VIOMUNDO

Diário da Resistência


Política

Mais de 800 pessoas confirmam presença na Passeata das Lanternas


17/11/2011 - 01h17

Rafael de Jesus Silva, enviado por e-mail

Por iniciativa dos alunos de Design da USP ( FAU/USP), ocorrerá nesta sexta feira, dia 18,  uma passeata aberta na Cidade Universitária, com o intuito de evoluir a discussão sobre a  segurança na universidade, chamando atenção para a precariedade da iluminação e outros aspectos da conformação  espacial do campus, como a baixa densidade, segregação do campus em relação a cidade, mobilidade baseada no automóvel, etc.

Mais de 800 pessoas já confirmaram presença.

A passeata será entre 19h e ás 23h.  Todos nós estaremos lá com nossas lanternas. É importante que este evento tenha repercussão, para que a sociedade possa ser melhor informada sobre uma série de carências na maior universidade brasileira, e que segurança não é sinônimo de polícia, nem se resolve necessariamente com ela.

Rafael de Jesus Silva, estudante de arquitetura e urbanismo

Escola da Cidade

PS. Deixo aqui a página do evento no Facebook do  evento.

*************

Passeata das Lanternas. Pela segurança na USP

A página do Fackebook foi criada por Eugênia Hanitzsch e Gabriela Peres D Aquino. Abaixo o texto que elas fizeram, convocando para o evento:

Organizada pelos estudantes do curso de Design da USP (em greve), a passeata das lanternas é um ato que tem como objetivo atentar para os problemas de segurança do nosso campus. Entendemos que esses problemas não podem ser simplesmente resolvidos pela entrada massiva da PM, mas podem ser drasticamente reduzidos através de investimentos em iluminação, sinalização e outras medidas que interfiram em seu falho projeto urbanístico.

Como estudantes de um curso noturno, conhecemos muito bem os problemas de locomoção e permanência em um ambiente inóspito como o campus à noite.

“É uma enorme falácia, dentro ou fora da universidade, dizer que presença de polícia é sinônimo de segurança e vice-versa. O modelo urbanístico do campus, segregado, unifuncional, com densidade de ocupação baixíssima e com mobilidade baseada no automóvel é o mais inseguro dos modelos urbanísticos, porque tem enormes espaços vazios, sem circulação de pessoas, mal iluminados e abandonados durante várias horas do dia e da noite. Esse modelo, como o de muitos outros campi do Brasil, foi desenhado na época da ditadura militar e até hoje não foi devidamente debatido e superado. É evidente, portanto, que a questão da segurança tem muito a ver com a equação urbanística.”

Raquel Rolnik, professora de urbanismo da Fau, em http://raquelrolnik.wordpress.com/

19h concentração na Fau (Rua do lago, 876)
20h-23h passeata pelos caminhos que a sua mãe sempre te mandou evitar à noite

por um campus mais bem iluminado e melhor sinalizado!
por uma segurança que a presença da PM não consegue prover!

Via Facebook, o pessoal está se organizando a mil. Tudo indicaa passeata terá presença de estudantes de várias unidades da USP. Até pais estarão presentes. Veja o convite de Maria Amélia Gurgel Neves.

PS do Viomundo: Quem estudou na USP, sabe. Historicamente ela é dividida em dois grandes grupos. De um lado, o pessoal de Humanas — Comunicações, Geografia, História, Ciências Sociais, Letras, Pedagogia, Psicologia –, do outro, o de Exatas e Biológicas — Engenharia, Medicina, Economia, Admistração, Biologia, Química, Farmácia, Matemática.  No meio, como fiel da balança, a turma da FAU, que junta Exatas e Humanas. É como diz o Azenha, ex- aluno de Jornalismo da Escola de Comunicações e Artes ( ECA/USP), “aonde a FAU vai, o restante da USP vai atrás; a FAU é que dá o norte”.”A gente costumava brincar que a FAU é a Exatas com cabeça”, relembra.

Não é preciso fazer pesquisa para se descobrir essa diversidade. Esse é o encanto da vida na Cidade Universitária. Também a sua riqueza. Pessoas com histórias de vida, situações, visões, opiniões e metas distintas, que precisam pensar, se expressar e dialogar  livremente sobre o mundo, o país,  a cidade, o bairro, a universidade,  sem receio de de errar, receber reprimendas ou ser patrulhado.

