22h45

    Pode.

    E para ricos também é liberado no Brasil.

    Estes fundamentalistas religiosos gostam mesmo é de perseguir mulheres pobres…
    São uns covardões.

carlos

19 de março de 2012 às 15h43

O que me chama atenção é esse movimento de direito a vida, mas não se colocam contra o aborto social de milhares de crianças, abandonadas pelas políticas públicas. Onde estão as vozes dos arautos contra o aborto em relação do abandono das crianças do Penheirinho?

Responder

Aline C Pavia

19 de março de 2012 às 15h36

Desculpem. Em 2012, só engravida quem quiser.
TIREM a questão do aborto da mesma questão de pílula de dia seguinte, camisinha, tabelinha, DIU e implante. TIREM a questão do aborto da mesma questão da vasectomia e laqueadura.
PREVINAM-SE gravidezes indesejadas. DÊEM-SE OPÇÕES para as mulheres: educação, acesso, informações, escolhas, instrução, autonomia para ESCOLHEREM NÃO ENGRAVIDAR.
Para resolver MESMO a questão de 1,5 milhão de abortos/ano no Brasil, o debate perpassa OBRIGATORIAMENTE pela educação sexual, controle de natalidade, planejamento familiar e pater-mater-nidade responsáveis.
As "católicas pelo direito de decidir" (sic) desejam a liberação do aborto para que? Porque não querem engordar usando uma pílula cujo custo dá 120 reais/ano? É esse mesmo o nível do debate do aborto no Brasil?

Responder

    Wildner Arcanjo

    19 de março de 2012 às 17h25

    Direto ao ponto!

    beattrice

    19 de março de 2012 às 20h07

    TODOS os métodos anticoncepcionais podem falhar, TODOS.
    Nenhum configura 100% de segurança, com exceção claro da esterilização cirúrgica,
    laqueadura ou vasectomia que como o próprio nome indica
    ESTERILIZA.

    Rodrigo Falcon

    19 de março de 2012 às 20h30

    "Em 2012, só engravida quem quer."

    Prezada Aline, tenho certeza que esqueceu de mencionar estupros – sejam eles de desconhecidos, amigos, parentes ou maridos.

    Aline C Pavia

    20 de março de 2012 às 09h13

    Estupro já está na lei.

    Magali

    03 de abril de 2012 às 15h27

    Legalização do aborto não exclui a conscientização e a educação sexual. Muito pelo contrário, ela os fortalece.
    Você não passa de uma reacionária que utiliza argumentos falaciosos e ignora todos os prismas da questão.

Miryam

19 de março de 2012 às 15h18

… seguindo o raciocínio do conceito "vida": depois que nasceu – sem se importar com a questão da "responsabilidade" da vida (exemplos: o pai não assume, a mãe não tem como criar, os orfanatos … a adoção, e outras tantas artimanhas para deixar que uma só pessoa se ocupe daquela "responsabilidade") essas crianças assim "nascidas" podem ser abadonadas, assassinadas, vendidas, estupradas, drogadas … – pois, depois de nascido esse ser é sempre culpado pelas mazelas que venha apresentar ou infligir (a vitima culpada, não é?). Parece que depois que nasceu a vida é a que menos importa … por favor … vamos pensar um pouco mais …

Responder

Lucrécio

19 de março de 2012 às 14h36

Argumentaçãozinha hipócrita, os abortistas padecem do mesmo mal dos demotucanos: dois pesos e duas medidas. Se a mulher deve ter o direito sobre o próprio corpo, por que a criança não pode?

Responder

    Yara

    19 de março de 2012 às 14h45

    Por que a criança ainda não é criança até ter um cérebro. Simples.

    Luis

    19 de março de 2012 às 15h43

    Sou ateu, e soi contra o aborto, esse argumento é falho, pois a ordem natural do feto é se nada der errado o feto desenvolve um cérebro. E não venha comparar isso a um espermatozóide ou um óvulo, pois ambos sozinhos não desenvolvem nada, e por isso mesmo não tem como comparar o aborto com métodos anticonceptivos. Chega a ser repugnante, mesmo para um ateu, ler certas coisas como essa:

    "Uma vida em potencial não pode, em hipótese alguma, ser equiparada juridicamente a uma vida em ato. Um embrião do tamanho de um grão de feijão, sem autonomia alguma, parasita das funções vitais do corpo que o hospeda e sem a menor atividade cerebral"

    beattrice

    19 de março de 2012 às 16h06

    E ela só tem um cérebro potencial de fato aos seis meses de vida intra-uterina, para complementar.

