VIOMUNDO

Diário da Resistência


Política

“Evitar que os cidadãos pensem é uma tarefa permanente da mídia”


25/08/2011 - 12h23

O MUNDO À BEIRA DO CAOS

por Miguel Urbano Rodrigues

A crise do capitalismo é tão profunda que até os líderes dos EUA e da União Europeia e os ideólogos do neoliberalismo assumem essa realidade. Estão alarmados por não enxergarem uma solução que possa deter a corrida para o abismo. Esforçam-se sem êxito para que apareça luz no fim do túnel.

Apesar das contradições existentes, os EUA e as grandes potências da União Europeia puseram fim às guerras interimperialistas – como a de 1914-18 e a de 1939-45 – substituindo-as por um imperialismo colectivo, sob a hegemonia norte-americana, que as desloca para países do chamado Terceiro Mundo submetidos ao saque dos seus recursos naturais.

Mas a evolução da conjuntura mundial demonstra também com clareza que a crise do capital não pode ser resolvida no quadro de uma «transnacionalização global», tese defendida por Toni Negri e Hardt no seu polémico livro em que negam o imperialismo tal como o definiu Lenine. Entre os EUA e a União Europeia (e os países emergentes da Ásia e da América Latina) existe um abismo histórico que não foi nem pode ser eliminado em tempo previsível.

A crescente internacionalização da gestão não desemboca automaticamente na globalização da propriedade. O Estado transnacional, a que aspiram uma ONU instrumentalizada, o FMI, o Banco Mundial e a OMC é ainda uma aspiração distante do sistema de poder (*).

O caos em que o mundo está cair ilumina o desespero do capital perante a crise pela qual é responsável.

A ascensão galopante da direita neoliberal ao governo em países da União Europeia ressuscita o fantasma da ascensão do fascismo na Republica de Weimar. A Historia não se repete porem da mesma maneira e é improvável que a extrema-direita se instale no Poder no Velho Mundo. Mas a irracionalidade do assalto à razão é uma realidade.

O jogo do dinheiro nas bolsas é hoje muito mais importante na acumulação de gigantescas fortunas do que a produção. O papel dos «mercados» – eufemismo que designa o funcionamento da engrenagem da especulação nas manobras do capital – tornou-se decisivo no desencadeamento de crises que levam à falência países da União Europeia. Uma simples decisão do gestor de «uma agência de notação» pode desencadear o pânico em vastas áreas do mundo.

O surto de violência em bairros degradados de Londres, Birmingham, Manchester e Liverpool alarma a Inglaterra de Cameron e motiva nas televisões e jornais ditos de referência torrentes de interpretações disparatadas de sociólogos e psicanalistas que falam como porta-vozes da classe dominante.

Em Washington, congressistas influentes manifestam o temor de que, o «fenómeno britânico» alastre aos EUA e, nos guetos das suas grandes cidades, jovens latinos e negros imitem os das minorias da Grã Bretanha, estimulados por mensagens e apelos no Twitter e no Facebook.

Mas enquanto a pobreza e a miséria aumentam, incluindo nos países mais ricos, a crise não afecta os banqueiros e os gestores das grandes empresas. Segundo a revista «Fortune», as fortunas de 357 multimilionários ultrapassam o PIB de vários países europeus desenvolvidos.

Nos EUA, na Alemanha, na França, na Itália os detentores do poder proclamam que a democracia política atingiu um patamar superior nas sociedades desenvolvidas do Ocidente. Mentem. A censura à moda antiga não existe. Mas foi substituída por um tipo de manipulação das consciências eficaz e perverso. Os factos e as notícias são seleccionados, apresentados, valorizados ou desvalorizados, mutilados e distorcidos, de acordo com as conveniências do grande capital. O objectivo é impedir os cidadãos de compreender os acontecimentos de que são testemunhas e o seu significado.

Os jornais e as cadeias de televisão nos EUA, na Europa, no Japão, na América Latina dedicam cada vez mais espaço ao «entretenimento» e menos a grandes problemas e lutas sociais e ao entendimento do movimento da Historia profunda.

Os temas impostos pelos editores e programadores – agentes mais ou menos conscientes do capital – são concursos alienantes, a violência em múltiplas frentes, a droga, o crime, o sexo, a subliteratura, o quotidiano do jet set, a vida amorosa de príncipes e estrelas, a apologia do sucesso material, as férias em lugares paradisíacos, etc.

Evitar que os cidadãos, formatados pela engrenagem do poder, pensem, é uma tarefa permanente dos media.

