VIOMUNDO

Diário da Resistência


Política

Roberto Amaral: A vitória da direita pós-política


22/12/2011 - 10h12

por Roberto Amaral, em CartaCapital, sugestão de Igor Felippe

O grande projeto da direita, impressa ou partidária, ideológica ou simplesmente financeira, é a destruição das instituições democráticas, mediante a desmoralização da política. O segundo e último momento é o esvaziamento da soberania popular, como já ocorre na Europa. Daí o ataque aos políticos, uniformemente apontados, ora como incompetentes, ora, caso brasileiro, como corruptos.

Todos sabemos como começa esse cantochão, e todos sabemos como termina, aqui e em todo o mundo: na Alemanha, construiu o  nazismo; na Itália, o fascismo; a Grécia dos anos 60 terminou na ditadura dos coronéis (1967-1974). E paro por aqui, para que a listagem não fique enfadonha, com o exemplo brasileiro de 1964, lembrando a campanha da UDN contra a ‘corrupção’ do governo João Goulart, assoalhando o desfile militar. Aliás, sem qualquer originalidade, pois assim fôra construído o golpe de 24 de agosto de 1954, que culminou no suicídio de Vargas.

Como a História não se repete, a estratégia, agora, não é mais operar mediante ditaduras impopulares (a não ser no Oriente), mas exercer o mando direto, pela associação das grandes multinacionais, que já respondem por mais de 50% do PIB mundial, e o sistema financeiro. A banca, que já governa a economia em todo o mundo, resolveu agora ela mesma dirigir os países nos quais seus interesses (leia-se a hiperacumulação financeira especulativa) possam estar ameaçados. O experimento se inicia, de forma descarada, na Grécia e na Itália.

A Europa, diz-nos o insuspeitíssimo Mário Soares, um dos responsáveis pelo desfalecimento da saudosa Revolução dos Cravos, “está entregue aos especuladores”. E, nessa Europa, alguns países (como Alemanha e França) são mais europeus que outros, como Espanha e Portugal, realmente governados pela troika FMI-BCE-Comissão Europeia, da qual a dupla Merkel-Sarkozy é simples pombo-correio.

À Espanha e  Portugal ainda é permitido escolher seus dirigentes, dentre aqueles que se revelem mais competentes e mais dóceis para aplicar as ordens da dupla. Noutros países, os políticos são responsabilizados pelos crimes da banca financeira e para governá-los são chamados os tecnocratas que engendraram a crise: são chamados pela troika e por ela indicados. Sem o menor respeito à soberania popular, e desrespeitando mesmo suas classes dominantes, que sequer foram ouvidas.

As modificações nos governos da Grécia e da Itália — esqueçamos por um momento os personagens medíocres, principalmente o burlesco Berlusconi — configuram um assalto à democracia, à soberania e à política.

O ex-primeiro ministro Papandreou foi ameaçado de crucificação por haver pretendido consultar suas vítimas, o povo grego, sobre a adoção arrocho exigido pelos tecnocratas para a ‘ajuda’ à Grécia, a qual, por seu turno e pelo mesmo motivo, esteve à beira da expulsão da Comunidade Europeia. Assim ficamos sabendo que Papandreou foi penalizado não pelos erros de sua administração desastrada, mas por haver proposto a realização de um plebiscito, um dos mais festejados institutos da democracia.

Isso irritou os democratas Merkel e Sarkozy, com os olhos voltados para seus respectivos sistemas financeiros. Um dia após receber voto de confiança do parlamento grego, Papandreou renunciou para, ainda por exigência da banca internacional, ser substituído por um tecnocrata, Lucas Papademos, egresso do MIT (EUA), que assume com a missão de compor um gabinete ‘técnico’.

Fora com os políticos! Na Grécia, na Itália e em todo o mundo, o mal da política é a política. A demissão do ridículo e corrupto Berlusconi —  que deveria estar na cadeia, tantos são seus crimes —  não se deu por decisão judicial, ou, como deve ser no parlamentarismo, por consequência de um voto de desconfiança. Mas sim pelas mãos do anônimo presidente da Itália cumprindo ordens, de novo, do casal Merkel-Sarkozy, locutores da vontade da banca. Assim foi nomeado o tecnocrata Mário Monti (egresso da Universidade de Chicago), nada mais nada menos do que ex-presidente do Goldman Sachs, o famoso gigante do mercado, com o compromisso de compor o gabinete com outros tecnocratas. Aliás, a intervenção, desta feita, não se fez ‘intra-muros’. Dias antes, o mesmo Goldman Sachs emitira uma ‘nota à imprensa’, na qual, se lia: “Um governo técnico [na Itália] teria maior credibilidade na comparação com outros executivos”. Assim, sem um voto, instala-se a ‘democracia de mercado’, que, em comum a todas as ditaduras, militares ou tecnocráticas, cultiva o sentimento de desapreço ao chamamento da cidadania.

