VIOMUNDO

Diário da Resistência


Stédile: Venenos do agronegócio vão matar o agronegócio
Falatório Política

Stédile: Venenos do agronegócio vão matar o agronegócio


11/04/2013 - 12h00

por Luiz Carlos Azenha

publicado originalmente em 11.12.2011

Ao fazer um balanço de 2011, ontem, na Escola Nacional Florestan Fernandes, em Guararema, interior de São Paulo, o coordenador nacional do Movimento dos Sem Terra (MST), João Pedro Stédile, disse que o modelo do agronegócio está fadado a desaparecer por conta de suas contradições internas (não sem antes, diríamos nós, causar impactos ambientais profundos que vão exigir que o Brasil importe da Alemanha bilhões de marcos — o euro terá sucumbido — em equipamentos para lidar com os danos).

Stédile disse que a própria sociedade, em breve, começará a questionar o modelo, por conta do uso intensivo de venenos, um dos pilares da monocultura extensiva. Lembrou a previsão do Instituto Nacional do Câncer de que o Brasil terá um milhão de casos da doença em 2012, para os quais, segundo Stédile, os agrotóxicos contribuem de forma importante.

Mais que isso: ele narrou uma visita que fez ao estado de Goiás, onde empresas estrangeiras controlam grandes extensões de terra para o cultivo de cana-de-açúcar. Os pequenos agricultores praticamente sumiram. Os empregos que surgiram na fase de construção das usinas sumiram. O dinheiro é ‘exportado’ para os Estados Unidos. E a população local fica com o vinhoto, que resulta da produção do etanol. Stédile acredita que o próprio impacto econômico do monocultivo levará as populações locais a questionarem o modelo do agronegócio exportador.

Ele disse que o MST já tem uma resposta a esse modelo, o da agroecologia, e exibiu os produtos orgânicos dos assentamentos. Lembrou, no entanto, que nem toda a produção de agricultores ligados ao MST é livre dos venenos.

Depois do evento, Stédile aceitou o convite de um grupo de blogueiros para participar de uma twicam para tratar deste e de outros temas polêmicos relativos à reforma agrária. Vai acontecer no dia 19 de dezembro, segunda-feira, a partir das 20 horas, na sede da Rede Brasil Atual, no centro de São Paulo.

Ouça a breve entrevista que ele concedeu ao Viomundo sobre o tema:

stedile.wma

Leia também:

“Cidade dos agrotóxicos” tem o dobro da taxa mundial de câncer

Exclusivo: A pesquisadora que descobriu veneno no leite materno

Pignati: Os agrotóxicos viajam pelos rios

Foto Conceição Oliveira

Livro do Luiz Carlos Azenha
O lado sujo do futebol

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A Trama de Propinas, Negociatas e Traições que Abalou o Esporte Mais Popular do Mundo.

Por Luiz Carlos Azenha, Amaury Ribeiro Jr., Leandro Cipoloni e Tony Chastinet



60 comentários

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Dr. Rosinha: Agronegócio vence batalha para colocar mais veneno na mesa do brasileiro - Viomundo - O que você não vê na mídia

01 de outubro de 2013 às 17h03

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Críticos da Monsanto têm sido alvo de ataques cibernéticos - Viomundo - O que você não vê na mídia

12 de agosto de 2013 às 12h55

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Marcha contra a Monsanto e professores conversam na Paulista - Viomundo - O que você não vê na mídia

27 de maio de 2013 às 18h06

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Carlos Marés: Ruralistas querem mudar lei para bloquear reforma agrária - Viomundo - O que você não vê na mídia

13 de abril de 2013 às 23h51

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Alemao

12 de abril de 2013 às 12h06

“O dinheiro é ‘exportado’ para os Estados Unidos.”

Como isso é possível? Os latifundiários são americanos? Até aonde consta, atualmente, o Brasil importa etanol a cântaros dos EUA.

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    Alberto Jorge da Rocha Silva

    13 de abril de 2013 às 13h12

    Bunge, Monsanto e Cargill são de onde, fio????

Lafaiete de Souza Spínola

12 de abril de 2013 às 10h39

O BRASIL PRECISA SAIR DESSA DEPENDÊNCIA DE EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS PRIMÁRIOS QUE TANTOS MALES CAUSAM AO PAÍS E TUDO SOB O CONTROLE DE MULTINACIONAIS.

