VIOMUNDO

Diário da Resistência


Política

Paulo Kliass: Brasil, importador de café moído


13/01/2012 - 11h31

Ainda sobre os riscos da desindustrialização

No ano passado, o Brasil mais importou do que exportou café moído! Ou seja, continuamos com a velha e burra política de vender café verde em grãos, de baixa qualidade, sem ter conseguido dar um salto à frente nos processos crescentes de café torrado e moído de maior qualidade, de acordo com exigência do mercado internacional.

Paulo Kliass, na Carta Maior, sugerido pelo Igor Felippe

Enquanto alguns preferem ficar comemorando as notícias de que PIB brasileiro poderia ter ultrapassado o da Inglaterra, acho que deveríamos todos é estar mais preocupados com a continuidade do processo de desindustrialização de nossa economia.

A situação não é para brincadeira, pois o quadro é trágico! A cada dia surgem mais notícias e avaliações relativas à perda relativa de competitividade da indústria brasileira. São muitas as evidências de que as decisões de ampliação do investimento produtivo tendem a preferir a opção por território estrangeiro para a instalação industrial e apenas o destino das mercadorias para simples consumo em nossas terras.

Os casos mais simbólicos são políticas empresariais como as da mega corporação Vale, que exporta minério de ferro bruto extraído de nosso subsolo sob concessão da União e importa os produtos manufaturados para seu próprio uso. É o que ocorre com os trilhos comprados para suas ferrovias ou os super cargueiros encomendados para transporte de minérios -– na grande maioria dos casos importados da China.

Muitos setores festejam os impressionantes números obtidos com as exportações de pindorama, que contabilizaram quase uma centena de bilhões de dólares em nossa balança comercial no ano que se encerrou.

Mas o conjunto de nosso País lamenta, de outro lado, os igualmente expressivos valores das importações. Com o péssimo agravante de que vendemos produto primário barato e compramos produtos manufaturados de maior valor agregado. Até parece que os responsáveis pela nossa política econômica e industrial esqueceram tudo o que devem ter lido e estudado sobre as chamadas trocas desiguais no capitalismo, em especial os prejuízos causados aos países de menor grau de industrialização.

Agora, recentemente, foram divulgadas informações que são ainda mais carregadas de expressivo simbolismo. Ao longo de 2011, essa mesma lógica chegou a atingir um setor que durante muito tempo foi considerado como “genuinamente brasileiro”. No ano passado, o Brasil mais importou do que exportou café moído! Ou seja, continuamos com a velha e burra política de vender café verde em grãos, de baixa qualidade, sem ter conseguido dar um salto à frente nos processos crescentes de café torrado e moído de maior qualidade, de acordo com exigência do mercado internacional.

E pior: passamos a importar esse tipo de café manufaturado e com maior valor agregado do resto do mundo, em volumes mais altos do que vendemos lá fora. Uma loucura! No concreto, isso significa redução de investimento em novas plantas industriais aqui dentro, com a conseqüente geração de emprego e renda lá fora.

Apesar de ser um processo complexo e de múltiplas causas, há dois fatores que são os mais determinantes na conjuntura atual para explicar a desindustrialização. São eles a nossa conhecida duplinha dinâmica: câmbio e juros. A questão é tão evidente que chega mesmo a causar espanto a forma irresponsável como os diversos governos têm enfrentado esse importante problema.

Sai ano e entra ano, mas o quando não muda em sua essência: continuamos sérios e obstinados em manter a condição de líder mundial no quesito dos juros. Com a taxa oficial lá nas alturas, a lógica da rentabilidade do capital prioriza a opção pela aplicação no mercado financeiro e não na atividade produtiva.

Assim, a política monetária de SELIC elevada causa um duplo transtorno em nossa economia. De um lado, sacrifica de forma absurda o orçamento do Estado com gastos puramente financeiros e limita as despesas na área social e de investimento estratégico do Estado. De outro lado, as altas taxas de juros inibem os novos investimentos nas áreas da produção e nos serviços.

Mas aqui surge uma outra conseqüência negativa da SELIC elevada. Ela exerce uma atração continuada e apetitosa sobre o capital financeiro internacional – em especial sobre os recursos de natureza puramente especulativa. Aquele tipo de dinheiro que vai e vem ao sabor dos riscos e dos ganhos, sem nenhum compromisso com a geração de renda e emprego no país em que está aportando no momento. E, por incrível que possa parecer para muitos, nossa política econômica se dirige para satisfazer exatamente os desejos do investidor de tal perfil.

O resultado desse tipo de movimento é que nossa praça fica inundada de recursos externos de curtíssimo prazo – aliás, fator potencialmente gerador de elevada instabilidade macroeconômica. A qualquer susto ou boato, o chamado “efeito manada” da massa especulativa pode causar sérios problemas de desequilíbrio em nossas contas externas.

Isso porque as nossas regras tupiniquins, ao contrário do que ocorre na maioria dos países industrializados, não prevêem nenhum tipo de controle sobre entrada e saída desse capital, nem mesmo exigem um tempo mínimo de permanência como contrapartida de poder usufruir das benesses do ganho financeiro fácil patrocinado por nosso setor público.

Essa pressão derivada do ingresso de dólares e outras moedas estrangeiras provoca um desequilíbrio importante em nosso mercado de câmbio. Mas um dos pilares básicos da estabilidade herdada desde os tempos do Plano Real é o pressuposto da “liberdade cambial”. Assim, o receio — quase um temor — em contrariar as vontades dos que mandam no mercado financeiro faz com que o setor de câmbio seja considerado “imexível” pelo governo.

O resultado é uma sobrevalorização absolutamente artificial de nossa taxa de câmbio. Ao longo da semana atual ela está na faixa de R$1,80/US$. É verdade que já melhorou um pouco em relação aos níveis de 2010. Mas estamos ainda muito longe de uma taxa que possa se considerar mais realista, que muitos analistas econômicos situam na faixa de R$ 2,50.

Com esse poder de compra de nossa moeda no mercado internacional, as importações são muito estimuladas. Desde as compras das famílias animadas da classe média que fazem a farra nas terras da Disney até, e principalmente, as empresas que importam a preços artificialmente baixos os produtos finais e intermediários fabricados no exterior, em especial na China. O contraponto desse processo de valorização de nossa moeda é o encarecimento relativo dos produtos brasileiros manufaturados em sua busca por mercados para exportação.