É a pós-política, ou a democracia sem voto.

É o réquiem da União Europeia, e o fim da discurseira que falava nos valores da sociedade ocidental, dentre eles destacando-se a democracia, em nome da qual foram mortos milhões de europeus, argelinos, sírios, líbios, servos, croatas, paquistaneses, indianos, vietnamitas, africanos, afegãos…

Como todo gato escaldado deve temer água fria, seria aconselhável que nossos analistas começassem a dirigir seus olhares para a cena brasileira e fixar-se na campanha unânime que a grande imprensa, não podendo atacar os fundamentos da política econômica do governo de centro-esquerda da presidente Dilma, desenvolve contra a vida política brasileira, tentando fazer com que a cidadania brasileira se convença de que o mal de nosso país não é a desigualdade social da qual ela é servidora, mas a corrupção, da qual é beneficiária (isso não é dito) a classe dominante. Neste país estranho, os que não pagam impostos (os ricos) é que reclamam do apetite da Receita, enquanto os sindicatos silenciam quando deveriam estar nas ruas exigindo taxação progressiva; os jornalões se arvoram em defensores da liberdade de expressão quando foram associados e beneficiários da última ditadura.

A direita impressa quer fazer crer que todos os políticos brasileiros são iguais, isto é, corruptos, donde não haver saída pela política. Foi assim que a direita brasileira criou, em 1964, as condições subjetivas para o golpe militar, o qual, em seu primeiro momento, teve respaldo na sociedade brasileira, principalmente junto à classe-média que naquele então influía mais do que agora na formação do que se chama opinião pública. É construindo a ideia de que o processo representativo não resolve os problemas do país, que os políticos chegam ao poder apenas para realizar suas ‘revoluções’ pessoais, e de que o mal da democracia são os partidos, que a direita constrói o desalento coletivo, tentando fazer com que as grandes massas deixem de ver na democracia a grande alternativa, e na força do voto o poder de mudanças.

A corrupção em nosso país não é maior nem menor do que em qualquer outro país, e nunca foi combatida como está sendo, e não é nem uma deformação da democracia nem da política, porque ao lado do corrupto passivo há sempre um corruptor, que é sempre empresário.

Não é irrelevante (porque, aliás, é inédito) o fato de, em seus onze primeiros meses de governo, sete de seus ministros haverem sido demitidos pela imprensa, seis deles sob acusações de corrupção, ora não comprovadas, ora silenciadas quando o objetivo é alcançado. Os jornais que trazem o pedido de demissão do ministro do Trabalho já anunciam ‘suspeitas’ sobre outro auxiliar imediato da presidente, o honradíssimo ministro Fernando Pimentel.

No caso mais recente, a Comissão de Ética da Presidência, no meu entender exorbitando de sua competência, pede, publicamente, a demissão de um ministro, esvaziando a presidente da República do direito exclusivo de nomear e demitir seus auxiliares, um dos mandatos do sistema presidencialista que vivemos.

Para evitar novos transtornos, na tal reforma ministerial que a imprensa noticia diariamente como forma de exigência, terá antes a presidente de consultar as quatro famílias que monopolizam a informação no Brasil? Além disso, deverá consultar Febraban, FIESP e CNI?


Roberto Amaral é cientista político e ex-ministro da Ciência e Tecnologia entre 2003 e 2004.

Leia também:

Marcos Coimbra: José Serra semeou a beligerância que marca este dezembro





45 comentários

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milton anesio

28 de dezembro de 2011 às 22h26

Amnésio?
Todo esquerdista é um incapaz que precisa se associar para ser alguém na vida.
Todos sem excessão invejam aqueles que fizeram algo na vida, mas acham mortal admitir seu fracasso, e assumem a postura socializante.
Lá na frente o que todos sonham é o mesmo que o Lula.
Usar o discurso da igualdade utopica, roubar o que puder, e se tornar o capitalista sujo que condenou.
Filme repetido milhões de vezes

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francisco.latorre

24 de dezembro de 2011 às 19h50

resumiu a ópera.

o truque. o golpe. é esse mesmo.

escancarado.

despolitizar. pra dominar.

precisa ser muito trouxa. pra cair nessa.

..

essencial. o artigo esse.

no olho da mosca.

..

Responder

Mauro Silva

23 de dezembro de 2011 às 23h25

Apesar do espírito natalino, diante dessas notícias, mantenho o meu pensamento: os cidadãos devem se armar. E se armar muito bem para dissuadir a canalha; a malta que vem roubar-nos o futuro.

