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Diário da Resistência


Joaquim Barbosa e os black blocs midiáticos na campanha de 2014
Opinião do blog

Joaquim Barbosa e os black blocs midiáticos na campanha de 2014


19/11/2013 - 16h47

por Luiz Carlos Azenha

Assustada com o que leu nas redes sociais desde a prisão dos petistas condenados pelo STF, uma leitora desabafou no Facebook: “Fascismo social”. Confesso que também me assustei, tanto quanto me assustei naquela manifestação na avenida Paulista, em São Paulo, quando a multidão enfurecida expulsou militantes de esquerda e de movimentos sociais. Exultante, o repórter da TV Bandeirantes registrou na edição da noite seguinte: “Escorraçados”.

Que os condenados deveriam ir de carroça até a prisão, puxando uns aos outros; que deveriam ser fuzilados com um tiro de 7mm; que deveriam ser entregues aos black blocs, supostamente para linchamento. Li e tenho registro do que foi escrito por gente que se identifica abertamente, com foto e tudo. É mais que a tradicional arrogância da elite brasileira, mais que expressão da licença para dispor do corpo alheio — como em nosso escravismo fundador — ou demonstração de que o entulho autoritário da ditadura está vivinho por aí.

No ano que vem será comemorado um aniversário de dez anos. A década em que a mídia corporativa brasileira repetiu basicamente o mesmo discurso sobre “o maior escândalo de corrupção da História”.  O “escorraçados” dito na TV pelo repórter da Band, sem qualquer tipo de reflexão ou contextualização, legitima, estimula e “naturaliza” o discurso que ecoa hoje nas redes sociais. Mas também estamos diante de um fenômeno original.

Há algo intrínseco às redes sociais — à comunicação instantânea, sem fronteiras — que potencializa a violência verbal que temos testemunhado.

No interessante The Age of Insight, o cientista Eric Kandel explora os mecanismos pelos quais o cérebro humano desenvolve sua capacidade para empatia, ou seja, para entender — ainda que sem concordar — a posição do outro. Entender que o outro possa ter uma posição diferente da sua — e sobreviver sem ser “escorraçado” — é essencial à prática política. Uma das condições essenciais para a empatia, diz o cientista, é a troca de olhares — definidora de qualquer contato humano.

As redes sociais, onde as pessoas se escondem atrás da tela de um computador, algumas vezes no anonimato, são a antítese da “transparência” que pretendem representar. Ao mesmo tempo, o dinamismo oferecido pela comunicação instantânea nos afasta da reflexão e estimula respostas emocionais. É assim que se formam verdadeiras turbas eletrônicas, manadas virtuais dispostas ao linchamento, que em seguida transpõem para as ruas seu comportamento online.

Se por um lado as redes sociais permitem que todos se expressem — o que tem caráter altamente democrático, considerando que a liberdade de expressão sempre foi de muito poucos –, ao mesmo tempo contribuem para a atomização da opinião pública.

Alianças políticas sobre temas altamente emocionais, formadas em rede, nas quais internautas estimulam uns aos outros a agir, podem eventualmente transbordar para as ruas, como se deu nas manifestações de julho, mas se esvaziam com a mesma rapidez assim que a catarse se esvai.

Nos Estados Unidos, as alianças eventuais formadas em rede, a partir da reprodução de conteúdo midiático — especialmente da Fox News, de programas de debates em emissoras de rádio, mas também de blogs de direita como o Drudge Report — eventualmente se consolidaram num movimento intrapartidário, o Tea Party, que hoje dá direção ao Partido Republicano. É o melhor exemplo de casamento midiático-militante dos dias de hoje.

Dá para ouvir, no movimento, o eco das ideias simplórias e maniqueístas produzidas com didatismo pelas usinas midiáticas: o ‘peso’ e a ‘ineficiência’ do Estado; dar a vara de pescar, não o peixe; o sindicalismo corrupto; o multiculturalismo ‘esquerdizante’ e outros jargões de fácil apreensão e reprodução.