    _Rorschach_

    19 de março de 2012 às 18h45

    Acho que você respondeu minha dúvida.

    Quer dizer que ao cérebro só se forma com 6 meses de gestação????

    Willian

    19 de março de 2012 às 16h08

    E a partir de que mês ela passa a ter cérebro?

    Vlad

    19 de março de 2012 às 21h17

    "A partir dos 18 dias o cérebro começa a desenvolver-se formando as células nervosas que posteriormente serão os neurónios. Durante este processo, o feto produz mais células neuronais do que as que necessita quando nascer (muitas delas morrem se não são estimuladas). Por isso, cantar, falar e colocar música para o bebé quando ainda está na barriga é essencial para ajudá-lo a potenciar a sua inteligência……"
    http://www.todopapas.com.pt/gravidez/semanas-a-se

    Vixxxxxxii!!

    º,..,º

    beattrice

    20 de março de 2012 às 00h12

    Cérebro em formação aos 18 dias em operação somente se for em Marte,
    com a palavra os amrcianos.

    Fernando da Silva

    19 de março de 2012 às 20h33

    Não é uma criança, mas é um ser vivo, oriundo de uma relação humana.

    ana

    19 de março de 2012 às 15h17

    porque não é uma criança?

    joel

    19 de março de 2012 às 17h29

    kkkkkk. ainda que vc ja nasceu.

Julio_De_Bem

19 de março de 2012 às 13h51

Deixa eu ver se eu entendi. Se eu sou contra o aborto, sou um conservador, religioso, reacionário e machista?

Daqui a pouco, quem é contra o assassinato do feto, será taxado de nazista e fascista. As vezes dói ler certos artigos. Percebe-se que os pró-abortistas, para justificar sua opção, sempre falam de igreja e bla bla bla. É o único argumento que vcs têm? E os que são contra o aborto e não tão nem ai pra igreja? Eu por exemplo não me importo com religiões, nao pratico nenhuma…tô cagando e andando pra padre, ou bispo, ou pai de santo…. que argumento tu tem pra mim?

O meu argumento, de achar que aborto é crime, é simples. Minha mulher está grávida, acompanhamos desde ás suas 5 semanas. Eu ouvi o coração do meu filho ou filha (ainda nao sabemos o sexo). Tá la batendo. Tá com 13 semanas agora. Tem nariz, coluna, cerebro, bexiga, a medica falou o seguinte "querem ver uma coisa?" ela balançou a barriga da minha mulher com o aparelho de ultrasom o bebe se começou a se mexer, baslançava a cabeça. Foi tudo gravado, tenho em DVD. Ví o perfil do rosto do meu bebê. E aí, que argumento tu tem pra dizer que isso não é um assassinato?

Pode vir qqr feminista vomitar besteiras dizendo que a mulher tem q ser dona do corpo e bla bla. Vc é dona sim do seu corpo, e não do corpo da criança que ta dentro de ti e precisa de ti pra sobreviver. Tua irresponsabilidade, bem como a do homem que vc transou, não te dá o direito de tirar a vida de ninguém.

Se vc é dona do seu corpo, cuide dele. Transe com camisinha, de pra quantos vc quiser, mas faz o rapaz usar preservativo se ele for burro o suficiente pra não usar. Tome anti-concepcional se vc tbm não consegue lembrar disso na hora do bem bom. Lembrando que anti-concepcional não é anti-hiv, anti-hpv ou anti qqr outra dst…

Lembre-se, venha com argumentos, não com agressões.

Responder

    Yara

    19 de março de 2012 às 14h47

    Se alguém o obrigasse a se desfazer de sua vida em prol de outra que não existe ainda, então serias um assassino? O engraçado é que o mesmo pessoal que defende a vida do feto, é o mesmo a favor de pena de morte.

