VIOMUNDO

Diário da Resistência

Sobre


Todd Gitlin: O que fazer com a classe política trancada em seu universo?
Política

Todd Gitlin: O que fazer com a classe política trancada em seu universo?


08/07/2013 - 17h59

Não foi a partir dos atentados de setembro de 2001 que o governo norte-americano passou a investigar seus próprios cidadãos, desrespeitando a Constituição do país.

Invasão de privacidade nos Estados Unidos, por parte do Estado, é prática antiga, conta o professor de jornalismo e sociologia da Universidade de Columbia, Todd Gitlin.

No fim dos anos 60, ele participou do movimento contra a guerra do Vietnã. Na época, morava em São Francisco. Ressalta: “Eu não era uma liderança do movimento”.

Ainda assim, anos depois, através de um amigo advogado que tinha contato com o serviço de espionagem das Forças Armadas, Gitlin passou uma manhã inteira conversando com um agente que fora encarregado de seguir de perto os passos dele.

Na conversa, o professor ficou espantado. O ex-espião ainda sabia todos os endereços nos quais Gitlin morou, para quem trabalhava, onde ía…

Os métodos se sofisticaram e a espionagem se tornou ampla, geral e irrestrita, como as recentes denúncias de Edward Snowden sobre a National Security Agency (NSA) estão deixando cada vez mais claro.

Todd Gitlin analisou o aparato de espionagem, o crescimento da indústria de arapongagem e sua conhecida incompetência em recente artigo publicado no site TomDispatch.

Em entrevista, disse ao Viomundo que desde a publicação do artigo passou a receber novas denúncias sobre o trabalho dos agentes secretos. No texto, conta que enquanto o FBI recebia dicas a respeito dos irmãos Tsarnaev, aqueles que colocaram bombas caseiras na maratona de Boston, os agentes estavam mais preocupados em vasculhar a vida dos ativistas do Occupy.

Essa indústria de vigilância permanente, que trabalha de mãos dadas com as grandes corporações, está mais preocupada com o controle da população que com os terroristas? “Provavelmente”, diz Gitlin.

“Eles podem até achar que estão preocupados com os terroristas, mas o que sabemos a respeito das ações deles mostra que não entendem quase nada de terroristas. Qualquer pessoa que pensou em encontrar terroristas no Occupy é uma besta. Não tem nem graça”, diz.

Todd Gitlin é autor do livro “Occupy Nation”, publicado no ano passado, uma análise dos movimentos que por um período chacoalharam a política dos Estados Unidos.

Uma observação dele nos chamou especialmente a atenção, considerando eventos estranhos que aconteceram recentemente nas ruas brasileiras, especialmente em São Paulo.

Todd conta que na véspera do primeiro de Maio de 2012, um grupo associado ao Occupy de São Francisco seguiu, em passeata, até um bairro chamado Mission — onde não moram ricos, nem representantes do 1% mais rico dos Estados Unidos. Lá, o grupo destruiu lojas e carros. Um médico, que fazia parte do movimento Occupy e testemunhou a cena, garantiu que um grupo de rapazes atléticos, bem barbeados e movidos à testosterona, liderou o quebra-quebra. Acrescentou: “Não sou um desses fanáticos por teorias de conspiração. Mas já li a respeito de agentes provocadores e tenho que dizer que, sem dúvida, acredito 100% que as pessoas que começaram os eventos de hoje à noite eram exatamente isso”.

Gitlin também conta que a vigilância do aparato de segurança já existia quando o movimento Occupy nasceu. No dia 17 de setembro de 2011, um grupo de ativistas de Nova York decidiu seguir em passeata até a sede do banco JPMorgan Chase.

Chegando lá, os ativistas encontraram o quarteirão todo cercado. Muitos deram como certo que a polícia soube, de antemão, através do monitoramento da troca de e-mails do grupo, para onde pretendiam ir. Por isso, decidiram mudar de rumo na última hora. Seguiram para o Parque Zuccotti, no baixo Manhattan, e ali ficaram — dando início ao que se tornou, depois, o Occupy Wall Street.

Todd Gitlin acredita que os métodos policiais foram empregados por mais de um ano para enfraquecer, com sucesso, o movimento. Mas não atribui o desaparecimento do Occupy a essa interferência.

