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Igor Felippe: Pela reforma agrária, uma cidade acampa em Brasília


18/08/2011 - 21h52

Via Campesina monta Acampamento Nacional com 4 mil em Brasília

Camponeses reivindicam reforma agrária como política pública prioritária, além da recomposição do orçamento para obtenção de terras e renegociação das dívidas dos pequenos agricultores e assentados

Brasília recebe 4 mil trabalhadores e trabalhadoras rurais de 23 estados e do Distrito Federal dos movimentos da Via Campesina em um grande Acampamento por Reforma Agrária, a partir desta segunda-feira (22/08), nos arredores do Ginásio Nilson Nelson.

A mobilização integra a Jornada Nacional de Lutas por Reforma Agrária que acontece em todo o Brasil a partir do dia 22 de agosto. Além do acampamento, atos políticos e culturais devem acontecer em Brasília e nos Estados onde os movimentos da Via Campesina estão organizados.

Três temas centrais, todos relacionados com a implementação da Reforma Agrária, serão discutidos com as mobilizações: o primeiro é o assentamento das mais de 60 mil famílias acampadas, algumas há mais de cinco anos, através da desapropriação dos grandes latifúndios improdutivos, muitos em mãos do capital estrangeiro.

“Acreditamos que a Reforma Agrária seja um dos principais meios de desenvolver nosso país, distribuindo renda e riqueza, pois democratiza a terra, gera empregos diretos, moradia e produção de alimentos, superando a miséria no interior do país e o inchaço dos grandes centros urbanos” disse José Batista de Oliveira, integrante da coordenação nacional do MST.

A Jornada também exige que o orçamento destinado à obtenção de terras seja recomposto.  Os R$ 530 milhões destinados para o Incra promover a desapropriação de terras já foram totalmente executados. Para 2012, o cenário é de redução: estão previstos apenas R$ 465 milhões, um corte de R$ 65 milhões, segundo dados do Incra.

Enquanto isso, a concentração fundiária é comparável aos índices da época da Ditadura Militar. O Índice de Gini, em 1967, era de 0,836 (quanto mais perto de 1,0, mais concentrado é o modelo). Os dados do último Censo Agrário do IBGE (2006) dizem que o índice aumentou para 0,854.  “Especialistas ainda afirmam que o Brasil possui cerca de 4 milhões de famílias de trabalhadores sem terra que são potenciais beneficiárias de políticas de reforma agrária. Os latifúndios, com mais de mil hectares, somam menos de 1% das propriedades e controlam 44,42% das terras”, completa Oliveira.

A renegociação das dívidas dos pequenos agricultores também é pauta de reivindicação.  Em todo o Brasil, o valor em dívidas vencidas chega a R$ 30 bilhões, de acordo com o Ministério da Fazenda. A situação é preocupante, pois a agricultura familiar é responsável pelo abastecimento interno de alimentos – responde por 70% do alimento da mesa do brasileiro.

“O valor comprova que o Programa Nacional da Agricultura Familiar (PRONAF) é uma política inadequada e insuficiente para atender a realidade da agricultura camponesa, familiar, sobretudo os assentados da Reforma Agrária. Refletem os preços baixos pagos aos pequenos produtores e a falta de políticas públicas de comercialização”, explica Oliveira.

A Via Campesina é uma articulação internacional de movimentos sociais camponeses. No Brasil, é integrado pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Movimento dos Pescadores e Pescadoras, Quilombolas, Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), Movimento de Mulheres Camponesas (MMC), Conselho Indigenista Missionário (CIMI), além do Sindicato dos Trabalhadores da EMBRAPA (Sinpaf), da Federação dos Estudantes de Agronomia e da Associação Brasileira dos Estudantes de Engenharia Florestal.

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12 comentários

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“Vozes silenciadas” confirma exclusão do MST como fonte | Viomundo - O que você não vê na mídia

19 de agosto de 2011 às 19h58

[…] O acampamento da Via Campesina em Brasília   […]

Responder

Costa

19 de agosto de 2011 às 13h40

Muitas dessas pessoas nunca pegaram numa enxada na vida. Recebidos os lotes, provavelmente venderão e voltarão para os subúrbios das grandes cidades.

Responder

    Silvio I

    19 de agosto de 2011 às 15h36

    Costa:
    Em todo grupo de pessoas temos de todo um pouco. Agora o que não podemos e ser preconceituosos e prejulgar.Pode existir alguém, mais a reforma agrária bem feita, não permite vender.assim que não e assim como você vê a coisa.Por outro lado afirma que muitas pessoas de ali, nunca pegarão numa enxada.Eu não pertenço a esse grupo, mais já peguei em enxada, e você? Creio que e uma grande solução a reforma agrária.

