Cebes: Mobilização indígena derruba decreto de privatização de hidrovias no Tapajós, Madeira e Tocantins

Tempo de leitura: 2 min
Indígenas ocuparam terminal da Cargill, em Santarém (PA). Ilustração: Joana Trotta/Cebes em cima da foto de Deleth Oliveira/Amazon Watch

Mobilização popular indígena derruba decreto de concessão de hidrovias do Tapajós

“Decreto é a cereja de um bolo cuja massa vem sendo sovada e assada desde o governo FHC, com a criação do arcabouço legal para a privatização dos rios”, avalia o cebiano Heleno Corrêa Filho

Por Clara Fagundes, no site do Cebes 

O governo federal publicou hoje, 24/2, a revogação do Decreto 12.600/2025, que previa concessão de hidrovias nos rios Tapajós, Madeira e Tocantins.

A revogação é uma vitória dos povos indígenas, que denunciavam a privatização dos rios e ocuparam por mais de um mês o terminal da empresa Cargill, em Santarém.

“Devemos gratidão aos povos indígenas e ribeirinhos, mas essa vitória não põe fim à guerra. O decreto 12.600 é a cereja de um bolo cuja massa vem sendo sovada e assada desde o governo Fernando Henrique Cardoso, com a criação do arcabouço legal para a privatização dos rios. Os andaimes para retomar esta obra continuam montados”, avalia o médico sanitarista Heleno Corrêa Filho, integrante do Conselho Consultivo do Centro Brasileiro de Estudos de Saúde (Cebes).

O decreto determinava a realização de estudos técnicos, etapa estruturante para a transferência de hidrovias para iniciativa privada, que passaria a ser responsável pela manutenção da navegabilidade dos rios, execução de dragagens e gestão do tráfego das embarcações.

Para as comunidades do Tapajós, a discussão não é apenas sobre infraestrutura. É sobre território, água, alimentação, mobilidade e proteção.

Pelo menos 14 etnias participam do movimento de resistência. A dragagem tem impacto direto no equilíbrio dos rios.

O Conselho Indígena Tapajós e Arapiuns (CITA) alerta que a privatização dos rios poderia afetar a qualidade da água, a pesca, a soberania alimentar e a integridade da floresta, trazendo riscos aos territórios e modos de vida indígenas.

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“Não é o governo que passa a boiada, esse não é o governo que passa por cima da floresta, que passa por cima dos povos originários”, afirmou ontem o ministro Guilherme Boulos, ao anunciar a revogação do decreto, após encontro com a ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara e lideranças do baixo-tapajós.

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