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André Barrocal: Dilma não vê condições de alimentar amizade com Obama


09/09/2013 - 21h02

A decepção de Dilma com Obama

por André Barrocal, em CartaCapital

Durante a posse de Dilma Rousseff, Luiz Lula da Silva pediu à então secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, que levasse um recado ao chefe: Barack Obama tinha de fazer de 2011 o ano dele. O ex-presidente tinha se frustrado com Obama, mas não deixara de reconhecer a importância do simbolismo político dele.

O norte-americano desembarcaria no Brasil dali a 11 semanas para uma visita oficial. Queria melhorar a relação EUA-Brasil e estabelecer laços pessoais com Dilma. Dois anos e meio depois, é a vez dela ser tomada pela decepção do antecessor.

Mesmo que decida manter a viagem a Washington em outubro, programada para retribuir a vinda de Obama, Dilma não vê mais condições para alimentar vínculos de amizade. A espionagem contra ela matou a boa vontade e uma trapaça do governo Obama enterrou o cadáver.

Daqui em diante, Dilma pretende adotar uma postura protocolar perante a Casa Branca. A disposição não deve mudar nem com os esclarecimentos cobrados pelo Brasil sobre por que a NSA precisava de um mapa da rede de comunicações da Presidência brasileira para combater terrorismo e armas de destruição em massa.

Para o Planalto, a arapongagem dos EUA contra cidadãos, empresas e autoridades brasileiras por si só já seria motivo para esfriar o clima. Mas a contrariedade atingiu níveis insuportáveis, já que Dilma se deparou com algo que só pode ser chamado de “mentira”. E contada por ninguém menos do que aquele que Obama elegera para ser seu interlocutor junto à brasileira, seu vice Joe Biden.

A inverdade foi ouvida pelo ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, no fim de agosto, em Washington. Ele viajara em consequência da primeira denúncia de espionagem, feita em julho com base em documentos fornecidos por Edward Snowden: brasileiros comuns e empresários foram alvo da NSA.

Cardozo reuniu-se com Biden e externou a desconfiança de que a NSA abusara de suas funções. “Nos disseram textualmente que não faziam interceptações para finalidades políticas ou econômicas de favorecimento de empresas norte-americanas”, relatou o ministro dias atrás.

A segunda denúncia de espionagem, a envolver diretamente Dilma na condição de “alvo”, surgiu cinco dias depois da categórica negativa de Biden. E feriu o Planalto. Tinha sido ele, Biden, que em maio viera ao Brasil convidar Dilma a ir aos EUA e acertara a data da visita. Tinha sido ele também quem ligara para Dilma após a denúncia de julho para reiterar o convite e mostrar que o governo Obama topava receber uma delegação brasileira e explicar o trabalho da NSA. A mais nova denúncia, a apresentar a Petrobras como alvo da NSA, reforçou a desmoralização do interlocutor.

Crítico da aproximação tentada por Obama e aceita por Dilma, Valter Pomar, secretário-executivo do Foro de São Paulo, grupo que reúne partidos progressistas da América Latina, espera que as novas descobertas de fato enterrem a “amizade”. Para ele, o esfriamento ficará mais fácil sem o ex-chanceler Antonio Patriota, visto como alguém que nutria “afeição” pelo modo de vida norte-americano.

“A relação com os Estados Unidos ia bem no teatro, mas na vida real nunca esteve tão ruim”, afirma Pomar. “A política externa do Obama tenta atropelar a nossa. Eles são contra os BRICs, a integração latino-americana e a estabilidade no Oriente Médio. É pior que o Bush.”