Ficamos, portanto, mais uma vez relegados ao nosso papel de agente secundário nessa divisão internacional do trabalho da modernidade pós-colonial. Como sempre, mais uma vez perdendo o bonde da História. E ainda tem gente que se vangloria, enche mesmo a boca, na hora de falar dessa nossa triste especialização em exportação de produtos primários, as famosas “commodities”.

O que mais chama a atenção na passividade de nossos responsáveis pela política econômica é que as medidas a serem adotadas são até singelas, se pensarmos pela lógica da complexidade do funcionamento de outras variáveis da economia. Basta reduzir a atratividade do mercado financeiro brasileiro na comparação com as demais alternativas existentes no mercado internacional. Caso o governo estabeleça controles mínimos de entrada e saída dos recursos especulativos e imponha uma quarentena para um tempo mínimo de permanência, uma parcela da elevada atração desaparecerá.

Por outro, e talvez mais importante, trata-se de promover uma redução significativa na taxa SELIC. Com isso, haverá tendência à diminuição do ingresso de capital especulativo. E o novo equilíbrio do mercado de câmbio promoverá a necessária desvalorização em nossa moeda. Em resumo, nossa taxa de câmbio tenderá a refletir de forma mais realista nossa situação de contas externas.

Algumas pessoas poderão estar se perguntando se por acaso essa fuga de capitais não seria prejudicial ao Brasil. De forma alguma! E veja que não se trata aqui de pregar nenhuma volta ao modelo passado das autarquias isoladas, países isolados uns dos outros. De jeito nenhum! O que se pretende é apenas que os fluxos de capitais entre o Brasil e o resto do mundo privilegiem os investimentos produtivos.

O capital puramente especulativo não oferece nenhuma vantagem ao nosso País. Sua fuga, pelo contrário, é muito bem vinda e poderia até mesmo ser festejada. Que se aventurem a sugar o rentismo parasitário alhures, de outras sociedades.

Nós, inclusive, já oferecemos até hoje muito mais do que podíamos e devíamos. As demais características da sociedade e da economia brasileiras é que devem ser os elementos determinantes para os investimentos que desejem para cá se dirigir. Um mercado interno consumidor em expansão, com boas perspectivas de retorno de tais aplicações no curto, no médio e no longo prazos.

Uma Nação com tradição de paz, sem os conflitos militares que caracterizam boa parte dos países do mundo. Um país em condições de exercer importante liderança no processo de aprofundamento da integração regional, no âmbito da América do Sul. Enfim, boas razões não faltam.

Uma vez resolvida essa artificialidade na definição da taxa de câmbio, a tendência é de haver uma reacomodação dos fluxos de importação e exportação. As importações sairão mais caras e perderão força por conta dos chamados “preços relativos”. Já as exportações de produtos industrializados poderão ser estimuladas.

No cômputo final, se o governo der demonstrações que as medidas virão para ficar, estarão dadas as condições objetivas para a reversão do processo de desindustrialização. Como sempre, o que falta é apenas a vontade política! Com um pouco também, é claro, de coragem política para contrariar interesses poderosos.

Paulo Kliass é Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental, carreira do governo federal e doutor em Economia pela Universidade de Paris 10.

Leia também:

Antonio Martins: A curiosa conversa da oligarquia financeira





73 comentários

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O futuro da indústria brasileira: neste caso, Serra tem razão? | Viomundo - O que você não vê na mídia

03 de março de 2012 às 12h59

[…] Paulo Kliass: Brasil, importador de café moído   […]

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Gabriel Palma: Na superfície, situação do Brasil é fantástica | Viomundo - O que você não vê na mídia

19 de janeiro de 2012 às 23h19

[…] Paulo Kliass: Brasil, importador de café moído   […]

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Barista

15 de janeiro de 2012 às 11h01

Desculpa, mas como barista só posso dizer que esta matéria é uma homérica besteira. Café torrado precisa ser consumido em 1 semana para mater sua qualidade, café moído, 15 minutos, no máximo. Ninguém vai importar um café de altíssima qualidade torrado, muitíssimo menos moído. Apenas cafés de procedência duvidosa, de baixa qualidade, são vendidos moídos a não ser que seja na ponta final do consumo (para consumo caseiro) e estes são torrados e moídos pelo revendedor, na hora da compra. E mesmo assim a maioria dos entusiastas de café preferem comprar o café no máximo pre-torrado e moer em casa.

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Barista

15 de janeiro de 2012 às 10h59

Desculpa, mas como barista só posso dizer que esta matéria é uma homérica besteira. Café torrado precisa ser consumido em 1 semana para mater sua qualidade, café moído, 15 minutos, no máximo. Ninguém vai importar um café de altíssima qualidade torrado, muitíssimo menos moído. Apenas cafés de procedência duvidosa, de baixa qualidade, são vendidos moídos a não ser que seja na ponta final do consumo (para consumo caseiro) e estes são torrados e moídos pelo revendedor, na hora da compra. E mesmo assim a maioria dos entusiastas de café preferem comprar o café no máximo pre-torrado e moer em casa.

E não é uma questão de tecnologia. Você pode fazer uma excelente torra em casa usando seu forno (o que importa é a qualidade do grão) e um moedor custa muito pouco (se considerar os preços de uma boa máquina de expresso, por exemplo). O negócio é que nenhuma casa de café que se preze vai comprar café sem ser em grão bruto, tanto no Brasil quanto em qualquer outro lugar do mundo.

Essa notícia é na verdade uma boa notícia, ela simplesmente significa que nosso café é de extrema qualidade e que portanto não precisamos "fabricá-lo" torrando-os e moendo-os antes de chegar ao consumidor final seja aonde for. E um café bruto, sem torra é muito mais valioso que um café torrado e moído, pois é um sinal de qualidade do grão. E é óbvio que nós importamos este café "industrial" de baixa qualidade, pois café de boa qualidade, bruto, é muito, muito, muito mais caro e incompatível com o poder aquisitivo médio do brasileiro. No final das contas no quesito café, estamos fazendo o contrário da doença holandesa, compramos o bem de menor valor agregado (café ruim torrado e moído) e exportamos o de maior valor agregado (café excelente, bruto).

