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Cartas de Minas
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João Paulo Rillo: Em SP, a tempestade perfeita para mais quatro anos de governo velho. E agora?

04 de julho de 2018 às 17h46

Fotomontagem: Marcos Corrêa]PR e Lula Marques/Agência PT, via Fotos Públicas

Os pecados do Santo e a trindade

por João Paulo Rillo*

Com o maior eleitorado nacional, mais de 22%, dono do segundo Orçamento do país, atrás somente do governo federal, o maior PIB entre os estados brasileiros, responsável por mais de 32% de toda a produção nacional, São Paulo expõe na disputa eleitoral, dominada por candidatos conservadores, a fragilidade e a desarticulação das forças do campo democrático e popular.

Sem o contraponto de uma oposição eficiente e com a blindagem das mídias familiares e de parte do Ministério Público, criou-se a tempestade perfeita para mais quatro anos de um novo governo velho.

Doria, Paulo Skaf e Marcio França são favoritos, dividindo um mesmo polo do eleitorado.

No atual cenário, são limitadas as chances de um candidato do centro à esquerda impedir a prevalência por mais quatro anos do mesmo modelo neoliberal e privatista de estado ao qual temos sido submetidos nas últimas duas décadas.

E, o pior para o campo democrático, é que os três candidatos que despontam defendem mais das mesmas medidas amargas, capazes apenas de aprofundar os já sérios problemas criados pelos últimos governos e ostentam sem embaraço suas limitações.

Dória provou sua incapacidade na Prefeitura de São Paulo, Skaf colocou um pato amarelo em plena Paulista contra todos os brasileiros e França, na prática, reafirma sua lealdade ao modelo de governo de Alckmin, repisando desonerações para agradar interesses estritamente privados enquanto prejudica o financiamento da educação pública, entre outras aberrações.

A direita fragmentada em três candidaturas oferece cenário inédito e especialmente favorável para o crescimento de uma candidatura no outro polo.

A divisão tornaria favorável um segundo turno entre projetos antagônicos. Porém, sequer conseguimos reproduzir aqui no estado os números da disputa nacional, onde, se somadas as intenções de voto do centro-esquerda, segundo as últimas pesquisas, chegam próximo a 40% da preferência do eleitor, considerando 26% de abstenções, brancos e nulos.

Aqui, se estes campos estivessem juntos, atingiriam com dificuldade algo em torno de 8%, com 48% de brancos, nulos e abstenções.

A falta de um projeto estratégico para São Paulo e de uma oposição articulada impediu a esquerda e o campo democrático de aprofundar o natural desgaste após mais de 20 anos de governo do PSDB.

Um governo que reduziu a importância nacional do estado, que vendeu a maioria das empresas estatais, deixou de cobrar os devedores e oferece mais de R$ 90 bilhões em desonerações, reduz investimentos, congela salários dos servidores, corta brutalmente gastos nas áreas sociais, promove o desmonte da educação, da segurança e da saúde pública, não investe no desenvolvimento regional, não amplia a rede do metrô e para o qual sobram envolvimentos em casos de corrupção, além de Alckmin ter perdido de vez a aura de Santo quando veio a público seu envolvimento com pagamento de propina.

Não há espaço para uma campanha morna. Sobram motivos para a radicalização, para aprofundar a contraposição ao governo privatista dos tucanos.

A campanha é momento de mostrar as omissões e os desvios do PSDB, de aproveitar a fragilidade da blindagem e expor as contradições de uma relação conflituosa, na qual o estado de São Paulo tem sido o único ente federativo deste país que nada deve e nada teme.

É o momento de denunciar fortemente os assassinatos dos jovens negros na periferia.

É o momento de cobrar o desmonte da educação, a redução assustadora no financiamento das universidades públicas estaduais.

É o momento de contrapor as décadas de servilismo aos interesses privados um modelo de governo com justiça social, sem desigualdade, capaz de recolocar São Paulo na liderança de uma grande transformação no país, referenciada pelas necessidades populares.

*João Paulo Rillo é deputado estadual (Psol-SP).

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