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Petrobrás desiste de pesquisa entre os funcionários: eles sabem que é um absurdo o Brasil importar 80% do óleo diesel dos Estados Unidos
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Petrobrás desiste de pesquisa entre os funcionários: eles sabem que é um absurdo o Brasil importar 80% do óleo diesel dos Estados Unidos


24/12/2017 - 19h40

PETROBRÁS 2017: O ANO EM QUE A VERDADE É ACEITA COMO EVIDENTE POR SI PRÓPRIA

por Felipe Coutinho*

“Caiu a ficha! ”. Nos telefones públicos, orelhões, quando se completava a ligação a ficha caia.

A expressão quer dizer que esse é o momento em que se passa entender alguma questão.

Esse é o fato marcante para a Petrobrás em 2017.

A verdade passou a ser aceita por si própria, sem ser ridicularizada ou rejeitada com violência.

A maioria dos petroleiros e dos brasileiros percebeu a “Construção da Ignorância sobre a Petrobrás”.

A partir de agora é evidente que a Petrobrás não está (e nunca esteve) quebrada, que não precisa vender seus ativos para reduzir a dívida, que a privatização prejudica o fluxo de caixa e compromete o futuro que já se torna presente.

“Toda verdade passa por três estágios. No primeiro, ela é ridicularizada. No segundo, é rejeitada com violência. No terceiro, é aceita como evidente por si própria. ” Arthur Schopenhauer

Agora está na cara “O mito da Petrobrás quebrada”, é óbvio que houve uma propaganda de choque e terror, a serviço das multinacionais do petróleo e dos agentes do sistema financeiro que as controlam.

Estão desmascarados os executivos que giram através de portas giratórias entre a administração pública e corporações privadas.

Eles são os modernos feitores e capitães do mato, a serviço do novo ciclo colonial da exportação de petróleo cru, que só podem debater em ambientes controlados do cartel midiático.

Interventores e porta vozes do capital internacional se entendem bem.

Antes desfilavam seus egos como os salvadores da pátria, agora se escondem e só oferecem entrevistas para microfones amigos.

Alguns leitores cuidadosos podem agora se perguntar, será? Será que realmente a maioria dos petroleiros percebeu?

Será que os brasileiros tomaram consciência do que se passa com a Petrobrás e o petróleo brasileiro?

Penso que sim, vamos às evidências.

Com relação a percepção dos petroleiros podemos recorrer a pesquisa de ambiência realizada pela Petrobrás.

A última pesquisa foi feita em janeiro/17.

Pedro Parente e seus executivos, confiantes, incluíram duas perguntas inéditas:

“71 – O Plano de Negócios e Gestão 2017-2021 está na direção certa. Resultado: 37% favoráveis

72 – Confio nas decisões tomadas pela Direção Superior diante dos desafios da companhia. Resultado: 31% favoráveis” (Petrobras, 2017)

O percentual de respondentes foi muito baixo, apenas 64% do total.

Apenas 31% dos 64% que responderam, em janeiro de 2017, confiavam nas decisões tomadas pela “Direção Superior”.

Ou seja, menos de 20%, um em cada cinco, responderam favoravelmente e confiantes nas decisões do presidente, conselheiros e diretores da Petrobrás.

Veja bem, a pesquisa foi realizada em janeiro de 2017.

Ao longo do ano, a confiança certamente piorou diante do resultado das privatizações da malha de gasodutos (NTS), do campo de Carcará etc.

Em dezembro de 2017, a “Direção Superior” anunciou que não haverá pesquisa de ambiência em janeiro de 2018.

Para um bom entendedor… essa decisão basta, para afirmar que a verdade sobre a Petrobrás foi revelada e já é auto evidente para os petroleiros em 2017. E os brasileiros?

Será que perceberam que o impeachment foi um golpe para “estancar a sangria da lava jato… com o Supremo, com tudo”? Como dito pelo senador Jucá.

Notaram que tomaram o poder para aumentar a exploração dos trabalhadores e penalizar aposentados e estudantes, com as reformas trabalhistas e da previdência, em benefício de megaempresários e banqueiros?

Entenderam que serviu para o capital internacional se apropriar dos ativos da Petrobrás e do petróleo brasileiro?

Não dispomos de pesquisas recentes que tratam de todas as questões.

No entanto, podemos recorrer à pesquisa do Ibope, realizada em novembro/17, para aferir a percepção dos brasileiros.

Perguntados se o impeachment significou melhora ou piora em relação ao governo Dilma, apenas 6% responderam que foi uma “melhora”, contra 52% que afirmaram que foi uma “piora”.

A banda do Titanic não para

Enquanto a maioria dos petroleiros e dos brasileiros toma consciência, Temer e Parente perseguem seus objetivos.

A meta de redução do endividamento da Petrobrás é temerária.