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35 comentários

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Na ONU, Dilma diz que espionagem dos EUA é "grave violação dos direitos humanos" e "desrespeito à soberania nacional" - Viomundo - O que você não vê na mídia

24 de setembro de 2013 às 12h45

[…] André Barrocal: Dilma não vê condições de alimentar amizade com Obama […]

Responder

marcosomag

10 de setembro de 2013 às 19h20

A Globo sempre foi contra a Petrobrás. O jornal do velhaco Marinho foi ponta-de-lança do lobby dos EUA contra a criação da estatal, e sempre que puderam as empresas da Globo atacaram a Petrobrás. Agora, com a força do Google ameaçando seu monopólio no entretenimento, a Globo quer uma troca de favores com a Dilma. O PT não pode incorrer de novo no erro de José Dirceu que salvou a Globo da falência em 2003 (estava atolada nas dívidas do megafracasso da Globocabo) e está prestes a ganhar dos Marinhos um par de algemas como pagamento. Nas Comunicações, urge tirar do Governo HIBernardo e Helena “a Chaga”, verdadeiros quinta-colunas da velha mídia. Fortalecer uma televisão pública, nacional, como as européias para evitar que os Murdochs da vida entrem no “vácuo” da derrocada da Globo, é muito importante. Exigir do Ministro Mantega a liberação de tantos recursos forem necessários para construir um sistema de informática criptografado que dificulte muito a ação da NSA, é imperativo! Existe pessoal qualificado para tanto nas universidades federais, nas Forças Armadas, no ITA e na própria Petrobrás.

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    movb

    10 de setembro de 2013 às 21h28

    Completamente de acordo com seu raciocínio, caríssimo. Como se tudo que VC falou não bastasse, ainda persiste a desconfiança desse jornalista gay indo à globo e sendo a globo ponta de lança dos ianques no BRASIL, estarem a fazer esse joguinho; o tal ianque que esta na Rússia pode ser um espião infiltrado basta olhar a origem de seus pais. Esta estranho, né não? Não confio na globo…

Marcio Leandro

10 de setembro de 2013 às 19h13

Os estadunidenses só veem o próprio umbigo, seja politicamente ou comercialmente. Todos os passos de sua inteligência são milimetricamente estudados de forma a beneficiar sua política/ideologia, de seus aliados e também suas empresas.
Com o 11 de setembro veio a chance de ouro para criar a tal “Guerra contra o terrorismo”, usada para bisbilhotar a vida de todo mundo e usar isso para benefício próprio.
Teorias da conspiração à parte, os estadunidenses são capazes de qualquer coisa, eu disse, qualquer coisa para atingir os seus objetivos estratégicos.

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H.92

10 de setembro de 2013 às 16h40

No governo yankee não dá pra confiar, seja democrata, republicano. Boa relações sempre com desconfiança.

Agora imagine seus aliados aqui no Brasil: velha mídia e os partidos que fazem oposição ao governo atual… tudo vira-lata vendilhão.

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Urbano

10 de setembro de 2013 às 13h24

De obama a otrama.

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Elias

10 de setembro de 2013 às 12h34

Eu não sou água
Pra me tratares assim
Só na hora da sede
É que procuras por mim
A fonte secou
Quero dizer
Que entre nós tudo acabou (Monsueto Menezes)

Lembro quando diziam que Obama tinha pinta de brasileiro. Lembro que sua eleição deu a muitos (aos quais me incluo) a esperança de dias melhores. Em menos de um ano de mandato recebeu o Nobel da Paz, espantoso! Obama era o cara e de repente ele disse ao mundo que Lula era o cara. Obama ia fechar Guantánamo, ia acabar com o embargo a Cuba e reatar relações. Quanta ilusão. De tão ingênuo passei e me sentir burro. Como pude acreditar que o democrata Obama seria diferente de qualquer republicano? É tal e qual. Segue o estabelecido ianque ao pé da letra. E tem que seguir mesmo. O establishment estadunidense está acima de qualquer mandatário. O capital, a indústria de armamentos e anônimos poderosos não mede consequência quando se trata de dominação. Por isso invadem países, espionam quem bem entendem e o resto que se dane. O Brasil tem obrigação de mostrar que não é resto. Somos uma nação soberana que não permite a nenhum bicudo xeretar tudo o que é nosso. Yes we Can. You, Tio Sam, can not.

