VIOMUNDO

Diário da Resistência


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Quando a Folha incitou Alckmin a bater no “grupelho”


16/06/2013 - 08h08

13/06/2013 – 03h30

Editorial: Retomar a Paulista

da Folha de S. Paulo

Oito policiais militares e um número desconhecido de manifestantes feridos, 87 ônibus danificados, R$ 100 mil de prejuízos em estações de metrô e milhões de paulistanos reféns do trânsito. Eis o saldo do terceiro protesto do Movimento Passe Livre (MPL), que se vangloria de parar São Paulo — e chega perto demais de consegui-lo.

Sua reivindicação de reverter o aumento da tarifa de ônibus e metrô de R$ 3 para R$ 3,20 — abaixo da inflação, é útil assinalar — não passa de pretexto, e dos mais vis. São jovens predispostos à violência por uma ideologia pseudorrevolucionária, que buscam tirar proveito da compreensível irritação geral com o preço pago para viajar em ônibus e trens superlotados.

Pior que isso, só o declarado objetivo central do grupelho: transporte público de graça. O irrealismo da bandeira já trai a intenção oculta de vandalizar equipamentos públicos e o que se toma por símbolos do poder capitalista. O que vidraças de agências bancárias têm a ver com ônibus?

Os poucos manifestantes que parecem ter algo na cabeça além de capuzes justificam a violência como reação à suposta brutalidade da polícia, que acusam de reprimir o direito constitucional de manifestação.

Demonstram, com isso, a ignorância de um preceito básico do convívio democrático: cabe ao poder público impor regras e limites ao exercício de direitos por grupos e pessoas quando há conflito entre prerrogativas.

O direito de manifestação é sagrado, mas não está acima da liberdade de ir e vir — menos ainda quando o primeiro é reclamado por poucos milhares de manifestantes e a segunda é negada a milhões.

Cientes de sua condição marginal e sectária, os militantes lançam mão de expediente consagrado pelo oportunismo corporativista: marcar protestos em horário de pico de trânsito na avenida Paulista, artéria vital da cidade. Sua estratégia para atrair a atenção pública é prejudicar o número máximo de pessoas.

É hora de pôr um ponto final nisso. Prefeitura e Polícia Militar precisam fazer valer as restrições já existentes para protestos na avenida Paulista, em cujas imediações estão sete grandes hospitais.

Não basta, porém, exigir que organizadores informem à Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), 30 dias antes, o local da manifestação. A depender de horário e número previsto de participantes, o poder público deveria vetar as potencialmente mais perturbadoras e indicar locais alternativos.

No que toca ao vandalismo, só há um meio de combatê-lo: a força da lei. Cumpre investigar, identificar e processar os responsáveis. Como em toda forma de criminalidade, aqui também a impunidade é o maior incentivo à reincidência.

PS do Viomundo: Como observou um internauta, parece coisa da Folha da Tarde dos tempos em que os Frias colocaram o vespertino para propagar as mentiras da ditadura militar.

Leia também:

Lino Bocchini: Editoriais de Estadão e Folha pediram violência da PM

A mídia descontrolada: Episódios da luta contra o pensamento único
A mídia descontrolada

O livro analisa atuação dos meios de comunicação.

A publicação traz uma coletânea de artigos produzidos por um dos maiores especialistas do Brasil no tema da democratização da comunicação.

Por Laurindo Lalo Leal Filho



39 comentários

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"Quadrilha" que a polícia do Cabral arranjou inclui até professor de ioga; Pedro Serrano diz que, juridicamente, é Estado de exceção - Viomundo - O que você não vê na mídia

08 de agosto de 2013 às 21h37

[…] diga-se, deram uma guinada de 180 graus na cobertura depois de pregar a repressão policial (aqui e […]

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Marcos Sousa

18 de junho de 2013 às 09h19

Gente, aproveitemos o momento!! É que o projeto de lei 5.500/13, que distribui 100% dos royalties do petróleo para a educação, tranca a pauta da Câmara dos Deputados desde ontem e poderia ser também um dos motivos das reivindicações nas manifestações.
Vê: http://mticianosousa.blogspot.com.br/2013/06/royalties-do-petroleo-para-educacao.html

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Vinicius Wu: Não, não é uma conspiração das elites | Jornal A Verdade

18 de junho de 2013 às 08h12

[…] Quando a Folha incitou Alckmin a bater no grupelho […]

