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Aborto: Crime ou Direito?


22/02/2012 - 11h42

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45 comentários

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Lila

06 de março de 2012 às 16h22

Será sem sombra de dúvida um excelente debate. Necesário nesse momento de medidas provisórias persecutórias e projetos de lei que querem impor a sociedade brasileira a gravidez compulsória ainda que esta possa levar a morte a gestante.

Responder

Renato

24 de fevereiro de 2012 às 10h16

PErgunto para as mulheres e para os homens que defendem a legalização do aborto:
Qual é a diferença do fato de eu pegar uma arma e descarregar 20 tiros na cabeça de um homem desarmado e de costas para mim ao fato de uma mulher grávida abortar um feto?
Na minha opinião, é o modos operandi. Pois a tipificação é mesma.
Homicidio triplamente qualificado, sem possibilidade de defesa e com uso de meio cruel.

Estamos tirando o sofá da casa e não resolvendo o real problema: Onde estão as campanhas do governo orientando a população para o uso de métodos contraceptivos. Muitos deles oferecidos nos postos de saúde.

Responder

    David

    24 de fevereiro de 2012 às 11h29

    Te respondo isso se você me responder o que acontece com alguém que dá 20 tiros na "cabeça" de um espermatozóide de costas e desarmada? E 20 tiros na "cabeça" de uma célula com todos os 46 cromossomos de costas e desarmada? E com alguém que dá 20 tiros na cabeça de uma formiga de costas e desarmada? No limite, por que pra você é tão diferente um metodo contraceptivo que mata os espermatozóides segundos antes de fertilizar um óvulo e um método "contraceptivo" que mata o óvulo segundos depois de ser fertilizado? Só tem uma resposta plausível, você é religioso e suas crenças te dizem que isso é errado. Não precisamos fugir pra nenhuma discussão jurídica, essa é uma discussão puramente religiosa, tirando a religião não sobra nenhum sentido nessa discussão.

David

23 de fevereiro de 2012 às 23h52

Conceição, retiro o que disse em outro post! Por favor, censura no Betinho2! :-0
O que são esses posts Chico-Xavianos, ou quer dizer do Irmão X? Completamente fora da realidade, quer dizer, do tópico. Sorry, eu estava errado e você certa! ;-)

Responder

Maria Thereza

23 de fevereiro de 2012 às 15h28

Insisto: a descriminalização do aborto não vai torná-lo obrigatório. Portanto, quem quiser levar a gravidez adiante, não terá problema. Para que é contra o DIREITO ao aborto, tem uma historinha que diz: "masturbação é homicídio premeditado; sexo oral é canibalismo; coito interrompido é abandono de incapaz; sexo com preservativo é homicídio por asfixia". Se quem é totalmente contra o direiro ao aborto nunca cometeu nenhum desses "crimes" , pode atirar a 1ª pedra ou então reconhecer que tem uma vida sexual realmente bastante pobrinha… O tema aborto já saiu de pauta há muito tempo, mesmo em países tidos como "religiosos". Há uma pesquisa feita em 2006/2007 – "Aborto no Brasil" (Débora Diniz/UnB) onde a maioria das mulheres que declararam ter feito aborto(e sobreviveram) também disseram professar alguma religião. Então, se continuarmos nessa lenga-lenga, não vamos longe e as mulheres continuarão morrendo. É bom quando são "as outras" que morrem ou ficam estéreis.

Responder

    Fabio_Passos

    23 de fevereiro de 2012 às 16h10

    "masturbação é homicídio premeditado; sexo oral é canibalismo; coito interrompido é abandono de incapaz; sexo com preservativo é homicídio por asfixia"
    muito engraçado…

