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Lewandowski: Cabe qualquer um no “figurino genérico”


04/10/2012 - 18h33

04/10/2012 – 15h16

Lewandowski diz que acusações contra Dirceu são ‘ilações’ e ‘conjecturas’

DE BRASÍLIA, na Folha.com

Sem descartar que o ex-ministro José Dirceu seja “mentor da trama”, o revisor do mensalão no STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Ricardo Lewandowski, disse nesta quinta-feira que não há prova “documental” contra o petista e que as acusações do Ministério Público Federal são baseadas em “ilações” e “conjecturas”.

Ele afirmou ainda que a Procuradoria-Geral da República montou um “figurino genérico” que poderia encaixar qualquer “personagem com cargo no Executivo”.

O revisor, no entanto, disse que não descarta o envolvimento de Dirceu no esquema. “A participação nos eventos é deduzida por ilações ou conjecturas. Não afasto que Dirceu tenha participado dos eventos, não descarto que seja mentor dessa trama, mas o fato é que isto não encontra ressonância nas provas dos autos.”

Lewandowski criticou o trabalho do Minsitério Público dizendo que não individualizou a conduta de Dirceu e se baseou em depoimentos da CPI do Congresso, enquanto o petista tem outros testemunhos de figuras importantes da República que negam sua participação no mensalão.

“Repito o que já havia dito por ocasião do recebimento da denúncia e mantenho agora. Mesmo após vasta instrução probatória o MP limitou-se a potencializar o fato de José Dirceu exercer funções na República sem se dar a trabalho de descrever ainda que minimamente as acusações. Restringindo-se a fazer meras suposições”, disse.

O revisor apontou ainda que repudia “expressamente” o que alguns teóricos estão chamando do direito penal do inimigo, que o réu deve ser condenado.

Ontem, Lewandowski também absolveu o ex-presidente do PT, José Genoino, pela compra de apoio políticos nos primeiros anos do governo Lula. O ministro responsabilizou o ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares, pelos repasses aos parlamentares e pelos empréstimos fictícios que abasteceram o valerioduto.

Hoje, ele disse que os autos mostram que Delúbio tinha total autonomia para tratar das negociações financeiras do PT.

“O MP não logrou produzir prova nenhuma sobre a alegada subordinação entre José Dirceu e Delúbio, o qual agia com total independência no que tocava às finanças do partido”.

O relator do caso, Joaquim Barbosa, seguiu outra linha e apontou ontem o ex-ministro da Casa Civil, homem forte do governo Lula, como o “mandante” do esquema.

“O conjunto probatório […] coloca o então ministro-chefe da Casa Civil em posição central, posição de organização e liderança da prática criminosa, como mandante das promessas de pagamento de vantagens indevidas aos parlamentares que viessem a apoiar as votações de seu interesse”, disse o relator.

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34 comentários

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Historiadores repudiam tratamento de Veja a Hobsbawm « Viomundo – O que você não vê na mídia

09 de outubro de 2012 às 23h56

[…] Lewandowski: Cabe qualquer um no “figurino genérico” […]

Responder

Antonio Marcos

05 de outubro de 2012 às 03h33

CARANDIRU, ANIVERSÁRIO de 20 anos: sem julgamento. Mensalão do PSDB em Minas: 14 anos, sem julgamento. Não é preciso seguir com exemplos para perguntar: isso é Justiça? A instituição que assim se comporta deve mesmo ser chamada de Judiciário?

Responder

    Carlos Cruz

    06 de outubro de 2012 às 17h54

    O STF sempre agiu assim. Todas questões do período D.FHC & Cia, reeleição comprada e documentada, tiveram vitória do governo de então. Mesmo afrontas so direito adquirido, ao ato jurídico perfeito, etc, foram jogadas no lixo e a vitória era sempre do governo. É a cara do nosso judiciário, de cima a baixo. Elitista, político, submisso e sujeito as demanadas dos poderosos. Se o PT tem que ser condenado, condenemos TODOS governos anteriores, dos Militares, Sarney, Collor, FHC I, FHC II. Condenemos o próprio STF que NUNCA se posicionou contra as falcatruas da política, por omissão, negligencia ou incompetencia mesmo. Condedemos o TSE que sempre passou uma borracha a compra de votos, boca de urna, voto de cabrecho, etc.