Augusto

19 de agosto de 2011 às 11h15

Quero ver atitudes. Não adianta receber as trabalhadores se a reforma agrária, que é necessária, não for feita. Esse governo de 'esquerda' não está fazendo o dever? E, depois, ficam irritados quando digo que a Dilma está passando pra direita…
Só não enxerga quem não quer. A concentração fundiária aumentou, logo não há reforma agrária nenhuma.
Enquanto isso, o monocultivo das 'commodities' cresce. O preço sobe. Pesticidas, os tais "defensivos" (que não tem nada a ver com isso) são usados ao extremo e nós e os agricultores morremos aos pouco.
Repito: não basta dizer que é de 'esquerda'. Tem que tomar atitudes que demonstrem que isso é verdadeiro.
Os petistas de plantão podem negativar o máximo meu comentário. O PT já era.

Responder

    Silvio I

    19 de agosto de 2011 às 15h58

    Augusto:
    Ninguém fica irritado contigo, apenas não estão de acordo, como não o estou Eu. Dilma tem oito meses de governo, ainda não se sabe todo o que pode fazer.O governo anterior fez as fundações para este governo, em uma cienaga.Não tinha apoio no congresso, e tinha bancadas que pareciam inimigo acérrimos, que formavam um grupo que o povo se concretizou, e tiro das câmara.Vamos a ver como se desarrolha o governo.Uma coisa importante que você pode ir anotando para posterior comparação.No governo Lula se recebeu no palácio, ate morador de rua.Nem no governo passado nem em este, se usa a policia para proibir, que o povo solicite alguma coisa.Agora compare com o governo passado e presente de São Paulo.

    Augusto

    19 de agosto de 2011 às 17h29

    Talvez eu esteja apenas mais a esquerda do que aqueles que discordam comigo. Ora, privatização de aeroportos, não há reforma agrária, não há incremento no investimento em educação, os juros são os maiores desde há muito tempo (isso consome grande parte dos recursos …). Cansei, esperar até quando? Esperar o quê? O governo tem que pedir permissão ao PIG ou a alguém para continuar mudando o país? Temos os problemas com os agrotóxicos, a ANVISA não faz nada.
    Há problemas com os monopólios existentes e outros que tentam se formar, como o Pão de Açúcar querendo comprar o carrefour com $ do BNDS…
    A banda larga proposta aí, pelo que vejo, é banda lerda!
    Que mais? Quero ver mudanças! alguns estão mais a direita do que eu com certeza!

    Silvio I

    19 de agosto de 2011 às 22h45

    Augusto:
    Você está solicitando uma ditadura. O ditador resolve todo o que ele quiser na hora. Mais também deve ter em conta que o poder corrompe, e o poder absoluto corrompe muito mais. E muitas vezes custa uma quantidade de vidas, para impor seus desejos.Agora este si se quer e um defeito da democracia,se escuta muitas opiniões, e muitos se vem influenciados por lobby, que em alguns casos podem ser corrupção.Mais ainda com essa demora para poder se resolver as coisas a democracia, continua sendo a melhor forma de governo.

Fernando

19 de agosto de 2011 às 10h13

Na lei ou na marra… venceremos!!

Responder

Ivanisa T Martins

19 de agosto de 2011 às 09h07

Mensagem Meirelles – 17 de agosto de 2011 08:04

Senhores,

Em toda a minha vida profissional de 40 anos de trabalho com os índios, isolados ou não, sempre soube a hora de calar, de respeitar hierarquia.

Soube tambem protestar a meu modo, quando necesário, a meu modo, jeito e responsabilidade. Pois agora é a hora de gritar, e alto! Embora isso signifique,

como já aconteceu quando fui demitido da FUNAI, na criação da SBI que protestava contra o regime miliktar da época, a favor dos índios.

Lá vou eu, depois de velho, de novo.

A Frente Envira, como todos sabem foi tomada por uma força paramilitar estrangeira, composta de traficantes e provavelmente acompanhados de índios

rescém contatados do Peru.

A PF veio à nossa base, pensava eu, de acordo com plano que junto com ela fizemos em Rio Branco, de duas equipes, uma acima da base e outra abaixo, pousadas

de helicóptero a distancia não audível dos invasores da base, que viriam por terra, na esperança de prende-los. O plano não foi executado. Sobrevoaram a base

antes disso de helicóptero, espantaram os caras. Uma equipe pousou na Aldeia Simpatia e subiu o rio. Foi resgatada antes de chegar na base. Outra pousou na base.

Nossos mateiros seguiram um rastro e entregaram o Sr. Fadista, portugues que anteriormente foi preso aqui mesmo e deportado para o Peru, apesar se ser procurado

por táfego internacional de drogas, inclusive no Brasil. Voltou e foi preso de novo.

Satisfeita a PF abandonou a base, como se a missão estivesse toda realizada.