Enfim, resumindo. A tecnologia de ponta do café está no plantio, qualidade do solo, altitude, colheita, seleção de grãos e somos muito bons nisso, apesar de nos faltar um pouco de cafés de altitudes acima de 1500m. Moagem e torra é algo que é para o consumidor final ou para o barista e retira valor agregado do produto se for feito em escala industrial.

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    Mariac

    24 de julho de 2012 às 18h09

    Caro barista.

    Se produzimos café como um produto básico e muito fácil de produzir e a absoluta maioriadas pessoas não pode consumir e consome cascas de café cheias de agrovenenos e queimadas para fingir sabor forte, há algo de muito errado.
    Seria o equivalente a dizer que um europeu médio não pode mais comer batatas. Entendeu?

Pimon

14 de janeiro de 2012 às 13h51

25 milhões de dólares por ano!!!

Exportações de 250 BILHÕES!

Kipreocupação, não vou dormir!!!!

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Ainda sobre os riscos da desindustrialização « Caderno ENSAiOS

14 de janeiro de 2012 às 10h14

[…] Paulo Kliass, na Carta Maior, via Viomundo […]

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beattrice

14 de janeiro de 2012 às 09h54

Cito como exemplo o caso das montadoras.
As asiáticas tem sido apontadas no setor do ministério do Trabalho como campeãs na transgressão das lesi trabalhistas as quais tratam com um desprezo e um pouco caso de fazer nota.
Mas vão mais além.
Importam a mão de obra, algumas a mão de obra mais "qualificada", ou seja, os cargos de chefia, direção, melhor remunerados ficam reservados para os seus nacionais que eles trazem com as familias por tempo indeterminado. Outras importam um percentual enorme do contingente de trabalho, o que inclui até os setores de mão de obra menos especializada.
Ou seja, desfrutam de incentivos fiscais na implantação das plantas industriais, na produção e na comercialização de seus produtos e sequer geram empregos no Brasil. NInguém vê isso?

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beattrice

14 de janeiro de 2012 às 09h54

Na geração da industrialização deste país corria um dito em tom de piada:
"no dia em que o Brasil importar café, o Brasil acabou".
Ainda não acabou, mas que o articulista está lamentavelmente correto está.
Acrescente-se que a implantação de indústrias estrangeiras no Brasil
tampouco é garantia de avanços economicos e sociais.
Cito como exemplo o caso das montadoras.
cont

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    Marcelo de Matos

    14 de janeiro de 2012 às 11h15

    “a implantação de indústrias estrangeiras no Brasil tampouco é garantia de avanços econômicos e sociais. Cito como exemplo o caso das montadoras”. JK era um visionário. Esforçou-se ao máximo para trazer indústrias automobilísticas para o Brasil. Elas não queriam vir. A custa de muitas concessões a VW acabou vindo. Foi e continua sendo um sucesso: somos a terceira maior base de operações da montadora (a primeira é a China e a segunda a Alemanha). A nossa esquerda é diferente da chinesa: não queremos montadoras estrangeiras. A VW, entretanto, é a quinta maior empresa exportadora do país. Montou mais de 17 milhões de unidades em 55 anos, fazendo crescer uma imensa rede nacional de fabricantes de autopeças. Isso faz do Brasil um grande pólo exportador desses manufaturados, aliás, o principal item de nossa pauta de exportações. Importamos café, mas, não estamos mortos. Pelo contrário – nunca ostentamos tanta higidez financeira. Os ditos dos tempos da república velha já não se aplicam. Precisamos rever nossos conceitos.

    beattrice

    14 de janeiro de 2012 às 19h31

    Marcelo, se quiser comentar, por favor veja o final do raciocínio abaixo.
    Obrigada.

Avelino

14 de janeiro de 2012 às 06h12

Caro Azenha
É um paradoxo. Quantos pé de café tem a Alemanha?Quantas indústrias de máquinas de moer café tem o Brasil? Como bem disse o Morvan, ainda temos o efeito Brasil colônia.
Saudações

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Pimon

14 de janeiro de 2012 às 00h13

O artigo é péssimo, tendencioso, errado.

Trilhos… CSN fechou a fábrica, siderúrgicas foram internacionalizadas. Fazer o que?

O governo VENDEU!

Enfim, trilhos na linha, disseram que iriam fazer… são multinacionais… o BRASIL vendeu!

Café.. café especial, modismo, como cafeteira expresso importada, perfumes. Sem cheiro na balança comercial.

Selic, escrava da poupança, regulada por LEI!

Não basta ser economista….. somos.

Muitos mentem!

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    Mariac

    24 de julho de 2012 às 18h14

    O artigo é excelente. Pouca gente com tanta coragem.

marcio gaúcho

13 de janeiro de 2012 às 22h46

Nossos industriais são muito acomodados. Não são nacionalistas, detestam o risco, mas adoram o dinheiro fácil. Produzir para quê? Importar dá menos dor de cabeça, risco baixo e muito, muito lucro. Os consumidores, além de perderem seus empregos nas indústrias, pagam muito caro pelos produtos importados. Há casos de mais de 1.000% de lucro no preço de venda. O lucro é investido em imóveis e mercado financeiro. A renovação da indústria depende, em primeiro lugar, da vontade do dono. Linhas de crédito muito generosas do BNDEs estão à disposição dos empresários. Falta é vontade privada. Incentivos do governo, que stá fazendo a sua parte, são abundantes e não aproveitados. Essa alegria um dia terá fim, pois sem empregos não haverá renda, arrecadação de tributos e o pagamento da dívida pública. O lucro vai virar pó.

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rita

13 de janeiro de 2012 às 22h03

o que eu noto é o seguinte: o brasil perde muitas oportunidades para que o setor industrial avance no pais. é uma pena. algo tão simples, sacolas retornaveis , são produzidas na china? o governo federal precisa ficar atento. e por que não serem feitas aqui? mais emprego e renda para brasileiros.

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    Mariac

    24 de julho de 2012 às 18h13

    Quem pronuncia palavra “nacional” é imediatamente atacado.Querem associar a palavra a partido político matreiramente.

    Não há governo ainda. Temos que refundar.

Morvan

13 de janeiro de 2012 às 21h49

Boa noite.

