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Privataria avança sobre a água que você bebe e a previsão do tempo
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Privataria avança sobre a água que você bebe e a previsão do tempo


16/04/2014 - 22h45

Os capitalistas dizem as coisas mais incríveis

por Pete Dolack no Systemic Disorder

O lucro deve ser o único direito humano já que é uma necessidade tão básica, o que a água não é. Apesar da moderna indústria de relações públicas ter tido sucesso rebatizando barões ladrões de “capitães da indústria”, nem mesmo o mais bem preparado batalhão de artilharia pode impedir, o tempo todo, os executivos das corporações de dizerem acidentalmente ao mundo o que realmente pensam.

Não é segredo que algumas das maiores corporações do mundo estão drenando aquíferos e revendendo água potável com grandes lucros. Mas eles querem ir mais longe e tornar obrigatório pagar pela água. A água é simplesmente mais uma “commodity de mercado” na visão deles – mais notoriamente propagada pelo presidente do Conselho diretor da Nestlé S.A., Peter Brabeck-Letmath em um vídeo de seis minutos divulgado por sua empresa.

É justo dizer que a aparente tentativa da Nestlé de projetar uma imagem de empresa que sobriamente lida com os problemas mundiais com uma racionalidade severa saiu pela culatra espetacularmente.

A linguagem corporal do Sr. Brabeck-Letmathe transforma em tolice a argumentação da Nestlé, apresentada após a divulgação do vídeo, de que ele não queria dizer o que disse. Começando na marca dos 2 minutos e 7 segundos, ele aparece dizendo:
“A questão é se devemos privatizar o suprimento normal de água para a população. E existem duas opiniões a esse respeito. Uma opinião, que eu acho radical, de ONG (organização não governamental) que martela a declaração de que a água é um direito público”.

O Presidente torce o rosto à ideia da água ser considerada um direito, depois deixa escapar um sorriso afetado demonstrando desprezo indisfarçável pelo que se segue imediatamente:

“Isso significa que como seres humanos vocês devem ter direito à água. Essa é uma solução extrema. E a outra visão diz que a água é um alimento como outro qualquer e como qualquer outro alimento ela deve ter um valor de mercado. Pessoalmente eu acredito que é melhor dar um valor ao alimento para que todos nós tenhamos conhecimento de que ela tem um preço e que é preciso tomar medidas específicas para a população que não tem acesso a essa água e aí existem várias possibilidades”.

O direito à água é “radical”!

Essa opinião pode ser considerada “radical” em muitas salas de reuniões de corporações, mas essas opiniões não estão livres de interesses corporativos.

Se o caminho para aumentar os lucros depende de privatizar bens comuns e serviços públicos, esse é o sistema de crenças que surgirá. Graças ao seu incansável trabalho de combater essas crenças “radicais”, 0,1% está vivendo muito bem, obrigado.

A diferença de perspectiva dos industriais e financistas e do resto do mundo é exemplificada pelo Sr. Brabeck-Letmathe na marca dos 5’34” do vídeo:

“Nós nunca estivemos tão bem. Nunca tivemos tanto dinheiro. Nunca fomos tão saudáveis. …Nós temos tudo que queremos e ainda vamos por aí como se estivéssemos de luto por algo”.

Talvez as coisas não sejam assim tão cor de rosa.

Sim, pare de choramingar somente porque os salários estão declinando em todo o mundo, o desemprego continua alto, a desigualdade está atingindo níveis nunca vistos desde os anos 20, o meio ambiente está perigosamente poluído, o aquecimento global está fadado a fugir de controle, o poder dos grandes capitalistas e de suas corporações multinacionais transformou a participação democrática em uma piada, trabalhadores mais velhos são jogados para fora de seus trabalhos e suas pensões são cortadas unilateralmente, existem poucos empregos para os trabalhadores jovens que estão mergulhados em dívidas, os custos de moradia e educação aumentarem bem mais rapidamente do que a inflação, e os governos mundiais dão as mãos aos capitalistas em uma corrida global ao fundo do poço sem prestar contas a seus eleitores.

