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Rosane Bertotti: O protesto no Pinheirinho


30/01/2012 - 21h48

Ato no Pinheirinho abrirá agenda de lutas após o FST 2012

Assembleia dos Movimentos Sociais, que reuniu 1,5 mil pessoas na Usina do Gasômetro, sábado, em Porto Alegre, aprovou realização de um ato público no terreno desocupado do Pinheirinho, em São José dos Campos (SP), no dia 2 de fevereiro às 9 horas. “Vamos fazer um grande ato na próxima quinta-feira (2) em repúdio a esse governo fascista de Geraldo Alckmin, que não respeita a democracia nem os movimentos sociais”, disse Rosane Bertotti, representante da CUT e coordenadora da assembleia.

Maurício Thuswohl, na Carta Maior

Porto Alegre – Uma das características mais marcantes do Fórum Social Temático 2012, encerrado domingo (29) em Porto Alegre, foi a disposição demonstrada por diversos setores dos movimentos sociais brasileiros para revitalizar suas mobilizações de rua e assumir nos próximos meses uma agenda de lutas que já começa logo após o Fórum. Maior exemplo dessa disposição foi a aprovação, feita durante a Assembleia dos Movimentos Sociais que reuniu 1,5 mil pessoas na Usina do Gasômetro, de um ato no terreno desocupado do Pinheirinho, em São José dos Campos (SP), para o dia 2 de fevereiro às 9 horas.

O objetivo dos movimentos é tornar a resistência em Pinheirinho um símbolo da retomada da ascensão das lutas sociais no país: “O governo fascista de Geraldo Alckmin massacrou os trabalhadores, massacrou aquela ocupação. Estão há 20 anos no Governo de São Paulo e continuam não dando o direito ao diálogo e ao processo social para aqueles que se organizam para ter direito à moradia. Vamos fazer um grande ato na próxima quinta-feira (2) em repúdio a esse governo que não respeita a democracia nem os movimentos sociais”, disse Rosane Bertotti, representante da CUT e coordenadora da assembleia.

A desocupação do Pinheirinho, assim como a da Cracolândia, no centro da capital de São Paulo, também foi citada por Luiz Gonzaga da Silva, o Gegê, vice-presidente da Central de Movimentos Populares: “A luta nos centros urbanos cresce em todo o país, haja vista à cidade e ao estado de São Paulo, que a direita escolheu como palco de seu enfrentamento aos movimentos sociais”, disse o líder comunitário, que sugeriu a inclusão de um tópico específico sobre a luta urbana na carta dos movimentos sociais aprovada durante a assembleia.

Presidente da Confederação Nacional das Associações de Moradores (Conam), Bartiria Lima Costa também defendeu “a inclusão da crise urbana como parte da crise capitalista” no documento final dos movimentos sociais no FST 2012: “Aquilo que aconteceu no Pinheirinho é uma barbárie que não pode mais acontecer neste país que tem leis para resolver problemas como esse. O problema são os governantes antidemocráticos”, disse.

Já as entidades do movimento socioambientalista presentes ao FST 2012 programaram para o dia 6 de fevereiro a unificação de diversas manifestações nos estados em uma jornada nacional de lutas em defesa do Código Florestal: “Temos de garantir grandes mobilizações nos estados. Vamos para a frente das Assembleias Legislativas fazer um barulho para ser ouvido em Brasília”, disse Mário Mantovani, que é coordenador da organização SOS Mata Atlântica.

A maioria das organizações ambientalistas aprovou uma agenda de lutas para o primeiro semestre de 2012, até a realização da Conferência da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, que acontecerá em junho.

O Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais pelo Meio Ambiente (FBOMS), aliado às diversas redes regionais, pretende fazer uma intensa mobilização de suas bases: “O objetivo é fazermos o máximo de encontros possíveis, em todos os estados e todos os biomas brasileiros, até o final de março ou princípio de abril. Assim, chegaremos com um alto grau de mobilização à Rio+20”, diz Rubens Born, que faz parte da coordenação do FBOMS.

Estudantes e mulheres
Os estudantes também fecharam durante o FST 2012 uma ampla agenda de lutas para o primeiro semestre. Secretário-executivo da Organização Continental Latino-Americana e Caribenha de Estudantes (OCLAE), Mateus Fiorentini propôs a convocação para os próximos dois meses, em data a ser ainda precisada, de um dia continental de lutas em defesa da educação pública e contra a criminalização dos movimentos sociais: “Temos condições de fazer uma jornada de luta em toda a América Latina, do México à Patagônia”, prometeu.

