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Requião detona mídia, governo Dilma e o coro sinistro dos tucanos
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Requião detona mídia, governo Dilma e o coro sinistro dos tucanos


25/03/2013 - 22h55

Requião dá nome aos bois, detona mídia, governo Dilma e o coro sinistro de tucanos que pregam recessão e desemprego

Leia também:

Eduardo Campos é o Collor de 2014

Íntegra:

Senhoras e senhores senadores, venho hoje a esta tribuna para fazer uma confissão: eu confesso que tenho medo de fantasmas. Esse pavor acentuou-se em minha recente viagem à Polônia e à Suécia. Longe do Brasil, sob o frio europeu, com temperaturas nunca acima do zero, frequentando ambientes já antigos antes que Cabral aqui aportasse, elevou-se-me o terror às almas penadas.

A cada notícia do Brasil, especialmente as notícias sobre a economia nacional, sobressaltava-me com o desfile dos espectros que emergiam da tela do computador, da tela da televisão, da tela do celular, das páginas dos jornais, dos boletins e releases dos bancos, corretoras e empresas de consultoria, que a nossa gloriosa mídia usa como fonte primária.

Como no filme “Poltergeist”, um dos clássicos do cinema de terror dos anos 80, as assombrações surgiam, reproduziam-se, envolviam-me. Mesmo que fantasmagóricas, ilusivas, era possível reconhecer as aparições.

E lá vinham os avejões dos irmãos Mendonça de Barros, o Luiz Carlos e o José Roberto. O primeiro, nada amistoso para a circunstância de desencarnado, interpelava a presidente Dilma, acusando-a de impor “condições inaceitáveis” às concessionárias privadas. Nos limites da irresponsabilidade, reivindicava “condições de mercado” para as privatizações petistas, semelhantes às da entrega da telefonia, da Vale, das ferrovias e comezainas da espécie, como diriam os portugueses .

Ainda dando de dedo na presidente, vi esfumar-se o Mendonção, e dá-se o aparecimento de José Roberto. Suas apóstrofes dirigem-se ao “modelo do setor elétrico” do atual governo.

As reprimendas foram tão incisivas que, assustado, vieram-me à lembrança aqueles anos, entre 1995-2002, quando o Brasil quebrou três vezes, e não foi possível ver todos os estragos da débâcle porque houve um apagão, tão denso que jornais, televisões, rádios não puderam noticiar, por falta de luz e, certamente, também para não espalhar o medo antipatriótico entre os brasileiros. Afinal o patriotismo é um recurso à mão, quando faltam razões, como nos exemplifica aquele jornal a serviço do Brasil.

Mal se evaporam os Mendonças, emergem do vazio as barbas brancas de Gustavo Loyola, tantas vezes colocadas de molho. Professoralmente, elas advertem: o Brasil não está preparado para conviver com taxas de juros estruturalmente menores.

Proclamada a nossa incapacidade atávica de se libertar dos usurários, as barbas do ex-presidente do Banco Central desmancham-se em mil fios. Enquanto opera-se o prodígio, coça-me uma pergunta: “Seriam os ares tropicais ou a nossa tão celebrada mulatice responsáveis por essa inabilitação a desenredar-se da agiotagem?”.

Pela janela do hotel em Varsóvia via a neve cair e aquela chuva branca produzia a ilusão de novos fantasmas.

Agora vinham em cortejo, esvoaçando, voltejando, rodopiando, bailando na noite fria, de fraque e cartola, pois era um cortejo de banqueiros, embora, embaçando-se no fundo da cena, parecia-me que alguém vinha a cavalo, pelo porte um puríssimo árabe. Banqueiros, corretores, financistas, ex-presidentes do Banco Central. Enfim, uma finíssima coleção de espectros.

Não consegui identificar todos. Goldfarb? Arida? Lara Rezende? Gustavo Franco? Bacha? Ou aquele lá poderia ser Salvatore Cacciola?

Seja como for, como um jogral ou o coro sinistro de uma tragédia grega, invectivavam contra o ministro Mantega, a presidente Dilma, o PT, o Lula acusando-os de não entender nada de economia, de” ignorantes dos fundamentos macro-econômicos”, de remendões pretensiosos que ultrapassaram os limites dos chinelos, de perdulários, dissipadores da burra pública.

Um deles, não consegui identificar quem, embora uma vozinha miúda o traísse, gritava: “E a inflação? O que é que o PT tem a me dizer da inflação? Hein, hein?”. A que outro fantasma atalhou: “E a inadimplência? E a inadimplência? Não esqueça a inadimplência”.

Quando é que vai parar essa gastança dos trabalhadores? As famílias já estão muito endividadas!”.

E eis que ouço um “oh!” extasiante, comovedor. Os espectros financeiros apartam-se reverentes e, no centro da fantasmagoria, surgem Milton Friedman e Eugênio Gudin, uma visagem tão inesperada que me paralisa. De que profundezas, de que ideias tão fossilizadas ergueram-se?

Pontificais, recitam a litania: corte dos gastos públicos, redução do consumo, enxugamento do crédito e elevação dos juros como mecanismos de combate à inflação, contenção dos aumentos salariais, flexibilização das leis trabalhistas, abertura ilimitada ao capital estrangeiro e à remessa de lucros para o exterior, privatizações, terceirizações, concessões….. …..e, recitando a chorumela, apagaram-se na noite tenebrosa.

Enquanto Friedman e Gudin se desmancham, o coro financeiro, agora encorpado por notáveis da oposição, pelos “especialistas” ouvidos todos os dias pela GloboNews e pela CBN, a cada meia hora, por colunistas multiuso que nada entendem de tudo, o coro de novo extasia-se, deleita-se, inebriado.

À medida que se produz a esfumação, revelasse-me certa confusão, transparece-me que os fantasmas inquietam-se e vejo, tenho a ilusão de ver, que uma nova assombração, toda esbaforida, quer se incorporar ao cortejo, talvez querendo ser o filho nessa trindade. Não deu tempo. Chegou atrasado. E vejo toda a frustração no rosto mal delineado de Mailson da Nóbrega.

Nem bem se dissolve o coro dos financistas, colunistas e avizinhados, vejo formando-se novo préstito cantante. São editorialistas dos jornalões, apresentadores e comentaristas de televisão, economistas e analistas do mercado, e os inefáveis oradores da oposição.

Esvoaçam, adejam sem qualquer graça ou arte, desafinam na cantoria, um cantochão maçante, cujo estribilho repete sem parar , como o corvo de Poe, “contabilidade criativa”, contabilidade criativa”, “contabilidade criativa”.

O coro eleva o tom, vocifera protestos, vergasta o lombo do ministro Mantega com adjetivos contundentes, pontiagudos. Deploram o que chamam de fraude, desonestidade, falta de transparência. Enquanto o pobre ministro e a própria presidente vêem-se na roda, espetados por tanta indignação, eis que surge um estraga-prazeres para espantar os fantasmas. É o professor Luiz Gonzaga Belluzzo, ele faz voltas em torno dos abantesmas com um cartaz, onde se lê: “Lembrem-se dos anos 90”.

Curioso pela advertência do economista, acuro os ouvidos para entender o que ele diz. Mas o vozerio das assombrações é muito forte, o tom elevado. A muito custo distingo parte do que ele diz. E ele diz: “Não é novidade o uso de receitas não recorrentes para engordar o superávit primário. Assim foi feito nos anos 1990, na “era das privatizações”. Isso não impediu a escalada da dívida pública entre 1995 e 1999. Nesse período a dívida saltou de 29 por cento por cento do PIB para 44,5 por cento”.

Estarreço-me com a revelação. “Contabilidade criativa” nos dois períodos do governo tucano? O PSDB também fez isso? Não posso acreditar”.

Mas, sendo verdade, o editorial do “Estadão”, afirmando que a presidente Dilma, ao fazê-lo, deu “mais uma prova do firme compromisso com o atraso e o subdesenvolvimento” também se aplica ao presidente Fernando Henrique Cardoso? Seria sua Excelência também vanguarda do atraso e do subdesenvolvimento como os Mesquitas, ou seja lá quem hoje é o dono do jornal, disseram?

Doem-me ainda nos ouvidos os agudos da exasperação, da santa fúria do jornalão: “As bases de uma economia saudável, promissora e atraente para empreendedores de longo prazo estão sendo minadas por uma política voluntarista, imediatista, populista e irresponsável, embalada num mal costurado discurso desenvolvimentista”.

Senti pena do couro dos senhores Pedro Malan, Gustavo Franco e outros criativos condutores da política econômica no governo FHC; com que marteladas foram agraciados pelos barões paulistanos.

O constrangimento provocado pelo economista palmeirense, reavivando fatos tão recentes, opera como exorcismo, pulverizando o cortejo fantasmático.

As assombrações, no entanto, não se aquietam. Deixo a Polônia, despeço-me de Varsóvia que, tão coberta de neve, parece-me ilusória, irreal, fictícia para quem acostumado aos trópicos. Na Suécia não faz menos frio. Também Oslo envolve-se na neve.

As noites ermas, frias e escuras são um convite à visitação das almas penadas.

E elas não se fazem de rogadas e logo me assombram, espantam-me, assustam-me. Vejo ajuntamentos de pessoas, desfiles. São imagens muito antigas. Os pelotões passam, os marchadores erguem o braço direito, gritam uma saudação indígena; no alto das mangas de suas camisas, um símbolo, uma letra, o sigma, a décima oitava letra do alfabeto grego, também usada como símbolo matemático, representando somas ou variáveis estatísticas.

Tenho a ilusão de que o sigma desgruda das camisas verdes, gira em um caleidoscópio, e compõe como que uma coroa de letras e transforma-se, agora, em símbolo da mais poderosa usina da idéias conservadoras do Brasil, o think thank Instituto Millenium. A visagem deságua em pesadelo quando o subconsciente trás à memória siglas como IPES, Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais, IBAD, Instituto Brasileiro de Ação Democrática, GPMI, Grupo Permanente de Mobilização Industrial, usinas de idéias antipopulares, antitrabalhistas, antissociais, antidemocráticas, antibrasileiras, anti-humanas.

IPES, IBAD, GPMI, anauê, sigmas…… que pesadelo!