Responder

Fabio_Passos

23 de dezembro de 2011 às 21h29

Insuportável a pieguice udenista da direita brasileira e do PIG.
Até porque estes udenistas mediocres são os maiores corruptos do Brasil.

psdb = globo = dem = veja = estadão = pps = fsp
É tudo uma coisa só: Máfia

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tiago tobias

23 de dezembro de 2011 às 20h30

O denuncismo do PIG é seletivo. A imprensa tem por dever denunciar a corrupção, os malfeitos, os desvios. Isso é inegável. Mas essa seletividade de denúncias que só atinge o Partido dos Trabalhadores (que hoje é uma porcaria, não nego) e outras denominações de "esquerda" tem por objetivo blindar o PSDB, o DEM e seus colegas. Só bobo não enxerga isso. Por isso, o silêncio acerva do livro "A privataria tucana", que muito mais do que "mensalões", mostra o que foi de fato, o maior esquema de corrupção da história do Brasil. Por isso digo que o denuncismo midiático é seletivo e perigoso. Não que boa parte de nossos "representantes" sejam bons. Pelo contrário, Brasília mais parece um esgoto a céu aberto. Existem políticos bons, honestos, sem dúvida nenhuma. Mas essa "demonização" da política que anda em curso, nos CQC´s da vida, nos "Jornais Nacionais" da vida tem por objetivo descaracterizar o debate, as possibilidades de mudança, a política como instrumento de transformação, para entregar o poder de decisão aos bancos.

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Paulo P.

23 de dezembro de 2011 às 20h17

Primeiro episódio do Documentário Aurora, focando-se na realidade portuguesa do colapso financeiro e o colapso do Euro.

Totalmente em português para mostrar a toda a sua família neste natal. Sua família, com certeza, vai adorar saber destas coisas…!
http://www.youtube.com/watch?v=EfKX1DQhJVY&fe

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EUNAOSABIA

23 de dezembro de 2011 às 20h05

Quando a esquerda vence alguma coisa é democracia, quando perdem é golpe.

Aliás, não foi esse senhor que propôs o Brasil atômico?

Deve ser dus bão, não tinha nada melhor para propor não?

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Rodrigo

23 de dezembro de 2011 às 19h50

"O grande projeto da direita, impressa ou partidária, ideológica ou simplesmente financeira, é a destruição das instituições democráticas, mediante a desmoralização da política."

É o tipo de premissa autoritária que condena o artigo de saída.

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Hildermes Medeiros

23 de dezembro de 2011 às 19h37

Não vi economista algum que possa afirmar que, na Europa e nos EUA, estejam sendo tomadas medidas capazes de solucionar o desenfreado sistema especulativo-financeiro, que começou a ruir em 2008. Querem continuar com a mesma postura de não se envolverem diretamente com a produção, não sujar as mãos e suas cidades, para atuarem apenas no controle, na aplicação dos resultados financeiros. Essa forma de tocar a economia tem levado a cada vez mais elitizar o consumo, produzir bens sofisticados, que só os ricos tem poder para consumir, pagando cada vez menos a cada vez mais pessoas, de quem retiram todos os direitos de amparo social, que ganhando menos consomem menos, aumentando a precarização do emprego, e mesmo eliminando postos de trabalho, resultando numa sobra de recursos em poder dos ricos, sempre direcionados para aplicações financeiras. A técnica e as inovações têm feito crescer por demais a produtividade do capital produtivo, aumentando por consequência a mais valia e a taxa de lucro do sistema. Como a maior parte da produção não está ao alcance da população (cada vez mais pessoas ficam vendo vitrines, mirando produtos que até desejam, mas não podem comprar), o excesso vai para o sistema especulativo, que fica girando atrás do próprio rabo. Cada vez mais sobram mercadorias que a maioria não pode adquirir, cada vez mais o sistema procura equilibrar essa equação através do endividamento de todos, cada vez mais a solução mostra-se como uma mágica besta, mas muito dolorida para os mais pobres. O que é curioso é que os ricos, que controlam o congresso, o executivo em importantes postos e o judiciário, vão para a mídia, que também controlam, para criticar aqueles que apenas desejem minorar os problemas. Na realidade, desejam mudar o foco da discussão, só aceitam críticas que possam levar a mudanças que deixem tudo como está. É o horror econômico e a estranha ditadura branca, vigentes em todos os países, disfarçados. Não será possível por muito tempo continuar com um sistema que pouco distribui, a economia de mercado, deixando a maioria na miséria e no desespero, com discursos que não condizem com a realidade. Mesmo que não seja por bem, a primavera chegará. Não tem sentido um sistema econômico, que não se destine a prover as necessidades de todos, mas com poucas diferenças. Não tem sentido a lista da Fortune, listando 100 pessoas com fortunas em bilhões de dólares, maiores do que muitos países. A política e a economia têm que se ajustarem à primavera dos povos, que já se anuncia, não só para árabes, porque a verdade é que os mais pobres vivem escravizados, sob o tacão de ditaduras em toda parte. O aumento do nível de informação de todos, mesmo os mais pobres, que vem crescendo nos últimos anos, tende a ser um obstáculo intransponível, que irá acelerar a mudança.