Ele enxerga na gênese do Occupy a origem da dispersão, mais tarde: ausência de uma agenda política mais ampla e desinteresse e/ou a falta de capacidade organizacional para participar do processo político.

A seguir, a entrevista que nos foi concedida pelo autor:

Viomundo – Quais foram os resultados concretos do movimento Occupy?

Todd Gitlin – O Occupy teve efeito considerável na condução das eleições [legislativas] e mudou o centro de gravidade da política norte-americana. A classe política teve que tratar da questão da desigualdade. Isso roubou a vitória do Tea Party e reorientou o eixo da política norte-americana. Eles [integrantes do Occupy] tornaram mais concretos os desafios da democracia estadunidense diante da desigualdade, mas não conseguiram se sustentar. O movimento enfrentou problemas quando ainda estava nos acampamentos. Quando foram fechados, as forças centrífugas foram fortíssimas. Na superfície, ao menos, tenho que dizer que o Occupy, como movimento, foi bem sucedido enquanto fracassava. Não sei como demonstrar isso, mas muito da energia gerada pelo Occupy foi redirecionada para outros movimentos. É o que ainda está acontecendo com lutas em defesa do meio ambiente, liberdades civis e outras. Mas a habilidade de influenciar a classe política foi muito limitada.

Viomundo – No fim, vimos o Presidente Barack Obama usar a retórica do movimento, falar na defesa dos 99% [contra o 1% no topo da pirâmide], sugerir aumento de impostos para quem ganha mais de US$ 250 mil por ano. Mas foram tomadas medidas concretas para atender as demandas que o movimento trouxe à tona?

Todd Gitlin — Não! É o problema de movimentos como esse, de energia difusa. O problema é como fazer a classe política se mexer. Se o movimento acreditasse nisso, teria se juntado ao Partido Democrata — como o Tea Party fez com o Partido Republicano — e tomado controle de várias áreas do partido, o que não seria difícil.

[Se você quer ter acesso a conteúdo exclusivo como este, que não sai na grande mídia, pode nos ajudar. Não é obrigatório: cada um de acordo com sua possibilidade]

Viomundo – Para promover mudanças efetivas, eles teriam que entrar no jogo político? Não seria suficiente ter reivindicações mais específicas?

Todd Gitlin — Eu faço uma distinção entre o núcleo do movimento, mais anarquista, que começou com os acampamentos, e a parte de fora, mais convencional, organizada, os sindicalistas, os progressistas, a classe média. Essa parte era bem maior. Mas o núcleo dirigia o processo. E não dava para esperar que eles buscassem isso porque não são assim. Na minha visão, a parte de fora do movimento, se houvesse chance para alguma continuação e canalização da energia em prol de reformas, teria que vir de acordos dos grupos de fora do movimento em torno de um programa mínimo. Mas isso nunca aconteceu. O impulso gerado pelo Occupy se dissipou. Esses grupos organizados teriam de ter formado uma grande coalizão, de sindicatos e movimentos sociais, para ter um acordo coletivo.

Viomundo – Por que não aconteceu?

Todd Gitlin – Pelo lado dos sindicatos, porque eles estão se sentindo vencidos, estão envolvidos em divisões internas, chegaram ao movimento com outra mentalidade. Sabem o que fazer quando tem eleição: eleger democratas. Mas só conseguem acordo para isso. Entram com mentalidade defensiva. Não têm uma mentalidade rebelde. Sentem-se fracassados. As outras organizações progressistas estão envolvidas em suas próprias causas – ação afirmativa, aborto, etc. Não têm ideia coerente a respeito da transformação de forma geral.

Viomundo – O Occupy acabou?

Todd Gitlin – Da forma que vimos em 2011 acho que sim. Mas existe um repositório mais ou menos permanente e subterrâneo, um poço de dissidentes, de anarquistas, de contracultura. E de tempos em tempos ele emerge com preocupações que tocam muitas outras pessoas. De certa forma, o Occupy foi o ressurgimento de um espírito que apareceu primeiro em 1999, durante as demonstrações antiglobalização em Seattle. Agora, esse espírito, que é horizontalista e anarquista, voltou para o subsolo e não sabemos quando virá à tona novamente.

