VIOMUNDO

Diário da Resistência


Política

Bia Barbosa: SIP elege Equador e Argentina como alvos principais


15/10/2012 - 10h57

SIP elege Argentina e Equador como alvos principais

Sessão da Comissão de Liberdade de Imprensa e Informação dedicou maior tempo para apresentar ações dos governos Kirchner e Correa que, na visão da organização, representam “amplas atentados à liberdade de imprensa”. De leis aprovadas ao uso de cadeias nacionais na TV e distribuição da verba publicitária, tudo foi relacionado à censura. No dia 7 de dezembro, vence o prazo do Grupo Clarín para adequar seu patrimônio à Lei de Medios da Argentina.

por Bia Barbosa, na Carta Maior

São Paulo — No próximo dia 7 de dezembro, expira o prazo definido pela Corte Suprema de Justiça da Argentina para a medida cautelar, obtida pelo Grupo Clarín, que impede a aplicação de dois artigos da Lei de Medios às atividades econômicas do grupo. Um deles, o art. 161, determina que os grupos que ultrapassem os limites de outorgas definidos pela nova lei devem iniciar um processo de adequação de suas licenças.

Pela Lei de Meios, nenhum grupo de comunicação no país pode ter mais do que 24 outorgas de TV a cabo e 10 de rádio e televisão aberta. O Grupo Clarín, além do jornal impresso, tem 4 canais de televisão, 1 rádio FM e 9 rádios AM, além de dez vezes mais licenças de cabo do que o número autorizado pela Lei de Medios.

Diante da proximidade da data e reconhecendo a influência que a iniciativa de Cristina Kirchner tem tido nos países vizinhos em prol da democratização dos meios de comunicação de massa, a 68ª Assembléia Geral da SIP, que acontece até esta terça-feira (16) em São Paulo, centrou sua crítica no que definiu por “hostilidade contra a imprensa” por parte do governo argentino.

A sessão da Comissão de Liberdade de Imprensa e Informação da SIP foi aberta na manhã desde domingo (14) pela apresentação, de mais de 40 minutos, do representante da SIP no país, Daniel Dessein.

Dessein fez a leitura completa do relatório (disponível AQUI), que afirma que “várias resoluções do governo, manobras judiciais, declarações ofensivas e ameaçadoras de funcionários públicos, medidas contra a mídia e ameaças e agressões físicas a jornalistas delineiam um cenário sombrio para o exercício do jornalismo e o direito de todos os cidadãos se expressarem livremente” — considerando que a liberdade de expressão dos cidadãos se dá através da grande imprensa argentina.

Sobrio também foi o vídeo elaborado pelo Clarín, e apresentado na sequência da leitura do relatório, mostrando o “crescimento da censura” no país. Numa ágil edição de imagens e trilha sonora de suspense, o vídeo elenca as ações da Presidenta Kirchner contra a imprensa e afirma que seu objetivo é “consagrar o medo, a autocensura e o silêncio”.

Afirma que “organismos do governo são escritórios para reprimir cidadãos que querem se expressar”. 

Entre as ações tachadas como violadoras da liberdade de imprensa estão a amplificação da rede de comunicação oficial, “mecanismos discriminatórios” de distribuição da publicidade oficial, “abuso ilegítimo” de cadeias nacionais na televisão, cobertura parcial de eventos por parte de algumas emissoras de TV, que estariam vinculadas ao governo federal, e “aplicação seletiva” da Lei de Meios.

Segundo a SIP, há vários meios de comunicação — o relatório não citou quais — que não se ajustam ao previsto na lei, aprovada há três anos, e que não foram “intimidados” a cumprir o que ela estipula. 

O final do vídeo traz um questionamento sobre a versão oficial do que acontecerá no dia 7 de dezembro.

Segundo os constitucionalistas ouvidos pelo Clarín, nada. Se até lá a Corte Suprema de Justiça não se decidir sobre a constitucionalidade dos artigos questionados pelo grupo e não prorrogar a validade da medida cautelar, apenas começará a contar o prazo para que o Clarín se adeque à nova lei. Para o grupo, isso não é nada. Para o governo Kirchner, será uma vitória da lei criada para, entre outros pontos, combater a concentração da propriedade da mídia na Argentina.