Na derradeira noite sueca, fria, nebulosa, inóspita, os fantasmas se divertem em me pespegar outra pantomima. De novo, um imenso cortejo espectral. Não me é muito difícil distinguir as fisionomias dessas almas aflitas que flutuam entre os fantasmas dos terríveis vikings e o espírito inquieto de Gunnar Myrdal, desolado com o afastamento de suas idéias.

Furando as brumas polares, penso ver plataformas de exploração de petróleo, espalhando-se mar adentro; tenho a ilusão de navios, imensos petroleiros; desorientam-me, em seguida, nova dança de símbolos, logotipos que se sobrepõem, dissolvem-se, anulam-se .

E das águas glaciais, das geleiras tão áridas quanto o ardente Saara ilumina-se um dístico, heráldico: Petrobrax.

À medida que a marca toma conta do campo visual de meu pesadelo, ouço vozes, discursos indignados, e leio manchetes de genuíno e antigo verde-amarelismo em defesa da estatal. E fico confuso com essa troca de papéis entre os fantasmas da pátria tão distante.

Teria ocorrido alguma revolução? alarmei-me.

Esses foram os últimos espectros que me rondaram e me assombraram no velho continente. Aportado o Brasil, de outra qualidade são os meus espantos.

Aterroriza-me não a contabilidade criativa, e sim a ideologia do superávit primário.

Desassossega-me não o aumento da inflação, e sim corrosão de nossa base industrial, sucateando-se ao céu aberto da incúria governamental.

Alvoroça-me não o crescimento da inadimplência, e sim a fragilidade de uma política econômica que se ancora no consumo, no crédito consignado e na exportação de commodities.

Assusta-me não a expansão dos gastos públicos, e sim a paralisia das obras de infra-estrutura; a execução lentíssima, sonolenta do Orçamento da União.

De que têm medo os nossos próceres ministeriais? Intimidam-nos a insepulta Delta ou o libérrimo Cachoeira?

Apavora-me não o desacordo em relação às metas, e sim, as próprias metas, camisa de força imposta pelo mercado, pela financeirização da economia, que certa esquerda transforma bandeira para ser vista como “responsável”, “moderna”.

Argh!!!

Estarrecem-me não as privatizações, e sim o abuso, o desregramento das concessões, superando até mesmo toda fobia privatista de Margareth Thatcher, como se vê agora no caso dos portos.

Assombra-me não o picadinho variado das medidas do Ministério da Fazenda, e sim a falta de uma Política Econômica que se enquadrasse em um Programa para o Brasil, doutrinariamente à esquerda, fundado na solidariedade, na distribuição da renda e dos benefícios do avanço tecnológico, na prevalência, sempre, dos interesses populares e nacionais.

A oposição, a direita sabe o que quer. Não se apoquenta com dúvidas, receios ou escrúpulos; quando muito, disfarça o tom para não assustar, e açucara o óleo de rícino com que, no poder, trata as crises e os interesses conflitantes.

São dessa ordem, são dessa qualidade os meus espantos, os espectros que me assombram, assustam e inquietam. E até quando viveremos nesse tormento, sem rumo, sem qualquer garantia, sem nenhuma segurança?

E a única segurança é um Programa para o Brasil.

Quem se habilita?

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94 comentários

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Urbano

29 de março de 2013 às 13h45

A diplomacia arrodeou muito… O pessoal do outro lado não merece tanto, não.

Responder

H. Back™

29 de março de 2013 às 10h23

Estão pedindo contribuição financeira de R$ 50 a R$ 1.000 com direito de ser prata, ouro ou diamante. Quem? Um tal de instituto Millenium, montado pelos famigerados neoliberais do PSDB e companhia.
Sim; além daquela coisa monstruosa e mal explicada que foram as privatizações, esses caras-de-pau têm a desfaçatez de pedir contribuições ao público em geral? Já não chegam as “contribuições” oriundas dos empresários que foram tão bem aquinhoados por FHC enquanto era governo?

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H. Back™

29 de março de 2013 às 08h47

No início da vida pública, do hoje Senador Roberto Requião tive a sorte de conhecê-lo pessoalmente em um palanque enquanto discursava em Curitiba para o cargo de prefeito. Desde então, os seus discursos não mudaram nada, isto é, sempre foram assim contundentes.

Responder

Artur Henrique: Não vamos esperar que os “outros” façam o que temos de fazer « Viomundo – O que você não vê na mídia

29 de março de 2013 às 02h07

[…] Requião detona mídia, governo Dilma e o coro sinistro dos tucanos […]

Responder

Noé

29 de março de 2013 às 00h21

Trocando em miúdos, o senador diz que o PT não tem uma agenda de governo que realmente proteja o mais pobre, e que apenas continua o que a tucanalha começou, com mais eficiência, é verdade, mas é um programa neoliberal. A esquerda terá de esperar que apareça o seu lider politico porque com certeza o Lula e a Dilma não atendem este requisito.

Responder

FrancoAtirador

28 de março de 2013 às 23h52

.
.
Nesse discurso, Requião sintetizou a composição da Banda Podre do País.

Uma grande Bolha do Atraso que se formou ao longo de séculos de espoliação

e que assola o Estado Brasileiro em todas as áreas do território nacional,

em todas instâncias de poder, em todas as esferas públicas e privadas,

em todas as instituições políticas, econômicas, financeiras e sociais,

subjugando a massa trabalhadora brasileira ao reduto da necessidade

e restringindo o campo de ação popular a um espaço particular reservado

distante das decisões dos poderosos que determinam o destino da Nação.

Os trabalhadores sobrevivem para trabalhar, não trabalham para viver,

enquanto dentro da Bolha se regozijam os latifundiários e os banqueiros,

e os “avizinhados” corretores, consultores, rentistas e especuladores,

Bandidos de Mídia, [email protected], editorialistas, analistas, especialistas,

todos sugando a riqueza material e humana dos que estão do lado de fora

esperando ilusoriamente a vez de entrar para dentro dessa mesma Bolha.

Quem se habilita a estourar a Bolha do Atraso e extirpar a Banda Podre?
.
.

Responder

Pitagoras

28 de março de 2013 às 23h43

Dá-lhe, Requião. Reconfortante ler algo que faz sentido nesse oceano de estultícies.
Não lhes de descanso. Que tal Requião 2014?

Responder

FrancoAtirador

28 de março de 2013 às 21h47

.
.
Nesse discurso, Requião sintetizou a composição da Banda Podre do País.

Uma grande Bolha do Atraso que se formou ao longo de séculos de espoliação

e que assola o Estado Brasileiro em todas as áreas do território nacional,

em todas instâncias de poder, em todas as esferas públicas e privadas,

em todas as instituições políticas, econômicas, financeiras e sociais,

subjugando a massa trabalhadora brasileira ao reduto da necessidade

e restringindo o campo de ação popular a um espaço particular reservado

distante das decisões dos poderosos que determinam o destino da Nação.

Os trabalhadores sobrevivem para trabalhar, não trabalham para viver,

enquanto dentro da Bolha se regozijam os latifundiários e os banqueiros,

e os “avizinhados” corretores, consultores, rentistas e especuladores,

[email protected] de Mídia, [email protected], editorialistas, analistas, especialistas,

todos sugando a riqueza material e humana dos que estão do lado de fora

ilusoriamente esperando a vez para fazer parte integrante da mesma Bolha.

Quem se habilita a estourar a Bolha do Atraso para extirpar a Banda Podre?
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Responder

Neotupi

28 de março de 2013 às 10h18

O Requião tem altos e baixos. Ele pisou na bola na PEC das domésticas. Repetiu a cantinela de que poderia causar desemprego, e defendeu condicioná-la ao abatimento no Imposto de Renda, o acaba sendo uma tese neoliberal. Já pensou bilionários abaterem mordomos e a criadagem no IR?
Até acho que quem é doente ou idoso com dificuldades que precisa de acompanhante deve poder abater, considerando como despesa de saúde, mas não é justo que se sacrifica no trabalho doméstico pagar IR enquanto quem contrata alguém para fazê-lo, não pagar através de abatimentos.

Responder

    Itamar Branco

    29 de março de 2013 às 23h53

    Requião é bom de discurso, mas na prática deixa a desejar. É conhecido em Brasília como Maria Louca. É estabanado, grosseiro, arrogante e mentiroso. Esse discurso está quase completo, só faltou se referir ao seu nepotismo descarado e explicar aquele caso do pistoleiro Ferreirinha que executava “agricultores” a mando da família Martinez. Essa personagem fictícia lhe garantiu a eleição de Governador. É oportunista e falastrão. Um caipira com curso superior e fortuna. Só isso.

mineiro

27 de março de 2013 às 16h28

e o que é pior de tudo , nao tem como temos que votar nela . ou nela ou nos nazistas , facistas tucanos. é melhor uma pres. medrosa , covarde do que um bando de entreguistas , pau mandado dos eua. mas do jeito que vai essa pres. nao ta muito dessa corja tucana nao.

Responder

mineiro

27 de março de 2013 às 16h25

assino em baixo , essa turma citada nao passa de fantasmas , mas infelizmente fantasmas reais e conpiradores. essa turma ta mais afiada do que nos imaginamos. eles conspiram todo dia contra esse governo covarde pmdebistas , golpistas pau mandado da midia, dessa pres. que a cada me convenço que esta dominada por essa turma que se apossou do governo. e nao adianta ela mentir nao , porque para onde esta direcionando o seu governo , nao deixa duvidas. ela abandonou os movimentos sociais e se aliou a rede golbeus nazista. ela ta mais para a direita do que a esquerda , nao resta duvida. culpiu no prato que comeu. so resta agora a eleiçao de 2014,como vai ser , porque a turminha dela nao vai ajudar , vai tentar derruba-la de todo jeito e depois resta a blogosfera e os movimentos sociais que ela tanto pisoteou . e agora pres.com quem voce podera contar nas eleiçoes presidenciais ? a midia golpista quem voce tanto protegeu e ou os movimentos sociais e nos eleitores que sao os seus verdadeiros aliados.