Apresento o primeiro passo para a solução:

O caminho para resolver os problemas estruturais e amenizar as injustiças sociais do Brasil está, basicamente, atrelado à EDUCAÇÃO. Precisamos, com urgência, investir, pelo menos 15% do PIB no orçamento da educação. Deve ser disponibilizada escola com tempo integral às nossas crianças, oferecendo, com qualidade: o café da manhã, o almoço, a janta, esporte e transporte, nas cidades e no campo. Como é uma medida prioritária, inicialmente, faz-se necessária uma mobilização nacional. Podemos, por certo tempo, solicitar o engajamento laico das Igrejas, associações, sindicatos e das nossas Forças Armadas (guerra contra o analfabetismo e o atraso) para essa grande empreitada inicial.

Outros investimentos de grande porte, concomitantemente, devem ser realizados, ajudando, inclusive, a movimentar a economia de todo país: a construção civil seria acionada para a construção de escolas de alta qualidade, com quadras esportivas, espaços culturais, áreas de refeição e cozinhas bem equipadas etc. Tudo isso exigindo qualidade, porém sem luxo. Durante o período de mobilização, concomitantemente, o governo deve investir na preparação de professores para atender à grande demanda.

Como esse projeto é de prioridade nacional, os recursos deverão vir, entre outros: de uma nova redistribuição da nossa arrecadação; de uma renegociação da dívida pública, com a inclusão do bolsa família etc. Em vez dessas exonerações de impostos, toda essa verba, já poderia estar sendo direcionada para esse projeto.

Para a construção inicial dos centros educacionais e formação de professores, sugiro que se invista cerca de 40% das nossas reservas. Esses grandes centros escolares poderiam ser construídos 03 em cada estado, imediatamente, como protótipos, sendo 01 na capital, 01 no interior e 01 no campo, escolhendo as áreas mais carentes.

Não temos tempo para ficar aguardando a época do pré-sal.

Observações e consequências previsíveis:

9. O pequeno agricultor terá prioridade no fornecimento dos produtos alimentícios dessas escolas. Surgirá, então, um mercado pujante, nesse vasto Brasil, aumentando nosso mercado interno. Tornando-se, também, numa importante política para manter o homem no campo. A formação de pequenas cooperativas agrícolas deve ser incentivada para permitir a aquisição de maquinário destinado ao cultivo da terra, armazenagem da colheita e entrega dos produtos nas escolas. Surgirá, então, um promissor mercado para os fabricantes de máquinas.

10. A EMBRAPA deverá receber recursos adicionais para dar todo apoio a essa gente do campo, aproveitando para ensinar como praticar uma agricultura sustentável e como cuidar das matas ciliares. As escolas estabelecidas no campo devem ter no currículo aulas teóricas e práticas de como recuperar as áreas degradadas. O governo, por intermédio da Embrapa, fornecerá mudas e orientação de como proceder. As escolas localizadas dentro do perímetro urbano adotariam a sistemática de, uma ou duas vezes por mês, participar, em conjunto com suas irmãs do campo, de mutirões para recuperar áreas degradadas. Isso proporcionaria uma maior integração da cidade com o campo. As crianças da cidade não ficariam tão alienadas, quanto à vida do interior.

Só assim, começaríamos a ter uma produção orgânica significativa!

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As uvas do MST estão maduras « Viomundo – O que você não vê na mídia

30 de janeiro de 2013 às 20h46

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Ana Reis: O bio-tecno-negócio avança sobre a reprodução humana « Viomundo – O que você não vê na mídia

23 de agosto de 2012 às 11h21

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Manuela Carneiro da Cunha: Duas mãos, mesmo corpo? « Viomundo – O que você não vê na mídia

12 de agosto de 2012 às 21h58

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Regina Braga

12 de dezembro de 2011 às 15h42

Para Alexandre Garcia,o importante é o agronegócio…o povo que morra! Mas se o povo morrer, quem vai comprar? Tiro no pé,Garcia…é melhor apoiar o MST,senão, vai ficar sem seus fãs e sem ninguém que o aplauda.Só vai restar a rede esgoto…que embora seja esgoto só come orgânico.

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Carlos J. R. Araújo

12 de dezembro de 2011 às 15h31

As mazelas trazidas pelo agronegócio é de óbvio conhecimento, há algum tempo, pelo menos na mídia alternativa (principalmente nos blogs). E o que me espanta é a "inocência" de muitos que, nos seus comentários, consideram as mazelas do agronegócio como se fosse um preço do progresso, uma poluiçãozinha a mais.