Uma pequena equipe, Sr. Carlos Travassos, coordenador da CGIIRC/FUNAI, Artur Meirelles coordenador da Frente, Francisco de Assis ( Chicão, mateiro), Francisco Alves de Castro ( Marreta, mateiro) e José Carlos Meirelles ( Gov. do Estado do Acre), por decisão unânime, resolveram vir para a base, que era de novo abandonada.

A PF lacrou a Base. No outro dia que chegamos estava tudo arrombado de novo. Os peruanos continuavam aqui. Vimos vestígios de menos de 15 minutos!!!

Veio o Bope de Rio Branco. Foram feitas pequenas incursões. Encontramos acampamentos, mochila dos peruanos com pedaço de flecha dos isolados dentro!!!

O Bope vai e vem a Força Nacional. Sem ordem de se afastar a 500 metros da Base.

Nestes dias de Força Nacional, se,mpre se escuta tiros em locais próximos à base, à noite, com características de arma de bala e não de cartucho.

Esta noite mesmo, foram ouvidos tres disparos, de um lado e de outro do rio.

A Força Nacional está esperando o Exército, que deveria aqui chegar no dia seguinte à invasão da Base, a quase UM MES atrás!!!!

E ninguem ainda se dispos a bater realmente estas matas e desvendar o que realmente estas pessoas, que CONTINUAM AQUI, fazem e querem.

Não temos acesso ao depoimento do portugues. Parece que é PROPRIEDADE DA PF!!!!

À tempos, desde 2007, temos alertado sobre a exploração ilegal de madeira, do outro lado da fronteira, em reserva de isolados no Peru, a reserva Murunaua.

Agora, tudo leva crer que além de madeireiros, temos traficantes de drogas! E pelo andar da carruagem, como se diz aqui pelas matas, parece que estão

botando roçados. Ou seja, não tem a mínima intenção de ir embora. Afinal, ninguem os perturba!!!

Nós da FUNAI, do governo do Acre e os mateiros ( que aliás ganharam um presente da FUNAI, foram dispensados) estão aqui por opção.

O risco é por nossa conta, somos pagos ou não prá isso.

OS ÍNDIOS ISOLADOS DA REGIÃO, VERDADEIROS DONOS DESSE PEDAÇO DE AMAZÔNIA, NÃO TEM NADA COM ISSO!!!

E SERÃO ELES, COM CERTEZA, MAIS UMA VEZ QUE PAGARÃO O MAIOR PREÇO PELA INVASÃO DE SUAS TERRAS, POR UM

GRUPO DE TRAFICANTES E SABE-SE LÁ MAIS QUE PERSONAGENS.
Não dá mais prá esperar calado!

Não vou mandar abraço prá ninguém, meu coração tá apertado. Quando sinto essa sensação, dificilmente erro.
Meirelles

Responder

Ivanisa T Martins

19 de agosto de 2011 às 09h06

Mensagem de Terri 17/08/11 16:03

' Vai aí o último comunicado do sertanista Meirelles lá do front da base Xinane, da Frente de Proteção Etnoambiental Envira, da Funai. Não sei nem se você tem recebido as mensagens que tenho lhe enviado, porque até agora não disse nem uma palavra sobre o assunto, mas escrevo pra você assim mesmo, com cópia pro Altino Machado que tá de plantão e sempre alerta com seu blog. Ainda bem que ele tem botado a boca no trobone com suas boas machadadas. Que bom que por aí no Acre tenha um cara corajoso que nem ele, que adora desafinar o coro dos contentes. O que seria da imprensa acreana sem o Altino? Acho que já tinha virado diário oficial do governo, não é mesmo?

É mais um desabafo do velho sertanista contra os caras da Força Nacional, que não tem coragem de se afastar um centímetro sequer da base Xinane. São uns medrosos, parece que até pra cagar eles aindam em bando; enquanto um faz força, os outros ficam de guarda do lado de fora da privada. Uma cambada de froxos. E ainda usam esse nome pomposo de Força Nacional! É mole? Nem comida eles fazem. E o velho sertanista ainda cozinha pra esses cabras sem vergonhos. Tão só é dando dispesas por lá. Assim é melhor eles voltarem pra onde vieram. Não servem pra nada. Então, é com uma força nacional medrosa como essa que se estar garantindo a segurança nas fronteiras desse imenso país? Tamos lascados!. De sinal de vida, rapaz. Aquele abraço, txai terri

Responder

luiz pinheiro

19 de agosto de 2011 às 06h58

Voce acha, Azenha, que a presidenta Dilma teria recebido o carinho que recebeu quando visitou as trabalhadoras rurais margaridas se ela quisesse "matar a reforma agrária de fome"?

Responder

    Araquem

    19 de agosto de 2011 às 11h09

    Não consigo ver a relação entre a recepção dada à Presidenta pelas trabalhadoras e a deliberada política de abandono da reforma agrária como parte do programa de governo.


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