Responder

Maria Izabel L Silva

27 de março de 2013 às 15h54

Eu estou sonhando ou o Requião se bandeou para a esquerda? Que doutrina é essa que Vossa Excelencia tanto fala?? Acha pouco tudo que ja foi feito e conquistado pelo governo do PT?? E desde quando o PMDB é “doutrinariamente” de esquerda?? Quer criticar o governo, que assim seja, é legitimo. Mas não me venha com o álibi de falar em nome no campo “doutrinariamente de esquerda”. Ou então, esta na hora do senador se mudar para o PSTU …

Responder

Neotupi

27 de março de 2013 às 14h21

Há uma contradição entre aplaudir Requião falar em desindustrialização e, ao mesmo tempo, criticar a política industrial do governo Dilma de destravar investimentos, como desonerar a indústria de equipamentos e cabos para redes de telecomunicações. Essa indústria cresceu 14% em 2012, e tem um potencial para crescer bem acima disto nos próximos anos, com a desoneração.

Responder

    H. Back™

    29 de março de 2013 às 10h39

    O quê? Desonerar ainda mais o setor de telecomunicações? Desonerar o quê mais? Já não paga quase nada! As empresas receberam quase de graça as concessões, e ainda receberam empréstimos com juros de “pai prá filho”, e ainda querem “desonerar”?

acmsouza

27 de março de 2013 às 08h41

Partido político não representa um todo de um povo, mas sim partes, as mais variadas e antagônicas possíveis, com o único desejo que é alcançar o poder. Sua manutenção deveria ser bancada por dinheiro particular, não deveria receber um misero centavo de dinheiro público. A única vantagem pública que seria cabível era o tempo da propaganda eleitoral nos meios de comunicação radiofônica e televisiva, e isso com tempo integralmente igual entre todos os partidos. Deveria de ser proibida qualquer aliança partidária que transfira tempo de um partido para outro com exceção, para o cargo de executivo (presidente, governador e prefeito), tempo este que nunca poderia ser superior a 10%.
Financiamento de partido – campanha – por dinheiro público só nos regimes fechados.
Mesmo que a lei promova o financiamento público – campanha -, nunca, um partido deixara de receber dinheiro particular. O tão famoso caixa dois ( 2 ) proliferara de maneira arrasadora, ¨ sem lenço e sem documento ¨ . Será a maior orgia da ilegalidade, acobertada pela legalidade. Fico pasmo que existem pessoas que defendam tal aberração.

Responder

    Neotupi

    27 de março de 2013 às 14h29

    Na Alemanha não é regime fechado e o financiamento é exclusivamente público. Na França também adotou agora o exclusivamente público. No Canadá e em muitos outros países é misto, com parte sendo financiamento público (como é hoje no Brasil). Financiamento exclusivamente público já. Partido não é empresa e campanha eleitoral deve ser cívica e não um empreendimento.

simas

27 de março de 2013 às 04h18

E agora, Dona Dilma?… Por onde anda o Projeto Nacional de Desenvolvimento Econômico? A Senhora vai continuar com essa politicazinha de incrementar o consumo e melhorar a renda? Olha q a tal nova classe média pode querer, bem mais e acabar votando em quem não deve, heim? Depois, não vai dizer q o PT, q a militância não ajudou, viu? Pq, dessa vez, a continuar desse modo, entregando as calças ao inimigo… as calças do povo e eleitor, em 2014, seu prestigio estará dissolvido pela propaganda da mídia, mafiosa, à cargo dos próprios beneficiários de sua distribuição de “negócios”. Essa gente não vai ficar “satisfazida”, apenas, com o petróleo do pré-sal, e a telefonia completa, não… Esse pessoal quer tudo; tudinho… Inclusive, o seu lugar; com CA’s, tbm… À propósito, não vai adiantar ter se envolvido naquela da base naval, dos estaleiros e tudo mais, com a Marinha. Não vai. E, ainda, vão dizer, na bucha, q a Senhora não percorreu o caminho de um Plano de Desenvolvimento Nacional.
É duro; mas, a verdade é pra ser dita. Fica zangada, não. ( Nunca se viu, igual; o governo de um país, com a aprovação, popular, total, se apequenar diante de uma oposição, marca “zé cerra”…)

Responder

jaime

27 de março de 2013 às 03h57

Houve quem conseguisse transitar por oito anos de governo sem dedicar centavos sequer à publicidade do governo na grande imprensa. Um, que conheço, foi Requião. Quem teriam sido os outros?

Responder

constantino

26 de março de 2013 às 21h59

Excelente dscurso .Mas qual a praxis?
Se ele foi a Suecia como deve ter visto a fria Oslo pela alvez pela TV ou um site da internet,porque Oslo fica na Noruega e a capital da Suecia e Estocolmo.
Acerta em cheio nos fantasmas que assombram o Brasil e na direita que esta bem atuante atraves da midia e do instituto
que ja nasce atrasado e em conserva o tal do millenium.

Responder

Francisco Domingos

26 de março de 2013 às 21h38

Senador de discurso brilhante!!!

Governador de desempenho médio!!!

Filiado ao PMDB, sem comentário!

Responder

    Fernandes

    27 de março de 2013 às 08h23

    Governador de nível médio, talvez!
    Mas uma coisa é certa:
    Enquanto governador, o pig local o odiava muito, muito mesmo.
    Pois falava as claras, nomeava, desqualificava todos dessa imprensa bandida. E tão importante quanto, fechou as torneiras públicas que engordavam as contas da canalhice midiática. Requião tem, portanto, todo o meu respeito e, enquanto for candidato, o meu voto.

francisco pereira neto

26 de março de 2013 às 20h49

Xiiiiiii!!! Já temos outro candidato a presidente.
PS: fiz o mesmo comentário no CAF.

Responder

Fabio Passos

26 de março de 2013 às 20h25

O mais interessante e que Requiao arrasa fhc, PiG, neoliberalismo, dem, privataria, psdb… e os senadores da direita colocam o rabinho entre as pernas. rs

Nao aparece um para defender o legado de fhc… nem o covardao do aecio.
No debate aberto, estas almas penadas entreguistas, sabem que levam uma sova atras da outra.

E por isso que os privatas e neoliberais, capachos do tio sam e vassalos da pior “elite” do mundo, recorrem ao golpismo descarado no PiG e tentam impor o pensamento unico.

Responder

Rafael

26 de março de 2013 às 20h15

Penso como seria o Brasil se tivéssemos um meio de comunicação pluralista, sem concentração de propriedade seria o começo de um Brasil desenvolvido, justo, menos desigual. Imagine um pronunciamento que nem esse do Requião e quantos outros prouniciamentos importantes alertando para soberania, defesa da indústria, das nossas riquezas. Globo se apoia nesse apsecto, no monopólio da comunicação, na obstrução de uma ligação direta dos parlamentares com a população, a globo é um filtro, ela peneira e divulga somente o que lhe convém, o que convém aos interesses dos anunciantes. Acredito que para o Brasil se desenvolver somente com uma legislação que pluralize os meios de comunicação, acaba com o monopólio da globo.

Responder

Fabio Passos

26 de março de 2013 às 20h02

Estas almas penadas entreguistas e neoliberais continuam assombrando o Brasil.

Ja passou da hora de mandar a pior “elite” do mundo definitivamente para os quintos dos infernos!

Responder

Ronaldo Curitiba

26 de março de 2013 às 19h12

Apesar de não concordar com tudo que fazem e dizem, principalmente o segundo, considero que Requião e Collor são os únicos senadores que cumprem com brilhantismo o papel para o qual foram eleitos.

Os demais são uns emasculados.

Responder

Moacir Moreira

26 de março de 2013 às 18h52

O Sistema Veja-Globo e seus associados do crime organizado internacional fazem o possível para ignorar as palavras dos políticos que honram seu mandato.

Não vejo ninguém entrevistar o Requião no Jornal Nacional.

Só dão voz a bandidos.

E assim o povo vai acreditando que no Brasil só tem vigarista.

Responder

J Souza

26 de março de 2013 às 18h16

É que na cabeça (?) dos comentaristas da Globo-Veja-Estadão-Folha, os empresários brasileiros fazem um FAVOR aos trabalhadores brasileiros!

Na cabeça (?) da “casa grande”, eles, os empresários e os latifundiários é que “produzem” as riquezas do país!

Para esta gente “indiferenciada” ser dono do capital, e da mais-valia, os torna mágicos que operam marionetes que saem às 5:00 h da manhã, passam o dia sem ver os filhos, e retornam às 23:00 h. E essas marionetes, sem vida própria, e na cabeça (?) deles sem alma, nada fariam se não fossem os “barbantes” e, às vezes, as “chicotadas” que os obrigam a trabalhar servilmente.

Sei que alguns da “casa grande” fazem isso de má fé, conscientes. Mas muitos fazem por se sentirem donos, “senhores” dos servos, e jamais viram suas “marionetes” como iguais!

Responder

xacal

26 de março de 2013 às 17h48

O Requião padece de um mal irreparável, mas como nossos compositores lupiscinianos, sua dor de cotovelo acaba por parir bons sambas.

Seu diagnóstico sobre a nossa oposição é preciso.

Suas críticas a certos imobilismos do governo, idem.

Mas do alto da tribuna da casa alta, longe há tempos da lida administrativa, dos acertos e acordos para constituir bases aliadas e conter os adversários, Requião não vai além deste ponto.

Falta sistematizar seu raciocínio.

Talvez a proximidade com os corredores palacianos de Brasília, se é que mantém tal vínculo, podem exasperá-lo, mas nunca poderiam fazê-lo esquecer que todas as forças que ele enumerou não ficam estáticas, aguardando que destrocemos 502 e dois anos de parasitismo patrimonialista, e invertamos toda a hegemonia construída até então, e que teima em não ceder a alternância democrática imposta pelas urnas.

Estamos bem longe do ideal? Claro, mas muito vem sendo feito, aos trancos e barrancos, e às duras penas.

Requião denuncia a cantilena do pessoal do Millenium sobre consumo e endividamento, e depois, ele mesmo, reclama do uso abusivo do crédito e consumo para alavancar crescimento.

Estranho. Me parece que para Requião, as uvas estão e estarão sempre verdes.

Fala de gargalos de estrutura, mas eu pergunto: é o caso de re-estatizar a execução das obras?

Pergunto, porque sou um idiota: então é justo usar o dinheiro público para financiar estradas, portos, aeroportos para aumentar o lucro da iniciativa privada, e para que o dotô classe média possa viajar tranquilo com seu carrão?

Ora, que lucra e/ou usa o modal é que pague! A não ser que seja o caso de subvenção para transporte de massa!

Todo resto deve ficar fora de nosso Orçamento, e devem procurar os meios clássicos de financiamento, nem que seja pelo BNDES.

