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Paulo Moreira Leite: O que a turma do linchamento não suporta


09/08/2012 - 18h08

O núcleo da política do mensalão
10:39, 9/08/2012

por Paulo Moreira Leite, em seu blog

A primeira notícia sobre mensalão é que a verdade de uma face só começa a perder credibilidade.

A noção de que se trata do “maior escândalo da história” ficou mais difícil de sustentar depois da revelação de que, ouvidas mais de 300 testemunhas, da acusação e da defesa, não apareceu ninguém para descrever as célebres “compras de voto”, “mesadas” ou outras formas de comércio político que Roberto Jefferson descreveu em junho de 2005.

O mesmo Jefferson, na verdade,   deixou de sustentar essa versão em  depoimentos posteriores, menos barulhentos e mais consistentes, que prestou à Polícia e a Justiça nos anos seguintes. Num deles, o deputado do PTB refere-se ao mensalão como ” criação mental.“ Disse, explicitamente, que “não envolvia” troca de apoio entre o Planalto e o Congresso e se destinava a financiar a campanha municipal de 2004.

A verdade é que depois do início do julgamento alguns casos se revelaram particularmente humilhantes para a acusação. Estou falando do ex-ministro, ex-deputado e  líder sindical bancário Luiz Gushiken. A acusação pede absovição de Gushiken por falta de provas.

Mas durante sete anos Gushiken frequentou os jornais e tele jornais como um dos suspeitos. Sua foto de cavanhaque e olhos puxados estava em toda parte, as acusações também. Em 2005, seu depoimento a CPI foi interrompido por comentários maliciosos de parlamentares da oposição, que dificultavam a conclusão de qualquer  raciocínio. Parte do plenário espumava de felicidade.

Já se sabia que a acusação tinha decidido indiciar Gushiken em 2007 embora admitisse que só tinha indícios muito fracos para isso. Mas ela foi em frente, com o argumento de que, se não apurasse nada de novo, o acusado seria inocentado. Mas se era assim, por que não fazer o contrário e só indiciar em caso de indícios concretos?

Revelou-se, ontem, no Supremo, um detalhe especialmente cruel. Embora tivesse acesso a documentos oficiais que poderiam ser úteis a Gushiken, a acusação recusou-se a  fornecê-los a seus advogados em tempo hábil.  Com isso, o réu foi prejudicado no  direito de apresentar uma boa defesa. Feio, né?

O fato é que o julgamento tem permitido a apresentação serena de mais de uma versão, interrompendo um ambiente de linchamento que acompanhou o caso desde o início.

E é para voltar ao linchamento que começam a circular novas versões e opiniões sobre o caso, sobre a Justiça brasileira, sobre a impunidade nacional e assim por diante.

O raciocínio é simples: não importa o que for provado nem o que não for provado. Caso os 38 réus não sejam condenados de forma exemplar, quem sabe saindo algemados do tribunal, o país estará desmoralizado, nossa Justiça terá demonstrado, mais uma vez, que só atua a favor da impunidade, que todos queremos pizza e assim por diante.

Parafraseando Napoleão no Egito, tenta-se vender uma empulhação. Como se os 512 anos de nossa história contemplassem os 190 milhões de brasileiros a partir das estátuas de mármore da sede do Supremo em Brasília.

Vamos deixar claro. Ninguém quer a impunidade. Todo mundo sabe que o abuso do poder econômico é um dos principais fatores de atraso de nosso regime democrático. Leva a corrupção e desvia os poderes públicos de seus deveres com a maioria da população.

Não é difícil reparar, porém, numa grande hipocrisia. As mesmas  forças que sempre se beneficiaram do poder econômico, da privatização da política e do aluguel dos governos são as primeiras a combater toda tentativa de reforma e de controle, com o argumento de que ameaçam as liberdades exclusivas de quem tem muito patrimônio para gastar em defesa de seus interesses.

Denunciam o mensalão hoje mas fazem o possível para que seja possível criar sistemas semelhantes amanhã. Não por acaso, há dois mensalões com um duplo tratamento. O dos mineiros, que é tucano, já foi desmembrado e ninguém sabe quando será julgado. Já o do PT, que é mais novo, e deveria ceder passagem aos mais velhos, é o que se sabe.

Este ajuda a demonstrar  a tese tão cara à defesa de que a dificuldade principal não se encontra no mensalão  mas nos interesses políticos que os acusados defendem e representam. Interesses diferentes tem tratamento diferente,  concorda?

O principal argumento para o linchamento é provocar uma parcela da elite brasileira em seu ponto fraco – o complexo de inferioridade em relação a países desenvolvidos. O truque é falar que sem uma pena severa nem condenações “exemplares” (exemplo de que mesmo?) vamos confirmar nossa vocação de  meia-republica, um regime de bananas, com uma semi-desigualdade entre os cidadãos, onde  a população não sabe a diferença entre público e privado.

Coisa de antropólogo colonial em visita a terras de Santa Cruz. Por este raciocínio, num país tropical como o nosso, não se deve perder tempo falando em “prova”, “justiça,” ”fatos”, “testemunhas”. Muito menos em “direitos humanos,” essa coisa que “só serve para bandidos”, não é mesmo. Somos atrasados demais para ter atingido esse ponto. Sofremos de um mal maior, de origem.

O que existe, em nossa pequena aldeia brasileira,  é  uma “cultura” de país pobre, subdesenvolvido, sem instrução. É ela que a turma do linchamento acredita que precisa ser combatida e vencida. Por isso o julgamento do mensalão não é um “julgamento” nem os réus são apenas “réus.”

São arquétipos. São “símbolos” e não dispensam  verdades comprovadas para serem demonstrados. Mas se é assim, seria melhor chamar o Carl Young em vez deo Ayres Britto, não?

No julgamento de símbolos, basta a linguagem, o verbo, a cultura, os poetas, ou em tempos atuais, a mídia  – é com ela que se constroem e se desfazem símbolos e mitos ao longo da história e mesmo nos dias de hoje,  não é mesmo?

Dane-se se as provas não correspondem ao que se espera. Para que se preocupar com testemunhas que não repetem o texto mais conveniente ?

O que importa é dar uma lição aos selvagens, aos incultos, aos despreparados.

Como se houvessem civilizados. E aqui é preciso refletir um pouco sobre essa visão do Brasil. É muito complexo para um país só.

Qualquer antropólogo  que já passou um fim de semana nos Estados Unidos sabe que ali se encontra um dos países mais desiguais do planeta, onde os ricos não pagam impostos, os pobres não têm direito a saúde e as garantias formais da maioria dos assalariados são exemplo do Estado mínimo.  A Justiça é uma mercadoria caríssima e as boas universidades estão reservadas para os gênios de qualquer origem e os milionários que podem pagar mensalidades imensas e ainda contribuem com uma minúscula fatia de suas fortunas para garantir um sistema em que o topo garante ingresso para seus filhos e netos – com aplauso de deslumbrados tropicais pelo sistema.

Quem se acha “europeu” poderia abrir as páginas de A Força da Tradição, onde o historiador Arno Meyer descreve a colonização da burguesia revolucionária – da liberdade e da igualdade – pela aristocracia que moderou  ímpetos mais generosos e democráticos, chamados fraternos, dos novos tempos.

