VIOMUNDO

Diário da Resistência

Sobre


Denúncias

Urariano Mota: Começam a justificar a tortura, perigo à vista


23/02/2013 - 16h46

por Urariano Mota, em Direto da Redação, dica de Paulo Dantas e Artur Scavone

Recife (PE) – Nesta quinta-feira, Contardo Calligaris na Folha de São Paulo deu à sua coluna o mesmo título desta agora. Diz ele:

“O saco plástico do capitão Nascimento funciona. Os ‘interrogatórios’ brutais do agente Jack Bauer, na série “24 Horas”, funcionam. E, de fato, como lembra ‘A Hora Mais Escura’, de Kathryn Bigelow, que acaba de estrear, o afogamento forçado e repetido de suspeitos detidos em Guantánamo forneceu as informações que permitiram localizar e executar Osama bin Laden.

Nos EUA, na estreia do filme, alguns se indignaram, acusando-o de fazer apologia da tortura. Na verdade, o filme interroga e incomoda porque nos obriga a uma reflexão moral difícil e incerta: a tortura, nos interrogatórios, não é infrutuosa -se quisermos condená-la, teremos que produzir razões diferentes de sua inutilidade”.

Antes de mais nada, vale ressaltar que há muito o cinema norte-americano naturaliza a tortura, a injustiça, a exclusão. Desde Hollywood ele tem sido sentinela avançado do modo capitalista, na propaganda dos valores da formação do homem norte-americano. De passagem, lembro um filme de Ford (sim, do grande Ford) em que John Wayne ouve a seguinte frase do empregado do hotel: “você e o cachorro sobem, mas o índio não”. O que dizer de 007, por exemplo, em sua cruzada contra os comunistas? O que falar dos mexicanos e índios, sempre pintados como bandidos desde a nossa infância? O que dizer da ausência de interioridade nos personagens negros que apareciam em seus filmes, sempre em posição subalterna ou de pianista para o amor do casal romântico?

O fundamental é que no fim do texto Calligaris conclui:

“Uma criança foi sequestrada e está encarcerada em um lugar onde ela tem ar para respirar por um tempo limitado. Você prendeu o sequestrador, o qual não diz onde está a criança sequestrada. Infelizmente, não existe (ainda) soro da verdade que funcione. A tortura poderia levá-lo a falar. Você faz o quê?”.

Esse é um recurso de justificativa da tortura é manjado. Seria algo como:

– Você é capaz de matar uma criança?

– Não, claro que não.

– E se a criança fosse uma terrorista?

– Crianças não são terroristas.

– E se ela estivesse domesticada, com lavagem cerebral, que a tornasse uma terrorista?

– Ainda assim, de modo algum eu a veria como uma terrorista.

– E se essa criança trouxesse o corpo cheio de bombas?

– Eu preferiria morrer a matá-la.

– E se essa criança, com o corpo de bombas, entrasse para explodir uma creche?

– Não sei.

– E se nessa creche estivessem os seus filhos e as pessoas que você ama?

– Neste caso…

E neste caso estariam justificados os fuzilamentos de meninos que atiram pedras em tanques de Israel. E neste caso, num desenvolvimento natural, estaria justificado até o assassinato dos que lutam contra a opressão, porque mais cedo ou mais tarde se tornarão terroristas. E para que não vejam nisto um exagero, citamos as palavras de Kenneth Roth, da Human Rights Watch: `Os defensores da tortura sempre citam o cenário da bomba-relógio. O problema é que tal situação é infinitamente elástica. Você começa aplicando a tortura em um suspeito de terrorismo, e logo estará aplicando-a em um vizinho dele` “.

É monstruoso, é um atestado absoluto do desprezo pela pessoa, que na mídia se discuta hoje não a moralidade da tortura, mas a sua eficiência. Esse deslocamento de humanidade – que sai da moral para descer no mais útil –  é sintomático de que não basta mais ser brutais em segredo, na privacidade, escondido. Não. Há de se proclamar que princípios fundamentais da barbárie sejam fundamentos de cidadania. Assim como os defensores  da ditadura têm a petulância de vir a público dizer que apenas se matavam terroristas, portanto, nada de mais; assim como o cão hidrófobo que leva o nome de Bolsonaro – e nesse particular, ele é da mesma raça e doença dos fascistas em geral – zomba sobre os cadáveres de socialistas, agora nas tevês, no cinema, passam à justificação moral da tortura.