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Clovis de Souza

18 de junho de 2013 às 07h32

A Folha tenta se explicar, em vão (Veículos da Folha eram usados pelo regime militar.)
Nos três momentos mais importantes da história brasileira, a mídia estava do lado golpista, do lado das elites, contra o povo e a democracia. Entre eles, a Folha de S. Paulo, um dos que mais tem a esconder do seu passado e do seu presente Os órgãos da imprensa brasileira não podem fazer suas histórias, tantos são os episódios, as posições, as atitudes indefensáveis deles ao longo do tempo. Suas trajetórias estão marcadas pelas posições mais antipopulares, mais antidemocráticas, racistas, golpistas, discriminatórias, de tal forma que eles não ousam tentar contas suas histórias. Os órgãos da imprensa brasileira não podem fazer suas histórias, tantos são os episódios, as posições, as atitudes indefensáveis deles ao longo do tempo. Suas trajetórias estão marcadas pelas posições mais antipopulares, mais antidemocráticas, racistas, golpistas, discriminatórias, de tal forma que eles não ousam tentar contas suas histórias. Como relatar que estiveram sempre contra o Getúlio, pelas políticas populares e nacionalistas dele? Como recordar que todos pregaram o golpe de 1964 e apoiaram a ditadura militar, em nome da democracia? De que forma negar que apoiaram entusiasticamente o Collor e o FHC e fizeram tudo para que o Lula não se elegesse e se opuseram sempre a ele, por suas políticas sociais e de soberania nacional? Nos três momentos mais importantes da história brasileira, a mídia estava do lado golpista, do lado das elites, contra o povo e a democracia. Entre eles, o jornal dos Frias, um dos que mais tem a esconder do seu passado e do seu presente. Uma funcionária da empresa há 24 anos, que fez sua carreira profissional totalmente na empresa, sem sequer conhecer outras experiências profissionais, que já ocupou vários cargos na direção da empresa, decidiu – ou foi decidida – a escrever uma espécie de história ou de justificativa da empresa dos Frias. O livro foi publicado numa coleção da empresa. A funcionária se chama Ana Estela de Sousa Pinto e o livrinho tem o titulo Folha explica Folha. Mas poderia também se intitular Folha tenta se explicar, em vão. Livro mais patronal, não poderia existir, até porque quem o escreve não tem a mínima isenção para analisar a trajetória da empresa da qual é funcionária. Começa com uma singela apresentação histórica das origens da empresa. De resgatável, uma citação do editorial de apresentação do primeiro jornal da empresa, que se diz como um jornal “incoerente” e “oportunista”, numa visão premonitória do que viria depois. Nada do que é relatado considera a historia como elemento constitutivo do presente. São informações juntadas, num péssimo estilo de historiografia que não explica nada. Logo no primeiro grande acontecimento histórico que a empresa vive, sua natureza política já aflora claramente: apoio a Washington Luís e oposição férrea a Getúlio, tudo na ótica que perduraria ao longo do tempo: “a defesa dos interesses paulistas” ou do interesse das elites, revelando a função da imprensa paulista: passar seus interesses pelos de São Paulo. Naquele momento se tratava de defender os interesses da lavoura do café. Para favorecer aos fazendeiros em crise, a empresa aceitava o pagamento de assinaturas em sacas de café, revelando o promiscuidade entre jornal e o café. De forma coerente com esse anti-getulismo em nome dos interesses de São Paulo, a empresa se alinha com a “Revolução Constitucionalista” de 1932, contra a “ditadura inoperante, obscura e inepta em relação ao Estado de São Paulo”. O estado é sempre a referência, sinônimo de progresso, de liberdade, de democracia. O anti-getulismo é visceral: “O diretor Rubens Amaral levava seu anti-getulismo ao extremo de impedir que os filhos saíssem de casa quando o ditador (sic) visitava São Paulo. ‘Dizia que o ar estava poluído”, conta sua filha mais velha.” Esse elitismo paulistano fez, por exemplo, que o Maracanaço de 1950 só fosse noticiado na terça-feira, na pagina 4 do caderno “Economia e Finanças”. A autora tenta abrandar as coisas. Afirma que “A posição da Folha foi oscilante ao abordar o governo de João Goulart (1961-64) e a ditadura que o sucedeu.” Mentira, o jornal fez campanha sistemática pelo golpe militar. Bastaria ela ter se dado ao trabalho de ler os jornais daquela época. Encontraria, por exemplo, no dia 20/3/1964, a manchete: “São Paulo parou ontem para defender o regime”. E, ainda na primeira pagina: “A disposição de São Paulo e dos brasileiros de todos os recantos da pátria para defender a Constituição e os princípios democráticos , dentro do mesmo espírito que dito a Revolução de 32, originou ontem o maior movimento cívico em nosso Estado: “Marcha da Família, com Deus, pela Liberdade”. E vai por aí afora, reproduzindo exatamente as posições que levaram ao golpe. Editorial de primeira página vai na mesma direção. Bastaria ler alguns dos jornais desses dias e semanas, para se dar conta da atitude claramente golpista, mobilizadora a favor da ditadura militar, pregando e enaltecendo as “Marchas”. Nenhuma oscilação ou ambiguidade como, de maneira subserviente, a autora do livrinho sugere. A transformação da Folha da Tarde num órgão diretamente vinculado à ditadura militar e a seus órgãos repressivos, o papel de Carlos Caldeira, sócio dos Frias, no financiamento da Oban, assim como o empréstimo de veículos da empresa para dar cobertura à ações terroristas da Oban, são coerentes com essas posições. De Caldeira, ela não pode deixar de mencionar que “tinha afinidade com integrantes do regime militar e era amigo do coronel Erasmo Dias”. “Caldeira não era o único com conexões militares. Na redação da empresa havia policiais civis e militares, tanto infiltrados como declarados – alguns até trabalhavam armados.” Sobre o empréstimo dos carros à Oban, a autora tenta aliviar a responsabilidade dos patrões, mas fica em maus lençóis. Há os testemunhos de Ivan Seixas e de Francisco Carlos de Andrade, que viram as caminhonetas com logotipos da empresa estacionadas várias vezes no pátio interno na fatídica sede da Rua Tutoia. Só lhe resta o apelo às palavras do então diretor do Doi-Codi, major Carlos Alberto Brilhante Ustra – condenado pela Justiça Militar como torturador – que “nega as afirmações dos guerrilheiros”. Bela companhia e testemunha a favor da empresa dos Frias, que a condena por si mesma. Já um então jornalista da empresa, Antonio Aggio Jr. “reconhece o uso de caminhonete da empresa por militares, mas antes do golpe”. Dado o precedente, ainda na preparação do golpe, nada estranho que isso tivesse se sistematizado já durante a ditadura. Fica, portanto, plenamente caracterizado tudo o que diz Beatriz Kushnir no seu indispensável livro “Caes de Guarda”, da Boitempo, significativamente ausente da bibliografia do livro, sobre a conivência direta da empresa dos Frias na ditadura, incluído o empréstimo das viaturas para a Oban. Editorial citado confirma a posição da empresa: “É sabido que esses criminosos, que o matutino (Estado) qualifica tendenciosamente de presos políticos, mas que não são mais do que assaltantes de bancos, sequestradores, ladrões, incendiários e assassinos, agindo, muitas vezes, com maiores requintes de perversidade que os outros, pobres-diabos, marginais da vida, para os quais o órgão em apreço julga legítimas toda promiscuidade.” (30/6/1972) Assim os Frias caracterizam os que lutaram contra a ditadura. Fica plenamente caracterizado que a empresa estava totalmente do lado da ditadura, reproduzindo os seus jargões e a desqualificação dos que estavam do lado da resistência. Passando pelo apoio ao Plano Collor, a empresa saúda a eleição de FHC como a Era FHC, com um caderno especial, assumindo que se virava a pagina do getulismo, para que o Brasil ingressasse plenamente na era neoliberal. Do anti-getulismo a empresa passou diretamente para o anti-lulismo – posição que caracteriza o jornal há tempos -, sempre em nome da elite paulista. A Era FHC acabou sem que o jornal tivesse feito sequer uma errata e nem se deu conta que a nova era é a Era Lula. A decadência da empresa não consegue ser escondida. Depois de propalar que tinha chegado a tirar 1.117.802 exemplares em agosto de 1994, 18 anos depois, com todo o aumento da população e da alfabetização, afirma que tira pouco mais de 300 mil, para vender muito menos – incluída ainda a cota dos governos tucanos. Ao longo dos governos FHC e Lula, a empresa foi sendo identificada, cada vez mais, com órgão dos tucanos paulistanos, seus leitores ficaram reduzidos aos partidários do PSDB, sua idade foi aumentando cada vez mais e o nível de renda concentrado nos setores mais ricos. A direção do jornal, exercida pelos membros da família Frias nos seus cargos mais importantes, tendo a Otavio Frias Filho escolhido por seu pai para sucedê-lo, cargo que ocupa já há 18 anos, por sucessão familiar. Apesar de quererem explicar a Folha, a impossibilidade de encarar com transparência sua trajetória, o livro se revela uma publicação subserviente aos proprietários da empresa, oficialista, patronal, que reflete o nível a que desceu a empresa ao longo das duas ultimas décadas.

