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Política

Altamiro Borges: Na Venezuela, mídia aposta em fraude e guerra civil


04/10/2012 - 14h18

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Mídia já lamenta derrota na Venezuela

Por Altamiro Borges, em seu blog

A mídia brasileira bem que tentou vender a ideia de que a eleição na Venezuela estava indefinida. Com base em pesquisas manipuladas, ela saudou o crescimento da candidatura do ricaço Henrique Capriles, apresentado como “jovem”, “dinâmico” e outras bajulações, e garantiu que o presidente Hugo Chávez, sempre tratado como “ditador” e “populista”, estava em queda. Agora, na reta final do pleito – que ocorre neste domingo (7) –, ela é forçada a reconhecer que estava mentindo e já dá como certa a vitória do líder bolivariano.

Em seu editorial de ontem, o Estadão jogou a toalha. Após atacar o “caudilho” e elogiar o “hiperativo” direitista, o jornalão afirma que “a aposta mais segura ainda é na vitória de Chávez. O mais confiável dos levantamentos deu-lhe 10 pontos de vantagem na semana passada. Dos seis institutos empenhados em colher as intenções de votos dos 19 milhões de eleitores dessa nação polarizada até a medula, apenas um registrou empate técnico entre os contendores, com vantagem mínima para Capriles”.

O discurso dos golpistas derrotados

Apesar da confissão da derrota, o Estadão já adota o discurso dos golpistas venezuelanos de questionar o resultado das urnas. “Como ficará o país, no terceiro mandato de um governante autocrático sob o risco de uma recidiva do câncer que o acometeu? (…) O cenário é de instabilidade política, sejam quais forem os números proclamados pela autoridade eleitoral”. O jornalão conservador, que apoiou o fracassado golpe de abril de 2002, afirma na maior caradura que o líder bolivariano pode levar o país “a uma guerra civil”.

A Folha, em editorial no domingo, também já havia lamentado a derrota do seu candidato. “Capriles cresce nas pesquisas, mas Chávez intensifica a campanha em seu estilo autoritário e é o favorito”. Para a famiglia Frias, a vitória do bolivariano deriva do “abandono de qualquer resquício de responsabilidade fiscal para irrigar com verbas públicas os projetos sociais. As ‘misiones’, como são conhecidas tais iniciativas, transformaram-se, pelas mãos do marqueteiro petista João Santana, no maior trunfo da campanha presidencial”.

2.131.332 razões para reeleger Chávez

Os argumentos da mídia “privada” contra Chávez são patéticos. Revelam todo seu elitismo e reacionarismo. Para ela, os programas sociais, que reduziram drasticamente a miséria na Venezuela, representam “gastança pública” e “populismo” – o mesmo argumento da oposição demotucana no Brasil. A mídia rentista preferia o período em que os recursos da petroleira PDVSA enriqueciam a elite burguesa que reside em Miami. Daí a sua aposta no ricaço Henrique Capriles, que também é dono de veículos de comunicação.

Até Clóvis Rossi, ácido crítico dos governos de esquerda a América Latina, reconhece que “há exatamente 2.131.332 razões para acreditar que Hugo Chávez tende a ser re-reeleito presidente. É o número de pessoas que deixaram a pobreza nos 13 anos de reinado deste militar de 58 anos, caudilho por excelência. Quando Chávez ganhou sua primeira eleição, em 1998, a Venezuela tinha 11.212.273 pessoas em situação de pobreza, das quais 4.523.392 eram extremamente pobres. Em 2011, os números caíram para 9.080.941 e 2.450.621”.

A famiglia Frias, que emprega o jornalista Clóvis Rossi, parece que não enxerga estas mudanças sociais!

PS do Viomundo: Eduardo Guimarães, em mensagem, estranha a sobrevivência de Hugo Chávez. Pelos cálculos do Merval Pereira, o Chávez já deveria estar morto. Depois o Cloaca diz tratar-se de máfia midiática e afirmam que ele está exagerando.

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18 comentários

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Rossi

05 de outubro de 2012 às 14h01

O Merval como comentarista político daria um bom coveiro.Gostaria de já ter enterrado Chaves,Lula,Cristina Kirchner e quiçá a D.Dilma.É um chato acadêmico.