Viomundo – O senhor vê uma correlação entre os movimentos populares recentes no Egito, na Turquia e no Brasil?

Todd Gitlin – Existem muitas distinções entre Tunísia e Egito, depois Espanha e Grécia, Estados Unidos, depois Turquia e Brasil. Mas o elemento comum, ou um deles, é o sentimento de boa parte da população de que a classe política está indisponível para eles. Que vive trancada em um universo que está aquém da influência deles.

Essa é a mensagem que veio da Espanha, da Grécia, dos EUA, da Turquia e parece vir do Brasil. E não é por razões desconectadas que sentem a necessidade de ir às ruas. É porque a politica oficial não é adequada para os problemas que enfrentam.

Mas esses movimentos têm um problema em comum. Eles nasceram entendendo que a classe política falhou com eles. E têm neles mesmos a força para gerar um novo segmento ou substituto para a classe política? Em outras palavras, você não pode governar sendo apenas oposição. A pergunta para todos esses movimentos é: eles podem se transformar, ao menos em parte, em uma máquina, uma espécie de força instituída que dure, que possa alcançar vitórias?

Leia também:

Rodrigo Vianna: Processo da Globo pode ter “bomba atômica”

Ivan Valente: Quais empresas colaboram com a espionagem de Washington?

Sindicato nega que teles contribuam com espionagem dos Estados Unidos

Requião propõe reforma agrária, estatizar bancos e desconcentrar mídia

Últimas unidades

A mídia descontrolada: Episódios da luta contra o pensamento único
A mídia descontrolada

O livro analisa atuação dos meios de comunicação.

A publicação traz uma coletânea de artigos produzidos por um dos maiores especialistas do Brasil no tema da democratização da comunicação.

Por Laurindo Lalo Leal Filho



19 comentários

Os comentários aqui postados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do VIOMUNDO. Todos as mensagens são moderadas. Não serão aceitos comentários com ofensas, com links externos ao site, e em letras maiúsculas. Em casos de ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência, denuncie. Leia o nosso termo de uso.

Pedro Ekman: Por uma reforma agrária do ar - Viomundo - O que você não vê na mídia

15 de julho de 2013 às 11h17

[…] Todd Gitlin: O que fazer com a classe política trancada em seu universo? […]

Responder

Eric Nepomuceno: Snowden, o verdadeiro objeto de desejo de Obama - Viomundo - O que você não vê na mídia

14 de julho de 2013 às 11h58

[…] Todd Gitlin: O que fazer com a classe política trancada em seu universo? […]

Responder

Messias Franca de Macedo

10 de julho de 2013 às 00h58

MIMIMI, COXINHAS E JALECOS

Por Luís Fernando *Tofoli
*Médico, professor-doutor no Departamento de Psicologia Médica e Psiquiatria da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP)
em http://mariafro.com/2013/07/09/tofoli-mimimi-coxinhas-e-jalecos/comment-page-1/#comment-62392

LÁ VEM O MATUTO ‘BANANIENSE’ COM A CARTEIRINHA DO SUS NAS MÃOS [‘SUJAS’!]!

… No *debate entre o professor doutor Adib Jatene e um representante das entidades médicas [corporativistas e mercenárias], esse último, obviamente contra o projeto do governo federal, em dado momento afirmou: “… Realmente, a maioria dos estudantes de medicina formada nas universidades brasileiras – públicas e privadas – terminam o curso praticamente especialistas em uma determinada área! No entanto, em termos de clínica médica, sabem, no máximo, tratar uma diarreia, isso quando esta situação não complica!…”
* programa ‘Entre Aspas’ [GloboNews], edição da noite de 09/07/13

E VAPT VUPT! Pano rápido limpa e desinfeta as sujeiras do PIGolpista/terrorista/fascista/antinacionalista!…

… E que país é esse?! “É o ‘Brazil’(!) mudado por um menino paupérrimo (idem sic) chamado Joaquim!”