Fico pensando se os pensadores americanos acordam de manhã falando em sua meia-república depois de pensar na força Tea Party. E os europeus, incapazes de olhar para o horror e a miséria de sua crise contemporânea? Também acham que tem um problema em sua “cultura”?

Tudo isso para dizer que o problema não é cultura, não é passado, mas é a luta do presente.

E aí não é possível deixar de notar uma grande coincidência. Vamos esquecer os banqueiros e publicitários dos “núcleos” operacional e financeiro da denúncia. Vamos para o principal, o “núcleo político.”

Há quatro décadas, José Dirceu foi preso sem julgamento e, mais tarde, iniciou uma longa jornada no exílio e na clandestinidade. Não lhe permitiam circular pelo país nem defender suas ideias em liberdade. O mesmo regime que o perseguia suprimiu eleições, transformou a justiça num simulacro, cassou ministros do Supremo, instalou a censura a imprensa e  convocou um admirador de Adolf Hitler, como Filinto Muller, para ser um de seus dirigentes políticos.

Civilizado, não? Meia-república? Ou o país deveria ser transformado numa ditadura porque lideres estudantis, como Dirceu, defendiam um regime como o comunismo cubano?

José Genoíno foi preso e torturado. Queria fazer uma guerrilha da escola maoísta – popular e prolongada. Imagine a farsa do tribunal militar que o condenou – com aqueles oficiais que cobriam o rosto, na foto inesquecível do julgamento da subversiva Dilma Rousseff, mas não deixavam de cumprir o figurino do regime, ilustrado por denuncias fantasiosas, de tom histérico.

Gushiken, a quem não forneceram provas na hora necessária, era do tempo em que a polícia vigiava sindicatos, perseguia dirigentes – achava civilizado dar porrada, desde que não ficassem marcas de choques elétricos.

Esta turma merece mesmo ser chamada de “núcleo político” do caso. Está no centro das coisas de seu tempo. É o centro do átomo.

Ninguém se importa com banqueiros do Rural, vamos combinar. Nem com publicitários. Se forem inocentados, terão direito a um chororô de fingida indignação e estamos conversados.

A questão está nos “políticos”.

Sabe por que? Porque dessa vez “os políticos” já não podem ser silenciados na porrada.

Quatro décadas depois, cidadãos como Genoíno, Dirceu, Gushiken, e seus descendentes políticos, não são conduzidos a tribunais militares. Podem apresentar sua versão, defender seus direitos. Resta saber se serão ouvidos e considerados. Ou se há provas e argumentos para condená-los, sem perseguição política.

Vídeo por vídeo, não há nada contra os réus que se compare a tentativa de suborno que serviu de prova da Operação Satiagraha – anulada pela Justiça. Também não há relação de contribuições a políticos tão clara como a Castelo de Areia, com dezenas de milhões desviados, nome após nome  – anulada pela Justiça. Para voltar a um passado um pouco mais distante. Nunca se viu um escândalo tão grande como o impeachment de Collor, com troca de favores e obras públicas registradas em computador – prova anulada pela Justiça.

Desta vez, os réus  têm uma chance. É isso que irrita a turma do linchamento. Imagine quantas provas de inocência não sumiram no passado. Quantos depoimentos não foram redigidos e alinhavados pela pancada e pela tortura.

Hoje, os mesmos réus e seus descendentes políticos têm direito a ser ouvidos. Representam. Seu governo tem votos. O partido é o único que população reconhece.

Alguns acusados do núcleo contam com advogados que não cobram menos de R$ 100 000 só pela primeira consulta – sem qualquer compromisso posterior. Pois é. O justiça brasileira continua escandalosamente cara, exclusiva, desigual. É feita para brancos e muito ricos. Mas os  bons advogados deixaram de ser monopólio do pessoal de sempre. Tem gente nova no clube. O país não mudou muito. Só um pouquinho.

É isso que a turma do linchamento não suporta.

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43 comentários

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FrancoAtirador

10 de agosto de 2012 às 23h04

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“O máximo que a acusação sempre pretendeu com esse processo
era o próprio processo como pena”

(Luís Justiniano de Arantes Fernandes, por Gushiken, no STF)
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Hoje (10), no STF, o advogado de Antônio Lamas, Délio Lins e Silva, iniciou a sustentação oral da defesa, discorrendo sobre uma expressão utilizada por Márcio Thomaz Bastos que afirmou, numa entrevista, que as denúncias do mensalão são um “guisado”:

“A defesa entende que esse guisado veio temperado com uma dose de exagero,
uma colher de abuso e uma pitada de irresponsabilidade”.

O advogado de Lamas questionou o Procurador-Geral quanto aos critérios de escolha dos réus que deveriam constar da Ação Penal 470, argumentando que outras pessoas admitiram, em depoimentos à própria Polícia Federal, que também fizeram saques, no Banco Rural, a mando de parentes ou chefes e não foram denunciados pelo MP:

“O critério para ser denunciado foi o sobrenome?
Bem sugestivo esse nome Lamas, quer nome mais midiático para se fechar um quadro com 40 ladrões com dois Lamas no meio?
Antonio Lamas, apesar da ausência de crime, foi denunciado por formação de quadrilha e lavagem de dinheiro, por ter ido uma única vez ao Banco Rural.
Houve exagero do MP?
Abuso do MP, à época?
Irresponsabilidade em denunciar o homem por ‘ir reiteradas vezes ao banco’, quando ele só foi uma vez?”
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Responder

francisco.latorre

10 de agosto de 2012 às 23h03

terminal.

..

Responder

Sagarana

10 de agosto de 2012 às 20h39

Nossa, se o mensalão nao existiu quer dizer que o Lula pediu desculpas atoa?
A propósito, quem eh Carla Young?

Responder

    Sagarana

    10 de agosto de 2012 às 20h40

    Retificando Carl Young.

    Maria Helena

    13 de agosto de 2012 às 20h16

    Pode gugar que vc vai encontrar uma biografia interessante: Jung, como se grafa em Português. Quanto ao chamado mensalão, que deve esse apelido à criatividade de um artista PTBista (o Thomas deve se revirar na cova), quando procurava distrair nossa atenção do escandalo dos Correios, existiu sim, e foi uma tentativa de golpe para interromper o projeto democratizante do governo Lula. Que bom estarmos vendo a derrocada dos golpistas!

Julio Silveira

10 de agosto de 2012 às 10h02

O seu comentário está aguardando moderação.

Instado a pensar mais um pouco sobre esse assunto. Digo que infelizmente torço pela absolvição de todos os reus. Não por crer, como alguns manifestam, na inocencia deles. Mas por crer que o modus operandi irá continuar, e que o que difere o reus dos demais politicos é que esses foram citados, expostos, mas e os outros? Infelizmente essa é uma cultura que faz parte da podre politica brasileira. Está cada vez mais claro isso. E aí está minha triteza, por que todo esse processo está sendo alimentado pelos pior dos motivos, a vingança. Alimentado por grandes interesses contrariados dentro dos grupos midiaticos que representam grupos economicos dentro da sociedade. Não será um processo de cura, mas uma mistificação, uma demonstração de força e coação. Não existem inocentes politicos nesta história, mas vitimas certemente tem e são a sociedade brasileira. Obrigada a engolir esse farizaismo e a turma de enganadores que fazem escola, dos dois lados.