Ao ler o texto de Paulo Kliass, o brasileiro desavisado há de pensar que este fenômeno da exportação de matéria-prima e compra do manufaturado (bem mais caro) é recente.
O autor já esqueceu o episódio da queima de milhões de sacas de café, por ocasião da crise de 1929 (crise com origens bem diferentes da atual,por sinal), para "regulagem cambial"? Neste ano, o café, que era nosso principal produto de exportação, foi desvalorizado em mais de 1000%!
Tem também a questão (nunca resolvida de frente) do Lucro "Brazil", um misto de extremo de esperteza dos comerciantes e de burrice da maioria dos consumidores, que chegam, em alguns casos, a se vangloriar de ter comprado mais caro, afinal, 'pechinchar é para "Fo$5d&os", eu sou é rico'!
Se se fizerem medidas de estancamento de importados sem políticas paralelas de substituição de importações, sem política de P & D e sem uma campanha viral de educação do consumidor, quem nos arranca o couro, o importador atravessador, vendendo itens que lá fora valem "X", e aqui compramos por "X * 5", já era…

Não é tão simples assim.
A propósito, sobre o "Lucro Brazil", tem aqui mesmo no ViOMundo um artigo da Heloisa Vilella sobre o tema, onde ela se assusta com os preços praticados mo Brasil (Heloisa Vilella é uma pessoa de sorte; no mais das vezes, por não viver aqui, ela só se assusta; eu não – eu sou a presa.):

https://www.viomundo.com.br/denuncias/heloisa-villela-um-susto-com-os-precos-no-brasil.html

:-)

Morvan, Usuário Linux #433640.

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ZePovinho

13 de janeiro de 2012 às 21h20

http://www.aepet.org.br/site/noticias/pagina/8255…

A Privataria Tucana no BNDES : o ridículo cheque pago pela Vale do Rio Doce ( a hoje gigantesca VALE)

Data: 13/01/2012

Comentário de Adriano Benayon, sobre o ridículo cheque pago pela Vale do Rio Doce . “Prezado Maurício David, Grato por esta transmissão da cópia do cheque do leilão de privatização da Vale, acompanhada de seu pertinente comentário. O valor do cheque que ali consta é R$ 3.199.974,00, e a data, 09.05.1997.
Na época escrevi artigos, em que mostrava a empresa valia, não bilhões, mas trilhões de dólares, e isso obviamente antes de conhecermos os fabulosos e crescentes lucros que se mostraram após a privatização.
Transmito em anexo os textos de três artigos. É de notar que nem considerei neles o fato de a Vale não ter acumulado mais capital do que o fabuloso capital que já acumulara, devido às criminosas gestões quando ainda era estatal, notadamente sob Eliezer Batista.

Nessas administrações, a Vale vendeu a preço ridículo, que mal pagava o transporte, minério de ferro em contratos de longo prazo, que favoreceram o Japão. Funcionários testemunharam que, no meio do minério, havia também ouro.

Este adendo, após muitos anos, aos artigos de 1997, não é para dizer que a gestão estatal é ruim em si mesma, inclusive porque o Estado brasileiro, especialmente após a derrubada de Vargas em 1954, estava manietado pela ingerência estrangeira, a mesma que determinou o golpe daquele ano e golpes posteriores. De fato, a partir de 1954, o favorecimento e os subsídios às transnacionais foram, em crescendo, a tônica da política econômica que ainda persiste e faz com que os avanços do Brasil, se os há, não correspondam ao potencial do País. Não havia, pois, razão para privatizar as estatais, muitas das quais geraram fantásticos benefícios ao País, inclusive a Petrobrás, hoje desnacionalizada e quase privatizada.
O caminho adequado não era esse, mas sim, o de ESTATIZAR O ESTADO,
QUE DE HÁ MUITO ESTÁ SUBORDINADO A INTERESSES PRIVADOS, QUASE SEMPRE OS DAS CORPORAçõES TRANSNACIONAIS E OS DA OLIGARQUIA FINANCEIRA ANGLO-AMERICANA.
Abraços,

Adriano Benayon

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Nelson Menezes

13 de janeiro de 2012 às 21h00

Está cheio de, eu não sabia, neste blog

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Marcelo de Matos

13 de janeiro de 2012 às 20h13

(parte 2) 3) “a lógica da rentabilidade do capital prioriza a opção pela aplicação no mercado financeiro e não na atividade produtiva”. Eu desconhecia essa lógica. Grandes bancos no Brasil, como Itaú e Bradesco, costumam investir 50% na área financeira e outros 50% na industrial. Diz um velho jargão econômico: não coloque todos os ovos em um só cesto. Os industriais não costumam ingressar nessa choradeira contra os juros porque também investem no mercado financeiro. Quem chora são os políticos da oposição.

Responder

    Mariac

    24 de julho de 2012 às 18h27

    Eu nunca soube que os bncos costumassem investir na industria. Até que apareceram as elétricas com lucros bancários.

Marcelo de Matos

13 de janeiro de 2012 às 20h12

(parte 1) Na minha ignorância em matéria econômica eu nem deveria comentar o texto. Ocorre que a exposição de teses econômicas fora do âmbito acadêmico tem, em geral, um viés político. O PIG costuma falar da alta dos juros, da valorização do câmbio e da tal “desindustrialização” com o intuito de desqualificar o governo. Os nossos hermanos mais à esquerda vão nas mesmas águas. Já falei sobre isso e comento agora outras passagens do texto: 1) “É o que ocorre com os trilhos comprados para suas ferrovias ou os super cargueiros encomendados para transporte de minérios -– na grande maioria dos casos importados da China”. Os EUA também importam esses itens, inclusive pontes de aço que só são montadas nos States; 2) “vendemos produto primário barato e compramos produtos manufaturados de maior valor agregado”. Olha: a Vale, citada no texto, não vende minério barato. Os percentuais de aumento de preço que ela aplica são estratosféricos;

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EUNAOSABIA

13 de janeiro de 2012 às 19h54

O caminho certo da economia brasileira sabe qual é??? é o caminho certo do abismo mano velho.

Nove anos de completa mediocridade, nove anos fazendo o NADA, o dólar de hoje vale menos do que aquele um pra um quando do lançamento do Real.