Bahia, Feira de Santana
Messias Franca de Macedo

Responder

Messias Franca de Macedo

10 de julho de 2013 às 00h57

O DOUTOR ADIB JATENE “JOGOU LEITE NA CARA DOS CARETAS”! ENTENDA

O doutor Adib Jatene defendeu, com ressalvas, o projeto ‘Mais Médicos no Brasil’ lançado pelo governo federal. E, em dado momento da explanação, o ex-ministro da Saúde desqualificou a tese de que a infraestrutura caótica dos hospitais e demais Unidades da Rede Pública de Saúde signifique um estorvo intransponível para o atendimento qualificado dos médicos lotados, sobretudo, nos rincões do país! Professorou o catedrático professor Adib Jatene: “Eu defendo o aporte substancial de recursos a ser destinados ao SUS. Sim, Mônica [Valdvogel], eu criei a CPMF com este objetivo! E sabe por que a CPMF foi extinta? Porque descobriram que a CPMF era um instrumento efetivo do controle da sonegação fiscal!…”

RESCALDO: a âncora do programa ‘Entre Aspas’ [GloboNews], a Mônica [Valdvogel], deu um sorrisinho maroto e “tratou de mudar o rumo da prosa”!… Ah! Esses(as) ‘jornalistas amigos(as) dos patrões’!…

E VAPT VUPT! Pano rápido limpa e desinfeta as sujeiras do PIGolpista/terrorista/fascista/antinacionalista!…

… E que país é esse?! “É o ‘Brazil’(!) mudado por um menino paupérrimo (idem sic) chamado Joaquim!”

Bahia, Feira de Santana
Messias Franca de Macedo

Responder

Messias Franca de Macedo

09 de julho de 2013 às 21h11

O DOUTOR ADIB JATENE APOIA O PROGRAMA ‘MAIS MÉDICOS’

SENSACIONAL! Em entrevista a uma emissora de televisão do PIG, o catedrático doutor Adib Jatene “ministrou uma aula”, apoiando o projeto do governo federal relativo ao atendimento médico no país! Segundo o ex-ministro da Saúde, as propostas representam um avanço na *formação dos(as) médico(as)! E se juntou à campanha ‘HUMANIZA JÁ’!…
*formação que deve ter, também, o viés humanista!

BRASIL NAÇÃO – em homenagem ao egrégio, competente e impávido doutor e professor Adib Jatene!

Bahia, Feira de Santana
Messias Franca de Macedo

Responder

Messias Franca de Macedo

09 de julho de 2013 às 18h22

PT QUER PLEBISCITO EM 2013.
DEPOIS, É ENROLAÇÃO
Se perder, pendura a recusa nas costas do PMDB, do PSDB e do Gilmar – é a limonada do limão.
Publicado em 09/07/2013
em http://www.conversaafiada.com.br/politica/2013/07/09/pt-quer-plebiscito-em-2013-depois-e-enrolacao/#comment-1192051

LÁ VEM O MATUTO COM O TÍTULO DE ELEITOR NAS MÃOS [‘SUJAS’!]!

… A meu ver, enrolação é persistir com essa ideia de se promover uma reforma política açodada e, portanto, algo alinhavado, que não irá instituir mudanças profundas e abrangentes, convergentes aos lídimos anseios da população brasileira. Dessa forma, creio, o melhor encaminhamento seria a instalação de uma Assembleia Nacional Constituinte específica para tratar do tema. E este instituto oferecendo espaços para a participação popular!…

BRASIL (QUASE-)NAÇÃO [depende de nós enquanto ações e reações!]
Bahia, Feira de Santana
Messias Franca de Macedo

Responder

Messias Franca de Macedo

09 de julho de 2013 às 16h57

[“Crise é coisa da cabeça dos homens!” Mantra repetido reiteradas vezes por um locutor de rádio, aqui do sertão baiano!]

“Conversando com um amigo europeu, escutei o seguinte relato: ‘qual crise estão vivenciando a Argentina, o Chile, o Brasil… E até mesmo a África do Sul?!… A crise está instalada é aqui na Europa Ocidental e, um pouco menos, nos Estados Unidos!’…”
*Slavoj Zizek – declaração proferida no programa ‘Roda Viva’, TV Cultura de São Paulo, edição de 08/07/13

*Slavoj Zizek é um filósofo esloveno. É professor da European Graduate School e pesquisador sénior no Instituto de Sociologia da Universidade de Liubliana.
No referido programa de televisão, o pensador e provocador, conhecido por enfileirar referências cultas e populares, analisou a geopolítica atual e falou das bases de seu último livro.