As crónicas de cinema, de televisao, a musica, a critica literária reflectem bem a atmosfera apodrecida do tipo de sociedade definida como civilizada e democrática por aqueles que, colocados na cúpula do sistema de poder, se propõem como aspiração suprema a multiplicar o capital.

Em Portugal surgiu como inovação grotesca um clube de pensadores; os debates, mesas redondas e entrevistas com dóceis comentadores, mascarados de «analistas», são insuportáveis pela ignorância, hipocrisia e mediocridade da quase totalidade desses serventuários do capital. Contra-revolucionários como Mario Soares, António Barreto, Medina Carreira, Júdice; formadores de opinião como Marcelo Rebelo de Sousa, um intoxicador de mentes influenciáveis que explica o presente e prevê o futuro como se fora o oráculo de Delfos; jornalistas his master voice, como Nuno Rogeiro e Teresa de Sousa; colunistas arrogantes que odeiam o povo português e a humanidade, como Vasco Pulido Valente, pontificam nos media imitando bruxos medievais, servindo o sistema em exercícios de verborreia que ofendem a inteligencia.

O Primeiro-ministro e o seu lugar-tenente Portas, exibindo posturas napoleónicas, pedem «sacrifícios» e compreensão aos trabalhadores enquanto, submissos, aplicam o projecto do grande capital e cumprem exigências do imperialismo.

Desde o inicio do primeiro governo Sócrates, o que restava da herança revolucionaria de Abril foi mais golpeado e destruído do que no quarto de século anterior.

Ao Portugal em crise exige- se o pagamento de uma factura enorme da crise maior em que se afunda o capitalismo.

Nos EUA, pólo hegemónico do sistema, o discurso do Presidente Obama, despojado das lantejoulas dos primeiros meses de governo, aparece agora como o de um político disposto a todas as concessões para permanecer na Casa Branca. A sua ultima capitulação perante o Congresso estilhaçou o que sobrava da máscara de humanista reformador. Para que o Partido Republicano permitisse aumentar de dois biliões de dólares o tecto de uma divida publica astronomica- já superior ao Produto Interno Bruto do país – aceitou manter intocáveis os privilégios indecorosos usufruídos por uma classe dominante que paga impostos ridículos e golpear duramente um serviço de saúde que já era um dos piores do mundo capitalista. A contrapartida da debilidade interior é uma agressividade crescente no exterior.

Centenas de instalações militares estadounidenses foram semeadas pela Ásia, Europa, América Latina e África.

Mas «a cruzada contra o terrorismo»  não produziu os resultados esperados. As agressões americanas aos povos do Iraque e do Afeganistão promoveram o terrorismo em escala mundial em vez de o erradicar. Crimes monstruosos foram cometidos pela soldadesca americana no Iraque e no Afeganistão. O Congresso legalizou a tortura de prisioneiros. A «pacificação do Iraque», onde a resistência do povo à ocupação é uma realidade não passa de um slogan de propaganda. No Afeganistão, apesar da presença de 140 000 soldados dos EUA e da NATO, a guerra está perdida.

Os bombardeamentos de aldeias do noroeste do Paquistão por aviões sem piloto, comandados dos EUA por computadores, semeiam a morte e a destruição, provocando a indignação do povo daquele país.

O bombardeamento da Somália (onde a fome mata diariamente milhares de pessoas) por aviões da USAF, e de tribos do Iémen que lutam contra o despotismo medieval do presidente Saleh tornou-se rotineiro. Como sempre, Washington acusa as vítimas de ligações à Al Qaeda.

Na África, a instalação do AFRICOM, um exército americano permanente, e a agressão da NATO ao povo da Líbia confirmam a mundialização de uma a estratégia imperial.

O terrorismo de Estado emerge como componente fundamental da estratégia de poder dos EUA.

Obviamente, Washington e os seus aliados da União Europeia, tentam transformar o crime em virtude. Os patriotas que no Iraque, no Afeganistão, na Líbia resistem às agressões imperiais são qualificados de terroristas; os governos fantoches de Bagdad e Kabul estariam a encaminhar os povos iraquiano e afegão para a democracia e o progresso; o Irão, vítima de sanções, é ameaçado de destruição; o aliado neofascista israelense apresentado como uma democracia moderna.

A perversa falsificação da Historia é hoje um instrumento imprescindível ao funcionamento de uma estratégia de poder monstruosa que, essa sim, ameaça a Humanidade e a própria continuidade da vida na Terra.

O imperialismo acumula porem derrotas e os sintomas do agravamento da crise estrutural do capitalismo são inocultáveis.

O capitalismo, pela sua própria essência, não é humanizável. Terá de ser destruído. A única alternativa que desponta no horizonte é o socialismo. O desfecho pode tardar. Mas a resistência dos povos à engrenagem do capital que os oprime cresce na Ásia, na Europa, na América Latina, na África. Eles são o sujeito da História e a vitoria final será sua.

