VIOMUNDO

Diário da Resistência


Política

Stéphane Hessel: “Os bancos estão contra a democracia”


20/12/2011 - 11h25

Aos 94 anos, depois de lutar na Resistência, sobreviver aos campos nazistas e escrever a Declaração Universal dos Direitos Humanos, Stéphane Hessel publicou um livrinho de 32 páginas, Indignem-se, que teve eco global. Em entrevista ao Página/12 ele fala sobre sua obra e critica o ultra liberalismo predador, a servidão da classe política ao sistema financeiro, a anexação da política pela tecnocracia financeira, as indústrias que destroem o planeta e a ocupação israelense da Palestina.

por Eduardo FebbroPágina/12, via Carta Maior

A revolta não tem idade nem condição. Nos seus afáveis, lúcidos e combativos 94 anos, Stéphane Hessel encarna um momento único na história política humana: ter conseguido desencadear um movimento mundial de contestação democrática e cidadã com um livro de escassas 32 páginas: Indignem-se. O livro foi lançado na França em outubro de 2010 e em março de 2011 se converteu no alicerce do movimento espanhol dos indignados.

O quase um século de vida de Stéphane Hessel se conectou primeiro com a juventude espanhola que ocupou a Puerta del Sol e depois com os demais protagonistas da indignação que se tornou planetária: Paris, Londres, Roma, México, Bruxelas, Nova York, Washington, Tel-Aviv, Nova Déli, São Paulo. Em cada canto do mundo e sob diferentes denominações, a mensagem de Hessel encontrou um eco inimaginável.

Seu livro, entretanto, não contém nenhum discurso ideológico, menos ainda algum chamado à excitação revolucionária. Indignem-se é, ao mesmo tempo, um convite a tomar consciência sobre a forma calamitosa em que estamos sendo governados, uma restauração nobre e humanista dos valores fundamentais da democracia, um balde de água fria sobre a adormecida consciência dos europeus convertidos em consumidores obedientes e uma dura defesa do papel do Estado como regulador. Não deve existir na história editorial um livro tão curto com um alcance tão extenso.

Quem olhe a mobilização mundial dos indignados pode pensar que Hessel escreveu uma espécie de panfleto revolucionário, mas nada é mais estranho a essa idéia. Indignem-se e os indignados se inscrevem em uma corrente totalmente contrária a que se desatou nas revoltas de Maio de 68. Aquela geração estava contra o Estado. Ao contrário, o livro de Hessel e seus adeptos reivindicam o retorno do Estado, de sua capacidade de regular. Nada reflete melhor esse objetivo que um dos slogans mais famosos que surgiram na Puerta del Sol: “Nós não somos anti-sistema, o sistema é anti-nós”.

Em sua casa de Paris, Hessel fala com uma convicção na qual a juventude e a energia explodem em cada frase. Hessel tem uma história pessoal digna de uma novela e é um homem de dois séculos. Diplomata humanista, membro da Resistência contra a ocupação nazista durante a Segunda Guerra Mundial, sobrevivente de vários campos de concentração, ativo protagonista da redação da Declaração Universal dos Direitos Humanos, descendente da luta contra essas duas grandes calamidades do século XX que foram o fascismo e o comunismo soviético. O nascente século XXI fez dele um influente ensaísta.

Quando seu livro saiu na França, as línguas afiadas do sistema liberal desceram sobre ele um aluvião de burlas: “o vovozinho Hessel”, o “Papai Noel das boas consciências”, diziam no rádio e na televisão os marionetes para desqualificá-lo. Muitos intelectuais franceses disseram que essa obra era um catálogo de banalidades, criticaram seu aparente simplismo, sua superficialidade filosófica, o acusaram de idiota e de anti-semita. Até o primeiro-ministro francês, François Fillon, desqualificou a obra dizendo que “a indignação em si não é um modo de pensamento”. Mas o livro seguiu outro caminho. Mais de dois milhões de exemplares vendidos na França, meio milhão na Espanha, traduções em dezenas de países e difusão massiva na Internet.