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Marcus Fitz

12 de dezembro de 2011 às 14h22

Essa é a situação:
Monocultura extensiva (em sua maioria soja), voltada para a exportação (quando não é para alimentar pessoas), com isenção de impostos mais incentivos fiscais. Tudo isso para o exterior!
Existe o cultivo de orgânicos, mas é ínfima e apenas para quem tem poder aquisitivo, ou seja, parece que é proposital não estender esse benefício à população e sendo grande parte da produção é exportada também.
Tá parecendo que o Brasil é um celeiro sim, mas das elites e gringos apenas.
Enquanto isso, o mercado interno recorre a importação (Argentina, China), ou seja, o nosso 'agrobussiness' brazuca não é voltado para alimentar nós, os brasileiros. Na verdade ficamos com sobras e somos estimulados a consumir enlatados, embutidos, enfim, produtos processados que estão se tornando cada vez mais artificiais, e por que não, tóxicos.
Cadê o incentivo à agricultura familiar, à diversificação das culturas a serem cultivadas – de preferência sem transgênicos e orgânica – e também o estímulo à diversificação da dieta do brasileiro?
Queremos comida abundante e saudável !

MF

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Hans Bintje

12 de dezembro de 2011 às 12h13

Azenha:

E o "Viomundo da Roça" está surgindo. Digo mais: ainda vai sustentar parte considerável das atividades do Viomundo original através de anúncios.

Isso já funciona – com sucesso – na Alemanha ( http://www.dw-world.de/dw/article/0,,4268072,00.h… ):

"A oferta de produtos orgânicos é ampla na Alemanha. Muito além da tradicional Reformhaus, lojas especializadas em produtos naturais que existem desde o início do século 20, diversas redes de supermercados lançaram suas próprias marcas de produtos orgânicos.

Um investimento que, para a maioria deles, deu certo. Segundo Ulrich Hamm, supermercados não-especializados e mercados que oferecem produtos de baixo custo conquistaram a preferência dos consumidores de orgânicos nos últimos anos.

Ele salienta que especialmente os chamados discounters são os principais responsáveis pelo crescimento do setor, procurados por quem busca produtos saudáveis sem ter que gastar muito por isso.

Atualmente, a Alemanha é o segundo maior consumidor de produtos orgânicos no mundo, tendo perdido a liderança para os Estados Unidos na década de 90. 'Mas é preciso lembrar que os EUA possuem uma população três vezes maior', explica Hamm.

No entanto, o potencial de crescimento do mercado é tamanho que há anos o aumento da produção não mais acompanha o crescimento da demanda nacional."

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    Letícia

    07 de abril de 2012 às 21h19

    Hans, Pois vejo a mesma realidade acontecer aqui no Canadá, onde moro atualmente. Consumir cada vez mais produdos organicos é uma forte tendência mundial, que graças a debates como esse, proposto pelo viomundo, ajuda a esclarecer e conscientizar… O Stédile é o cara! Oxalá que os produtos organicos produzidos pelos assentados do MST conquiste cada vez mais mercado, promovendo a justiça e a saúde!

marcus_fitz

12 de dezembro de 2011 às 12h45

O agronegócio possui um lobby poderoso junto ao Estado, infelizmente, independente do partido que está na situação.
Para aqueles que querem aprofundar um pouco mais nesse assunto:

O MUNDO SEGUNDO A MONSANTO:

[youtube D6-YkHO3kPY http://www.youtube.com/watch?v=D6-YkHO3kPY youtube]
http://www.youtube.com/watch?v=D6-YkHO3kPY
Sinopse:
Excelente documentário produzido pela autora do livro "O Mundo Segundo A Monsanto". Esse documentário mostra como essa multinacional está patenteando sementes transgênicas e introduzindo-as em países emergentes como o Brasil.
As sementes transgênicas da Monsanto sao resistentes somente aos pesticidas fabricados por ela própria. O maior exemplo é a soja transgênica, resistente ao "Roundup". Com o plantio de sementes patenteadas pela Monsanto, o pólen destas "contamina" outras variedades existentes na regiao, que passam a produzir sementes com as características das da Monsanto. Esta entao PROCESSA os produtores vizinhos e EXIGE legalmente destes o pagamento de royalties à empresa, POR ESTAREM PRODUZINDO sementes que sao patentes dela. Em resumo: a monsanto está rapidamente se tornando proprietária de uma variedade enorme de sementes, seus laboratórios estao criando sementes patenteadas de TUDO, cereais, frutas, hortalicas, etc. BOICOTE TUDO que é proveniente de sementes da Monsanto. Os óleos de soja no Brasil contém soja transgênica da Monsanto, TODOS eles!