Se sua ideia de democracia não é nada mais do que ter mais sabores de refrigerantes cola para escolher, então, com certeza, você tem tudo que quer.

Em um esforço para reduzir o estrago, a Nestlé subsequentemente divulgou um release alegando que seu presidente “pensa que a água é um direito humano”.

Acontece que, se fossemos acreditar na propaganda da Nestlé, ele estava meramente “tentando conscientizar a respeito de tema da falta de água. … Ele não é a favor da privatização, mas defende mais eficiência na administração da água para indivíduos, indústrias, agricultura e governos”.

Isso não casa com que o presidente da Nestlé disse claramente no vídeo. Nem leva em conta o papel da Nestlé em tornar a água ainda mais escassa.

A água, na verdade, é um grande negócio. A água engarrafada é dominada por três das maiores indústrias do mundo: a Coca-Cola Company (Dasani), a PepsiCo Inc. (Aquafina) e a Nestlé (Poland Springs, Deer Park, Arrowhead e outras).

As duas maiores empresas privadas de administração de água do mundo, Veolia Environment e Suez Environment, têm receita somada de US$ 51 bilhões. Muito para abocanhar, com certeza.

Pagando pela mesma coisa que sai da sua torneira

As empresas que vendem água engarrafada não estão necessariamente enviando equipes para montanhas remotas. Uma reportagem no AlterNet, de Michael Blanding, diz:

“Muitas vezes a água engarrafada é água da pia. Ao contrário da imagem da água cristalina brotando na montanha, mais de um quarto da água engarrafada, na verdade, vem de suprimentos municipais de água. … Tanto a Coca quanto a Pepsi usam exclusivamente água da torneira como fonte, enquanto a Nestlé usa água da torneira em algumas marcas. É claro que a Coca e a Pepsi fazem propaganda das medidas adicionais que tomam para purificar a água depois que ela sai da torneira, as duas empresas filtram a água várias vezes para remover partículas antes de tratá-la com técnicas adicionais como ‘osmose revertida’ e tratamento de ozônio. Osmose revertida, entretanto, não é nada sofisticado – consiste essencialmente do mesmo tratamento aplicado por filtros comerciais de água disponíveis para residências, enquanto ozonização (um processo de tratamento de água) pode incluir problemas adicionais como formação do químico bromato, suspeito de ser carcinogênico”.

Um estudo do Conselho de Defesa das Riquezas Naturais analisou mais de 1.000 garrafas que representam 103 marcas de água engarrafada e encontrou, em um terço, níveis de contaminação que ultrapassam os limites permitidos. Entre esses contaminantes existiam químicos sintéticos, bactérias e arsênico.

Não é apenas o engarrafamento e o empacotamento de água da bica que dá lucro – fornecer água da bica também é se ela for privatizada.

Um estudo da Food & Watch descobriu que:

Serviços privatizados tipicamente cobram 33% mais pela água e 63% mais pelo esgoto do que serviços de governos locais.

Depois da privatização, o preço da água aumenta cerca de três vezes mais do que o índice de inflação, com um aumento médio de 18% a cada dois anos.

O lucro das corporações, dividendos e impostos podem somar outros 20 a 30% aos custos de operação e manutenção.

Dúzias de municípios na França, Alemanha e Estados Unidos estão tomando de volta seus sistema de água e esgoto, revertendo privatizações anteriores. Governos locais consistentemente descobriram que a privatização levou a preços mais altos, reduziu os serviços e deteriorou as condições de trabalho para os funcionários que permaneceram em seus cargos.

As corporações que operam esses sistemas estavam apenas colocando em prática o que o presidente da Nestlé disse em seu vídeo: a água é uma mercadoria a ser comprada pelos que estiverem dispostos a pagar mais caro.

Em um caso notório, o Banco Mundial forçou a privatização do sistema de água na cidade boliviana de Cochabamba, em 1999. A Bechtel, empresa que recebeu o sistema de água depois de ter sido a única que apresentou proposta de compra em um processo secreto, cobrou uma quantia igual a um quarto da renda familiar média dos moradores e impôs um contrato que proibia a coleta de água da chuva. Depois que foi obrigada a deixar a cidade por causa de protestos massivos, que contaram com o apoio de uma campanha global, a Bechtel processou a Bolívia exigindo US$ 50 milhões por danos e lucros perdidos, apesar de seus investimentos serem estimados em menos de US$ 1 milhão e o faturamento da Bechtel ser seis vezes o tamanho do produto interno bruto da Bolívia.