O ultra-liberalismo predador, a corrupção, a impunidade, a servidão da classe política ao sistema financeiro, a anexação da política pela tecnocracia financeira, as indústrias que destroem o planeta, a ocupação israelense da Palestina, em suma, os grandes devastadores do planeta e das sociedades humanas encontraram nas palavras de Hessel um inimigo inesperado, um “argumentário” de enunciados básicos, profundamente humanista e de uma eficácia imediata. Sem outra armadura além de um passado político de social-democrata reformista e um livro de 32 páginas, Hessel opôs ao pensamento liberal consumista e ao consenso um dos antídotos que eles mais temem, ou seja, a ação.

Não se trata de uma obra de reflexão política ou filosófica, mas de uma radiografia da desarticulação dos Estados, de um chamado à ação para que o Estado e a democracia voltem a ser o que foram. O livro de Hessel se articula em torno da ação, que é precisamente ao que conduz à indignação: resposta e ação contra uma situação, contra o outro. O que Hessel qualifica como mon petit livre é uma obra curiosa: não há nenhuma novidade nela, mas tudo o que diz é uma espécie de síntese do que a maior parte do planeta pensa e sente cada manhã quando se levanta: exasperação e indignação.

Você foi, de alguma maneira, o homem do ano. Seu livro foi sucesso mundial e acabou se convertendo no foco do movimento planetário dos indignados. Houve, de fato, duas revoluções quase simultâneas no mundo, uma nos países árabes e a que você desencadeou em escala planetária.

Nunca previ que o livro tivesse um êxito semelhante. Ao escrevê-lo, havia pensado em meus compatriotas para dizer a eles que o modo no qual estão sendo governados propõe interrogações e que era preciso indignar-se diante dos problemas mal solucionados. Mas não esperava que o livro fosse lançado em mais de quarenta países nos quatro pontos cardeais. Mas eu não me atribuo nenhuma responsabilidade no movimento mundial dos indignados. Foi uma coincidência que o meu livro tenha aparecido no mesmo momento em que a indignação se expandia pelo mundo. Eu só convidei as pessoas a refletirem sobre o que elas acham inaceitável. Acho que a circulação tão ampla do livro se deve ao fato de que vivemos um momento muito particular da história de nossas sociedades e, em particular, desta sociedade global na qual estamos imersos há dez anos. Hoje vivemos em sociedades interdependentes, interconectadas. Isto muda a perspectiva. Os problemas aos que estamos confrontados são mundiais.

As reações que seu livro desencadeou provam que existe sempre uma pureza moral intacta na humanidade?

O que permanece intacto são os valores da democracia. Depois da Segunda Guerra Mundial resolvemos problemas fundamentais dos valores humanos. Já sabemos quais são esses valores fundamentais que devemos tratar de preservar. Mas quando isto deixa de ter vigência, quando há rupturas na forma de resolver os problemas, como ocorreu após os atentados de 11 de setembro, da guerra no Afeganistão e no Iraque e a crise econômica e financeira dos últimos quatro anos, tomamos consciência de que as coisas não podem continuar assim. Devemos nos indignar e nos comprometer para que a sociedade mundial adote um novo curso.

Quem é responsável de todo este desastre? O liberalismo ultrajante, a tecnocracia, a cegueira das elites?

Os governos, em particular os governos democráticos, sofreram uma pressão por parte das forças do mercado à qual não souberam resistir. Essas forças econômicas e financeiras são muito egoístas, só buscam o beneficio em todas as formas possíveis sem levar em conta o impacto que essa busca desenfreada do lucro tem nas sociedades. Não lhes importa nem a dívida dos governos, nem os ganhos medíocres das pessoas. Eu atribuo a responsabilidade de tudo isto às forças financeiras. Seu egoísmo e sua especulação exacerbada são também responsáveis pela deterioração do nosso planeta. As forças que estão por trás do petróleo, da energia não-renovável nos conduzem a uma direção muito perigosa.