O Veneno Está na Mesa

[youtube 8RVAgD44AGg&feature=related http://www.youtube.com/watch?v=8RVAgD44AGg&feature=related youtube]
http://www.youtube.com/watch?v=8RVAgD44AGg&fe
Sinopse
O Brasil é o país do mundo que mais consome agrotóxicos: 5,2 litros/ano por habitante. Muitos desses herbicidas, fungicidas e pesticidas que consumimos estão proibidos em quase todo mundo pelo risco que representam à saúde pública.
O perigo é tanto para os trabalhadores, que manipulam os venenos, quanto para os cidadãos, que consumem os produtos agrícolas. Só quem lucra são as transnacionais que fabricam os agrotóxicos. A idéia do filme é mostrar à população como estamos nos alimentando mal e perigosamente, por conta de um modelo agrário perverso, baseado no agronegócio.

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Armando

12 de dezembro de 2011 às 12h03

Estudos comprovando os efeitos nocivos dos agrotóxicos sobre a saúde humana tem de sobra é só se dispor a pesquisar na web e ter competência para lê-los, pois a maioria está em inglês. O estudo da USP sobre Lucas do Rio Verdese já foi publicado deve ter uma boa lista bibliográfica que pode ser consultada.
Os que hoje exigem mais estudos são os mesmos que a algumas décadas atrás falavam o mesmo sobre a relação entre o cigarro e o câncer pulmonar. Se antes os advogados da indústria tabageira diziam que não havia evidências dessa relação, hoje eles tem que trabalhar duro para evitar o pagamento de polpudas indenizações aos ex-fumantes e familiares desses.
As pessoas que querem se matar fumando ou comendo comida envenenada tem liberdade para faze-lo, mas que façam sozinhos, sem prejudicar os outros.

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Venenos do agronegócio vão matar o agronegócio

12 de dezembro de 2011 às 11h24

[…] Por Luiz Carlos Azenha, do Viomundo. […]

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eunice

12 de dezembro de 2011 às 11h10

A loja Mundo Verde tem alguns produtos orgânicos, mas não são do MST. Os ricos – que sejam alternativos em saúde – só se alimentam de produtos orgânicos. E eu que não tenho grana, optei por não ter luxo, não ter carro, só compro roupas em brechó, mas posso consumir apenas produtos orgânicos. Está masi do qeu provado que causam câncer, principalmente do intstino. Provas não são apenas as da Medicina conservadora. Vamos chamar a Medicina Conservadora da USP a falar de venenos. Ela tem sido poupada.

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eunice

12 de dezembro de 2011 às 11h06

Carne verde. Negócio excelente. Em São paulo quem tifer sorte encontra carne a 60,00 reais o quilo.

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Daniel

12 de dezembro de 2011 às 09h42

Acho que falta ao MST mais empreendedorismo: por que não anunciam seus produtos na Europa? Com certeza iria vender igual água. Por que não montam uma rede lojas aqui mesmo no Brasil, onde só se vendem produtos orgânicos gerados na reforma agrária (ligados ao mst sei lá)?

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Caracol

12 de dezembro de 2011 às 09h16

Suprema contradição: Ceres, a cidade goiana, ganhou esse nome em homenagem à deusa da agricultura. Sucumbiu à monocultura. Sua agricultura para alimentar os humanos deu lugar à produção de grãos para alimentar os rebanhos lá fora e os veículos movidos a alcool.
Eu tentei me alimentar comendo guias de exportação e não deu. É ruim demais e não nutre.
E segue aqui uma informação para quem diz que não dá pra produzir alimentos sem agrotóxicos: não dá AGORA, carapálida, pois os insetos e pragas correm atrás dos cultivos que não usam agrotóxicos e inseticidas em larga escala. Eles têm que comer alguma coisa, né? Plante uma horta do lado de um terreno cheio de veneno e veja pra onde é que os insetos e as pragas vão correr…
Os caras que querem ganhar dinheiro não estão nem aí para o fato de que seus próprios filhos vão morrer de câncer. Eles se odeiam tanto por serem apenas humanos que matam os próprios filhos.
No final, a última palavra vai ser sempre da Natureza, e os babacas vão morrer como todo mundo, apenas… com uma gorda conta no banco, que eles nem vão poder usar. Ou então vão usar pagando pelos remédios que lhes vão ser empurrados goela abaixo pelos seus semelhantes, os "produtores" da indústria de remédios. Ou então pagando pelo próprio enterro. Espero que se deixem cremar, para que assim, ao menos, seus cadáveres não poluam tanto a terra onde forem sepultados.

