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Marcelo Zero: Se Bolsonaro fosse alemão ou britânico, já estaria preso; se norte-americano, jamais seria eleito como Trump
Wilson Dias/Agência Brasil
Política

Marcelo Zero: Se Bolsonaro fosse alemão ou britânico, já estaria preso; se norte-americano, jamais seria eleito como Trump


24/09/2018 - 13h13

Wilson Dias/Agência Brasil

O perigo do maior movimento fascista do mundo

por Marcelo Zero, via whatsapp

Conforme as pesquisas de opinião, no Brasil cerca de um terço dos eleitores estariam dispostos a votar numa versão patética de Hitler, um medíocre hitlerzinho tropical, sem o carisma, a retórica e a estratégia política do original.

Sem sequer um programa de governo. Um grande vácuo pleno de ódio e preconceito.

Nada mais, nada menos.

Segundo o TSE, o Brasil tem hoje 147 milhões eleitores.

Portanto, cerca de 49 milhões eleitores brasileiros gostariam de votar em nosso hitlerzinho tupiniquim e em seu pitoresco vice, Mourão, o Ariano. Aquele que não confia em mães e avós.

Duvido que, em qualquer outro país, haja 50 milhões de pessoas dispostas a votar num candidato escancaradamente misógino, machista, homofóbico e racista.

Um candidato que elogia a tortura, a ditadura e o fuzilamento de adversários. Um candidato que já afirmou publicamente que “democracia não resolve nada”, que o “Congresso deveria ser fechado” e que o único jeito de “consertar o Brasil” é promover uma guerra civil que mate mais ou menos umas 30 mil pessoas, incluindo inocentes.

Um candidato que oferece armas para solucionar os problemas do país.

Não bastasse, é também um candidato acusado de lavagem de dinheiro e suspeito de enriquecimento ilícito.

Claro está que, em tempos de crise econômica, é natural um crescimento da direita autoritária.

As crises geram insegurança, a insegurança gera medo, o medo gera ódio e o ódio se expressa, muitas vezes, em pseudosoluções fascistoides.

Por isso, há um aumento da direita autoritária em todo o mundo.

Mas, nos países verdadeiramente democráticos, as instituições geraram defesas contra o perigo nazista.

Se Bolsonaro fosse alemão ou britânico, já estaria preso há muito tempo, pois nesses países é ilegal se fazer apologia do fascismo, do racismo, da tortura, etc.

Se norte-americano fosse, jamais seria eleito, como Trump, de direita, foi.

Lá, candidato que afirma que o “Congresso deve ser fechado” e que “democracia não resolve nada” não chega nem nas primárias.

No Brasil, infelizmente, aconteceu o contrário.

O golpismo rompeu com o pacto democrático, acabou com a soberania popular, derrubou a presidenta honesta e estimulou o surgimento de grupos escancaradamente fascistas, racistas, homofóbicos e misóginos.

Aqui, a direita tradicional, a mídia oligárquica e algumas instituições, principalmente as do Judiciário, trabalharam ativamente contra democracia e pelo estímulo ao autoritarismo protofascista.

Na sua ânsia histérica de derrubar o PT a qualquer custo, derrubaram a democracia e quaisquer defesas contra o crescimento do fascismo.

Pagam agora, com seu nanismo político, o preço da sua traição aos princípios democráticos.

E o Brasil hoje tem a dúbia “honra” de abrigar o maior movimento protofascista ou fascista do planeta.

É irônico constatar que os responsáveis pela debacle da democracia brasileira e pelo crescimento do fascismo tupiniquim agora acusem Haddad de ser um “político extremado” e se auto apresentem como “forças moderadas e democráticas”.

Isso é simplesmente o cúmulo da hipocrisia e do cinismo.

O PT, goste-se dele ou não, sempre lutou pela democracia e defendeu suas instituições, mesmo quando elas se voltaram contra ele, de forma não republicana.

Já Bolsonaro é a cria bastarda deles, dos golpistas, dos canalhas que avacalharam o Brasil e sua democracia.

Não chega a surpreender, contudo.

Max Horkheimer dizia que “o fascismo é a verdade do capitalismo”.

Com toda certeza, Bolsonaro é a “verdade” das nossas oligarquias.

Elas nunca tiveram, de fato, compromisso real com a democracia e com o Estado democrático de direito.

Sempre foram racistas, misóginas e preconceituosas.

Sempre apostaram na desigualdade travestida de “meritocracia”.

Nunca se livraram da sua mentalidade escravagista e colonizada.

Sempre que consideraram necessário, deram golpes de Estado. Militares ou judiciais.

O resto é conversa mole de cínicos e hipócritas.

No Brasil, o chamado “campo democrático”, tirando honrosas exceções, sempre esteve concentrado na esquerda e na centro-esquerda.

A adesão da nossa direita oligárquica à democracia sempre foi oportunista e superficial.

É isso, entre outros fatores, que torna a nossa democracia algo estruturalmente frágil.