Perigo à vista. Nós, os humanistas, temos adotado até aqui uma atitude passiva, ordeira, o que é um claro suicídio. Esse ar de bons-moços que andam pela violência como Cristo sobre as águas, além de suicídio, porque nos afundaremos todos,  é, antes do desastre,  um recolhimento da ética para os fundos que defecam.

Entendam. Longe está este colunista da valentia e poderosas forças. Mas nós que não sabemos atirar balas ou socos,  temos que agir com as armas que a dura vida nos ensinou: escrevendo. E como temos sido omissos.

Leia também:

Artur Scavone: Para que serve “A hora mais escura”?

Últimas unidades

A mídia descontrolada: Episódios da luta contra o pensamento único
A mídia descontrolada

O livro analisa atuação dos meios de comunicação.

A publicação traz uma coletânea de artigos produzidos por um dos maiores especialistas do Brasil no tema da democratização da comunicação.

Por Laurindo Lalo Leal Filho



27 comentários

Os comentários aqui postados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do VIOMUNDO. Todos as mensagens são moderadas. Não serão aceitos comentários com ofensas, com links externos ao site, e em letras maiúsculas. Em casos de ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência, denuncie. Leia o nosso termo de uso.

Marcio Sotelo: Caligaris não tem direito de distorcer informação sobre tortura « Viomundo – O que você não vê na mídia

13 de março de 2013 às 09h43

[…] Urariano Mota: Começam a justificar a tortura, perigo à vista […]

Responder

Fabio Passos

24 de fevereiro de 2013 às 22h10

A “elite” branca e rica comete as maiores atrocidades contra o ser humano.
A minoria que controla o poder nao respeita os direitos humanos porque se considera superior as massas oprimidas.

Ja passou da hora de uma grande revolta global que ponha fim neste regime ditatorial comandado pelos ianques.
Os ricos sao o crime!

Responder

Vixe

24 de fevereiro de 2013 às 20h11

E pensar que esses tais aí da tal Folha de São Paulo, vivem enchendo meu saco com telefonemas desesperados para que eu assine esse lixo.
Essa Folha, ultimamente não anda prestando nem como mictório de cachorro…

Responder

Mauro Alves da Silva

24 de fevereiro de 2013 às 20h06

Folha de S. Paulo e Cotargo Calligaris: apologia à tortura?
Publicado em fevereiro 24, 2013 por Mauro A. Silva | Editar

Parece que o jornal Folha de S. Paulo tem dificuldades em se posicionar claramente contra a tortura. Já vimos isso no caso da “ditabranda” e no caso do assassinado do menino “João Hélio”.
Agora, a Folha publica o artigo do doutor-psicanalista Contardo Calligaris (“Para que serve a tortura”, Folha de S. Paulo – 21/02-2013), aproveitando o gancho do filme “A hora mais escura” ( ), o doutor-psicanalista conclui que a tortura não funciona para “confissões”, mas “Quanto ao uso da tortura para obter informações sobre cúmplices, paradeiros escondidos, complôs etc., vamos ter que encontrar razões puramente morais para bani-la, pois, constatação desagradável, ela funciona” (sic).
O doutor-psicanalista vai mais além: “O saco plástico do capitão Nascimento funciona. Os “interrogatórios” brutais do agente Jack Bauer, na série “24 Horas”, funcionam. E, de fato, como lembra “A Hora Mais Escura”, de Kathryn Bigelow, que acaba de estrear, o afogamento forçado e repetido de suspeitos detidos em Guantánamo forneceu as informações que permitiram localizar e executar Osama bin Laden” (sic).

O sábio doutor-psicanalista desconhece que a caçada e assassinato de Bin Laden foi precedida da invasão do Iraque e da matança de cerca de 1 milhão de iraquianos? Ele ignora que a “execução e ocultação do cadáver” livrou os EUA de explicar ao mundo as ligações perigosas com o seu antigo parceiro no Afeganistão?
Quer dizer que mentir sobre “armas químicas” como desculpa para invadir e matar mais de 1 milhão de pessoas e milhares de pessoas torturadas servem de “justificativa” para o uso da tortura? E ainda precisamos “encontrar razões puramente morais para bani-la” (sic)?