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Aldo Costa

10 de agosto de 2012 às 09h04

Excelente texto. Memorável!
Uma única correção: Quando se fala de arquétipos e símbolos, acredito que o Paulo Moreira Leite tenha se referido ao psiquiatra suíço Carl JUNG (e não YOUNG como está no texto).
Parabéns ao VIOMUNDO pela divulgação deste texto.

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Mardones Ferreira

10 de agosto de 2012 às 08h57

Sem dúvida, a turma do linchamento – PIG incluso – está desacostumada com a justiça, principalmente com o direito amplo de defesa aos acusados. São os de sempre, aqueles que apoiaram o Golpe de 64 e sentem falta dos tempos de exceção, quando a justiça foi substituída pela tortura e pela morte.

O direito de defesa é uma conquista da democracia. E isso fere os donos do capital no Brasil e seus aliados. Há também a questão dos envolvidos que foram líderes da resistência em 64. E condená-los, mesmo que sem provas, era questão de honra para quem segue sentindo falta dos dias dos milicos.

Os mensalões do PSDB e do PT são vergonhosos, mas infelizmente não temos justiça para julgá-los. Vide a ficha corrida do Gilmar Dantas, por exemplo.

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Julio Silveira

10 de agosto de 2012 às 08h02

Diferente da maioria que aqui participa penso diferente. Acredito que o mensalão existiu. E diferente ainda da maioria não acredito na inocencia de todos o reus, apenas de alguns, como por exemplo o Gushiquem que entrou no roldão da pressão da midia Golpista. Mas contrariando a hipocrisia geral, que tenta colar uma versão caixa dois, eu penso que essa tentativa é valida, mas apenas questão de semântica. A diferença principal entre o que penso e a maioria da midia corporativa e até dos defensores dos réus, e que acredito que a forma de fazer politica no Brasil sempre foi essa. Corrupta. E a midia sabe disso, tambem se beneficiou disso. Foi parceira em tempos de governos aliados a seus interesses, estimulou isso quando fechou os olhos e fechará novamente, quando retornar ao poder gente sintonizada com seus interesses. Portanto faz politica nos mesmos moldes sujos dos politicos sujos. Por isso minha decepção com o PT que julguei mudaria essa cultura. Hoje acredito que falta muita coisa para que tenhamos politicos honrados, e consequentemente politicas com honra. Para isso, precisariamos primeiro de uma reforma que lhes imputasse culpabilidade por atos ilegais em qualquer tempo e sem foro privilegiado, foro feito por eles mesmos, como no caso desse Supremo, indicados por politicos, devedores de politicos. No Brasil, da forma que está construida as instituições, não existe independencia de poderes, existe uma aliança maligna construida para impor aos cidadãos o silencio diante de suas incapacidades de poder ver justiça distribuida em nivel de igualdade. E isso funciona como multiplicador de canalhas.

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    Bonifa

    10 de agosto de 2012 às 09h09

    Óbvio que o Mensalão existiu, meu caro. Foi gerado no momento em que o Roberto Jefferson falou a palavra diante das câmeras de TV. A dúvida é se alguma agência de propaganda inventou a famosa palavra/símbolo antes da fala de Jefferson ou se foi o senso de oportunidade de propaganda que capturou a palavra e a transformou em símbolo de uma pesada tentativa de golpe. Por favor não faça como a procuradoria; se tem uma convicção, a fundamente, não queira que acreditemos em você apenas pela expressão de sua fé.

    Julio Silveira

    10 de agosto de 2012 às 09h42

    Meu caro, faço exatamente como voce que emite uma opinião. Inteligentemente como defensor do seu lado da história voce fala para que eu apresente provas, sabe que não as tenho, mas como qualquer outro participante do blog, que presumo foi criado para manifestações de opinião, como a minha ou a tua, não preciso apresentá-las, nem tenho obrigação de fazê-lo, já que só participo do processo como espectador, como creio que você também. Se bem leu o que escrevi, percebeu que citei a expressão “semantica”. Caixa dois, mensalão, são duas versões da mesma historia, é a mesma coisa. Fundamental mesmo é que são ilicitos que fazem parte (digo isso, ainda como expectador e vitima pelo que os resultados trazem a cidadania e a cultura do país) da cultura polica brasileira. Saudações.

    Bonifa

    10 de agosto de 2012 às 10h56

    Veja bem: Minha opinião difere radicalmente da sua porque, embora acreditemos ambos que existiu o Mensalão, acredito que o mesmo foi um fenômeno ou um projeto midiático/político gerado na oposição, aproveitando um vasculhamento policial/jurídico de processo de repasse de valores entre partidos, valores estes oriundos de empréstimos bancários legítimos, mas cuja destinação político/partidária caracteriza muitobem a operação de um caixa 2. Acredito também que não houve nenhum dinheiro público envolvido, pois embora a procuradoria tentassse provar este ponto, não provou nada sobre isso, absolutamente nada, ddesde que os bo0nus de volume que a procuradoria dizem que deveriam ser passados ao Banco do Brasil não deveriam, por

    Bonifa

    10 de agosto de 2012 às 11h17

    Veja bem: Minha opinião difere radicalmente da sua porque, embora acreditemos ambos que existiu o Mensalão, acredito que o mesmo foi um fenômeno ou um projeto midiático/político gerado na oposição, aproveitando um vasculhamento policial/judicial em cima de um processo de repasse de valores entre partidos, valores estes oriundos de empréstimos bancários legítimos, mas cuja destinação político/partidária caracteriza muito bem a operação de um caixa 2. Acredito também que não houve corrupção, porque nenhum dinheiro público foi envolvido; embora a procuradoria tentasse provar este ponto, não provou nada sobre isso, absolutamente nada, desde que os bonus de volume da agência do Valério, que a procuradoria fala que deveriam ser passados ao Banco do Brasil, não o deveriam, já que pertencem integralmente à agência de propaganda, conforme norma da instituição das agências, confirmada por lei posteriormente. E o Banco do Brasil em sí não repassou um níquel que lhe pertencesse ao Fundo Visanet para ser jogado depois no tal valerioduto. Já você, quando endossa a versão/fantasia do mensalão, obrigatoriamente parte da premissa de que o dinheiro do caixa dois não se destinava genericamente a despesas partidárias, despesas gerais, mas à compra específica de votos de parlamentares em determinadas votações no Congresso Nacional. Isto não só não foi provado, como o contrário disso foi sobejamente provado. Agora, tanto eu como você, devemos lutar para acabar com a maldita existência do famigerado Caixa 2: devemos fazer com que passe, de semi/ilegalidade sem penalidade alguma, para crime hediondo contra a Democracia, de pesada pena e inafiançável. Isto acontecerá quando for aprovado o Financiamento Público exclusivo de campanha, declarando o fim do privilégio que os endinheirados têm de comprar votos com contribuições, visando a defesa posterior de seus muitas vezes escusos interesses.