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ACORDA! | Blog da Erika Lemos

18 de junho de 2013 às 05h29

[…] O editorial em que a Folha pediu a repressão dos “vândalos” […]

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FrancoAtirador

18 de junho de 2013 às 00h44

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Olha a polícia da ditadura!

Nas últimas semanas, a repressão policial contra manifestantes do Movimento Passe Livre expõe as vísceras de uma PM que sempre torturou, espancou e matou na periferia e no campo, protegida pelo sistema judicial.

Por Maria Inês Nassif, na Carta Maior

No momento em que o país, pela primeira vez, se debruça sobre o seu passado, conta os mortos e desaparecidos da ditadura, aponta torturadores e mostra para a sociedade que não esqueceu as sequelas físicas e psicológicas impostas pela tortura, um aparato militar é colocado contra jovens desarmados e, na frente de câmeras de televisão e de celulares perpetra toda sorte de horrores contra moços e moças que poderiam ser nossos filhos – filhos daqueles que foram às ruas ou organizaram a resistência contra o regime militar. Na blogosfera, existem relatos de toda sorte de horrores: policiais que miram e atiram balas de borrachas contra jovens ajoelhados e de mãos para cima; jornalistas atingidos por projéteis cuidadosamente atirados em suas cabeças, de preferência à altura do olho; casal tirado de dentro de um bar e espancado na porta – o rosto do policial que espanca expõe ódio à menina de uns 20 anos, que espanca com o cassetete; e até casos de abuso sexual – o policial que rasga a camiseta do Movimento Passe Livre trajado pela garota e ameaça também tirar o seu sutiã para levar como “souvenir”.

A galeria de horrores expõe a pior herança que trazemos do período da ditadura militar (1964-1985). A Constituinte de 1988, que limpou grande parte do “entulho autoritário” trazido do período negro da história brasileira, enfrentou forte resistência militar quando tentou uma reforma na estrutura coercitiva que mantinha o sistema anterior. Com o tempo, governos democráticos conseguiram criar um Ministério da Defesa e colocar todas as pastas militares sob um comando civil, mas a estrutura militar incrustrada no aparelho policial dos Estados permaneceu intocada. É uma estrutura militarizada estadual que adere idelogicamente apenas a governos de perfil conservador; tem uma enorme autonomia de métodos – e onde a execução sumária e a tortura figuram, intocáveis, contra populações de baixa renda; reproduz fartamente preconceitos (contra pobres e negros, especialmente os jovens, mendigos e demandantes sociais). Atua de forma muito complementar com a ausência de justiça ou justiça seletiva – juízes muito vinculados ao status quo de localidades conflagradas por litígios de terra, para os quais a propriedade naturalmente pertence ao poder político ou econômico.

Desde a redemocratização, todos os casos de massacres envolvendo conflitos de terras – de sem-terra, posseiros ou índios – tiveram a Polícia Militar como algoz, a mando da justiça seletiva. Nas cidades, as reintegrações de posse tiveram os mesmos protagonistas – de um lado, pobres; de outro, política e justiça. Essa dupla reduz de maneira drástica a possibilidade de mediação de conflitos de governos eleitos democraticamente eleitos.

