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CartaCapital: Celso Amorim, “nacionalista”, desagradou Washington


14/08/2011 - 02h44

Amorim e os EUA

Marina Amaral e Natalia Viana, na CartaCapital

13 de agosto de 2011 às 9:26h

Aos olhos do serviço diplomático dos Estados Unidos, em especial durante a era Bush, a posição independente do Ministério das Relações Exteriores, capitaneado por Celso Amorim, hoje ministro da Defesa, parecia uma constante provocação. Nos telegramas vazados pelo WikiLeaks, o MRE é acusado de dificultar as relações bilaterais por suas “inclinações antiamericanas”, definidas por um ministro “nacionalista” e um secretário-geral “antiamericano virulento” (Samuel Pinheiro Guimarães), e secundado por um “acadêmico esquerdista” (Marco Aurélio Garcia), conselheiro de política externa do presidente Lula.

“Manter a relação político-militar com o Brasil requer atenção permanente e, talvez, mais esforço do que qualquer outra relação bilateral no hemisfério”, desabafava o embaixador John Danilovich, em novembro de 2004.

Foi ele que, numa reunião em março de 2005, tentou convencer Amorim da ameaça “cada vez maior” que a Venezuela representava à região. A resposta “clara” e “seca” do chanceler desapontou o americano: “Nós não vemos Chávez como uma ameaça. Não queremos fazer nada que prejudique nossa relação com ele”. E cortou o assunto.

O sucessor de Danilovich, Clifford Sobel, teve mais sorte. O ex-ministro da Defesa Nelson Jobim era interlocutor contumaz do embaixador, a ponto de confidenciar sua irritação com o MRE, em especial com Pinheiro Guimarães. Tornou-se peça vital em uma estratégia diplomática americana que explorava a divisão dentro do governo em proveito próprio, como revelam os telegramas.

Em fevereiro de 2009, já com Obama na Presidência dos Estados Unidos, Sobel enviou uma série de três informes, sugerindo formas de contornar o triunvirato “esquerdista” da política externa brasileira. O jeito, afirma, seria fazer aliança com o setor privado, que tem “habilidade para conseguir aprovar iniciativas junto ao governo” e tentar uma aproximação direta com Lula e outros ministros que poderiam defender a causa americana.

Uma “estratégia testada”, afirma Sobel, citando entre outros exemplos o caso da transferência para o Brasil dos 30 agentes da DEA, a agência americana de combate às drogas, expulsos da Bolívia por Evo Morales no fim de 2008. “Apesar da recusa do MRE de conceder vistos aos agentes, conseguimos realizar a transferência com a ajuda da Polícia Federal, da Presidência da República e de nossas excelentes relações com o ministro da Justiça (Tarso Genro)”, gaba-se.

O segundo telegrama foca os minguados recursos humanos e financeiros do Itamaraty, apresentando-os como oportunidade para os Estados Unidos. Muitos cargos diplomáticos estavam sendo preenchidos por “trainees e terceiros-secretários” por falta de pessoal para as novas embaixadas brasileiras, observa o embaixador americano, acrescentando que seria “crucial influenciar essa nova geração”.

“Os franceses instituíram um programa de intercâmbio diplomático com o Itamaraty em 2008, semelhante ao nosso Transatlantic Diplomatic Fellowship, e agora têm um diplomata trabalhando no Departamento Europeu do Itamaraty. Uma proposta similar seria válida para conseguir um posto que nos permita observar de dentro esse ministério-chave e mostrar como os Estados Unidos executam sua política externa”, sugere.

No terceiro telegrama, Sobel afirma que, embora o MRE continuasse a ser o líder incontestável da política externa brasileira, o crescimento internacional tendia a erodir seu controle. Apesar da falta de hábito das instituições brasileiras em lidar diretamente com governos estrangeiros, alguns ministérios como o do Meio Ambiente e, principalmente, o da Defesa estabeleceram relações diretas com a embaixada norte-americana em Brasília, relata.

Um telegrama enviado em 31 de março de 2009, depois da visita do presidente Obama ao Brasil, dá um exemplo prático da eficiência dessa estratégia. Pedindo sigilo absoluto de fonte, o embaixador conta que Jobim pretendia contribuir com o combate ao narcotráfico na região, possivelmente através do Conselho de Defesa Sul-Americano (CDS) criado pela União Sul-Americana de Nações (Unasul). “Ele disse que o CDS poderia ser o canal perfeito para conseguir o engajamento dos militares dos outros países sem passar pelo MRE”, escreve, acrescentando que o então ministro da Defesa estaria disposto a envolver os militares no combate ao tráfico nas fronteiras brasileiras. “O plano de Jobim sinaliza um grande passo, uma vez que o assunto é altamente sensível internamente, no governo, e para o público brasileiro”, comenta.

