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Monarquista é “futuro do Brasil”, diz gestor do mercado, em festa com Bolsonaro. Enquanto isso, candidato esconde o que vai fazer com os salários
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Política

Monarquista é “futuro do Brasil”, diz gestor do mercado, em festa com Bolsonaro. Enquanto isso, candidato esconde o que vai fazer com os salários


08/10/2018 - 18h38

Ibovespa fecha em alta de 4,6%, com volume recorde, após Bolsonaro forte no 1º turno. DCI

Do ponto de vista prático, pensando no Congresso, onde as maiores batalhas para a aprovação de reformas que o país tanto precisa serão travadas, temos excelentes notícias. Políticos que poderiam atrapalhar o avanço do país ficaram de fora: Suplicy, Lindbergh, Dilma, Requião, Wadih Damous, Vanessa Grazziotin, Vicentinho, Jorge Viana etc. Já outros alinhados com o avanço do país entraram: Luiz Philippe de Orleans e Bragança, Kim Kataguiri, Carla Zambelli, entre outros. Henrique Breda, gestor do fundo de ações Alaska Black, promovido a mago do mercado pelo Infomoney: ganhou 306% desde janeiro de 2016.

A nossa bandeira não será vermelha! Slogan utilizado por apoiadores de Bolsonaro que saudaram a bandeira vermelha, azul e branca dos Estados Unidos

O que o Bolsonaro esconde dos trabalhadores enquanto fala sobre kit gay?

por Vinicios Betiol*

Estamos observando os brasileiros participando do debate político ativamente nos últimos anos.

O problema é que estamos vivenciando uma verdadeira “futebolização” da política.

As pessoas escolhem um lado e torcem de forma fanática, sem se aprofundar verdadeiramente nas propostas de cada candidato.

O mais assustador é a ascensão do Bolsonaro, que é um candidato à presidência de extrema direita, que possui ideias similares ao nazifascismo.

Tal candidato costuma trazer frases de efeito e respostas fáceis para problemas difíceis.

Isso aumenta a sua aceitação popular, mesmo com as pessoas não fazendo ideia do que ele representa de fato para a nossa sociedade.

Não iremos nem citar os danos causados pelo seu discurso de ódio trazido por ele.

Vamos nos ater ao que ele tem guardado para a população trabalhadora.

Esqueçam esses debates sobre kit gay ou liberação das armas.

O Bolsonaro utiliza tudo isso para desviar a atenção do que realmente interessa.

Ele está comprometido com os interesses do mercado financeiro.

Não é por menos que quando ele sobe nas pesquisas o mercado responde positivamente.

Mas afinal, o que o mercado financeiro espera do Brasil?

No mundo globalizado as empresas passam a se locomover pelo mundo com mais facilidade em busca de melhores lucros.

É nesse contexto que as propostas de tal candidato, para a área econômica, estão agradando ao capital estrangeiro.

Sua ideia é de privatizar tudo o que existe na administração pública.

Perderemos as empresas e recursos estratégicos que estão no Brasil hoje.

Isso significa que a empresas e bancos públicos deixarão de exercer o poder de ativar a economia e gerar empregos dentro do Brasil.

A ideia do Paulo Guedes (guru econômico do Bolsonaro) é transferir essa função para as empresas privadas, sobretudo as estrangeiras.

Então temos um contexto em que o Brasil passará a ser dependente dos investidores estrangeiros.

Agora devemos nos perguntar: o que esses investidores querem para investir no Brasil?

Eu respondo para vocês: eles querem baixos impostos e mão de obra barata. Sim, nós somos a mão de obra barata.

Isso explica a proposta, que está no programa de governo dele, da criação de uma carteira de trabalho verde e amarela, sem nenhum direito trabalhista.

O trabalhador só terá direito ao que está escrito no contrato de trabalho.

Deixará de usufruir de férias; décimo terceiro; salário mínimo; hora de almoço; feriados; descansos remunerados e tudo que tem hoje como direito.

Ao contrário do que dizem para vencer as eleições, a maioria desses direitos não estão na cláusula pétrea da constituição.

Mesmo que tivessem, existe a possibilidade deles criarem uma nova constituição.

O Brasil adotará com o Bolsonaro o modelo trabalhista similar ao da Índia e da China.

São países periféricos que utilizam a mão de obra barata para atrair empresas estrangeiras.

Para piorar, o corte de impostos, principalmente para os grandes empresários, fará o Brasil investir menos em saúde, educação e segurança.

Assim como na China, é possível que o Brasil cresça com esse modelo, mas com o custo de transformar os trabalhadores em escravos modernos.

E o pior, é possível que haja resistência a essas propostas e por isso estão montando uma chapa de militares.

Talvez isso precise ser feito na base da força, assim como o Pinochet fez no Chile.

O que cada um tem que pensar nesse momento é em que papel desempenha na sociedade.

Quem é trabalhador ou pequeno e médio empresário conhecerá os piores momentos de suas vidas.

Só quando cada trabalhador tiver consciência de seu papel na sociedade é que estaremos em condições de lutar contra a escravidão e a barbárie!

Que essa conscientização seja logo, pois temos poucos dias até o segundo turno.

*Vinicios Betiol é geógrafo com Pós-Graduação e Mestrado na área de Geopolítica pela UERJ

Veja também:

Haddad coloca a economia no centro da campanha do segundo turno



4 comentários

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Anotório neto

09 de outubro de 2018 às 11h54

Sabe aquele item da constituição que diz que temos liberdade de religião?
Esta acabando. Existe uma religião que tem um projeto definido de poder político.

Responder

Bel

09 de outubro de 2018 às 11h13

Vê que a forma de agir de Temer, Bolsonaro e dória é diferente, mas a essência é a mesma. Tempos difíceis.

Responder

Hudson

08 de outubro de 2018 às 22h58

Como na recente charge de Duke, é formiga votando em tamanduá.

Responder

Elena

08 de outubro de 2018 às 18h51

Se o post está se referindo ao Vicentinho do PT de SBCampo (SP), ele foi reeleito e vai assumir novo mandato na Câmara dos Deputados. Agora o post diz: “Só quando cada trabalhador tiver consciência de seu papel na sociedade é que estaremos em condições de lutar contra a escravidão e a barbárie!” E aí eu digo: o pior é que muitos trabalhadores não tem consciência do seu papel na sociedade e estão apoiando Bolsonaro, pois não estão conscientes das perdas que irão sofrer se ele vencer essas eleições. Triste ver isso acontecer!

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