    Luis

    19 de março de 2012 às 15h58

    Sou ateu, de esquerda, a favor dos direitos individuais, a favor da legalização das drogas, a favor dos direitos humanos, CONTRA a pena de morte, e CONTRA a legalização do aborto.

    Willian

    19 de março de 2012 às 16h08

    Ok, então vc é a favor do aborto só quando a mãe corre risco de vida? Mas isto a lei já garante. Ou vc acha que se desfazer de sua vida engloba também perder oportunidades no trabalho por causa da gravidez ou problemas relativos à condições econômicas? Quanto a pena de morte, é verdade, um assassino é igual a uma criança no ventre materno, são coisas iguais…

    joel

    19 de março de 2012 às 17h24

    É crime e ponto final. Voce é livre, pode roubar, matar e cometer o aborto, quando não há nenhum risco para sua vida, pórem é um crime e deve responder na justiça. A monica serra também é a favor, ou ela corria risco de vida?

    Ramalho

    20 de março de 2012 às 14h29

    Ponto final uma ova. Se é crime abortar embrião, é crime descartar óvulo e espermatozoide: tanto um quanto outros não são seres humanos, embora possam vir a sê-lo. Tem mais, até em Portugal, que é tido como país retrógrado, o aborto foi legalizado. Aborto de embrião não é crime em si mesmo, pois embrião não é ainda ser humano; mas rotular o aborto de embrião de crime é obscurantismo e manifestação de ignorância prepotente.

    ana

    19 de março de 2012 às 15h17

    quem decide não é você. você não manda em ninguém. se a sua religião ou credo ou crença te diz para não fazer, não faça. mas mandar na vida do outro que não pensa como você, isso é muito mais do que conservadorismo. é ditadura

    Julio_De_Bem

    19 de março de 2012 às 19h01

    Tem algum argumento que não o religioso, faz favor?

    Miguel

    20 de março de 2012 às 00h45

    cientificamente, um embriao ou feto ate ter aunomia fisiologica e sistema nervoso central formado nao pode ser comparado ao que juridicamente chamamos de vida humana. e' pior que comparar um caroco com um abacateiro.

    entao, a nao ser que voce ache que deus colocou uma alma ali naquele amontoado de celulas assim que houve a fusao de dois gametas, trata-se simplesmente de um zigoto.

    por isso voce e' obrigado a ver o argumentio religioso toda hora, cientificamente nao faz sentido dizer que esta defendendo a vida.

    Valdeci Elias

    20 de março de 2012 às 12h31

    Os Nazistas tambem usaram argumentos cientificos, para negar a vida a ciganos, judeus e deficientes fisicos.

    Ramalho

    20 de março de 2012 às 14h21

    Você, sim, está a usar argumento nazista.O que tem a ver cigano com embrião? Ademais disto, nazistas não usaram argumento científico algum. Prove que usaram.

    Miguel

    20 de março de 2012 às 15h02

    so podiam sere considerados cientificos por uma serie de pressupostos politicos ideologicos. Um dos papeis fundamentais que as ciencias humanas tem no conjunto do desenvolvimento de conheecimento, e' desvendar o papel que essas questoes etico-morais, e portanto nada objetivas, interferem na producao do que se considera "cientifico".

    e ao contrario do que o pensamento obscurantista tenta propagandear, nazismo nao e' o auge do cientificismo nao. A academia e o desenvolvimento tecnologico em geral dos eua que o digam, pois o exodo de pensadores e pesquisadores europeus de todas as areas teve como principal destino os eua.

    Fernando da Silva

    19 de março de 2012 às 20h28

    E desde quando fazer mal a alguém ou a alguma coisa é decisão pessoal? Se assim for, que se arque com as consequências.

    Rafael Barberino

    20 de março de 2012 às 10h15

    Concordo com você: quem acha errado matar que não mate, quem acha certo faça o que der na telha. Há também que não veja problemas em roubar os cofre públicos. Mas quem acha errado que não roube, e não fique incomodando quem acha isso normal!!!

    Em suma, não dá pra resolver esse problema com um simples cada faz o que achar certo. Por que o que está em discussão é o direito ou não do feto à vida.

