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Cartas de Minas
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Turma Marielle Franco, do Instituto Rio Branco, expõe o rosto do golpe: homens, ricos e brancos

22 de abril de 2018 às 12h49

Formatura de diplomatas celebra Marielle. E constrange o governo e o golpe

Na presença de Temer e Aloysio Nunes, e em tempos de crimes e prisões políticas, orador cita Luther King e manifesta indignação de todas as forças políticas amantes da democracia

por Paulo de Souza, da RBA

São Paulo – A formatura da turma 2016-2018 de diplomatas do Instituto Rio Branco, celebrada nesta sexta-feira (20), Dia do Diplomata, prestou contundente homenagem a Marielle Franco.

A turma foi batizada com o nome da vereadora do Psol do Rio de Janeiro, executada a tiros em 14 de março, junto com o motorista Anderson Gomes, que a acompanhava.

A lembrança de um crime político contra uma liderança feminista negra, que comoveu o mundo e ainda não foi esclarecido pelas autoridades, constrangeu alguns presentes “ilustres” à cerimômia realizada no Palácio do Itamaraty, sede do Ministério das Relações Exteriores: o presidente Michel Temer, responsável por uma intervenção militar tido como desastrosa no Rio de Janeiro, e o ministro titular da pasta, Aloysio Nunes Ferreira.

O orador da turma, Meinardo Cabral de Vasconcelos Neto, conseguiu discreta e indiretamente provocar constrangimento, ao citar em seu discurso de sete minutos o líder da luta pelos direitos civis nos Estados Unidos, Marthin Luther King, na abertura de sua intervenção.

“É sempre o tempo certo de fazer o que é certo. Essas foram palavras de Martin Luther King, preso, em Birmingham, Alabama, após organizar passeatas de resistência contra a discriminação racial. A turma Marielle Franco – e Marielle lutou também contra variadas formas de segregação – escolheu prestar esta homenagem porque entendeu que era certo. E havia de ser também o tempo certo. Nós tivemos de escolher prestá-la, é verdade, quando quase nada estava esclarecido – e muito resta, infelizmente, por esclarecer”, declarou Vasconcelos Neto.

“Com a convicção de que o tempo, por si, não curará nossos males nem nos conduzirá inevitavelmente à justiça, escolhemos não nos omitir”, acrescentou, assinalando que a indignação com morte de Marielle deve inspirar a carreira diplomática a atuar, como ela, “como instrumentos da luta por uma sociedade mais justa e igualitária”.

O momento em que a liderança política mais popular do país, e uma das mais importantes do mundo, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se encontra também na condição de preso político, pode representar o segundo constrangimento da festa.

“Na mesma ocasião (em que foi preso), Martin Luther King nos lembrava: uma injustiça em qualquer lugar é uma ameaça à justiça em todos os lugares. Não é por outro motivo que se unem hoje, com a mesma indignação, Senhor Presidente, todas as forças políticas amantes da democracia, pois todas elas manifestaram ao mesmo tempo consternação e solidariedade. Aqui estamos para expressar nosso repúdio a toda forma de violência e para reforçar nossa crença nas instituições democráticas”, acentuou o diplomata.

Desigualdade

A embaixadora Thereza Maria Machado Quintella, paraninfa da turma e primeira mulher formada pelo Instituto Rio Branco a se tornar embaixadora no Brasil, elogiou a escolha da turma.

Eleitora de Marielle, Thereza lembrou sua luta para a equidade de gênero e criticou o governo pela pequena presença feminina no corpo diplomático e nos principais postos do Ministério das Relações Exteriores de Temer – nenhum dos 12 cargos mais importantes do ministério é ocupado por mulher – como destacou o blog Socialista Morena.

“O que mais preocupa atualmente é a ausência de mulheres na estrutura de comando do Itamaraty. Só espero que isso seja conjuntural, e não sinal de retrocesso”, criticou Thereza Quintella.

A turma que se formou nesta sexta tem 30 diplomatas, dos quais nove são mulheres, como observa o blog:

Num país que tem Michel Temer e Aloysio Nunes Ferreira entre os articuladores do golpe de 2016, a formatura de uma nova safra de diplomatas acabou proporcionando uma alentador ato de desagravo à sua tão agredida democracia. Afinal, o golpe teve como primeira etapa requintes de misoginia, ao oprimir e destituir por força de uma manobra jurídico, midiática e parlamentar a primeira presidenta eleita da República. E em sua etapa presente, emprega sua estrutura judiciária encarcerando o presidente que a antecedeu, o de maior taxa de popularidade da história da República e potencial futuro presidente se puder disputar a eleição de outubro. Tirar a vida de Marielle e a liberdade de Lula se encaixam cruelmente na condição dessas injustiças “que ameaçam a justiça em todos os lugares”.

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Lukas

23/04/2018 - 12h55

Francisco Martins, entre as formandas TODAS são mulheres;

Alex, consciência social só tem quem concorda com a esquerda. Kátia Abreu e Gilmar Mendes de repente adquiriram;

Paulo, nada disto conta se você não se ajoelhar diante de Lula ou o PT, me desculpe.

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Julio Silveira

23/04/2018 - 09h38

Deve ser dificil para homens brancos, ricos e com consciencia civica, de que só com a inclusão social que produza dinamismo economico ampliado poderemos criar uma nação. E com uma cidadania que se orgulhe de fazer parte dela. Mas infelizmente, para esses, o centro do poder vem historicamente e culturalmente caindo nas mãos dos piores exemplos de homens brancos e ricos, os cleptocraticos, indutores culturais, os que construiram suas historias e fortunas usando de meios reprovaveis, com vazos comunicantes. Oligarquicos, que criam um estado continuo de sub cultura, discricionaria, de excessões, e no fim todos com semelhança no perfil acabam no mesmo balaio de gatos.

Responder

FrancoAtirador

23/04/2018 - 00h49

A Constrangedora Direita Burra e Fascista
https://pbs.twimg.com/media/DbTMYUMWAAUflMe.jpg

Responder

Lukas

22/04/2018 - 13h47

A depender da situação, lembrariam que os formandos também são brancos, homens e ricos.

Responder

    francisco martins

    22/04/2018 - 14h31

    há nove mulheres entre as formandas

    AlexRio

    22/04/2018 - 17h30

    Que, ao que parece, tem uma consciência social muito maior que os homens brancos e ricos acima.
    Nem todo homem branco rico é um canalha.

    Paulo Werneck

    22/04/2018 - 18h41

    Eu sou homem, branco e, considerando a indigência da população, rico. Isso não é crime, se eu me comportar como cidadão democrata e republicano, avesso à segregação. Aristocratas apoiaram a revolução francesa contra os privilégios da aristocracia. Eu luto contra os privilégios ilegais e injustos da casa grande, da casta (jamais elite) dominante, opressora e impatriótica deste país sofrido.

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