Discordando dessa leitura do governo e afirmando que nada acontecerá no dia 7, o vídeo termina com três fortes perguntas acusatórias: “O que se busca então com o relato oficial?”, “Preparar o terreno para outra coisa?”, “Terminar com o Estado de Direito na Argentina?”.

Para quem não conhece a realidade no país, parece assistir a um documentário pré-ditadura no território vizinho. 

Após a exibição do vídeo, foi sugerido, pelos representantes de outros jornais argentinos presentes, que a SIP faça uma missão internacional à Argentina no dia 7 de Dezembro, para acompanhar os acontecimentos políticos no país.

O diretor do jornal Los Andes, de Mendoza, destacou a importância de uma “ação enérgica da SIP”, “porque a sociedade argentina está amordaçada pela autocensura e ficou sem referências institucionais”.

Um empresário uruguaio comparou o caso Clarín com o que aconteceu com a RCTV, na Venezuela. Ao que o dono de um jornal de Caracas acrescentou: “É uma epidemia. A estratégia da Venezuela está sendo imitada por outros países”.

Imprensa equatoriana: sem consenso sobre o caso Assange


O segundo destaque dos relatórios foi o do Equador. Num extenso informe de 9 páginas – o maior da Comissão (disponível AQUI) –, a SIP denunciou decisões judiciais, iniciativas de projetos de lei e medidas do Presidente Rafael Correa que atacariam a liberdade de imprensa.

Segundo o relatório, os três poderes do país agem contra os meios de comunicação. 

”O regime continua usando recursos públicos para atacar e “desmentir” sistematicamente as publicações da mídia, jornalistas e pessoas com opiniões distintas da sua.

O Presidente Rafael Correa promove a ideia de que a mídia privada deve ser rejeitada porque busca o enriquecimento dos seus donos e, por isso, mantém a proibição aos seus ministros de dar entrevistas ao que ele chama de “mídia mercantilista” (Ecuavisa e Teleamazonas, além dos diários El Universo, El Comercio, Hoy e La Hora).

“Essa decisão conta com respaldo legal, já que a Justiça indefiriu mandato de segurança que pretendia classificá-la como inconstitucional”, diz um trecho do documento.

“As instituições estão sendo atacadas e controladas pelos políticos e gangues de delinquentes, e quem for perseguido fica praticamente indefeso”, analisa outro.

A SIP também afirma que o “fechamento” de canais de rádio e televisão regionais — que segundo as autoridades do Equador não cumpriam as normas técnicas e econômicas vigentes — se deu por retaliação política.

O inquérito da Procuradoria Geral sobre o articulista Miguel Macias Carmigniani, do jornal El Comercio, também foi considerado uma violação à liberdade de imprensa.

A comunidade LGBT do Equador questionou seu artigo “Famílias alternativas?”, considerando que o conteúdo publicado incita o ódio, o que é proibido pela Constituição.

A SIP, no entanto, não se posicionou sobre o asilo político dado pelo governo de Correa ao fundador do WikiLeaks, Julian Assange, na embaixada do país em Londres.

O caso é apenas citado no documento com caráter informativo. Questionado pela Carta Maior sobre como a imprensa equatoriana vê o asilo político a uma das principais vítimas de violação da liberdade de expressão nos dias de hoje, o vice-presidente para o Equador na SIP afirmou que “não há posição única por parte dos veículos”. “Alguns consideram que o asilo é legítimo, outros não. Cada meio teve uma opinião”, descreveu.

Ao longo do dia foram apresentados os informes da maior parte dos países membros. Além de Argentina e Equador, a presidência da Comissão, sem coincidências, também considerou “extremamente preocupantes” os casos da Venezuela, Bolívia e Cuba.

À tarde, quando se perguntavam por que a sociedade latino-americana “não reage” e “não está preocupada, como a SIP está, com a defesa da liberdade de imprensa no continente”, um jornalista do Paraguai deu uma sugestão que merece consideração: “A SIP deveria fazer uma pesquisa sobre o que pensa a população e se o que a sociedade entende como como liberdade de expressão é o mesmo que nós, da SIP, entendemos”.