    Miguel Matos

    20 de março de 2012 às 16h53

    A mulher é dona do seu corpo. Se ela quer abortar, que o faça, mas não às custas dos impostos da imensa maioria da população que considera o aborto um infanticídio. Querem aborto "seguro"? Pois que paguem por ele com seu próprio dinheiro!!

    Julio_De_Bem

    20 de março de 2012 às 19h17

    Tentei por 16 vezes postar o link do ultrassom da minha esposa que tem a img do meu bebê com 10 semanas.Não apareceu nenhuma vez. Procura lá no google um ultrasom com 10 semanas de gestação, por exemplo e me diz que aquilo alí, é a mesma coisa que sai na minha ejaculação se eu me masturbar…por favor…defendam seus pontos de vistas mas sem apelar para besteiras que vcs querem travestir de estudo científico…Acreditar incondicionalmente no que diz "estudos", e tão ridículo quanto acreditar incondicionalmente um Padre ou um bispo…O ponto em comum entre todos é que eles querem o teu dinheiro.

    Magali

    03 de abril de 2012 às 15h23

    Quanta falácia…

    Um amigo meu teve morte cerebral.
    Ele estava lá, deitadinho, bonitinho, com o coraçãozinho batendo, os rins funcionando, o pulmãozinho expandindo e contraindo… e mesmo assim os boçais acabaram com a existência dele. Como pode?

    tsc, tsc.

Ramalho

19 de março de 2012 às 13h13

Pela milésima vez: para discutir aborto, é necessário saber a diferença entre embrião e feto, ao menos isto.

Responder

    Wildner Arcanjo

    19 de março de 2012 às 17h30

    Qual é o conceito de vida?
    Qual é o conceito de morte?

    Para se chegar a esse ponto nem isso conseguimos explicar!

    Não somos tão inteligentes (nós humanos) como pensamos…

    beattrice

    19 de março de 2012 às 20h06

    Não generalize, os não fundamentalistas tem conceitos claros a respeito destes tópicos.

    Patrick

    20 de março de 2012 às 17h33

    beatrice, quais são os conceitos claros que os "não fundamentalistas" tem a respeito destes tópicos?

    Rafael Barberino

    20 de março de 2012 às 17h43

    Não generalize, muitos não fundamentalistas confessam que o tema é complicado e envolve conceitos bastante obscuros

    Alexandre Bitencourt

    20 de março de 2012 às 13h15

    A diferença é o estágio, mas no final será um ser humano como qualquer outro.

    Wildner Arcanjo

    27 de março de 2012 às 17h56

    Para mim é uma questão de expectativa, de curso natural. Me perdõem os que não entendem isso (e só enxergam extremismos).

Ramalho

19 de março de 2012 às 13h12

Sou a favor da legalização do aborto do embrião. Sou, também, a favor da legalização do "aborto" do óvulo não fecundado e do espermatzoide. Embrião, óvulo e espermatazoide, todos entes vivos, são incapazes da autoconsciência por não terem sistema nervoso central. Assim, quem não vê crime em "aborto" de óvulo não fecundado e descarte de espermatozoide tem, por imperativo de coerência lógica, de ser a favor da legalização do aborto de embrião.

Sou a favor da legalização do aborto até o terceiro mês de gravidez e, também, da permanência na legalidade da pílula-do-dia-seguinte, que provoca o aborto de embriões com menos de cinco dias.

Responder

    Yara

    19 de março de 2012 às 14h51

    Pílula do dia seguinte não aborta nada. É por isso que é legalizada. Existe bula on-line e poderias ler antes de dizer isso. Pílula do dia seguinte impede que o esperma chegue ao óvulo, se o óvulo ainda não tiver sido fecundado. O óvulo só está disponível no corpo da mulher para fecundação durante mais ou menos seis horas. Já o esperma fica "à espera" de fecunda no corpo da mulher por três dias. Se pílulas do dia seguinte abortassem algo, eu não teria filho.

    Ramalho

    19 de março de 2012 às 15h27

    A pílula impede eventualmente que o embrião concebido e ainda na trompa seja implantado no útero, segundo a indústria farmacêutica. A pílula, sim, portanto, pode causar aborto do embrião se a fecundação tiver ocorrido. Se não ocorreu, a pílula expele o óvulo. A pílula é potencialmente abortiva, sim.