Também durante as tratativas frustradas de compra dos caças, Jobim e os líderes militares agiram longe do Itamaraty, como mostram os cerca de 50 telegramas sobre o tema. Em um deles, Sobel relata a visita da comitiva presidencial à França e comenta, com ironia, as reportagens da imprensa brasileira que afirmam o apoio de Lula, Amorim e Jobim à aquisição dos caças Rafale: “Talvez isso seja mais um marriage blanc do que amour veritable”, diz. E explica: “Nos encontros privados com o embaixador, Jobim minimizou a relação com a França e manifestou um claro desejo de ter acesso à tecnologia americana. O obstáculo é o Ministério das Relações Exteriores”.

Sobel também se reuniu com os comandantes das Forças Armadas para pedir “conselhos” sobre as chances de os caças da Boeing vencerem a concorrência de quase 10 bilhões de reais. Ficou entusiasmado com o resultado: “Os apoiadores mais fortes do Super Hornet (o F-18 americano) são as lideranças militares, em particular o comandante da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito”, relata em telegrama de janeiro de 2009.

O embaixador também obteve “uma cópia não oficial” de uma Requisição de Informações da Aeronáutica (passada eletronicamente para Washington), que “permite planejar os próximos passos para os Estados Unidos vencerem a negociação”. Além de garantir que o preço não seria o principal critério da escolha, o documento informa que a Embraer, “principal beneficiária de qualquer transferência de tecnologia”, consideraria “desejável a oportunidade de estabelecer uma parceria com a Boeing”, principalmente se houvesse “a intenção de oferecer uma cooperação adicional na área da aviação comercial”.

À luz dos telegramas do WikiLeaks, o relatório apresentado em janeiro de 2010 pela FAB ao ministro Jobim, colocando a aeronave sueca como melhor opção, exatamente por causa dos custos, traz novas indagações. O Rafale francês foi classificado em terceiro lugar, atrás dos caças americanos, esse sim apontado como o de melhor tecnologia. Mas não era o preço que importava, não é?

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19 comentários

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Morus

07 de dezembro de 2011 às 12h52

Independente das questões de momento, quanto mais distante o Brasil ficar da área de influência norte americana melhor para o Brasil.

Responder

Altamiro Borges: FHC apóia a faxina que ele nunca fez | Viomundo - O que você não vê na mídia

19 de agosto de 2011 às 21h12

[…] Celso Amorim, “nacionalista”, desagradou Washington   […]

Responder

thomaz magalhaes

15 de agosto de 2011 às 08h36

A diplomacia amerciana acertou na mosca ao analisar o trio Celso Amorim/Pinheiro Guimarães/Top-Top

Responder

Fabio_Passos

14 de agosto de 2011 às 21h54

Além dos ianques… quem mais chora pela saída do fraudador que se fantasiava de rambo?

Os manjados capachos dos ianques: rede globo / psdb / fsp / dem / veja / pps / estadão.

Responder

Morvan

14 de agosto de 2011 às 18h57

Boa noite.
Sugestão de leitura: "Do que a Dilma se livrou – JohnBeen queria substituir o Itamaraty.";
Aqui, substituir pode ser lido como "atropelar, sobrepujar, tirar-lhe as atribuições".

Fonte: Conversa Afiada / WikiLeaks

–> http://www.conversaafiada.com.br/brasil/2011/08/1

:-)

Morvan, Usuário Linux #433640.

Responder

francisco.latorre

14 de agosto de 2011 às 18h34

notável como os trolhas trabalham abertamente pro usanerika.

três dola a linha.

podre.

..

Responder

francisco.latorre

14 de agosto de 2011 às 18h32

espiões. perderam.

..

Responder

EUNAOSABIA

14 de agosto de 2011 às 13h15

Minha opinião sobre Celso Amorim e sua escolha… alguns fatos…

1. Celso Amorim votou em Serra, e vou em Serra contra Lula.
2. Celso Amorim seria o chanceler de Serra, caso tivesse sido eleito.
3. Celso Amorim, assim como qualquer ministro tem que cumprir as tarefas que o presidente determina, foi assim com Lula e seria assim com Serra…será assim com Dilma…por exemplo, fosse Dilma a presidente, o Brasil jamais pagaria aquele grotesco mico em Honduras… Dilma não meteria a mão nessa cumbuca.

Feitas essas considerações…..

Eu acho que Dilma Chamou Amorim por dois motivos… tirar o Brasil o Haiti…e negociar em melhores condições essa compra dos aviões, quem fizer as melhores ofertas leva.. é aí que entra Amorim, dado que é muito mais afeito a conhecer os meandros da diplomacia internacional do que o General Anaconda.