É possivel traçar um paralelo entre o Tea Party e o movimento neoliberal dos anos 70 e 80, que acompanhou a ascensão de Ronald Reagan à Casa Branca, as reformas internas nos Estados Unidos e a globalização a partir da plataforma econômica do consenso de Washington.

Lá atrás, os neoliberais se organizaram em torno de institutos, think tanks, bancados por grandes empresários direitistas, na capital norte-americana. A ideia era popularizar a produção intelectual de um grupo de neocons, o que foi feito através de revistas que circulavam junto à classe média. Reagan havia sido eleito ainda com sustentação da base tradicional do Partido Republicano, reforçada pelos cabos eleitorais da coalizão religiosa formada por evangélicos, católicos e judeus conservadores. Eram “os braços” de Reagan, a militância que o reelegeu em 1984.

Sob Reagan os neocons se instalaram em cargos-chave da burocracia, mas só assumiram o poder de fato muito mais tarde, através de George W. Bush, quando dispunham de uma grande massa de seguidores de diversas classes sociais, formada não apenas por revistas como Commentary e Weekly Standart, mas por programas de rádio de grande penetração, capazes de mobilizar milhões de pessoas, como os de Rush Limbaugh e outros.

Existe, porém, uma distinção importante entre os neocons, que se propunham e em certa medida revolucionaram o mundo, especialmente o Oriente Médio — deixando atrás de si um rastro de destruição — e o Tea Party. Este é um movimento claramente reacionário. Uma pesquisa recente com integrantes do Tea Party descobriu que ele é acima de tudo uma reação cultural à ascensão de Barack Obama, ou seja, tem uma forte base de racismo dissimulado, não apenas contra a cor da pele de Obama, mas contra a pregação multicultural “da elite de Harvard” (onde Obama estudou), que é vista como ameaça aos valores essenciais dos Estados Unidos.

Os que neste artigo eu chamo de black blocs da mídia brasileira (com o perdão dos anarquistas), que dizem nas redes sociais pretender fuzilar José Dirceu e José Genoino, também representam uma reação cultural à ascensão social promovida pelos governos Lula/Dilma, como escreveu aqui Gilson Caroni Filho. Mas não apenas.

Este movimento ainda amorfo e sem rumo expressa também os limites da política de alianças do PT, que garantiu vitórias eleitorais mas amarrou o partido a uma política econômica conservadora, que o impede de atender às enormes demandas da sociedade brasileira, que se tornaram ainda mais urgentes em regiões metropolitanas desiguais, violentas e carentes de serviços públicos essenciais.

Há muito mais que classe média aí.

Em certa medida, a despolitização do discurso cotidiano dos governos Lula/Dilma, associada ao intenso ativismo midiático, ajudou a gerar esta multidão de órfãos políticos, cuja expressão eleitoral mais recente foram os surpreendentes 20 milhões de votos de Marina Silva em 2010. Para as ruas, eles foram em julho. Agora, podem enfim conseguir quem os conduza.

É aquele que muitos chamam carinhosamente de Quincas, Joaquim Barbosa, o presidente do Supremo Tribunal Federal. Rodrigo Vianna escreveu um artigo interessante sobre o cálculo político que Barbosa talvez tenha feito ao decidir, de forma açodada, pela prisão dos réus do mensalão no feriado do 15 de novembro.

Hoje, nos bastidores da política, há os que acreditem que Barbosa é realmente um reformista togado, cujo primeiro objetivo foi punir o PT para em seguida fazer o mesmo com o PSDB e finalmente, no inquérito secreto 2474, chegar a um certo banqueiro.

Por outro lado, muitos estão certos de que o ministro vai se afastar do STF para ser vice de Aécio Neves ou lançar candidatura própria, em 2014.

O barbosismo traz consigo vários atrativos eleitorais: é centrado num outsider, um homem que veio de baixo, eleitor original de Lula e Dilma que poderia se propor a “corrigir” os erros do petismo e ao mesmo representar centenas de milhares de antipetistas que estão prontos para se unir à “revolta” contra o sistema. Tem classe média aí, sim, mas tem também uma grande dose de frustrados com o sistema político brasileiro, de todas as classes sociais, especialmente jovens.