Afirmou também: “Ainda precisamos das ideologias”

EM TEMPO: a presidente Dilma Rousseff deveria assistir à entrevista do filósofo responsável e radicalmente esquerdista!

BRASIL (QUASE-)NAÇÃO [depende de nós enquanto ações e reações!]
Bahia, Feira de Santana
Messias Franca de Macedo

Responder

Valdeci Elias

09 de julho de 2013 às 16h30

Corrupção existe em todo lugar. O fato de a midia brasileira, tentar passar que só os politicos são corruptos. Visa apenas enfraquecer a Democracia.
Antigamente a Elite podia chegar a cada 4 anos em uma favela, dar um fogão, uma geladeira, uma porta etc. Em troca do voto. E desaparecer, até a proxima eleição.
Hoje em dia a historia é diferrente. Pra conseguir o voto, tem garantir o estudo das crianças o ano todo. Depois a faculdade. Em suma , hoje ganha o politico que der assistencia o ano todo.
No fim o problema esta na evolução , da mentalida do povo. Que no Império ou na Republica Velha votava no cabresco(elegendo o candidato da Elite), hoje vota no politico que lhe dá mais beneficios.
Vamos ver qual solução, a Elite ,vai implantar. Se vai ser a Ditadura, ou o Parlamentarismo ou o Voto Distrital ?

Responder

    Malvina Cruela

    09 de julho de 2013 às 19h18

    só faltava essa…os – com perdão da má palavra – políticos entrando nos blogs pra se defender…ta ruim pra todo mundo né?

    Fabio Passos

    09 de julho de 2013 às 22h46

    Corretíssimo.
    Ignoram que o homem é um animal político.

    A classe média mal formada, com baixo QI, foi adestrada pela “elite” branca e estacionou apenas no animal… no caso, o PiG. rsrs

    Guincham bastante mas o conteúdo é sempre paupérrimo.

Guilherme Scalzilli

09 de julho de 2013 às 16h10

A reforma possível

Dilma Rousseff tinha algumas alternativas para responder às manifestações populares. Todas variavam de acordo com o posicionamento que o governo federal assumiria em relação aos protestos.

O sonho da imprensa oposicionista era (continua sendo) a presidenta vestir a carapuça de alvo dos ataques, defendendo-se deles e depois os confrontando até centralizá-los contra si. Habilmente, porém, Dilma preferiu adotar as demandas genéricas das ruas: assimilou sua natureza reformista e seu anseio por melhores formas de representação.

A idéia da reforma política não apenas coaduna com as expectativas professadas pelos descontentes, mas acima de tudo evidencia seus próprios limites no Estado democrático de Direito. Apenas o imediatismo golpista acredita em soluções abruptas, verticais e impositivas para um dilema dessa envergadura.

Qualquer pessoa com entendimento básico dos Poderes republicanos sabe que as difusas transformações estruturais pleiteadas, inclusive a própria maneira de adotá-las, cabem ao Congresso Nacional. Nada mais justo do que Dilma lhe entregar a incumbência de atender aos desejos dos eleitores. E nada mais coerente, da parte dos indignados, que focar suas reivindicações onde elas podem ser atendidas.

Sem uma Assembléia exclusiva, a única possibilidade de mudança real no regramento da atividade política viria de um plebiscito que provocasse ou norteasse os legisladores. Um eventual referendo posterior serviria apenas para endossar as alterações tímidas e paliativas que os parlamentares julgassem convenientes. Não haveria reforma alguma.

É tolice fabricar frustrações por causa dos prazos e das vigências da consulta popular. Mesmo que ela incida sobre as eleições de 2016, representará uma conquista histórica para a agenda progressista, eternamente ignorada pelo Congresso. E o tempo maior de discussão pública solidificaria sua legitimidade.