Rios

22 de fevereiro de 2012 às 22h23

Crime! Aborto não é método contraceptivo. qual a diferença entre matar uma pessoa de 30 anos, 30 meses ou 30 dias ou no útero? só porque um você deu nome e viu o rosto e o outro não, é apenas um borrão no ultrasom? o governo deveria criar uma intensa, maciça campanha contra gravidez na adolescência. fornecer esterilização gratuita e irrestrita (sob algumas condições), distribuir nos colégios, bares, boates, igrejas (aqui foi para provocar) camisinhas e injeções contraceptivas. é inegável que as mortes de mulheres é uma questão de saúde pública, mas permitir que mulheres façam uma, duas três ou cinco abortos "legalizados" como se fosse a coisa mais normal do mundo também é um absurdo. vocês estão escrevendo aqui porque as mães de vocês não os abortaram. eu fui pai adolescente e eu e a mãe de minha filha à época pensamos em abortá-la… sábia decisão, hoje ela é uma linda jovem e é a coisa mais maravilhosa de nossas vidas. Não é fácil, mas não se corrige um erro com outro. (detalhe, não falei de religião e não coloquei em pauta as gravidezes com risco para a mulher, mau formação e estupro. fica pra próxima).

Responder

    beattrice

    23 de fevereiro de 2012 às 12h38

    Porque aos 30 dias o embrião não é uma pessoa, aos 90 dias também não.
    A rigor, o que o define na civilização ocidental como "pessoa" que seria a atividade cerebral, só ocorre a partir do 6° mes de vida intra-uterina.
    Suponho que o senhor portanto também seja contra a Doação de Órgãos, a Fila de Transplantes e outros avanços médicos, e não permitiria que fossem realizados em si mesmo ou em qualquer membro da sua família.

Gerson Carneiro

22 de fevereiro de 2012 às 22h44

<img src=http://a3.sphotos.ak.fbcdn.net/hphotos-ak-ash4/s320x320/429091_3260995760806_1144541798_3403927_320480870_n.jpg>

Estaria ele se preparando para o debate?

Responder

    Jairo_Beraldo

    23 de fevereiro de 2012 às 10h23

    E o mais triste vendo esta foto – é um homem velho, antes de o ver como "religioso".

Fabio_Passos

22 de fevereiro de 2012 às 22h26

É um direito.
Hoje a sociedade brasileira já reconhece este direito as mulheres ricas.

Já passou da hora de estender este direito também as mulheres pobres… vítimas do obscurantismo religioso e da mais abjeta hipocrisia.

Responder

Julio_De_Bem

22 de fevereiro de 2012 às 21h12

Sem entrar no campo religioso, sob qualquer aspecto o aborto é monstruoso e criminoso.Minha mulher está grávida de 8 semanas, fizemos o exame de ultrasom e eu ouvi até o coração do meu filho batendo, ele tem cabeça, nádegas, coluna, cérebro em formação. Há ali dentro da minha mulher uma pessoa como eu. Como pode defender o direito de abortar por abortar, por que simplesmente acha que a criança vai atrapalhar? Por que não usou camisinha? por que não tomou anticoncepcional? DIU? Pilula do dia seguinte?

Responder

    Julio_De_Bem

    23 de fevereiro de 2012 às 00h45

    Sem entrar no campo religioso, sob qualquer aspecto o aborto é monstruoso e criminoso.Minha mulher está grávida de 8 semanas, fizemos o exame de ultrasom e eu ouvi até o coração do meu filho batendo, ele tem cabeça, nádegas, coluna, cérebro em formação. Há ali dentro da minha mulher uma pessoa como eu. Como pode defender o direito de abortar por abortar, por que simplesmente acha que a criança vai atrapalhar? Por que não usou camisinha? por que não tomou anticoncepcional? DIU? Pilula do dia seguinte?

    Como pode alguém defender o aborto, por que a mulher simplesmente quer isso? Quem falou pras feministas que elas tem o direito de decidir sobre a vida de alguém?

    A falta de responsabilidade de homens e mulheres está sendo descontada em crianças. Não entendo como alguém que acha que a barbárie no pinheirinho, por exemplo, seja um crime contra os direitos humanos, e o aborto não. Ambos não são ataques diretos a pessoas incapazes de se defender?

    O feminismo é tão podre quanto o machismo. Extremistas radicalizam e ferem o direito dos outros.