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39 comentários

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Mário SF Alves

16 de outubro de 2012 às 10h23

Mais Um Capítulo da Série Destrinchando as Entranhas do PiG
Dúvidas iniciais:
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1- Estou enganado ou é isso mesmo, o PiG tenta, sim, estabelecer correlação de causa e efeito entre dificuldades econômicas na Argentina e aplicação da Ley dos Medios?
2- Portugal, Grécia e Espanha estão em guerra contra seus respectivos pseudo-governantes. A crise na Europa, razão dessa revolta, estaria relacionada ao mesmo fato?
3- Inglaterra (macaca velha) botou pra correr o dócil, ingênuo, democrático, honesto e trabalhador self made man Rupert Murdoch, terá ela se apoiado em alguma perversa, perigosa e desleal lei de regulamentação da mídia?
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Tenho a impressão (cadê o IBGE?) de que a educação política do brasileiro é ainda muitíssimo precária e que – certeza absoluta – se dependesse do PiG a coisa iria de mal a pior.

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Bia Barbosa: Dilma não comparece à reunião da SIP; diretor do Grupo Estado compara-a a Collor « Viomundo – O que você não vê na mídia

16 de outubro de 2012 às 01h01

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Emiliano José: O pesadelo interminável do urubu « Viomundo – O que você não vê na mídia

16 de outubro de 2012 às 00h56

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FrancoAtirador

15 de outubro de 2012 às 18h52

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E A OLIGARQUIA FAMIGLIAR MÁFIO-MIDIÁTICA “BRAZILEIRA”

DEU UM ESPETÁCULO À PARTE NO TEATRO DA BROADWAY-SIP.

Os monólogos dos “jornartistas” receberam efusivos aplausos e ypy-urras!

de saudosos fantasmas da Guerra “Frias” presentes ao ato inSÍPido.

A atriz da Disneylândia Karmen Myranda, o journalysta Corvo Lacerda,

o Gal. Golbery do Couto e Silva e o cardeal D. Jayme Câmara-de-Gás

foram os heróis que mais se empolgaram com as interpretações SIPianas…
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Regina Duarte pede liberdade de imprensa absoluta
e Judith Brito exalta mídia no ‘mensalão’

Na Assembleia da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), que acontece em São Paulo, atriz citou Ayres Brito, Roberto Civita, Churchill e a presidenta Dilma Rousseff para defender a ampla liberdade de imprensa.

Para Judith Brito, ex-presidente da ANJ, “a imprensa independente conseguiu mudar o fluxo da história” com as denúncias do mensalão.

Por Bia Barbosa, na Carta Maior

São Paulo – Teve início nesta sexta-feira (12), em São Paulo, a 68ª Assembléia Geral da SIP, a Sociedade Interamericana de Imprensa, que reúne os maiores veículos do continente e, como ela própria afirma, tem como um dos eixos de sua missão proteger os interesses da imprensa nas Américas, além de defender a liberdade de imprensa “onde quer que esteja sendo ameaçada”.
O evento volta ao país depois de 11 anos.
A última vez que uma Assembléia Geral da SIP realizou-se no Brasil foi durante o governo Fernando Henrique Cardoso, que, não coincidentemente, será um dos palestrantes do evento, na segunda-feira (15).

A fala inicial de abertura do encontro coube a Paulo de Tarso, do jornal O Estado de S. Paulo, representando o Comitê Anfitrião, formado, além do Estadão, pelo Correio Popular, Folha de S. Paulo, Editora Abril, A Tribuna, Zero Hora, O Globo, Diários Associados, Gazeta do Povo e O Popular.
Falou pouco porque, como afirmou, “os discursos, como as saias, devem ser bem curtos”.
E passou a palavra à primeira palestrante da primeira mesa: a atriz Regina Duarte.

O seminário tinha como tema “liberdade de imprensa e direito à privacidade”.
Mas antes de criticar os “sequestradores sorrateiros da imagem alheia”, que sobrevivem “às custas da sua privacidade”, Regina Duarte falou de sua posição e apoio incondicional à mais plena liberdade de imprensa, para ela um “valor inegociável”.

“Se aceitarmos uma única forma de restrição à liberdade estaremos abrindo brecha para um atalho tortuoso e escuro onde a censura saberá muito bem como se instalar”, afirmou.