A não justiça atua em conjunto com a Polícia Militar nas periferias das grandes cidades e nas áreas conflagradas do campo onde há uma privatização da decisão de “imposição da ordem”. Nesses locais, a polícia, não raro, age como milícia. A escolha de vítimas traz a marca do preconceito: nas periferias dos grandes centros, as altas taxas de mortalidade de jovens trazem como vítimas preferenciais jovens pobres e negros, do sexo masculino. No campo, líderes rurais.

Nos grandes centros, quando o Estado perder o controle sobre a sua polícia, o resultado pode ser aterrador. Em 2006, o PCC, falange criminosa que age nos presídios, articulou de lá de dentro a morte de 43 agentes policiais em São Paulo. Em represália, a polícia – também de Alckmin, que já está no terceiro mandato de governador – executou quase 500 pessoas, a grande maioria jovens pobres, moradores da periferia, sem ficha na polícia. O crime, neste caso, era a pobreza. A não justiça jamais apurou as circunstâncias da morte dessas pessoas.

Os acontecimentos da última semana também mostram uma PM sem controle – ou melhor, uma Polícia Militar que foi colocada na missão de reprimir jovens que foram às ruas protestar e atrapalharam o trânsito e a vida e a economia da cidade que tem o maior PIB do país, cumpriu a missão com uma violência desmedida e acabou colocando o chefe maior, o governador de Estado, em maus lençóis. A ideia de ser “firme” contra os manifestantes, que normalmente dá votos num Estado conservador como o paulista, acabou sendo uma má ideia. Desta vez, estavam nas ruas os filhos da classe média. Contra eles, a violência despendida regularmente pela polícia de Alckmin na periferia, sem que a corregedoria da PM, o Estado ou a Justiça coloquem nenhuma barreira, ganhou publicidade.

A violência da PM contra manifestantes expõe à sociedade, e aos amantes da democracia, um ponto fraco sempre escondido debaixo do tapete da corporação militar e desprezado pela Justiça. O aparelho repressivo da ditadura foi preservado e vem à tona, violento, arrasador, desmedido, em situações de conflito. Está na hora de construir instituições novas, de democratizar os aparelhos coercitivos do Estado que, por virem do passado autoritário, têm uma autonomia enorme em relação ao próprio Estado democrático. E a democracia, sem o apoio de instituições verdadeiramente democráticas, torna-se muito relativa.

Essa é a lição dos últimos dias, que não pode ser deturpada por aqueles que usam esses aparelhos de coerção (polícia e justiça) dominados ainda pela cultura da ditadura para se sobrepor à decisão democrática do voto. Na internet, surgem mensagens que tentam vincular a violência policial a desmandos de políticos e governo federal, um discurso de direita dirigido a um pretenso público internacional para denunciar um conluio entre políticos, que teria resultado em violência contra manifestantes. Lá pela última frase, em um desses vídeos, o jovem arrumadinho que fala muito bem o inglês prega uma frase de resistência contra um sistema político definido pelo voto (“apesar” do voto, diz ele) – como se o voto tivesse permitido o conluio e ele, jovem, transmutado em manifestante (não tem cara), fosse a alternativa a esse voto equivocado. Que fique claro: o voto é democrático; a polícia violenta nas ruas, não. A política é passível de mudança pelo voto; a polícia, apenas pela consciência da sociedade e pela vontade de enfrentar e tirar a fórceps da nossa memória e das práticas das instituições a herança da ditadura militar.

Contra a violência, a democracia. Com o voto, os cidadãos devem exigir dos governantes que comandam a PM, e dos legisladores eleitos para mudar leis, que transformem as polícias em instituições transparentes, democráticas e aptas a tempos novos onde se produz, na área social, tantos reconhecimentos a direitos de cidadania.

http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=22205

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Vinicius Wu: Não, não é uma conspiração das elites - Viomundo - O que você não vê na mídia

17 de junho de 2013 às 23h38

[…] Quando a Folha incitou Alckmin a bater no grupelho […]

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Repórteres da Globo não usam cubo da emissora; JN noticia palavras de ordem contra a Globo - Viomundo - O que você não vê na mídia

17 de junho de 2013 às 21h42

[…] Quando a Folha incitou Alckmin a bater no “grupelho” […]

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Sérgio

17 de junho de 2013 às 20h55

Apesar dessa lenga-lenga, a impressão que eu tenho é que o jornaleco
está lamentavelmente apoiando essa bagunça.

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Carlos N Mendes

17 de junho de 2013 às 20h14

Estou sentido-me extremamente divido com esses fatos. De um lado, não consigo sentir simpatia pelos manifestantes: se são de esquerda, estão fazendo tudo do jeito e no momento errados; se são de direita, que desprezível bando de hipócritas. Por outro lado, ao ver a reação esquizofrênica e arrogante de nossa direita (tanto o governo efetivo do estado de São Paulo quanto o honorário, a imprensa e os porta-vozes da FIESP & Bones), vejo que essa garotada está fazendo algo certo – conseguiu tirar os senhores de engenho do sério. O certo é que eles não querem o que dizem que querem. E o quê eles querem? Se souberem, é indizível, e esse é meu medo.

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Urbano

17 de junho de 2013 às 18h15

E nem é uma friagem polar, mas sim daqueles infernos (isso mesmo) rigorosos dos anos 1930 e 1940 lá das bandas da Alemanha, Itália…

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Lelê Teles: Repórter de jornal que pregou repressão agora é musa dos globais - Viomundo - O que você não vê na mídia

17 de junho de 2013 às 17h22

[…] O editorial em que a Folha pediu a repressão dos “vândalos” […]

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kalifa

17 de junho de 2013 às 14h31

O folha é fria!