    O âmago da questão da pobreza não é a quantidade de filhos, e sim a falta de educação e inclusive de vontade própria dessas pessoas. Eu ja vivi todos os extremos financeiros dessa vida e existem pessoas tanto conscientes quanto inconsequentes em todas as esféras econômicas. A falta de responsabilidade do pobre ou rico que não se protege, não pode ferir o direito ao nascimento do brasileiro que foi fruto de tal irresponsabilidade. O problema reside na educação e conscientização. No mais, o direito ao aborto, salvo em casos de estupro e crianças acéfalas, é um assassinato de um cidadão e a premiação e a senha para a procedencia da irresponsabilidade.

    A mulher, seja ela pobre ou rica, empregada doméstica ou presidente da república, NÃO TEM O DIREITO DE ESCOLHER QUEM DEVE VIVER OU MORRER. Se uma grávidez vai atrapalhar sua vida, que usem a cabeça.

    Se é fato que a garota riquinha pode pagar uma clínica de aborto boa, e a pobre tem que enfiar uma agulha de trico na vagina, eu não vou bater pé. Mas quem criou o mundo assim, fomos nós mesmos. O capitalismo causou isso, e assim sempre será o pobre com menos chance que o rico. Dar direito a abortar quando quiser a uma mulher seria a coisa mais ridícula que poderia ser feita, além de totalmente inconstitucional.

    *post completo, nao saiu tudo.

    Julio_De_Bem

    24 de fevereiro de 2012 às 17h37

    como sempre, negativos e nada de argumentos eheh.

beattrice

22 de fevereiro de 2012 às 16h41

A interrupção da gravidez ou aborto é um DIREITO,
uma questão de saúde pública,
mas os fundamentalistas religiosos
-evangélicos, católicos, espíritas etc.
insistem na ditadura de suas crenças como se a sociedade tivesse que ser submetida á sua teocracia
e á sua cosmologia.

Responder

    betinho2

    22 de fevereiro de 2012 às 18h14

    Beatrice
    Tu tens todo o direito de defender o aborto, que para mim é crime. Portanto tenha conosco o mesmo respeito.
    Não abra caminho para ser chamada de fundamentalista do ateísmo, até porque voces ainda não provaram estar com a verdade. Voces também defendem uma crença.

    Pedro Henrique

    22 de fevereiro de 2012 às 22h16

    Seu espírito democrático é impressionante, "respeita" a idéia alheia mas de antemão a taxa de criminosa. Esse tipo de democrata é comum no ambiente da caserna, seria seu caso senhor "betinho 2"?

    Jairo_Beraldo

    23 de fevereiro de 2012 às 10h35

    Beattrice, concordo em genero, numero e grau….é um problema de saúde pública.
    Já fui esculhambado aqui por assim pensar mas vou repetir o que escrevi em outros post sobre isto:
    1) Com uma equipe multi-profissional (assistentes social, psicologos, enfermeiros e médicos) para atender quem deseja fazer aborto, certamente diminuiria o número de abortos e principalmente o números de óbitos que mulheres que abortaram;
    2) Mulheres abastadas, procuram clinicas de reprodução humana(um bem que Gilmar Mendes fez ao país, "mandar" Abdelmassih passear, com seus estranhos HC's) para fazerem tal procedimento e saem de lá com tratamento adequado, enquanto as mulheres pobres, usam de meios perigosos e inadequados(agulhas de Tricô, CITOTEC, etc), e quase sempre acabam com hemorragias ou intoxicação irreversível, além de não fazerem a coretagem.
    3) Esses religiosos deveriam se preocupar mais com quem já está neste plano(principalmente papa Ratzinger, pegando pesado com seus pedófilos,e deixando em paz crianças desfavorecidas que são barbarizadas por estes monstros), que criar fatos e factóides contra o óbvio.

    Agora negativem à vontadade!