A atriz citou então Roberto Civita, fundador da Editora Abril, que publica a revista Veja, para defender a imprensa livre:
“Os tiranos não conseguem sobreviver sem amordaçar a imprensa livre e os primeiros meios a serem censurados são da imprensa independente”.
Lembrou do ministro do Supremo Tribunal Federal, Ayres Brito, que afirmou que “democracia e liberdade de imprensa são irmãs siamesas”, e resgatou a frase do britânico Wilston Churchill – “A democracia é o pior regime, excetuando-se todos os outros”, para concluir que a liberdade de imprensa pode ter imperfeições e causar problemas, mas é fundamental.

Durante a campanha eleitoral de 2002, Regina Duarte teve destaque no noticiário nacional ao dizer que “tinha medo” da eleição de Lula para a Presidência da República.
A atriz não relacionou o episódio ao afirmar que foi perseguida pela imprensa em algumas ocasiões.

“Quando a imprensa se torna ideológica demais, quando se sente no direito de patrulhar meu pensamento, julgando de forma parcial o que eu disse para chamar a atenção, retirando frases do contexto, esta fala perde o sentido e ganha o sentido que o editor deseja. Claro que isso machuca e, quando se sente machucada, se pensa em defesa e em algum tipo de controle”, explicou.

Explicitou, então, que, na sua avaliação, somente duas forças poderiam controlar a imprensa: ela própria, através da autorregulação, e o leitor, ouvinte e internauta, “devidamente equipado, com educação qualificada, livre arbítrio e controle remoto”.
Dando como certo o cenário de educação qualificada e livre arbítrio no conjunto da população, Regina Duarte defendeu então o controle remoto. “A presidente Dilma Rousseff já afirmou isso, que o melhor controle que a mídia pode ter é o controle remoto. Eu concordo. Não sei o que seria do nosso país, em tempos de incômoda maioria silenciosa, se não tivéssemos uma imprensa sagaz, atenta e preocupada com a busca da verdade”, analisou.

Neste sábado, durante outro debate na Assembléia da SIP, a ex-presidente da Associação Nacional de Jornais, Judith Brito – que em 2010 afirmou que, na falta de uma oposição partidária competente no país, caberia à imprensa fazer oposição ao governo federal –, concordou com Regina Duarte.

“Como disse Regina Duarte, algumas coisas são inegociáveis. E não há democracia sem imprensa livre. Estamos vendo isso no Brasil na questão do mensalão. Foi a mídia impressa que fez as investigações que estão mudando a cara do país. Teríamos outros candidatos nessas eleições não tivéssemos tido matérias e investigações no país. Então nós mudamos o fluxo da história”, celebrou.

Cobertura orquestrada
A fala de Regina Duarte ganhou destaque nos jornais brasileiros – associados à SIP – neste sábado. Também sem coincidências, todos destacaram sua defesa da absoluta liberdade de imprensa ao lado de uma frase da advogada Taís Gasparian, frequente defensora dos grupos de comunicação nos tribunais, que participou do primeiro painel desta sexta: a de que qualquer violação da privacidade por parte da imprensa deve deve ser questionada posteriormente à publicação, e não impedida previamente na forma de censura.

Disse a Folha de S. Paulo: “Evento de imprensa questiona excessos, mas recusa censura”.
No Estadão: “Para SIP, privacidade não justifica censura prévia”.
Em O Globo: “No 1º debate da Assembleia da SIP, combate à censura é consenso”.

http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=21068

Responder

    FrancoAtirador

    15 de outubro de 2012 às 19h05

    .
    .
    Dilma não comparece a evento da SIP e é comparada a Collor

    Comitê Anfitrião da Assembleia Geral da SIP critica ausência de Dilma e lembra que foi a segunda vez que o presidente do Brasil não prestigiou o encontro.
    Em cerimônia, organização atacou novamente os governos da Venezuela, Argentina, Bolívia e Equador.
    E o governador Alckmin afirmou que a liberdade de expressão tem sido “executada por lemas grandiosos como a democratização da comunicação”.