O socialismo democrático teve seu momento de glória depois da Segunda Guerra Mundial. Durante muitos anos tivemos o que se chama Estados de providência. Isto derivou em uma boa fórmula para regular as relações entre os cidadãos e o Estado. Mas depois nos distanciamos desse caminho sob a influência da ideologia neoliberal. Milton Friedman e a Escola de Chicago disseram: “deixem a economia com as mãos livres, não deixem que o Estado intervenha”. Foi um caminho equivocado e hoje nos damos conta de que nos encerramos em um caminho sem saída. O que aconteceu na Grécia, Itália, Portugal e Espanha nos prova que não é dando cada vez mais força ao mercado que se chega a uma solução. Não. Essa tarefa compete aos governos, são eles que devem impor regras aos bancos e às forças financeiras para limitar a sobre exploração das riquezas que eles detêm e a acumulação de benefícios imensos enquanto os Estados se endividam. Devemos reconhecer que os bancos estão contra a democracia. Isso não é aceitável.

É chocante comprovar a indiferença da classe política ante a revolta dos indignados. Os dirigentes de Paris, Londres, Estados Unidos, em suma, ali onde estourou este movimento, se omitiram diante das reivindicações dos indignados.

Sim, é verdade. Por enquanto se subestimou a força desta revolta e desta indignação. Os dirigentes disseram uns aos outros: isto nós já vimos antes, em Maio de 68, etc., etc. Acho que os governos se equivocaram. Mas o fato de que os cidadãos protestem pela forma em que estão sendo governados é algo muito novo e essa novidade não se deterá. Predigo que os governos se verão cada vez mais pressionados pelos protestos contra a maneira em que os Estados são governados. Os governos se empenham em manter o sistema intacto. Entretanto, o questionamento coletivo do funcionamento do sistema nunca foi tão forte como agora. Na Europa atravessamos um momento muito denso de questionamento, tal como aconteceu antes na América Latina. Eu estou muito orgulhoso pela forma como a Argentina soube superar a gravidade da crise. Isto prova que é possível atuar e que os cidadãos são capazes de mudar o curso das coisas.

De alguma maneira, você acendeu a chama de uma espécie de revolução democrática. Entretanto, não convocou uma revolução. Qual é então o caminho para romper o cerco no qual vivemos? Qual é a base do renascimento de um mundo mais justo?

Devemos transmitir duas coisas às novas gerações: a confiança na possibilidade de melhorar as coisas. As novas gerações não devem perder a esperança. Em segundo lugar, devemos fazê-los tomar consciência de tudo o que está se fazendo atualmente e que está no sentido correto. Penso no Brasil, por exemplo, onde houve muitos progressos, penso na presidenta Cristina Fernández de Kirchner, que também fez as coisas progredirem muito, penso também em tudo o que se realiza no campo da economia social e solidária em tantos e tantos países. Em tudo isto há novas perspectivas para encarar a educação, os problemas da desigualdade, os problemas ligados à água. Tem gente que trabalha muito e não devemos subestimar seus esforços, inclusive se o que se consegue é pouco por causa da pressão do mundo financeiro. São etapas necessárias.

Acho que, cada vez mais, os cidadãos e as cidadãs do mundo estão entendendo que o seu papel pode ser mais decisivo na hora de fazer entender aos governos, que são responsáveis pela vigência dos grandes valores, que esses mesmos governos estão deixando de lado. Há um risco implícito: que os governos autoritários acabem empregando a violência para calar as revoltas. Mas acho que isso já não é mais possível. A forma pela qual os tunisianos e os egípcios se livraram de seus governos autoritários mostra duas coisas: uma, que é possível; dois, que com esses governos não se progride. O progresso só é possível se for aprofundada a democracia. Nos últimos 20 anos a América Latina progrediu muitíssimo graças ao aprofundamento da democracia.

Em escala mundial, mesmo com as coisas que se conseguiram, mesmo com os avanços que se obtiveram com a economia social e solidária, tudo isto é extremamente lento. A indignação se justifica nisso: os esforços realizados são insuficientes, os governos foram débeis e até os partidos políticos da esquerda sucumbiram ante a ideologia neoliberal. Por isso devemos nos indignar. Se os meios de comunicação, se os cidadãos e as organizações de defesa dos direitos humanos forem suficientemente potentes para exercer uma pressão sobre os governos as coisas podem começar a mudar amanhã.