Responder

José do Ceará

23 de dezembro de 2011 às 18h38

Negócios

pessoas físicas

CE é 2º em atrair investimentos do exterior 23.11.2011

No Nordeste, Ceará lidera atração de investimentos após ultrapassar o RN

Com um horizonte de incertezas na conjuntura econômica do continente europeu, que tem sofrido com desemprego crescente e arrocho fiscal, as nações emergentes, como é o caso do Brasil, tendem a ganhar ainda mais visibilidade, por apresentarem cenários mais atrativos a investimentos do que os países em deterioração. Dentro desse contexto, o Ceará tem se beneficiado e possui posição de destaque no País.

De acordo com dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), de janeiro a setembro de 2011, o Estado acumula um montante de investimentos estrangeiros de R$ 29,8 milhões, aportados por pessoas físicas.

O valor – que já fica 15% acima da soma de todo o ano passado, quando a cifra foi de R$ 25,9 milhões – coloca o Ceará como o segundo do País que absorveu esse tipo de investimento, abaixo apenas de São Paulo (com R$ 42,7 milhões).

Responder

Bernardino

23 de dezembro de 2011 às 18h05

CONcord o com o articulista na subbtacio desuas colocaçoes,menos na parte em que nivela todos paises em materia de corrupçao .Há sim paises mais corruptos que outros.É evidente!! A Banca e as grandes corporaçoes juntemente com a MIDIA corrupta governam todas ditas DEMOcracias de araques!!Os politicos votam de acordo com os interesses das corporaçoes e deixa quem os escolheu de lado(o povo),Só a politizaçao da populaçao será VACINA para destruir a Peste:CORporaçoes,BAnqueiros e MIDIA.Se preciso for usando o cassetete contra eles!!!!!

Responder

João-PR

23 de dezembro de 2011 às 18h04

Para acabar com o carrapato, o PIG quer matar o boi.
O pensamento do PIG é simples: acaba-se com a política, e acabam-se com os corruptos.
Somente um pergunta eles não respondem: se, onde há corruptos, há corruptores, por que o PIG não denuncia os corruptores???
Bando de hipócritas esses neoudenistas do PIG.

Responder

milton anesio

23 de dezembro de 2011 às 16h36

O autor do artigo, com certeza é ateu.
Por isso não tem medo de ser condenado por tantas mentiras.
Se o capitalismo tem por finalidade o fim da democracia, por que então os EUA ainda são democratas?
Não era para ser, então.
Qual país socialista, comunista, em que existem eleições?
Nenhum.
Brincadeira, perder tempo lendo tanta mentira.

Responder

    Fabio_Passos

    23 de dezembro de 2011 às 21h25

    eua democratas?
    só leitor de veja repete esta asneira.
    leitor de veja = baixo QI

    milton anesio

    01 de janeiro de 2012 às 17h39

    Bom , entendo como democracia a pratica de eleições.
    Democrata para o senhor seria a Russia ou a Coreia do Norte ou ainda Cuba?

    Mário SF Alves

    26 de dezembro de 2011 às 00h47

    milton anesio?!! Anesio?!!! Tem certeza de que não seria Aminésio?!!!!!!!!

    FranX

    04 de janeiro de 2012 às 00h42

    Digite o texto aqui![youtube FdghRwWfaOQ&feature=related http://www.youtube.com/watch?v=FdghRwWfaOQ&feature=related youtube]

FrancoAtirador

23 de dezembro de 2011 às 13h05

.
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2011/2012

Perguntas que gritam

Por Saul Leblon, no Blog das Frases, na Carta Maior

Os bancos estatais brasileiros mais que dobraram seus empréstimos desde o início da crise mundial, em setembro de 2008.

Nesses três anos, o saldo das carteiras do BB, Caixa Econômica e BNDES, entre outros, cresceu 123%.

A banca privada registrou um avanço bem mais modesto no período: 55%.

O pressuposto que orientou a contração dos empréstimos, e que levaria a uma dramática recessão não fosse o contrapeso da liquidez estatal, foi uma avaliação de risco que se revelou errada.