Vila Nova de Gaia, 15 de Agosto de 2011

(*) Estes temas são tratados em profundidade pelo economista argentino Claudio Katz num livro a ser editado brevemente

Sara Robinson: A ascensão do fascismo nos Estados Unidos

Marcio Pochmann: Brasil vai ingressar na era do conhecimento?

Ken Robinson: Repensando a educação pública

Gerry Epstein: O comando é das forças da austeridade

Wanderlei Pignati: A água contaminada que você bebe



59 comentários

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Alipio Freire: “Sorria, você está sendo filmado” | Viomundo - O que você não vê na mídia

11 de setembro de 2011 às 09h07

[…] Evitar que os cidadãos pensem é uma tarefa permanente da mídia   […]

Responder

A Polícia Federal já está no caso da Veja/Hotel Naoum « Blog do murilopohl

28 de agosto de 2011 às 21h53

[…] Evitar que os cidadãos pensem é uma tarefa permanente da mídia […]

Responder

Devanir Ribeiro:”Aonde vamos parar com esse jornalismo tão podre, tão mentiroso?” | Viomundo - O que você não vê na mídia

28 de agosto de 2011 às 13h19

[…] Evitar que os cidadãos pensem é uma tarefa permanente da mídia […]

Responder

cronopio

27 de agosto de 2011 às 14h51

"O dinheiro é um bem público", frase inicial de "Film Socialisme" de Godard. Uma evidência, sim, mas que passa
desapercebida.

Responder

Roger

26 de agosto de 2011 às 22h00

A questão não é a de evitar que pensem.
Mas a de fazer pensar de uma só maneira.

Responder

Operante Livre

26 de agosto de 2011 às 21h55

É importante sabermos unir nossas críticas à mídia ideologizante (camufladora e distorcedora) à práticas de ampliação de meios de comunicação emancipadores. Criticar é muito bom para aumentar a consciência, a percepção e reunir pessoas em torno de propósitos comuns. Mas, precisamos articular as ações efetivas, consequentes, para não corrermos o risco de ficarmos em eterna catarse com nossas denúncias críticas.

Digo isto e me incluo entre os críticos indignados e desesperado para ver ações organizadas de enfrentamento dos média dominantes. Também não sei muito o que fazer com minha indignação. Só não quero me tronar um velho com as mesmas críticas e denúncias que tenho para hoje. Se isto ocorrer é que pouco nada fiz (emos). Esterei triste. Ainda tenho alegria para agir.

Responder

Tomudjin

26 de agosto de 2011 às 19h43

Tudo bem que uma planta possa fazer esquecer, mas pelo menos ela faz pensar.

Responder

FrancoAtirador

26 de agosto de 2011 às 19h38

.
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O William Bonner, editor-chefe e apresentador do Jornal Nacional,

afirmou que o telespectador médio da TV Globo é como o Homer Simpson.

É provável até que realmente seja, mas ele esqueceu de um detalhe:

A TV Globo trata os telespectadores como se fossem o Santa's Little Helper,

o cachorro da família Simpson.
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Responder

francisco.latorre

26 de agosto de 2011 às 14h29

desde sempre.

mídia. é propaganda.

hipnose. cria mundos.

..

Responder

Thiago M Silva

26 de agosto de 2011 às 11h45

"O capitalismo não pode ser destruído, mas deve ser SUPERADO"

Responder

rodrigo.aft

26 de agosto de 2011 às 09h21

Colegas, eu já tinha postado algo nesse sentido, pois a alienação de massa precisa atuar intensamente para q os "parasitados" não se rebelarem…

… eu havia comentado muitas vezes… O GOLPE BRANCO ESTÁ EM CURSO!!!
Seja por convicção, seja por indução, seja por omissão, seja por corrupção, é mais fácil manobrar 5, 10, 15 ou 20 pessoas q decidem os destinos de milhões de brasileiros, ou mais importante ainda, o destino de milhões e milhões de REAIS q incitar uma revolução ou dar golpe de estado.
Viu? Sem brigas, sem sangue, sem gastar dinheiro desnecessariamente, e com pleno domínio da "máquina".

O Establishment pouco se importa com a ideologia ou cor partidária… o q importa, no frigir dos ovos, é manter a HEGEMONIA DECISÓRIA, através da (IN)justiça e política(?), por ex..
Se as pessoas são corintianas, palmeirenses, são paulinas, psdbistas, petistas, homo, hétero, branca, negra, amarela, jovens, adultas ou velhas, se está do lado da lei ou do crime, NÃO IMPORTA.