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Notívago

17 de junho de 2013 às 13h05

MAIS UMA SACANAGEM DA FOLHA DE SÃO PAULO

Na Folha On line de hoje, uma baita contradição entre a manchete e o texto.

A manchete: “Tarifa de ônibus no Brasil está entre as mais caras do mundo”

O texto: “ Muitas análises pesquisam o preço na moeda local e os transforma em dólar. Esses resultados chegam à mesma conclusão: o Brasil está longe de ser o local com passagens mais caras -São Paulo e Rio são mais baratas, pela ordem, do que Londres, Tóquio, Ottawa (Canadá), Nova York, Lisboa, Paris e Madri”.

Será que na versão em papel a manchete também é esta? Se for, então o que a Folha espera é que a garotada leia a manchete, porque ela sabe que os garotos não compram jornal. Quer dizer, a Folha estimula as manifestações com as suas manchetes, e em seus editoriais estimula a polícia a baixar o cacete nos manifestantes.

Vai ser escrota assim lá na casa de cacete!

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Ricardo

17 de junho de 2013 às 02h14

O Governo de São Paulo só fez o que sabe fazer. Ou já se esqueceram do Pinheirinho? O que está acontecendo em São Paulo é a realidade destes que querem transformar o estado em uma Nova Capitania Hereditária. Ou já se esqueceram que no ano passado antes da mudança do prefeito da cidade, das 31 sub prefeituras, 30 (TRINTA) delas estavam entregues a CAPITÃES DA POLÍCIA MILITAR? ESPERAVAM O QUE DESTES QUE AI ESTÃO ADMINISTRANDO O ESTADO E SUA MAQUINA? O Paulistano está acordando para a realidade dos que são, realmente, os causadores de boa parte dos seus problemas. Problemas estes que deles jamais verão surgir uma solução. Afinal se resolve-los, o cidadão paulistano descobriria que poderia viver sem boa parte destes senhores.

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Luc

16 de junho de 2013 às 23h50

Link para vídeos em tempo real da manifestação em São Paulo.

http://www.livestream.com/anonymousBR

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Marat

16 de junho de 2013 às 20h29

A dobradinha PIG-PSDB sofreu as primeiras baixas, porém, foram apenas soldados-rasos os atingidos… Os altos oficiais continuam jantando à mesma mesa!

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jose carlos santini

16 de junho de 2013 às 19h52

Segunda tem Marcha do Vinagre.!!!!

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Fabio Passos

16 de junho de 2013 às 17h55

otavinho “ditabranda” frias e cumplice da barbarie fascista promovida por geraldo alckmin.

alckmin e internacionalmente famoso por montar uma pulica de exterminio para assassinar pobres e pretos na periferia.
Agora os fascistas do PiG-psdb atacaram cidadaos em manifestacoes pacificas.

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FrancoAtirador

16 de junho de 2013 às 16h17

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Quando uma empresa famigliar patriarcal fascista

domina um meio de comunicação de massa, dá nisso!
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Edgar Rocha

16 de junho de 2013 às 15h40

Ainda acho que este discurso fácil da Folha é reflexo da fragilidade do movimento no tocante à organização. Espero que aprendam a ser mais organizados e não utilizem bandeiras justas como forma de atrair holofotes pra partidos, sem se preocupar em garantir a compreensão de toda a cidadania sobre os fundamentos da luta, sem ampliar o movimento para toda sociedade indignada com a questão do transporte. Há meios pra isso. Se fosse feito da maneira correta a população não seria tão permeável a um discurso mentiroso como este acima. E os artifícios para desarticulação do protesto seriam facilmente denunciáveis. Quanto blogueiro ali presente e ninguém pra filmar e identificar os que, segundo alguns, estavam infiltrados pra fazer baderna. Era o momento de desmascarar este governo e esta polícia truculenta e mostrar pra sociedade quem são os verdadeiros baderneiros que destroem a cidade. Esse pessoal da esquerda ainda é muito elitista pra querer dialogar e incluir a população como um todo em suas ações. Esperam que a “massa” seja tocada pelo ato justo que cometem e acabem indo pra rua, como quem entra numa fila sem saber por que. A Folha pode ser o demônio mais mau intencionado do mundo, mas uma pessoa que acaba de sair do metrô pra pegar ônibus e fica pelando de medo de não voltar pra casa sem saber direito o motivo, tem toda a razão de criticar o movimento. Será que não têm solidariedade com quem ficou indefeso diante daquilo tudo? Vão acusar o cidadão comum de pequeno burguês, pelego, otário, alienado, zé-povinho… DE NOVO???? Por favor, mudem de tática. De coação moral e física o povo já tá de saco cheio! Faz parte do cotidiano da maioria. E, por isso mesmo, gera a desconfiança de que os ativistas não sejam mais do que os seus opositores. “Invente, tente… faça um movimento diferente.” (Só pra provocar. rsrsrs)

Responder

angelo

16 de junho de 2013 às 15h27

“(…) símbolos do poder capitalista. (…)”

Já perceptível sistema econômico capetalista, na prática, massacra Poderes e Constituição.

Novidade é capetalismo, oficialmente ser um poder, conforme declara a Folha.

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Jose Mario HRP

16 de junho de 2013 às 12h51

https://www.facebook.com/photo.php?v=471573042928872

A menina tá brava mas está super certa!