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leandro

12 de dezembro de 2011 às 09h03

O que ainda segura as contas é o agronegócio. Ele que alavanca nossas exportações.
“O governo não tem interesse em mexer com os grandes latifundiários. Não faz a reforma agrária, porque precisa desse modelo agroexportador para garantir superávit. É um grande equívoco não democratizar a terra. Nenhum governo, inclusive os do PT, teve a coragem de enfrentar os latifundiários”, enfatiza o secretário de Políticas Sociais da CUT, Expedito Solaney. O sindicalista, que também é filiado ao Partido dos Trabalhadores, critica o corte no orçamento da União para a reforma agrária com o contigenciamento promovido pela presidente Dilma Rousseff."

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Hugo

12 de dezembro de 2011 às 08h37

Agrotóxicos são caros e, se possível, não seriam usados. Mas seria muito interessante que fosse apresentado algum estudo claro, técnico e multilateral demonstrando como a produção de alimentos orgânicos seria capaz de responder pela demanda atual por alimentos, no Brasil e no mundo – ao invés de comentários apaixonados e sem o devido suporte. Da mesma maneira, menção ao aumento de casos de câncer, por si, não permite deduzir qualquer relação com o uso de agrotóxicos. Há aumento de expectativa de vida e melhoria dos métodos de diagnóstico, cada vez mais precoce e, assim, o número de casos de câncer aumenta estatisticamente. A relação até pode haver, mas exige dados concretos para ser afirmada.

Responder

    Marcus Fitz

    12 de dezembro de 2011 às 16h58

    Hugo;

    Em alguns Estados os agrotóxicos são isentos de impostos, o que estimula seu consumo: http://www.midiaindependente.org/eo/blue/2011/08/

    A Monsanto produz o Tordon, que foi usado como arma química – classificado pelos yakees de "desfolhante" – na guerra do Vietnã, conhecido como Agente Laranja. Pesquise e verá os efeitos que esse produto causou nas pessoas. O Tordon é ainda utilizado no Brasil para capina química de ervas daninhas em diversas culturas inclusive a cana de açúcar.
    "De acordo com eminentes pesquisadores ingleses, e conforme o livro publicado pela Souza Cruz Agrotóxicos – Informações para uso médico, o herbicida roundup, utilizado nas culturas transgênicas de soja tem poder cumulativo no solo e em caso de intoxicação aguda dos agricultores não existe um antídoto, sendo, portanto, considerado como mortal." Fonte: http://www.geomundo.com.br/meio-ambiente-40149.ht

    Isso e fora outros agrotóxicos (DDT, BHC, etc.) que mesmo banidos, é sabido que, mesmo após mais de 20 anos da data em que foi proibido o uso daqueles produtos, ainda há resíduos deles, ou de seus isômeros em poços artesianos, nos lençóis freáticos e na cadeia trófica, no meio ambiente.

    Se fossem seguros, esses produtos não seriam tóxicos, não é? ;)

    MF

    Mário SF Alves

    15 de dezembro de 2011 às 01h44

    Boa idéia, Hugo. Mas, só pra levantar a bola: considerando o estado da arte no que tange à tecnologia informática atualmente disponível, especialmente a Internet, imagine o quão rápido se selecionariam os dados, e o quão rápido se obteriam os resultados de pesquisa visando a sustentabilidade da produção desses alimentos orgânicos e/ou pré-capitalistas. Tal agilidade seria inimaginável se comparada ao tempo exigido para finalidade semelhante há duas ou três décadas.
    E por que não o fazemos? Por que, por exemplo, não temos um zoneamento agroecológico competente e suficientemente capaz de garantir tal sustentabilidade? O capitalismo responde, com certeza. Mas, não apenas ele, com mais certeza ainda.