Representante da Marcha Mundial das Mulheres, organização que também adotou uma agenda de lutas até a Rio+20, Tica Moreno reafirmou os eixos que irão orientar as mobilizações dos movimentos sociais no primeiro semestre: “Nossa articulação se dará em torno de eixos como a luta contra as transnacionais, a luta pela justiça climática e pela soberania alimentar, a luta para banir a violência contra as mulheres, a luta pela paz e contra a guerra, o militarismo e a ocupação dos nossos territórios. Vamos identificar quais os pontos que nos unem e o que podemos fazer em termos de ação concreta e mobilização real e massiva em todo o mundo”, disse.

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20 comentários

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Bley

31 de janeiro de 2012 às 19h55

Nestes tempos obtusos de novo milênio em que a Direita se assanha mundo afora (Tea Party como paradigma a ser globalizado), os povos de todo o mundo devem passar a compreender que as ruas e praças são espaços tão nossos quanto o quarto, a cozinha e o banheiro de nossa própria casa. Não pode governo algum instituir o divórcio entre o povo e as Ruas! Nesse sentido, vamos protestar contra essa facção criminosa que é o nazipigdemotucanismo.

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jorge mendes

31 de janeiro de 2012 às 14h53

Abaixo-assinado Plebiscito pelo Impeachment do Governador Geraldo Alckmin http://www.peticaopublica.com.br/PeticaoVer.aspx?…

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Leider_Lincoln

31 de janeiro de 2012 às 11h55 Responder

Jose Antonio Batata

31 de janeiro de 2012 às 08h33

A militância falsa que o PSDB utilizou na campanha de 2010 voltou para a INTERNET. Eles recebem dinheiro para defender o PSDB e o MASSACRE de Pinheirinho. Ganham rios de dinheiro a custa da desgraça de 2.000 famílias em PINHEIRINHO.

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Gerson Carneiro

31 de janeiro de 2012 às 07h49

Geraldo Alckmin não sai mais à rua.

"Alckmin institui 'gabinete antiprotesto' em SP

O Palácio dos Bandeirantes passou a monitorar manifestações organizadas nas redes sociais para evitar que o governador Geraldo Alckmin (PSDB) seja alvo de protestos em agendas públicas, informa reportagem de Daniela Lima, publicada na Folha desta terça-feira.

Nos últimos seis dias, Alckmin não foi a dois eventos em que sua participação estava prevista. Ambos foram marcados por atos contra o governo, detectados antes pelas cúpulas da Casa Civil e da Comunicação do Palácio."
http://www1.folha.uol.com.br/poder/1041582-alckmi…

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    Horridus Bendegó

    31 de janeiro de 2012 às 10h59

    Alckmin Heydrich pendurou o Pinheirinho em seu pescoço.

    Fabio_Passos

    31 de janeiro de 2012 às 13h15

    O fascistinha deveria aproveitar as manifestações contrárias para dar a tal "aula de democracia"…

    Por que será que o governador alckmin se acovardou?
    Não sabe "ensinar democracia" sem a polícia reprimindo, atirando e torturando indiscriminadamente?

Marcio H Silva

31 de janeiro de 2012 às 02h20

Aluguel social.
Um detalhe que percebi foi a rapidez da draga. Destruíram as casas com quase tudo dentro. Pelo menos foi o que vi em vários filmes na net. O cara recebe o aluguel social, arruma uma casa e mora nela vazia? E o ressarcimento dos bens móveis destas famílias? quem vai pagar?
Nunca vi tanta rapidez e eficiencia contra uma comunidade c omo esta vista no Pinheirinho. Não foi só desapropriação para entregar o bem imóvel ao dono bandido não. Tem algo mais forte por trás, tem que ter, é insano pensar que foi só por causa da raiva aos pobres. Tem a provocação ao governo central por trás desta atitude. Estão querendo provocar a Dilma para ter argumentos para 2014. Estão áridos de ideias, de programa de partido e de lideranças, só pode ser isto.

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Abdula Aziz

31 de janeiro de 2012 às 00h46

Tá mais do que na hora de se apresentar um candidato fodão que não seja dessas porcarias de partidos politicos que estão por ai e não fazem p… nenhuma pelo Brasil e pelo povo, e sem medo de apresentar projetos sérios como para começo de conversa acabar com essa polícia militar. Essa polícia é um retrocesso para um país que quer ser visto como primeiro mundo. Nunca seremos com essa desgraça que ai está. Desmilitarizar esse tumor maligno. Rita Lee tava certa. São uns bando de fdp.

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    Moacir Moreira

    31 de janeiro de 2012 às 09h33

    Quem seria esse candidato imbatível?

    El Gordo

    31 de janeiro de 2012 às 11h14

    Seria… WASHINGTON OLIVETTO.