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SILOÉ-RJ

05 de outubro de 2012 às 12h36

Quando dirá o governo que é governo, para essa maldita mídia!!!!

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Nelson

04 de outubro de 2012 às 22h31

O principal problema com Hugo Chávez é o exemplo. Mau exemplo, na visão do patrão-mor, governo dos EUA, e de seus capachos locais e de outros países.

Chávez e os venezuelanos estão a mostrar que há vida, sim, do outro lado. O lado que não é aquele de viver genuflexo perante os donos do poder mundial. E essa ousadia de Chávez e dos venezuelanos pode se espalhar, pode contaminar outros povos e seus governos; vai que eles decidam também experimentar este outro lado.

Que perigo para o império dominante, que perigo para os grandes capitalistas e suas mega corporações, que passarão a ver seus espaços cativos de extração de lucro fácil irem minguando, esmaecendo.

Então, na visão do Sistema de Poder que domina os EUA e a maior parte do planeta, é preciso afastar essa “maçã podre” da caixa antes que ela contamine as demais. É preciso eliminar esse “vírus” antes que ele se espalhe. Daí o motivo de eles estarem “babando” à espera da derrota de Chávez, de sua derrubada ou mesmo de seu assassinato.

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FrancoAtirador

04 de outubro de 2012 às 21h42

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E AQUI NO BRASIL, PELA PRIMEIRA VEZ, A MÍDIA OLIGÁRQUICA MAFIOSA

EMPLACA UMA CONDENAÇÃO SUMÁRIA CONTRA O PT PELA VIA INSTITUCIONAL.

E, QUEM DIRIA, ATRAVÉS DO STF, A SUPREMA CORTE CONSTITUCIONAL.

EIS AÍ O PRECEDENTE DOS PRECEDENTES. A SUPREMA JURISPRUDÊNCIA.
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Responder

Fabio Passos

04 de outubro de 2012 às 20h20

hã… os golpistas da Venezuela são iguais aos do Brasil.
Tanto aqui quanto lá o PiG apanha nas urnas e tenta sabotar a democracia.

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Jair de Souza

04 de outubro de 2012 às 17h37

É impossível negar que todos nós vemos o mundo de acordo com a ideologia que está embutida em nossas mentes. Em muitos casos, as pessoas nem se dão conta de que seus sentidos de percepção estão sendo guiados por sua ideologia.

Li há pouco um comentário de alguém dizendo que só quem já esteve pessoalmente na Venezuela é que estaria em condições de dizer o que de fato está ocorrendo por lá. E seus pais, que lá estiveram recentemente, atestam que está quase todo mundo contra Hugo Chávez.

Eu nem duvido de que os pais do dito cujo estejam sendo sinceros em sua apreciação. Ocorre que grande parte da classe média vive em seus “countries”, totalmente alheios ao restante do povo (a grande maioria). Então, para tais pessoas, parece impossível a ideia de que Hugo Chávez possa vencer uma eleição. Eles crêem piamente que todo mundo está contra seu governo, pois todos aqueles com os quais eles se relacionam deixam claro tal sentimento.

Mas, há algumas pessoas (não são muitas, admito) que, quando visitam a Venezuela, lembram-se de que há gente que não vive nesses “countries”, que lembram-se de que há imensas barriadas populares ao redor de Caracas e em seus morros. Nosso L. C. Azenha esteve por lá e visitou muitos desses lugares e conversou com sua gente. Pelo que eu li em suas reportagens, suas impressões sobre a popularidade de Hugo Chávez não se afinam muito com as dos pais de nosso comentarista já citado.

Posso também dar meu testemunho pessoal. Na última vez que lá estive, fiz questão de percorrer toda a região de Catia, subir os morros, visitar as missões que prestavam assistência médica à população mais carente, visitar o estabelecimento Mercal que atendia a cada localidade, coisas assim. Também devo confessar que saí com a convicção de que a força de Hugo Chávez junto às maiorias populares tinha bases muito profundas. É claro que eu teria tido outras impressões se tivesse realizado um percurso diferente, se tivesse realizado, por exemplo, o percurso que os pais de nosso comentarista realizaram.