Foi isto que Requião fez no Paraná (estatizar portos, estradas, e obras) e pergunto ainda, se tudo deu tão certo, por que seu grupo perdeu a eleição para governador?

Eu creio que o papel cumprido por Requião neste discurso é funcionar como grilo falante do governo, vá lá, tudo bem…

Mas eu me pergunto, e pergunto a todos aqui: O que pode ser feito além com a atual configuração de forças neste nosso presidencialismo de coalizão?

A sedução de usar apoio da base social e aprovação administrativa como força de imposição aos demais jogadores é quase irresistível…seu único freio é o bom senso, e isto, Dona Dilma e seu Lula já nos mostraram que têm de sobra.

Requião têm que comer muito feijão para escrever um requiém para alguém.

Responder

    Mário SF Alves

    27 de março de 2013 às 10h45

    Então, prezado Xacal, mais uma vez lhe sou grato pela generosidade de manifestar com tamanho brilhantismo e senso de responsabilidade seu entendimento sobre questão tão complexa quanto é a política brasileira.
    ________________________________
    Sobre grilos falantes, e falantes como tem sido os senadores Requião e o Collor renovado, penso que a combatividade ora manifestada por eles deva, sim, ser objeto de reconhecimento público.
    ___________________________________________
    No mais, penso que ainda nos resta descobrir o divisor de águas entre o que realmente está no terreno da realpolítica ou realpolitik e o que nada mais é que realcovarditik, realfrouxisk ou pseudopolítica praticados em nome da tal política do possível.
    _______________________________________________
    E, por falar nisso – política do possível – onde e como se originou este “conceito”? E nos idolatrados EUA, a pior das referências em política na atualidade, você tem como dizer sobre o uso de tal conceito por lá?

    xacal

    28 de março de 2013 às 23h19

    Mário, rótulos são bons para comida. Sei que buscamos e desejamos referências para situar o outro, e nos situar no debate. Isto é saudável, mas não pode interditá-lo, ou seja, façamos a política.

    Eu não tenho problemas com esta divisão, porque acho que ela é falsa.

    Não há como separar, em um sistema capitalista(e o socialismo real também não resolveu problemas “éticos”, vide os privilégios da burocracia dos comitês centrais)todas estas contradições propostas por você: covardia, frouxidão, etc, da busca pelo bem coletivo, daquilo que chamamos de sociedade mais justa.

    Em determinados contextos, o que parece covardia soa como sabedoria, e vice-versa. Já em outros, o excesso de coragem é suicídio!

    Já a respeito da questão moral, que as pessoas insistem em colocar como instância coletiva de definição da ação política(e não é), eu lhe digo:

    Veja: Hitler foi um cara super honesto, de hábitos espartanos, monogâmico, vegetariano, culto (poupou Paris e acreditou que os aliados fariam o mesmo por Dresden), admirava os EEUU, adorava os animais, e tirou a Alemanha do buraco e a colocou ombro a ombro com outras potências.

    E aí? Este é o modelo?

Morais

26 de março de 2013 às 17h33

É triste ver este pessoal que estava acostumado a ganhar muito dinheiro sem trabalhar nos governos passados, agora dizendo bobagens e querendo quebrar o Brasil de novo, porém o nosso governo está atento e agindo de forma correta, tão correta que a maioria do povo brasileiro está aprovando o governo como um índice jamais alcançado.
Parabéns PT e Dilma.

Responder

Estevão Zanch

26 de março de 2013 às 16h52

Passeando, hein, Requião?!?!?!?!?

Responder

Bernardino

26 de março de 2013 às 16h02

REQUIAO,uma voz clamando no deserto,ate porque a IMPRENSA CANALHA nao repercute seus pronunciamentos.Tivessemos a situaçao da VENEZUELA onde mais da metade dos meios de comunicaçao sao publicos,graças ao Grnade HUGO CHAVEZ e teriamos repercussao desses pronunciamentos verdadeiros e nacionalistas.
Gostaria de pedir ao brilhante internauta:MARIO SF ALVES que multiplicar-se em todos os BLOGS aquela comentario do MILLOR FERNANDES aqui colocado por ele que diz:A IMPRENSA BRASILEIRA sempre foi CANALHA…
nao lembro do restante.Acredito que esse comentario poderia funcionar como um MANTRA pra desbancar de vez nossa imprensa corrupta ja que MILLOR foi um icone de nosso jornalismo e é bastante conhecido de todos ao contrario de Joseph PULITZER que falou: com o tempo uma imprensa cinica,coorrupta,manipuladora e demagogica formara um povo tao vil como ela mesma”.A do MILLOR e mais acida fere mais nossa MIDIA

Responder

    Fabio Passos

    26 de março de 2013 às 19h55

    Requiao herdou a coragem de Brizola para enfrentar os entreguistas e as oligarquias midiaticas do PiG.
    E o PiG odeia Requiao assim como odiava Brizola.

    O valor de um lider politico pode ser medido acompanhando o PiG.

    elogios do PiG? Entreguistas, servicais da pior “elite” do mundo: fhc, serra,aecio

    difamacao sistematica no PiG? Lideres a favor do povo: Brizola, Lula, Requiao

    Mário SF Alves

    27 de março de 2013 às 12h12

    Prezado Bernardino,

    Penso que as duas referências sejam imprescindíveis, mesmo porque a antidemocracia, a camisa de força antidemocrática imposta por esse oligopólio ideologizado não é exclusividade nossa. Claro, aqui, onde as veias sempre estiveram abertas, onde o sui generis capitalismo subdesenvolvimentista há muito faz a festa [de poucos], é claro que o impacto socioeconômico negativo é bem maior . Então, Pulitzer – este, sim, brilhante – judeu, cidadão do mundo, tendo existido no dado intervalo (1847 até 1911), e Millor Fernandes, intelectual, brasileiro, integrante da resistência antiditadura, os dois dizendo o que disseram, é isso que me faz crer que a mistura é indispensável. E óbvio, tudo devidamente contextualizado.

    _____________________________________
    “Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma”. Joseph Pulitzer ( 1847 – 1911)
    ___________________________________________
    Millor Fernandes já alertara em 2006: “A imprensa brasileira sempre foi canalha. Eu acredito que se a imprensa brasileira fosse um pouco melhor poderia ter uma influência realmente maravilhosa sobre o País. Acho que uma das grandes culpadas das condições do País, mais do que as forças que o dominam politicamente, é nossa imprensa. Repito, apesar de toda a evolução, nossa imprensa é lamentavelmente ruim. E não quero falar da televisão, que já nasceu pusilânime.”

    ______________________________________________________
    Atenciosamente,

    Mário SF Alves

Osvaldo

26 de março de 2013 às 16h01

Falou certo sobre o passado

Quanto ao presente, jogou para a torcida.

Responder

kalifa

26 de março de 2013 às 15h46

Fico ruminando como é que o requião deixou lombriga ganhar a eleição em seu estado!

Responder

lulipe

26 de março de 2013 às 14h38

O Requião não é aquele que, quando governador do Paraná, empregou a esposa, irmãos, primo e sobrinhos e ainda criticou o MP que entrou com uma ação pública para acabar com o “trem da alegria”???

Responder

    Paulo Figuiera

    26 de março de 2013 às 16h48

    Em vez de tentar desqualificar o autor do texto, tente rebater os argumentos cobertos de razão

    lulipe

    26 de março de 2013 às 23h15

    Conheces aquele ditado, caro Paulo: Quem tem telhado de vidro não atira pedra no do vizinho…

    Tô de Olho na oPósição

    26 de março de 2013 às 23h54

    E você conhece a falácia que tenta desqualificar o interlocutor por não ter argumentos para contestar o conteúdo do argumento…

    H. Back™

    29 de março de 2013 às 11h20

    Exato! Quando alguém não têm argumentos para rebater uma afirmação, o intelocutor se desvia do assunto em questão, e fica nessa masturção política, de que no passado era diferente e que tudo funcionava bem.

Requião desmoraliza os neolibelês e seus jenios | Conversa Afiada

26 de março de 2013 às 13h47

[…] Requião dá nome aos bois, detona mídia, governo Dilma e o coro sinistro de tucanos que pregam rec… […]

Responder

maria olimpia

26 de março de 2013 às 13h39

Simplesmente brilhante!

Responder

Pérsio

26 de março de 2013 às 13h21

Muto bom, mas, assim como Requião, o PMDB é cheio de senadores de bom discurso, tais como: Jarbas Vasconcelos, Pedro Simon, só que nenhum destes ajudam ao governo, seus discursos visam tão somente a sua política e não a política geral.

Responder

Ana

26 de março de 2013 às 13h16

Brilhante Requião! Nós, professores paranaenses, que agora temos que lidar como o filhote de Lerner, vulgo ‘Beto Richa’, temos saudades…

Responder

Brasileiro

26 de março de 2013 às 13h14

Clap, clap, clap!

Responder

Mariac

26 de março de 2013 às 13h07

Requião, primeiro governador brasileiro a falar de cadernos gratuitos para estudantes. Podem achar absurdo, mas só a comparação mostra. O Paraná apesar dos pesares, não tem paralelo no Brasil, por isso lamento que os paranaenses estejam expostos a Álvaro Dias e quetais.Eles não conhecem o PSDB.

Xico Graziano escreveu, certa vez em que ele visitou uma feira de agronegócio no Paraná, que os banheiros eram limpos na feira porque o agronegócio era moderno e eficiente. Enganou-se, eram limpos porque estavam no Paraná. Um estado muito à frente e muito disso por Requião.
Só que as gerações mudam e se esquecem que educação é um processo longuíssimo.

Responder

leia

26 de março de 2013 às 12h28

Pena que 90% da populacäo näo entende o discurso dele. Senador faca discurso para o povo entender.

Responder

    Moacir Moreira

    26 de março de 2013 às 18h57

    E o povo tem acesso aos discursos do Requião?

    Só na TV Senado e na Hora do Brasil.