Luciene

05 de outubro de 2012 às 01h13

Por isso que sou contra a cotas, Willian. Talvez o único momento em que caberiam seria para critério de desempate, talvez.

Responder

Cibele

04 de outubro de 2012 às 23h24

A boa notícia é que o Dirceu não será condenado antes das eleições municipais. Será que é isso mesmo? Vi no Uol.

Responder

    Cibele

    04 de outubro de 2012 às 23h34

    Sei lá, pelo menos ainda não foi oficializada a condenação… Pode ser um pouco menos ruim do que se imaginava.

FrancoAtirador

04 de outubro de 2012 às 23h04

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VOTO HISTÓRICO PARA A DEMOCRACIA CONSTITUCIONAL.

COM A PALAVRA ENRIQUE RICARDO LEWANDOWSKI:

http://www.youtube.com/watch?v=DkxxJh77wJ4

Responder

    FrancoAtirador

    04 de outubro de 2012 às 23h20

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    Lewandowski não vê prova de compra de votos e absolve Dirceu

    O Ministério Público Federal (MPF) não conseguiu provar as imputações contra o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu e a compra de votos de parlamentares no Congresso Nacional, afirmou nesta quinta-feira o ministro Ricardo Lewandowski, ao votar pela absolvição do acusado de liderar o esquema criminoso de compra de apoio parlamentar durante o primeiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva.

    O revisor do processo do mensalão disse não ter encontrado “nada nos autos” contra Dirceu, entendendo que as imputações contra o réu “são muito mais políticas do que estritamente jurídicas”.

    Lewandowski leu um estudo apresentado pelo deputado Odair Cunha (PT-MG) no qual tenta negar a relação entre repasses feitos a parlamentares da base aliada e votações na Câmara dos Deputados.

    “O estudo evidenciou que, no período eleitoral, o governo manteve o índice de infidelidade maior com os partidos da base”, afirmou.

    O revisor leu uma série de depoimentos de parlamentares que negaram a compra de votos durante o primeiro mandato do governo Lula.

    “Não estou dizendo que não possa ter havido eventual compra de votos aqui ou acolá. Estou dizendo que há provas para todos os gostos neste acervo probatório de quase 60 mil páginas”, disse Lewandowski, que considerou “frágeis” as provas do ponto central da denúncia.

    Segundo ele, a prova de pagamentos a parlamentares é encampada apenas pelo “inimigo declarado” de Dirceu, o presidente do PTB, Roberto Jefferson, não sendo sustentada por nenhuma outra testemunha.

    “Eu disse que estava seguindo a orientação do Plenário no sentido de dizer que basta a oferta ou receptação da vantagem indevida para que fique configurada a corrupção passiva”, respondeu Lewandowski.

    “Não há nenhuma contradição no meu voto. Só que eu não identifico o ato de ofício, porque não acho que haja necessidade”, disse.

    Lewandowski desqualificou a denúncia, que só tenta provar a compra de parlamentares na Câmara na tentativa de aprovar as reformas da Previdência e a Tributária.
    “Compra-se a Câmara e não se compra o Senado?”, questionou.

    Lewandowski centralizou a responsabilidade dos repasses financeiros a parlamentares na figura do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, o qual condenou ontem por corrupção ativa, chamando-o de “onipresente” no processo.

    Para o ministro, o tesoureiro coordenava sozinho as finanças do partido, não tendo sido provado o envolvimento do ex-presidente do partido José Genoino, o qual ele absolveu ontem, e o ex-ministro José Dirceu.

    “Ficou constatado que José Dirceu afastou-se do PT ao assumir o cargo de ministro chefe da Casa Civil, não sendo responsável pelos atos do partido”, disse o revisor.

    “O MPF não logrou produzir provas sobre a relação entre Dirceu e Delúbio, o qual agia com total independência no que toca as finanças do partido”, acrescentou.