Armando Divan

12 de dezembro de 2011 às 00h56

Alimentar 7 bilhões, em breve 8, 9 ou 10 é uma empresa admirável para a humanidade, mas a estratégia atual só tem servido para ampliar o fosso entre os pobres e os ricos e destruir a base que é comum a ambos a natureza.

Responder

Armando Divan

12 de dezembro de 2011 às 00h56

Nesses livros são explicados diversos dos problemas inerentes a esse modelo ambientalmente insustentável tais como a erosão do solo, a contaminação dos águas subterrâneas e dos corpos de água, da perda de biodiversidade e muitos outros. Outro problema sério é o uso das sementes produzidas pelas grandes indústrias que estão eliminando o uso das sementes tradicionais e ao gradual desaparecimento dessas cultivares e inclusive das espécies selvagens que as originaram, e consequentemente dos gens que são importantes para a manutenção da variabilidade genética dessas populações. O uso de indivíduos geneticamente muito similares, ou até mesmo igual torna possível que uma mutação em vírus ou uma bactéria que cause uma doença torne essas plantas completamente indefesas, e onde serão encontrados os genes que permitem a aquisição de tolerância.

Responder

Armando Divan

12 de dezembro de 2011 às 00h55

Exemplos dos problemas relacionados ao modelo de agricultura convencional (chamado aqui de "agronegócio") são fartamente explicados em vários livros acadêmicos (não são livros publicados por ambientalista; são livros escritos por cientistas). Muitos desses livros em lingua inglesa estão traduzidos para o português, dos quais cito para ilustrar: ECOLOGIA VEGETAL de J. Gurevitch e colaboradores Editora ARTMED e ECOLOGIA de Cain também da Ed. ARTMED.

Responder

Armando Divan

12 de dezembro de 2011 às 00h54

O exemplo de Lucas do Rio Verde-MT é macabro, a cidade tem mais 1.200 casos de câncer para cada 100 mil habitantes, o dobro da média mundial.

Responder

Armando Divan

12 de dezembro de 2011 às 00h52

A mais 50 anos que foi publicado o livro Primavera Silenciosa (Silent Spring) de Rachel L. Carson (1962) em que ela relata o envenamento dos pássaros devido ao uso indiscriminado de agrotóxicos que quase levou a extinção da águia calva (animal símbolo dos EUA) e ainda tem pessoas que defendem esse modelo de agricultura.

Responder

Deborah

11 de dezembro de 2011 às 22h26

Onde podemos encontrar produtos agroecológicos? Há algum catálogo da produção agroecológica nas cidades. Moro em Uberlândia e não encontro tais produtos nos mercados. Quem poderia me ajudar?

Responder

Fernando

11 de dezembro de 2011 às 19h39

É de se levar em conta o que o Stédile diz…nossa agricultura está contaminada e nossa carne também…não temos pra onde correr…Chato mas é isso.

Responder

    Fabio_Passos

    11 de dezembro de 2011 às 20h59

    Exploram nossas terras e nos envenenam… o agronegócio faz um mal tremendo para o Brasil.

CLÁUDIO LUIZ PESSUTI

11 de dezembro de 2011 às 18h47

Ah, mais um setor que o governo petista "de esquerda" elencou como prioritário.Crédito e apoio incondicional.Necas de reforma agrária.Mais uma traição dos petistas.Enganaram todo mundo.No governo do "esquerdista" Lula(hoje entendo porque ele declarou que não gostava de ser chamado desta forma) e da "presidenta de esquerda que lutou contra a ditadura", quem está enchendo as burras de dinheiro são os grandes proprietários rurais, os grandes empresários e os banqueiros.Parece piada.Pro povão, muitos empregos, muito mal pagos, muitas vezes terceirizados, cooperados , pejotizados e outras fraudes.E dá-lhe financiamento e parcelamento.O camarada compra iogurte, anda num carro parcelado em 5 anos , sem seguro, compra um apto de 70 m2 , parcelado em 30 anos e acha que tá numa boa.Chora Brasil!

Responder

    Mário SF Alves

    15 de dezembro de 2011 às 08h05

    Talvez um legítimo representante da Casa-Grande fizesse melhor, não? Collor, FHC, talvez, quem sabe?