Pode-se mudar o mundo sem revoluções violentas?

Se olharmos para o passado, veremos que os caminhos não-violentos foram mais eficazes que os violentos. O espírito revolucionário que empolgou o começo do século XX, a revolução soviética, por exemplo, conduziram ao fracasso. Homens como o checo Vaclav Havel, Nelson Mandela ou Mijail Gorbachov demonstraram que, sem violência, podem-se obter modificações profundas. A revolução cidadã que assistimos hoje pode servir a essa causa. Reconheço que o poder mata, mas esse mesmo poder se vai quando a força não-violenta ganha. As revoluções árabes nos demonstraram a validade disto: não foi a violência quem fez cair os regimes de Túnis e do Egito. Não, nada disso. Foi a determinação não violenta das pessoas.

Em que momento você acha que o mundo se desviou de sua rota e perdeu sua base democrática?

O momento mais grave se situa nos atentados de 11 de setembro de 2001. A queda das torres de Manhattan desencadeou uma reação do presidente estadunidense George W. Bush extremamente prejudicial: a guerra no Afeganistão, por exemplo, foi um episódio no qual se cometeu horrores espantosos. As conseqüências para a economia mundial foram igualmente muito duras. Foram gastas somas consideráveis em armas e na guerra em vez de colocá-las à disposição do progresso econômico e social.

Você marca com muita profundidade um dos problemas que permanecem abertos como uma ferida na consciência do mundo: o conflito israelense-palestino.

Este conflito dura há 60 anos e ainda não se encontrou a maneira de reconciliar estes dois povos. Quando se vai à Palestina voltamos traumatizados pela forma como os israelenses maltratam seus vizinhos. A Palestina tem direito a um Estado. Mas também tem que reconhecer que, ano após ano, presenciamos como aumenta o grupo de países que estão contra o governo israelense, por sua incapacidade de encontrar uma solução. Pudemos constatar isso com a quantidade de países que apoiaram o presidente palestino Mahmud Abbas, quando pediu, diante das Nações Unidas, que a Palestina seja reconhecida como um Estado de pleno direito no seio da ONU.

Seu livro, suas entrevistas e mesmo este diálogo demonstram que, apesar do desastre, você não perdeu a esperança na aventura humana.

Não, pelo contrário. Acho que diante das gravíssimas crises que atravessamos, de repente o ser humano acorda. Isso aconteceu muitas vezes ao longo dos séculos e desejo que volte a ocorrer agora.

– “Indignação” é hoje uma palavra-chave. Quando você escreveu o livro, foi essa palavra a que o guiou?

A palavra indignação surgiu como uma definição do que se pode esperar das pessoas quando abrem os olhos e vêem o inaceitável. Pode-se adormecer um ser humano, mas não matá-lo. Em nós há uma capacidade de generosidade, de ação positiva e construtiva que pode despertar quando assistimos a violação dos valores. A palavra “dignidade” figura dentro da palavra “indignidade”. A dignidade humana desperta quando é encurralada. O liberalismo bem que tentou anestesiar essas duas capacidades humanas – a dignidade e a indignação-, mas não conseguiu.

Tradução: Libório Júnior

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17 comentários

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lukaspereira

22 de dezembro de 2011 às 14h33

DIRETO DA ISTO É: A RIQUEZA MUNDIAL ESTÁ MUDANDO DE LADO. http://desatualidadescronicas.blogspot.com/2011/1
O mundo mudou muito, 2011 foi um divisor de águas…

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Marat

22 de dezembro de 2011 às 11h35

Bancos sempre foram, e sempre serão capitalistas, portanto, nunca serão democráticos!

Responder

Bonifa

21 de dezembro de 2011 às 20h37

Ex-presidente do Lehman Brothers para a península Ibérica foi nomeado ministro da Economia da Espanha:
. http://www.lemonde.fr/crise-financiere/article/20

Responder

CMundim

21 de dezembro de 2011 às 16h25

Parte 1

Durante as duas últimas décadas o equilíbrio de poder entre a política e o comércio mudou radicalmente, deixando os políticos cada vez mais subordinados ao colossal poder econômico do grande negócio, ao Mercado. Desde o seu desencadeamento pela dupla Thatcher-Reagan, este processo cresceu nas últimas duas décadas quase sem nenhuma oposição ou contestamento da sociedade civil.