    Por Bia Barbosa, na Carta Maior

    São Paulo – A presidenta Dilma Rousseff foi convidada e era aguardada na cerimônia oficial de abertura da 68ª Assembleia Geral da SIP (Sociedade Interamericana de Imprensa), nesta segunda-feira (15), em São Paulo.

    Apesar do evento estar acontecendo desde a última sexta, somente hoje as autoridades brasileiras estariam presentes.

    Dilma não compareceu, e a SIP ficou ofendida.

    “Na segunda vez que a SIP veio ao Brasil, o presidente era Fernando Collor. Convidado para abrir a Assembleia, até o último minuto ele confirmou que participaria. Na véspera, avisou que não viria. Pela segunda vez, coincidentemente, recebemos ontem à noite um telefonema do gabinete da presidente Rousseff comunicando que ela não viria a São Paulo. Pela segunda vez, o presidente do Brasil deixa de fazer a abertura, que caberá então ao governador Geraldo Alckmin”,
    criticou Julio César Mesquita, do Grupo Estado e presidente do Comitê Anfitrião da Assembleia da SIP no Brasil.

    Antes do governador tomar a palavra, Mesquita também comparou o início dos anos 90 com o período atual.
    “Naquele ano, o panorama era diferente. A censura havia desaparecido no continente, com a exceção de Cuba, onde os irmãos Castro controlavam as liberdades, o que ocorre até hoje. Mas, à época, a SIP já antecipava que dois novos inimigos surgiriam: o narcotráfico e os congressos latino-americanos, com projetos de lei para impedir o trabalho dos jornalistas. Agora, o cenário não é animador. Há atentados contra jornalistas no continente (…) e há a volta ao passado negro de governos populistas, fascistas e totalitários, que voltaram a ser realidade na América do Sul, como é o caso da Venezuela, Argentina, Bolívia e Equador, que diariamente atacam as imprensas dessas nações”, afirmou Mesquita.

    O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, ocupou então a tribuna para proferir o mesmo discurso feito em maio deste ano num seminário sobre liberdade de imprensa organizado pelo Instituto Internacional de Ciências Sociais. Usando as mesmas palavras de outrora, reconheceu que o Brasil vive hoje uma situação de liberdade para o exercício do jornalismo, mas lembrou que a liberdade de expressão “deve ser defendida dia a dia de suas ameaças”.

    Para Alckmin, nas Américas essas ameaças são representadas pelo “populismo de viés autoritário”, praticado por governos de países vizinhos, e por “lemas grandiosos como “democratização da comunicação” e “controle social””. “Essa ameaça tem sempre a mesma receita: o poder esmagador do Estado e doses variadas de truculência”, afirmou o governador que comanda a polícia que mais mata no país.

    “É obrigação do Estado oferecer educação, formar cidadãos com juízo crítico, capazes de defenderem-se por si próprios. Mas não pode um Estado, em nome da democracia, usar dinheiro publico para proteger a expressão de uns contra a expressão de outros. Não pode imaginar-se como juiz da imprensa. Como conquista civilizatória, a liberdade de expressão não pertence ao universo oficial. Não pode, porque a liberdade não é um bem fornecido pelo Estado, ser um bem usurpado por ele. Abusos da imprensa, e eles existem, se combatem com mais liberdade, com juízes no Judiciário”, disse.

    Milton Coleman, presidente da SIP, do The Washington Post,
    acredita que o Brasil ocupa melhor posição em termos de garantia da liberdade de expressão do que muitos países do continente.
    “Mas ainda não sabemos os rumos do país quando vemos o governo federal silenciar sobre violações da liberdade de imprensa cometidas por outros países na região”.
    Segundo Coleman, diversos governos estão usando a aprovação de leis para atacar a democracia em seus países e minar a liberdade de opinião.

    O presidente da SIP finalizou seu discurso agradecendo ao Prefeito Gilberto Kassab – também presente – o coquetel oferecido aos delegados do evento pela Prefeitura de São Paulo no Teatro Municipal, na noite deste domingo.

    “O senhor é bom de festa! Tem futuro depois que sair da Prefeitura”, brincou Coleman.

    Na coletiva realizada após a cerimônia, perguntado sobre o que achava das ameaças recebidas pelo repórter da Folha de S. Paulo, André Caramante, pelo Coronel Telhada, eleito vereador pelo PSDB, Alckmin respondeu que Telhada não é mais funcionário público e que o governo estadual ofereceu ao jornalista sua inclusão no programa de proteção à testemunha.