Não esperem no governo Dilma, o mesmo Amorim do governo Lula… estamos "sob nova direção""…

Depois me cobrem….

Responder

    Bonifa

    14 de agosto de 2011 às 15h01

    Celso Amorim jamais disse que votou em Serra, quem disse isso foi o Jobim. E a Dilma meteria a mão em quantas cumbucas fosse necessário, contanto que estivesse seguindo a linha reta que tem sido a da diplomacia brasileira. Nem toda cumbuca é uma armadilha.

    EUNAOSABIA

    14 de agosto de 2011 às 16h39

    Procura te informar rapaz… Celso Amorim não só votou em Serra, como o chamava de "Presidente Serra""… e isso foi dito em pleno Senado Federal.

    Vá se informar rapaz.

    Chicalu

    15 de agosto de 2011 às 22h20

    Vamos para com este furduço. Celso Amorim jamais disse que votou no Serra, É só conferir está materia http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/n….

    francisco.latorre

    14 de agosto de 2011 às 18h32

    insuportável.

    atrapalhante.

    rodox nele..

    ..

    Porra_Serra_

    15 de agosto de 2011 às 02h02

    Nossa, olha um troll aí com complexo de vira-latas

    Taiguara

    15 de agosto de 2011 às 11h59

    Deveria haver Enem para troll.

Morvan

14 de agosto de 2011 às 11h47

Bom dia.
Nada deste texto me causou qualquer surpresa, exceto este:

"… Sobel também se reuniu com os comandantes das Forças Armadas para pedir “conselhos” sobre as chances de os caças da Boeing vencerem a concorrência de quase 10 bilhões de reais. Ficou entusiasmado com o resultado: “Os apoiadores mais fortes do Super Hornet (o F-18 americano) são as lideranças militares, em particular o comandante da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito”, relata em telegrama de janeiro de 2009".

Até onde eu sabia, ele não era "nacionalista" (ou seja, no contexto, lambe-botas dos estadunidenses).
O que tem de milico "nacionalista" aqui na América do Sul é brincadeira. O problema é a nação para a qual eles são "nacionalistas".

Morvan, Usuário Linux #433640.

Responder

    EUNAOSABIA

    14 de agosto de 2011 às 13h01

    E desde quando escolher o melhor avião é ser anti nacionalista rapaz???… não, não estou dizendo que o FA18 seja o melhor não…. só que esse papo cansa,…

    Esse avião Rafale ninguém usa exceto a França…. é provável que o ministro da Aeronáutica, entenda muito mais de avião do que o senhor.. ou não??? e se Dilma e Amorim comprarem o F18???

    Rapaz, tudo pra vocês é esse papo furado de lambe botas, pigue, estadunidenes… colonizado…

    Pra quem não sabe, a EMBRAER evolui muito na construção de fuselagem de aviões com os conhecimentos repassados pela "Sikorsky Helicopter", empresa ""estadunidense"" que produz o famoso Black Hawk.

Bonifa

14 de agosto de 2011 às 10h48

"O segundo telegrama foca os minguados recursos humanos e financeiros do Itamaraty, apresentando-os como oportunidade para os Estados Unidos. Muitos cargos diplomáticos estavam sendo preenchidos por “trainees e terceiros-secretários” por falta de pessoal para as novas embaixadas brasileiras, observa o embaixador americano, acrescentando que seria “crucial influenciar essa nova geração”.
.
Com uma exposição internacional como tem sido a brasileira, não precisamos apenas de uma defesa muito forte. Precisamos igualmente de um Itamarati fortíssimo, sem pontos de fraquezas que possam ser explorados por abutres vigilantes do exterior e sem que permita influências alienígenas na formação de sua nova geração. Presidenta Dilma, a senhora vai ter que conseguir recursos necessários para que o Itamarati jamais possa ser chamado de fraco por agentes estrangeiros.

Responder

    JotaCe

    14 de agosto de 2011 às 13h36

    Caro Bonifa,

    Recursos humanos e financeiros são realmente importantes desde que sirvam para uma efetiva melhoria da capacitação técnica, condições de trabalho e de vida, proporcionando independência aos responsáveis pela política externa do país . Mas, sem o necessário espírito de soberania, nada significam. Foi esse espírito que ensejou o trabalho magistral do Embaixador Amorim, quando Ministro das Relações Exteriores, projetando o Brasil para o mundo. Abs,

    JotaCe

EUNAOSABIA

14 de agosto de 2011 às 09h40

Os aviões de Chavez, se bem pilotados e bem manutenidos, seriam páreo duro, para não dizer imbatíveis para quaisquer desses aviões…… altamente manobráveis, marca conhecida da família Sukhoi e com radar AKS172 de varredura de alvo para 200 Km…… esses aviões todos seriam abatidos sem nem chegarem perto do poderoso Flanker…

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