    A "pílula do dia seguinte" "aborta" o embrião se a fecundação aconteceu, embora ainda não fixado no útero.

    Se o óvulo estiver disponível, a fecundação se dá em cerca de 24 horas. Se não estiver, o espermatozoide "espera", não por apenas seis horas, mas por mais de 48 a 72 horas, podendo sobreviver (os mais fortes) por cinco dias.

    Portanto, se a admissão da pílula for no dia seguinte e a mulher estava fértil durante a relação, o embrião é abortado, sim.

marciafer55

19 de março de 2012 às 13h12

Interessante é que os adeptos do Feto não se manifestam em relação à exploração da mulher como objeto de uso em todos os setores da propaganda e do lar. Os argumentos pela preservação da"vida" do feto, neste viés, são similares, por exemplo, ao desperdício de espermatozóides em cada ejaculação. Como os senhores se sentiriam em relação à manterem relações sexuais apenas com o objetivo de fertilizarem um óvulo? Ou consideram que a cada mês o óvulo da mulher deveria se converter em Feto? Pois, segundo essa linha de pensamento, o óvulo e o espermatozóide são, potencialmente, vidas futuras.

Responder

    Luis

    19 de março de 2012 às 16h03

    São vidas apenas se houver a fecundação, se houver o coito, ou a fertilização artificial, se não houver isso o corpo apenas elimina essas células, não tem como comparar, agora a partir da fecundação, ai não, ai já nasceu a vida.

    Fabio_Passos

    19 de março de 2012 às 22h33

    Que tolice.
    Espermatozóide e óvulo tem vida mesmo sem haver fecundação.

    Quanta superstição…

    Julio_De_Bem

    19 de março de 2012 às 19h18

    Desculpe Marcia, mas não faz sentido essa sua explanação. Uma coisa é o esperma ou óvulo separados. Esperma é eliminado até na masturbação. Óvulo, eliminado na mentruação. Ambos processos naturais, que o teu corpo faz, sem seguir nenhuma política ou dogma religioso. Uma vez misturados dão inicio a vida, vc é mãe? Já viu como é?

    Fabio_Passos

    19 de março de 2012 às 22h42

    Evidente que faz sentido.
    Negar que espermatozóide e óvulo tem vida antes da fecundação é uma tolice absurda.
    É conhecimento científico básico. São organismos unicelulares vivos.

    Você acredita que são o que? robozinhos?

    Julio_De_Bem

    19 de março de 2012 às 23h07

    Me recuso a debater com alguém sem idéias. Seu comentário nao merece consideração.

    Fabio_Passos

    20 de março de 2012 às 22h01

    Você foge da razão como o diabo foge da cruz.

Valdeci Elias

19 de março de 2012 às 12h27

As organizações internacionais estão erradas, em relação as mulheres chinesas. As chinesas tem total direito sobre seu corpo. Ao contrario daquela vida em potencial ,que parasita o corpo da mulher chinesa cujo pecado e vir a ser do sexo feminino. É uma grande vitória feminista, permitir as chinesas o direito de escolher se o filho hiomen vai nascer, ou a filha mulher vai ser abortada.

Responder

    Willian

    19 de março de 2012 às 13h15

    Exato. Também é uma vitória feminina poder abortar crianças com "defeitos", tipo Síndrome de Down. Na Inglaterra, 92% dos pais optam por abortar uma criança com síndrome de Down. Que mulher, podendo ter uma criança linda para cuidar, vai querer uma retardada? Eugenia é isto aí!