Para piorar ainda mais, o doutor-psicanalista mistura as bolas: confunde um crime contra a humanidade (a tortura), típico de Estado e agentes públicos, com atos de desespero de um pai ou uma mãe que tenha um filho seqüestrado. Vejam o falso dilema apresentado pelo doutor-psicanalista: “Uma criança foi sequestrada e está encarcerada em um lugar onde ela tem ar para respirar por um tempo limitado. Você prendeu o sequestrador, o qual não diz onde está a criança sequestrada. Infelizmente, não existe (ainda) soro da verdade que funcione. A tortura poderia levá-lo a falar. Você faz o que?” (sic).
Como é que o doutor-psicanalista tem a desfaçatez de usar uma falácia como justificativa para a tortura? Não se pode ter a certeza da culpa sem um julgamento imparcial realizado por um tribunal com juízes te não tenham amizades ou inimizades com o réu e nem com a vítima. Não é rara as vezes em que o sistema judiciário falha vergonhosamente, atribuindo culpas a inocentes.

Já que o ilustre doutor-psicanalista reconhece a eficiência da tortura e não vê nem mesmo justificativas morais para inibi-las, será que ele também acredita ser justificável torturar psicanalistas para que entreguem os segredos de seus pacientes quando as autoridades “souberem” que os pacientes do psicanalista são “culpados”? Será que o doutor-psicanalista acredita na eficiência da tortura contra jornalista para que eles entreguem suas fontes “criminosas”? Será que o doutor-psicanalista acredita na eficiência da tortura para que os advogados entreguem seus clientes “criminosos”? Será que o doutor psicanalista acredita na eficiência da tortura contra os assessores os políticos para que entreguem seus “chefes corruptos”? Será que o doutor psicanalista acredita na eficiência da tortura contra os cidadãos para que se entreguem uns aos outros?

O eminente doutor-psicanalista deveria saber que a maior “eficiência” da tortura é intimidar a população na vã tentativa de impedi-la de se revoltar contra a tirania de seus governantes. Ele mesmo cita o exemplo da “Santa Inquisição” promovida pela Igreja Católica por ordens diretas do Papa, o Bispo de Roma. Aliás, seria interessante o doutor-psicanalista-italiano falar um pouco sobre a eficiência de se torturar os assessores do ex-primeiro ministro Silvio Berlusconi para que esses assessores entregassem as eventuais atividades criminosas deste chefão italiano que tem interferência até mesmo na eleição do Papa…

Nestes tempos de Comissão da Verdade seria interessante revisitar os arquivos de jornais e demais órgãos da imprensa e constatar, nos dias atuais, até que ponto estes órgãos de imprensa estão comprometidos com a Democracia, com o Estado Democrático de Direito e até mesmo com a Convenção contra a Tortura e outros tratamentos
ou penas cruéis, Desumanos ou Degradantes..

São Paulo, 24 de fevereiro de 2013.
Mauro Alves da Silva
Presidente do Grêmio SER Sudeste – Promoção da Cidadania e Defesa do consumidor

http://gremiosudeste.wordpress.com/

Responder

Isidoro Guedes

24 de fevereiro de 2013 às 19h44

O nosso conterrâneo Urariano Mota tem razão, tratar da tortura pelo prisma da “eficiência” policialesca, sem questionar a moralidade de tal ato (bruta, bárbarol e desumano) abre de fato um precedente muito perigoso. Daqui há pouco a tortura estará sendo não apenas justificada, mas sendo plenamente aceita, o que e absolutamente abjeto ou injustificável, porque não podemos aceitar forma nenhuma de violência ou de ato que atente contra a dignidade humana, ainda que

Responder

Urbano

24 de fevereiro de 2013 às 18h23

Defender e/ou justificar tortura só pode sair da mente escabrosa de um crápula.

Responder

Jr.

24 de fevereiro de 2013 às 17h56

Não me surpreendo onde essa matéria saiu. Não é a foia de sp que emprestou carros para o regime?