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Isabela

16 de junho de 2013 às 12h39

A polícia militar no Brasil de hoje, são os militares da nossa última ditadura.
Fui vítima da polícia do ACM: http://isabelacampoidirection.blogspot.com.br/2013/06/eu-me-horrorizo.html

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Fabio Passos

16 de junho de 2013 às 12h38

O que o PiG faz com suas mentiras e o que a PM faz com cacetetes e bombas: Defende os privilegios da minoria rica e mantem o povo explorado sob controle.

Ai esta otavinho “ditabranda” frias, um covardao, aticando os caes de aluguel contra cidadaos que ousam protestar.

Ja passou da hora de implodir a casa-grande e recuperar toda a riqueza que a “elite” branca roubou dos trabalhadores.

O PiG e inimigo do povo… e assim deve ser tratado.

Responder

RicardãoCarioca

16 de junho de 2013 às 12h23

Olha, pessoas de direita e esquerda estão cometendo erros: às vezes falando mentiras, às vezes sendo lenientes com os vândalos e ainda às vezes as duas coisas simultaneamente.

Direito de protestar é sagrado sim, mas impedir o direito de ir e vir de quem trabalhou o dia inteiro e está louco para chegar em casa, ir para o outro emprego ou ainda ter de ir estudar, não pode mesmo.

Tem mais: Sabemos que as empresas de transporte são as grandes financiadoras de campanhas de prefeitos e até de governadores. Uma mão lava a outra. As empresas financiam o candidato que, vencendo, dará os aumentos possíveis nas passagens.

Outra, mesmo não sendo todos, alguns desses jovens que fazem os aludidos protestos já trazem para as essas manifestações latas de spray, pequenas bombas (se é que não fabricam outras mais potentes com pólvora) e pedras em suas mochilas.

Existem sim provocadores nos dois lados: Da polícia e dos manifestantes.

E há intenção política sim, infelizmente, nesse período cada vez mais virulento pelo qual passamos. Dessa polarização que cada dia se parece e se torna mais sanguinária entre esquerda e direita/PiG. Manipular esses jovens pelas redes sociais é mais fácil do que muitos pensam.

Trabalhador tem vale-transporte. A fatia do que ele é descontado do salário para ter esse cartão é pequena e em face ao benefício, ainda que não fosse computada a obrigação de ter de trabalhar para pagar suas contas e sustentar uma vida honesta, não justifica depredar patrimônios públicos e privados de terceiros.

O texto da Folha, já não surpreende, comete a desonestidade de colocar polícia e prefeitura do mesmo lado do problema, esquecendo-se (propositadamente?) de que o chefe da polícia é o governador, cujo qual nem foi citado. O governador também é o responsável pelo transporte intermunicipal que grande parte dos trabalhadores precisam usar diariamente. O prefeito de SP sozinho não pode resolver quase nada nesse cenário.

Infelizmente, creio que os exércitos cibernéticos financiados por politiqueiros cafajestes e empresariado politizado idem vão provocar explosões e arruaças, como a dessa onda de protestos contra o aumento das passagens (anteriormente, com o boato do fim do Bolsa Família) nos próximos 18 meses. O pior ainda está por vir, creio eu, infelizmente.

Infelizmente, a nossa presidente mais parece uma rainha encastelada, sem ministro de justiça, sem ministro de comunicação, sem porta-voz, sem pessoas com culhões (salvo uma ou duas exceções) no partido no congresso e parecendo sem vontade de liderar a sociedade. Só administrar corretamente não é suficiente. Fica aí a minha crítica.

Responder

    Alex Mendes

    16 de junho de 2013 às 13h16

    Lúcida a colocação do RicardãoCarioca,

    O grande problema hoje é que a mídia Pig nunca dá espaço para debate e para os cidadãos. Daí, a única forma que resta é ir fechar a Paulista para ver se ao menos mencionem algum mínimo das reivindicações.

    O fato é que a Folha e a Pig citam DIREITOS, mas à imensa maioria da população o direito à informação verdadeira é usurpado e roubado pela mídia, sempre a serviço do capital e do bolso cheio dos seus donos. Falam em democracia e direitos, mas cerceiam-nos diariamente.

    Não justifica o vandalismo desse pessoal, que só encarece o transporte, com essa ação indo em sentido contrário ao que reivindicam. Estão errados, mas o protesto usando a Paulista é o único meio de ter algum espaço.

    É URGENTE, PORTANTO, UMA LEI DE IMPRENSA NO BRASIL QUE GARANTA:
    – IMEDIATO DIREITO DE RESPOSTA COM MESMO ESPAÇO E MESMOS TAMANHOS DE LETRAS;
    – É OBRIGATÓRIO PUBLICAR / MOSTRAR / FALAR UM QUADRO COM OS FINANCIADORES: PUBLICAR OS 10 MAIORES ANUNCIANTES DO DIA, DA SEMANA, DO MÊS E DO ANO E QUANTO PAGARAM;
    – É OBRIGATÓRIO PUBLICAR / MOSTRAR / FALAR QUANTO ARRECADAM COM PROPAGANDA PAGA E QUANTO ARRECADAM VENDENDO NAS BANCAS E EM ASSINATURAS;
    – obrigatório informar quanto das assinaturas são de órgãos públicos ou estatais;
    – É OBRIGATÓRIO PUBLICAR TODO O ORGANOGRAMA DAS EMPRESAS DE MÍDIA, IDENTIFICANDO CLARAMENTE OS DONOS DA MÍDIA;
    – DEVE SER OBRIGATÓRIA A DIVISÃO DOS NOTICIÁRIOS NA TV E RÁDIO PELAS 5 REGIÕES DO BRASIL, COM MÍNIMO DE 15% DE ESPAÇO DE CADA REGIÃO NOS NOTICIÁRIOS EM REDE NACIONAL. A MÍDIA ESTÁ CONCENTRADA EM SP E O PSDB E A DIREITA SOLTAM MUITA GRANA PRA ESSA MÍDIA, TOTALMENTE PAULISTA. O BRASIL VIVE EM FUNÇÃO DOS INTERESSES DA ELITE PAULISTA. ESSE É O GRANDE PROBLEMA DE NOSSO PAÍS: O BRASIL É REFÉM DA ELITE PAULISTA E VIVE EM FUNÇÃO DOS INTERESSES DE SÃO PAULO. É PRECISO QUEBRAR ISSO.