Espera-se até que a previsão do tempo gere lucro

Outros serviços governamentais, que se considera garantidos, como a previsão do tempo, não são exceção. Apesar de soar bizarro, executivos de serviços privados de previsão do tempo como o AccuWeather vêm argumentando, há anos que o Serviço Nacional do Tempo do governo dos Estados unidos deve ser proibido de divulgar previsões meteorológicas.

O Serviço Nacional do Tempo é o que tem as previsões mais confiáveis do país e os contribuintes gastam milhões de dólares nele. Ainda assim, nós supostamente temos que eliminar este benefício público, convertê-lo completamente em subsídio corporativo para que um capitalista possa lucrar!

O conceito de que o conhecimento de uma tempestade que se aproxima deva ser revertido para aqueles dispostos a pagar foi defendido pelo AccuWeather e por um grupo lobista que se auto intitula Associação Comercial de Serviços do Tempo, com uma das luzes mais fracas do senado dos Estados Unidos, o fundamentalista Rick Santorum, que promoveu um projeto de lei em 2005 que impediria o Serviço Nacional do Tempo de divulgar previsões do tempo com exceção durante emergências específicas.

De acordo com a lei, a agência continuaria coletando dados e daria todos eles a empresas privadas.

O AccuWeather divulgaria as previsões sem arcar com o ônus de coletar seus próprios dados os recebendo de graça às custas do contribuinte.

Como salientou uma reportagem na revista eletrônica Slate, o texto da lei dizia:

“Dados, informação, direção, previsão e alertas devem ser divulgados … através de um portal de dados desenhado para acesso de volume por provedores comerciais de produtos e serviços”.

A velhacaria dessa lei foi revelada claramente naquele momento por Jeff Masters em seu blog Weather Underground:

“A indústria privada da previsão do tempo faz suas próprias previsões, mas em geral checa suas previsões contra o que diz o Serviço Nacional do Tempo antes de divulgá-las. Se a previsão do SNT é muito diferente, eles frequentemente fazem ajustes na direção das previsões do SNT, o que resulta em uma previsão de melhor ‘consenso’. Então, de acordo com a proposta de lei, não apenas perderíamos a melhor previsão do tempo disponível, mas as previsões das empresas privadas também piorariam”.

Mas um par de capitalistas teria um grande lucro – e daí se mais gente morreria em enchentes ou desastres naturais? Essa é a mágica do mercado em ação.

Leia também:

Carlos Neder: A tentativa de esconder o “apagão” da água em SP

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17 comentários

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FrancoAtirador

17 de abril de 2014 às 20h11

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FRAUDE

PEPSI admite vir da torneira sua Água ‘Mineral’ Aquafina

As seguintes marcas de água engarrafada também vêm da torneira:

A Pure Life, da Nestlé, e a Dasani, da Coca-Cola…

(http://money.cnn.com/2007/07/27/news/companies/pepsi_coke/)

(http://verdadeproibida.com/2013/01/pepsi-admite-que-sua-agua-mineral-aquafina-vem-da-torneira)
(http://verdadeproibida.com/2013/01/pepsi-admite-que-sua-agua-mineral-aquafina-vem-da-torneira)
(http://migre.me/iPmgH)
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Responder

nilo walter

17 de abril de 2014 às 18h09

Desconfio que os paulistas terão que tomat banho no rio Tietê que corta o centro de SP.