Joaquim Barbosa seria uma espécie de John McCain, um cowboy tropical disposto ao acerto de contas com a “politicagem” de Brasília.

Sabemos muito bem o que esse tipo de “aventura” representou no passado e a elite econômica brasileira vai pensar algumas vezes antes de entregar o poder a alguém imprevisível, como fez com Fernando Collor diante do “mal maior”, Lula.

No desespero, nunca se sabe.

O ponto é que, mesmo que não tenha pretensões eleitorais, Joaquim Barbosa vai se tornando peça-chave nas eleições de 2014. Ele e sua imensa legião de black blocs midiáticos.

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37 comentários

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Socorro Guimaraes

14 de janeiro de 2014 às 17h36

Só que é uma transgressor, feriu todas as leis possível em um só processo. Cobra que se der asas ele voa, e pode ser qualquer um de nós que apareça em seu caminho. É, e também bate em mulher, deveria ser enquadrado na lei Maria da Penha, ah! esqueci o homem é quem manda prender, desculpe, preso jamais, nunca, veremos um ministro de justiça preso é Brasil, não não é Brasil, são pessoas que não respeitam nem a mãe, esse homem não tem normal nenhuma, deveria falar com a mulher com quem ele teve seu único filho, traves fiquem apavorado com o ouvi, comprou uma apartamento em Maimi usando uma empresa fantasma namora uma garota novinha e branca, deveria aproveitar a oportunidade e fazer campanha contra o preconceito que os negros sofrem no nosso Brasil, não fica é se mostrando para a mídia, sabemos que ele não se elegi o povo é preconceituoso, jamais vocês verão.

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Associação Juízes para a Democracia: Se Barbosa pressionou para trocar juízes, é gravíssimo - Viomundo - O que você não vê na mídia

25 de novembro de 2013 às 17h41

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Bandeira de Mello: "Se eu fosse do PT, pediria que o presidente do Supremo fosse processado" - Viomundo - O que você não vê na mídia

22 de novembro de 2013 às 18h22

[…] Joaquim Barbosa e os black blocs midiáticos na campanha de 2014 […]

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Direção Nacional do MST a Dirceu e Genoino: Condenação injusta - Viomundo - O que você não vê na mídia

22 de novembro de 2013 às 18h18

[…] Joaquim Barbosa e os black blocs midiáticos na campanha de 2014 […]

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ISAEL TUTA VITORINO FERREIRA

22 de novembro de 2013 às 01h03

Primeiramente gostaria de parabeniza-lo pelo texto. Parece que estamos vivendo em uma era de Faroeste, com uma diferença- Assistimos tudo em 3D- Não podemos pegar nossos óculos 3D e, achar que estamos no cinema, onde, o mocinho prende os bandidos – titulo do filme ““ Escorraçados”. Não podemos vangloriar aqueles com síndrome do holofote. Será que este dia chegou – “Eu temo o dia em que a tecnologia ultrapassar a interatividade humana. O mundo terá uma geração de idiotas “- frase dita por (Albert Einstein). Como diz meu amigo…., quero me aposentar e comprar uma casinha lá na beira do rio… nem vota tenho mais vontade… Que isso amigo. Será que esta frase de Victor Hugo diz tudo ou devemos acrescentar “Primeiro foi necessário civilizar o homem em relação ao próprio homem, Agora é necessário civilizar o homem em relação à natureza e aos animais” – e as máquinas????? – Não, não me responda. Só sei de uma coisa amigo não me convida mais para assistir aquele filme “Homens de Preto”. Obrigado.

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João

21 de novembro de 2013 às 23h09

Simplesmente ridículo aproveitar esta situação para desmoralizar o sgnificado da tática black bloc. É o desespero da esquerda caviar, da esquerdalha status quo, do neopetismo!