Não manjas é bulhufas sobre o tema.

O Brasil não só está se desindustrializando, como já caiu posições nesse ranking.

Procure se informar um pouco melhor rapaz.

Outra coisa, o Brasil só é a sexta econonomia do mundo graças a esse dólar totalmente irreal de 1,70, se o dólar fosse hoje 2,90 por exemplo, o pais estaria em 12a economia mundial, atrás do México, de forma paradoxal, a maior taxa de juros que esse governo que está aí paga aos esbulhadores de Davos é que fazem o Brasil estar nesta posição. Já que a variável taxa de juro é inversa a variável taxa de câmbio.

Se a China refugar o Brasil JÁ ERA.

Nove anos fazendo o nada, como nada parece que vai mudar nos próximos três anos, tomara que a China nos ajude, esperar trabalho e competência de petista é um despropósito, são bons é para se apropriar de obra alheia e cacarejar sobre ovos que não são seus…trabalhar mesmo e criar novos instrumentos são um zero.

braZil de tolos… bla bla bla…

Responder

    ZePovinho

    13 de janeiro de 2012 às 20h50

    ZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZ…………………………………………….

    Mariac

    24 de julho de 2012 às 18h18

    Bota teu nome lá que falo com você.

Brasil, importador de café moído | OCOMPRIMIDO.COM

13 de janeiro de 2012 às 19h18

[…] Há muito otimismo em torno do Brasil, principalmente na mídia internacional e por setores do governo. É bom manter a fé no futuro, mas para isso é preciso prestar atenção ao presente. Segue análise de Paulo Kliass, especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental, carreira do governo federal e doutor em Economia pela Universidade de Paris 10. Via Viomundo. […]

Responder

Yacov

13 de janeiro de 2012 às 19h15

Não acredito nesse negócio de "desindutrialização". Mas creio que a nossa indústria precisa ser estimulada e fortalecida, assim como, que os juros precisam cair, e muito. Apesar dos pesares, acho que estamos no caminho certo. Sò precisa acelerar um pouco mais. Pedala, DILMINHA!!

"O BRASIL PARA TODOS não passa na glOBo – O que passa na glOBo é um braZil para TOLOS"

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    Anão Zangado

    14 de janeiro de 2012 às 08h25

    Já esse aqui não acredita na "desindustrialização", tema que já foi visitado por economistas tais como o Wilson Cano. Que, diga-se de passagem, não duvida de que exista desindustrialização causada pela "Doença Holandesa". O único comentário digno dessa incredulidade é;

    Mas é cada idiota!

NER

13 de janeiro de 2012 às 19h12

Azenha.
Eu não sou economista, mas acho também que esta visão de "artificialidade na definição da taxa de câmbio, faz tendência de haver uma reacomodação dos fluxos de importação e exportação" não serve para mim. O preço do dólar ou euro está de bom tamanho. Sempre há setores que perdem e sempre há setores que ganham. Acho que a questão é outra: é necessário a volta das Câmaras Setoriais para discussão da cadeia produtiva dos produtos para que os agentes econômicios (plantadores de café, processadores, comercializadores, GOVERNO e agentes financeiros públicos) trabalhem a sustentabilidade da produção equilibrada com a demanda (os economistas denominam isto de "substituição de importação"). Como eu disse não sou economista, mas, penso, que é uma questão de oferta e demanda e que o Estado pode ser regulador do equilíbrio (os economistas denominam isto e de keynesianismo). Bobagens eu falo, não é?. Pois, se a agricultura e a industria processadora do café não dá conta da demanda? que fazer? entrar na política ortodoxa (os economistas denominam isto de monetarismo) é a solução? Eu não acho. Mas quem sou eu para falar de economia. A questão de "câmbio" sobrevalorizado é discurso que não serve para suprir controle de importação. Se há a artificialidade do câmbio flutuante (política do BC) quem vai me dizer que não haveria artifialidade na desvalização do rela? Acho!

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rita

13 de janeiro de 2012 às 17h59

seremos o paraiso da classe media que se conforma em consumir produtos importados… imaginem, aquela sacolina de plastico foi banida dos supermercados,pelo o menos aqui na minha cidade isso já é fato. e aparece a substituta, a sacola retornavel. ofereço uma bala de presente para quem dscobrir onde ela é fabricada… se eu disser que é na china ficaria obvio demais!

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Bonifa

13 de janeiro de 2012 às 17h48

Toda a indústria nacional, particularmente a de alimentos e bebidas, está se desnacionalizando a passos largos. Os monopólios florescem e as pequenas empresas são esmagadas. As indústrias locais não têm como prosperar, porque as redes de distribuição pertencem a multinacionais que fazem contratos com outras gigantes multinacionais, e estão se infiltrando até nas menores cidades da Amazônia. Óbvio que isto é consequência direta da liberalização excessiva posta em leis irrepletidas na época dos recentes governos neolibarais. Leis que pedem a coragem de ser debatidas e reorientadas. Se isso não acontecer, em pouco tempo desaparecerá o sonho do país de classe média em favor de um país de pequenos assalariados e de uma casta oligárquica cada vez mais concentrada e até extra-nacional. Não tem mais cabimento as radicalizações liberais e os chavões doutrinários. É preciso voltar a debater todas as leis de porteira-escancarada do governo tucano.

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    beattrice

    14 de janeiro de 2012 às 09h59

    O problema é que os governos trabalhistas adotaram como dogma "não rasgar contratos" e como não conseguem ou não querem comprar a briga do marco regulatório da mídia, ficam expostos a um debate unilateral e se intimidam.
    Por essa razão não revem a porteira escancarada e toda a PRIVATARIA tucana que já deveria ter ido para o balaio há tempos.

zezinho

13 de janeiro de 2012 às 13h21

Faltou mencionar a questao dos impostos que tb é decisiva. As empresas brasileiras ficam completamente amarradas sem poder investir em pesquisa e desenvolvimento. Aí as empresas de fora chegam com produtos melhores e para tentar "proteger" a industria o governo aumenta a taxa de importacao. Como sempre quem paga o pato é o consumidor.

Responder

    Marcelo de Matos

    13 de janeiro de 2012 às 20h17

    Faltou mesmo. O PIG, para desqualificar o governo, costuma bater nessas quatro teclas: juros, câmbio, impostos e desindustrialização.