    Julio Silveira

    11 de agosto de 2012 às 10h15

    Bonifa, meu caro, começo lhe parabenizando pela nossa convergência no interesse de ver instituido o sistema de financiamento publico de campanha. Os motivos, e arrazoados, que tece, são de minha completa concordância, inclusive na punição aos malfadados caixa dois, outro fenomeno brasileiro, que por não ter certeza não posso afirmar ser exclusividade nossa. Mas saindo da confraternização quero deixar claro que divirjo totalmente de ti, no tocante a essa insensata ingenuidade que te acomete, quando acreditas na santidade desses elementos petistas. Meu caro, conta outra. Quero te dizer que fui daqueles que um dia acreditou que este partido faria uma mudança cultural na politica brasileira. Por isso apostei nele desde o primeiro momento que tive contato com o discurso da ética e mesmo contra toda a resistência havida nos meios tradicionais da politica. Não sou maria vai com a outras, penso, analiso, reflito. E podes crer acreditei e acredito que o discurso ético, e a pratica, esses sim podem ser verdadeiramente revolucionários no Brasil. Era isso e não outra coisa quee fazia tremer as estruturas viciadas da podre politica nacional. Mas, para minha surpresa ví a capitulação desde o primeiro mandato do presidente Lula. Dei fé de que era apenas uma estratégia para assumir o poder e fazer as mudanças necessárias, permaneci firme e crente de que esse era o proposito. Mas com o passar dos tempos percebi que tudo estava antes no quartel de abrantes. Nada da perniciosa culturalmente politica havia mudado, ao contrario, vi uma mudança na postura do tipo para fazer isso temos que bota a mão na m., discursos desse tipo e a percepção de que nem mesmo os parceiros do poder haviam mudado me fazem descrente da sinceridade. Poderás falar das mudanças havidas de lá para cá, que não sendo cego também percebo. Mas acho que são apenas alguns presentes sociais, nada que garante a perpetualidade das conquistas. Portanto meu caro, não tratas com um cidadão cuja visão seja a do atendimento prioritário ao próprio e primordial interesse, ao contrário minha percepção e que mudanças para o País só virão com igualdade e uma coletividade culturalmente mais equilibrada e consciente. E ate hoje não vi sair nada deste grupo que está no poder algo que trouxesse garantia de avanços permanentes para, pelo menos, a maioria da cidadania. Saudações.

    Julio Silveira

    11 de agosto de 2012 às 10h27

    Na verdade, caro analista, me sinto cada vez mais orfão nessa politica brasileira. Novas saudações.

paulo

10 de agosto de 2012 às 00h45

É sem dúvida um dos melhores artigos que li até agora, escancara de uma forma nua e crua essa elite que ta ai e essa mentira chamado mensalão.Parabéns Paulo M.Leite,acaba de ganhar um fã!

Responder

FrancoAtirador

10 de agosto de 2012 às 00h13

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Ação penal nº 470: Que “opinião pública” é essa?

De maneira geral, a grande mídia ignorou o desinteresse da população em relação ao julgamento.
Pesquisas de opinião indicam que apenas uma em cada dez pessoas tem conhecimento do julgamento.
Perguntados sobre “quem é o principal envolvido no mensalão?”, o nome mais citado é Carlinhos Cachoeira

Por Venício Lima*, na Carta Maior

“Brasília virou as costas para o julgamento do maior escândalo da história recente do país. Em frente ao Supremo Tribunal Federal (STF), silêncio e um vazio perturbador. O maior ato do dia, que contou com apoio do PSDB, do DEM e do PPS – principais partidos de oposição – reuniu apenas 15 manifestantes.”

Assim começa matéria sob o título “Faltou quorum na praça” que o Correio Braziliense publicou no dia seguinte ao início do julgamento da Ação Penal nº 470 pelo Supremo Tribunal Federal.
(http://clipping.radiobras.gov.br/clipping/novo/Construtor.php?Opcao=Materia&veiculo=3&ID=1738463)

No Valor Econômico, a matéria “Nas ruas, mensalão é ignorado pela população, que preferiu Olimpíada”, descreve:

“Na fachada das lojas populares de eletrodomésticos do centro de São Paulo, grandes televisores, cuja compra pode ser parcelada em até 24 vezes, dividiam-se na programação do dia. A animação Monstros S.A. e a transmissão dos jogos olímpicos em Londres ocupavam com grande vantagem as telas, com exceções dedicadas a programas de culinária e uma apresentação da banda americana Bon Jovi. Nenhuma mostrava o primeiro dia do histórico julgamento da Ação Penal nº 470, vulgo mensalão”.
(http://clipping.radiobras.gov.br/clipping/novo/Construtor.php?Opcao=Materia&veiculo=9&ID=1738186)

As observações acima constituem exceções. De maneira geral, a grande mídia ignorou o desinteresse da população em relação ao julgamento. Até mesmo os responsáveis pela segurança pública na Praça dos Três Poderes em Brasília teriam sido surpreendidos.

Confirmando os fatos descritos, pesquisas de opinião indicam que apenas uma em cada dez pessoas tem conhecimento do julgamento. Perguntados sobre “quem é o principal envolvido no mensalão?”, o nome mais citado é Carlinhos Cachoeira (cf. CartaCapital nº 709, pág. 21).

Apesar de tudo isso, jornalistas e colunistas insistem em equacionar o massacre dos indiciados que tem sido veiculado diariamente na grande mídia como sendo “a voz das ruas” e “pressão da opinião pública” sobre os ministros do STF para que se condene “os réus do maior escândalo da história recente do país”.Como escreveu o sociólogo Marcos Coimbra, presidente do Instituto Vox Populi, “o que a grande imprensa brasileira menos quer é que o Supremo julgue. Ela já fez isso. E não admite a revisão de seu veredicto”.
(http://clipping.radiobras.gov.br/clipping/novo/Construtor.php?Opcao=Materia&veiculo=3&ID=1739168)

Qual opinião pública?
Existem lições recentes de nossa história política que merecem ser relembradas. Retomo comentários que fiz sobre o livro do historiador e cientista político Aluysio Castelo de Carvalho – A Rede da Democracia – O Globo, O Jornal e Jornal do Brasil na queda do governo Goulart (1961-64)” – coedição da NitPress e Editora da UFF, 2010 (ver “Os jornais e a ‘opinião pública’“: http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/os-jornais-e-a-opiniao-publica).

Carvalho parte de uma visão panorâmica do papel postulado para a “opinião pública” por alguns dos pensadores clássicos da tradição liberal – Hobbes, Locke, Montesquieu, Constant, dentre outros. No Brasil, Rui Barbosa e Oliveira Vianna atribuíram “às elites dirigentes responsáveis o papel de intérprete dos interesses da nação” e também colocaram “a imprensa em primeiro plano, enfatizando sua posição central como órgão da opinião pública” (pág. 29).

A principal hipótese de Carvalho é a de que, no início da década de 1960, os jornais cariocas estudados abandonaram a concepção institucional de representatividade da opinião pública – aquela que se materializa através dos partidos, de eleições regulares e de representantes políticos – e recorreram a outra concepção, a publicista, que “ressalta a existência da imprensa como condição para a publicização das diversas opiniões individuais que constituem o público”.

A adoção da concepção publicista faz com que não só a crítica aos partidos políticos e ao Congresso se justifique, como também sustenta a posição de que os jornais são os legítimos representantes da opinião publica.