Em artigo publicado recentemente no Viomundo Lincoln Secco, professor de História Contemporânea da FFCCH/USP, observou: “Uma Universidade tem o dever de levar sua análise crítica ao limite porque é a única que pode fazê-lo. Seus equívocos devem ser corrigidos por ela mesma. Se ela é incapaz disso, não é mais uma universidade”. Por isso a USP tem de ter autonomia, sim. Conceição Lemes, também ex-aluna de Jornalismo da ECA-USP.

Leia também:

Quando o humor derrota a força bruta

Raquel Rolnik: Muito além da polêmica sobre presença ou não da PM

Ricardo Maciel: Abusos da PM nas ruas se reproduzem na USP

Lincoln Secco: A USP deve ter autonomia, sim!





24 comentários

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cronopio

18 de novembro de 2011 às 13h26

Apenas uma informação, pessoal: a assembléia da Física foi interrompida pela entrada de um aluno armado de uma pistola automática. O aluno ora manuseava a arma em seu dedo indicador, ora a colocava sobre seu colo. A assembléia julgou ser uma atitude de intimidação que colocava em risco a vida de todos os presentes e achou por bem interromper a assembléia. Soube-se, posteriormente, que o aluno é policial (ainda não sei se estudante da polícia ou policial profissional).

Responder

cronopio

18 de novembro de 2011 às 11h17

Ontem andei por todo o campus à noite e o único lugar onde vi policiais foi em frente à reitoria e no portão 1: quatro viaturas na reitoria e uma viatura no portão 1.

As ruas do campus são escuras e desertas, há inclusive uma ruela chamada carinhosamente "rua do estupro".

A PM nunca passou por lá. As viaturas da PM são vistas, durante o dia, em volta da FFLCH. Elas tiram fotos dos alunos e "monitoram" se comportamento. Quando anoitece, a polícia se retira. Afinal, vai que aparece algum bandido, né? O aumento de iluminação é considerado ainda a medida de segurança mais eficiente do mundo. Será que nem o Rodas nem a PM sabem disso? Ou será que estão mais preocupados em vigiar os alunos com "potencial para vandalismo".

Um amigo meu, estudante de letras, foi abordado pelos PMs, que pediram sua carteirinha. Quando verificaram que ele era da FFLCH, começou um inquérito de 2 horas. Antes eu tinha medo de bandido, agora tambpem tenho medo dos PMs.

As ruas da USP continuam tão escuras, desprotegidas e perigosas quanto antes. Precisamos urgentemente de um plano de segurança inteligente, elaborado junto à comunidade, precisamos de uma guarda universitária concursada, eficiente, bem-paga, bem-treinada e solidária (a que existe deixou um aluno morrer abandonado no chão). Precisamos, aliás, de muito mais do que segurança, mas para isso ninguém dá a mínima… querem todos satisfazer suas taras masoquistas, deleitando-se com o show de violência filmado em HD. E ainda há quem considere que a presença da PM na USP é questão de segurança…

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rosana

18 de novembro de 2011 às 10h17

Maravilha! esse tipo de iniciativa é é fundamental, para furar o bloqueio da grande mídia que se utiliza de uma situação para descaracterizar o movimento estudantil e tentar legitimar a força policial. O que se vê nos grandes jornais, nem de longe reflete a realidade das universidades.

É importante mostrar que existe sim uma demanda por segurança, mas isso não significa aceitação da repressão e desses métodos arcaicos, a discussão pode ser levada para patamares mais racionais e criativos. Aliás, a universidade esta ai para isso, fornecer á sociedade, propostas racionais e criativas.

PARABÉNS!

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pedro

18 de novembro de 2011 às 10h03

DCE golpista! a democracia só vale quando eles ganham…a verdade aparece cedo ou tarde não é safados!

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FrancoAtirador

17 de novembro de 2011 às 16h29

.
.
O problema maior não é a escuridão, mas a obscuridade.

O LIVRO E A AMÉRICA
(Castro Alves)

Por isso na impaciência
Desta sede de saber,
Como as aves do deserto
As almas buscam beber…
Oh! Bendito o que semeia
Livros… livros à mão cheia…
E manda o povo pensar!
O livro caindo n'alma
É germe — que faz a palma,
É chuva — que faz o mar.

Vós, que o templo das idéias
Largo — abris às multidões,
Pra o batismo luminoso
Das grandes revoluções,
Agora que o trem de ferro
Acorda o tigre no cerro
E espanta os caboclos nus,
Fazei desse "rei dos ventos"
— Ginete dos pensamentos,
— Arauto da grande luz! …

Bravo! a quem salva o futuro
Fecundando a multidão! …
Num poema amortalhada
Nunca morre uma nação.
Como Goethe moribundo
Brada "Luz!" o Novo Mundo
Num brado de Briaréu…
Luz! pois, no vale e na serra…
Que, se a luz rola na terra,
Deus colhe gênios no céu!…
.
.