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henrique de oliveira

10 de setembro de 2013 às 11h43

Tirando o PIG psdb e pmdb o maior diabo é os EUA , quanto a bomba atômica se voce tiver um missel intercontinental (coisa que a Russia adoraria vender ao BRASIL) e lançar ele da Amazônia em 20 minutos ele esta no alvo escolhido.

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anac

10 de setembro de 2013 às 11h33

Bush não usa mascara e sem pejo mostra o que é: extrema direita
Obama é um farsante. No minimo seu premio nobel deveria ser cassado simbolicamente em petição assinada por milhões no mundo. Pode não dar em nada mas fica desmoralizado.

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Hell Back

10 de setembro de 2013 às 11h12

Não acredito que o Brasil deva esfriar as relações com os norte-americanos. Como diz aquele famoso ditado:”Mantenha os amigos por por perto e os inimigos mais perto ainda”.

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M D

10 de setembro de 2013 às 11h06

Mas eu não sei quem são piores :os inimigos externos ou os internos?

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Regina Braga

10 de setembro de 2013 às 11h04

Política Externa do Obama?kkkkkkkkkkkk Desde quando, espionagem,invasão,intimidação é política externa? O eua não respeita ninguém,logo não há política externa! Só existe os pretensos donos do mundo.

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lukas

10 de setembro de 2013 às 10h08

Obama não é o cara.O

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Malvina Cruela

10 de setembro de 2013 às 09h54

“Dilma não vê mais condições para alimentar amizade com Obama”

isso é noticia ou resumo do ultimo capitulo da novelha????

no próximo capitulo: Dilma é vista aos cochichos com o Presidente/ditador Vladimir Putin, para provocar ciumes em Obama????

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fernando

10 de setembro de 2013 às 09h46

Se o governo do Pt está precisando de dinheiro para a infraestrutura por que não estatiza as empresas de nióbio brasileiras, minério que vale mais do que o ouro onde detemos mais de 98% das reservas mundiais e quem detém o preço é a inglaterra que não produz uma grama? O que os militares estão achando da venda de libra e dos aeroportos nacionais? Isso é um governo nacionalista e patriótico? A espionagem só tem faceta econômica? É piada?.

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Ted Tarantula

10 de setembro de 2013 às 09h38

países não tem amigos, tem interesses…

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augusto2

10 de setembro de 2013 às 09h24

O unico jeito de unir o pais, agora e no futuro, para manter nossa soberania naquilo que É IMPORTANTE, é reagir firme, forte, estrategicamente. Mas sem afronta e barulho. Porque do contrario, isso uniria os basbaques, vendidos da midia, fantoches & elite Miami beach aqui dentro contra a esquerda.
E lembrarmos que agora, que esta ficando claríssimo o fim da democracia interna deles e o começo do grande declinio imperial, lembrarmo-nos q junto com china,russia – os oprimidos,chantageados e ameaçados do hemisferio sul olham para nós. Assumimos ou nao a vanguarda do q será o mundo pos-americano?

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    José Manoel

    10 de setembro de 2013 às 19h13

    O que realmente temos que fazer é gastar com material e equipamento bélico como os caças supersônicos da SAAB sueca e mandar mais reforços para a Amazônia e criar uma força-tarefa para patrulhar o Atlântico, mais especificamente as áreas do Pré-Sal. Deve-se, igualmente, começar a se aproximar dos chineses e russos!! É esta a saída!! O resto é conversa para boi dormir!!

Mardones

10 de setembro de 2013 às 09h16

Eu duvido que alguém nascido de 1960 acredite que os EUA respeitem qualquer coisa que não sejam seus interesses. Custo a crer que Dilma ou qualquer ministro brasileiro possa sonhar em ‘amizade’ com algum chefe do poder dos EUA. Será que não leram a Doutrina Monroe?
Depois dos golpes de estados patrocinados pela CIA aqui na América do Sul, depois de assumirem a participação no Golpe no Irã, Bradley Manning, Edward Snowden, faça-me o favor.

Próxima notícia!