    Wagner

    03 de março de 2012 às 14h23

    O fato, incontestável, de que o aborto provocado com cuidados cirúrgicos trazem menos riscos do que os provocados de forma inadequada não pode ser argumento para defender sua legalização. Primeiro deve haver uma prova científica, igualmente incontestável, do momento em que a vida se inicia. Esta é a real questão. O momento em que começa a vida humana não é uma unanimidade entre a comunidade científica e por isso não há como afirmar, com segurança, a partir de que momento o aborto é simplesmente um assassinato. E, certamente, assassinato não pode ser justificado por motivo de saúde pública… ou você defende a "eliminação" de doentes e mendigos em nome da saúde pública?
    Como já afirmei em outro post, esta questão NÃO é religiosa, é CIENTÍFICA!!!

    luiza hernandez

    23 de fevereiro de 2012 às 18h03

    Ok, Beatrice, então ateus não podem ser contra o aborto? E me explique uma coisa, evangélicos, católicos, espíritas são cidadãos de segunda categoria? Não devem ser ouvidos? Porque é essa a impressão que vc passa. E você nunca viu experiências onde "fetos" com menos de 6 meses e que serão abortados sentem medo? Seus corações aceleram antes do aborto. Muito! Eles sabem que vão morrer. E tentam se agarrar. Não vou te passar sites, isso é bem fácil de pesquisar. Procure, informe-se. Tente enchergar o outro lado. Ele existe. Tem vida. É uma vida.

    Shirley Costa

    23 de fevereiro de 2012 às 19h01

    Perfeito, por isso sou contra a legalização do aborto. Independente de relegião.

    David

    24 de fevereiro de 2012 às 20h19

    "Independente da religião". OK, mas… Você é religiosa ou atéia?

    beattrice

    23 de fevereiro de 2012 às 23h25

    Isso, por favor, não me passe os sites dessas montagens cinematográficas de filme B, agradeço imensamente.
    Quanto aos direitos são para todos, e não para os que gozam do privilégio de ler a bíblia dentro do gabinete do MS.

    Emilio Matos

    24 de fevereiro de 2012 às 11h42

    Deixe de se fazer de coitadinha. Como pode alguém distorcer tanto as coisas? Que conversa é essa de que religiosos não estarem sendo ouvidos? Fala sério. Estão sendo mais que ouvidos, tanto é que a OPINIÃO deles é LEI.

Eudes

22 de fevereiro de 2012 às 17h34

Gente, o Sr. Betinho não merece palco. Chega de dar plateia para esse fundamentalista misógino.

Responder

    beattrice

    22 de fevereiro de 2012 às 22h17

    De fato.

    Emilio Matos

    24 de fevereiro de 2012 às 11h40

    Nem parece aquela que reclama de imaginárias "tropas de choque" a todo momento. Quer dizer que a definição de "tropa de choque" é quem não concorda com você, e aí não tem problema censurar?

    Até é assim como a maioria, diria que com todo mundo. Mas muita gente consegue refrear os instintos e ser mais racional, pra não se sentir tão hipócrita.

Gerson Carneiro

22 de fevereiro de 2012 às 16h53

Direito.

Responder

Ingrid Daniela

22 de fevereiro de 2012 às 14h28

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk que maníaco fundamentalista. Uma pena. Uma pena porque ele é incapaz de respeitar ideias diferentes das dele. É odioso.

Responder

    betinho2

    22 de fevereiro de 2012 às 15h43

    Cara Ingrid, você leu o título do artigo? Dá pra perceber onde reside o ódio?

    Conceição Lemes

    22 de fevereiro de 2012 às 16h03

    Betinho, “menas”. é o título do debate. abs

    betinho2

    22 de fevereiro de 2012 às 16h10

    Entendi, você concorda com a Ingrid, de que quem discorda do aborto é um "maníaco fundamentalista".
    Não vejo correlação do comentário da Ingrid com o título. Ou esse debate será "carta marcada" em que as palestras serão de pensamento único?

    Raquel

    22 de fevereiro de 2012 às 17h39

    E o pastor betinho2 ataca novamente.