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Jayme Vasconcellos Soares

21 de novembro de 2013 às 20h55

Azenha, eu não consigo entender!!! Você, um jornalista tão inteligente, tão perspicaz, ainda depositar no Joaquim Barbosa, ministro do STF, uma esperança, uma expectativa de ele fazer justiça, ou seja, julgar e condenar corruptos do PSDB, e purificar e acabar a corrupção no Brasil?! Quanto aos Black Blocs da mídia golpista, são o movimento mais comum da imprensa corporativa,o PIG, e são eles que vêm derrubando auxiliares da Dilma, através a divulgação de factoides, cujas mentiras são consideradas verdades absolutas pelo próprio governo; São eles que, através espetáculos circenses, promoveram Joaquim Barbosa a ator principal para destruir a imagem positiva, condenar e prender homens de bem, integrantes do PT, num processo espúrio, mentiroso, e tipicamente caracterizado como um ato de excesso. Joaquim Barbosa está comprometido, até o pescoço, com os atos de corrupção do PSDB, partido neoliberal, de ideologia entreguista dos recursos econômicos de nossa Nação.

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Editor da Caverna

21 de novembro de 2013 às 00h43

Perfeito. Só discordo do Barbosão ser un novo Collor… Acho que ele é um novo Jânio Quadros. Por isso mesmo não será vice de ninguém, é ele e mais ninguém… Talvez uma chapa Barbosa – Huck …. Ou Barbosa – Alckmin pra próxima eleição. Mas com o Barbosão encabeçando.

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FrancoAtirador

20 de novembro de 2013 às 16h46

.
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TERMO DEFINITIVO PARA DESIGNAR A BARBÁRIE VIGENTE NO BRAzIL

‘BARBOSISMO’

O Barbosismo é a Desumanização do Ser Humano.

Mais que Antipatia, é Apatia e Desprezo pelo Semelhante.

É, além, Incapacidade de ver o Outro como Igual em Espécie.

O Barbosismo é o Suprassumo do Egocentrismo Intransigente.

O Indivíduo Barbosista ou Barbosiano é Ególatra e Narcisista.

Megalomaníaco que esculpiu a Estátua do Corpo para se Adorar.

É o Sociopata que não se coloca na posição do Próximo,

para compreendê-lo psicologicamente, em sentimento e espírito.

O Barbosista ou Barbosiano é Insensível à Dor Alheia.

E o Único Pensamento Inquestionável é o de Si Próprio.

Impõe-se Absoluto para Aniquilar um Imaginário Inimigo

que nada mais é do que a Imagem Refletida de Si Mesmo.

O Barbosismo formou uma Rede Incontrolável de Sociopatas.

O Barbosismo é o Triunfo da Vingança Pessoal sobre a Justiça.

É a Irracionalidade tripudiando sobre a Ciência e a História.

O Barbosismo é o Instinto Animal sobrepujando a Razão Humana.
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Responder

Vlad

20 de novembro de 2013 às 16h15

Magnífico artigo. Desses de guardar e agradecer.
O administrador do aeroporto, quando — para sorte de quem por aqui passa —resolve pegar o manche, dá show nos pilotos de carreira.

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saulin

20 de novembro de 2013 às 11h32

Colocaram o ovo muito grande, saíram cantando, mas era para disfarçar a dor, depois foram ver que quebrou! Ibope mostrou esse ovo na ultima pesquisa.
“Alguma vez, algum dia, esse país exumará essa história, da mesma forma que está exumando, junto aos restos mortais do presidente Jango Goulart, os detalhes das manipulações impostas ao país pelas suas elites malandras. Agora, com meio século de atraso, admite-se que a farsa perpetrada por parlamentares submissos à elite civil que fez dos militares seus marionetes de ocasião seja desmascarada. A começar, aliás, pelo começo: a tal revolução do 31 de março de 1964 não passou de um golpe torpe perpetrado no dia primeiro de abril de 1964. O dia da mentira. Carta maior” (grifo meu)

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    Vixe

    20 de novembro de 2013 às 23h08

    Essa história do ovo se superou… KKKK

André

20 de novembro de 2013 às 09h37

A nova minisserie da globo.a corte de xica da silva.