Responder

Maria Izabel Noronha: Devemos ajudar a proteger Isadora Faber « Viomundo – O que você não vê na mídia

24 de fevereiro de 2013 às 17h31

[…] Urariano Mota: Começam a justificar a tortura, perigo à vista […]

Responder

Mário SF Alves

24 de fevereiro de 2013 às 16h16

‘A Hora Mais Escura’, de Kathryn Bigelow, que acaba de estrear, o afogamento forçado e repetido de suspeitos detidos em Guantánamo forneceu as informações que permitiram localizar e executar Osama bin Laden.”
_____________________________
E não é que o animal acreditou?
_______________________________________
Se acreditou, matou a lógica; se não matou a lógica, tá fazendo lobby pra os carrascos da ditadura.
_______________________________________________
Então, foi assim, os caras encarcerados como animais em Guantanamo, e após decorridos vários anos, ainda tinham informações precisas sobre o tal Bin Laden? Tá.

Responder

Rodrigo

24 de fevereiro de 2013 às 11h52

Um psicanalista ávido por unção midiática (Contardo Calligaris) + Mídia Corporativa (Folha de SP) = Elogio da Tortura…

Psicanalista de quinta e lógico de buteco, Calligaris distingue a tortura em três tipos: a do prazer, a da confissão e a da delação (como se isso não estivesse embaralhado no inconsciente sádico do torturador…) e acena para a “utilidade” social da tortura. Ao fim, como cereja no bolo, nos deixa uma premissa maior ficcional (uma criança sequestrada, um sequestrador, o ar da criança acabando…) que ele não conclui, pois que seu objetivo é nos convidar (pela passionalidade provocada por uma situação limite e ficcional) à sua moral utilitarista.

É um vendido…

Cabe mesmo resgatar Foucault: “se perguntarmos a uma ciência como a física teórica ou a química orgânica quais as suas relações com as estruturas políticas e econômicas da sociedade, não estaremos colocando um problema muito complicado? Não será muito grande a exigência para uma explicação possível? Se, em contrapartida, tomarmos um, saber como a psiquiatria, não será a questão muito mais fácil de ser resolvida porque o perfil epistemológico da psiquiatria é pouco definido, e porque a prática psiquiátrica está ligada a uma série de instituições, de exigências econômicas imediatas e de urgências políticas de regulamentações sociais? No caso de uma ciência tão “duvidosa” como a psiquiatria, não poderíamos apreender de forma mais precisa o entrelaçamento dos efeitos de poder e de saber?” (Michel Foucault, IN: A microfísica do poder)

Responder

Rafael

24 de fevereiro de 2013 às 11h32

A cultura que os EUA divulgam é a cultura da violência, do apelo a imagens de sexo. Divulgam a cultura do mais forte domina o mais fraco. O interessante seria se perguntar por que há terroristas??? Por que os EUA vão lá para o oriente médio, invadem países, por coincidência todos têm muito petróleo?? A mesma cultura que os EUA divulgam de defender seu país seja da maneira que for, utilizando qualquer meio desde tortura até armas químicas, com muita brutalidade, muita violência pode para eles e não pode para um cidadão do oriente médio??
Esses terroristas não estariam fazendo exatamente o que os EUA pregam em defesa de seu país?? Não estariam em defesa de seu país contra o invasor, o usurpador de seus recursos naturais??
Ou tudo que os americanos divulgam vale só para eles?

Responder

Flavio Lima

24 de fevereiro de 2013 às 11h10

Não da pra fingir equilíbrio nesse assunto.
O único equilíbrio é: tortura é crime contra a Humanidade. É barbárie. Tem que ser banido.

Responder

marcosomag

23 de fevereiro de 2013 às 22h46

No mundo dos neoliberais, apenas a elite econômica e dona da propriedade tem direitos. Os não proprietários têm um único direito: aceitar sua condição subalterna em relação aos proprietários. Não existe direito a vida, escola, atendimento médico, integridade física para os não proprietários no mundo neoliberal. Tudo o que os proprietários fizerem para garantir tal “direito a propriedade” é justificável. Não existe qualquer questionamento moral dos neoliberais em relação a quaisquer crimes que venham a praticar para garantir sua condição de proprietários pois existe apenas o “direito a propriedade”. Portanto, o texto ABJETO de Caligaris não foi gratuito. Representa a mentalidade de seus patrões, e talvez, a sua própria, em relação aos dissidentes no mundo neoliberal. Concordo com o Urariano: a reação dos humanistas deve ser a mais dura possível. Antes que seja tarde.