A DIREITA americana (marionete dos grandes lobbyes industriais e FINANCEIROS, LÓGICO!!!) já descobriu esse truque faz tempo, e domina COM MAESTRIA o uso da máquina pública em benefício de um seleto grupo, q defende (para os outros, não para si) o estrito cumprimento das leis, dos contratos, da propriedade, mas aplica, no bastidores, o "motor" do capitalismo moderno: SOCIALIZAR PREJUÍZOS E PRIVATIZAR LUCROS, sob o manto protetor da (IN)justiça.

E viva as pquenas e inúteis discussões da sociedade… enquanto a maioria discute (e perde tempo e dinheiro preciosos com isso) por futebol, política, status, ativades laboriais, e até "cultura" (tudo uma grande cortina de fumaça), os "donos do poder", não aparecem, não fazem alarde e deixam outros atores cooptados, amestrados, dominados, colonizados, enventualmente alguns ameaçados, corrompidos, e até INGÊNUOS, fazerem a defesa de seus interesses NAS 3 ESFERAS DO PODER (legistaltivo, judiciário e executivo) E NAS 3 INSTÂNCIAS DO ESTADO (união, estdo e município), com a ajuda providencial da grande mídia engajada (sim, na mão de um lobby também – seja pela propriedade do meio em si, seja pela decisão de "distribuir, dirigir" verbas publicitárias).

Ah, sim, o establishment não atua diretamente, mas tem prepostos para acionar as marionetes… advogados, lobistas, empresas (muitas e muitas vezes em nomes de laranjas, para evitar a identificação), e pessoas em cargos-chave, como comentei anteriormente, nos 3 poderes e nas 3 esferas do estado.

Então, não, não há GOLPE BRANCO! tudo imaginação prodigiosa…
Sem culpa, "queime" horas e horas com tv (e "cultura" em geral, como já mencionei), com esportes (na tv ou ao vivo), no trabalho (não esqueça de somar "acordar antes", "tempo de deslocamento", permanencia no local de trabalho e "tempo de deslocamento" novamente) e com a família…
sobra tempo para aglutinação social em torno da defesa de seus interesses?
NÃO!!!
(e é essa a idéia… não deixar tempo livre para conscientização pessoal e associações sociais para fazer frente aos interesses do establishment)

E se vc não acha todo esse contexto importante, fantasioso até, não se preocupe, matar escravos livres (e hopedeiros) não é conveniente… eles te deixam vivo e o operante por bons anos, o suficiente para dar lucro na sua fase mais produtiva… e não perca o jogo ou novela de logo mais…

(neste caso) "Don't worry, be happy"! (é uma ironia)

Responder

    rodrigo.aft

    26 de agosto de 2011 às 10h10

    oops… errinho… onde se lê "… política, status, ativades laboriais, e até "cultura"…",
    leia-se "… política, status, ativIDAdes laborAIS, e até "cultura"…" [ laborais = relativas ao trabalho]

Gerson Carneiro

26 de agosto de 2011 às 05h39

Princípios Éticos Simpsonianos de fazer jornalismo: William Bonner, Fátima Bernardes e Marcos Uchoa (este diretamente da Líbia) no JN de 25/08/2011 noticiam os fatos relacionados com a queda de Kadafi e a situação de guerra naquele país, debochando e dando risadas, como se estivessem fazendo reportagem para o programa Domingão do Faustão, e a situação permitisse isso. Mas dessa reportagem consegui apenas a parte em que William Bonner confunde a careca do Marcos Uchoa com um "capacete".

[youtube 4y75hTxVXYY http://www.youtube.com/watch?v=4y75hTxVXYY youtube]

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carmen silvia

26 de agosto de 2011 às 00h31

Me lembro do comentário de um velho professor de economia,ele dizia que nos dias atuais está muito difícil identificar os inimigos,tudo é muito sutil,subliminar,isso dito em 1986.Me pareceu na época um comentário profundamente pessimista.
Mas com o vendaval neoliberal assolando a terra,o pensamento dito único comandando as consciências esse comentário começou a se tornar uma recorrência nas minhas falas.
Porém com alguns textos que tenho lido aqui no blog,e isso já faz algum tempo,e esse é um deles, me parece que o contraditório volta a aparecer e por isso vejo um ponto positivo nessa crise,os inimigos ou adversários pra ser mais branda,reaparecem e volta-se a ter a oportunidade de identifica-los.
DEsmontar o estdo de coisas que vivemos atualmente vai levar algum tempo,mas não creio mais na sua impossibilidade

Responder

NilvaSader

25 de agosto de 2011 às 23h25

Deveria ser lido por todos, claro que , todos os que se propôem a pensar.
Excelente análise do momento atual que vive o mundo, principalmente as ditas grandes potências e as nem tão grandes assim, cujas mídias se especializaram em disseminar alienação reforçando os pontos de vista dos poderosos.