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Maria Thereza

20 de novembro de 2013 às 09h36

depois da carta de ontem, de repúdio ao jb, assinada por juristas, intelectuais e representantes da sociedade civil, creio que lhe restarão poucas oportunidades de se exibir como paladino de qualquer coisa. Mesmo porque os signatários conclamam os demais membros do stf a interromper a escalada de ódio, violência, desrespeito às leis e à Constituição Federal protagonizadas pelo jb. Aguardemos, para ver quem fala mais alto: se o “espírito de porco” dos magistrados ou o respeito ao Estado de Direito.

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sergio

20 de novembro de 2013 às 02h43

Quem concedeu a este cidadão, Barbosão, poderes ditatoriais?
Além do que, o STF é uma instituição do povo brasileiro e não instrumento de lançamento político.

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Ruber Ferreira

20 de novembro de 2013 às 01h10

Não se iluda, minha cara. A estratégica ação do Barbosa (não foi à toa que ele escolheu o 15 de novembro) tem por trás um conjunto de interesses que vão muito além da indignação de um “justiceiro” que pretende “fazer alguma coisa”, para moralizar a política do nosso país e dar exemplo de dignidade. Assim como não existem inocentes no caso do “mensalão”, tampouco existe uma grande mídia preocupada com a verdade, no que diz respeito aos escândalos de corrupção neste pais, e muito menos um presidente da nossa corte suprema de justiça preocupado unicamente em fazer justiça. Preste mais atenção ao jogo e você verá que não há muito na ação do Barbosa que possa nos empolgar a ponto de finalmente acharmos que estamos diante de uma ação que mereça nosso respeito. Vc lembra no que deu a construção midiática do “caçador de marajás”? Pois é… A grande mídia na época convenceu milhões de brasileiros de que estávamos diante de um justiceiro, quando a gente estava diante do bandido e de seu maquiavélico criador. E não estou comparando Collor com Barbosa. Não se trata disso. Estou falando da forma pra lá de suspeita e questionável de como a grande mídia e o Barbosão (entre outros do STF) se apropriaram do caso do mensalão em termos políticos e ideológicos. Há muito tempo eu aprendi que água benta e um pouquinho de criticidade nunca fizeram mal a ninguém.

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demetrius

19 de novembro de 2013 às 23h06

Não dá pra imaginar o barbosão sorrindo pra ser simpático numa campanha eleitoral.

Abraço.

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GustavoASS

19 de novembro de 2013 às 20h40

O conservadorismo está ligado ao plano econômico e cultural, tendo correntes e filósofos em ambos.Ser conservador não é querer que o pobre vá a merda, isso é forçar a barra de maneira nojenta e mentirosa.A Globo, assim como o PSDB, apenas como exemplo, está longe de ser uma emissora ultra conservadora.Aliás, se o PSDB é de direita, é no máximo uma direita light, mas muito light mesmo.Fazer um paralelo entre o que nós temos de “direita” aqui e o que há nos EUA é simplesmente patético.Ah sim, e lembrando que o próprio partido republicano possui uma ala que é radicalmente contra as guerras feitas pelos americanos, especialmente no oriente médio.E não é uma ala pequena, basta pesquisar.Vc fala fomos se fosse o partido inteiro, sendo que NÃO É.

Ah, e para finalizar, ainda mantenho minha tese:o julgamento pode acabar tendo um auxílio para militância petista.Muito bom para criar bodes expiatórios, síndromes de perseguição e se achar “preso político”, mesmo que seu próprio partido tenha sido o responsável pelas escolhas dos ministros do STF e que esteja no governo federal.Snfim, uma fábrica de lero lero esquizofrênico assustadora.