Responder

lia vinhas

23 de fevereiro de 2013 às 22h41

Eu acho que o verdadeiro Gulag aconteceu na cabeça do jandir. este blog não merececertos posts e muito menos certos comentários. é indigenia cultural maior do que o BBB.

Responder

Mr.Rusty

23 de fevereiro de 2013 às 21h27

Segundo a Wikipedia (http://pt.wikipedia.org/wiki/Contardo_Calligaris)este cidadão italiano é psicanalista. Como tal tem que se manter fiel e aderente ao Juramento do Psicanalista (http://www.cobrpsi.org/codigo-de-etica-/juramento-do-psicanalista/)que, dentre tantas outras citações, trago este excerto, que se opõe frontalmente ao que prega este falastrão:
“Jamais permitiremos que os poderes que nos foram conferidos, através do conhecimento do psiquismo humano, sirvam para criar privilégios ou manter o poder de uma minoria, em detrimento da coletividade; e, mesmo assim, faremos o possível para que esta, em seu poder avassalador, não transforme os seres humanos em, apenas, mais uma unidade de sua força. Tudo faremos para que o Homem apareça sob sua verdadeira imagem, protegido pelo inalienável direito de Liberdade. Fraternidade e Amor ao próximo, sentimentos que transformam os seres humanos em constelações de um todo e único Universo.

Ler mais: http://www.cobrpsi.org/codigo-de-etica-/juramento-do-psicanalista/

Responder

alderijo bonache

23 de fevereiro de 2013 às 21h08

Muito elucidativa! Devemos nos manter vigilantes, evitando que um lobo tome conta do rebanho!

Responder

FrancoAtirador

23 de fevereiro de 2013 às 20h26

.
.
Para todo aquele que está sujeito à LEGISLAÇÃO BRASILEIRA,

deve-se, primeiro, obedecer à CONSTITUIÇÃO DO BRASIL:

Constituição Federal – CF – 1988
Título II
Dos Direitos e Garantias Fundamentais
Capítulo I
Dos Direitos e Deveres Individuais e Coletivos

Art. 5º…
III – ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante;
(…)
XLIII – a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a prática da tortura, o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o terrorismo e os definidos como crimes hediondos, por eles respondendo os mandantes, os executores e os que, podendo evitá-los, se omitirem;

(http://www.dji.com.br/constituicao_federal/cf005.htm)

Se, no caso específico, houver descumprimento
da CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL,
aplica-se a LEI FEDERAL 9.455/97:

LEI Nº 9.455, DE 7 DE ABRIL DE 1997 (D.O.U. 08/04/1997)

Art. 1º Constitui crime de tortura:

I – constranger alguém com emprego de violência ou grave ameaça, causando-lhe sofrimento físico ou mental:

a) com o fim de obter informação, declaração ou confissão da vítima ou de terceira pessoa;

b) para provocar ação ou omissão de natureza criminosa;

c) em razão de discriminação racial ou religiosa;

II – submeter alguém, sob sua guarda, poder ou autoridade, com emprego de violência ou grave ameaça, a intenso sofrimento físico ou mental, como forma de aplicar castigo pessoal ou medida de caráter preventivo.

Pena – reclusão, de dois a oito anos.

§ 1º Na mesma pena incorre quem submete pessoa presa ou sujeita a medida de segurança a sofrimento físico ou mental, por intermédio da prática de ato não previsto em lei ou não resultante de medida legal.

§ 2º Aquele que se omite em face dessas condutas, quando tinha o dever de evitá-las ou apurá-las, incorre na pena de detenção de um a quatro anos.

§ 3º Se resulta lesão corporal de natureza grave ou gravíssima, a pena é de reclusão de quatro a dez anos; se resulta morte, a reclusão é de oito a dezesseis anos.