Responder

jOSÉ DO cARMO RIBEIRO DE oAIVA

17 de abril de 2014 às 17h48

Querer privatizar tirar lucros monetários em cima da agua, juto o elemento abundante no mundo, gratuito,recurso maior dodo por Deus, é um absurdo, e nós nunca devemos concordar com isso, seja em que tempo for,. Nósdevemos sim élutarporisso, . Deus nosso CRIADOR, deu-nos vida enos dispos um planeta com os recursos,para usarmos em nosso crescimento, na luta, no esforço para nosaproximarmosDELE. Soberos, orgulhosos nos achamosno direito de apossarmos dea agua ederudo e tirarmos o que chamamos de riqueza, através da exploração da expeculação .Isso não épossívele eu eebilhões de pessoasnossentimosroubado,e sentimos tbo direito de lutarmosporisso, pela preservação diso tudo. Desde jávou avisando nós lutaremos até o último segundo por estes recursos a nósconcedidos.

Responder

ZePovinho

17 de abril de 2014 às 17h18

Privatizar o capitalismo,retirando-o das tetas do Estado,talvez seja a solução.

Responder

ZePovinho

17 de abril de 2014 às 13h07

Os EUA sempre tiveram um capitalismo patrimonialista,menos radical do que o brasileiro que Raymundo Faoro descreveu no livros Os Donos do Poder.O problema é que agora está ficando pior do que o capitalismo meia-boa do Brasil,segundo Paul Krugman.
Essa empresa de tempo mais parece um típico mama-teta-do-Estado,paulistam que se acha capitalista:

…..O conceito de que o conhecimento de uma tempestade que se aproxima deva ser revertido para aqueles dispostos a pagar foi defendido pelo AccuWeather e por um grupo lobista que se auto intitula Associação Comercial de Serviços do Tempo, com uma das luzes mais fracas do senado dos Estados Unidos, o fundamentalista Rick Santorum, que promoveu um projeto de lei em 2005 que impediria o Serviço Nacional do Tempo de divulgar previsões do tempo com exceção durante emergências específicas.

De acordo com a lei, a agência continuaria coletando dados e daria todos eles a empresas privadas.

O AccuWeather divulgaria as previsões sem arcar com o ônus de coletar seus próprios dados os recebendo de graça às custas do contribuinte…..

http://jornalggn.com.br/noticia/por-que-estamos-vivendo-uma-segunda-belle-epoque-por-paulo-krugman

Por que estamos vivendo uma segunda Bélle Epoque, por Paulo Krugman

ter, 15/04/2014 – 10:24

Sugerido por Dani

Da Carta Maior
Por que estamos vivendo uma segunda ‘Belle Époque’

Nós não só voltamos aos níveis de desigualdade de renda do século XIX, como também estamos em um caminho de volta para o capitalismo patrimonial.

Paul Krugman – New York Review of Books

Thomas Piketty , professor da Escola de Economia de Paris, não é um nome familia, mas isso pode mudar com a publicação em língua inglesa de sua magnífica e arrebatadora reflexão sobre a desigualdade , “O Capital no Século XXI” . No entanto, sua influência é mais profunda. Tornou-se um lugar-comum dizer que estamos vivendo uma segunda Idade de Ouro, ou, como Piketty gosta de dizer, uma segunda Belle Époque definida pela incrível ascensão do “um por cento” da população. Mas isso só se tornou um lugar-comum graças ao trabalho de Piketty.

Em particular, ele e alguns colegas (especialmente Anthony Atkinson em Oxford e Emmanuel Saez , em Berkeley ) foram pioneiros de técnicas estatísticas que tornam possível rastrear a concentração de renda e riqueza em profundidade em direção ao passado, chegando ao início do século XX nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha, e refazendo todo o caminho até o final do século XVIII, no caso da França.

O resultado tem sido uma revolução na nossa compreensão das tendências de longo prazo na formação da desigualdade. Antes dessa revolução, a maioria das discussões sobre a disparidade econômica mais ou menos ignorava os muito ricos.

Alguns economistas (para não mencionar os políticos ), tentaram calar qualquer menção ao papel da desigualdade. “Das tendências que são prejudiciais para a economia me parece que o mais sedutor, e na minha opinião o mais venenoso , é se concentrar em questões de distribuição (de renda)”, declarou Robert Lucas Jr. , da Universidade de Chicago, o macroeconomista mais influente de sua geração, em 2004. Mas, mesmo aqueles que estão dispostos a discutir a desigualdade, geralmente focam na lacuna entre os pobres ou a classe operária e os meramente bem de vida, não os verdadeiramente ricos (dedicam-se ao estudo comparativo dos ganhos de salário dos que tiveram acesso à universidade, em comparação aos trabalhadores menos instruídos, ou à riqueza de um quinto da população, em relação aos outros quatro quintos, mas não levam em consideração, o vertiginoso aumento dos rendimentos de executivos e banqueiros).