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    AlvaroTadeu

    21 de novembro de 2013 às 11h57

    Caro Gustavo. Bom dia. Talvez suas poucas letras não permitam que você saiba quem foi Alberto Fujimori. Foi recebido por FHC com honras de chefe de estado, aquele criminoso corrupto e assassino. Veio a convite do estado brasileiro. A mesma imprensa e os mesmos canalhas que festejaram Fujimori (antes de ele ser condenado e preso, naturalmente), é a mesma imprensa que chamava Chavez de “Ditador”. Os tais “verdes” de inveja da Dilma, que criticaram um tal “chavismo” no PT. Mas a mulher que criticou um suposto chavismo,foi eleita pelo PT e se tornou ministra através desse partido. Vomitou no prato que comeu. “Marina, morena Marina, você se pintou”. Mas você, Gustavo, nas suas pálidas letras, nem sabe de quem são esses versos. Volte à universidade, rapaz. Talvez ainda possa aprender alguma coisa.

francisco pereira neto

19 de novembro de 2013 às 20h17

Azenha
Você chegou no ponto, milimetricamente no alvo.
Atrás do computador, e confesso que sou assim, a grande maioria “cria” coragem de falar coisas que normalmente a gente não fala no cara a cara. Se bem que em certas ocasiões a hipocrisia é tanta, que eu não aguento, e solto os cachorros. Aconteceu recentemente comigo.
O que você disse tem muito a ver com o comportamento das pessoas aos volantes de seus veículos. Passam a ser a extensão do seu “eu”. Tornam-se verdadeiras bestas feras.
Eu encaro essa situação principalmente no facebook usando uma ferramenta disponível, bloqueando o acesso ao meu perfil. Simples assim. Fiz isso recentemente com meu irmão que mora em Londrina.
Não vou compartilhar minhas opiniões em blogs direito fascistas, até porque eles não publicam o que escrevo.
Se a corrente é grande no face daqueles despolitizados que compartilham as maiores sandices, em contra partida, nós temos que fazer o mesmo nos blogs progressistas. É o que tenho feito. E não podemos nos desmobilizar e deixar a corrente deles serem maior do que a nossa.
Eu já escrevi que o momento é grave. A polarização é séria e temos que mostrar as nossas opiniões para que eles não se sintam a vontade.
Entendo que só a nossa postura não é suficiente, senão houver por parte dos políticos que apoiam o governo, uma tomada de posição para nos sentirmos estimulados a continuar na luta.
Vejam como são os atores dessa obra maquiavélica. FHC disse: “Hoje vejo que a justiça começa a se fazer” e criticar os mensaleiros. Zé Dirceu ao ser preso comentando o desfecho cruel: “Não desejo essa forma de julgamento nem no mensalão tucano”.
Preciso dizer algo além?

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Maria Rita

19 de novembro de 2013 às 19h40

Azenha, concordo com a representação das relações sociais em rede e lembro o contra-ponto da rede que é o blackout, interrupção total de comunicação, tão ou mais perigoso do que os simples boatos, as calúnicas, a deturpação das notícias – e essas podem acontecer com qualquer um de nós, sob o impacto emocional de um evento qualquer. Imagina se fosse hoje o dia do suicídio de Vargas, o que aconteceria com as redes sociais. Mas, o mais temido, o que eleva a ansiedade a um ponto insuportável é a falta de controle sobre os acontecimentos. Você é novo, mas recorda da sua infância e do sumiço do seu pai em alguns momentos da ditadura. ALém de ser um jornalista de primeira. A censura é muito ruim,o pior mesmo é o corte de toda e qualquer forma de comunicação. Para mim, a informação hoje flui pelos blogues, os jornais estão muito superficiais e maniqueístas demais. É verdade que a minha geração aprendeu a informar e a se informar nos subtextos ou nas entrelinhas, havia sempre uma maneira de driblar a censura. E uma coisa importante, na época, o jornalismo internacional que incluía a AL, acabava por nos informar de maneira muito mais eficaz do que hoje sobre nossa própria realidade. Se não fossem os blogues estaríamos isolados e vivendo como a maioria dos americanos, olhando para o nosso próprio umbigo. Essa talvez seja a estranha semelhança que liga nossa época tão limitada com os anos de 1950.Só discordo, ou melhor não dou crédito às palavras de Joaquim Barbosa que disse ter votado em Lula e Dilma. Pelas suas atitudes, não há como acreditar nisso. Ele não é um dissidente do PT.Nunca foi PT. Ele é um dissidente de tudo que ele viveu. Basta lembrar o que ele falou sobre a discriminação no Instituto Rio Branco. Sempre o sujeito que alterna o papel de vítima e de tirano. Não engulo essa.