A partir da análise de pronunciamentos feitos na Rede da Democracia e de editoriais dos jornais, Carvalho conclui:

“Ocorreu por parte (de O Globo, O Jornal e Jornal do Brasil) uma exaltação da própria imprensa como modelo de instituição representativa da opinião pública, porque se viram mais comprometidos com a preservação da ordem social liberal. Os jornais cariocas construíram uma imagem positiva da imprensa, em detrimento da divulgada sobre o Congresso. (…) Os jornais se consideravam o espaço público ideal para a argumentação, em contraposição à retórica dita populista e comunista que teria se expandido no governo Goulart e estaria comprometida com a desestruturação das instituições, sobretudo do Congresso. Os jornais se colocaram na posição de porta-vozes autorizados e representativos de todos os setores sociais comprometidos com uma opinião que preservasse os tradicionais valores da sociedade brasileira ancorados na defesa da liberdade e da propriedade privada” (pág. 156).

Entre os inúmeros pronunciamentos e editoriais analisados por Carvalho, merece destaque o publicado em O Jornal [2 de março de 1962] que toma como referência o que considera a relação existente entre sociedade e sistema político nos Estados Unidos. Diz o editorial:

“Ninguém ignora quanto o governo americano é sensível à opinião pública e se deixa conduzir por suas reações. Congresso e Poder Executivo não ousam nunca contrariá-la, temendo republicanos e democratas os seus pronunciamentos nas urnas. (…) Nos Estados Unidos os governos condicionam invariavelmente as suas decisões aos resultados da auscultação da vontade e do sentimento do povo, rigorosamente traduzidos pela imprensa” (pág. 159).

Grande mídia e “opinião pública” hoje
A “concepção publicista”, apresentada por Carvalho, foi um fenômeno restrito à articulação do golpe de 1964 pelos principais jornais cariocas ou corresponde a uma postura permanente da grande mídia brasileira?

Diante da cobertura que vem sendo feita do julgamento da Ação Penal n. 470 pelo STF e da postura de jornalistas e colunistas, deixo a resposta com o eventual leitor(a).

*Venício A. de Lima é jornalista, professor aposentado da UnB e autor de, entre outros livros, Política de Comunicações: um balanço dos Governos Lula (2003-2010). Editora Publisher Brasil, 2012.

(*) Artigo publicado originalmente no Observatório da Imprensa.

http://www.cartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=5718

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cARLOS jUSTO pAULO

09 de agosto de 2012 às 23h17

VAMOS AGUARDAR AS SENTENÇAS, tudo mais é conjecturação.Ninguém é só mocinho ou só bandido, tem muita coisa ainda para ser esclarecido. Não quero prejugar ninguém, apenas dizer que alguém usou dinheiro indevido, pois o próprio advogado do Delúbio afirmou que destinou verba para pagar despesa de outro partido, se assim fosse fácil, quero ver quem vai pagar as minhas, se não tiver algum proveito ali na frente, simples exemplo, mas que mostra a verdade que não querem ver.Eu quero apenas Justiça, pois assim nossos POLÍTICOS MUDARÃO DE COMPORTAMENTO. cASO CONTRÁRIO vai continuar tudo como dantes no quartel de abrantes.

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sergio a b

09 de agosto de 2012 às 22h42

Onde está a responsabilização a PGU.Nada seria impune se ela fosse competente. Nada seria injusto se ela não fosse tão partidária.

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Julio Silveira

09 de agosto de 2012 às 22h38

Espero ver o dia em que os Juizes do tribunal da midia respondam por subverterem, constrangerem, coagirem e fazerem linchamento ilegal. Alguma forma de legislação há de ser criada para torná-los imputaveis. Hoje, manobram com a legislação de acordo com conveniencias, melhor que os melhores advogados.

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FrancoAtirador

09 de agosto de 2012 às 22h33

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Política e Direito no STF: o Caso “Mensalão”

Os principais julgamentos numa alta Corte são predominantemente julgamentos políticos, porque eles sempre interpretam princípios e põem os fatos sob as lentes da ideologia e da cultura de cada Magistrado.
O que a Constituição e a Lei determinam são os limites destas influências, que organizam qualquer ordem jurídica:
são os limites que marcam e estruturam o Estado de Direito inscrito na Constituição.
Não julgar contra as provas ou não condenar sem provas;
não aceitar a emoção pública como decisiva para julgar,
não permitir que o espírito de linchamento predomine.

O artigo é de Tarso Genro, na Carta Maior

Depois de nomeado para a Corte Suprema dos Estados Unidos em 1937 descobriu-se que o novo integrante, o Juiz Hugo Black, fora membro da Klu Klux Klan no seu estado de origem, o Alabama.
Erguendo-se acima dos seus preconceitos políticos e raciais, no processo 309 U.S. 227 (1940) (que chegou em grau de recurso àquela Corte), o Juiz – que militara na organização racista – proferiu um dos votos mais memoráveis da época, que se tornou jurisprudência modelar na luta pelos direitos civis no mundo inteiro.

No processo judicial em revisão, cidadãos negros tinham sido condenados por assassinato, com base em confissões obtidas sob violência e humilhação, portanto, sem provas obtidas legalmente.
No impulso das emoções insufladas por aquela cultura reacionária predominante no Sul, mais uma injustiça brutal iria se perpetuar e foi tolhida pela coragem do Juiz Black.

O importante no voto-paradigma não foi a mudança da personalidade política do Juiz naquele julgamento, que a história já registrou em outras oportunidades com outros personagens: o ser humano gigantesco erguendo-se além das suas circunstâncias.
A importância do seu voto foi para o Direito, sobretudo com os “fundamentos” da sua posição, acolhida pela Corte.
Os fundamentos jurídicos, que expressam os princípios da Constituição, são o refúgio moral e jurídico em que um grande Juiz pode se abrigar, para resistir às circunstâncias da política e da força das emoções públicas.
Estas podem ser manipuladas por interesses que se pretendem acima da lei e do ordenamento democrático legítimo, mas os princípios estão ali, na Constituição, à espera para se transformarem em fundamentos, em cada caso concreto.

Os principais julgamentos numa alta Corte são predominantemente julgamentos políticos, porque eles sempre interpretam princípios e põem os fatos sob as lentes da ideologia e da cultura de cada Magistrado.
O que a Constituição e a Lei determinam são os limites destas influências, que organizam qualquer ordem jurídica: são os limites que marcam e estruturam o Estado de Direito inscrito na Constituição, para que Política e Direito sejam compatibilizados em cada decisão.

Não julgar contra as provas ou não condenar sem provas; não aceitar a emoção pública como decisiva para julgar: não permitir que o espírito de linchamento predomine sobre a verdade ficta, que está contida no devido processo legal.
Esta foi a lição imorredoura do Juiz Black.

“Sob o nosso sistema constitucional – proferiu o Juiz Black – os tribunais permanecem firmes, contra quaisquer ventos que soprem, como céus de refúgio para aqueles que podiam de outro modo sofrer por serem desamparados, fracos, a minoria, ou porque são vítimas não conformadas de erros e emoção pública. (…) Nenhum dever mais alto, nenhuma responsabilidade mais solene, repousa sobre esta Corte, do que a de traduzir em Direito vivo e manter este escudo constitucional deliberadamente planejado e escrito para o benefício de todo o ser humano sujeito à nossa Constituição – de qualquer raça, credo ou tendência.”