Edemar Motta

16 de junho de 2013 às 12h11

Enquanto isso, a copa das confederações (para mim não vale a pena levantar o teclado) bloqueia acesso a hospital da Rede Sarah em Fortaleza.

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antonio carlos provesi

16 de junho de 2013 às 10h54

protestar contra os preços é o direito às liberdades manifestado. depredar ônibus é crime. quem promove esse tipo de violência é a estupidez do próprio governo, que usa a polícia, que é para servir o povo e não a filhadaputagem que eles promovem, quando exercem seus cargos, de forma corrupta.

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Luís Carlos

16 de junho de 2013 às 10h20

Pretextos para impedir manifestações livre e pacíficas e desmascarar o lucro abusivo e condições precárias e prejudiciais aos usuários oferecidas pelas empresas privadas de transporte coletivo. Folha quer exclusividade para liberdade de manifestaçáo,para imprensa ( ela o os que concordam com ela) e deixar mudos e criminalizar a população. Assim impedirá que venham a tona todos os desmandos de seu parceiro Alkmim e seu braço partidário, o PSDB. Aliás, a Folha já manifestou posição condenando a violência da polícia contra jornalistas, inclusive contra sua jornalista? Silêncio total sobre isso. A liberdade de imprensa não está ameaçada em SP com espancamento de jornalistas pela polícia alkmista e não há Estado policialesco em SP para a Folha e para Gilmar?

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Álvares de Souza

16 de junho de 2013 às 10h08

É um editorial típico da ditadura militar. Nada mudou, são os mesmos que inventaram a ameaça comunisa para tomar o poder e praticar todas as insanidades pelas quais o povo brasileiro passou. A diferença, hoje, é que o contraditório, em seguida a notícia malandra, manipulada, plena de autoritarismo e de hipocrisia, o cidadão tem acesso a história que é contada tal como os fatos se dão, desmontando a farsa de sempre, que agora não ecoa com a força de antes.

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Jose Mario HRP

16 de junho de 2013 às 10h05

O grande jornalista em mais um texto perfeito:

Um estado policial
Estamos assistindo a uma perigosíssima associação entre as forças policiais e a extrema direita de caráter fascista no mundo inteiro – o que merece uma análise mais ampla. Mas, no caso brasileiro, parece haver interesse calculado em criar um ambiente de pânico na população, que sempre favorece os golpistas.
Mauro Santayana

A violência da polícia, na repressão aos protestos contra o aumento das tarifas de ônibus, em São Paulo, no Rio e em Niterói, deve ser vista além dos episódios em si mesmos. Estamos nos tornando um estado policial, sem que haja uma reação coordenada de defesa da cidadania. É provável que os governadores de São Paulo e do Rio de Janeiro estejam perdendo o controle de seu sistema de segurança, o que é grave; mas também é possível que eles tenham estimulado a caça indiscriminada aos manifestantes – e isso é alarmante.

Argumenta-se que o aumento anunciado – de apenas vinte centavos – é irrisório e não justificaria a reação popular. Os mais vividos se recordam que quebra-quebras promovidos pelos estudantes – aos quais se somavam os transeuntes disponíveis – sempre houve no passado. Não só se protestava contra o aumento dos transportes coletivos, como, também, contra o aumento dos ingressos cinematográficos. Isso sem esquecer as costumeiras passeatas contra o alto custo de vida, que se faziam sob a percussão de garfos e facas contra panelas vazias.

Um dos símbolos da imprensa alternativa, o Binômio, de Belo Horizonte, que seria depredado por militares na antevéspera do golpe de 1964, nasceu como protesto contra a violência da polícia de Minas – e em pleno governo democrático de Juscelino, em 1953. Os estudantes de Belo Horizonte se amotinaram contra o aumento dos cinemas, quase todos pertencentes a um só homem, e foram golpeados pelos longos porretes dos soldados da cavalaria. Diante da reação policial – e de nenhum protesto dos jornais – os jornalistas José Maria Rabelo e Euro Luis Arantes decidiram editar o jornal em que se reunia o humor crítico aos textos pesados e mais pensados.

Mas a violência, no passado, tinha os limites dos cassetetes e das chamadas bombas de efeito moral. Mais ainda: a polícia evitava golpear quem não estivesse praticando atos de vandalismo – e os jornalistas eram sempre respeitados. Nos incidentes dos últimos dias, os jornalistas foram os alvos preferenciais da repressão, e há uma razão: eles são testemunhas públicas da violência. Vários companheiros nossos foram vítimas de empurrões, pescoções, jatos de pimenta nos olhos, bombas de gás lacrimogêneo endereçadas, porretadas e balas de borracha no rosto. Um deles, fotógrafo, atingido em um dos olhos, provavelmente terá sua visão reduzida à metade.

Estamos assistindo a uma perigosíssima associação entre as forças policiais e a extrema direita de caráter fascista no mundo inteiro – o que merece uma análise mais ampla. Mas, no caso brasileiro, parece haver interesse calculado em criar um ambiente de pânico na população, que sempre favorece os golpistas. Todos os testemunhos são os de que as pessoas se manifestavam pacificamente, quando a polícia tomou a iniciativa do ataque.