Foi como uma revelação quando Piketty e seus colegas mostraram que os rendimentos do agora famoso “um por cento “, e até mesmo de grupos mais restritos , são na verdade a grande história de aumento da desigualdade. E esta descoberta veio acompanhada de uma segunda revelação: o que poderia ser uma hipérbole, ao se falar de uma segunda Era Dourada, não o era absolutamente. Nos Estados Unidos, em particular, a parcela da renda nacional que vai para o topo do “um por cento” mais rico tem seguido um grande arco em forma de U. Antes da Primeira Guerra Mundial, o “um por cento” recebeu cerca de um quinto do total da renda na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos. Por volta de 1950, essa participação foi cortada pela metade. Mas, desde 1980, o um por cento tem visto sua parcela de renda aumentar de novo e, nos Estados Unidos, está de volta ao que era há um século.

Ainda assim, a elite econômica de hoje é muito diferente daquela do século XIX, não é? Naquela época, uma grande riqueza tendia a ser resultado de herança; as pessoas da elite econômica de hoje não conquistaram a sua posição? Bem, Piketty nos diz que isso não é tão verdadeiro como se pensa e que, em qualquer caso, este estado de coisas pode não ser mais duradouro do que a sociedade de classe média , que floresceu por uma geração após a Segunda Guerra Mundial. A grande ideia de “Capital no Século XXI” é que nós não apenas voltamos aos níveis de desigualdade de renda do século XIX, como também estamos em um caminho de volta para o “capitalismo patrimonial”, onde os altos comandos da economia são controlados não por indivíduos talentosos, mas por dinastias familiares.

É uma notável afirmação e precisamente por ser tão notável , precisa ser examinada com cuidado e de forma crítica. Antes de entrar nesse debate ,porém, quero dizer desde logo que Piketty escreveu um livro verdadeiramente soberbo . É um trabalho que mescla grande varredura histórica – quando foi a última vez que você ouviu um economista invocar Jane Austen e Balzac ? – com análise de dados meticulosa. E mesmo que Piketty zombe da profissão de economista por sua “paixão infantil para a matemática”, subjacente a sua discussão há um tour de force de modelagem econômica, uma abordagem que integra a análise do crescimento econômico com o da distribuição de renda e riqueza. Este é um livro que vai mudar muito a maneira como pensamos a sociedade e o modo como fazemos economia.

Tradução: Louise Antonia Leon

Responder

Urbano

17 de abril de 2014 às 11h50

São fascistas e escroques até a medula; uns verdadeiros crápulas. E não se esqueçam, não… o oxigênio será incluída nessa lista, também. Os fascistas atuam às escâncaras assim porque há um batalhão enorme de panacas alienados de rabinho balançando os seguindo fielmente. Isso equilibra a balança pra eles. Mas mesmo assim a gente não perderá essa porfia moral. Temos um batalhão bem mais inteligente e preparado, só de olho, aguardando o exato momento, a fim de interferirem e decidir a nosso favor. Acreditando-se ou não a coisa ocorrerá…

Responder

    Urbano

    17 de abril de 2014 às 11h52

    A fim de interferir…

Marcio Ramos

17 de abril de 2014 às 09h49

… nem precisa de video a Nestle tem um histórico tenebroso, a COCA idem e esta privatizando a água na Africa a uma velocidade absurda e aqui tambem diga-se… pagar AGUA é um absurdo e é por isso que queremos CPI da SABESP ja!!!!!

Responder

luca

17 de abril de 2014 às 09h41

São questões extremamente serias.
Deixar o mundo nas mãos desses sujeitos que venderam a alma ao deus lucro dolar é o horror.
Está acontecendo o mesmo com a invasão dos transgênicos Monsanto e Cia que querem controlar o fluxo de alimentos e vem aí Coca Cola, Nestle e afins que já controlam o mercado das bebidas.
Agora estão avançando pesadamente para lucrar com o fluxo de agua discutindo e pondo em duvida se é realmente um direito.
Isso é um absurdo total!!!!