Responder

@Evieiramiranda

25 de agosto de 2011 às 22h54

"O terrorismo de Estado emerge como componente fundamental da estratégia de poder dos EUA".
A melhor constatação do texto acima. Traduz a estratégia de poder do império após o "fim da história", ou fim da Guerra Fria mesmo.

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bernardo

25 de agosto de 2011 às 22h50

gostei muito do texto, e vejo as mesmas coisas que o autor descreve. só não concordo que a saída é o socialismo, nem que o capitalismo é inumanizavel. capitalismo, quando bem gerido por um estado que tem como meta assegurar igualdade de oportunidades, liberdade e democracia verdadeira, funciona bem. traz progresso e distribuição de renda. infelizmente tal estado não existe ainda. e as poucas tentativas que chegaram próximas a isso (não muito próximas, é verdade) estão sucumbindo ao hiper-capitalismo, ao ultra-liberalismo, tendo suas lideranças políticas cooptadas pela banca especulativa e perdendo os vínculos de representatividade com a população. vide o que acontece na Inglaterra…

Responder

Regina Braga

25 de agosto de 2011 às 20h53

Para quem acredita na teoria da Conspiração o texto cai como uma luva…Pois a teoria da Conspiração é o texto, redigido de outra forma,mas com todos os elementos.

Responder

FrancoAtirador

25 de agosto de 2011 às 20h32

.
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A ALIENAÇÃO É O PRINCÍPIO DA SUBMISSÃO.

E vice-versa.
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Responder

Jorge

25 de agosto de 2011 às 19h55

Nem capitalismo, nem socialismo, nem comunismo, a saida é o colaborativismo!

Responder

    Jair de Souza

    25 de agosto de 2011 às 21h48

    Ou seja, você quer que tudo continue como está!

Gerson Carneiro

25 de agosto de 2011 às 18h47

<img src=http://3.bp.blogspot.com/-7eLVQufF0kQ/TZHdxPRIcJI/AAAAAAAAAB8/Vhe8FNXchNg/s1600/globo+-+nao+penso%252C+nao+existo%252C+so+assisto.jpg>

Responder

    rodrigo.aft

    26 de agosto de 2011 às 10h42

    Gerson e demais colegas, só pra ficar no clima… (rsrs)

    <img src=http://4.bp.blogspot.com/_6VcXLIl8GZ8/TFmx1Rv_Q2I/AAAAAAAAAQA/eUcqXCkQfIE/s400/globo_sorria.jpg width=241 height=333>

    <img src=http://glaucocortez.files.wordpress.com/2010/09/rede-globo-tucano-foto.jpg? width=200 height=238>

    <img src=https://lh4.googleusercontent.com/-urRYYQ_fdbk/TWxTbUi6quI/AAAAAAAAEPA/d7kc3mJ9AFY/s320/Perigo_Rede_Globo.jpg>

    Gerson Carneiro

    26 de agosto de 2011 às 11h15

    Ótemo! rs

Bonifa

25 de agosto de 2011 às 18h03

A natureza predatória e concorrente das grandes nações ditas da "democracia ocidental" mas regidas de fato por um sistema econômico de capitalismo feroz, as impede de se unirem. Concorrem entre sí dentro de sistema hierárquico sempre tenso e podem se dilacerar até o fim, não existe portanto o tal fim das guerras interimperialistas. Querem a todo custo preservar o sistema de acordos que as mantém em paz mas, dentro do sistema, se a farinha for pouca, se matam. Agora, quando uma vítima de fora do seu sistema se isola do rebanho e se vê desprotegida, eles se unem para abatê-la sem piedade. Não há possibilidade de convergência de interesses entre eles e as nações do mundo em desenvolvimento.

Responder

Elza

25 de agosto de 2011 às 17h39

Mt bom o texto, com uma claridade imensa, que compreendemos td movimento do capitalismo.
Interessante…… "O capitalismo, pela sua própria essência, não é humanizável"….. como vemos isso no dia a dia do mundo empresarial, no funcionalismo público. Na smna passada vi uma reportagem no JN, onde era apresentado dois homens que estavam fazendo capacitação profissional pela madrugada e o tom da reportagem era de uma grande vantagem. A desumanização apresentada numa linguagem que para as pessoas aprenderem, se capacitarem ñ podem dormir, isso depois de um dia de trabalho. A sociedadecapitalista é tão cruel e contraditória e ainda nos confundem, pois no mesmo momento q/ são divulgados resultados de pesquisa q o sono é importante, p/ a saúde do ser humano, o mercado exige que pra vc cresça profissionalmente ñ pode dormir.