Em vez de aumentar, como previam os altos executivos dos bancos privados, a inadimplência, segundo informa o jornal Valor desta 5ª feira, diminuiu no período.

No caso do BNDEs, por exemplo, o maior banco estatal de desenvolvimento do Ocidente, alvo permanente da fuzilaria ortodoxa pelos critérios desenvolvimentistas de suas liberações, a taxa de inadimplência acima de 90 dias é de irrisórios 0,12%.

Na média,a inadimplência no sistema financeiro estatal é hoje inferior à metade da registrada nas corporações de crédito privadas (2,1% e 4,8%).

Resumindo, na decisiva artéria do crédito à economia, os bancos estatais reagem mais depressa e com maior acerto diante de uma crise; dispõem de analistas de conjuntura mais competentes e administram com maior eficácia o risco da inadimplência.

Uma das perguntas que a crise grita aos ouvidos da esquerda brasileira e mundial – que até agora fez ouvidos moucos a ela – argui precisamente isso:

Por que uma área tão importante quanto o fornecimento do crédito à economia deve permanecer predominantemente em mãos particulares se quando a sociedade mais precisa dela ouve um esférico ' salve-se quem puder'?

Sobretudo numa Europa agônica, cuja economia encontra-se travada pelo espectro do esfarelamento bancário – que só respira a custa de gigantesca transfusão de meio trilhão de euros dos contribuintes, a juros de pai para filho de 1% ao ano – por que a estatização do setor financeiro continua ausente do discurso da esquerda?

http://cartamaior.com.br/templates/blogMostrar.cf

Responder

Antonio

23 de dezembro de 2011 às 13h03

Não queira nos enganar, Roberto Amaral, pois a corrupção no Brasil é uma chaga que emperra o avanço social no País, truncando todo o desenvolvimento. É só analisar o Estado de SP e seu sistema de transporte, de construção de infraestrutrua, sua Educação, Saúde e Segurança Pública. A maior parte da grana, deslavadamente e descaradamente, é transferida para a corrupção. É enorme a corrupção no País. E a direita corrupta está caindo, junto com sua elite e seus meios de comunicação. Caminhamos para a democracia. Não a conquistamos ainda, pois os fantasmas da ditadura e do neoliberalismos ainda estão vivos e se arrastam pela política, nos poderes brasileiros, na combalida Justiça e nas polícias. Nosso processo histórico é bem diferente do dos países do primeiro mundo. Estamos aprendendo a não ser colônia. Quem sabe chegará o dia em que coloquemos esses gringos sangue-sugas para fora daqui?

Responder

    João Bosco Rocha

    23 de dezembro de 2011 às 15h09

    Só que a bandeira da corrupção está sendo apropriada por nada menos que os próprios corruptos, aqueles que vieram com a sanha privatista, que venderam o nosso patrimônio a preço de banana, e vem posando de santo durante todos esses anos em que estão na oposição.

Lucas Villa

23 de dezembro de 2011 às 12h23

"A corrupção em nosso país não é maior nem menor do que em qualquer outro país"

É nisso que você quer que acreditemos? Que a corrupção é igual em todo lugar? Mentira.

Ranking dos países menos corruptos:

1 New Zealand 9.5
2 Denmark 9.4
2 Finland 9.4
4 Sweden 9.3
5 Singapore 9.2
6 Norway 9.0
7 Netherlands 8.9
8 Australia 8.8
8 Switzerland 8.8
10 Canada 8.7
11 Luxembourg 8.5
12 Hong Kong 8.4
13 Iceland 8.3
14 Germany 8.0
14 Japan 8.0
16 Austria 7.8
16 Barbados 7.8
16 United Kingdom 7.8
19 Belgium 7.5
19 Ireland 7.5
21 Bahamas 7.3
22 Chile 7.2
22 Qatar 7.2
24 United States 7.1
25 France 7.0
25 Saint Lucia 7.0
25 Uruguay 7.0
28 United Arab Emirates 6.8
29 Estonia 6.4
30 Cyprus 6.3
31 Spain 6.2
32 Botswana 6.1
32 Portugal 6.1
32 Taiwan 6.1
35 Slovenia 5.9
36 Israel 5.8
36 Saint Vincent and
the Grenadines
5.8
38 Bhutan 5.7
39 Malta 5.6
39 Puerto Rico 5.6
41 Cape Verde 5.5
41 Poland 5.5
43 Korea (South) 5.4
44 Brunei 5.2
44 Dominica 5.2
46 Bahrain 5.1
46 Macau 5.1
46 Mauritius 5.1
49 Rwanda 5.0
50 Costa Rica 4.8
50 Lithuania 4.8
50 Oman 4.8
50 Seychelles 4.8
54 Hungary 4.6
54 Kuwait 4.6
56 Jordan 4.5
57 Czech Republic 4.4
57 Namibia 4.4
57 Saudi Arabia 4.4
60 Malaysia 4.3
61 Cuba 4.2
61 Latvia 4.2
61 Turkey 4.2
64 Georgia 4.1
64 South Africa 4.1
66 Croatia 4.0
66 Montenegro 4.0
66 Slovakia 4.0
69 Ghana 3.9
69 Italy 3.9
69 FYR Macedonia 3.9
69 Samoa 3.9
73 Brazil 3.8
http://www.transparency.org/policy_research/surve