§ 4º Aumenta-se a pena de um sexto até um terço:

I – se o crime é cometido por agente público;

II – se o crime é cometido contra criança, gestante, portador de deficiência, adolescente ou maior de 60 (sessenta) anos;

III – se o crime é cometido mediante seqüestro.

§ 5º A condenação acarretará a perda do cargo, função ou emprego público e a interdição para seu exercício pelo dobro do prazo da pena aplicada.

§ 6º O crime de tortura é inafiançável e insuscetível de graça ou anistia.

§ 7º O condenado por crime previsto nesta Lei, salvo a hipótese do § 2º, iniciará o cumprimento da pena em regime fechado.

Art. 2º O disposto nesta Lei aplica-se ainda quando o crime não tenha sido cometido em território nacional, sendo a vítima brasileira ou encontrando-se o agente em local sob jurisdição brasileira.

(http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9455.htm)

Ao que se sabe, os dispositivos constitucionais e infraconstitucionais, acima citados, ainda estão em vigor no BRASIL.

A não ser que, sem que os BRASILEIROS soubessem, um filme produzido em Hollywood, Los Ângeles/Califórnia,

sob o patrocínio do Departamento de Estado dos United States of America,

tenha revogado a CONSTITUIÇÃO FEDERAL e toda a LEGISLAÇÃO INFRACONSTITUCIONAL BRASILEIRA.
.
.
Post Scriptum

Em relação especificamente ao caso hipotético de sequestro,

provavelmente extraído da série policial de TV norte-americana CÍ ÉSSI ÁI MÁIÂMI (ou será que foi “LAW & ORDER” NEW YORK?)

que originou a pergunta simplista, postada na Folha de S. Paulo,
formulada pelo psicanalista ITALIANO radicado no Brasil Contardo Calligaris
(que por sinal é atualmente casado com a atriz Monica Torres da ‘Rede… Globo’),

alguns questionamentos, partindo igualmente de mesmos pressupostos ficcionais:

1) Por que o sequestrador foi preso sem que, antes, a criança sequestrada fosse libertada e estivesse com a segurança física garantida ?

2) Por que o pai ou a mãe da criança não pagaram o resgate?

3) Será que, para esses pais, os bens materiais valem mais do que a vida [email protected] pró[email protected] [email protected]?

4) O objetivo da Polícia era, prioritariamente, prender o sequestrador,
para, depois, de acordo com as circunstâncias imprevistas, pôr a criança seqüestrada em liberdade?

Por fim, tomando emprestado uma ‘Provocação’ do Abujamra, pergunto a esses pais avaros, policiais torturadores, sequestradores psicopatas e psicanalistas néscios:

5) O que é a Vida ?
.
.
Sobre celebridades da ‘Rede Global’, leia fofocas da Contigo/Abril:
(http://contigo.abril.com.br/noticias/marcello-antony-vai-se-casar-em-maio)
(http://fofocasecelebridades.blogspot.com.br/2011/09/atriz-brasileira-leticia-spiller-se.html)

Sobre psicanalistas otavinhos mercenários, leia “Sexo, Grana e Comida”:
(https://sites.google.com/site/sexogranaecomida/outros/contardo-calligaris)

Sobre uma certa ‘Rede Internacional’, leia em:
(http://www.wwf.org.br/informacoes/noticias_meio_ambiente_e_natureza/?29708/Comite-Rio-em-Defesa-das-Florestas-lota-teatro-Tom-Jobim-no-Jardim-Botanico)

Saiba também quem é o ‘Vice-Presidente de Marketing e Arrecadação’ da ‘Rede Apátrida’:
(http://www.wwf.org.br/wwf_brasil/equipe)
.
.

Responder

renato

23 de fevereiro de 2013 às 20h16

Nunca fui torturado.
Não sei o que é isto.
Mas já fui colocado na parede.
E revidei.
Penso no que levou pessoas a serem mortas
no Holocausto, sem reagir, que sentimento
os animou, será a Esperança, de que algo ia mudar.
Não sei?
O mesmo sentimento de quem é sequestrado,
a esperança de ser libertado? Não sei?
Mas quando você é torturado, não sei qual é o
sentimento.Não consigo imaginar, porque os torturadores
já ultrapassaram os limites da mentira, do engodo, e não
há mais esperança… Que sentimento anima um torturado!