E porque eu escolhi fazer um roteiro e não o outro? Questão de ideologia, tão simplesmente isto! A gente acaba por ver o mundo do modo que gostaria de vê-lo. Eu queria ver o mundo das maiorias humildes, dos trabalhadores, dos até então excluídos, por isso optei por um roteiro. Se o objetivo fosse encontrar argumentos para ser contra o governo de Hugo Chávez, com certeza teria percorrido um caminho similar ao dos muitas vezes citados progenitores. No final, todos estaríamos certos. Nossa visão política nunca é neutra. Sejam quais forem nossos interesses no mundo real, nossa ideologia sempre encontrará formas de justificá-los.

Aqui, do que se trata é saber se o que pensamos está amparado ou não nas maiorias. A definição desta incógnita se dará ao final da jornada do próximo domingo.

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Luca K

04 de outubro de 2012 às 17h15

Quero acrescentar q não concordo com tudo de Chavez e q certamente sua administração tem, além de méritos, muitos problemas. Estes problemas são a razão do crescimento do candidato da oligarquia venezuelana. Apesar disso, pelos números q tenho visto, Chavez deve levar. Terá de melhorar no entanto para ter chance de continuar seu projeto.

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    Nelson

    04 de outubro de 2012 às 22h20

    Não há dúvidas, meu caro Luca K, de que há problemas, e sérios, na Venezuela governada por Chávez. Não poderia ser diferente. Chávez não é perfeito e o povo venezuelano não é perfeito.
    Contudo, estamos diante de um rico processo de construção de um país a partir de seu povo, do atendimento de suas necessidades. E devemos,não acriticamente, é óbvio, apoiar esse processo, sim, uma vez que a alternativa para os venezuelanos é o retorno ao passado de miséria e de opressão da grande maioria.
    A derrota de Chávez será a nossa derrota, a derrota dos povos, será a vitória dos ricaços daquele país e do primeiro mundo.
    Portanto, Luca K, longa vida a Chávez e vivas ao povo venezuelano.

Luca K

04 de outubro de 2012 às 16h55

Moçada; da Folha, Veja, Jn e outros lixos do gênero, sabe-se o q se pode esperar. Porém o q é ‘curioso’ é ver um órgão cujo dono – Mino Carta – diz q o jornalismo lá praticado é tão apegado a verdade factual(a parte internacional pelo menos, NÃO É) e no entanto funciona como mero repetidor da propaganda das agencias internacionais/mídia dos EUA/OTAN! Não só no q toca o Oriente Médio como tb a Venezuela. Vejam aqui por ex essa matéria da parceira inglesa , the economist Bullshit unit;

http://www.cartacapital.com.br/internacional/politica-na-venezuela-implicacoes-de-uma-vitoria-de-chavez-em-7-de-outubro/
http://www.cartacapital.com.br/internacional/hugo-chavez-o-heroi-do-povo-no-embate-final/

Além do +, os censores apagam sistematicamente posts críticos, mesmo quando bem escritos e articulados, permitindo no entanto postagens vulgares de leitores padrão Veja. Vejam por ex esta postagem de Matheus, q salvei, pouco tempo depois foi apagada; “E que texto mais ridículo! Por que a Carta Capital não mostra um mínimo de isenção e publica também texto de opinião favoráveis ao Hugo Chavez, mostrando a evolução social do país desde 2000? O site está cheio de publicações que apoiam o golpismo e o imperialismo contra o governo popular da Venezuela. Só faltou partir para ofensas racistas, tão comuns nos aliados do charlatão Caprilles, e que o próprio não reproduz apenas por questões de marketing.”

Cada vez + CC serve de repetidora da narrativa do império… um lobo em pele de cordeiro? Estranho tb o paradoxo da revista q ainda critica nossas elites duramente e prega certas coisas, como maior democratização da midia, – q Chavez, com muito mais peito, tem feito por lá – e parece não entender q a elite venezuelana é tão medieval e entreguista quanto a nossa!

A cobertura no site de CC sobre o Oriente Médio é ainda pior, particularmente a seleção de matérias e as horrorosas colunas dum tal de Jose antonio lima.