Responder

    Maria Mercedes Nobre

    10 de setembro de 2013 às 10h00

    Daí porque os EUA combatiam tanto o “ditador” da Venezuela. Chaves zelava pela porta natural do continente. Da Venezuela para a Amazonia braisleira, da Amazonia para o resto do Brasil.

Pedro luiz

10 de setembro de 2013 às 09h10

Agora é um bom momento para se ler o livro de título 1984, o grande irmão.É OBAMA na veia.

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Renato

10 de setembro de 2013 às 09h07

Se a Dilma for uma presidente com P maiúsculo, deve cortar relações de amizades com os EUA.
Agora, tenho algumas dúvidas. A quem interessa isso? Não é estranho uma Televisão como a Globo realizar essas denúncias contra a pátria mãe? Será que a Globo não queria desviar os canhões que estão contra ela para a espionagem internacional? Será que isso tem dedo dos Russos ou da China?

Além da espionagem em si, nesse mato tem cachorro que ainda não apareceu, ou seja, existe algo mais podre no reino da Dinamarca que até a própria filosofia desconhece.

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Leandro_O

10 de setembro de 2013 às 08h27

Será que a Dilma também vai parar de fazer omelete na Globo?

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O PIG tá ganhando

10 de setembro de 2013 às 02h58

O PIG será o único que ganhará se Obama desistir da Síria e mandar suas frotas para essas bandas

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jaime

10 de setembro de 2013 às 01h09

E se não tivesse sido divulgado pela TV?

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pierre

09 de setembro de 2013 às 23h27

E a bomba atômica brasileira vai sair quando? Sem bomba adeus soberania, Amazônia, pré e pós sal. O americanos são exímios arrombadores de cerca fraca.

Responder

    10 de setembro de 2013 às 08h17

    Acredite. Basta um ok para que tal arma seja montada. Tecnologia nós já temos.

    Roberto Locatelli

    10 de setembro de 2013 às 09h36

    Faço minhas as suas palavras. O império não ousa invadir a Índia, Paquistão, Coreia do Norte, pois eles têm bombas atômicas. Já passou da hora de termos nossa bomba. Ingenuidade é inadmissível na geopolítica internacional.

    lukas

    10 de setembro de 2013 às 10h11

    Se tivessemos a bomba hoje, que diferença faria? Como mandaríamos a bomba até os EUA?

    E depois, aguentariamos o tranco da resposta?

    Julio Silveira

    10 de setembro de 2013 às 11h54

    Os States respeitam a possibilidade. De qualquer maneira nada nos garantirá a não utilização deste artefato por parte deles. Já que o que prezam e sua exclusiva avaliação de merecimento. E isso serve contra qualquer país que lhes imponha derrota (ou mesmo sem derrota que de alguma forma lhes contrariem os interesses lhes antagonizando) numa guerra convencional. O Japão já provou desse veneno, O Iraque também conforme denuncias abafadas pela mídia corporativa e parceira, inclusive países parceiros, que negam avançar em investigações inconvenientes sobre o uso de artefatos radioativas chamados de baixa intensidade, naquele território (que ninguém se engane são bombas atômicas, ainda que se trate como sendo de baixa intensidade ou teor radiativo). Nada nos garante passarmos incólumes por isto em caso de algum conflito eventual com eles ou seus parceiros preferenciais, por termos abdicado de nosso direito soberano de nos postarmos no mesmo nível de representatividade do direito internacional que esses países, por nosso “bom mocismo” lacaio e irresponsável.

    psgd

    10 de setembro de 2013 às 13h32

    Bastaria transformar o VLS (veículo lançador de satélite) em míssil de transporte de ogivas nucleares.

    simas

    10 de setembro de 2013 às 21h59

    Ora, não se trata disso, ou daquilo. Só explodir uma bombinha, já muda a conversa… Vê a Índia e o Paquistão; só o fato de ter, já mudou, completamente, o nível de relacionamento. Agora, os dois países se respeitam.
    A verdade é q o Brasil, enqto nação, não sabe se preservar… As nossas Instituições não são encaradas como deviam, pelos próprios nacionais e autoridades. Como exigir e cobrar respeito, se os próprios filhos são os primeiros a faltar com o devido respeito e burlar qq lei reguladora ou repressora. Fica difícil.