    “Eu tenho que julgar o que está nos autos”, repetiu diversas vezes durante seu voto, no qual classificou a acusação contra Dirceu de uma “atecnia” gritante.

    “Supor-se que ele estivesse manejando os cordéis de um teatro de fantoche é uma possibilidade, mas não é uma realidade processual”, sustentou.

    O Ministério Público também não provou a relação de Marcos Valério, apontado como operador do mensalão, e o ex-ministro da Casa Civil, disse Lewandowski, que tentou desqualificar o depoimento do presidente licenciado do PTB, Roberto Jefferson.
    O ex-deputado, já condenado pelo Supremo, relacionou o petista à viagem de Marcos Valério, o ex-secretário do PTB Emerson Palmieri e Rogério Tolentino a Portugal. O réu afirmou, em juízo, que Dirceu pediu a indicação de alguém do PTB para ir a Portugal tratar de interesses entre o partido e o PT.

    “Esse réu (Roberto Jefferson) é o inimigo figadal de José Dirceu e tentou incrimina-lo e traze-lo para o bojo dos fatos”, disse Lewandowski.

    Para o revisor, a viagem a Portugal destinou-se, exclusivamente, a discutir a venda da Telemig a Portugal Telecom.
    As reuniões entre José Dirceu, Marcos Valério e a cúpula do Banco Rural não são indicativo de que o ex-ministro teve participação nos empréstimos fraudulentos que irrigaram o esquema, afirmou Lewandowski, contestando o voto do relator.

    “Ele compareceu a este encontro, mas (o executivo do Rural ouvido no processo) Plauto Gouvêa asseverou que os aludidos empréstimos não foram discutidos com José Dirceu”, disse.

    O revisor desqualificou outra alegação de Barbosa, a venda de um apartamento de Maria Ângela Saragoça, ex-mulher de Dirceu, com ajuda de Rogério Tolentino, advogado de Marcos Valério.

    “Ficou comprovada que Maria Ângela era amiga do ex-secretário do PT Silvio Pereira, e foi através dele que conseguiu contato com Marcos Valério”, disse.

    Fonte: @ Hora OnLine com agências.
    .
    .

MHelena

04 de outubro de 2012 às 22h51

Fazendo uma pesquisa básica na internet, sobre a figura do “Domínio do Fato” (única bengala em que se apoiaram os ministros para manter a acusação), o que entendi é que para haver o domínio do fato é necessário que o agente (acusado) seja insubstituível. Isto é, se colocarmos outra pessoa em seu lugar, o fato continuaria existindo? Teria acontecido de qualquer jeito? Eu penso que no caso de José Dirceu, a resposta é: sim. Até mesmo se não fosse o PT, o partido do governo, o fato teria acontecido… Quem foi imprescindível e insubstituível no rolar de todos os acontecimentos? Marcos Valério! E tanto é assim que este já vinha atuando em governo anterior, em fato anterior, de forma semelhante. Não importa quem fossem os “atores”, o diretor da peça era sempre Marcos Valério. Tirem Marcos Valério do tabuleiro…haveria jogo? Provavelmente não…e talvez o PT tivesse caído há muito tempo. Para mim, o “Domínio do Fato” não cabe…ainda que minha opinião seja insignificante.

Responder

    Bonifa

    05 de outubro de 2012 às 04h32

    Há outro réu que seria insubstituível: O Povo Brasileiro. É este que está sendo julgado a toque de tarol e condenado, pelo tribunal de uma burguesia colonizada e ultrapassada.

[email protected]_2

04 de outubro de 2012 às 22h10

O Legislativo e o Executivo são poderes com muitos “defeitos”.
Mas este judiciário e seu órgão máximo, que coisa putrefata!

Condenar sem PROVAS CLARAS, inaceitável numa Sociedade Democrática sob um suposto “Estado de Direito”.

Ceder às pressões do PIG, desrespeito intelectual. Ceder à Veja, conluio com sabida rede criminosa.

É tudo MUITO NOJENTO!

Que vivam Chávez e Cristina!!!

Acorda Presidenta Dilma!