Os meios tradicionais de comunicação, sendo parte do Mercado e dele dependente, renderam-se ao consenso e calaram vozes dissidentes nas matrizes e nas periferias do grande capital. Nos protestos populares contra a globalização e o G-7, foram infiltrados agentes provocadores e tudo que foi passado na TV e estampado nos jornais e revistas foram a baderna e o quebra-quebra, a grande imprensa desmoralizou a resistência à globalização e ao Mercado como simples arruaças de baderneiros anarquistas.

Nas periferias do grande capital a imprensa tradicional demoniza os poucos governos verdadeiramente populares como opositores da democracia ocidental (consenso do Mercado), loucos, megalomaníacos e populistas ditadores comunistas. A supressão de politicas de inclusão social e de qualquer questionamento ao consenso do Mercado é impiedosamente atacada e ao mesmo tempo vendida pela grande imprensa aos incautos e desinformados como agressão a democracia e ao progresso.

Independentemente da forma como enfrentamos ou olhamos para este processo de dominação que estamos vivendo, as empresas estão assumindo cada vez mais as responsabilidades de governo, e estão de fato definindo a esfera pública. O Estado político tornou-se o estado corporativo.

Governos, por não reconhecer o risco da aquisição do estado pelas grandes corporações, estão quebrando o contrato implícito entre o Estado e o cidadão, contrato que está no cerne de uma sociedade democrática, fazendo com que a rejeição das urnas e aos partidos políticos, o abraçar de formas não tradicionais de expressão política uma idéia cada vez mais atraente senão única no enfrentamento deste consenso imposto pelo Mercado.

Hoje, graças à internet o mundo está sintonizado com o mundo, e percebe-se que em quase todos os países do globo existe preocupações que estão sendo levantadas sobre as “lealdades às corporações” e os reais objetivos dos governos e governantes. Existe uma preocupação crescente de que o pêndulo do capitalismo pode ter oscilado um pouco longe demais, e que o nosso “caso de amor” com o mercado livre pode ter obscurecido duras verdades, de que muitos, milhões estão a perder neste mundo governo pelo Mercado e sendo condenados diariamente a miséria absoluta e sem nenhuma perspectiva de avanço sócio-económico.

Após as crises brasileiras do período FHC, da crise da sub-prime nos Estados Unidos e agora com o colapso do PIG (Portugal, Irlanda e Grécia) e a crescente crise européia, podemos perceber que não se pode confiar no Estado e políticos para cuidar de nossos interesses de cidadão, e que estamos pagando um preço demasiadamente alto para o aumento deste nosso crescimento econômico A realidade é que neste mundo globalizado a real competição entre nações significa apenas quem pode auferir maior lucro ao, realmente globalizado, Mercado, o dono de tudo e de todos.

Existe um paradoxo fundamental no coração dos governos seguidores do modelo de Milton Friedman e Friedrich Hayek, que ao reduzir o Estado ao seu mínimo, colocando as empresas no centro do palco, riscam a sua própria legitimidade e acabam por destruir séculos de conquistas econômicas e sociais, mandando-as para o ralo do esgoto do “Livre Mercado” como testemunhamos nos casos das privatizações dos serviços públicos nas matrizes e na periferia do grande capital.

Responder

CMundim

21 de dezembro de 2011 às 16h24

Parte 2

Aos poucos e em parte graças a estes excessos que não encontram barreiras, e agora expostos pela crise do capitalismo global, parece acordar lentamente a sociedade, agora preocupada que o som dos negócios está abafando as vozes do povo. A ira e movimentação popular contra a tirania na Primavera Árabe mostrou o uso benéfico da tecnologia como uma ferramenta eficaz para aglutinar e organizar vozes discordantes, e o uso das redes sociais e blogs na Internet são uma demonstração clara do poder de reação da sociedade contra a campanha de pasteurização das massas posta em curso pelo consenso do Mercado.