Responder

Jô Freitas

17 de novembro de 2011 às 16h04

Quanta bobagem. Pensei que tivesse alguma coisa séria. Mas continuo perguntando: Que tipo de proficionais nossas universidades estão formando???… Quando estudantes usam seus estabelecimentos de ensino para fumar maconha e ainda tem o apoio de partidos políticos da mídia e de nossas leis o que pode-se esperar???… Com certeza o pior!!!… Ou quase isso.

Responder

Pedro

17 de novembro de 2011 às 15h44

800 num universo de 80 mil?

Responder

    Pedro

    17 de novembro de 2011 às 18h13

    A turma da fumaça me negativou. rs

    Romanelli

    17 de novembro de 2011 às 20h24

    fica frio ..e pra te deixar mais pra baixo ..até nisso vc perde ..tô ganhando de lavada

    rsrsrs

maísa paranhos

17 de novembro de 2011 às 11h25

Permanências de uma ditadura civil militar que ainda se encontram em nosso País…

Responder

Rodrigo Leme

17 de novembro de 2011 às 08h53

Até que enfim uma discussão saudável sobre seugrança na USP, algo que você lê e simpatiza.

Espero que essa pauta não seja seqüestrada pela ignorância dos projetinhos de Che Guevara de grife de sempre.

Responder

    GilTeixeira

    17 de novembro de 2011 às 10h15

    E nem aviltada pelos Mussolines de plantão!

    EUNAOSABIA

    17 de novembro de 2011 às 11h06

    Rodrigo, eles pediram foi arrego amigo, mal comparando claro, esses aí estão dando uma de Nem…

    Ocorre que essa turma da banderna já se deu conta que suas idéias foram sequestradas por um grupelho de porras loucas stalinistas neanderthais e que não tem acolhida alguma na sociedade e muito menos na maioria dos estudantes da USP.

    Já capitularam, a turma do PSOL e dos Petistas que os apoiam estão cada vez mais isolados, isso tudo é politicagem…querem apenas enchcer o saco de Geraldo Xuxu (o melhor governador do mundo) ainda não se tocaram que isso tira votos, por isso em São Paulo não ganham nada, só fundo de quintal mesmo….

    Note que agora não falam mais em "fora PM""…. querem apenas "podas de árvores" e "iluminação".

    A PM vai ficar onde está e não vai ser uma meia dúzia de treslocas que vai impedir isso.

    Outra coisa, se querem podas de árvores… podiam levar cada um, um machado e um facão e começar eles mesmo dando o exemplo…. começar a cortar árvores e capinar o mato alto que tem por lá.. não são eles que gostam tanto do ""lindo e belo comunismo" do companhero Fidel??? comunismo é isso.. todo mundo no mesmo rami rami……todo mundo se dando bem na mesma muvuca.. tem que pegar o facão e ir cortar as touceiras de colonião do local…

    Eles falam em transporte público e bla bla bla… pergunta se essa turma iria deixar seu carrão em casa e andar de lotação lá dentro se tivesse…

    Perderam.

    Rodrigo Leme

    17 de novembro de 2011 às 12h08

    Colega, não vejo dedos do PT nesse movimento da USP. Isso sempre foi, é e sempre será extremaesquerda, que um dia se confundiu com o PT, mas hoje não. Pelo contrário, o PT brigou como doido pra descolar a imagem do partido disso aí, para se viabilizar como alternativa séria de projeto para o país.

    Isso é coisa de PSTU pra baixo. Um cara desses olha pra um petista e o chama de reacionário.

    Maria

    17 de novembro de 2011 às 12h57

    o PSOL com certeza esta la fazendo a diferença e mostrando que realmente é um partido necessario, um partido que quer mudança, agora o PT tenho minhas duvidas que esteja apoiando o ME de esquerda!

    Maria

    18 de novembro de 2011 às 09h45

    7 petistas não curtiram ¬¬'

    Pedro

    18 de novembro de 2011 às 11h34

    Os petistas nao gostam do PSOL. Porque na epoca do mensalão alguns parlamentares tiveram a coragem de nao defender os mensaleiros do PT, e estes acabaram saindo do PT e ajudaram a fundar o PSOL.