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Dias

19 de novembro de 2013 às 19h15

Joaquim Barbosa é o coadjuvante a ser escalado como candidato a presidente, em última tentativa da Casa Grande garantir a derrota de Aécio apenas no segundo turno, torcendo para que possa ocorrer um milagre. Incrível como no Brasil a casca é sempre melhor avaliada que o conteúdo, pois Joaquim Barbosa além de ser politicamente frágil, jamais seria o candidato para valer deles, pois sabem ser menos confiável que Collor e portanto terá seus quinze minutos de fama prorrogados, talvez até novembro de 2014, e depois irá descansar das dores no lombo em seu “conjugado” em Miami, afinal falsas personagens também tem direito ao ócio remunerado.

Responder

Paulo Figueira

19 de novembro de 2013 às 19h06

Os momentos políticos são bem diferentes, Color foi eleito para suceder Sarney num ambiente de hiperinflação, desemprego generalizado e falência do que se convencionou chamar de Nova República.
Barbosa teria que enfrentar uma presidente com realizações a apresentar, inflação sobre controle e pleno emprego, ambiente muito mais adverso para aventureiros midiáticos.
O texto é muito bom e realmente devemos estar atentos, o ovo da serpente pode não ser chocado em 2014, porém nossa pouca tradição democrática e baixa participação política não nos garante nada no futuro.

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Rita

19 de novembro de 2013 às 18h55

Azenha, aprendi muito. Obrigada

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ma.rosa

19 de novembro de 2013 às 18h53

Nossa, estou me sentindo tão triste e pessimista com tudo o que leio e ouço desde que estes fatos aconteceram! Que pessoas sãs estas! Que direito elas tem de falar e ou escrever assim? Quem é este senhor Joaquim Barbosa? Senhor da verdade absoluta? É triste, mas de fato é um linchamento público e horroroso.

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Jorge

19 de novembro de 2013 às 18h43

“Hoje, nos bastidores da política, há os que acreditem que Barbosa é realmente um reformista togado, cujo primeiro objetivo foi punir o PT para em seguida fazer o mesmo com o PSDB e finalmente, no inquérito secreto 2474, chegar a um certo banqueiro.”

Claro. A data para a prisão de Daniel Dantas já está até marcada: 31 de fevereiro.

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Messias Franca de Macedo

19 de novembro de 2013 às 18h33

… O *Especial de fim de ano ‘PAPUDA’ da Globo [RISOS]…

… E mais, agora é muito simples: é só aplicar ‘direitinho’ a Lei Das Concessões Públicas que regulam os Meios de Comunicações no Brasil!

*O contrato da Globo com Marcos Valério!

*Enviado por Miguel do Rosário on 19/11/2013 – http://www.ocafezinho.com/2013/11/19/bomba-o-contrato-da-globo-com-marcos-valerio/#sthash.0AUOWDOp.dpuf

Viva os Zés do Brasil! Viva o honesto povo trabalhador brasileiro!

Hasta la Victoria Siempre!

BRASIL (QUASE-)NAÇÃO [depende de nós enquanto ações e reações!]
Bahia, Feira de Santana
Messias Franca de Macedo