Esta reação ao Mercado é um processo incipiente mas de cunho global, e no Brasil os seus facilitadores principais são os chamados Blogueiros Sujos ou Progressistas que quase que sem querer ou perceber estão criando uma nova conscientização nas massas pensantes, ingenuamente mostrando que podemos ter movimentos democráticos de alternativa ao poder fora das tirania das cúpulas ou do comando de caciques de partidos políticos.

Estes blogs estão oferecendo palanque a milhões de vozes e idéias neste processo ajudando a sociedade a fiscalizar melhor, a combater políticos e politicas contrarias ao interesse popular e nacional, a desconstruir mentiras vendidas como santa verdade pela grande imprensa, e o mais importante colocando pessoas a pensar, a ouvir e a expor opiniões, começamos finalmente a debater, a nos informar sobre o mundo real. A grande imprensa já não tem o controle total da informação e esta é a primeira vitoria de uma longa guerra.

A nova constituição da Islândia, que está sendo discutida através de consultas populares via o Facebook e de outras plataformas sociais, está mostrando o caminho a ser seguido pelas sociedades mundo afora, e esta participação verdadeiramente popular é o que menos interessa ao Mercado e seus agentes nacionais, ao status quo do mundo politico.

Hoje os partidos políticos tradicionais, comprometidos que são com o Mercado e a santa governabilidade, são apenas uma distração, uma forma de divisão das massas, enquanto discutimos Friedman, Keynes e Marx, o Mercado conta o seu lucro e os políticos assaltam e se apoderam cada vez mais do Estado.

A internet que foi em parte concebida para a guerra e vista pelo Mercado como uma nova e poderosa arma de colonização do Império e seus satélites, uma espécie de Coca-Cola do século 21, transformou-se por uma ironia sutil em uma arma poderosa, senão única dos revolucionários do novo século, finalmente poderemos aposentar as Kalashnikovs pela Wide World Web.

– No mundo atual as trezentas maiores empresas multinacionais representam mais de 25 por cento dos ativos mundiais. Os valores anuais de vendas de cada uma das seis maiores corporações multinacionais são ultrapassados tão-somente pelo PIB de 21 países –

Responder

    Mário SF Alves

    22 de dezembro de 2011 às 08h56

    Cara, sem palavras:
    1) "Estes blogs estão oferecendo palanque a milhões de vozes e idéias neste processo ajudando a sociedade a fiscalizar melhor, a combater políticos e politicas contrarias ao interesse popular e nacional, a desconstruir mentiras vendidas como santa verdade pela grande imprensa, e o mais importante colocando pessoas a pensar, a ouvir e a expor opiniões, começamos finalmente a debater, a nos informar sobre o mundo real. A grande imprensa já não tem o controle total da informação e esta é a primeira vitoria de uma longa guerra."
    2) "A nova constituição da Islândia, que está sendo discutida através de consultas populares via o Facebook e de outras plataformas sociais, está mostrando o caminho a ser seguido pelas sociedades mundo afora, e esta participação verdadeiramente popular é o que menos interessa ao Mercado e seus agentes nacionais, ao status quo do mundo politico."
    Perfeitas as observações, CMundim, só resta saber, e enquanto isso:
    1) Existe ou não existe um plano costurado às escuras com a finalidade de censurar a internet?
    2) Você está na Tailândia, mas, muito provavelmente deve saber que por aqui existe pressão reacionária e entreguista até para desestabilizar a construção da Hidrelétrica de Belo Monte e, ao que tudo leva a crer, o alvo poderia ser a internacionalização da Amazônia; resta saber se é realidade, ou apenas mais uma estratégia/tática de sabotagem/contingenciamento/moeda de troca contra o governo.

Mário SF Alves

21 de dezembro de 2011 às 07h52

Com o Indignem-se, Stéphane Hessel oferece a chave de ouro que brilhantemente fundamenta a tese de que é, sim, possível a superação da alienação política em grande escala (e estilo). E o que é igualmente importante: sua humildade em admitir que o livro só é o que é por ter sido publicado num momento em que sociologicamente a crise atingiu seu ponto mais crítico. Ao ameaçar a integridade das consciências, desentorpeceu-as, e, ato contínuo, tornou-as predispostas à reação, à indignação. Parabéns ao Vi O Mundo pela excelente, oportuna e imprescindível reflexão.