    Já o Prefeito Gilberto Kassab preferiu reforçar que “a democracia precisa da imprensa, e a imprensa brasileira é muito eficiente.”

    http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=21080

Bonifa

15 de outubro de 2012 às 18h28

Assistimos aos estertores de uma imprensa velha que está morrendo na América Latina. Instrumento de manutenção de um mundo velho que está desaparecendo, em que uma elite de coronéis se aliava a metrópoles coloniais para ajudálas a escravizar seus próprios países e a explorar seu próprio povo. Uma imprensa nova vai nascer, democrática, independente, livre, informativa, inteligente e altiva.

Responder

    Mário SF Alves

    16 de outubro de 2012 às 11h10

    “…estertores de uma imprensa velha que está morrendo na América Latina”
    .
    Morrendo?!! Como?!! Morrendo como? Se é ela a versão local da pior corporação norte-americana? Morrendo como, se é lógico admitir que enquanto prosperar o neoliberalismo ela será o braço ideológico consolidador do que há de mais retrógrado e subhumano no Ocidente?
    .
    Daí, sinto discordar prezado Bonifa. Parece que andas a subestimar a coisa.

lando carlos

15 de outubro de 2012 às 17h14

com o governo covarde do brasil eles podem contar, o brasil segue direitinho a cartilha de washigton,os marinhos que o diga

Responder

    Adma

    15 de outubro de 2012 às 17h50

    O governo brasileiro tem sido vergonhosamente omisso nessa questão. Com o fim da Lei de Imprensa, revogada pelo STF, nem mecanismos como o direito de resposta o cidadão indefeso tem mais. E fica tudo por isso mesmo.

    Mário SF Alves

    16 de outubro de 2012 às 11h16

    Anacronismo ou apenas pretensa retórica demotucana? O governo ao qual você se refere tem sido enterrado pelo sufrágio universal há nada nada menos que uns dez anos.

lulipe

15 de outubro de 2012 às 17h08

O governo já não tem a TV Lula, ops, TV Brasil???

Responder

Roberto Locatelli

15 de outubro de 2012 às 16h48

E a presidenta Dilma vai mesmo na reunião de encerramento? Se for, saberemos que não podemos contar com o governo Dilma para lutar contra o golpe.

Responder

Adma

15 de outubro de 2012 às 16h12

O trágico é que essa máfia midiática monopolista discípula de Goebbels fica repetindo massivamente esse mantra de que o governo combate a liberdade de imprensa, quer censura á imprensa e a classe média alienada (que se acha muito politizada) repete tudo feito papagaio.

Responder

Roberval

15 de outubro de 2012 às 15h40

A SIF defende as inverdades publicadas e inventadas pela Revista VEJA ?

Não são as instituições de comunicação ligadas à SIF que apoiaram as ditaduras militares na América Latina? Não são essas instituições que apoiaram o recente golpe na nova ditadura que reina no Paraguai, após a destituição ilegal e imoral do Presidente Lugo?

E no Brasil, quando é que teremos um governo progressista e democrático com capacidade e competência e compromisso social para instituir a Lei dos Meios em benefício de toda a sociedade e não apenas a serviço do capital internacional e das mentes oligarcas da grande mídia que propaga a desinformação e mente descaradamente?
Enquanto isso não ocorre o povo brasileiro continuará SIF-dendo!

Responder

Ricardo Oliveira

15 de outubro de 2012 às 15h19

Acho muito estranho e até mesmo alienígena essa declaração da SIP de atentado a liberdade de expressão. Aqui no Brasil, globo, folha, estadão , veja e outras mídias do chamdo grupo anacrônico, tem total liberdade de expressão ao ponto de estaram até com a bunda de fora. O que necessitamos, é claro, é criar um novo marco regulatório para as comunicações no Brasil de modo a minimizar as indecências da mídia hegemônica. A grande imprensa no Brasil ficou na janela e não viu o tempo passar. Com isso sofreu , e vem sofendo, uma derrota impiedosa no debate das idéias e na produção de conteúdos informativos. Com o barco naufragando, em águas profundas, a grande mídia atira para todos os lados. Esse discurso de atentado a liberdade de expressão revela, apenas, o quão retrógrado e anti-democrático é o setor das comunicações no Brasil . Felizmente a sociedade não engola esse blá-blá-blá da grande mídia, apesar das boas audiências de novelas. A avenida Brasil do Brasil é bem maior e bem diferente daquela da novela.