Parei no Brasil porque a lista tem 143 países.

Mas e então, a corrupção é igual em todo lugar?

Aliás, vamos a um exemplo. Quando alguém encontra dinheiro no Brasil e devolve ao dono, vira noticias em todas as TV's, jornais, internet etc. Ou seja, é um engano de quem pensa que no Brasil só os políticos são corruptos.

A corrupção no Brasil é generalizada.

Responder

    João Bosco Rocha

    23 de dezembro de 2011 às 15h15

    Quem são essas divindades, esses escolhidos, que se julgam no direito de estabelecer uma nota para os países, com que método. Explicitaram suas ferramentas de diagnóstico? E principalmente com que direito, quem outorgou a eles esse direito?

    Lucas Villa

    23 de dezembro de 2011 às 16h19

    Quem te outorgou o direito de contestar o método deles? Você tem um próprio?

    Mostre-nos seus dados.

    O cara realmente acredita nisso, o sujeito crê que a corrupção que temos no Brasil é igual à de todos os outros países.

    Na boa, isso é uma doença moral.

    João Bosco Rocha

    23 de dezembro de 2011 às 23h28

    Meu caro, quem faz uma lista assim tem que que mostrar COMO fez, não é mesmo?

    Lucas Villa

    24 de dezembro de 2011 às 16h08

    Ta aí o que voce queria, como diria aquele narrador:
    http://www.transparency.org/policy_research/surve

    Leia você mesmo, pare de tentar tapar o sol com a peneira.

    fog

    23 de dezembro de 2011 às 16h09

    Por acaso não foi na Finlândia (3º) que os bancos quebraram e o país também, em consequência de práticas ilícitas e desvios de dinheiro?
    O 8º colocado não é aquela conhecida lavanderia? Os corruptos brasileiros e do resto do mundo não costumam manter contas secretas neste pais?
    O 19º também não quebrou por desvios de dinheiro e barberagens financeiras altamentew suspeitas?
    Os USA, 24º, não são os maiores saqueadores do mundo?
    E a Arabia Saudita, 57º, o que dizer desta ditadura corrupta?

    Bom dá para analisar quase todos da lista…

    Bonifa

    23 de dezembro de 2011 às 19h36

    Quem fez o levantamento? De onde vem essa annálise? Quais as definições, os conceitos, os quantitativos, as pesquisas, a metodologia usada? Não se compra qualquer coisa supondo ser de boa origem. Neste caso, nem a grife mais séria pode estar fora de suspeita sobre segundas intenções políticas e econômicas.

    Lucas Villa

    24 de dezembro de 2011 às 09h28

    "De onde vêm os números", "qual a metodologia", bla bla bla.

    Está aqui:
    http://www.transparency.org/policy_research/surve

    Leiam vocês mesmos e parem de tentar tapar o sol com a peneira.

    francisco.latorre

    24 de dezembro de 2011 às 19h48

    caipirão.

    não conhece nem a esquina.

    tombalata. rasga-saco.

    sem jeito.

    ..

Lucas Villa

23 de dezembro de 2011 às 11h39

É sempre assim.

Quando os governos de esquerda pipocavam na Europa nunca vimos o pessoal da direita criando mil e uma teorias para justificar esse fato.

Quando a esquerda FRACASSA e é derrotadas na urnas, praticamente sendo eliminada do poder naquele continente, aparecem mil e uma teorias mirabolantes e justificativas para isso.

Agora os votos que tiraram a esquerda do poder não foram votos democráticos, foram os "votos da mídia e das empresas".

A esquerda nunca perde uma eleição, ela jamais naufraga, seus políticos nunca são corruptos, seus governos sempre são perfeitos. Quando o revés acontece, é culpa da "mídia", das "corporações", o povo não decide nada (só quando a esquerda ganha).

Haja paciência para ler essas tolices e infantilidades.

O mais incrível é que tem gente que realmente acredita nas coisas ditas em textos como esse.