Responder

Reinaldo

20 de dezembro de 2011 às 21h47

Por que depois do lançamento do livro do Amauri o movimento contra a corrupção saiu do foco da mídia, por que será?

Responder

    Marat

    22 de dezembro de 2011 às 11h37

    Extremamente bem lembrado, Reinaldo. Corrupção? Ninguém sabe, ninguém viu!

ZePovinho

20 de dezembro de 2011 às 14h56

http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/os-efeit

Os efeitos da austeridade na Grécia, por Paulo Moreira Leite
Enviado por luisnassif, ter, 20/12/2011 – 12:48
Por Adamastor
Da Época
Fome das crianças gregas marca a volta da banalidade do mal à Europa
PAULO MOREIRA LEITE

A atitude dos governos europeus diante do sofrimento que a politica de austeridade começa a produzir produzir nos países mais frágeis da União Européia lembra um dos períodos negros da consciência política no Velho Mundo.

Na Grécia, crianças famintas desmaiam nas salas de aula porque passaram vários dias sem comer. Algumas universidades daquele país estão sem aulas há meses. Não há dinheiro para pagar professores, nem para o material didático, nem para o básico……………………………………..

……………………Estamos assistindo a uma nova versão da velha banalidade mal, conceito essencial para entender o caráter impessoal e burocratizado de boa parte das políticas de Estado em nossa época.

Altos funcionários e executivos despidos de todo sentimento ético e toda solidariedade em relação a outros seres humanos são capazes de cometer atos cruéis e vergonhosos, sem sentirem-se obrigados a refletir sobre as consequências.

Hanna Arendt criou este conceito numa situação extrema — para definir a postura de Adolf Eichmann durante o período nazista. Responsável pela administração da máquina que executou 6 milhões de judeus, o carrasco Eichmann garantiu em seu julgamento que não possuía um ódio especial pelas pessoas que enviou aos campos da morte.

Não era um ”monstro”. Era um funcionário. Considerava que, cumprindo seu dever naquele posto que lhe fora designado, estava contribuindo para o bem do país e para sua carreira. Eichmann negava que tivesse uma motivação perversa. Por isso, disse em seu julgamento, devia ser considerado inocente das acusações que lhe eram feitas. Nem era anti-semita, declarou. Essa argumentação traduziu a “banalidade do mal”.

E ajuda a pensar sobre a postura que homens e mulheres em posições de responsabilidade podem assumir em suas épocas, quando deixam de levar em consideração a condição humana"……………

Responder

Jorge Moraes

20 de dezembro de 2011 às 12h55

Muito bom, a despeito do equívoco – perdoável – de haverem incluído São Paulo no rol das cidades que tiveram um movimento de indignados com o suporte ideológico mínimo apresentado em Madrid ou Nova York, por exemplo. O movimento em São Paulo foi de indignados com aspas.

Responder

ZePovinho

20 de dezembro de 2011 às 12h34

http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia

20 de Dezembro de 2011 – 10h30
Denúncia: Somália é usada como lixeira nuclear

A Somália é um dos numerosos países subdesenvolvidos que desde os anos 1980 recebeu inumeráveis cargas de resíduos nucleares e outros dejetos tóxicos dos países desenvolvidos e os armazenou ao longo de sua costa. Os somalis informam agora que 40% de sua população padecem de câncer.

Por Diário da Liberdade

…………………O silêncio de PNUMA

O PNUMA (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente) modificou um pouco sua atitude sobre o armazenamento ilegal de resíduos nucleares após o tsunami de dezembro de 2004. Seu informe indicou com maior clareza a ameaça ao equilíbrio ecológico e o perigo para os seres humanos do armazenamento de lixo atômico. Ele enfoca diversos aspectos dos efeitos, especialmente os resíduos lavados em terra, os manguezais da costa, os recifes de coral, a pesca e as camadas de água. Mas os danos sofridos pelos seres humanos, alguns já mortos, apenas são mencionados.