Responder

Julio Silveira

23 de fevereiro de 2013 às 19h48

E o Brasil, país formado de muitos “marias vai com as outras” não demora para estar defendendo essa tese. Aliás o que foi politicamente incorreto só foi por que os States diziam que era, não por uma verdadeira convicção nesta patria, de que foi errada a pratica da tortura. O Brasil nunca fez um resgate cultural contra seu passado de tortura. Os defensores da Ditabranda só estão a espera de que os States saiam definitivamente da sua outrora, hipocrita, retórica posição de vendedores da liberdade e da democracia, como que esperando uma autorização, para sairem em passeata na defesa da tortura e da morte de seus adversários em qualquer tempo.
Infelizmente entra governo sai governo no periodo democratico mas nenhum deles são capazes, ou não querem, preparar a cidadania para evitar retrocessos, pelo contrário parece que isso faz parte do jogo.

Responder

jandir

23 de fevereiro de 2013 às 19h27

sabe que eu acho hilário acho hilário a visão parcial dos fatos parcial da historia em todos os aspectos dessa postagem então vamos aos fatos vamos por um pouco de transparencia aqui desde que o mundo é mundo existe a tortura não é algo inventado pela direita nem pelo imperialismo nem pelo bolsonaro bom não sei se os intelectuais esquerdistas ou pseudo-esquerdistas conhecem o livro O Arquipélago Gulag escrito por Alexandre Soljenítsin nesse livro vemos todos os tipos de torturas que os sovieticos usaram antes durante e depois da II guerra em Cuba aquele porco desgraçado do Che guevara torturava e matava os dissidentes pessoalmente assim como na China nos “gloriosos” tempos de Mao está até em sua biografia usou e abusou de torturas também isso sem falar nos ditadores fascistas da coreia do norte o pol pot entre outros claro que essas influentes “pessoas” não estão caracterizados aqui pois muitos de voces os idolatram pois seguiram o perigoso e desgraçado caminho do comunismo mas voltemos ao Brasil onde o bandido tem resguardado todos os direitos humanos e o cidadão de bem não os tem onde uma guerrilheira como dilma que assaltava bancos roubava quartéis assim como os seus “amigos” carlos minc josé dirceu genoino fora seu ex marido e o atual fora que na guerrilha do araguaia também torturaram mataram ou seja mas isso a comissão da verdade não vai apurar e nunca vai ser dito aqui pois os esquerdistas jamais aceitam criticas como no filme (sim eu não concordo com o uso da tortura mas não era um inocente favelado que estava sendo torturado)
já o caso de israel eu queria deixar bem claro que o hammas treina crianças desde 1984 e que a ONU delimitou o maior espaço para a palestina mas desde que israel ficou independente os palestinos os egipcios sempre foram contra ao estado judeu quem começou a guerra de yon kipur? antes que alguém diga que foi covardia queria lembra-los que os EUA não mandaram um soldado sequer pra lá o apoio foi só com armas caças e afins
e mesmo assim israel derrotou 3 paises
o texto tá ficando longo eu sei mas acho que agora eu consegui equilibrar o post pois agora sim está imparcial

Responder

    rodrigo

    23 de fevereiro de 2013 às 23h31

    Suuuuper equilibrado Jandir! E claro também, claríssimo…

    Só não entendi muito bem se teu estilo literário vem da deliberada falta de pontuação do Saramago como motivo de aproximar ainda mais ao leitor as idéias contidas no texto?

    Emilio

    24 de fevereiro de 2013 às 11h47

    Caro Jandir,
    Informe-se mais sobre a criação do estado sionista de Israel. Informe-se sobre Moshe Dayan (quantos atentados contra interesses britânicos ele efetuou), sobre o assassinato de enviado da ONU ainda antes da decretação do território, e então venha falar de Israel/Palestina.

    Emilio

    24 de fevereiro de 2013 às 11h57

    Para complementar.

    No final da Primeira Guerra, árabes e judeus foram frustrados pela Grã-Bretanha, que assumiu o controle da Palestina. Os judeus, contudo, continuaram a emigrar para Jerusalém, onde os atritos com os palestinos se tornaram freqüentes. Por essa época, surgiram duas organizações sionistas armadas: a Haganah, um verdadeiro exército clandestino, e a lrgun Zvai Leumi, grupo terrorista de direita liderado por Menahem Begin.