    Fabio_Passos

    23 de fevereiro de 2012 às 16h12

    pastor?
    menos mal. pensei que era um encosto.

    Oliveira

    23 de fevereiro de 2012 às 14h54

    Caro Betinho2, muita gente aqui prega a democracia, ideias progressistas, são contra o Neoliberalismo, defendem um Estado forte, apoiam a Primavera Árabe, etc. Mas quando se trata de defender o aborto agem bem parecidamente como os racistas, homofóbicos, fascistas e assemelhados.

    Gerson Carneiro

    22 de fevereiro de 2012 às 16h57

    Cara Conceição Lemes. O ódio cega. A pessoa vê mas não enxerga. Mesmo que esteja escrito em um cartaz bem grandão. Dá pra perceber onde reside o ódio?

    betinho2

    22 de fevereiro de 2012 às 18h21

    Com certeza dá pra perceber caro Gerson. É só ler os comentários.

    Jairo_Beraldo

    23 de fevereiro de 2012 às 10h37

    Mais uma mosca esvoaçante soltando as asneiras e idiotices de sempre.Tás no blog errado.

    @gusbru

    22 de fevereiro de 2012 às 16h53

    Ser contra o aborto e ser contra a leganização do mesmo são duas coisas diferentes. Ser contra o aborto, eu você e todos os espíritos, encarnados ou não, podemos ser. Ser contra a legalização de mesmo, julgando assim como os outros devem lidar com suas responsabilidades é mais complicado. Lembrando sempre que a mitologia espírita não é a única explicar o mundo.

betinho2

22 de fevereiro de 2012 às 14h40

Seara de ódio

– Não! não te quero em meus braços! – dizia a jovem mãe, a quem a Lei do Senhor conferira a doce missão da maternidade, para o filho que lhe desabrochava do seio – não me furtarás a beleza! Significas trabalho, renunciação, sofrimento…
– Mãe, deixa-me viver!… – suplicava-lhe a criancinha no santuário da consciência – estamos juntos! Dá-me a bênção do corpo! Devo lutar e regenerar-me. Sorverei contigo a taça de suor e lágrimas, procurando redimir-me… Completar-nos-emos. Dá-me arrimo, dar-te-ei alegria. Serei o rebento de teu amor, tanto quanto serás para mim a árvore de luz, em cujos ramos tecerei o meu ninho de paz e de esperança …
– Não, não…
– Não me abandones!
– Expulsar-te-ei.
– Piedade, mãe! Não vês que procedemos de longe, alma com alma, coração a coração?
– Que importa o passado? Vejo em ti tão-somente o intruso, cuja presença não pedi.
– Esqueces-te, mãe, de que Deus nos reúne? Não me cerres a porta!…
– Sou mulher e sou livre. Sufocar-te-ei antes do berço…
– Compadece-te de mim!…
– Não posso. Sou mocidade e prazer, és perturbação e obstáculo.
– Ajuda-me!
– Auxiliar-te seria cortar em minha própria carne. Disputo a minha felicidade e a minha leveza feminil…
-Mãe, ampara-me! Procuro o serviço de minha restauração…
Dia a dia, renovava-se o diálogo sem palavras, até que, quando a criança tentava vir à luz, disse-lhe a mãezinha cega e infortunada, constrangendo-a a beber o fel da frustração:
– Toma à sombra de onde vens! Morre! Morre!
– Mãe, mãe! Não me mates! Protege-me! Deixa-me viver…
– Nunca!
– Socorre-me!
– Não posso.
Duramente repelido, caiu o pobre filho nas trevas da revolta e, no anseio desesperado de preservar o corpo tenro, agarrou-se ao coração dela, que destrambelhou, à maneira de um relógio desconsertado…
Ambos, então, ao invés de continuarem na graça da vida, precipitaram-se no despenhadeiro da morte.
Desprovidos do invólucro carnal, projetaram-se no Espaço, gritando acusações recíprocas.
Achavam-se, porém, imanados um ao outro, pelas cadeias magnéticas de pesados compromissos, arrastando-se por muito tempo, detestando-se e recriminando-se mutuamente…
A sementeira de crueldade atraíra a seara de ódio. E a seara de ódio lhes impunha nefasto desequilíbrio.
Anos e anos desdobraram-se, sombrios e inquietantes, para os dois, até que, um dia, caridoso Espírito de mulher recordou-se deles em preces de carinho e piedade, como a ofertar-lhes o próprio seio. Ambos responderam, famintos de consolo e renovação, aceitando o generoso abrigo …
Envolvidos pela carícia maternal, repousaram enfim.
Brando sono pacificou-lhes a mente dolorida.
Todavia, quando despertaram de novo na Terra, traziam o estigma do clamoroso débito em que se haviam reunido, reaparecendo, entre os homens, como duas almas apaixonadas pela carne, disputando o mesmo vaso físico, no triste fenômeno de um corpo único, sustentando duas cabeças.