Manoel Teixeira

11 de dezembro de 2011 às 17h53

Afirmações genéricas não levam a nada. Poderiam mostrar, com dados e não com 'achismos', quais são os produtos que causas problemas, em qual quantidade de uso e quais os problemas?
Poderiam apresentar as vítimas?
Menos ideologia e mais fatos, pode ser?
Afirmações genéricas não ajudam em nada.
A questão do vinhoto, por exemplo, foi resolvida há mais de 30 anos. Ele é transformado em fertilizante.
Acreditar que a cultura extensiva é ruim por si só, em infantil demais. Assim como acreditar que dar terra a qualquer um, sem infra-estrutura de escoamento de safra e financiamento, resolve o problema.
A cultura familiar e a pequena produção é a base de produção para os ítens alimentícios. Já a cultura extensiva é a base para a produção de exportação, alcool e ração.
Colocar as duas como excludentes é mitificar a realidade.

Responder

    Hbolivar

    11 de dezembro de 2011 às 18h26

    Vítimas ?? Procure por Lucas do Rio Verde -MT. Pesquisa de SP, única que vc deve confiar, correto ??

auricelio lopes

11 de dezembro de 2011 às 17h05

Stédile TEM COMPLETA RAZÃO, TRABALHO EM UM HOSPITAL E JÁ SE PERCEBE UM AUMENTO NA ONCOLOGIA, QUIMIOTERAPIA, SAIU NO JORNAL DA BOBO TEMPOS ATRAS QUE ERA APLICADO 2X VENENO NA PLANTACAO DE TRIGO, HOJE JA AUMENTOU PARA 4, JA CHEGUEI A PENSAR QUE O CERTO ERA PRODUCAO EM GIGANTESCAS ESCALAS MAS HOJE PLANTO TOMATE EM CASA E NAO COMPRO NO MERCANTIL, VI COM MEUS OLHOS A PRODUCAO DE TOMATE E O USO DE AGROTOXICO É GRITANTE, O STEDILE NAO É NENHUM BOBO, ELE SABE O QUE DIZ, NAO DEIXEMOS PARA ACREDITAR QDO NOSSAS FAMILIAS FOREM DIZIMADAS.

Responder

Maria José Rêgo

11 de dezembro de 2011 às 14h52

Azenha, você poderia solicitar ao Stédile, que informasse a lista de produtos sem agrotóxicos para ser divulgado nas redes sociais, inclusive nos "blogs sujos". Nós não temos o poderio econômico da velha, parcial, partidária, corrupta e golpista mídia, mas já mostramos que temos união, força e vontade e coragem. Abraço.

Responder

Bruce Guimarães

11 de dezembro de 2011 às 14h37

Talvez uma saida para o mundo é viver de alimentos dos Sem-Terra!! Que tal começar a exportar esses alimentos Stédile!!! Será que vocês conseguem alimentar ao menos o meu bairro aqui em Campinas??? Fala sério, Consegues alimentar 7 bilhões de gente com Agroecologia??

Responder

    Elton

    11 de dezembro de 2011 às 21h47

    Alimentos para rebanhos na China, França, etc……..GRANDE PARTE do que expostamos às custas da degradação de nosso solo não vai alimentar pessoas.

    Bruce Guimarães

    11 de dezembro de 2011 às 22h13

    Não sabia disso, que a grande parte do que exportamos é para alimentar rebanho!!! E qual o problemas disso?? A questão de degradação do solo não está imputido no lucro? O que eu sei que a demanda por alimentos só cresce a cada ano e o nosso país é o tem espaço para crescer nesse nicho. Produzir sem agrotóxicos meu caro é muito difícil. Tenta plantar um tomatinho no quintal da tua casa. Fazer Agroecologia para meia dúzia de assentados até vai lá, mas propor isso como solução??? Aí, é forçar a barra demais!!!

    Deborah

    11 de dezembro de 2011 às 22h23

    Se é isso que você sabe, caro Bruno, você pouco sabe. Busque ai mesmo em Campinas os grupos que tratam do assunto, que fornecem a produção agroecologica para Campinas.

    Bruce Guimarães

    11 de dezembro de 2011 às 23h49

    Prezada Deborah, Se você poder ser mais clara nas suas argumentações eu agradeço!!!

Marduk

11 de dezembro de 2011 às 14h30

Sempre lembrando: Agronegócio é riqueza, não é pecado!!!

Responder

    Elton

    11 de dezembro de 2011 às 21h45

    Riqueza pra quantos, cara pálida?