    Ted Tarantula

    26 de março de 2013 às 20h40

    90% dos brasileiros não entende p… nenhuma

    H. Back™

    29 de março de 2013 às 11h27

    Parece que você é um deles.

tori

26 de março de 2013 às 12h03

Que terríveis visões estas em que o velho coronel, calcado por anos de constantes exorcismos, vê estarrecido e descrente do método e pensamento ortodoxos anteriormente tão afinados com sua alma, contudo ao menos patriótica, mas que por desvios de atenção, ao tempo, não o deixaram sequer vislumbrar na penumbra nauseabunda dos corredores da velha república as cafetinas políticas e sindicais entreguistas e servis, febris de tesão monetária e já dedicadas à novos aliciamentos para os novos tempos de exploração, onde os incautos cidadãos, extasiados pelas roupagens midiáticas luxuriantes não definem ainda, como ele então, ao fundo, muitos outros espectros empunhando bandeiras de patriotismo sem pátria, democracia sem povo e trabalhismo sem trabalhador.

Responder

Lafaiete de Souza Spínola

26 de março de 2013 às 12h02

QUE PAÍS QUEREMOS?

Temos 02 opções:

Primeira: Um País Unitário (o ideal).

Segunda: A Federalização da Educação.

O Brasil não encontrará um caminho promissor, enquanto suas elites e a classe média permanecerem omissas em relação à EDUCAÇÃO. E não falo de curativos, pois desconheço que este tratamento consiga curar o câncer.

Todos, sabemos da calamitosa situação em que se encontra a educação em nosso país. Porém algumas pessoas, friamente, declaram ser desnecessário aumento de investimento na educação, que necessita, apenas de gestão. Só faltam dizer, também, que não temos miseráveis, sendo necessária, apenas uma melhor gestão dos grãos de arroz e feijão espalhados pelo rancho, pela favela etc.

Pessoas essas que não conseguem ver as crianças pedintes nas ruas, famintas, maltrapilhas, esmolambadas. Algumas, apesar de tudo, exibindo suas promissoras habilidades, na frente dos carros desses senhores, em plena rua, na frente dos semáforos.

Quanta indiferença! Preferem não despertar a insatisfação de grandes empresários cegos e egoístas, que podem pressentir algum aumento de imposto. Estes, cegos porque não conseguem ver o futuro de seu banco, de sua empresa num país com alto índice de educação. Aqueles, temerosos de não serem agraciados com esperada ajuda eleitoral.

Financiamento privado? Nunca!

Educação básica universal e em tempo integral? Sim!

Federalização da educação? Sim!

Coligações com os pragmáticos do passado? Não!

O poder só pelo poder? Não!

Mandato único para todos os níveis? Sim!

Diminuir as gritantes diferenças nacionais? Sim!

Pensar num país unitário para termos um país mais igualitário? Sim!

A situação das escolas brasileiras:

“Os investimentos não têm se atentado a diminuir a desvantagem de oportunidades dos alunos que chegam mais defasados à escola.” ErnestoMartins Faria (novaescola.)

O investimento em Educação no Brasil tem sido um dos temas mais debatidos na área nos últimos meses. Alguns estudos apontam que não há uma evidente relação entre gastos e resultados em educação, no entanto, essa relação depende do nível de investimento. Simon Schwartzman colocou muito bem em seu blog que “o dinheiro faz muita diferença quando os recursos são muito poucos, e as escolas mal podem funcionar”.

Talvez alguns problemas em alguns estudos devem-se ao fato de o Brasil ser tão grande e populoso, e com uma diversidade de escolas muito grande, que eles não se atentam ao fato de que existem sim no Brasil muitas escolas que estão em condições extremamente precárias e que “mal conseguem funcionar”.

Dados do Censo Escolar 2010 mostram que em alguns estados um percentual considerável de escolas apresenta condições de infraestrutura muito ruins. A inexistência de energia elétrica, rede de esgoto e abastecimento de água são situações não tão raras em escolas localizadas em zonas rurais. Já mesmo em áreas urbanas verificam-se muitas escolas sem biblioteca e internet. Respostas dos professores das turmas avaliadas na Prova Brasil também apontam problemas de depredação e de más condições nas salas de aula. Cerca de um quarto dos professores do Amapá que responderam ao questionário, por exemplo, afirmaram que as condições das salas de aula são ruins.

Sobre esses números são necessárias algumas considerações. A inexistência de energia elétrica, rede de esgoto ou abastecimento de água são questões que extrapolam a escola, são questões de infraestrutura básica de localidades. Esses problemas aparecem de forma mais significativa em áreas rurais (principalmente nas regiões Norte e Nordeste) e para que sejam resolvidos há de haver um investimento considerável nessas regiões (e um esforço inter-setorial).

Por outro lado, os problemas dessas regiões e o nível de investimento que é necessário para resolvê-los não pode ser uma justificativa para que os alunos que frequentam escolas nessas localidades tenham menos chance de obter um aprendizado adequado. Em locais que já não têm energia elétrica e que os pais possuem baixa escolaridade não poderia haver uma escola que não tivesse biblioteca, por exemplo. Uma alta qualificação dos professores também é ainda mais essencial nessas escolas.

É sabido que as regiões Norte e Nordeste e as áreas rurais como um todo apresentam diversos indicadores educacionais mais desfavoráveis: os alunos possuem menos insumos educacionais em casa, os professores conseguem cumprir um menor percentual do conteúdo previsto, etc. Isso resulta em um péssimo cenário: poucos alunos aprendendo. Se olharmos o investimento por aluno no Norte e no Nordeste veremos um quadro que não parece ajudar para que a desigualdade dessas regiões em relação às outras do país diminua.

Em relação a cada Estado é calculado um valor por aluno/ano, com base na estimativa de receita do Fundeb no respectivo Estado, no número de alunos da educação básica (regular, especial, EJA, integral, indígena e quilombola) das redes públicas de ensino estaduais e municipais, de acordo com o Censo Escolar mais atualizado e nos fatores de ponderação estabelecidos na Lei 11.494/2007 para cada uma das etapas, modalidades e tipos de estabelecimentos de ensino da educação básica.

Embora por meio do Fundeb já exista um auxílio a alguns estados que apresentem um investimento por aluno muito baixo, são necessárias iniciativas mais focadas em buscar garantir com que todos os alunos, independentemente de onde morem, tenham condições similares de obter um aprendizado adequado.

Esse problema não ocorre apenas entre regiões, pois em um mesmo município situações de inequidade também aparecem de forma gritante. Países como o Chile (incentivos financeiros para professores que atuam em difíceis condições de trabalho), a Irlanda (relação aluno-professor reduzida nas escolas primárias localizadas em áreas urbanas com mais desvantagem e bônus com base no nível de desvantagem da escola) e a Bélgica (apoio a escolas de alunos de classe socioeconômica mais baixa) se mostram mais atentos à questão da equidade.

Não é nenhum equívoco dizer que já passou da hora de o Brasil estudar as políticas desses países para construir suas próprias políticas que promovam a equidade.

Leiam: UM PROJETO PARA A EDUCAÇÃO NO BRASIL; PAÍS UNITÁRIO etc

Responder

Ary Soares - Goiânia

26 de março de 2013 às 11h47

Faltou pouco para ser a melhor forma de entender a historia economica do Brasil (pós-redemocratização) por meio de financistas “vendedores de ventos” como bem disse o Delfin Netto.

Responder

Ted Tarantula

26 de março de 2013 às 11h11

Não sei (mas sei) pq cada dia penso mais nas Raizes do Brasil, do grande Sergio Buarque de Holanda…quando ele diz com suas palavras, de modo muito melhor, obviamente, do modo como os brasileiro nos encantamos com a prosopopeia, com o discurso, com e retórica..para nosotros cultura é isso, é a presepada do advogado de defesa que rola no chão e se descabela ao deitar falação gongórica na defesa do desgraçado que incendiou a mulher e esquartejou os filhos ao descobrir a fronte enfeitada por protuberâncias córneas..(estou imitando de proposito o estilo a que me refiro, sim senhores) que tudo é um imenso vazio de conteúdo de fato, a mera repetição de modo cada vez mais estridente de verdade tautológicas e antigas..e cada vez, como no circo, nos encantamos de novo, como crianças pequenas que pedem noite após noite que nos contem a mesma historinha conhecida de sempre.

Responder

Ana Cruzzeli

26 de março de 2013 às 10h30

O Requião é uma homem que muito admiro, mas uma coisa aprendi nos meus 48anos de vida. Quem critica há de apresentar soluções.
Vamos algumas.
– A questão da desindexação salarial foi apresentada por Lula lá no seu final de 1º mandato com o reajuste pelo PIB. Foi o primeiro ensaio para desindexação geral que passa pela cesta básica, pela energia, pela água pela moradia, mobilidade e logicamente saúde para todos e não deixando de lado o subsidio ao capital financeiro para os excluidos . Essas são coisas essenciais a vida
Dilma quando foi eleita foi bastante clara essa era sua meta, desonerar os pobres e tirar os miséraveis do holocausto pátrio.

ESSE É O MANTRA e todo dia ela diz a que veio.

Temos que recuperar nossas estatais de energia, água e esgoto. Isso não é fácil afinal a economia mista foi recriada pelos militares. Aqui em BsB CEB, Caesb são economia mista que por graça dos trabalhadores de lá não foi levada a ser 51% privada. Ainda detemos o monopolio da administração agora para ser 100%( esse é o mantra) uma longa estrada deve-se caminhar, mas o primeiro passo já foi dado e caminhar é muito bom para a saúde. Para a desindexação geral as empresas que são essenciais a vida devem ser 100% publicas.

Quando Dilma reduziu a conta de luz estava dizendo: A luz totalmente gratuita, a água totalmente gratuita e tantas coisas mais vai levar tempo mas mirem-se em mim. Só por reduzir já foi um chororo imagina quando estatizarmos?

Para construir e manter portos, aeroportos totalmente estatal, nas universidade essa modalidade, gestor publico deve surgir. O Lula gritou, Dilma está a gritar, já se passaram 10 anos e as dondocas universitárias estão fazendo o quê?

Requião que eu tanto respeito, quero lhe fazer uma critica construtiva. Mobilidade urbana metropolitano gratuito deve ser o primeiro passo. Se conseguirmos fazer transporte coletivo GRATUITO para aeroportos, portos e o espacial será brincadeira de criança.
Fazer o necessário primeiro: ONIBUS DE GRAÇA, METRO DE GRAÇA, isso sim é revolucionário. Aqui em Brasilia já começou essa idéia a pegar, a empresa estatal de transporte publico sucateada por Roriz é nossa chance de dar essa contribuição para o Brasil .