    Morvan

    13 de janeiro de 2012 às 21h23

    Boa noite.

    Perfeito, Zezinho.
    A "fórmula mágica" apontada pelo articulista só tem um efeito, e bem perverso: o aumento do "Lucro Brazil". Se com a concorrência, paga-se quatro a cinco vezes o preço de um produto, aqui no Brasil, sem concorrência, vai pra estratosfera.
    Não é fácil, pois tem a cultura do "arrocha, que o otário compra".

    :-)

    Morvan, Usuário Linux #433640.

    Anão Zangado

    14 de janeiro de 2012 às 08h23

    Quer dizer que as empresas brasileiras não investem em pesquisa e desenvolvimento por causa dos "impostos"!!!! Hahahahahahahahahahahahahahahaha…

    É cada idiota!

    Mariac

    24 de julho de 2012 às 18h21

    Aqui em casa o únicos produtos importados são azeite de oliva e azeitona.

    É só escolher.

Marcelo de Matos

13 de janeiro de 2012 às 13h02

(parte 2) Segundo: não dá para falar em desindustrialização. O principal item de nossa pauta de exportações são as autopeças. Temos 20 montadoras instaladas no país, 10 em São Paulo e as demais espalhadas pelo país afora. Estão chegando outras: a Toyota, em Sorocaba; a Hyundai em Piracicaba; a JAC em Jacareí; a Chery em Resende-RJ; outra montadora em Pernambuco… As fábricas de autopeças se multiplicam. Montadoras de tablets estão sendo instaladas de roldão. Somos o quarto produtor mundial de automóveis e cerveja. É certo que alguns prefeririam continuar produzindo café em pó. Até onde eu sei, deixamos o posto de maior produtor porque outros países têm, atualmente, melhores solos e clima para a produção, como a Colômbia, por exemplo. Seria o caso de consultar um especialista em cafeicultura.

Responder

daniel

13 de janeiro de 2012 às 13h02

Brasil tá virando Cuba dos anos 50. Já já vamos importar chicletes.

Responder

    Fabio_Passos

    13 de janeiro de 2012 às 13h06

    Toda razão.
    E com este câmbio criminoso logo vamos importar goiabada cascão…

    edv

    13 de janeiro de 2012 às 18h30

    A marmelada ainda resiste, mas a bananada (e a mariola) já estão escasseandonos mercados…..

    Fabio_Passos

    14 de janeiro de 2012 às 00h23

    escasseando nada.
    Com este real hipervalorizado logo aparece algum país disposto a nos vender barato.

    Klaus

    15 de janeiro de 2012 às 10h33

    Doce de leite já importamos da Argentina.

Marcelo de Matos

13 de janeiro de 2012 às 13h01

(parte 1) Não bastasse o PIG, nossos “hermanos” da esquerda tentam desqualificar o governo: juros altos, câmbio apreciado, desindustrialização. Primeiro: juros, câmbio e política industrial não estão na área de competência do Executivo. Isso ficou muito claro por ocasião da primeira eleição de Lula, com a “Carta aos Brasileiros”, escrita por Gofredo Telles Júnior. O candidato comprometeu-se a respeitar as diretrizes das chamadas entidades da “sociedade civil”, como FIESP e FEBRABAN. Dizem que isso é norma no chamado Estado Democrático de Direito. Portanto, o governo não pode, em uma penada, decidir que o país deixará de plantar cana. Eu até gostaria porque com o fim dos subsídios nos EUA exportarão o álcool e nós, consumidores, ficaremos sem o produto. Nossos carros flex gastam mais que um veículo movido só a álcool, ou só a gasolina. Enfim, entramos em uma flex tubulation. O país, contudo, continuará lucrando com as exportações de álcool e açúcar e nós, consumidores, seremos indiretamente beneficiados.

Responder

eunice

13 de janeiro de 2012 às 12h51

E dá-lhe importação de maquininha da fazer café, diretamente da Itália, que nem isso sabeos fazer.
E agora também, os States já recusam o suco de laranja, cheio de agrotoxico.
Lembram de quando veio o maldito marketing contra o suco natural? Era para sobrar para exportar. Puseram os pobres nas esquinas com uma laranjona de plástico enorme cheia de tampico. Era para promover o artificial tampico, que também manda roialties para a California, e acabar com a venda de suco natural em lanchonetes. Acabou mesmo! Agora o suco natural naõ vai mais entrar nos States, pois não cuidamos das pragas e elas aumentaram com o excesso de veneno. Não temos mais o suco natural, não queremos tampico vagabundo, não conseguimos exportar o envenenado, vão nos devolver o natural envenenado. E agora José?

Responder

    Marcelo de Matos

    13 de janeiro de 2012 às 13h20

    Quem sabe os States estejam recusando o suco de laranja porque tiveram de acabar com os subsídios aos produtores de álcool de milho. Os ruralistas americanos, assim, perdem de um lado e ganham do outro. Esse negócio de agrotóxico pode ser balela: ninguém produz laranja, ou qualquer outra fruta, sem os defensivos agrícolas. Mas, fique tranquila – não será o fim do mundo.

    edv

    13 de janeiro de 2012 às 18h28

    Vc usou os dois.
    Mas a diferença entre falar agrotóxico (ou pesticida) e defensivo agrícola é similar chamar Dilma de presidenta ou presidente.
    Opcional, mas sintomático…

    Mariac

    24 de julho de 2012 às 18h25

    Não preciso de conselhos para minha vida e meu consumo. Atenha-se ao assunto por favor. falamos de venenos proibidos e cancerigenos.Amplamente usados no Brasil. E incrivel que o governo deu um prazo de 3 anos para o banimento e assim os agricultores não perderão seu lucro.

Armando S Marangoni

13 de janeiro de 2012 às 12h49

Sugestão de cenário:

O Brasil para de comprar produtos chineses, feitos com matéria prima brasileira, usando mão de obra quase escrava, por isso barata, de um povo que não tem alternativas senão obedecer.

Durante algum tempo, os produtos encarecem. A produção passa a ser local, com máquinas locais, mão de obra local, dinheiro local, economia local.