Responder

    [email protected]_2

    04 de outubro de 2012 às 22h12

    Concluindo. Neste STF só se salva o Lewandowski.

    Este sim, um JUIZ, com maiusculas. O resto…

    Triste. Triste…

    :(

Messias Franca de Macedo

04 de outubro de 2012 às 22h05

… O STF teve a chance histórica de se redimir – ainda que parcialmente – do histórico recente de DES-MO-RA-LI-ZA-ÇÃO, DESMORALIZAÇÃO… No entanto, a maioria dos “supremo doutos” da “suprema” Corte optou pela birra!… [Falando em birra, por que Diabos o [ilibado (sic)] Gilmar Mendes assopra os beiços após proferir um contraditório, na sessão de hoje, notadamente quando retrucava o ministro *Ricardo Lewandovski?!…] Enfim, voltemos ao ‘tênue'(!) início do comentário: pois bem, ao persistir em promover um julgamento que deveria ser jurídico numa fábula político-maniqueísta, a maioria dos togados do STF acabaram por condenar “de morte matada” ou ‘autocídio’ o próprio Tribunal! Por que? Porque todos os réis irão recorrer a uma Corte Internacional… E, necessariamente, os juristas deste organismo vinculado a OEA, de tão perplexos e indignados, de chofre, trataram de desqualificar o veredicto da tal Ação Penal 470…

*Lembrando alguns pronunciamentos do eminente e catedrático Jurista Dalmo Dallari: “… O ministro Ricardo Lewandovski é o único a salvar a reputação do STF!…”… Gilmar Mendes no STF significa a total e definitiva desmoralização do Poder Judiciário brasileiro!…”

PANO RÁPIDO!

República de ‘Nois’ Bananas
Bahia, Feira de Santana
Messias Franca de Macedo

Responder

Marcelo de Matos

04 de outubro de 2012 às 22h03

Como diz o comentarista de futebol Casagrande, sem se preocupar com pleonasmos e outras ocorrências linguísticas, “a armadilha está armada”. Não adianta o adversário mudar o esquema de jogo porque todas as mudanças táticas estão previstas. Só há um resultado previsível: a vitória dos donos da casa. No caso do Supremo, por mais brilhante que seja a argumentação de Lewandowski, e sempre o é, a vitória será da maioria que representa os ideais da elite. Se for o caso, e parece que será, invocarão a vetusta teoria do domínio do fato. Durante a explanação de Lewandowski os ministros deram mostras de que não concordavam com nada do que ele estava dizendo. Não entraram em conflito porque nem é preciso. Têm consciência de que constituem a maioria e cumprirão o script pré-determinado. Joaquim Barbosa nem ficou no plenário: foi para a sala de repouso, ou para o cafezinho ouvir no telão o que Lewandowski estava dizendo. Evitou o conflito. Para que discutir se a condenação dos réus é favas contadas?

Responder

Francisco

04 de outubro de 2012 às 21h41

Dez anos para mudar e nem TV a esquerda tem. O país esta cheio de estradas, portos, aeroportos prontos para inaugurar. Fizemos tudo que a burguesia queria.

Ou seja,

Consertamos a máquina do patrão…

Responder

FrancoAtirador

04 de outubro de 2012 às 21h18

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LEWANDOWSKI: GURGEL LISTOU ILAÇÕES, MAS NENHUMA PROVA CONTRA DIRCEU

“Repito o que já havia dito por ocasião do recebimento da denúncia e mantenho agora.

Mesmo após vasta instrução probatória o Ministério Público limitou-se a potencializar o fato de José Dirceu exercer funções na República sem se dar a trabalho de descrever ainda que minimamente as acusações.

Restringindo-se a fazer meras suposições (…) o MP não logrou produzir prova nenhuma sobre a alegada subordinação entre José Dirceu e Delúbio, o qual agia com total independência no que tocava às finanças do partido.”

(revisor Ricardo Lewandowski, que absolveu o ex-ministro José Dirceu do crime de corrupção ativa, nesta 5ª feira).