Irmão X, Chico Xavier, Contos e Apólogos, FEB.

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betinho2

22 de fevereiro de 2012 às 14h39

Aborto

Conseqüência natural do instinto de conservação da vida é a procriação, traduzindo a sabedoria divina, no que tange à perpetuação das espécies.
Mesmo nos animais inferiores a maternidade se expressa como um dos mais vigorosos mecanismos da vida, trabalhando para a manutenção da prole.
Ressalvadas raras exceções, o animal dócil, quando reproduz, modifica-se, liberando a ferocidade que jaz latente, quando as suas crias se encontram ameaçadas.
O egoísmo humano, porém, condescendendo com os preconceitos infelizes, sempre que em desagrado, ergue a clava maldita e arroga-se o direito de destruir a vida.
*
Por mais se busquem argumentos, em vãs tentativas para justificar-se o aborto, todos eles não escondem os estados mórbidos da personalidade humana, a revolta, a vingança, o campo aberto para as licenças morais, sem qualquer compromisso ou responsabilidade.
O absurdo e a loucura chegam, neste momento, a clamorosas decisões de interromper a vida do feto, somente porque os pais preferem que o filho seja portador de outra e não da sexualidade que exames sofisticados conseguem identificar em breve período de gestação, entre os povos supercivilizados do planeta…
Não há qualquer dúvida, quanto aos "direitos da mulher sobre o seu corpo", mas, não quanto à vida que vige na intimidade da sua estrutura orgânica.
Afinal, o corpo a ninguém pertence, ou melhor nada pertence a quem quer que seja, senão à Vida.
Os movimentos em favor da liberação do aborto, sob a alegação de que o mesmo é feito clandestinamente, resultam em legalizar-se um crime para que outro equivalente não tenha curso.
Diz-se que, na clandestinidade, o óbito das gestantes que tombam, por imprudência, em mãos incapazes e criminosas, é muito grande, e quando tal não ocorre, as conseqüências da técnica são dolorosas, gerando seqüelas, ou dando origem a processos de enfermidades de longo curso.
A providência seria, portanto, a do esclarecimento, da orientação e não do infanticídio covarde, interrompendo a vida em começo de alguém que não foi consultado quanto à gravidade do tentame e ao seu destino.
Ocorre, porém, na maioria dos casos de aborto, que a expulsão do corpo em formação, de forma nenhuma interrompe as ligações Espírito-a-Espírito, entre a futura mãe e o porvindouro filho.
Sem entender a ocorrência, ou percebendo-a, em desespero, o ser espiritual agarra-se às matrizes orgânicas e, à força da persistência psíquica, sob frustração do insucesso termina por lesar a aparelhagem genital da mulher, dando gênese a doenças de etiologia mui complicada, favorecendo os múltiplos processos cancerígenos.
Outrossim, em estado de desespero, por sentir-se impedido de completar o ciclo da vida, o Espírito estabelece processos de obsessão que se complicam, culminando por alienar-se a mulher de consciência culpada, formando quadros depressivos e outros, em que a loucura e o suicídio tornam-se portas de libertação mentirosa.
Ninguém tem o direito de interromper uma vida humana em formação.
Diante da terapia para salvar a vida da mãe, é aceitável a interrupção do processo da vida fetal, em se considerando a possibilidade de nova gestação ou o dever para com a vida já estabelecida, face à dúvida ante a vida em formação…
Quando qualquer crime seja tornado um comportamento legal, jamais se enquadrará nos processos morais das Leis Soberanas que sustentam o Universo em nome de Deus.
Diante do aborto em delineamento, procura pensar em termos de amor e o amor te dirá qual a melhor atitude a tomar em relação ao filhinho em formação, conforme os teus genitores fizeram contigo, permitindo-te renascer.