    Willian

    19 de março de 2012 às 13h17

    Exato. Também é uma vitória feminina poder abortar crianças com "defeitos", tipo Síndrome de Down. Na Inglaterra, 92% dos pais optam por abortar uma criança com síndrome de Down. Que mulher, podendo ter uma criança linda para cuidar, vai querer uma retardada? Eugenia é isto aí!
    http://www.bbc.co.uk/portuguese/ciencia/2009/10/0

    Aline C Pavia

    20 de março de 2012 às 09h29

    Agora, mulheres POBRES sem instrução, sem educação, sem informação, sem acesso, sem meios, sem OPÇÃO NENHUMA não veem NENHUMA OUTRA ESCOLHA a não ser "tirar, doutora" porque não têm mais como arcar com mais uma boca pra comer – e vá falar pro marido dela de fazer vasectomia. "Nos meus PUDÊ ninguém mexe não".
    Então, ele pode exigir da esposa que cumpra os "deveres conjugais" e se ela engravidar, que se dane. Onde comem 10 comem 11.
    EDUQUE-SE, informe-se, democratize-se, dê-se OPÇÕES pelo amor de DEUS para esse monte de mulheres a quem, infelizmente não resta opção a não ser abortar. E o fazem à margem da lei, como muito bem sabemos. Não é criminosa. O estado é criminoso quando não dá essa opção – a de NÃO engravidar.

    Aline C Pavia

    20 de março de 2012 às 09h32

    A mulherada estrila, grita e esperneia, mas o fato é que a ampla maioria da população é CONTRA o aborto. CONTRA a descriminalização do aborto. CRIME é obrigar essas mulheres a engravidar.
    Hoje o aborto é desejado por muitas para ser mais uma "opção" para uma hora de "emergência", e enquanto o único argumento de alguns(as) for esse para liberar o aborto, a maioria continuará sendo CONTRÁRIA a essa transferência ao Estado de suas próprias irresponsabilidades.
    TODO MÉTODO ANTICONCEPCIONAL FALHA, então que se use MAIS DE UM. Uma cartela de pílulas custa ao Estado 3 reais. Uma curetagem pós-aborto, 300. NÃO PERMITO que meus impostos sejam usados para sustentar a irresponsabilidade de mulheres iguais a mim, educadas, informadas, com boa condição sócio-econômica, que PODEM OPTAR e não o fazem – e ainda querem onerar o Estado com isso.

    Aline C Pavia

    20 de março de 2012 às 09h35

    Querem resolver 1,5 milhão de abortos/ano? PROTESTEM, reivindiquem, solicitem, manifestem, façam abaixo-assinado, panfletagem, cornetaço/apitaço/megafone, EXIGINDO DO ESTADO educação sexual DECENTE, planejamento familiar, controle de natalidade e pater-mater-nidade responsáveis. Não queiram simplesmente tirar um artigo do código penal para adequar o Estado às suas próprias conveniências. Reduzir a questão do aborto a meramente "mais um" método anticoncepcional já inicia o debate desqualificando-o e trazendo-o à rasidão do raciocínio de gente que fica discutindo com quantas semanas tem vida, se são células em mitose ou meiose, se é embrião ou feto ou nascituro, se tem cérebro, se tem tubo neural, se tem sexo, se tem coração ou o raio que o parta. Se esse é o máximo de argumentos pró-aborto que temos, então estamos perdendo nosso tempo que poderia estar sendo gasto com coisa muito mais ÚTIL!

    Miguel

    20 de março de 2012 às 20h48

    mais malthusianismo rasteiro…

    Magali

    03 de abril de 2012 às 15h15

    E as milhares de mulheres que não podem fazer uso de contraceptivos hormonais?
    Eu sou uma delas.
    Larga mão de ser ignorante, o mundo não se resume ao preto-e-branco que você pensa que conhece.
    Métodos anticoncepcionais falham e nem todas as pessoas podem fazer uso da gama que existe.

Alexandre Bitencourt

19 de março de 2012 às 12h18

Que os grupos religiosos conservadores utilizam o tema do aborto como uma ferramenta política é fato, mas que o tema do aborto como está sendo abordado hoje é controverso. O aborto da forma como está previsto em lei é justo, agora o aborto pela liberdade do corpo acho que já é um exagero.

A poucos dias atrás os grupos feministas comemoravam o aniversário do voto feminino. Ora, a tempos atrás, a mulher não tinha direitos políticos, e tinham aqueles que defendiam que a mulher não poderia ter esse direito. Nos dias atuais, as mulheres – não todas, mas alguns grupos feministas – levantam como bandeira de feminilidade e liberdade o aborto, não da forma prevista na Constituição, mas considerando a liberdade do próprio corpo, e relegam o direito a vida ao nascituro, da mesma forma que no passado lhe foram negados direitos, a diferença é que aquele que está por nascer mal pode se defender.