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abolicionista

19 de novembro de 2013 às 18h24

Vou dar uma de pentelho, porque o texto do Azenha é muito bom. Enfim, mesmo com a nossa máfia midiática, acho que o reacionarismo das classes populares brasileiras não fica totalmente explicado. Não que nossa mídia não tente emplacar com todas as forças sua visão de mundo deturpada e arcaica. O que me deixa com o pé atrás é considerar que essa entidade abstrata a que chamamos “o povo” (e, com mais razão, “os de baixo”) é constituída de sujeitos ingênuos e facilmente manipuláveis. Ou seja, de gente que “supostamente não sabe” que a mídia é manipuladora, que nossa elite é escravocrata, que a polícia é violenta, que a corrupção é estrutural, que a desigualdade impera, etc… Talvez tenha chegado a hora de considerarmos que, com maior ou menor precisão, “os de baixo” percebem sim essas coisas. Mas seguem o discurso dominante porque ele sempre fornece, ao fim e ao cabo, algum tipo de superioridade imaginária (como a que nos faz torcer pelo time que está ganhando), enquanto o discurso justo (esse sim ingênuo) não resolve nada, apenas piora as coisas e às vezes dá até cadeia. Há, portanto, uma profunda descrença na possibilidade de subverter o discurso dominante por meio de reivindicações justas. A via democrática, somos ensinados nas escolas, é a de criar reivindicações justas, ancoradas em problemas reais, e unir forças. Na prática, aprendemos que é melhor dobrar-se, ajustar-se, flexibilizar-se. O exemplo de Genoino, cuja justeza está cravada em seu próprio nome, corrobora essa lição. Nós precisamos de uma democratização da mídia sim, de uma reforma agrária sim, mas nós precisamos também, e urgentemente – veja que ironia! – de um futuro possível.

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Bacellar

19 de novembro de 2013 às 18h13

Interessante análise. Recentemente um amigo defendeu essa tese do Barbosa reformador, atropelando o PT num processo cheio de buracos e falhas pra depois acertar as contas com o inquérito que corre em segredo. Essa hipótese me soa absurda mas se for o caso erraria muito feliz.
Apostaria em pretensões políticas. E mal calculadas, pois se Haddad levou na trincheira tucana durante um dos picos de exposição do caso na mídia e o AP470 não envolve Dilma diretamente…
As vezes as explicações são simples e o Quincas é motivado por vaidade pessoal ou mesmo acertos financeiros. Mas repito, gostaria muito de estar redondamente enganado. Quanto a formação do Tea Party no contexto das forças conservadoras yanques concordo inteiramente.

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Aline C. Pavia

19 de novembro de 2013 às 17h45

0,5% de intenção de votos. TRAIDOR. Besouro rola-bosta.

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José X.

19 de novembro de 2013 às 17h37

——————
Hoje, nos bastidores da política, há os que acreditem que Barbosa é realmente um reformista togado, cujo primeiro objetivo foi punir o PT para em seguida fazer o mesmo com o PSDB e finalmente, no inquérito secreto 2474, chegar a um certo banqueiro.
——————
Sem chance, de jeito nenhum que existe gente “nos bastidores da política” (portanto supostamente gente esperta) que de fato acredite nisso aí. Pode até dizer isso de boca pra fora, mas acho que nem uma criança de 5 anos leva isso a sério. Eu acredito que tudo que o Barbosa faz deriva de seu caráter, e de problemas psicológicos graves. Ele não é o único. O Serra é outro com as mesmas características. As coisas que o Serra disse e fez na campanha de 2010 me despertaram fortes desconfianças de que ele sofre de senilidade (acompanhada de outros atributos de caráter, menos dignos). (Para efeito de comparação, acredito que o Gilmar Mendes, por exemplo, não sofre de problemas psicológicos, tudo que ele faz decorre de seu próprio caráter).

Responder

Vinicius Rodrigues

19 de novembro de 2013 às 17h32

Nem imprensa marrom, nem PSTF de Barbosa, nem coxinhas derrubam Dilma.
veja http://www.platodocerrado.blogspot.com.br

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    João Vargas

    19 de novembro de 2013 às 17h55

    Análise clara e objetiva. O STF transformou caixa2 em crime hediondo, inverteu o ônus da prova e transformou regime semi-aberto em fechado. Algumas pérolas deste julgamento.

francisco.latorre

19 de novembro de 2013 às 16h59

jânio durou sete meses na presidência.

collor chegou a dezoito.

serra. não foi eleito.

esse barbosa.. nem emplaca a candidatura.

..

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