E seus autores se queixam de que não lhes foi possível investigar in loco. Indiretamente, esta é uma justificativa para as inócuas conclusões do informe que, praticamente, só se ocupa dos danos ao ambiente e a repercussão do aquecimento do clima sobre a diversidade biológica somali.

Mas o que vai acontecer com as pessoas, que são as vítimas de uma atividade comercial sem escrúpulos, orientada exclusivamente para o lucro, disso, nada fala o informe.

Fonte: Diário da Liberdade
Tradução: Gabriela Blanco

Responder

    ZePovinho

    20 de dezembro de 2011 às 13h57

    E o que isso tem a ver com os banco,ZePovinho???????????????????????????????Ora…………

    Onde é lavado esse dinheiro:"….Ocidente ganha bilhões

    Massimo Scalia, presidente de uma comissão de investigação do Parlamento italiano, disse à agência Inter Press Service que a Itália ganha no comércio de resíduos atômicos 7 bilhões de dólares. Somente no ano de 2001, embarcaram para África 600 mil toneladas de dejetos nucleares"………..????????????????

ZePovinho

20 de dezembro de 2011 às 11h54

http://www.cartacapital.com.br/internacional/um-c

"….Posicionamento ainda mais sintomático e muito mais surpreendente vem da própria Alemanha, da pena do maior paladino vivo do Iluminismo europeu: Jürgen Habermas, filósofo da razão comunicativa e do diálogo democrático. Para ele, o acordo Merkel-Sarkozy lançou a Europa numa era pós-democrática: “Querem estender o federalismo do Tratado de Lisboa em uma gestão intergovernamental pelo Conselho Europeu. Tal regime possibilitará transferir os imperativos dos mercados aos orçamentos nacionais sem legitimação adequada, usando ameaças e pressões para obrigar parlamentos esvaziados de poder a pôr em vigor acordos informais e sem transparência. Os chefes de governo transformarão o projeto europeu no seu oposto. A primeira democracia transnacional se tornará em um arranjo para exercer uma espécie de governo pós–democrático, parti-cularmente eficaz por ser disfarçado”.

Em entrevista ao jornalista Georg Diez, de Der Spiegel, Habermas foi ainda mais contundente: “Um pouco depois de 2008, entendi que o processo de expansão, integração e democratização não progride automaticamente por necessidade interna, é reversível. Pela primeira vez na história da União Europeia, experimentamos de fato um desmantelamento da democracia. Eu não pensava que isso fosse possível. Se o projeto europeu falhar, quanto tempo levará para voltar ao status quo? Lembre-se da Revolução Alemã de 1848 (a ‘Primavera dos Povos’): quando fracassou, precisamos de cem anos para recuperar o mesmo grau de democracia de antes”…..

Responder

    Bonifa

    21 de dezembro de 2011 às 20h11

    Parece que Habermas acordou, estranhava seu silêncio. Der Spiegal também tem se mostrado aberto a críticas contundentes contra o que está acontecendo na Alemanha e na Europa. É o oposto do que se passa na França. Dizem que Le Monde mudou de dono e de orientação. O fato é que trazia algumas críticas ao Sarkozi, mas quando começou o affaire da Líbia, imediatamente Sarkozi se transformou em herói. Ao contario de Der Spiegel, que dá voz ao talvez maior filósofo vivo, o Habermas, Le Monde deu voz e colorido aos movimentos do falso filósofo midiático Bernard Henri-Levi, um dos principais articuladores da intervenção militar na Líbia. Não contente, agora traz o outro filósofo falso irmão siamês de Bernard, o guerreiro André Glucksmann, para engendrar um ataque direto ao governo russo. Sua estréia foi com o artigo curioso intitulado "Depois de Kadafi, Putin?". A loucura não tem limites. Quem diria que a Democracia (por sua vez já distorcida internamente pelo pensamento único neoliberal) iria morrer de vez na Europa antes de nos Estados Unidos… Agora vai começar o Império da mentira descarada.


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