O melhor argumento contra o nascituro e a favor do aborto é o jurídico, óbvio, pois tal direito não está previsto na Constituição, e ao invés de aumentar o direito, o negam, assim como no passado muitos de seus direitos – das mulheres – foram negados.

Seria conservador ou machista não defender o aborto? O homem e a mulher tem naturezas direfentes, mas é pelo corpo da mulher que se forma outra vida, se o homem tivesse o organismo igual, isso também seria exigido dele.

Hoje, temos liberdade religiosa, qual seria a reação de um médico, usufruindo de sua liberdade religiosa, tendo que fazer um aborto "por liberdade do corpo da gestante" que moralmente para ele é errado. Qual das liberdades teria que ser abdicada?

O aborto, é mais do que somente discussão religiosa, é uma discussão de ética. Sabe-se que muitas mulheres morrem em decorrência de procedimentos ilegais de aborto e que as mulheres ricas o fazem em clínicas com todo o aparato médico e hospitalar. Mas o ricos também não ficam na cadeia e nem por isso queremos abolir o crime de assassinato.

Há muito mais do que discussão religiosa, mas o setores da direita ultra-conservadora o usam contra a esquerda, talvez na questão do aborto estejam certos, não em usar o assunto politicamente, mas por defender a vida. Há que se discutir muito ainda.

Responder

    Wildner Arcanjo

    19 de março de 2012 às 17h31

    O problema é que feministas querem que seus ideais sejam superiores aos ideais de muitas mulheres, que podem ou não ser feministas. Seria a ditadura da minoria?

marcus

19 de março de 2012 às 12h10

Sobre a atividade cerebral como argumento para definir o conceito da vida, há uma clara diferença entre o fim irreversível das funções cerebrais e todo o futuro destinado ao feto. Futuro esse que lhe pode ser retirado por concepções políticas inconstantes do que significa Vida.

O conceito político da vida é extremente volátil. Vide o conceito nazista da Vida e da sua não valorização. Discordando da argumentação, acredito que a vida é sim um conceito biológico.

Responder

    Wildner Arcanjo

    19 de março de 2012 às 17h31

    E inviolável.

Germano Güttler

19 de março de 2012 às 11h38

Prezado Azenha,

Creio que é muito conveniente, fácil e simplista afirmar que um feto não é uma vida, ou que não é (ainda) um ser humano. Afinal não enxergamos este indivíduo e ainda não sentimos a sua presença. E como diz o ditado, o que o olhos não vêem o coração não sente.
O aborto é sim uma vida que se interrompe. E pior do que isto, sem qualquer chance de defesa para a vítima.

Responder

    ana

    19 de março de 2012 às 15h15

    uma vida que depende INTEIRAMENTE da mulher

    renato

    20 de março de 2012 às 19h34

    È isto e pronto, no mais é auto perdão.
    Tem gente que sofre aborto e nem sabe que teve aborto, Tem gente que está grávida a muito tempo e não sabe, ( caso da moça da seleção brasileira).
    Agora sabe que esta grávida, e não quer ( entendo que é um direito), sabe que vai matar um ser vivo em formação, que se continuar vai se transformar num ser humano, se isto não é assassinato, então só será assassinato matar o que esta formado, depois de nove meses. Não é oito meses nem sete meses. E se existir pessoas que nasceram antes do tempo por aí poderei chamar de " Aborto da Natureza"
    Minha caçula será então este ser.Mas um diferencial entre humanos, negro, branco polaco, alto, baixo, torto ,sete meses, oito, seis, gemeos, tri, bonito,feio,indio.
    É muito fácil falar dos outros, é muito fácil falar de grávidas quando somos homens. Eu acho que a natureza dá conta do recado, no mais devemos estender a mão, e eu entendo que se uma mulher assumir o que quer, é a natureza que fala, e infelizmente será ela a carregar este fato pela vida, NÃO É FÁCIL AMIGO SER MULHER, vejo pela minha mais adorável mulher, perdeu dois fetos ( podemos dizer duas meninas? )seriam duas irmãs, e isto ainda mexe com ela, e eu só tenho irmãos.


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