Joanna de Ângelis, Divaldo Franco, Alerta.

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betinho2

22 de fevereiro de 2012 às 13h55

Cousas das Trevas

Em carta você pergunta
Minha irmã Zina Belém,
O que se pensa do aborto
Na vida do Grande Além.

Desejaria falar
Em verbo claro e graúdo!…
Só sei dizer que onde moro
Aborto complica tudo.

Muitos prometem dar corpo
A credores e a colegas.
Nascem, crescem… Mas depois,
Caminham vivendo às cegas.

Espíritos recusados
Na fúria louca em que estão
Promovem desequilíbrio,
Conflito, perturbação.

E a Lei que tudo corrige
Perante o aborto ilegal
Entrega o problema à dor
Extraindo o bem do mal.

Pode crer: mancha de culpa
Na roupa do pensamento,
Somente desaparece
Com o sabão do sofrimento.

Olhe a tragédia de Ertúzia
Prometeu corpo a Joaquim,
Fugiu do trato, mas hoje
Sofre doenças sem fim.

Téo praticou muito aborto,
Em pobres moças da roça,
Depois entrou na bebida,
Caindo de fossa em fossa.

Dona Helena do Lagedo
Fez os abortos que quis,
Morreu e tornou à Terra
Doente, triste e infeliz.

Lili fez muitos abortos…
Desencarnou em Portela..
Quer nascer… Pede socorro,
Mas o povo corre dela.

Outra arrasava os pequenos
A jorros de água fervente,
E Tuta que, alucinada,
Só vê crianças à frente.

Belinha nasceu no mundo
Para dar corpo ao Libório,
Depois de expulsá-lo a ferros,
Rumou para o sanatório.

Por aborto, lá se foi
Aninha do Desidério…
Da parteira Dona Cissa
Passou para o necrotério.

Tina expulsou quatro vezes,
O espírito de João Róssi,
Logo após, caiu de cama,
Morreu de câncer precoce.

Teotônia fez vinte abortos
Em várias moças da Estaca…
Morreu e voltou ao mundo
Trazendo a cabeça fraca.

Amargosa provação
A de Ninhanha Ventura,
Seis abortos, seis problemas,
Obsessão e loucura.

Muito espírito conheço
Que sonhava paz e amor,
Que não podendo ser filho
Tornou-se perseguidor.

Cada qual é responsável
No amor que aceita ou que alcança;
Compromisso a cada um,
Mas que se poupe a criança.

Maternidade é tarefa,
Luminoso compromisso,
Um filho é bênção de Deus,
Não proteste, pense nisso.

Quando o aborto é indispensável
Tem a justa explicação,
Mas fora desse caminho
Aborto é perturbação.

Minha irmã, fuja do aborto,
Se um filho é a bênção que levas…
Aborto desnecessário
É sempre cousa das trevas.

Cornélio Pires, Chico Xavier, Retratos da Vida.

Responder

    Karl

    23 de fevereiro de 2012 às 09h17

    Betinho2, para com isso cara! Parece uma criança birrenta!

Yarus

22 de fevereiro de 2012 às 13h03

Serra ia vender a CEF e o BB mas teve que abortar…

Responder

    Oliveira

    22 de fevereiro de 2012 às 14h02

    Para não ter feito este aborto, foi muito melhor não ter votado nele.


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