O que a sociedade brasileira tem o direito de exigir neste caso é simplesmente que os réus dos mensalão sejam julgados (condenados ou não), segundo as provas do processo e não em função dos apelos furiosos da maioria da mídia contra o governo Lula e contra o PT.

A mídia, a extrema esquerda (sic) udenista, a direita neoliberal derrotada nas eleições, devem se lembrar que um dia poderão estar sendo julgados por algum Tribunal (muitos já estão), e que a garantia dos seus direitos é estar no julgamento segundo a Lei e a Constituição.
Nelas é que o Estado de Direito põe freios às ideologias e às preferências políticas, contidas em algum lugar na cabeça de cada Magistrado, sejam elas quais forem.

A frase profética de Danton, quando se encaminhava para a guilhotina, condenado sem qualquer prova por sentença puramente política da Convenção – no amanhecer da Revolução – é uma boa lembrança para os que festejam, hoje, a pré-condenação dos réus pela mídia, que pressiona o Supremo para segui-la, mesmo sem provas:
“Tu me seguirás, Robespierre!”

Entendo que no Brasil, após a Constituição de 88, está em curso uma verdadeira Revolução Democrática “dentro da ordem” como classificava Florestan Fernandes.
Ambígua, difícil, desigual, mas que põe em movimento um conjunto de conflitos, mediações, consensos que têm apontado para abrir a cidadania política e social para dezenas de milhões de pessoas do povo.
Revolução Democrática que subverte hierarquias de poder instaladas, primeiro pela colônia e a escravidão, depois pela ditadura.
Sob esta ótica é que abordo a questão do “mensalão” e seu processo.

​O Brasil não será mais o mesmo depois do julgamento do chamado “mensalão”.
De uma parte, porque é o segundo teste profundo do funcionamento das instituições forjadas no Estado de Direito da Constituição de 88, que terá também um grande impacto na vida política nacional.
De outra, porque – independentemente da responsabilidade penal que a decisão do STF vai conferir aos réus – nunca projetou-se de maneira tão contundente na democracia, uma tentativa de destruição de um Partido, como está sendo feito agora com o Partido dos Trabalhadores.

Este movimento, aliás, foi confortado por um lamentável equívoco do digno Procurador Roberto Gurgel, que alegou que os atos apontados como criminosos visavam sustentar um projeto de permanência no poder do Partido dos Trabalhadores.
Ou seja: a Procuradoria criminalizou toda uma comunidade partidária, através do extravasamento das responsabilidades individuais dos réus, como se as instâncias do PT tivessem decidido o assalto ao poder pela via do crime comum.
O que dá para desconfiar é que não tendo amealhado provas o Ministério Público resolveu – pela política – incriminar em abstrato toda a comunidade partidária. Isso é grave, pois torna também a condenação dos indivíduos a penalização em abstrato de um projeto político democrático.

​O processo do “mensalão”, como paradigma de funcionamento institucional do país, só foi superado em importância pelo impedimento do Presidente Collor. E a tentativa de liquidação do PT só tem comparação com as campanhas anticomunistas realizadas no Brasil, após o golpe de 64.
Mesmo assim, a existência de um processo judicial regular para apuração de responsabilidades é uma vitória da ordem jurídica do país.
Mas a sobrevivência do PT como está ocorrendo, mesmo com os ataques reiterados ao seu patrimônio moral e político, é também uma vitória da democracia e mais do que isso: é uma vitória da estratégia da Revolução Democrática no Brasil.

​Do ponto de vista do futuro do país, no contexto da Revolução Democrática, o que menos interessa agora é se os fatos narrados pelo Ministério Público como fatos delituosos existiram ou deixaram de existir.
Nos processos judiciais a verdade é sempre ficta, mais, ou menos próxima da verdade concreta. A sua construção no processo judicial, todavia, é a única maneira de aproximar um julgamento dos ideais da Justiça previstos no “dever-ser” da Constituição e isso significa julgar segundo as provas.
O que mais interessa à sociedade, portanto, é se as garantias do devido processo legal estão sendo plenamente respeitadas.
O que interessa à sociedade é que os réus tenham um julgamento justo, dentro do ordenamento democrático vigente.

Para os que defendem o futuro da democracia como modo de vida, como organização do Estado de Direito Democrático e Social, é em julgamentos como este que Direito e Política compõem uma única totalidade.
São os casos, também, em que as desigualdades inerentes à democracia podem se apresentar por inteiro, como decisões de Estado, ou encobrir privilégios e render-se às pressões das mídias poderosas, sem promoverem um julgamento justo.
Eis o dilema que enfrenta o STF.

​Os indivíduos que estão no processo – refiro-me aos militantes, originários de um contexto de luta por mudanças políticas e econômicas na sociedade brasileira – são, ao mesmo tempo, réus de um “devido processo legal” de natureza criminal e sujeitos passivos de uma vingança da reação política contra os governos do Presidente Lula.

Esse é o contexto que o STF enfrenta, composto que é, de juízes-juristas-políticos, como são todos os Magistrados nas Cortes Supremas de todos os países.

Sair bem deste conflito é julgar conforme as provas.

http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=20691

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Fabio Passos

09 de agosto de 2012 às 21h49

O PIG imaginava que bastaria o prevaricador gurgel repetir as mentiras da veja/globo e todos seriam condenados…

Os golpistas não conseguem apresentar sequer uma prova que sustente a tese furada do PIG.

Confiram:

“Cenário muda após defesa dos acusados”
http://www.conversaafiada.com.br/brasil/2012/08/09/mensalao-o-outro-time-entrou-em-campo/
Por Ricardo Kotscho, no blog Balaio da Kotscho.

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    Bonifa

    10 de agosto de 2012 às 09h17

    Farejando a possibilidade crescente de absolvição de todos os acusados, toda sorte de organizações de Cansados e ONGs políticas do Tucanato estão voando para Brasília a fim de exigirem a observância do que já foi feito pela mídia tucana: A confirmação da condenação dos acusados. Não têm coragem de sair às ruas, seu instrumento é o telefone.

    Fabio Passos

    10 de agosto de 2012 às 09h33

    O telefone, as páginas do PIG, o jn da globo… e a patética acusação do prevaricador gurgel. rsrs

Vlad

09 de agosto de 2012 às 21h28

“Tem gente nova no clube”.
Exatamente.

Responder

Fabio Passos

09 de agosto de 2012 às 21h12

O que existe é uma reedição da tentativa de golpe que a direita canalha tentou em 2005 contra Lula.

A falta absoluta de provas que sustente a tese furada dos golpistas é apenas um detalhe para os adestrados pelo PIG.

Responder

Benjamin Eurico Malucelli

09 de agosto de 2012 às 20h57

Que belo texto! Claro, coerente, honesto. Mas a turma do linchamento vai continuar sempre a “turma do linchamento”. Se os réus do “mensalão” forem condenados, festas em mansões celebrarão o fato; se inocentados, os magistrados do STF foram comprados.