Enxergar na dilatação do prazo uma derrota do governo federal equivale a chamá-lo de oportunista na hipótese de aplicação instantânea. Ambos são discursos prontos da mídia corporativa para abafar o inevitável ganho político do governo federal com a materialização da proposta.

http://guilhermescalzilli.blogspot.com.br/2010/02/por-uma-assembleia-reformista.html

Responder

Mário SF Alves

09 de julho de 2013 às 13h50

O que fazer com a maioria destes políticos? Não sei. São conhecidos como políticos, mas em realidade são profissionais da política, embusteiros e bucaneiros. E por mais paradoxal que possa ser, são indivíduos politicamente trancados em seu próprio universo.
___________________________________

No entanto, sei o que, neste momento, eu gostaria de dizer aos jovens e outros nem tão jovens assim, que corajosamente saíram às ruas em busca de um universo senão mais comum, pelo menos não tão estranho a todos.
____________________________________

Oração aos moços, a todos os moços, inclusive,“filhos e filhas da Xuxa”

A ninguém que arrogante, presunçosa ou ALUCINADAMENTE se sinta ou se imagine acima da própria realidade é facultado o PODER de discutir, entender ou mudar a REALIDADE;

Ninguém, nem mesmo um que seja ET, vindo de uma galáxia distante, ainda que com PHD em Humanismo, teria o poder de discutir, entender ou mudar a realidade se se colocasse acima da própria realidade. O máximo que conseguiria, ainda que da força bruta uso fizesse, seria o condicionamento momentâneo da realidade, porém, mudá-la, jamais;

Educação, respeito a si próprio e aos outros é coisa que se cultiva e se aprende. Ninguém é obrigado a falar ou dar testemunho daquilo que desconhece; ninguém sob efeito de álcool ou alucinógeno, educado ou não, deverá, nestas circunstâncias, discutir, opor-se ou tentar mudar a realidade;

Ninguém discute ou muda a realidade afeta a OPRESSORES e OPRIMIDOS quando arrogante, presunçosa ou alucinadamente situar-se ou imaginar-se acima da realidade afeta a esses mesmos opressores e oprimidos. Em tais circunstâncias o máximo que se consegue é impor-se autoritariamente à realidade;

Discutir a realidade, pressupõe, antes de mais nada, respeito à realidade, nada que possa ser alcançado sem o uso da razão e, óbvio, em sã consciência.

Portanto, fica o apelo, bebida e política não combinam. É mistura explosiva, e que pode, sim, fazer a roda da vida girar um pouquinho mais para trás na História.

“Portanto, em nome de tudo o que nos é mais sagrado nesta vida, quando estiverdes embriagados não politizem; não polarizem!”
____________________________________

Oração aos Moços, Senado Federal, RJ, ano de mil, novecentos e catorze [1914]. Ou seja: um ano que ainda não teve fim. Um ano no qual ainda hoje, e talvez mais do antes, essa mesma classe política, mesquinha e testa-de-ferro do poder econômico, vive em um universo cada vez mais paralelo.

“De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto.”

Senado Federal. Rio de Janeiro, DF
Obras Completas de Rui Barbosa.
V. 41, t. 3, 1914. p. 86
Descritores: Triunfo das nulidades ; Injustiça, crescimento ; Honestidade
Observações: Trecho do discurso “Requerimento de Informações sobre o Caso do Satélite – II”. Não há original no Arquivo da FCRB.

Responder

jose carlos lima

08 de julho de 2013 às 23h45

As outras organizações progressistas estão envolvidas em suas próprias causas – ação afirmativa, aborto, etc. Não têm ideia coerente a respeito da transformação de forma geral.

Noto isso em muitos membros dos movimentos por segmentos no Brasil, sim, de GLTB a negros, passando por mulheres, etc

Responder

jose carlos lima

08 de julho de 2013 às 23h40

Enquanto isso os EUA nos espionam, também pudera, FHC vendeu a Embratel com satélites, o Brasil abriu mão de sua soberania na privataria

Responder

jõao

08 de julho de 2013 às 23h15

blog do tijolaço
Exclusivo: herdeiros de Civita
querem dividir fortuna em sigilo
8 de Jul de 2013 | 21:11