Carta Maior
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O PREJULGAMENTO DO SÉCULO

TUDO COMEÇOU NA PROCURADORIA GERAL DA FOLHA DE S.PAULO

“Se houve algum ato isolado de corrupção no governo, não posso ser responsabilizado.

Não recebi vantagens indevidas nem participei ou fui conivente com qualquer esquema destinado a captar e distribuir recursos a partidos ou parlamentares.

Essa é a verdade.

Tenho consciência de que estou sendo julgado não por meus eventuais erros ou supostos delitos, mas pelo que represento na história da esquerda, do PT e do governo Lula.

Estou na linha de tiro, mas o objetivo das forças que me atacam é interromper o processo de organização dos trabalhadores e de consolidação de uma alternativa popular para o país.

Se a Folha considera que nada será suficiente para apagar a convicção preconcebida de que exerci ‘papel ativo na trama de corrupção’, é porque o processo está contaminado pelo prejulgamento próprio dos regimes autoritários.

Nesse caso, a imprensa perde a legitimidade para formar opinião na sociedade.

O julgamento é político.

Mas, se não houver uma constatação inequívoca, qualquer eventual condenação será ilegítima.

Condenar pelas aparências, especialmente se o conjunto de indicações estiver distorcido, é romper a linha que separa a autoridade da tirania.”

(Trecho do artigo do ex- Ministro Chefe da Casa Civil, José Dirceu,
publicado no dia 6 de setembro de 2005, no jornal Folha de S.Paulo)
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A defesa de José Dirceu nas CPMIs

Por Leonardo Fuhrmann, no CONJUR

Os advogados José Luiz Oliveira Lima e Rodrigo Dall’Acqua entregaram na quinta-feira (8/9) às CPMIs dos Correios e da Compra de Votos a defesa do deputado federal José Dirceu, ex-ministro chefe da Casa Civil.

No texto, os criminalistas lembram do caso Dreyfus, em que o capitão Alfred Dreyfus ficou preso por mais de dez anos, acusado injustamente de ter traído a França. Um dos principais defensores do militar foi o escritor Émile Zola, que denunciou que Dreyfus foi perseguido por preconceito, pelo fato de ser judeu.

“A França inteira fechou os olhos para as falhas no processo e deixou um inocente ser lançado ao calabouço da Ilha do Diabo por mais de uma década. É isso que as CPIs estão fazendo ao propagar informações incorretas, ao louvar falsas informações, ao dispensar o contraditório”, citam. A comparação com Dreyfus já foi usada recentemente na defesa dos juízes federais Ali e Casem Mazloum, acusados de fazer parte da quadrilha que negociava sentenças na Justiça Federal Criminal em São Paulo, investigada pela Operação Anaconda.

Eles destacam que o documento conjunto das CPIs tem a expressão “possa ser tido como incompatível com o decoro parlamentar” ao fazer as acusações e que, mesmo em um processo político, os acusados não podem ser condenados sem que haja provas das irregularidades de suas condutas. Dirceu está entre os 18 deputados que o relatório parcial sugere que sejam cassados.

Para contestar o relatório, os criminalistas citam divergências entre as afirmações do empresário, Marcos Valério Fernandes de Souza, de sua mulher Renilda Maria Santiago Fernandes de Souza, dos representantes dos bancos BMG e Rural, e do tesoureiro informal do PTB – Emerson Palmieri – e a interpretação dada a suas falas no relatório parcial. Cita ainda as afirmações de Maria Ângela Saragoça, ex-mulher de Dirceu, que teriam sido desconsideradas.

Segundo os advogados, o relatório aceita como verdades sem necessidade de provas as acusações de que Roberto Marques, amigo do ex-ministro, estaria na lista dos sacadores do suposto mensalão e a acusação do deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), que aponta o ex-ministro como envolvido em esquema de corrupção em Furnas.

A defesa de Dirceu reclama ainda da falta de oportunidades para o deputado se defender perante as comissões e acusa o relatório de ser parcial.

Como exemplo da dita parcialidade, os advogados citam o fato de o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) não estar entre os parlamentares acusados no relatório parcial. A campanha de Azeredo ao governo de Minas Gerais, em 1998, recebeu dinheiro de Marcos Valério, segundo o próprio publicitário.