Responder

FrancoAtirador

09 de agosto de 2012 às 20h39

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A DESONRA DE LUIZ GUSHIKEN,
A MESQUINHEZ DO PROCURADOR-GERAL
E A IRRESPONSABILIDADE DO STF
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Caso Gushiken: um momento indigno do MPF

Por Luis Nassif

Embora sem a retórica dos demais advogados, a defesa de Luiz Gushiken, do advogado Luis Justiniano de Arantes Fernandes, constitui-se em um dos momentos mais chocantes do julgamento do mensalão.

Calmo, sem levantar a voz, com uma indignação contida, mostrou que havia um laudo de 2007 inocentando Gushiken, demonstrando que todos os procedimentos de liberação de verbas da Visanet haviam sido regulares.

E o MPF negou o acesso ao laudo aos advogados de defesa e ao próprio Banco do Brasil.

Se os laudos tivessem sido juntados aos autos, em uma das reuniões do STF, bastaria um único voto a mais para que denúncia não tivesse sido recebida e Gushiken fosse inocentado.

Em agosto de 2007 o MPF estava convicto de que não tinha elementos sequer para instruir uma ação civil. Mas insistiu na corte para o recebimento da denúncia.

O MP só disponibilizou às partes após o recebimento da denúncia pelo STF. E na peça do procurador geral Roberto Gurgel, aceita-se a inocência de Gushiken.

Cinco anos de tortura, sabendo ser Gushiken inocente, uma maldade que certamente ajudou no agravamento da doença que o acomete.

Se não houver explicações adequadas da parte do MPF, esse capítulo é uma mancha na carreira do Procurador Geral Antonio Fernando de Souza e do atual Roberto Gurgel.

Na sequência, José Augusto Leal acusou Antonio Fernando de Souza de ter extirpado do inquérito declarações que eram favoráveis a Gushiken.

http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/caso-gushiken-um-momento-indigno-do-mpf
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Notícias do STF

Defesa de Luiz Gushiken pede que STF declare sua inocência

Dois advogados encerraram a sessão de hoje (8) do Supremo Tribunal Federal sustentando em defesa de Luiz Gushiken. Mais do que sua absolvição, Luiz Justiniano de Arantes Fernandes e José Roberto Leal de Carvalho pediram que o STF “corrija a injustiça” de sua inclusão no rol de 38 réus da Ação Penal (AP) 470.

A denúncia formulada pelo Ministério Público Federal atribuiu a Gushiken, que na época dos fatos narrados era ministro da Secretaria de Comunicação e Gestão Estratégica da Presidência da República, a coautoria de peculato por supostamente ter autorizado transações irregulares envolvendo o Banco do Brasil, a Companhia Brasileira de Meios de Pagamento (Visanet) e a DNA Propaganda.

Sua inclusão entre os réus baseou-se em depoimentos prestados pelo réu Henrique Pizzolato, então diretor de marketing do Banco do Brasil, que afirmou que “sempre agiu a mando de Luiz Gushiken”.
Nas alegações finais, porém, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, pede sua absolvição por insuficiência de provas, considerando que “não se colheram elementos, sequer indiciários, que justificassem sua condenação”.

O primeiro advogado a falar, Luiz Justiniano de Arantes Fernandes, destacou o papel de Gushiken no processo de redemocratização do país, como líder sindical dos bancários, como constituinte em 1988 e como parlamentar, antes de chegar à Secretaria de Comunicação do Governo.

“Foi seu relevo político, e nenhum fato em si, que levou a oposição a insistir na sua inclusão no rol dos indiciados no relatório final da CPMI dos Correios, que serviu de guia para o oferecimento da AP 470”, afirmou.

Tanto Justiniano quanto Leal de Carvalho lembraram que o único elemento de prova apresentado pelo MPF foi um depoimento de Pizzolato na CPMI dos Correios, em dezembro de 2005, “colhido sob os holofotes, numa situação em que os inquiridores têm mais interesse em falar do que em ouvir”.

Para os defensores, “houve tempo para que o MP depurasse essa prova minimamente”, mas a denúncia se baseou “estritamente no julgamento político promovido pela CPMI”.

Além disso, os advogados afirmaram que há nos autos provas suficientes de que Luiz Gushiken não autorizou repasses de dinheiro da Visanet à DNA sem respeitar as esferas de decisão do BB.
Depoimentos e documentos comprovariam que as autorizações teriam sido propostas por dois gerentes e assinadas por outros dois diretores.

“Além de Pizzolato, outros cinco diretores assinaram as autorizações. Que esferas de decisão não foram respeitadas?”, indagou Justiniano.

Outro aspecto destacado foi de que, além da AP 470, o Ministério Público também ajuizou ações civis públicas contra réus constantes da denúncia, pelos mesmos fatos, mas não contra Gushiken.

“O MP esqueceu de ajuizar ação civil pública contra ele? Não. Ele tinha a convicção de que era impossível provar que Luiz Gushiken devesse responder àquelas ações”, afirmou Leal de Carvalho.

Ao fim da sustentação, os advogados defenderam que a situação de Gushiken não se enquadra no inciso VII do artigo 386 do Código de Processo Penal (“não existir prova suficiente para a condenação”), no qual o procurador-geral se baseou para pedir sua absolvição.

Eles pedem que ele seja absolvido pela aplicação do inciso IV, que contempla a existência de provas de que o réu não concorreu para a infração.
“A acusação alegou falta de provas para a condenação, mas a defesa entende que, dos autos, se extrai mais do que isso, e deseja o reconhecimento de sua inocência”, concluíram.

http://www.stf.jus.br/portal/cms/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=214492
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“O MP (PGR) nada apurou antes de trazer a denúncia a este tribunal,
apenas pinçou alguns trechos do relatório da CPMI,
para dar coerência a essa peça de ficção.”

(Luís Justiniano de Arantes Fernandes, por Gushiken, no STF)

“Dizem que o procurador [Gurgel] foi magnânimo ao pedir a absolvição.
Podem dizer isso, mas ele foi mesquinho.
Não existe outro adjetivo para isso”

(José Roberto Leal de Carvalho, por Gushiken, no STF)
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DANO MORAL

“Quem furta a minha bolsa
me desfalca de um pouco de dinheiro.
É alguma coisa e é nada.
Assim como era meu, passa a ser de outro,
após ter sido de mil outros.
Mas o que me subtrai o meu bom nome
rouba-me de um bem que não pode enriquecê-lo,
e, todavia, deixa-me na miséria.”

(Shakespeare; Otelo, ato III, cena 3)
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Responder

Zé Brasil

09 de agosto de 2012 às 20h27

A questão da supressão de provas pela acusação pela direita reacionária vem de longe e exemplos não: – quem já se esqueceu de Giuseppe Conlon, do caso real relatado no filme “Em nome do Pai”, onde o procurador inglês na fúria de condenar alguém por um atentado do IRA, em Londres, nos anos 70, omitiu criminosamente provas contundentes de sua inocência, como a ocultação do sem-teto, com nome, sobrenome e foto, companheiro seu de banco de praça na noite do atentado, seu alíbi definitivo que não o deixaria o morrer apodrecendo no carcére inglês. O carcére da mesma polícia que matou Jean Charles Menezes e promoveu a inspetora besta-fera crescildashitface como heroína: – realmente heroína inglesa, uma droga mesmo.