    Fabio_Passos

    11 de dezembro de 2011 às 22h47

    Esta é a questão.
    Um punhado de latifundiários e algumas mega-corporações transnacionais.
    A população é envenenada para poucos abocanharem lucros, lucros, lucros…

    Também fico impressionado com a quantidade de classe-média que puxa o saco dos miliardários que controlam o sistema.
    Isto é produto da idiotia neoliberal. Propaganda divulgada todo dia o dia todo pela mídia-lixo-corporativa

    Mário SF Alves

    15 de dezembro de 2011 às 01h45

    E, o que é mais grave, até quando, caras super-pálidas?

    Guanabara

    11 de dezembro de 2011 às 21h47

    Recomendo que assista o documentário feito pela Lucélia Santos, "Terra para Rose".

    Nelson

    12 de dezembro de 2011 às 11h46

    A questão é que a riqueza é carreada para uns poucos e os gravíssimos problemas ambientais, sociais e de saúde são "socializados" com o povão.
    Então, se olharmos o todo da coisa, arrico-me a dizer que não podemos chamar a isso de riqueza.

    Marcus Fitz

    12 de dezembro de 2011 às 16h24

    Riqueza, quando sem ética não é pecado, é crime.

    MF

Rasec

11 de dezembro de 2011 às 13h37

Onde é possível, aqui em São Paulo, encontrar os produtos do MST?

Responder

    EUNAOSABIA

    11 de dezembro de 2011 às 14h37

    No MST.

EUNAOSABIA

11 de dezembro de 2011 às 13h27

Só existe um pequeno problema com a opinião do senhor Stedile, ela não encontra amparo no empirismo.

Desde que aos 17 anos de idade eu comecei a frequentar uma universidade pública que eu vejo algumas pessoas emitirem opinião desse tipo, e o que eles pregam ou dizem que vai acontecer em breve nunca se realiza.

""o modelo do agronegócio está fadado a desaparecer por conta de suas contradições internas""""

Tem coisa mais surrada do que essa????

Meu Deus, essas pessoas foram abduzidas e não sabem.

PS1 do ENS: A economia americana já começa a emitir mostras de recuperação, ou seja, a destruição do grande satã que muitos pregam e sonham em alguns espaços como este, vai ter que esperar um pouco mais.

PS2 do ENS: Fosse depender de pessoas que pensam como o senhor Stedile, a humanidade já teria sucumbido de fome.

Responder

    Maria José Rêgo

    11 de dezembro de 2011 às 14h56

    Eunaosabia, uma economia em recuperação gera desemprego, familias morando nas ruas e pedintes? É o exemplo de inúmeras cidades dos USA e em Londres.

    Vinicius Garcia

    11 de dezembro de 2011 às 16h42

    Rs, sabe desde quando o "capitalismo" fala que está resolvendo os seus proincipais problemas? Desde sua fundação, e até agora, necas de catipiriba de qualquer problema resolvido, os EUA espelho desse sistema, vive a cada período, crise após crise, é preciso muito discernimento e inocência para acreditar no que eles propagam.

    Hbolivar

    11 de dezembro de 2011 às 18h33

    Pois é, procure por Lucas do Rio Verde-MT. Pesquisa de universidade de SP, únicas confiáveis aos capitalistas.
    Não esqueça da bancada rural na câmara federal, dos incentivos polpudos dados pelo Banco do Brasil aos produtores, juros baixíssimos, dívidas perdoadas …
    Aí fica difícil a falência de um setor aparecer. Sabia que frigoríficos não pagam impostos ???
    Mora em estado "produtor" ???
    Acredito que não. Do contrário saberia da especulação imobiliária nessas regiões, com preços absurdos, muito creditados aos "produtores", QUE PEGAM MUITO DINHEIRO, QUASE SEM JUROS, E "INVESTEM" EM APARTAMENTOS E ETC.
    No Brasil este setor é o mais acobertado, Não tem planejamento regional e de produção, não esbarra em exigências para conseguir empréstimos, fundos e apoio financeiro governamental …

    Deborah

    11 de dezembro de 2011 às 22h28

    Anuncie então meu caro a recuperação dos EUA, que eu acho que a Europa ainda não está sabendo.

Fátima Oliveira

11 de dezembro de 2011 às 13h03

Stédile se engana: o veneno do agronegócio só MATA gente… Tal qual o SUAVE veneno dos transgênicos

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