Leia a integra da defesa do deputado José Dirceu:

http://www.conjur.com.br/2005-set-09/leia_integra_defesa_jose_dirceu_cpmis

Responder

    FrancoAtirador

    04 de outubro de 2012 às 21h56

    .
    .
    AQUI NO BRASIL, PELA PRIMEIRA VEZ, A MÍDIA OLIGÁRQUICA MAFIOSA

    EMPLACA UMA CONDENAÇÃO SUMÁRIA CONTRA O PT PELA VIA INSTITUCIONAL.

    E, QUEM DIRIA, ATRAVÉS DO STF, A SUPREMA CORTE CONSTITUCIONAL.

    EIS AÍ O PRECEDENTE DOS PRECEDENTES, A SUPREMA JURISPRUDÊNCIA,

    QUANDO O ARBÍTRIO SE IMPÕE COMO NORMA E DOMINA O DIREITO E O FATO.
    .
    .

Gerson Carneiro

04 de outubro de 2012 às 20h48

É bom avisar Jesus Cristo para retardar a volta. Aqui ainda estão condenando sem provas. Não mudou nada.

Responder

    Willian

    04 de outubro de 2012 às 21h04

    Uai, ele já foi condenado uma vez.

Hiro

04 de outubro de 2012 às 20h33

A manifestação do Ministro Lewandowski equivale a de Galileu. Acusadores não tem provas, só interesses ideológicos. Não há provas. A luta da ciência contra o obscurantismo em pleno século XXI.

Responder

Gerson Carneiro

04 de outubro de 2012 às 20h29

“Sei que não há provas contra o Dirceu. Mas tenho que condenar senão a Globo e a Veja não vão me deixar em paz. Tenho meus netinhos pra criar.”
Ministra Covarde.

Responder

    Gerson Carneiro

    04 de outubro de 2012 às 20h35

    Em tempo: as palavras acima fora proferidas por uma Ministra de um julgamento que está acontecendo lá no planeta Marte, em um conto que estou escrevendo. Qualquer semelhança é mera coincidência.

Paulo Moraes

04 de outubro de 2012 às 20h27

Será que o Procurador Geral da República vai processar por perjúrio as inúmeras pessoas que produziram “torrencial” prova testemunhal pró Zé Dirceu? Pelo que os ministros estão decidindo, todas elas mentiram em juízo. Vale tudo pra condenar o Zé Dirceu?

Responder

    Wildner Arcanjo

    04 de outubro de 2012 às 21h28

    Sem falar nos processos que virão por aí para revogar as leis de falência, Previdência, Modernização do setor energético… Imagina o caos que vai ser nesse País? Brincar de Juiz é um perigo! Como eu sempre digo: é isso o que acontece quando se começa a chamar jurista(Juiz) de Ministro…

L. Diniz

04 de outubro de 2012 às 20h26

Dirceu tinha tanta convicção que seria absolvido por falta de provas que eu ficava pasma. Será que não não conhecia os ministros, que não conhece a imprensa e não sabe do que ela é capaz?

Dirceu se iludiu, aliás o PT e Dilma são uns iludidos que nunca acreditam no poder do golpe. Lula também não acreditava até o sofrer o golpe do mensalão.

Esse é o problema: _ O PT não acredita no golpe, se acreditasse tomava providências.

Responder

Fabio Passos

04 de outubro de 2012 às 20h26

joaquim barbosa acatou como “provas” as reporcagens da veja e do jn.
estes bonecos do PiG ainda pensam que ninguém percebe…

Responder

Giselle

04 de outubro de 2012 às 19h57

Estamos vendo hoje as forças que não desejam o desenvolvimento deste país usarem o seu último recurso, o Poder Judiciário, que dos três poderes é o mais retrógrado. E é ele que vai nos manter 50 anos atrasado, como bem disse Lewandowiski, pois o STF para condenar os réus usa uma teoria já superada na Europa o “domínio do fato”. A gravidade dessa decisão é a transformação do PT em uma organização criminosa que tinha como objetivo se perpetuar no poder. É a condenação da distribuição de renda, é a condenação da classe C,D e E, é a condenação do desenvolvimento, a condenação do orgulho de ser brasileiro, a condenação do desenvolvimento etc, ou seja, o STF condena todos os avanços conquistados e querem retroceder, inclusive, possibilitando a anulação da Reforma da Previdência, Tributária, lei de falências entre outras. Assim, reitero o Judiciário é o Poder mais retrógrado, conservador e agora irresponsável deste país.