Responder

    james

    25 de agosto de 2011 às 19h13

    Ô Elza, aquela reportagem a vc se refere é nitidamente alienante. A Globo quer vender o seu pastel, ou seja, incutir no povo retardado que para vencer na vida tem que se f… É pra isso que ela existe!

    Elza

    25 de agosto de 2011 às 21h00

    E então james, concordo c/ vc. O prob é que a maioria dos brasileiros assistem só essa emissora. Já pensou se ñ tivesse os blogs progressistas, as redes sociais? Mas tbm cadê a banda larga que poderia ser accessível à maioria dos brasileiros?

    Agora mesmo (25 às 20:45) no JN está saindo uma reportagem sobre a Líbia totalmente capiciosa.
    As colocações do repórte Uchoa insinua q Trípoli foi destruída só e somente só (é redundância msm… rss) apenas pelas forças pró-Kaddafi. Aí o link é interrompido pelos aviões da OTAN e qd ele retorna na maior cara lavada justifica, quer dizer o discurso q é traído pela imagem…. rrss!!

francy

25 de agosto de 2011 às 16h38

—A HISTÓRIA SECRETA DA REDE GLOBO — Não deixem de ler essa materia..gente isso é serio…nunca vi tanta barbaridade nessa reportagem…só pra começar Em 1982, o jornalista do Sistema Globo, Luís Carlos Cabral, denunciou publicamente que a Rede Globo, do sr. roberto marinho, estava envolvida diretamente no esquema de manipulação de informações, colaborando ativamente em um processo de fraude eleitoral.LEIAMMMMMMMMMMMMMMM
http://diogo-martins.sites.uol.com.br/historiatvg

NAO DEIXEM DE LER ESSA REPORTAGEM….INCRÍVEL…!!

Responder

Avelino

25 de agosto de 2011 às 16h33

Caro Azenha
Como o Brasil vem sendo governado, pela dupla, Lula-Dilma, será a salvação do capitalismo, em uma nova etapa.
O capitalismo ficticio é pior do que o que Lenin pensava.
Saudações

Responder

Roberto Locatelli

25 de agosto de 2011 às 16h18

De um lado, os capitalistas não propõem nenhuma saída a não ser aquela em que os ricos ficam muito ricos e a ampla maioria da população marcha para a miséria absoluta.

De outro lado, sem uma direção consciente em nível internacional, não há socialismo à vista. A alternativa é que o imperialismo termine em barbárie, inclusive barbárie ambiental.

Responder

    FrancoAtirador

    25 de agosto de 2011 às 20h33

    .
    .
    E está próxima.

    Aliás, vivemos nela.
    .
    .

Martin Wolf: Aproveitar a oportunidade para reformar a mídia | Viomundo - O que você não vê na mídia

25 de agosto de 2011 às 16h07

[…] Miguel Urbano Rodrigues: Tarefa da mídia é evitar que os cidadãos pensem […]

Responder

Klaus

25 de agosto de 2011 às 15h22

Engraçado, o maior país "comunista" do mundo, a China, está totalmente capitalista, claro que um capitalismo à sua maneira; Cuba, playground do comunismo latino-americano começa a liberar sua economia e todos sabemos no qaue isto vai dar em alguns anos, né?; comunismo na Europa inexiste e a esquerda européia se confunde cada vez mais com a direita; talvez com exceção da Moldávia, nenhuma ex-república soviética ou país da Cortina de Ferro queira saber do comunismo; no Brasil, em termos econômicos, a diferença entre o PT e a "direita" brasileira é praticamente nula. Mas é o capitalismo que está fadado a acabar e a ÚNICA alternativa que desponta no horizonte é o socialismo. Será mesmo, gente, não cabe qualquer dúvida disto?

Responder

    Julio Silveira

    25 de agosto de 2011 às 16h26

    Francamente acho que nada será como antes, que virá disso tudo uma especie de simbiose de alguns principios do que hoje chamamos capitalismo, com outros humanistas vindos do socialismo. Creio que será sem os ranços que ambos possuem, capitalismo quando explora até o esgotamento, como se não houvesse amanhã, com o que considero o ranço do seu oposto, que é a ignorancia das individualidades, que, entendo, facilita a existencia de outro tipo de exploração, que se faz pela tendência de igualar os diferentes. Acredito que estamos num processo de amadurecimento da humanidade.