Julio Silveira

09 de setembro de 2013 às 22h51

As autoridades brasileiras vem sendo patéticas a longa data. Como que contaminados por uma doença transmissível, transmitidas por alguns grupos que vivem internamente como que plantados para contaminar, com a precípua finalidade de tirar dessas autoridades o mínimo e obrigatório senso de cautela, ao lidar com um país que mostra trabalhar a muito tempo, diuturnamente (a quer quiser enxergar), para apreender mentes e mãos para agirem a seu favor, aqui e em todos os quadrantes deste planeta, para atender a seus exclusivos interesses.
Será mesmo que isso é tão imperceptível para nossos dirigentes? ou será a continuidade dessa ingenuidade mais uma faceta do tal pragmatismo, essa expressão que serve de desculpa tão frequente e frívola encontrada para camuflar a falta de caráter politico e da indignidade cultural no trato com a cidadania deste país e também com este país. Será esse o motivo dessa avassaladora falta de bom senso?

Responder

    Edgar Rocha

    10 de setembro de 2013 às 01h51

    Concordo plenamente contigo no tocante ao discurso do pragmatismo. Isto é uma pedra no sapato da nação, tanto na questão de soberania, quanto de política interna, já que justifica conluios e tolerância a erros e antagonismos. Por outro lado, política é mesmo um jogo de xadrez. O governo Lula, temos de admitir, em certo grau se impôs diante das potências mais sedimentadas na política e economia mundial. Estamos todos ansiosos pra um próximo passo. Passo este que ainda tememos tomar, já que, até a situação relativamente confortável do Brasil no quadro internacional crítico em que vivemos, é pra nação algo completamente novo. Estamos acostumados a cair primeiro. Mas, deve-se ter em mente que há diferença entre prudência e cautela e, esta segunda, é mais conduzida pelo medo do que pelo bom senso. O Brasil está cauteloso e isto não é bom. A prudência nos mostra que é necessário fazer o que deve ser feito e planejar-se na concretude de um golpe iminente. Sem esta concretude, nos prendemos em ilações e possibilidades que se submetem ao acaso. Muitas vezes, o diabo não é tão poderoso quanto ele próprio pinta. E se o for, de que adianta adiar sua represália, senão para aceitar uma queda inevitável e sem reação? Em resumo, a Dilma tem que ser o sargento que sempre aparentou ser. Deve pegar pesado e defender o território. Só assim, será possível planejar qualquer ação eficiente contra eventuais contra-ataques. No caso específico da espionagem, não se pode simplesmente espernear e fazer muxoxo. Licitações e concorrências ligadas a Petrobrás têm de ser reavaliadas, como retaliação e afirmação da soberania nacional. Lula já estabeleceu boas relações do Brasil em todos os continentes. E nem o Brasil é o primeiro alvo a ser abatido. Se me permite um ensejo poético neste comentário, sugiro recorrer a poderosa magia lusitana. Pros desavisados, esta foi capaz de manter este povo bagunçado e indolente em segurança por uns bons milhares de anos: falo da capacidade de estabelecer vínculos, de promover sua imagem carismática e garantir em princípio, uma opinião pública favorável. Não é à toa que esta vertente tão importante de nossos antepassados era chamada de “adoráveis-terríveis”. E não é à toa que sua magia era tão temível, a ponto de repelir impérios. Uma feitiçaria que sua língua chama de “encanto”, “simpatia”, “meiguice”. É papo sério. Não riam. Nem de mim, nem de nossa besta-fera ancestral. Aqui em solo tupiniquim, o nome disso tudo é malandragem. Sugiro que reflitam.

    Julio Silveira

    10 de setembro de 2013 às 09h28

    Reflito, concordo com você em grande parte, mas já se faz hora do País deixar de ser aspirante, coadjuvante e passar a ser de fato protagonista.
    Pelo menos por respeito a nossa cidadania.


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