Responder

    Wildner Arcanjo

    04 de outubro de 2012 às 21h31

    É bem por ai. Transformaram a nossa legislação na piada do século.

sandro

04 de outubro de 2012 às 19h36

Pois é, estamos vendo um tribunal de excessão em pleno
seculo 21.A esperança é a de que os mesmos usem os mesmos critérios
de análise nos julgamentos vindouros: mensalão do PSDB/lista de furnas
e por que não a compra de votos de FHC. Ilusão é que isso tudo que se vê
hj pode ser de certa forma algo honesto. Vou esperar.

Responder

Bonifa

04 de outubro de 2012 às 19h33

A prova inconteste da motivação política do processo, prova do motor político que moveu todo o processo, é a completa invisibilidade que se dá, tanto na acusação quanto nos votos de quem comprou a condenação sem provas de Dirceu e Genoino, do secretário Sílvio Pereira. É tabu falar em Sílvio, para que este não seja entendido como um dirigente do PT, capaz de assumir compromissos políticos. É fundamental para a sanha acusatória entender que direntes do PT são apenas Dirceu e Genoino. Mais uma vez, Lewandowski deixou claro que sem o julgamento do mensalão mineiro, não é possível sequer começar a compreender o processo do mensalão do PT. Foi no mensalão mineiro que se gerou o esquema do Valerioduto, onde vicejaram também as relações de Marcos Valério com Daniel Dantas, tudo imprescindível para o posterior entendimento do funcionamento do Valerioduto. Mas a simples menção a Daniel Dantas, o nome que ninguém pode pronunciar, deixou todos os outros ministros de cabelo em pé. Parece até que essa meção teve o dom de apressar decisões de votar o quanto antes, condenando com provas ou sem provas.

Responder

    Wildner Arcanjo

    04 de outubro de 2012 às 21h35

    Minino, você não sabe que Lista de Furnas, Mensalão Mineiro, Ementa para Reeleição, são frases proibidas no nosso Juridiquês?

Bonifa

04 de outubro de 2012 às 18h40

Imaginem uma peneira grande. Tem menos furos que o voto da ilustre ministra Rosa Weber. Delúbio sozinho não seria capaz de construir todo este esquema. Então, vamos imaginar que as primeiras acusações de Roberto Jefferson, não confirmadas por ele em juízo, são verdadeiras, apesar de ser inimigo figadal de Dirceu, vou ter que condenar alguém, no caso Dirceu e Genoino, mesmo que não haja nenhuma prova. Foi o que a ministra quis dizer. Repetiu ainda argumentos que já tinham sido destroçados pelo revisor e que, usados por Rosa, ficam soando como evidente recorrência ao imprestável. Acontece que a ministra, em voto ultra gaguejante, flagrantemente constrangida do começo ao fim, não teve coragem de afrontar a imprensa e a “Sociedade”, entidade poderosa que goza do mais elevado respeito do ministro Ayres Brito. E condenou com facilidade impensável Dirceu e Genoino, sem uma prova sequer. Apenas na base do “não seria possível que…”. Pobre justiça brasileira. Fux, como sempre, recorre ao sofisma. Se apegando a detalhe secundário para construir o centro de seu raciocínio, no caso “o fato de que Genoino ser pobre não tem nada a ver…” Triste, triste, muito triste.

Responder

    Carlos Ribeiro

    04 de outubro de 2012 às 20h37

    A insegurança da Ministra Rosa era flagrante. Parecia envergonhada.

    Willian

    04 de outubro de 2012 às 21h05

    A Ministra Rosa é péssima. Só foi escolhida por ser mulher.


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