Contudo há um problema criado por Bambi. Quando vendeu a CSN atrapalhou a revolução do aço, afinal o grande problema para transporte é a matéria prima motificada. Haja raiva para aguentar o maior entreguista da pátria, FHC.

E tem mais, o subsidio da cesta básica é o primeiro passo para a volta dos supermercados populares que era tão bom e foi destruído por forças ocultas, o MST vai adora o que vem por aí. Eu não entendia qual era a grande mensagem que Dilma trazia com a tal cesta básica, levei algum tempo para entender e acho que já entendi.
A revolução anda a passos lentos sim, não por culpa do govenno federal, contudo ainda anda e Dilma sabe onde o calo do miserável, pobre e do trabalhador aperta e lá que o sapato novo está sendo feito no formato que nós queremos.

Quero sim aeroporto totalmente estatal, portos totalmente estatais, mas antes quero Onibus DEGRATIS e para essa revolução urbana acontecer foco no problema primeiro.

Responder

    H. Back™

    29 de março de 2013 às 12h01

    Quando o Bambi vendeu a CSN (…). Aquilo pode ser chamado de tudo, menos de VENDA. O tal Bambi “emprestou” através do BNDES o dinheiro para a tal privatização. Se isso for chamado de venda, então devemos mudar o seu sinônimo em todos os dicionários.

anac

26 de março de 2013 às 09h43

O que dá mais raiva é que quando conseguimos exaustivamente a duras penas, enfrentando monumentais obstáculos – miséria, violência, educação de baixa qualidade, etc – chegar a vislumbrar o futuro que era por destino direito do povo brasileiro e do Brasil, país de inúmeros recursos, uma minoria abastada que se locupletou por séculos da miséria sabota o país. A sensação é de que andamos um passo e temos que recuar dois por causa dos obstáculos colocados no caminho pelo PiG e elite pervertida. Não bastasse termos o poderoso inimigo externo – o império USA – temos que lutar com os inimigos internos minando o campo. Não sei vcs o sentimento é de que a qualquer momento o PiG com suas estratégias de golpes consiga seu objetivo, fazer o Brasil retornar ao inferno.

Responder

    Mário SF Alves

    29 de março de 2013 às 01h23

    E dizer mais o quê? Também temo pelo retorno ao dantesco inferno. E pior, as condições ainda estão dadas; estão postas. O maldito governo paralelo fora-da-lei, mais conhecido como PiG, continua sua infeliz jornada.
    _______________________________________
    Parabéns pelo comentário, anac.

anac

26 de março de 2013 às 09h33

Reforma politica já!
O Brasil não se sustenta com tanta coalizões do atraso. O PiG aproveita qualquer vacilo para derrubar o governo que trabalha em prol do povo. Governo entreguista como o de FHC pode quebrar três vezes o país, provocar um apagão monumental de energia elétrica causando 40 bilhões de prejuízo, afundar uma mega plataforma de petróleo, fazer sumir 100 bilhões da privataria no limite da irresponsabilidade, etc e o PiG aplaude desde que esteja faturando.

Responder

RONALD

26 de março de 2013 às 09h18

E ele nem falou de alguns economistas que pregam o desemprego para beneficiar o povo e combater a inflação(argh!!!!):

“A saída é frear a economia. É demitir mesmo”

A frase acima é do economista Alexandre Schwartsman (esq.), ex-diretor do Banco Central e um dos pit bulls do sistema financeiro na defesa dos juros altos; assim como ele, Ilan Goldfajn (dir.), economista-chefe do Itaú Unibanco, também defende, abertamente, mais desemprego para conter a inflação; “não dá para fazer omeletes sem quebrar os ovos”, diz; será que existe o risco de que esse discurso seja ouvido em Brasília?

Responder

    maria meneses

    26 de março de 2013 às 15h43

    Para quem falou que não se pode fazer omeletes sem quebrar ps ovos,lembremos que na metáfora os ovos são o povo trabalhador, e a omelete quem irá comer serão os empresários/elites, o capital.

Mardones

26 de março de 2013 às 09h12

É, sem dúvidas, o senador com mais argumento e conhecimento de causa atuante no Brasil.

Com esse discurso, Requião enquadra tanto a direita (esquecida de suas malandragens da ‘era’ FHC) quanto a ex-esquerda e seu continuísmo entreguista.

“Se todos fossem iguais a você”. No entanto, como ninguém é perfeito, faltou fazer a autocrítica ao aliado de primeira ordem do PT. Sim, o PMDB, o partido da fisiologia que contribui para essa falta de um programa para o Brasil.

Requião poderia dizer que o ‘maior partido do Brasil’ é omisso e não contribui para afastar esses fantasmas.

Responder

Nelson

26 de março de 2013 às 08h50

Nestes tempos em que poucos resistiram aos encantos neoliberais, é muito bom ver um senador da nossa República tomar posições mais à esquerda.

Alguns arguirão que “enquanto senador, é mais fácil você tomar posições desse tipo; quando se está no Executivo o ‘buraco é mais embaixo'”.

E eu responderei que, quando governador no Paraná, por dois mandatos, Requião também tomou posições mais à esquerda; mais à esquerda que vários governadores e prefeitos do PT, inclusive.

Ao mesmo tempo em que a postura de Requião causou-me surpresa – boa -, não posso deixar de afirmar que a de muitos Executivos do PT, inclusive Lula e Dilma, é lamentável; profundamente lamentável.

Responder

    jaime

    26 de março de 2013 às 13h38

    Concordo com você Nelson, em todos os pontos. Requião, enquanto governador do Paraná, mostrou que não é apenas discurso, mas atitude. Aplicado ao país o seu estilo, teríamos um progresso real mas para isso acontecer o primeiro passo seria uma reforma política que separasse cada macaco no seu galho. Afinal, o que é um partido hoje? O que é que o Requião está fazendo no PMDB? Qual partido hoje tem uma ideia (ou ideário) que o caracterize? Depois que o PT se esfumou como os fantasmas que ele mesmo cita, depois que usou seus votos para se dissolver com a “base aliada” ao invés de impor seu programa, ficamos todos “vendidos na jogada”, sem norte e sem rumo.

nelton

26 de março de 2013 às 08h25

Pura literatura política, esse pronunciamento. Leitura belíssima.

Responder

sebastiao

26 de março de 2013 às 08h15

Como sempre brilhante !!!

Responder

Mário SF Alves

26 de março de 2013 às 08h05

Imagino a reação do mulato Machado de Assis ao ler este discurso. Ficaria grato, certamente. Mas, e quanto a nós? Nós que já quase não suportamos mais a a dita realpolítica; nós que já quase nos cansamos do indefectível tudo pela governabilidade; nós que desde o primeiro governo Lula ficamos em paz com a nossa consciência cristã, mas que estamos ainda longe de pacificar a nossa consciência cívica; nós que ainda aguardamos as diretrizes de ação coletiva do maior partido político [ressalte-se, partido político] da história deste país. Pois é, e quanto a nós?
___________________________________________
Já de há muito convivemos com os nossos próprios fantasmas e alegorias. Já de há muito vemos rondar-nos o espectro de tudo aquilo que anseia por roubar-nos a frágil democracia que temos [mídio tutelada] e nos jogar no inferno de mais uma ditadura de direita [dissimulada ou não]; já de há muito tiramos da estante o Casa Grande e Senzala; já de há muito temos nos referido ao secular regime casa-grande-BraZil-eterna-senzala; já de há muito temos nos referido ao sui generis capitalismo subdesenvolvimentista “nacional”, criação malévola deste mesmo regime; já de há muito temos nos referido à mídia corporativa como braço ideológico usado para fazer perpetuar este mesmo regime. Sim, e quanto a nós?
___________________________________________________

É certo que um Requião sózinho não faz verão, assim como um Collor, ainda que renovado e combatendo o bom combate, sozínho não faz verão. Então, e por isso mesmo, fica a dúvida: não seria este o momento propício para a multiplicação de Requiões e de Collors renovados? Não seria este o momento de pensarmos mais cuidadosamente no até quando seria justificável o “discurso” da realpolítica, e/ou o do quase tudo pela governabilidade? Não seria esta a hora de multiplicarmos ou replicarmos o conhecimento, a valentia e a determinaçãos dos nossos dois Zés, Dirceu e Genoino?
________________________________________

E, seja como for, a única coisa que exigimos é que se respeite as regras do jogo [quem não gosta de brincar não desce pro play]. A única coisa que exigimos é respeito à Constituição Federal do Brasil, a Cidadã. A única coisa que exigimos é o devido e imprescindível respeito para com a nossa ainda frágil democracia. Basta isso e tudo se resolve; basta isso e o Brasil se desenvolve.
O planejamento, a eficácia do planejamento, como bem lembrado pelo senador Requião, depende disso, depende da consolidação da democracia no Brasil; depende de nos descondicionarmos da excessiva tolerância frente a tudo que cheire a até hipóteses de realpolítica, e claro, de um PT realisticamente aguerrido e declaradamente contra o fisiologismo e o empoderamento personalístico.

Responder

Lu Witovisk

26 de março de 2013 às 08h02

Pena que nunca deixarão este homem se habilitar. Precisávamos de muitos Requiões no Executivo e Legislativo, no judiciario tb seria bom, quem sabe o poder recuperasse o J maiusculo.

Responder

Amaro Doce

26 de março de 2013 às 07h56

Fora de pauta: nem o diabo acredita

Manchete do Estadão, matéria só para cadastrados ou assinantes.

“Gol tem prejuízo no 4º trinestre, reduzirá capacidade doméstica”.

Como é que uma empresa que divide o oligopólio com outra (a TAM) ficou no vermelho num trimestre qualque do ano? Nem o senador Requião, com a sua ironia fina, saberia explicar.

O que nós ouvimos do governo é que tá todo mundo viajando de avião, e o que ouvimos da oposição é que, POR ISSO mesmo, OS AEROPORTOS BRASILEIROS ESTÃO SUCATEADOS.

E o Constantino no prejuízo. Que desagraça! Daqui a pouco a Dilma vai ter que convidar a American Airline para tapar os “buracos” deixados no céu pela Gol, com esse seu plano de redução de voos.

Será que todo empresário dos negócios da aviação no Brasil são suicidas? Ou será que eles são muito vivos? Primeiro foi a Varig, que mesmo suspirando, tem hoje um papel secundário na aviação comercial brasileira. Depois faliram a Transbrasil, a Vasp e a BRA. E os donos dessas empresas, coitados! sairam na maior pindaíba do mundo, sem dinheiro até mesmo para pagar por um PF (prato feito).