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Ze Duarte

04 de outubro de 2012 às 16h24

Engraçado que nego que nunca pisou na Venezuela ou em Cuba fica defendendo… meus pais estiveram lá semana passada e viram a impressionante manifestação da oposição e ficaram chocados, nunca imaginariam que teria tanta gente. E olha que ao contrário das organizadas por Chavez, ninguém foi lá obrigado ou sendo pago (lá os funcionários públicos são obrigoados a ir nas manifestações pró-chavez)… e isso mesmo com Chavez aparecendo o dia todo na TV.

Depois os desinformados querem culpar a mídia… esse Altamiro mesmo nunca bem deve ter pisado lá.

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    Luca K

    04 de outubro de 2012 às 17h02

    @ze duarte: Chavez ganhou limpo as eleições e se reelegeu tb. Teus pais ficaram chocados de bobeira; Lula ganhou eleições por aqui apesar de grandes comícios da oposição. e daí? Tem gente q gosta e tem gente q não gosta, normal. No caso de Chavez, até o presente momento, a maioria tem estado com ele.

    Nelson

    04 de outubro de 2012 às 22h05

    “impressionante manifestação da oposição” que teve “tanta gente”.

    Uai, gente!

    Eu, que tenho em mais alta conta os mais avalizados órgãos de informação do Brasil, Folha, Estadão, Veja, Isto é, Glob, Band, etc. tinha a convicção de que na Venezuela vigia uma ditadura ferrenha e que “manifestação da oposição” não existia, pois quem ousasse fazer isso ou morreria assassinado ou apodreceria nos calabouços chavistas.

    Tens certeza de que esta tua informação é verídica, Zé? A tal manifestação não aconteceu ali, ao lado, na “mui democrática” Colômbia? Colômbia, país onde 600 sindicalistas foram assassinados somente durante os oito anos de reinado de Álvaro Uribe, o narcotraficante por excelência (informação do próprio governo dos EUA)?

    JULIO/Contagem-MG

    06 de outubro de 2012 às 21h05

    Ô zé duarte, vai da Chaves na cabeça, querido reaça!

Mário SF Alves

04 de outubro de 2012 às 15h47

“Os argumentos da mídia “privada” contra Chávez são patéticos. Revelam todo seu elitismo e reacionarismo. Para ela, os programas sociais, que reduziram drasticamente a miséria na Venezuela, representam “gastança pública” e “populismo” – o mesmo argumento da oposição demotucana no Brasil. A mídia rentista preferia o período em que os recursos da petroleira PDVSA enriqueciam a elite burguesa que reside em Miami. Daí a sua aposta no ricaço Henrique Capriles, que também é dono de veículos de comunicação.”
Aliás, para a ela, mídia privada, o único programa social defensável é o promovido por ela, o Criança Esperança. Cortesia com chapéu dos outros e a pior forma de populismo. O populismo de direita. Seria interessante vê-la ir com tanta sede ao pote e fazer mesmos bombardeios críticos ao governo americanos que, salvo engano, fez o bolsa família transpor fronteiras.

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Willian

04 de outubro de 2012 às 15h29

Torço para que Chavez neste seu novo mandato vá mais fundo na socialização da Venezuela, mas tem que ser algo bem radical, que dê inveja aos companheiros de Viomundo.

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    ZePovinho

    04 de outubro de 2012 às 19h24

    Impossível que ele consiga o socialismo para os ricos que impera nos EUA,com o FED imprimindo dólares com lastro na dívida pública que está miserabilizando os americanos.

Horridus Bendegó

04 de outubro de 2012 às 15h14

Até onde vai a desfaçatez dessa mídia a serviço das elites que transformaram a América Latina num pandemônio social? Será tão perversa assim que se recusam a ver no que deu a sua recusa em admitir políticas sociasi de recuperação e inclusão sociais? Blergh… pra Folha e Estadão!

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ZePovinho

04 de outubro de 2012 às 14h59

Para mim,gastança pública é dar dinheiro para as empresas privadas de mídia,que defendem o liberalismo mas………não saem da teta do Estado.

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