Responder

    João Bosco Rocha

    23 de dezembro de 2011 às 15h21

    Meu caro Lucas, me aponte aonde, em que jornal, em que revista, em que tv, um artigozinho qualquer, aceito até mesmo uma palavrinha, você já leu ou escutou alguma coisa "contra" o nosso presidente de nascença José Serra ou do erudito que ninguém nunca leu, FHC. Me diga aqui e agora, se for capaz! E aí você vai sentir que essa teoria da mídia NÃO É só uma teoria, trata-se de uma dura realidade, meu caro. Um feliz natal para você!

Morvan

23 de dezembro de 2011 às 11h30

Bom dia.

"… a Comissão de Ética da Presidência, no meu entender exorbitando de sua competência, pede, publicamente, a demissão de um ministro, esvaziando a presidente da República do direito exclusivo de nomear e demitir seus auxiliares, …".

Nem devo entrar no mérito dos componentes da dita Comissão (só pontuo que o sr. Sepúlveda Pertence, Presidente de Comissão, é o refugador-mor no caso da "anistia" aos militares).
Pelo menos uma coisa muito boa para o país aconteceu com o lançamento do livro-bomba do Amaury: a sanha denuncista do PIG arrefeceu bastante, já que eles estão, até ora, procurando uma alternativa para sair das cordas.
Se a Presidente Dilma exercesse o seu poder na exata proporção de poder, no caso específico do presidencialismo à brasileira, nem precisaria do livro do Amaury, para isso. Ela teria dado um basta na onda lacerdista de uma só tacada.

Atenção MP: alguém dos doutos senhores deste Colégio já tomou conhecimento do livro do Amaury?

:-)

Morvan, Usuário Linux #433640.

Responder

    HMS TIRELESS

    23 de dezembro de 2011 às 17h45

    Ministério Público não é um órgão da inquisição a serviço do ParTido, portanto apenas denuncia com base em fatos concretos e não com base em simples alegações

    Morvan

    24 de dezembro de 2011 às 00h56

    Boa noite.

    Concordo totalmente com você, HMS TIRELESS. "… não é um órgão da inquisição a serviço do ParTido…". Acredito que ninguém há afirmado isto.
    O MP é o Custus Legis da sociedade. Deveria agir, de ofício, pois fatos há, sobejamente.

    :-)

    Morvan, Usuário Linux #433640.

Orlando Bernardes

23 de dezembro de 2011 às 11h16

Excelente artigo!

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HMS TIRELESS

23 de dezembro de 2011 às 11h15

Como bem asseverou alguém, o maior culpado pelo descrédito dos políticos é a própria classe política afinal fazem da política um fim em si mesmo. Basta ver o nível de mediocridade alarmante das últimas legislaturas do congresso nacional, fruto de um sistema eleitoral anacrônico e terceiro-mundista pensado especificamente para a manutenção das oligarquias e grupos de interesse danosos ao país. A solução apresentada na tal "Reforma Política"? coisas piores como financiamento público exclusivo de campanha e voto em lista fechada, este último um flagrante e contundente atentado à democracia na medida em que retira do eleitor a liberdade de escolha dos seus representantes e consagra os partidos que possuem donos. E o que dizer então da censura aos meios de comunicação travestida de "regulação"? Isso decorre da constatação de que o ParTido atualmente no poder, fiel aos modelos que lhe servem de exemplo (Cuba, Venezuela, Irã e mais recentemente Argentina), simplesmente não concebe ser criticado.

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    João Bosco Rocha

    23 de dezembro de 2011 às 15h33

    Acontece que essa regulação já existe na Argentina, nos Estados Unidos, e em muitos países da Europa. Agora eu pergunto, por quê, mas por quê a nossa idolatrada mídia não pode ter uma regulação? Todas as profissões tem o seu conselho próprio, sabia? A minha profissão é regulada pelo CREA, a dos médicos é regulada pelo CRM, a dos advogados pela OAB, "todas" tem, só um grupinho de privilegiados NÃO PODE TER, a dos jornalistas. É bonito isso? Se alguém quiser clinicar sem ser formado, vai preso, advogados que que atuam para o crime são preso, engenheiros que cometem erros em obras são processados, mas os bonitinhos da imprensa, com seus veículos de informação podem ofender a honra de qualquer um e jogam com o tempo, protelando o seu julgamento, porque não tem um conselho. Dizem que fazem isso em nome da liberdade de imprensa. Deles.