Que os pássaros se apiedem das aviação comercial brasileira. Eles agradecem os buracos deixados neste céu de Brigadeiro.

Responder

    Julio Cesar Montenegro

    26 de março de 2013 às 15h09

    ficou também no ar
    outra herança maldita da dita dura:
    acabaram com a panair do brasil
    pra fortalecer a varig do berta
    patrocinador nazista (desde jango)
    dos nossos gorilas fascistas
    a ditadura foi [email protected] onde sumiu
    a política como administração pública
    de diferentes interesses
    para virar dura disputa em arena
    entre feras carniceiras
    por ares vales rios serras & cachoeiras
    em feiras

Sagarana

26 de março de 2013 às 07h51

Requião arrepiaria o cabelo do corpo inteiro se soubesse que Lula alertou Dilma que o povo não liga para taxa de juros mas sofre com a inflação. Talvez o Senador paranaense devesse ir para algum “paraíso” tipo Grécia ou Chipre.
O vento, meu caro Senador, virou. O bom timoneiro não se revela com o vento em poupa. O bom timoneiro é aquele que conduz a nau a bom termo durante o mar revolto! Não creio que seja o caso da governanta de plantão. Veremos!

Responder

    abolicionista

    26 de março de 2013 às 10h37

    O vento virou? E quem disse isso, a previsão do tempo? Da Folha, da Veja ou do Estadão? O tempo virou foi na crise de 2008, da qual o Brasil saiu fortalecido. Se um tucano, ave infensa às chuvas e intempéries, estivesse no controle, teríamos ido à pique. Que urrem os banqueiros e os vampirões assinalados, a mamata acabou.

    Sagarana

    26 de março de 2013 às 19h37

    Eu disse!

    abolicionista

    28 de março de 2013 às 13h15

    Eu já imaginava…;)

    Luiz (o outro)

    26 de março de 2013 às 10h41

    Pois é… felizmente temos o Grande Timoneiro Lula pronto a reassumir o comando caso a coisa fique feia… porque o FHC só serviu pra colocar uma âncora no pescoço de cada trabalhador brasileiro…

JULIO*Dilma2014/Contagem(MG)

26 de março de 2013 às 06h47

Esse passado fantasmagórico muito bem relatado pelo excelente senador Re
quião, só volta, se for no golpe.

Responder

Amaro Doce

26 de março de 2013 às 06h01

Senador Requião, meu cumprimentos.

Do seu discurso, a frase: “Afinal o patriotismo é um recurso à mão, quando faltam razões, como nos exemplifica aquele jornal a serviço do Brasil”

Saiba que foi durante o apagão que aquele jornal a serviço do Brasil (a Falha de São Paulo, que alguém já chamou de a Rolha de São Paulo) se transformou num jornal a serviço das trevas. E nunca mais encontrou a luz.

Responder

Augusto G. Sperandio

26 de março de 2013 às 03h50

A clareza de visão do Senador Requião, como de hábito, é fantástica. Pena que o mesmo não tenha uma posição de destaque junto ao governo federal.
Parabéns Senador Requião pelas críticas procedentes e construtivas. Oxalá fossem admitidas, e SEGUIDAS À RISCA pelo governo Dilma, que pelos motivos citados, e alguns outros, vem decepcionando pela atuação.
Tenho saudades do governo Lula, porque suponho que neste momento estaria costurando transformações políticas de base para o futuro do país. Mas, nossa grande técnica despreza essa atividade.

Responder

Otavio Lã

26 de março de 2013 às 01h07

Vida longa ao Requião. Ácido e ferino na medida.

Responder

Priscila maria presotto

26 de março de 2013 às 00h39

Achei bárbaro ,falou tudo e mais um pouco e gostei pelo fato que ao citar as assombrações…….

Responder

anac

26 de março de 2013 às 00h26

O tucanos trabalham exaustivamente para quebrar o país pela quarta vez. Os tucanos estão saudosos do FMI. Defendem os juros escorchantes e abusivos e tarifa de energia elétrica extorsiva. O pior é ter brasileiro da classe mrdia (otário) que vota nessa gente e defende o direito dos 1% de extorqui-lo. Complexo de vira-lata é pouco.

Responder

Julio Silveira

26 de março de 2013 às 00h10

Respondendo ao Requião, quem se habilitar vai levar meu voto.
Alias sobre ele, devo confessar que este discurso faz com que comece a esfumaçar um pouco de minha desconfiança sobre sua personalidade, vendida como contraditória. Ainda sobre ele, fica demonstrado que dentro do partido que pertence há opções mais saudaveis para o PT se apoiar. Talvez por medo da concorrência os tenham levado a preferir os cancros do partido emedebe, sob a premissa de que a ajuda seria entendida apenas como institucional. O que vemos não procede. O partido cada vez mais carrega um onus em crescimento e recebe cada vez menos bonus pelas más companhias. E por falar em concorrência é justamente ela que faz com que a esquerda não se encontre por algo maior, o bem do Brasil, quando colocam os egos de seus lideres mais bem posicionados antes do interesse da cidadania, preferindo via de regra se misturarem a direita, acreditando no discuso da possivel mistura entre oleo e vinagre, fazendo com que costumeiramente fiquem na história mas percam o trem da história.

Responder

Flávio Augusto

26 de março de 2013 às 00h08

Esse daí come semente de mamona. Ninguém o leva a sério, exceto o Viomundo.

Responder

    Mário SF Alves

    26 de março de 2013 às 10h59

    É… interessante… come semente de mamona, mas arrota um discurso pra lá de realista. Interessante.
    __________________________________________
    Não. Pensando melhor, o discurso dele não tem nada de realista. Mesmo porque, onde estaria o realismo num discurso que ignora por completo a realpolítica, a realpolitik, né não Flávio?

    Waldir

    26 de março de 2013 às 12h14

    E os eleitores do Paraná, que o fizeram duas vezes governador e agora senador.

    simas

    27 de março de 2013 às 23h06

    Peraê, Augusto! Ninguém o leva à sério… na sua casa; neh? Pq, q eu saiba, o homem tem votos no Paraná, pra caramba. E, isso, com a imprensa, maldita, no calcanhar. O outro é q pegou o bonde, andando e, na ordenação do espaço paranaense, tomada de assalto, conseguiu implantar projeto de transporte público, moderno, q encontrou em revistas estrangeiras. Queria ver esse outro inovar em Sampa e no Rio. Queria. Um astro na mídia; isso, sim…
    O Requião é eficiente e combativo; sabe das coisas. Seu mal é ter ficado a repetir o caso do Banestado.
    À propósito, foi ele q me contou, sobre o envolvimento do Eduardo, pernambucano nos meandros dos precatórios; deixando mto mal o velho, Arraes. Foi ele, Requião. Pq… aê, sim, ninguém comenta sobre…

Abel

25 de março de 2013 às 23h44

O Requião devia ser romancista :) Mas o que ele diz tem muito de verdade…

Responder

Fabio Passos

25 de março de 2013 às 23h44

Requiao simplesmente arrasa com os neoliberais-entreguistas.
E nao poupa o governo que treme diante do capital e das oligarquias do PiG

Responder

FrancoAtirador

25 de março de 2013 às 23h09

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.
ÍNTEGRA DO DISCURSO DO SENADOR ROBERTO REQUIÃO

FANTASMAS DO ATRASO ASSOMBRAM O PAÍS

Senhoras e senhores senadores, venho hoje a esta tribuna para fazer uma confissão: eu confesso que tenho medo de fantasmas.

Esse pavor acentuou-se em minha recente viagem à Polônia e à Suécia. Longe do Brasil, sob o frio europeu, com temperaturas nunca acima do zero, frequentando ambientes já antigos antes que Cabral aqui aportasse, elevou-se-me o terror às almas penadas.

A cada notícia do Brasil, especialmente as notícias sobre a economia nacional, sobressaltava-me com o desfile dos espectros que emergiam da tela do computador, da tela da televisão, da tela do celular, das páginas dos jornais, dos boletins e releases dos bancos, corretoras e empresas de consultoria, que a nossa gloriosa mídia usa como fonte primária.

Como no filme “Poltergeist”, um dos clássicos do cinema de terror dos anos 80, as assombrações surgiam, reproduziam-se, envolviam-me. Mesmo que fantasmagóricas, ilusivas, era possível reconhecer as aparições.

E lá vinham os avejões dos irmãos Mendonça de Barros, o Luiz Carlos e o José Roberto. O primeiro, nada amistoso para a circunstância de desencarnado, interpelava a presidente Dilma, acusando-a de impor “condições inaceitáveis” às concessionárias privadas. Nos limites da irresponsabilidade, reivindicava “condições de mercado” para as privatizações petistas, semelhantes às da entrega da telefonia, da Vale, das ferrovias e comezainas da espécie, como diriam os portugueses.

Ainda dando de dedo na presidente, vi esfumar-se o Mendonção, e dá-se o aparecimento de José Roberto. Suas apóstrofes dirigem-se ao “modelo do setor elétrico” do atual governo.

As reprimendas foram tão incisivas que, assustado, vieram-me à lembrança aqueles anos, entre 1995-2002, quando o Brasil quebrou três vezes, e não foi possível ver todos os estragos da débâcle porque houve um apagão, tão denso que jornais, televisões, rádios não puderam noticiar, por falta de luz e, certamente, também para não espalhar o medo antipatriótico entre os brasileiros. Afinal o patriotismo é um recurso à mão, quando faltam razões, como nos exemplifica aquele jornal a serviço do Brasil.

Mal se evaporam os Mendonças, emergem do vazio as barbas brancas de Gustavo Loyola, tantas vezes colocadas de molho. Professoralmente, elas advertem: o Brasil não está preparado para conviver com taxas de juros estruturalmente menores.

Proclamada a nossa incapacidade atávica de se libertar dos usurários, as barbas do ex-presidente do Banco Central desmancham-se em mil fios. Enquanto opera-se o prodígio, coça-me uma pergunta: “Seriam os ares tropicais ou a nossa tão celebrada mulatice responsáveis por essa inabilitação a desenredar-se da agiotagem?”.