Responder

Jairo Beraldo

15 de outubro de 2012 às 15h18

Agorinha a pouco li post no G1, sobre o ALI KAMEL argentino choramingando que a Christina repartiu os direitos para que se cumpram seus deveres… até aí tudo bem, quem nao respeita ideologias em terra que tem dono, tem que chorar mesmo…mas o comentarios…AHHH, os comentarios… ACORDA DILMA!!!!ACORDA, HIBERNARDO!!!

Responder

Tomudjin

15 de outubro de 2012 às 14h03

Sucumbirão, pela necessidade de reivindicar o direito à famigerada liberdade de expressão.
Resumindo: um literal tiro no próprio pé.

Responder

Mário SF Alves

15 de outubro de 2012 às 13h43

Aos amigos, aqui do Viomundo:
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Nota de apelo!!!
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Tenho um problema pra resolver. Trata-se da análise de um sistema, cuja equação fundamental é viciada por uma VARIÁVEL ADIMENSIONAL.
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Já pensei em recorrer ao Einstein, ao Marx e até ao Freud. Ou à física quântica… quem sabe?
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O que descobri até agora é que não dá pra contar com o Papa, nem com a Opus Dei, nem com o Shimon Peres, nem com o Torquemada, nem com as ideologias religiosas árabes e judaicas, e menos ainda com o PiG local.
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Em tempo: depois de muito penar, considerei que, talvez, devesse incluir na lista dos possíveis colaboradores a Corte Interamericana de Direitos Humanos. Alguma sugestão?

Responder

Vladimir Safatle: Após as eleições municipais « Viomundo – O que você não vê na mídia

15 de outubro de 2012 às 13h34

[…] Bia Barbosa: SIP elege Equador e Argentina como alvos principais […]

Responder

RicardãoCarioca

15 de outubro de 2012 às 13h16

A SIP não vai reclamar do político brasileiro que mais impede o trabalho jornalístico e assim vive a comprometer a liberdade de expressão? O mitômano indolente Zé bolinha aborto-no-chile-pode Cerra?

Responder

Abelardo

15 de outubro de 2012 às 13h00

Causa inveja a coragem de Equador e Argentina em banir a imprensa golpista sem dó nem piedade (leia-se Imprensa Golpista). É o que gostaríamos de ver acontecer aqui no Brasil. O fim da concessão e o fechamento dessas empresas que ultrapassarem os limites da liberdade democrática e deixam de fazer o que lhes são concedidos pelo governo para planejarem descréditos de pessoas e/ou instituições, para denegrirem honras sem documentação comprobatórias confiáveis, para promoverem ações partidárias e/ou preconceituosa sem matérias duvidosas sem se preocuparem se as fontes utilizadas para as denúncias são frágeis e questionáveis, etc… Por muito menos que isso já se poderia configurar crime contra honra e abuso de poder pelo fatos dessas empresas colocarem seus profissionais prioritariamente a serviço desses interesses sem nenhuma avaliação e/ou preocupação se isso enquadrá-las por crime pelo desvio de função ao colocarem matérias jornalísticas com a clara intenção de favorecimento de um lado da questão em prejuízo flagrante e configurado do outro, etc…
Seria de bom tamanho, que o castigo fosse mais além e que os bens dessas empresas e de seus sócios, e/ou proprietários, ficassem indisponíveis até que todos os funcionários prejudicados por tanta irresponsabilidade recebessem não só a indenização a que tenham direito, mas, e também, um valor extra por danos morais e lucros cessantes em virtude dos efeitos nocivos que a irresponsabilidade dos patrões lhes causaria.
Por fim, estaria sendo eliminada qualquer tentativa de vir a ser criado um quarto poder no país.
Com a palavra os Juristas, os Deputados e os Senadores.

