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Cartas de Minas
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Xerox do modo PSDB de governar deixa França na rabeira eleitoral

12 de julho de 2018 às 09h09

Foto: Klaus Silva /TJSP, via Fotos Públicas

A máquina do atraso

por João Paulo Rillo*

Márcio França segue em sua trajetória marcada pelo oportunismo, tentando uma mágica capaz de enganar só os menos atentos.

Repisa caminhos já gastos por onde perambularam durante mais de 20 anos toda a tucanada, mas insiste em criar uma imagem de alteridade com o partido de seu antecessor e padrinho, Geraldo Alckmin.

Seja pelas dificuldades pessoais de Alckmin em decolar a candidatura à presidência, seja pelo desgaste de um (mau) governo de mais de duas décadas no estado ou pelo fato de o PSDB ter candidato ao governo do estado – ainda que Dória não seja uma unanimidade entre os tucanos –, França busca soluções próprias para fazer frente às adversidades de sua campanha.

E, oscilando entre 4% e 8% nas pesquisas de preferência do eleitor, precisa mesmo.

O problema do pessebista é tratar como novas e próprias estratégias batidas, principalmente pelos próprios tucanos.

Uma das primeiras providências de França ao assumir o governo foi mirar na capilaridade da extensa rede fisiológicas dos cargos do governo que se estendem pelos mais de 600 municípios de São Paulo.

Coração e mente do PSDB, esta rede azeitadinha tem sido responsável por desempatar o jogo quando os grandes centros se dividem sobre a preferência do eleitorado.

Foi assim, por exemplo, na reeleição de Covas, quando ele e Marta empataram nos grandes centros no primeiro turno e o tucano conseguiu garantir a vaga no segundo turno com os votos das pequenas cidades.

Alckmin também sempre obteve melhores avaliações de seu governo nas pequenas cidades.

Mas usar a máquina não é novidade. Talvez tomá-la dos tucanos possa a vir a ser um componente capaz de causar algum impacto à campanha de Dória.

Além de cargos, França tem ainda a chave do cofre, independente da medida obtida, tardiamente, por Dória que o impede de se promover em eventos oficiais.

Com ou sem autopromoção, já tem muito prefeito agradecendo as liberações de recursos, como sempre teve quando os recursos eram oferecidos pelo PSDB.

França segue sendo mais do mesmo.

Mantém a política de segurança pública higienista conivente com o assassinato de jovens negros na periferia, é cúmplice das desonerações bilionárias com desdobramentos nefastos, em especial para a educação pública, e quase se iguala a Dória ao insistir no preconceito ao comentar sobre o incêndio do prédio em São Paulo ocupado por sem tetos.

Ao saber da desistência de Joaquim Barbosa de disputar as eleições presidenciais, França comemorou.

Sem Barbosa, filiado ao PSB, o partido poderia fechar apoio a Alckmin. Na época, comentou que a eleição deste ano “é a eleição dos profissionais”. Se considerarmos o que França imagina ser um profissional da política, há uma enorme coerência com o que vem fazendo.

Utiliza todos os recursos que não são seus em benefício próprio, insiste nos erros passados, não arrisca qualquer mudança e, com o Legislativo, mantém a mesma relação de troca – só que, agora, com seus aliados e não mais com os aliados de Alckmin.

O resultado é o mesmo de Alckmin, desempenho medíocre nas pesquisas.

No Legislativo, o atual governador repete o anterior, com a mesma estreiteza política e inépcia de compatibilizar interesses, de atender reivindicações justas cujo represamento só amplia o desgaste cada vez mais palpável resultante de um tucanato ultrapassado

Longe de ser uma alavanca, a reprodução do modo PSDB tem ancorado França numa rabeira incômoda, atrás de Dória e Skaf.

*João Paulo Rillo é deputado estadual (Psol/SP)

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