Pela janela do hotel em Varsóvia via a neve cair e aquela chuva branca produzia a ilusão de novos fantasmas.

Agora vinham em cortejo, esvoaçando, voltejando, rodopiando, bailando na noite fria, de fraque e cartola, pois era um cortejo de banqueiros, embora, embaçando-se no fundo da cena, parecia-me que alguém vinha a cavalo, pelo porte um puríssimo árabe.
Banqueiros, corretores, financistas, ex-presidentes do Banco Central.
Enfim, uma finíssima coleção de espectros.

Não consegui identificar todos. Goldfarb? Arida? Lara Rezende? Gustavo Franco? Bacha? Ou aquele lá poderia ser Salvatore Cacciola?

Seja como for, como um jogral ou o coro sinistro de uma tragédia grega, invectivavam contra o ministro Mantega, a presidente Dilma, o PT, o Lula acusando-os de não entender nada de economia, de” ignorantes dos fundamentos macro-econômicos”, de remendões pretensiosos que ultrapassaram os limites dos chinelos, de perdulários, dissipadores da burra pública.
Um deles, não consegui identificar quem, embora uma vozinha miúda o traísse, gritava:
“E a inflação? O que é que o PT tem a me dizer da inflação? Hein, hein?”.
A que outro fantasma atalhou: “E a inadimplência? E a inadimplência? Não esqueça a inadimplência”.
Quando é que vai parar essa gastança dos trabalhadores? As famílias já estão muito endividadas!”.

E eis que ouço um “oh!” extasiante, comovedor.

Os espectros financeiros apartam-se reverentes e, no centro da fantasmagoria, surgem Milton Friedman e Eugênio Gudin, uma visagem tão inesperada que me paralisa. De que profundezas, de que ideias tão fossilizadas ergueram-se?

Pontificais, recitam a litania: corte dos gastos públicos, redução do consumo, enxugamento do crédito e elevação dos juros como mecanismos de combate à inflação, contenção dos aumentos salariais, flexibilização das leis trabalhistas, abertura ilimitada ao capital estrangeiro e à remessa de lucros para o exterior, privatizações, terceirizações, concessões…
e, recitando a chorumela, apagaram-se na noite tenebrosa.

Enquanto Friedman e Gudin se desmancham, o coro financeiro, agora encorpado por notáveis da oposição, pelos “especialistas” ouvidos todos os dias pela GloboNews e pela CBN, a cada meia hora, por colunistas multiuso que nada entendem de tudo, o coro de novo extasia-se, deleita-se, inebriado.

À medida que se produz a esfumação, revelasse-me certa confusão, transparece-me que os fantasmas inquietam-se e vejo, tenho a ilusão de ver, que uma nova assombração, toda esbaforida, quer se incorporar ao cortejo, talvez querendo ser o filho nessa trindade. Não deu tempo. Chegou atrasado. E vejo toda a frustração no rosto mal delineado de Mailson da Nóbrega.
Nem bem se dissolve o coro dos financistas, colunistas e avizinhados, vejo formando-se novo préstito cantante. São editorialistas dos jornalões, apresentadores e comentaristas de televisão, economistas e analistas do mercado, e os inefáveis oradores da oposição.

Esvoaçam, adejam sem qualquer graça ou arte, desafinam na cantoria, um cantochão maçante, cujo estribilho repete sem parar , como o corvo de Poe, “contabilidade criativa”, contabilidade criativa”, “contabilidade criativa”.

O coro eleva o tom, vocifera protestos, vergasta o lombo do ministro Mantega com adjetivos contundentes, pontiagudos. Deploram o que chamam de fraude, desonestidade, falta de transparência.
Enquanto o pobre ministro e a própria presidente vêem-se na roda, espetados por tanta indignação, eis que surge um estraga-prazeres para espantar os fantasmas.
É o professor Luiz Gonzaga Belluzzo, ele faz voltas em torno dos abantesmas com um cartaz, onde se lê: “Lembrem-se dos anos 90”.

Curioso pela advertência do economista, acuro os ouvidos para entender o que ele diz. Mas o vozerio das assombrações é muito forte, o tom elevado. A muito custo distingo parte do que ele diz. E ele diz:
“Não é novidade o uso de receitas não recorrentes para engordar o superávit primário. Assim foi feito nos anos 1990, na “era das privatizações”. Isso não impediu a escalada da dívida pública entre 1995 e 1999. Nesse período a dívida saltou de 29 por cento por cento do PIB para 44,5 por cento”.

Estarreço-me com a revelação. “Contabilidade criativa” nos dois períodos do governo tucano? O PSDB também fez isso? Não posso acreditar”.

Mas, sendo verdade, o editorial do “Estadão”, afirmando que a presidente Dilma, ao fazê-lo, deu “mais uma prova do firme compromisso com o atraso e o subdesenvolvimento” também se aplica ao presidente Fernando Henrique Cardoso?
Seria sua Excelência também vanguarda do atraso e do subdesenvolvimento como os Mesquitas, ou seja lá quem hoje é o dono do jornal, disseram?

Doem-me ainda nos ouvidos os agudos da exasperação, da santa fúria do jornalão: “As bases de uma economia saudável, promissora e atraente para empreendedores de longo prazo estão sendo minadas por uma política voluntarista, imediatista, populista e irresponsável, embalada num mal costurado discurso desenvolvimentista”.

Senti pena do couro dos senhores Pedro Malan, Gustavo Franco e outros criativos condutores da política econômica no governo FHC; com que marteladas foram agraciados pelos barões paulistanos.

O constrangimento provocado pelo economista palmeirense, reavivando fatos tão recentes, opera como exorcismo, pulverizando o cortejo fantasmático.
As assombrações, no entanto, não se aquietam. Deixo a Polônia, despeço-me de Varsóvia que, tão coberta de neve, parece-me ilusória, irreal, fictícia para quem acostumado aos trópicos. Na Suécia não faz menos frio. Também Oslo envolve-se na neve.

As noites ermas, frias e escuras são um convite à visitação das almas penadas.
E elas não se fazem de rogadas e logo me assombram, espantam-me, assustam-me.
Vejo ajuntamentos de pessoas, desfiles. São imagens muito antigas. Os pelotões passam, os marchadores erguem o braço direito, gritam uma saudação indígena; no alto das mangas de suas camisas, um símbolo, uma letra, o sigma, a décima oitava letra do alfabeto grego, também usada como símbolo matemático, representando somas ou variáveis estatísticas.
Tenho a ilusão de que o sigma desgruda das camisas verdes, gira em um caleidoscópio, e compõe como que uma coroa de letras e transforma-se, agora, em símbolo da mais poderosa usina da idéias conservadoras do Brasil, o think thank Instituto Millenium.
A visagem deságua em pesadelo quando o subconsciente trás à memória siglas como IPES, Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais, IBAD, Instituto Brasileiro de Ação Democrática, GPMI, Grupo Permanente de Mobilização Industrial, usinas de idéias antipopulares, antitrabalhistas, antissociais, antidemocráticas, antibrasileiras, anti-humanas.

IPES, IBAD, GPMI, anauê, sigmas…… que pesadelo!

Na derradeira noite sueca, fria, nebulosa, inóspita, os fantasmas se divertem em me pespegar outra pantomima. De novo, um imenso cortejo espectral.
Não me é muito difícil distinguir as fisionomias dessas almas aflitas que flutuam entre os fantasmas dos terríveis vikings e o espírito inquieto de Gunnar Myrdal, desolado com o afastamento de suas idéias.

Furando as brumas polares, penso ver plataformas de exploração de petróleo, espalhando-se mar adentro; tenho a ilusão de navios, imensos petroleiros; desorientam-me, em seguida, nova dança de símbolos, logotipos que se sobrepõem, dissolvem-se, anulam-se.
E das águas glaciais, das geleiras tão áridas quanto o ardente Saara ilumina-se um dístico, heráldico: Petrobrax.

À medida que a marca toma conta do campo visual de meu pesadelo, ouço vozes, discursos indignados, e leio manchetes de genuíno e antigo verde-amarelismo em defesa da estatal. E fico confuso com essa troca de papéis entre os fantasmas da pátria tão distante.

Teria ocorrido alguma revolução? alarmei-me.

Esses foram os últimos espectros que me rondaram e me assombraram no velho continente.
Aportado o Brasil, de outra qualidade são os meus espantos.
Aterroriza-me não a contabilidade criativa, e sim a ideologia do superávit primário.
Desassossega-me não o aumento da inflação, e sim corrosão de nossa base industrial, sucateando-se ao céu aberto da incúria governamental.
Alvoroça-me não o crescimento da inadimplência, e sim a fragilidade de uma política econômica que se ancora no consumo, no crédito consignado e na exportação de commodities.
Assusta-me não a expansão dos gastos públicos, e sim a paralisia das obras de infra-estrutura; a execução lentíssima, sonolenta do Orçamento da União.
De que têm medo os nossos próceres ministeriais? Intimidam-nos a insepulta Delta ou o libérrimo Cachoeira?

Apavora-me não o desacordo em relação às metas, e sim, as próprias metas, camisa de força imposta pelo mercado, pela financeirização da economia, que certa esquerda transforma bandeira para ser vista como “responsável”, “moderna”. Argh!!!

Estarrecem-me não as privatizações, e sim o abuso, o desregramento das concessões, superando até mesmo toda fobia privatista de Margareth Thatcher, como se vê agora no caso dos portos.

Assombra-me não o picadinho variado das medidas do Ministério da Fazenda, e sim a falta de uma Política Econômica que se enquadrasse em um Programa para o Brasil, doutrinariamente à esquerda, fundado na solidariedade, na distribuição da renda e dos benefícios do avanço tecnológico, na prevalência, sempre, dos interesses populares e nacionais.

A oposição, a direita sabe o que quer. Não se apoquenta com dúvidas, receios ou escrúpulos; quando muito, disfarça o tom para não assustar, e açucara o óleo de rícino com que, no poder, trata as crises e os interesses conflitantes.

São dessa ordem, são dessa qualidade os meus espantos, os espectros que me assombram, assustam e inquietam.
E até quando viveremos nesse tormento, sem rumo, sem qualquer garantia, sem nenhuma segurança?
E a única segurança é um Programa para o Brasil.
Quem se habilita?

(http://www.robertorequiao.com.br/discurso-do-senador-requiao-diz-que-fantasmas-do-atraso-assombram-o-pais)

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