Os filhos do dono da Editora Abril iniciaram, no último dia 26, o processo de inventário e partilha de bens de Roberto Civita, morto um mês antes.
Nada demais nisso. Giancarlo, Roberta Anamaria e Victor Civita estão fazendo o que é seu direito como herdeiros.
Mas parece haver algo estranho.
Mais da metade da petição dos Civita ao juiz da 12a. Vara de Órfãos e Sucessões de São Paulo é gasto pedindo a decretação de segredo de Justiça sobre o processo de inventário.
Porque, ainda mais que Roberto Civita, dezembro de 2011, teve o cuidado de registrar, em escritura pública, seu desejo em testamento?
Será que isso visa o que, neste documento, ele deixa para sua viúva, Maria Antônia Magalhães Civita?
Explica-se: em 1999, quando o então Robert Civita e Maria Antônia se casaram, assinaram um pacto antenupcial em que a ela nada caberia senão o apartamento em que viveram até sua morte, na Rua Escóssia, em São Paulo, e uma gleba de terras em Itapecerica da Serra.
Doze anos depois, já Roberto Civita, ele mudaria de ideia e deixaria muito mais, em dinheiro, bens – inclusive sua cota-parte num helicóptero Agusta A109E – e obras de arte, para ela, naquele testamento, que assinou destacando que o fazia para “manter a harmonia e a unicidade entre seus herdeiros” e que já tinha transferido parte do patrimônio para os três filhos, do primeiro matrimônio.
Será que os herdeiros de Civita temem um “barraco” milionário?
Será que o império que herdaram não é suficiente para não querer deixar para a viúva o Fundo Exclusivo Rugir Multimercado e 25% dos ativos financeiros declarados pelo pai ao Imposto de Renda?
Bem, nada está, por enquanto sob sigilo de Justiça. Que, aliás, não é previsto para casos de briga de família.
O processo voltou sexta-feira do Ministério Público e não há decisão em vigor.
É, portanto e ainda, tudo público.
Por que será que há tanta preocupação dos Civita em que não seja?
Por: Fernando Brito

Responder

Abelardo

08 de julho de 2013 às 23h06

Essa pergunta é a feita sob medida para o Brasil. O que fazermos com essas pragas que começaram construindo seus casulos timidamente e agora já formam uma pequena colônia independente e que se julga ter vida própria. Quanto mais deixarmos essa colônia da politica brasileira crescer mais dificil e oneroso será combatê-la. Por essa razão não se pode esperar mais; a população deve aproveitar esse momento fabuloso de exigências de pureza, de ética, de punições, de desinfectação corruptiva,de lealdade,de tranparência total com livre acesso para a população, de saúde, de educação, de segurança, de proteção, de oportunidades e muito mais direitos sonegados por décadas e décadas e combater incessantemente, até a vitória definitiva,e destruir esse universo em que se trancam todos esses tranqueiras da política brasileira.

Responder

    Fabio Passos

    09 de julho de 2013 às 00h01

    Abelardo, sua visão da política é infantil. Políticos são meros representantes dos interesses. Os políticos das “democracias” ocidentais estão descolados da população que os elegem… mas não estão descolados das corporações que os financiam.

    O rabo dos políticos pertence ao capital.
    Trocar o representante dos donos do poder econômico não resolve a questão.
    O que precisamos é que o poder dos cidadãos supere o poder econômico e seja determinante sobre o comportamento dos políticos.

Fabio Passos

08 de julho de 2013 às 21h00

A “democracia ocidental” que a ditadura ianque vende mundo afora é uma completa fraude.

Os políticos representam os negócios. As corporações capitalistas. Representam seus financiadores de campanha e não seus eleitores.

Universo próprio é o cacete! Representam o capital!

O regime está completamente podre. O capitalismo está destruindo o planeta e a humanidade.

Responder

Pedro luiz

08 de julho de 2013 às 18h36

O título do post diz tudo…A política se profissionalizou e o povo se despolitizou. É de proposito.

Responder

Deixe uma resposta

Apoie o VIOMUNDO - Crowdfunding
Loja
Compre aqui
A mídia descontrolada

O livro analisa atuação dos meios de comunicação e traz uma coletânea de artigos produzidos por um dos maiores especialistas do Brasil no tema da democratização da comunicação.