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Cartas de Minas
Cartas de Minas

João Paulo Rillo: Alckmin, um encouraçado sem rumo no qual ninguém embarca

03 de abril de 2018 às 13h32

Alckmin durante Culto da Santa Ceia da Igreja Mundial do Poder de Deus. Foto: GovernoSP, via Fotos Públicas

NEM CORAÇÕES, NEM MENTES

por João Paulo Rillo*

Usar uma expressão de origem bíblica para justificar violência não é recurso inédito na história do marketing da extrema direita.

Diante do atentado a tiros sofrido pela caravana do Lula, seu adversário político, o ultracatólico Alckmin apostou na tática e declarou:” está colhendo o que plantou “(“Não vos enganeis: de Deus não se zomba; pois aquilo que o homem semear, isso também ceifará”, Gálatas 6:7).

A repercussão foi negativa e o governador tentou voltar atrás. Mas a lambança estava feita.

Mais do que revelar o caráter diminuto do homem que a proferiu, a declaração mostra a trapalhada de um político que, após décadas no poder, descobre-se sem discurso, sem programa e, segundo as pesquisas, sem eleitores.

Nem corações, nem mentes: Alckmin é um encouraçado sem rumo no qual ninguém embarca. E que, de repente, se vê tendo que falar a língua dos extremistas que ele mesmo ajudou a criar, correndo atrás de votos com perfil de Jair Bolsonaro.

A fala é tão nonsense que sequer resiste ao primeiro teste: o que mereceria, então, alguém que semeia como Alckmin?

Ele deve achar, por exemplo, que os policiais estão colhendo o que plantam com o aumento de 40% na morte de policiais militares no Estado em apenas um ano. Por isso não investe.

Que um cidadão que decide entrar na polícia civil, onde há um déficit de 12 mil policiais, diante da precariedade das condições de trabalho, está apenas colhendo o que plantou.

O que merece alguém que investe abaixo do mínimo constitucional em Educação, paga professores abaixo do piso, paga funcionários menos do que o salário mínimo, fecha delegacias, escolas, salas de aula, obriga crianças a comerem merenda enlatada com altos índices de sódio, gordura e conservante? Isso quando tem!

O que merece colher? Certamente, não a Presidência do Brasil.

Governador do maior e mais rico Estado do Brasil, postulante à Presidência desde 2006, Geraldo Alckmin nunca se interessou em construir um programa nacional. Ou não foi capaz. É o paradoxo do liberal: como posso ter um projeto de Estado quando meu projeto é eliminar o Estado?

A resposta da direita este ano parece estar não no conservadorismo econômico dos liberais e, sim, no perigoso conservadorismo da moral.

Assim, o homem que acumula sob si a maior máquina eleitoral do país, aparelhada por gerações e blindada por todos os lados, decide tentar tirar da cartola um discurso apolítico e perigoso, com mais pinta de rede social do que de República.

Muito se fala de uma crise na esquerda.

Mas a verdade é que a direita brasileira, ao implodir a democracia e as instituições republicanas, alimentou alguns monstros que, crescidos, não se contentam mais com os restos de seus donos.

Com experiência em ser devorado pelas próprias criaturas, o Dr. Frankenstein paulista chega a 2018 trocando os pés pelas mãos e mostrando que está disposto a tudo, até a ser avalista de atentado.

Enquanto Guilherme Boulos e Manuela D’Ávila sobem ao palanque com Lula em defesa da democracia, do outro lado do rio o cenário é de terra arrasada.

Para quem leva a política a sério, é triste e preocupante ver o governador de São Paulo jogando ossos para a cadela do fascismo em busca de voto.

Espero que sua caminhada seja interrompida em breve; não por um tiro, mas pelo voto popular.

*João Paulo Rillo é deputado estadual (Psol/SP)

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Julio Silveira

11/04/2018 - 10h46

São Paulo de ex locomotiva da economia, passou a trator sobre a Democracia.

Responder

enganado

09/04/2018 - 14h42

Não há o que se preocupar, só DEUS sabe qual dos dois é pior, ou seja, quem está abençoando quem. Mas com certeza qdo diabo viu os dois juntos correu o mais que pode para bem longe, para não pegar rebarba da carga negativa do ambiente.

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Edgar Rocha

04/04/2018 - 14h44

Alckmin fez vista grossa às milícias de policiais associadas ao crime organizado. O epicentro da criminalidade nacional é São Paulo, com o PCC e sua associação criminosa com o Estado, em especial com a forças de segurança.
Agora o Chuchu com gosto de jiló escorrega igual quiabo quando o tema é segurança pública. Com o apoio da Globo, esconde a gravidade do problema no Estado, transferindo o ônus da violência para o Rio e o Nordeste. Uma bomba-relógio.
A PM fecha com Bolsonaro. O PCC chantageia ao estilo “salve-geral”, milícias financiam crimes políticos capazes de fazer curvar até o governo golpista, como no caso de Marielle (balas de São Paulo, diga-se). Nem o crime organizado respeita este crápula, fascista e irresponsável. Periga a Globo preferir o Meirelles e traí-lo (uma queda de helicóptero viria a calhar, se ele encher muito o saco).
Enfim, a lavoura está pronta. Alckmin nem pensa em colhê-la. Nem é bom tentar. Acho que ele vai pedir um financiamento pro BNDES e declarar que foi atacado por uma praga de gafanhoto, atravessar o mar à pé e ir morar em Israel.

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Andr

03/04/2018 - 21h05

Não seria tão otimista assim.. ele tem grande chances principalmente com essa esquerda esfacelada.

Responder

FrancoAtirador

03/04/2018 - 18h10

Os Candidatos da Globo Continuam Pagando Mico …

https://twitter.com/luisnassif/status/981239192859693058

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