Responder

    Willian

    15 de outubro de 2012 às 15h34

    Ah, então é para isto que querem a Ley dos Medios? Nem escondem mais?

    lulipe

    15 de outubro de 2012 às 16h36

    Esta balela de democratização da mídia é só pano de fundo, na realidade querem uma imprensa nos moldes da cubana, onde o governo decide o que vai ser publicado e a bandalheira pode correr solta sem conhecimento da população…Nunca terão!!!!!

Marcos Marques de Sousa Trindade

15 de outubro de 2012 às 12h11

Além de não citarem o Assange, não falaram também do jornalista que teve que fugir para o exterior com medo do amigão do Serra, assim intitulado pelo prório, Coronel Paulo Telhada, ex-comandante da ROTA.

Responder

LEANDRO

15 de outubro de 2012 às 12h04

Esse é o motivo de tanta preocupação com a imprensa…
“Segundo a Associação de Fabricantes de Automóveis da Argentina (Adefa), o setor registrou queda de 24,4% na produção em maio em comparação com o mesmo mês de 2011. As vendas para o mercado interno caíram 15%, enquanto as exportações (principalmente para o Brasil) desabaram 45%.”

“A popularidade da presidente da Argentina, Cristina Kirchner, caiu mais uma vez em setembro. Atualmente, ela é aprovada somente por 24% da população.”

“Aplicativo permite a argentinos comprovarem inflação oficial”

“Segundo o Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec), a conta corrente da balança de pagamentos da Argentina teve déficit de US$ 552 milhões no primeiro trimestre. O déficit fiscal argentino, que em 2011 foi de US$ 6,8 bilhões, pode chegar a US$ 11 bilhões este ano. A dívida externa cresceu dos US$ 130 bilhões de 2011 para US$ 141,8 bilhões em março.”

Já que não dá pra mudar a realidade e com o povo reprovando o governo, nada como controlar a informação e manipular do jeito que o bicho fique menos feio. Não tem futuro esse governo.

Responder

    Adma

    15 de outubro de 2012 às 15h05

    A Ley de medios de Cristina Kirschner NÃO PROPÕE CONTROLE DE INFORMAÇÃO. Proíbe a propriedade cruzada e a formação de monopólios das empresas de comunicação.
    Essas empresas, na Argentina, ou no Brasil, tem privado a população do direito à informação, uma vez que distorcem os fatos, omitem, criam factoides, caluniam sem dar direito a resposta, destroem reputações e apoiam golpes de estado contra os governos democraticamente eleitos que contrariam seus interesses (como no Brasil em 64). Esse tipo de atuação dos oligopólios midiáticos é uma ameaça á democracia

    Ou você é a favor de monopólios? Oligopólios?

Rodrigo Leme

15 de outubro de 2012 às 11h43

Uau, uma entidade de grupo que defende os interesses de seus associados?!?! Que conceito nefasto! Cortem-lhe as cabeças!!!

Responder

    RicardãoCarioca

    15 de outubro de 2012 às 13h11

    O problema é que eles não adimitem seus interesses, q

    Mário SF Alves

    15 de outubro de 2012 às 14h19

    Interesses pra lá de escusos, escabrosos, diga-se de passagem. Quem dera fossem apenas intere$$e$.

    ZePovinho

    15 de outubro de 2012 às 14h03

    Não,Rodrigo.Uma entidade que deseja que os interesses dos associados seja o interesse da coletividade.Não são eles que se arvoram os defensores de um direito universal do ser humano:a liberdade de imprensa????????????????????/

    Miguel A. de Matos

    15 de outubro de 2012 às 14h30

    Exatamente. Defende os interesses dos SEUS ASSOCIADOS. Resta saber se esses interesses coincidem com os interesses da maioria da população dos seus respectivos países.

    Zeus

    15 de outubro de 2012 às 17h25

    Não me surpreende pois é alguem que trabalha com Marketing, então é vendido para as entidades da Direita reacionária.

    Rodrigo Leme

    15 de outubro de 2012 às 17h46

    Sim. Todo dia eu rezo voltado para a sede da Coca-cola em Atlanta, para que as entidades da direita reacionária capitalista atendam meus desejos mais nefastos de opressão da esquerda revolucionária popular progressista bolivariana inca venusiana.


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