Responder

Scan

09 de agosto de 2012 às 19h50

Estranho um jornalista da Época escrever algo assim…
Estranho o Janio de Freitas no Roda Morta desancando a mídia…
Onde estavam antes?
Será que não foram chamados agora justamente para que amanhã a Época e a Folha possam bater no peito e dizerem que são isentas? Que batem em Chico, mas também em Francisco? “Vocês viram: o Paulo e o Janio ofereceram o contraditório ao editorial. E para nós é absolutamente normal, afinal somos isentos e garantimos o contraditório.”.
Ou ambos se encheram o saco de tanta empulhação de seus patrões e resolveram dar sua própria opinião, sua própria análise? Duvido, uma vez que suas colunas podem ser facilmente suprimidas pelos mesmos patrões.

Em tempo: se amanhã eu lesse texto semelhante do Merdal ou do Noblat, não me espantaria. Prostituição é assim mesmo.

Responder

    Willian

    09 de agosto de 2012 às 20h27

    Toda vez que tem um texto do Paulo Moreira Leite aqui tem que vir o comentário: Nossa, estranho um texto destes na Época! Ou do Jânio de Freitas. Estranho mesmo, vai ser no dia que aparecer um texto de CartaCapital que não bata bumbo pro petismo. Aí meu queixo cai…

    Almir

    09 de agosto de 2012 às 22h05

    …e terá motivos pra acreditar no mensalao petista.

    Scan

    10 de agosto de 2012 às 00h46

    Eu não alimento trolls.
    Principalmente aqueles que tem QI de uma ostra manca.
    Lamento.

    Luiz (o outro)

    10 de agosto de 2012 às 10h53

    Prezado Scan
    Comparar o QI desses trollhas ao das ostras é uma imensa falta de respeito para com as ostras!!!

    RicardãoCarioca

    10 de agosto de 2012 às 11h52

    Em prol de uma maior performance intelectual, bem que os demotucanos poderiam contratar amebas ao invés de trolls como esse aí.

nona fernandes

09 de agosto de 2012 às 19h49

É perfeito, emocionante o texto de Paulo Moreira Leite. Falta-me adjetivos sufientes para qualificá-lo. Parabéns, amigo, por me fazer dormir feliz

Responder

francisco pereira neto

09 de agosto de 2012 às 19h45

Este texto está melhor, muito melhor mesmo do que qualquer um publicado nos blogs “sujos”.
E vem de um jornalista da escola do PIG, que já a algum tempo, tenho notado a sua independência ao coro repetitivo dos pitbulls.
Ontem vi a entrevista de Jânio de Freitas no Roda Morta.
Nunca tiva visto ele falar.
Sua entrevista é exemplar de como um jornalista deve ser. Algumas rusgas que tinha sobre ele, a partir dessa entrevista, evaporou-se.
É claro que ele falou sobre o “mensalão”. Justificou essa patifaria como resultado de um país ainda sub-desenvolvido. E não poupou nenhum governante desde a redemocratização. Foram todos criticados com alguns senões, como Itamar e Dilma, elogiados pelo caráter de serem políticos corretos, insuspeitos. Na minha visão os piores avaliados foram Collor e FHC. Sobre Lula ele bateu forte nas bravatas defendidas antes dele ser presidente.
Parece que o Paulo Moreira Leite se inspirou na entrevista de Jânio.
Perfeito.

Responder

Ramalho

09 de agosto de 2012 às 19h24

O foro privilegiado, ao cercear – pelo impedimento da dupla jurisdição – o direito de defesa da elite política eleita, põe em risco a democracia representativa. Não há justificativa sob a ética democrática para infirmar o direito de defesa de representantes políticos, quando o minimamente sensato é reforçar este direito. O representante precisa de mais segurança jurídica para representar bem seus eleitores, não menos.

O foro privilegido foi expressamente vedado por todas as constituições brasileiras desde que o Brasil tornou-se independente. Mesmo na fase do Brasil império, quando houve uma elite explícita, o foro privilegiado foi vedado constitucionalmente. Não é, portanto, de nossa tradição constitucional. Foi introduzido, infelizmente, pela Constituição de 1988, e precisa ser novamente proibido com toda urgência.

O instituto do foro privilegiado não o é para os acusados, mas para a corrente política que dominar o Supremo. A corrente política eventualmente ali dominante poderá condenar irrecorrivelmente, com, ou sem provas, discricionariamente, deputados, senadores, ministros e o presidente da repúblia, caso queira – o condenado que não gostar que esperneie ao bispo. O mensalão nada mais é do que bola levantada pela mídia partidária e pelo PGR para que o Supremo “corte”, pois tem a faca e o queijo nas mãos. Será que vai “cortar”?. quem viver, verá. Fato é que a corrente política que dominar o Supremo, mandará no Brasil, o que é, sem dúvida, um privilégio, pois ninguém na Corte foi eleito.

O instituto do foro privilegiado é porta aberta para os chamados golpes constitucionais que começam a entrar na moda na América Latina (Honduras, Paraguai são casos inaugurais). A Constituição Federal precisa ser emendada, e com urgência.

Responder

    LuizCarlosDias

    09 de agosto de 2012 às 21h45

    Cada texto sincero e bem analizado me levam a ter certeza, precisamos de outra CONSTITUINTE, e não outra prostituinte vaga e safada, que deixou essa herança maldita até hoje, tantos furos, tantos erros, impossivel ter democracia sem riscos, até infantis, como esse julgamento sem provas.
    Convocamos o nosso presidente LULA para o comando de uma nova caravana pelo BRASIL em busca do nosso destino, liberdade.
    Fora os eternos golpistas, viva Dilma, avante Haddad.

Bertold

09 de agosto de 2012 às 19h13

Parabens pela reprodução Azenha, assino embaixo! O texto é irretorquivel, uma aula de civilidade histórica e senso crítico que aponta corretamente para o que está em jogo. A “tchurma”, os personagens que surgiram com o novo sindicalismo e o novo partido no final dos 70 e chegaram ao poder da nação tem quer desconstruídos um por um e passados à história como os piores políticos de yodos os tempos. É isso que “eles” querem.

Responder

José Balbino Almeida

09 de agosto de 2012 às 19h05

Grande Paulo Moreira Leite, um dos poucos jornalistas progressistas a peritar o PIG golpista.

Eu acho que o Paulo Moreira Leite deveria estar trabalhando para outra emissora, e não para a Globo.

Paulo Moreira Leite é um jornalista digno, honrado e honesto, além de competente e ético, Paulo Moreia Leite já deveria estar trabalhando na TV Record, emissora isenta e imparcial, além de sua alta credibilidade e grande audiência nacional.

Paulo Moreira já deveria ter deixado as Organizações Globo e ido para a TV Record, onde temos um time de primeira linha de jornalistas progressistas e de esquerda que luta pelo bem da nação brasileira, seu blog devereia estar no R7 ou então na Carta Capital.

Forte abraço.

Responder

    Marcos

    09 de agosto de 2012 às 22h40

    Que tipo de tese venenosa é essa? Pensa que todo mundo é ingênuo, é?

Hélio Pereira

09 de agosto de 2012 às 18h42

Pois é a verdade é tão cristalina como as águas de uma Fonte sem Poluição,ou como este brilhante artigo,parabéns este merece 10!

Responder

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