    ZePovinho

    25 de agosto de 2011 às 16h52

    A lei 6404/76,lei das S/A no Brasil,criou uma forma de socialismo ao regrar a participação de acionistas na propriedade privada.Há muito que a propriedade privada é propriedade privada coletiva;donde se conclui que é do próprio capitalismo que brotará sua negação.

    Cronopio

    25 de agosto de 2011 às 18h16

    Os liberais estão defendendo a teleologia histórica que o partido comunista pregava nos anos de chumbo. O "Materialismo histórico" cruzou a cortina de ferro e ninguém percebeu. Curioso, só que, pelo visto, a bola de cristal neo-liberal é tão fajuta quanto a dos soviéticos.

Alexandre Felix

25 de agosto de 2011 às 14h50

Eu achava que não viveria para ver o fim dos Estados Unidos. Esse novo século será mais surpreendente que o passado, e isso nos traz grandes responsabilidades. Grande texto, parabéns!

Responder

Rafael

25 de agosto de 2011 às 14h39

Eu duvido que os teóricos do neoliberalismo não sabiam que ia chegar a esse ponto. Acredito que tudo isso é muito bem conhecido. Não acredito que o socialismo, pelo menos o que foi aplicado na Rússia ou na China, vá resolver alguma coisa. Comunismo é inviável, é contra a essência humana, o capitalismo está tirando o resto da humanidade, de solidariedade que o ser humano já teve. Acredito que única saída é uma economia em que todos tenha um mínimo de qualidade de vida, mesmo que haja diferença de renda o que não é ruim, não pode é um trabalhador mais básico é não ter renda suficiente para ter casa, roupa, alimentação, saúde e educação decentes, que haja um estado de bem-estar social. Não será possível no futuro indústria ou mercado com lucros gigantescos, é a bsuca pelo lucro cada vez maior que está levando a economia e a sociedade ao fundo do poço. Tem que ser defendido o Estado de bem-estar social.

Responder

    Cronopio

    25 de agosto de 2011 às 18h18

    Má que "essencia humana", ô infeliz! O hómi é ser histórico, capisque?

    Nelson

    25 de agosto de 2011 às 19h04

    Meu caro Rafael. Eis algumas palavras do grande intelectual Antônio Cândido sobre o que ele entende por socialismo:

    “O socialismo é o cavalo de Troia dentro do capitalismo. Se você tira os rótulos e vê as realidades, vê como o socialismo humanizou o mundo. Em Cuba eu vi o socialismo mais próximo do socialismo. Cuba é uma coisa formidável, o mais próximo da justiça social. Não a Rússia, a China, o Camboja.”
    “Estou convencido disso: o socialismo é a grande visão do homem, que não foi ainda superada, de tratar o homem realmente como ser humano.”
    “Acho que o mundo marcha para o socialismo. Não o socialismo acadêmico típico, a gente não sabe o que vai ser… o que é o socialismo? É o máximo de igualdade econômica. Por exemplo, sou um professor aposentado da Universidade de São Paulo e ganho muito bem, ganho provavelmente 50, 100 vezes mais que um trabalhador rural. Isso não pode. No dia em que, no Brasil, o trabalhador de enxada ganhar apenas 10 ou 15 vezes menos que o banqueiro, está bom, é o socialismo.”
    “O capitalismo é baseado na mais-valia e no exército de reserva, como Marx definiu. É preciso ter sempre miseráveis para tirar o excesso que o capital precisar. E a mais-valia não tem limite.”
    “O que se pensa que é face humana do capitalismo é o que o socialismo arrancou dele com suor, lágrimas e sangue. Hoje é normal o operário trabalhar oito horas, ter férias… tudo é conquista do socialismo. O socialismo só não deu certo na Rússia.”

    Para ler mais, dê uma olhada na entrevista que Cândido concedeu ao jornal Brasil de Fato e que foi publicada pelo Azenha no dia 13 de julho.

Marcio H Silva

25 de agosto de 2011 às 13h46

Que texto bem sintetizado do momento atual, muito bom. O que estamos vivendo é o início do fim do Neoliberalismo. O que virá depois, não sei. O que sei é que não dá mais para vivermos num mundo com tanta informação, mesmo manipulada, ser comandada por uma minoria de ricos opulentos, que a qualquer custo não quer abrir mão das suas vantagens. Vão ter que encontrar uma nova forma de vivermos neste mundo.

Responder

EUNAOSABIA

25 de agosto de 2011 às 13h36

Outro urubólogo do caos… não passa de um bobalhão… mais torcida do que fatos….

Responder

    Cronopio

    25 de agosto de 2011 às 18h22

    Por falar em urubu…

    edv

    25 de agosto de 2011 às 22h21

    NãoSabão
    Menos julgamentos, mais argumentos, por favor!