O governo federal considerou exagerada a repressão nos dois estados. Isso explica por que não houve excesso na contenção, ontem, dos manifestantes contra os gastos da Copa do Mundo, na abertura dos jogos da Copa das Confederações, no estádio Mané Garrincha. A polícia do Distrito Federal é paga com recursos da União.

Há políticos em governos que esperam dividendos eleitorais por sua tolerância com a brutalidade de seus subordinados policiais. No entanto, eles correm o risco de serem vítimas eventuais da mesma estupidez. Os governadores Geraldo Alckmin e Sérgio Cabral devem retomar as rédeas de suas corporações militares, antes que elas recusem qualquer freio.

Mauro Santayana é colunista político do Jornal do Brasil, diário de que foi correspondente na Europa (1968 a 1973). Foi redator-secretário da Ultima Hora (1959), e trabalhou nos principais jornais brasileiros, entre eles, a Folha de S. Paulo (1976-82), de que foi colunista político e correspondente na Península Ibérica e na África do Norte.

Responder

DARCY BRASIL RODRIGUES DA SILVA

16 de junho de 2013 às 09h35

Essa é uma análise extremamente reacionária e distorcida dessas manifestações. Por falar em ideologia, a do autor deve ser , certamente, a de um pequeno-burguês social-democrata, acomodado com os êxitos eleitorais dos governos Lula/Dilma, sem se dar conta que, por falta de pressão das ruas, por falta de luta, os governos petistas estão sendo sequestrados pelos interesses da direita.
Há que se combater veementemente a tentativa de alguns em condenar a luta da juventude, tentando desqualificar os protagonistas das manifestações de rua ocorridas em várias cidades e tendo seu epicentro em São Paulo, como “meninos riquinhos de classe média”. Claro que os provocadores profissionais sempre comparecerão a estas manifestações e os porras-loucas inconsequentes lhes imitarão os gestos. Porém, se esquecem os que – apesar de serem do campo da esquerda, querem denigrir a luta da juventude – que a maior parte dos quadros políticos dos partidos de esquerda com mais de 45 anos veio dessa mesma juventude supostamente branca , de classe média ( na verdade há exagero nessa caracterização provocado pelo desejo de negar aos manifestantes vínculos com o povo ,que seria supostamente negro e não pertencente à classe média, nessa concepção maniqueísta e intelectualmente desonesta).
Petistas não podem ficar condenando pessoas por terem lutado. Não se pode confundir a disposição louvável de luta da juventude com os oportunistas de esquerda que momentaneamente hegemonizaram esse movimento. As organizações de esquerda consequentes devem buscar se aproximar ao máximo deste movimento. Estigmatizá-los é fechar as portas para que eles deixem de ser influenciados pelos esquerdistas e sejam atraídos para as nossas posições. O que os atraí não é o programa do PSTU e organizações semelhantes, mas a luta! O que os tem afastado de nós é a nossa falta de luta. Desde 2002 principalmente, uma parte do PT passou a agir como se as vitórias eleitorais nos abstivesse de lutar. Promover uma manifestação qualquer reivindicando a realização de qualquer coisa de um governante que ajudamos a eleger tornou-se algo impensável. Eis aí o grande erro político que se cometeu. Isso nos retirou a força das vozes que se ouvem das ruas. Acabou deixando os próprios governantes petistas à mercê das força das vozes que não se ouvem dos bastidores da política burguesa, dos partidos de centro que chantageiam os nossos governantes negociando favores em troca de aprovação de projetos.

Responder

Rodrigo Leme

16 de junho de 2013 às 08h40

“A Polícia Militar tem que seguir protocolos e um deles é manter vias expressas desimpedidas. [Do contrário] isso coloca pessoas que estão circulando em risco.”

(HADDAD, Fernando)

Eu diria que apoio conjunto do governador e do prefeito – falemos do ministro da justiça depois) pesa mais que o da Folha.

E esse site vai se omitir sobre a ação da PM no DF ate quando?

Responder

    Luís Carlos

    16 de junho de 2013 às 13h17

    E vais omitir que Haddad chamou os manifestantes para conversar na terça-feira próxima e que Alkmim é quem manda na PM de SP? Discordar ok, mandar espancar manifestantes desarmados, não! São posições muito diferentes. Aliás, vais omitir que a Folha e o Estadão pediram essa ação ao comandante da Polícia, governador de SP?

    Rodrigo Leme

    16 de junho de 2013 às 19h11

    Pediram no DF tbm?

    E adoro o “conversar” do Haddad. Já disse que a tarifa não muda, então é só para a torcida organizada pensar “olha como ele é democrático”. No fingir dos ovos, ele adora ter a PM pra fazer o serviço dele.

francisco niterói

16 de junho de 2013 às 08h39

Só pra relembrar : o PS do Viomundo ficaria perfeito se no lugar “dos Frias”, utilizasse “Seu Frias”.

Nao custa nada aproveitar o ensejo pra demonstrar a certo politico “O ESPIRITO DEMOCRATICO DA FOLHA”. Se este politico é cagao ou oportunista, nao sei. So sei que nao devemos dar tregua a politico de partido de esquerda que pensa que pode manobrar e sair incolume. Nao é mesmo, Mercadante, gleisi hoffman, paulo bernardo,ze eduardo cardoso, etc? Paranaenses, que tal fazer a barbie loira morrer na praia?

Responder

Jose Mario HRP

16 de junho de 2013 às 08h25 Responder

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