    Desculpa, não consegui evitar.

    Mas não há ninguém que se salve na política paulista, que se acha em um mundo à parte.

    C, Roberto

    01 de fevereiro de 2012 às 13h19

    Não é o Partido que faz o político, sim o político que faz o Partido. Em todos os partidos tem gente boa e ruim, só que na hora da escolha do candidato indicam sempre o ruim; o eleitor sem opção vota neles, e o resultado é o que está aí!!

Creuza Maciel

30 de janeiro de 2012 às 23h37

Falta de endereço dificulta rematrícula de crianças do Pinheirinho – E agora?????

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    Moacir Moreira

    31 de janeiro de 2012 às 09h34

    Agora manda a molecada embora de São Paulo.

Eduardo Suplicy | PIG

30 de janeiro de 2012 às 22h29

[…] https://www.viomundo.com.br/denuncias/rosane-bertotti-o-protesto-no-pinheirinho.html […]

Responder

professor3f

30 de janeiro de 2012 às 22h27

PAULO MALDOS (Secretário Nacional de Articulação Social) durante audiência pública sobre a desocupação violenta do Pinheirinho.

Boa noite.
Eu queria esclarecer que a minha presença naquela manha se deu devido a um acordo da presidência da república porque entendemos que haveria um tempo de 15 dias de estudar uma solução.

Como havia este tempo, a partir daquele final de semana iríamos trabalhar já a partir daquele momento. Trabalhavamos junto ao Prefeito, ao governador. Eu fiquei incubido de falar com a comunidade. Procurar as alternativas. Construir casas. Procurar terrenos. Solucionar. Eu vim numa missão de escuta. Tinha marcado nove da manha ainda por celular soube que havia um cerco na comunidade.

Não quis acreditar por conta do pacto. Eu não entendi como poderia estar cercado militarmente aquela comunidade. Eu cheguei e me deparei com uma situação bastante crítica. Um cerco militar com escudos escrito CHOQUE.

Eu quis acessar o comando. Me dirigi até o grupo de soldados, quando cheguei até uns oito metros. E fui advertido que parasse e vi armas em minha direçã. Dei a volta e fiquei a uns vinte metros de distâncias. E conversando com a população, de repente sem mais nem menos, eu senti um ferimento, eu recebi uma bala na perna esquerda. Procurei me esconder. Esta tropa veio atacando a população. Eu fiquei por nove horas no bairro. Sofremos ondas de ataque. Haviam cercado o Pinheirinho. Pude perceber ataques cada vez mais prolongados. Jogando bombas. Notícias de senhoras sendo espancadas.

Por volta de onze da manha, tentei acessar o comando da operação. Voltei fiquei falando com os jornalistas. Fomos chamados por um grupo de oficiais. Eu tentei ir junto, mas fui barrado. Apresentei meu cartão da Presidência da República. Com Brasão. Secretaria Nacional. Ele leu e falou que eu não entrava. Ele falou você :

– VOCÊ VOLTA E MANDA SUA PRESIDENTA FALAR COMIGO (murmurros).

A transcrição dos depoimentos você ler em http://partidodaimprensagolpista.wordpress.com/

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Henrique

30 de janeiro de 2012 às 22h04

Movimentos sociais, tv, rádios, entrevistas, vídeos, a juíza com "pompa no meio da destruição" fazendo a reintegração de posse, doentes sem lares, idosos sem suas casas, R$500,00 para aluguel,…, além de um aparato bélico chinfrim contra pesoas indefesas.
Mas, tinha algum religioso, aqueles que pregam o "AMOR AO PRÓXIMO", que sempre estão na missa como o gov/SP/alckmin, oferecendo ajuda aos pobres?
Onde estavam os "padres" gobais, os padres de passeata, os bispos panfletários,…, e outros midiáticos?
Em nome de Cristo, ajudai os necessitados, onde eles estavam?

Responder

    Yarus

    31 de janeiro de 2012 às 08h17

    Boa pergunta. Por onde andará o bispo de Guarulhos e assemelhados?

Fabio_Passos

30 de janeiro de 2012 às 21h56

Ótima iniciativa.

Não dá mais pra ficar esperando que os partidos políticos representem os interesses das populações vítimas da covarde violência institucionalizada praticada pela "elite" branca e rica.

É preciso construir alternativas para protestar e demonstrar solidariedade com aqueles que são ferrados por este sistema injusto e corrupto.

Os ricos são o crime.
Poder para o povo pobre!

Responder

    Denise

    30 de janeiro de 2012 às 23h19

    O que vamos fazer pelo Gabriel?


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