Depois de algum tempo, a produção aumenta o conhecimento, a qualidade melhora, o preço diminui e viramos exportadores sem a chancela de nos valermos da exploração desumana, de mais valias.

A oportunidade está aí. A discussão tem que acontecer, mas não devemos esperar que os arautos da desgraça tomem a iniciativa.

O Estado chinês é um monstro com cabeça de ditador militar num corpo de capitalista selvagem. Não dá para confiar.

Responder

    Marcelo de Matos

    13 de janeiro de 2012 às 13h26

    "O Estado chinês é um monstro com cabeça de ditador militar num corpo de capitalista selvagem. Não dá para confiar". Quem lida com política ou comércio internacional não pode ficar atrelado a conceitos ideológicos. China,Irã e Venezuela são parceiros comerciais, nada mais. A China tem um mercado interno competitivo – é uma economia capitalista. Não nos cabe questionar em qual país o capitalismo é mais selvagem. Temos de saber cuidar dos nossos negócios: os deles eles têm cuidado muito bem.

    Armando S Marangoni

    13 de janeiro de 2012 às 20h23

    Acho que nos cabe questionar se o capitalismo do fornecedor é selvagem sim.
    Melhor, estou certo de que o capitalismo é uma boa invenção, mas como todo artifício, tem que ser controlado para ser eficiente. No caso de lidar com seres, todos eles, esse controle tem que ser honesto, claro e compreensivo.
    A selvageria de um governo em relação a seu povo é, para mim, a exata medida da selvageria dos que estão por trás dos mandatários do povo em lidar com o poder que emana dele e para ele deveria ser exercido (já ouviu algo parecido?).
    Cuidar de nossos negócios é cuidar de nossa gente e de todas as outras, se estiverem pedindo socorro. Já ouviu falar de trabalho escravo? Já viu um escravo do trabalho, no sentido não figurado do termo? Alguém que tem que aceitar ser explorado e maltratado para conseguir algum dinheiro? Crianças trabalhando, e não ganhando, porque são uma oferta dos pais para não perderem o emprego para quem pode oferecer mais trabalho por menos remuneração? Uma concorrência selvagem ao contrário?
    O mercado interno da China não é competitivo, é muito bem dividido de acordo com a "orientação" do governo, que aliás se estende até para o controle da maternidade e a autoridade de matar e mandar a conta da bala para a família.
    De tanto ouvir falar já ficou banal, não é mesmo? Até serve para nos "ensinar" , como uma lição de moral.
    Não confundir com a política externa brasileira, que teve que dar à retomada de relações com o mundo não poderoso economicamente um tom comercial, para não ser desqualificado pelos grandes "formadores" de opinião, mais apropriadamente chamados de imprensa golpista.
    Tudo se liga e por isso mesmo fica quase invisível para os olhos que já não viram antes os detalhes desse filme.

    Antonio Nunes

    13 de janeiro de 2012 às 22h02

    o ex-Presidente Lula não concorda com vc e reconheceu a China como "economia de mercado"…

    EUNAOSABIA

    14 de janeiro de 2012 às 07h15

    Como sempre o intelingentão e muito sábio aprontando das suas.

    Foi a única pessoa do mundo (uma espécie de nunca antes de si mesmo), a reconhecer o absurdo.

    Nos livramos de uma bomba, mas a bomba que ele largou no colo da Dilma ainda está ativa e precisa ser desarmada, dívida interna fora de controle, bolha de crédito que não se sustenta e déficit em conta corrente que estão próximos da explosão.

eunice

13 de janeiro de 2012 às 12h46

Quem mesmo que criou essa farsa de colher café verdE? Claro que o Ministério da Agricultura é responsável. E isso é bem antigo. Antigamente se colhia o café maduro, secava-se ao sol, havia até uma certa fermentação leve. Se era arábica era delicioso. Agora planta-se de todo tipo, não se respeita a qualidade de solo, toca-se veneno, mata-se os polinizadores, usa-se mata-mato, colhe-se verde, e todos sabem do fato de que FHC e familia compravam com o cartão de crédito corporativo – café da Colômbia – e alguém acredita mesmo que há passarinho para comer e evacuar tanto grão de café da Colômbia? Claro que o café deles é melhor porque mais bem cuidado e natural, mas jamais passado por dentro do pássaro. Tudo marketing. E agora inventaram que o nosso café – vagabundo, catuaí, nanico etc, e colhido verde – também é comido e expelido pelo jacu. Isso não vai colar. Há o problema do custo, eu sei, da colheita, pois agricultor não tem dinheiro para pagar muitos braçais. Mas a coisa tnede a piorar ainda mais.Chega de técnicos malvados, de agrônomos malvados que só pensam em vender veneno e ganhar sua comissão.Vamos planejar.

Responder

    Marcelo de Matos

    13 de janeiro de 2012 às 13h42

    Não entendo de economia, mas, os ciclos econômicos vão passando: pau Brasil, açúcar, gado, mineração, diamante, algodão, café, borracha… Estamos no limiar de um novo grande ciclo do açúcar/álcool, com o fim dos subsídios nos States. Aqui deverá faltar álcool para nossos carros, mas, a economia brasileira crescerá e seremos indiretamente beneficiados. Haverá grandes investimentos no aumento da produção sucroalcooleira. O PIB brasileiro crescerá e seremos a quarta economia do mundo. Sou neto de cafeicultor falido na crise da era Vargas. Não sonho com a volta do ciclo do café. Esse negócio de café orgânico é muito bonito, mas, em termos de exportação, me poupe.

    Klaus

    15 de janeiro de 2012 às 18h49

    Não conseguimos produzir alcool nem para nós mesmo, como vamos exportar?

    zezinho

    13 de janeiro de 2012 às 17h27

    Cara Eunice, acredito que vc não leu o que está escrito no texto. Ele trata da importação do café torrado e não do café bruto. Infelizmente o Brasil não tem tecnologia decente para a torra do café, que é o que diferencia e muito o produto final. Grande parte desses café importados contém café brasileiro porém são de qualidade muito superior ao que é vendido aqui exatamente devido ao processo pelo qual o grão bruto passa.

    Marcelo de Matos

    13 de janeiro de 2012 às 19h50

    Concordo Zezinho. Um dos segredos do bom café está na torrefação. Se torrar muito, o café não fica marrom, mas, preto e amargo. É preciso tecnologia de ponta para produzir bons cafés. Infelizmente, não temos essa tecnologia nessa e em outras áreas.