Marat

23 de fevereiro de 2013 às 19h22

Na verdade, a sociedade atual, moneyteísta e completamente dominada pelo jeito estadunidense de ser (estúpido, burro, maniqueísta, cabotino, prepotente arrogante etc.) caminha para sua destruição. Se eles apregoam matar àqueles quem eles bem entendem, então… matá-los também seria legítimo… Não podemos nos esquecer daquela construção manjada: “se tivessem matado Hitler antes de ele ter todo aquele poder…”, bem, se seguirmos essa lógica, os Estados Unidos, então, têm de ser destruídos, para o bem da humanidade!

Responder

anac

23 de fevereiro de 2013 às 19h04

Quero ver os simpatizantes na condição de torturado.
Métodos utilizados na ditadura militar:
Cadeira do dragão

Nessa espécie de cadeira elétrica, os presos sentavam pelados numa cadeira revestida de zinco ligada a terminais elétricos. Quando o aparelho era ligado na eletricidade, o zinco transmitia choques a todo o corpo. Muitas vezes, os torturadores enfiavam na cabeça da vítima um balde de metal, onde também eram aplicados choques

Pau-de-arara

É uma das mais antigas formas de tortura usadas no Brasil – já existia nos tempos da escravidão. Com uma barra de ferro atravessada entre os punhos e os joelhos, o preso ficava pelado, amarrado e pendurado a cerca de 20 centímetros do chão. Nessa posição que causa dores atrozes no corpo, o preso sofria com choques, pancadas e queimaduras com cigarros

Choques elétricos

As máquinas usadas nessa tortura eram chamadas de “pimentinha” ou “maricota”. Elas geravam choques que aumentavam quando a manivela era girada rapidamente pelo torturador. A descarga elétrica causava queimaduras e convulsões – muitas vezes, seu efeito fazia o preso morder violentamente a própria língua

Espancamentos

Vários tipos de agressões físicas eram combinados às outras formas de tortura. Um dos mais cruéis era o popular “telefone”. Com as duas mãos em forma de concha, o torturador dava tapas ao mesmo tempo contra os dois ouvidos do preso. A técnica era tão brutal que podia romper os tímpanos do acusado e provocar surdez permanente

Soro da verdade

O tal soro é o pentotal sódico, uma droga injetável que provoca na vítima um estado de sonolência e reduz as barreiras inibitórias. Sob seu efeito, a pessoa poderia falar coisas que normalmente não contaria – daí o nome “soro da verdade” e seu uso na busca de informações dos presos. Mas seu efeito é pouco confiável e a droga pode até matar

Afogamentos

Os torturadores fechavam as narinas do preso e colocavam uma mangueira ou um tubo de borracha dentro da boca do acusado para obrigá-lo a engolir água. Outro método era mergulhar a cabeça do torturado num balde, tanque ou tambor cheio de água, forçando sua nuca para baixo até o limite do afogamento

Geladeira

Os presos ficavam pelados numa cela baixa e pequena, que os impedia de ficar de pé. Depois, os torturadores alternavam um sistema de refrigeração superfrio e um sistema de aquecimento que produzia calor insuportável, enquanto alto-falantes emitiam sons irritantes. Os presos ficavam na “geladeira” por vários dias, sem água ou comida

Quem se habilita?
Aí é que porca torce o rabo.

Responder

    marcosomag

    23 de fevereiro de 2013 às 22h53

    Quanto aos choques elétricos, não se esqueça que também existia a “pianola Boilesen”.

Artur Scavone: Para que serve “A hora mais escura”? « Viomundo – O que você não vê na mídia

23 de fevereiro de 2013 às 18h03

[…] Urariano Mota: Começam a justificar a tortura, perigo à vista […]

Responder

Deixe uma resposta

Apoie o VIOMUNDO - Crowdfunding
Loja
Compre aqui
A mídia descontrolada

O livro analisa atuação dos meios de comunicação e traz uma coletânea de artigos produzidos por um dos maiores especialistas do Brasil no tema da democratização da comunicação.