    (sei que é dificil, mas faça uma forcinha…)

    Leider_Lincoln

    25 de agosto de 2011 às 22h54

    E você, hein, Richard? … Mais reti… cências… do que…

    ideias!

Vivi

25 de agosto de 2011 às 13h10

O exemplo mais perfeito aqui no Brasil, que confirma o título da matéria, é a revista VEJA. Ela tem uma diversidade de colunistas, mas, no fundo, todos tratam do mesmo assunto. Todos eles estão empenhados em manter uma opinião única, em dar um único enfoque – e a não permitir contraditórios. Para mim, é uma verdadeira lavagem cerebral, pois direciona os leitores naquela visão única, e eles passam a repetir aquelas opiniões como se fossem as suas próprias – com as mesmíssimas palavras, inclusive! É diferente de simplesmente concordar. Que ninguém duvide nem subestime o poder de manipulação da mídia!

Responder

    lucas

    25 de agosto de 2011 às 17h01

    Sou leitor da Veja, acho que a mesma, como qualquer outro veículo da mídia, defende uma posição, isso é legítimo. Agora, não é porque leio a Veja que tenho que me alinhar estritamente a seu posicionamento em relação a tudo. Gosto da Veja em certos aspectos, umas das coisas é o fato de não ter uma opinão extremista, mesmo que não concorde; outra, combate o governo, não é conivente, é isso é essencial.
    Apesar de tudo, discordo da Veja, e não são poucas as vezes, isso é normal, basta ter uma leitura diversificada e formar sua própria opinião. Muitas vezes, quem tem uma opinão mais radical sobre a veja, do tipo: nada presta, mídia golpista etc…, não a lê, tem uma opinião preconcebida, isso é extremismo e burrice.

    Vivi

    25 de agosto de 2011 às 23h30

    Não é o meu caso. Já li muito, hoje em dia tento, mas dificilment consigo chegar ao fim, pois me embrulha o estômago…

    Cronopio

    26 de agosto de 2011 às 14h04

    A Veja não é extremista? Ah, as eternas Polianas deste meu Brasil…

    Luiz

    26 de agosto de 2011 às 17h50

    Tem certeza que você não encotrou outros meios para se informar? Então vocé tá preso, é? Senão, explore outros mundos. Garanto que não quererá mais voltar a ser criança que não sabe em que mundo está.
    Abraços

    vera oliveria

    27 de agosto de 2011 às 13h21

    EU LIA A VEJA QUANDO EU ERA ESTÚPIDA

    Aparecido Lima

    30 de agosto de 2011 às 11h41

    Para ler artigos saudáveis, não preciso "pescar" dentro da Revista Veja. Existem centenas de blogs e sites para isso. Está certo quando diz que podemos ler e ter contato com várias ideias e reter somente aquelas que consideramos saudáveis, mas não podemos esquecer que nem todos tem esse feeling para identificar a manipulação escondida nas entrelinhas.
    Um abraço.

Gustavo Pamplona

25 de agosto de 2011 às 12h57

Penso, logo existo (*), então será que se não penso, logo não existo? :-P

(*) René Descartes

—-
Gustavo Eduardo Paim Pamplona – Belo Horizonte – MG
Desde Jun/2007 pensando e logo existindo no "Vi o Mundo"! ;-)

Responder

    Polengo

    25 de agosto de 2011 às 13h48

    Depois desse comentário,

    penso, logo desisto.

    CC.Brega.mim

    30 de agosto de 2011 às 14h27

    sou brasileira.
    não desisto nunca.
    (hehehehe..)

Carlos J. R. Araújo

25 de agosto de 2011 às 12h53

Didático, simples, direto e comovente. Uma jóia rara, de exposição clara e candente e que quase não encontra similares no jornalismo brasileiro.

Responder

Bernardino

25 de agosto de 2011 às 12h44

EXcelente artigo!!Disseca a realidade atual e os desmandos dos Bandidos da OTAN.Na realidade so é respeitado quem tem Bala na agulha ( ARMAS NUCLEARES).A Coreia desafiou o BUSH e ele nao teve peito para reunir a Prostututa ONU e ficou por isso mesmo e a Coreia norte é pequenina,porem tem arma atomica
Os bandidos da Otan entrarao em qualquer lugar ate aqui cujas forças armadas sao frouxas e impatriotas formadas lambendo as botas do TIO SAM

Responder

Marcia Costa

25 de agosto de 2011 às 12h43

Você lê num fôlego. Muito bem escrito e articulado. Diante disso, o que mais dizer? Só parabéns!

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