E é isso que explica também, somada a atual conjuntura de crise profunda, o surgimento do maior movimento fascista ou protofascista do mundo.

Nem tudo está perdido, contudo.

Graças ao prestígio e ao gênio político do maior líder popular da história do Brasil, encarcerado pelos golpistas para ser impedido de concorrer, Haddad, o candidato mais preparado, um político moderado e autenticamente democrático, tem totais condições de vencer as forças antidemocráticas no segundo turno.

Para tanto, será necessário formar uma grande frente pela democracia e pela civilização, contra a barbárie antidemocrática do candidato protofascista.

Não temos dúvida que a maior parte da população se somará a essa frente, se dispuser das verdadeiras informações sobre as forças antidemocráticas, que querem destruir seus direitos políticos e sociais.

Que detestam mulheres, negros, índios e gays e pobres em geral.

Resta ver o que farão as autointituladas “forças do centro”, que há muito se comportam como forças de direita extremada.

Vão destruir de vez a democracia do Brasil só para impedir o PT de voltar ao poder?

Ou vão apostar na conciliação e na racionalidade política?

Se optarem pela primeira, o Brasil poderá se tornar a grande vergonha do mundo.

Um pária internacional definitivo. Um país dirigido por fascistas de almanaque.

A ameaça a toda a América Latina, como definiu a conservadora The Economist, poderá se concretizar.

Na realidade, ameaça ao mundo.

Se optarem pela segunda, o Brasil terá todas as condições de tornar a ser uma das principais democracias do globo, que deu exemplos ao planeta na época em Lula governava com espírito generoso e conciliador.

Lula, Haddad e o PT, não os golpistas, são o verdadeiro centro político do Brasil.

Centro político em mais de um sentido.

Se quiserem combater o fascismo em ascensão é melhor ir se acostumando à ideia de que eles precisam voltar à cena.

Haddad ou fascismo? Democracia ou barbárie?

Escolham.

Não façam o Brasil passar mais vergonha do que já passou e descer mais baixo do que já desceu.

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10 comentários

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MAAR

26 de setembro de 2018 às 19h20

Excelente artigo. Vamos tratar de promover o apoio à candidatura Haddad/Manuela para evitar que o fascismo avance. Democracia ou barbarie..

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Odisseu

25 de setembro de 2018 às 19h55

Preparem se comunistas. O Brasil vai ficar livre dessa corja imunda do PT. Mesmo que Bolsonaro nao seja eleito gracas as urnas eletronicas fraudadas, uma intervencao militar esta iminente.

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Anderson Pereira

25 de setembro de 2018 às 07h29

Meu Deus…quanta ideologia barata. Se o Lula e os petralhas fossem chineses, já estariam mortos… lá matam corruptos… Bolsonaro burro????… então Dilma e Lula são doutorados na ignorância!!

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Marinho

25 de setembro de 2018 às 02h48

Se não Lula fosse Brasileiro já estaria na prisão perpetuar!!! Não só o Lula mas 90% dos políticos brasileiros! Só pensam neles msm, vem com esse discurso que quer o melhor para o povo, mas na verdade só pensam neles msm.

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Edgar Rocha

24 de setembro de 2018 às 18h23

Uma caricatura feito o coiso não interessa nem aos mais fascistas de nosso país. Ele é muito, mas muito transparente em sua verve autoritária. É truculento e, pior, é burro. O candidato da ultra direita não decola mais. É o alckmin. Não nos iludamos que ele seja melhorzinhozinhozinho em relação ao troço. Nem um pouco. Ele odeia pobre. Odeia, mesmo. Odeia liberdade. Odeia muito! E é tão sonso quanto o seu consorte de batina. O que abençoa ração pra pobre.
O problema, colegas, é que, queiramos ou não, é a turma do picolé de chuchu que detém o instrumental para engolir o Bolsonaro na primeira derrapada. Fizeram com a Dilma (sem comparação, pelo amor de Deus!). De um jeito ou de outro, se o mico sair da linha, ele cai. O judiciário pega, a Globo pega. Até os militares o pegam! A solução pra ultradireita não é, portanto o idiota. Ele é apenas um atalho diante do crescimento de Haddad e da vitória moral de Lula em nível mundial.
Bolsonaro poderá vir a ser usado para purgar o descrédito de quem apoiou descaradamente o golpe. Sua queda poderá forjar a imagem de “retomada dos eixos democráticos”, mesmo pela via do autoritarismo militaresco. O apoio a uma ditadura militar entraria, desta forma, na condição de legítimos salvadores da pátria. Uma pátria que, pasmem, elegeu a contragosto da gente cheirosa deste país, uma figura execrável que envergonhou internacionalmente a nação. Daí, a gente ver o Alckmin insistindo em bater no Haddad. Daí, o MBL posando de antifascista. Daí, muita gente tão fascista quanto a besta quadrada, declararem-se neste momento como antifascismo.
Bolsonaro, caso não perca as eleições, será eleito e reconhecido como fruto de eleições democráticas. Mas, não se iludam: após sua incômoda passagem e oportuna queda, não faltaram cargos para governadores biônicos, ministros e a “inteligência” centrista e tucanada para garantir heroicamente a continuidade da democracia e o avanço dos projetos ultraliberais, agora sim, amparados totalmente pela grande mídia, pelo judiciário, pelas polícias, por essa porra toda que começou a destruição do país. Até o povo ficará feliz, apaziguado em sua consciência por terem sido salvos do monstro que elegeram. O país poderá agradecer de joelhos o empenho de uma figura ilustre como FHC na salvação do país. Sem jamais se lembrar de panelaços, jornadas, surras de reio, genocídio de pretos e pobres, nada disto.
Se Haddad for derrotado nestas urnas, não será vitória do babaca de farda. Será o início de uma gloriosa volta tucana ao poder pelas vias mais fascistas e autoritárias possíveis. Bolsonaro será o bode fedido, colocado propositalmente pela Globo, para que o PSDB possa retirá-lo.