    Jotage

    13 de janeiro de 2012 às 22h09

    Marcelo.
    Não existe tecnologia para torrar café. Meus avós já faziam isto com qualidade e em casa. O que existe é a exportação do nosso melhor café e a importação de cafés mais baratos. Nós não temos ainda poder aquisitivo para pagar o que os outros pagam pelo bom café.
    Mudando um pouco, o economista não explica porque temos o carro mais caro do mundo (sem imposto), isto sim explica a facilidade de entrar no nosso mercado.

    Marcelo de Matos

    14 de janeiro de 2012 às 11h33

    Minha avó também torrava café em casa. O torrador era uma bola de ferro com uma portinhola que ela abria com uma torquês e assoprava a fumaça para ver se já estava no ponto. O trabalho era feito em um fogãozinho improvisado com tijolos onde acendia a lenha. Hoje é possível torrar café sem assoprar a fumaça, sem torquês e sem lenha. Podemos fazer isso no Brasil ou pagar pelos serviços de estrangeiros – o comércio internacional é uma via de duas mãos. O carro, mesmo sem os impostos, é caro porque há um cartel das montadoras. Em várias atividades econômicas no país há formação de cartel. O MP e a Receita Federal têm pouca possibilidade de impedi-lo. É esperar que surja a concorrência: a entrada das fábricas chinesas poderá fazê-lo. Por enquanto, ajudamos a combater a crise na zona do euro com os grandes lucros das montadoras. É assim: ruim com elas, pior sem elas.

    Morvan

    14 de janeiro de 2012 às 22h23

    Boa noite.

    Isso, Jotage. Eu também me lembro dos tempos da torrefação; lá na fazenda do meu avô era a "torta de café", untada com cinza do próprio fogão a lenha. Ao grão era adicionada razoável quantidade de rapadura. Quem gostava do café um pouco mais doce, acrescentava açúcar, claro, mas parcimoniosamente, pois o açúcar era o item mais caro no processo. A rapadura era bem barata, pois o meu avô era grande produtor deste item.
    Nunca mais bebi cafés como aqueles.
    Feitos com toda a simplicidade do mundo. Delicioso café.

    :-)

    Morvan, Usuário Linux #433640.

    Klaus

    15 de janeiro de 2012 às 10h28

    Só pq vc não conhece não significa que não exista. O café na casa da minha avó tb era maravilhoso, mas as coisas evoluem e hoje em dia existem diversos tipos de café e muita tecnologia envolvida. O café da vovó não faz mais sucesso no resto do mundo. Se fosse fácil como o café da vovó, o Brasil não importaria, né verdade?

Marcio H Silva

13 de janeiro de 2012 às 12h40

E temos a tradição de contar piada de portugues! só rindo!

Responder

O_Brasileiro

13 de janeiro de 2012 às 12h39

Em termos de redução dos juros, a dupla Dilma/Tombini está se saindo bem melhor do que Lula/Meirelles.

Responder

    Fabio_Passos

    13 de janeiro de 2012 às 13h10

    Durante Lula 2 os juros chegaram a 8,75% aa

    O início do governo Dilma foi um claro retrocesso… uma pouca vergonha que ainda não foi corrigida.

Rafael

13 de janeiro de 2012 às 12h17

É repugnante. Vender café verde e importar café torrado, moído. Brasil é único país no mundo com potencial que tem e se submete a isso. Depois que europeus e americanos nos olham com desdém não é por acaso. Que país mais submisso não existe. É país de covardes.

Responder

    Fabio_Passos

    13 de janeiro de 2012 às 13h16

    É um país cuja "elite" branca e rica aceita servir aos interesses das oligarquias financeiras internacionais no butim de nossas riquezas naturais e da renda aqui produzida com a super-exploração de nosso trabalho.

    Nossa nação tem potencial para ser líder entre os países mais desenvolvidos do mundo.

    Este potencial é desperdiçado porque somos controlados por uma "elite" ladra que despreza e odeia o próprio povo.

    Tem de tacar fogo no rabo deste governo para que enfrente os interesses desta "elite" crápula.
    É preciso pressionar o governo para que nos represente.

    beattrice

    14 de janeiro de 2012 às 09h57

    É um governo em disputa, enquanto a militancia que elegeu Dilma não entender isso, é retrocesso em cima de retrocesso, seja economico ou social, porque a tal de base aliada só quer defender o seu pirão, onde quer que ele esteja.

    CLAUDIO LUIZ PESSUTI

    14 de janeiro de 2012 às 16h50

    "E um governo em disputa" nossa, me impressiona a quantidade de sofismas que os petistas gostam de desfiar quando se aponta o obvio:a traição total do PT ao que pregava quando oposição.E não me venham com esta historia de "papo de esquerda utópica".Ha medidas de defesa de interessa nacional, que independem deste papo de esquerda ou direita.E o PT já mostrou a que veio, não este papo de "governo em disputa".O governo do PT já decidiu quem e o vencedor da historia, só não vê quem não quer.Mesmo porque , o mesmo pode se dizer de qualquer governo.E um sofista este "governo em disputa".E como "estar o poder não e ter o poder".Desculpa para fazer um governo covarde, só pensando em novas eleições.Nao quer saber de confrontar interesses poderosos do rentismo .

    Klaus

    15 de janeiro de 2012 às 10h30

    Sobre qualquer assunto o comentário do Fábio Passos é memo, notaram?

    Bonifa

    14 de janeiro de 2012 às 13h04

    Inclusive, adquirindo o gosto pelo café imposto pelo homem branco da Europa. Por todo o país há lugares onde o café é plantado com todo o carinho, torrado, moído e passado em casa com sabores únicos, tradicionais. Em lugar de se dobrar o homem branco à maravilha da tipicidade destes sabores, se adquire seus pensamentos exóticos e até sua filosofia capenga sobre o café. Isso é terrívelmente provinciano e colonizado.

Antonio Martins: A curiosa conversa da oligarquia financeira | Viomundo - O que você não vê na mídia

13 de janeiro de 2012 às 11h53

[…] Paulo Kliass: Brasil, importador de café moído […]

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