    EUNAOSABIA

    17 de novembro de 2011 às 13h27

    Rodrigo, é difícil saber exatamente quem são esses mongóis, mas o PT é o Ti Parti Tabajara, é provável que estejam envolvidos também.

    Outra coisa, você viu a declaração do lastimável Haddad??? apoiando essa turma??? deve ter gente do PT no meio sim… tiro no pé…quero é que eles invandam da reitoria de novo…

    O PT oscila entre os polos, pode ser conservador quando lhe convém, diga-se de passagem que na economia foram mais do mesmo de FHC, ortodoxos e conservadores…não tinham competência ou capacidade para mudar nada, essa é a verdade…mas sempre há espaços para essas ações de seus arruaceiros..ele estão sempre ao dispor.. conheço esses tipos…

    De qualquer forma o que ocorre na USP tem o selo deles….

    wes

    17 de novembro de 2011 às 13h51

    EUNAOSABIA

    vc não sabe mesmo ein, eu não tenho carro por opção, trabalho a tarde e estudo à noite, ando de transporte público e quero mais iluminação sim,

    não sou filiado a nenhum partido, não fumo maconha mas sou a favor da legalização, sou contra a PM dentro e fora da usp (acho uma solução inadequada pra um problema enorme), enfim..

    muita informação pro teu cérebro?

    Bruno

    17 de novembro de 2011 às 16h27

    Segurança não é igual a PM e justamente por isso em uma passeata que aborda a segurança "não falam mais em 'fora PM' "
    Este ainda continua sendo um dos eixos da greve e está sendo devidamente tratado por outras frentes e grupos de estudo.
    Não venha com esse seu texto carregado de ironias e preceitos estragar uma bela atitude responsável e bem pensada dos alunos, que inclusive farão a passeata não só como forma de protesto, mas sim pesquisando e recolhendo dados como pré-requisitos para os futuros projetos que pretendem ser desenvolvidos junto à universidade.

Romanelli

17 de novembro de 2011 às 08h12

ABSURo

Uma Universidade Publica é patrimônio da sociedade

Uma Universidade deve ser livre e aberta a ideias ..a garantia dos contap´rios, da simetria, da dialética

que papo é esse de um organismo doente se auto curar? .. o que tem a ver liberdade acad~enmica com liberdade orçamentária (de dinheiro que NÃO é só deles e que concorre com doente terminal ?) …isso não tem nada a ver com segurança pública, administração etc

que coisa ..agora aquela turma corporativa (de funcionários, professores e aprendizes de feiticeiro) quer tomar pra si um espaço que mal e porcamente NUNCA foi ainda do povo (embora seja mantido por ele) ..só faltava

se assim, acho que vou convocar o companheiro Brandão pra tb opinar?

Responder

    Romanelli

    17 de novembro de 2011 às 09h40

    a propósito, sobre o movimento das lanternas ..a solução pra segurança do local passa por aí sim ..tenho ouvido muita reclamação sobre a iluminação precária da cidade Universitária ..fora das ruas desertas (mesmo que de dias)

    ..uma deficiência que realmente atenta contra TODOS que lá frequentam ..segurança que terá SIM que contar com a policiamento da PM (força equipada, treinada, paga sem lucro, publica – não privatizada – e preparada, força COBRADA pelo POVO, e não "ditada" por contrato)

    ahhh sim, espero que a "solução" também NÃO passe pela forçosa derrubada de árvores, como é de costume por toda SP

    Aline C Pavia

    17 de novembro de 2011 às 14h23

    As 10 mil árvores que Serra derrubou para duplicar 10 km de Marginal Tietê não contam.

    Romanelli

    17 de novembro de 2011 às 09h52

    inclusive ..aproveitando a discussão que promete ser séria

    Lembro que o metrô na USP, originalmente, iria até lá dentro

    mas ..mas o espírito de PORCO e a política pequena falaram mais alto, e através dos anos a rede férrea acabou ficando de fora ..e ainda seno privatizada

    resultado ..hoje colocaram um circular que o aluno tem que pagar ..até aí ..até aí eu acho lamentável a ARQUITETURA e a ENGENHARIA não desenvolverem junto com as empresas (que só vão na USP pra se servir de aluno pronto e que pra elas sai sempre de graça) desenvolverem um projeto, digamos, de transporte alternativo que serviria toda a cidade universidade

    ..pois como dizem alguns alunos ..se a turma não precisasse andar tanto a pé lá dentro ..ninguém optaria a passar sozinho pela rua do MATÃO né mesmo ?!


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