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    Edgar Rocha

    24 de setembro de 2018 às 18h27

    “Não faltarão cargos”. Me desculpem

Julio Silveira

24 de setembro de 2018 às 17h30

Sem mexer uma letra. Disse tudo sobre a elite oligarquica pseudo brasileira e suas crias culturais amorais, imorais, canalhas.

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manoel mariano

24 de setembro de 2018 às 16h12

Recebi essa informação – Será verdade?
Bolsonaro vai Confiscar Poupança de R$ 5.000,00 a R$ 350.000,00

Representantes do candidato do PSL a presidência da República, Jair Bolsonaro, em conversa reservada com Paulo Guedes, nesta segunda-feira (24/09), após reunião no Hotel Brasília Imperial, no Distrito Federal, trouxeram a ideia de um confisco nas cadernetas de poupança de brasileiros que possuam em depósito valores entre R$ 5.000,00 a 350.000 que promete ser devolvida, mas com prazo ainda indeterminado, uma vez que este seria um gesto de patriotismo por parte daqueles que querem um país melhor a partir de sua posse, caso venha a ser eleito. Bolsonaro foi informado dias antes da proposta e, concordando, afirmou que o próximo governo terá que ter o apoio da população para um grande sacrifício que visa estancar o rombo nas contas públicas que passará a cifra de 168 bilhões de reais, herdada pela próxima gestão. A informação foi vazada para a imprensa, mas desmentida pelo candidato e pela sua equipe de cerca de 30 técnicos civis que elaboram diretrizes para um eventual governo. Acredita-se alguém da equipe por meio de grupos de whatsap, insatisfeito com a medida drástica, resolveu denunciar e abandonar a campanha e alertar a população deste feito que, segundo ela, “trará consequências nefastas para o poupador da caderneta de poupança e uma desestabilização na governabilidade, uma vez que tal medida impopular traria resultados inesperados por parte daqueles afetados e causaria também uma comoção popular. Sem apoio do povo e do congresso o país cairia no fundo do poço”. A fonte que vazou a informação pediu anonimato e sigilo absoluto pois teme represálias por parte dos apoiadores de Bolsonaro e do próprio candidato.

Responder

    Edgar Rocha

    24 de setembro de 2018 às 18h34

    Quem tem armas, não precisa de estabilidade. O Congresso apoiará, tenha certeza. O judiciário também. Menos a Globo. O Bonner vai fazer aquele silêncio sepulcral depois da notícia. E a Globo vai dizer: “nós avisamos”. Traduzindo pro português: perdeu, otário! A gente mente, tua acredita por que quer, vacilão!!! É nóis!

    Nelson

    26 de setembro de 2018 às 11h23

    Meu caro Mariano.

    Só para petroleiras estrangeiras – absurdo dos absurdos -, são quase R$ 50 bilhões por ano; R$ 1 trilhão até 2040.
    Também por ano, são mais de R$ 500 bilhões em impostos sonegados. Veja no excelente sítio http://www.quantocustaobrasil.com.br/, criado pelo Sinprofaz.

    A maior parte dessa imensa quantidade de recursos que não entram nos cofres do governo, uns 4/5, mais ou menos, sonegada pelos mais mais, pela High Society, pelo grande empresariado. Gente e empresas que têm totais condições de pagar seus impostos em dia e, assim, ajudar o país a garantir a cada um de seus cidadãos a vida minimamente digna a que tem direito.

    Como vemos, soluções existem, mas, como essa patota sonegadora é que vai garantir a sustentação de um governo Bolsonaro – Deus tenha piedade de nós -, o “mito” não vai meter a mão com eles. Vai, como a turma dos tucanos, esfolar um pouco mais os trabalhadores e o povão em geral.


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O livro analisa atuação dos meios de comunicação e traz uma coletânea de artigos produzidos por um dos maiores especialistas do Brasil no tema da democratização da comunicação.