Bonifa

22 de dezembro de 2011 às 22h37

Excelente artigo, com a precisa didática política. Observamos que na Espanha foi nomeado o ex-presidente local do Lehman Brothers como Ministro da Economia. Entretanto, o mais importante que temos a observar é que o mito expresso como verdade racional, no melhor figurino de falsa racionalidade que caracteriza o liberalismo ocidental, é o mito de que os interventores destes países sejam "técnicos". Ou seja, é o mito de que estejam operando em concordância com uma ciência universal e uma racionalidade incontestável, que na verdade simplesmente não existem. Os interventores são meros agentes políticos de uma ocupação que em vários países europeus está acontecendo subreptíciamente, de modo progressivo e silencioso. Os supostos governos "técnicos" vêm para efetuar da maneira menos traumática possível, mas ao mesmo tempo do modo mais intransigente, a defesa dos interesses de seus mandantes máximos: Os do sistema financeiro. Como se vê, tudo é política. O fascismo e o nazismo também eram políticas, mas esta nova forma de dominação política ainda não está convenientemente denominada. Neoliberalismo é termo provisório, mas é pouco para ela.

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Jorge Nunes

22 de dezembro de 2011 às 21h14

Assisti agora a propaganda do PTB liderada por Robeto Jeffeson, parece que o tom da campanha da direita vai ser religioso.

A cena do aposentado crucificado no leito do hospital foi muito de mal gosto.

E todo slogan da direita financeira estava presentes:

– Quanto mais Estado, mais corrupção – Esqueceu que inventaram a internet e não é isso que vemos na Europa e nos EUA ( A Grécia que o diga).

Basicamente ele misturou religião, neoliberalismo e muito sofismo como faz o atual Tea Party nos EUA, que agora vem sendo contestado nos EUA pela população.

Serra fez o mesmo em 2010 desistiu da politica para fazer uma campanha religiosa de cunho moralista. Pela propaganda do PTB o apelo ao lado mais sombrio da religião vai continuar.

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Polengo

22 de dezembro de 2011 às 20h09

Muito bom, faz todo o sentido.
"Já que nós, que somos os melhores (serra, bhc) não conseguimos fazer nada que preste, ninguém conseguirá". Todo mundo é ruim.

Mas na época da ditadura, do nazismo, etc., não tinha internet.

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BigusDigus

22 de dezembro de 2011 às 17h15

A demonização da política é obra dos… políticos. O afastamento das práticas políticas da moralidade é que leva a isso, e não um complô do sistema financeiro e das multinacionais. Até porque, convenhamos, se forem criadas condições para a vinda de uma "messias", o único sujeito sendo mistificado e "messianificado" nos dias de hoje é o próprio Lula.

Para mim está claro: o complô anti-democrático é exercido pela própria classe política, e não por quem a queira demonizar.

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    Jorge Nunes

    22 de dezembro de 2011 às 19h36

    A mídia dá uma mão por não fazer o jornalismo.

    Deveriam informar melhor como funciona a democracia. Mas, a mídia brasileira praticamente exalta a ditadura.

    Bonifa

    22 de dezembro de 2011 às 20h21

    Hoje, a classe política dirigente em quase todo o mundo ocidental está, de muito bom grado, a serviço do sistema financeiro internacional e do conjunto das grandes corporações. A eles é submissa e a eles obedecem cegamente.

João Medeiros

22 de dezembro de 2011 às 11h24

Excelente texto. A demonização da política e seus atores só serve para criar ambiente favorável ao surgimento de um "Messias" que, investido do poder "divino" de restabelecer a ordem natural das coisas, dissolve o congresso, o judiciário e as outras instituições democráticas que poderiam representar risco à execução de sua missão "celestial". Naturalmente que tal Messias seria egresso da elite financeira. É bom lembrar que um "ditador" pode chegar ao poder legitimado pelo voto popular.

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Pedro

22 de dezembro de 2011 às 11h03

Seu artigo é ótimo. Discordâncias? Tenho. Acho que a crise da democracia é decorrente da crise do capitalismo. Coisa que não é nova, e que vem acontecendo e se agravando desde a 1ª Guerra Mundial. Tanto a 1ª quanto a 2ª guerra mundial não são coisas do passado. Elas são intrínsecas à existência de uma forma de produzir que só encontra alento na destruição de boa parte da riqueza que acabou de produzir. Essa é a sua lógica, a que está presente na existência agora de bilhões de homens que não podem, porque o capital não lhes permite, produzir nas condições altamente civilizadas e altamente técnicas que o próprio capitalismo criou. Se lembra do busílis de que falava Marx a respeito da acumulação capitalista? Ele está funcionando a pleno vapor nesta crise de agora, da qual o capitalismo só poderá sobreviver com um imenso holocausto. O que há de promissor em todo isso é que a democracia que está vindo por aí não mais será comandada pelos donos do capital e bafejada pela sabedoria de uma intelectualidade que tratou a exploração capitalista como normal e natural.

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