Responder

SÉRGIO

17 de abril de 2014 às 09h22

Comprem filtro de barro e parem de delirar!!! bons goles a todos e Feliz Páscoa!!!!!!

Responder

sergioa

17 de abril de 2014 às 08h31

Muito boa matéria.

Mais uma empresa para minha lista de empresa que não vou mais consumir seus produtos.

Nestlé pode acreditar perdeu mais um consumidor.

É isto que as pessoas de bem devem fazer.

BOICOTE NELES.

Responder

Maria Elisa Curti

17 de abril de 2014 às 06h28

Importante! Mas onde está o vídeo citado?

Responder

Francisco

16 de abril de 2014 às 23h29

Uma das razões de eu ter deixado de ser cristão é que noventa por cento desses caras como o bacana ai da Nestlé, se diz cristão e, se duvidar, “rigoroso”.

Se a água doce é um bem “limitado”, então o é a agua do mar, a terra e o ar. Dos primeiros, mar e terra, podemos contabilizar sua finitude: um é três quartos do planeta e o outro, um quarto. Se não é infinito, diz o “jênio” da Nestlé, então é escasso, se é escasso é precificável. O ar e sua qualidade vem sendo vendido há já algumas décadas. Todo local turístico vendo seu “ar puro”…

Água! Água de beber!!!

Se houver vida após a morte, faço absoluta questão de ir para um lugar diferente do desse tipo de gente, desse bacana da Nestlé.

Detesto fedentina.

Responder

    francisco niterói

    17 de abril de 2014 às 08h16

    Francisco

    O fisico ingles steven weinberg disse:

    ” Com ou sem religião, pessoas boas farão coisas boas e pessoas más farão coisas más. Porém para pessoas boas fazerem coisas más, é preciso religião.”

    Acho que ele sintetiza o que vc acertadamente disse.

    j.albergaria de macedo.

    17 de abril de 2014 às 09h17

    Vamos nessa,todos boicotando produtos dessas empresas.

    Paulo Henrique

    17 de abril de 2014 às 12h42

    Porém,o fato deles se dizerem cristãos não os faz realmente como tal, se você realmente foi cristão, sabe o que Deus dirá a tais como estes:
    Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade. Mateus 7:22-23
    Pois o Deus que você creu sonda o coração, e não baseia o seu julgamento no que é dito da boca pra fora,nem as massas, crendo nisso fica claro o fim de “cristãos” como estes pois:
    Pois não há nada de escondido que não venha a ser revelado, e não existe nada de oculto que não venha a ser conhecido”. Mt 10 26

    “Ai dos que chamam ao mal bem e ao bem, mal, que fazem das trevas luz e da luz, trevas, do amargo, doce e do doce, amargo” (Is 5.20).

    O fato de tais almas coroarem seus lindos discursos “intelijentemente” redigidos com o nome de Deus, não faz com que O mesmo tenha parte nessa palhaçada, para falar a verdade Deus não tem parte nesse sistema fadado ao fracasso que o homem vem constituindo, pois E’le é educado, pedimos para que ele retira-se do nosso meio, não opniar e nem tomar parte nas nossas decisões e ele simplesmente o fez.

    Nem todo aquele que diz: Senhor! Senhor! Entrará no Reino dos Céus (Mt 7,21-27)

    Esses tais cristãos acham que por “doarem” cifras a alguma causa nobre, para obter prestígio perante a sociedade consumidora, esta arrancando suspiros do Deus que eles dizem seguir rigorosamente.
    Acham errado.

    Enfim a 1° coisa que um cristão deve aprender é:
    Nunca mirar seu cristianismo baseado na criatura, porque essa .. é digna de pena, cristãos segue a Jesus cristo, não a massa nem a minoria de bonecos rockfeller’s , Deus não tem parte nos pastores talk-show, privatização da essência da vida, privatização da cura, não se deve envolver Deus nessas questões.


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