Não é um indicador estratégico recomendável para uma empresa com potencial de crescimento, como é o caso da Petrobrás.

O indicador e a meta são arbitrários, assim como a antecipação do seu alcance de 2020 para 2018.

A redução da alavancagem é desnecessária, mas poderia ser alcançada sem vender ativos até 2021.

Insistir na atual estratégia de focar na produção de petróleo cru e privatizar os ativos que aumentam seu valor é confrontar a realidade.

Mais sensato é mudar a estratégia, agregar valor ao petróleo, interromper a venda de ativos e preservar a atuação corporativa integrada, o que garante a geração de resultados diante da variação dos preços do petróleo.

Enfim, é preciso entender a realidade, mudar o plano estratégico e parar de enfrentar desnecessários desafios auto impostos.

Ao invés de errar no planejamento, culpar a realidade e insistir no erro esperando que a realidade mude, é melhor compreender a realidade e mudar o rumo estratégico.

Desde que Temer ascendeu ao poder, o governo assumiu a agenda das multinacionais do petróleo e de seus controladores.

Trata-se da agenda do sistema financeiro internacional e dos países estrangeiros que controlam as multinacionais, privadas e estatais.

Mas o que exatamente desejam as multinacionais e seus controladores?

Querem a propriedade do petróleo brasileiro, ao menor custo possível, com total liberdade para exportá-lo.

Querem acesso privilegiado ao mercado brasileiro.

Querem comprar os ativos da Petrobrás a preço de banana.

Querem garantir a segurança energética dos seus países, no caso das estatais.

Querem maximizar o lucro no curto prazo, no caso das privadas.

A Petrobrás adotou nova política de preços dos combustíveis, em outubro de 2016.

Desde então, foram praticados preços mais altos que viabilizaram a importação por concorrentes.

A estatal perdeu mercado e a ociosidade de suas refinarias chegou a um quarto da capacidade instalada.

A exportação de petróleo cru disparou, enquanto a importação de derivados bateu recordes.

A importação de diesel se multiplicou por 1,8 desde 2015, dos EUA por 3,6.

O diesel importado dos EUA que em 2015 respondia por 41% do total, em 2017 deve chegar a 82% do total importado pelo Brasil.

Soberania e desenvolvimento

O petróleo é uma mercadoria especial, na medida em que não tem substitutos em equivalente qualidade e quantidade.

Sua elevada densidade energética e a riqueza de sua composição, em orgânicos dificilmente encontrados na natureza, conferem vantagem econômica e militar àqueles que o possuem.

Não há substituto para o petróleo barato de se produzir, mas ele acabou e a humanidade vive as consequências econômicas e sociais deste fato.

Informações da indústria mundial, o investimento em Exploração e Produção (E&P) e a produção agregada desde 1985 evidenciam o aumento do custo médio de se encontrar e produzir cada barril adicional de petróleo, com severas consequências para a indústria e a sociedade.

O desenvolvimento do Brasil depende da utilização dos nossos recursos naturais em benefício da maioria dos brasileiros.

Temos que superar a sina colonial e condenar as elites que servem aos interesses estrangeiros, em prejuízo da maioria.

Os antigos senhores de engenho e seus feitores, são hoje os 0,01%, os rentistas, os executivos vassalos das corporações multinacionais e, no topo da cadeia parasitária, os banqueiros.

A tomada de consciência é condição necessária, porém insuficiente, para que a maioria dos brasileiros se unam e se organizem para tomar a direção da História e assim promover as mudanças desejadas e urgentes.

*Presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobrás (AEPET)

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7 comentários

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Gustavo Freire

25 de dezembro de 2017 às 22h58

Para onde vai a diferença entre o petróleo cru e o petróleo refinado. Vai para o bolso dos nossos políticos inescrupulosos e para o Bolso do povo dos países estrangeiros dessas petroleiros internacionais. São nesses países que fica essa diferença $$$ é são nesses países que são gerados a maior parte dos empregos da cadeia produtiva do petroleo.
É quem paga a conta ? O povo brasileiro, não só quem tem carro, mas todo povo, pq nossa produção de mercadorias depende e muito de escoamento pelas estradas, isso encarece os produtos. O diesel é vital para o Brasil, que praticamente só tem estradas.
Mas pq meia dúzia de diretores roubam a empresa da nossa família, a solução é vender a empresa, assim eles não roubam mais a família brasileira. Não podemos ter propriedades como são Francisco dizia.
A solução é vender tudo. Se a solução é vender tudo, pq os EUA estão comprando uma empresa podre prestes a falir ?
Paguem 100 reais no botijão de gás ou 5 reais no litro da gasolina e não reclamem.
Logo logo a dívida externa estará altíssima novamente e o país endividado e não só supostamente a Petrobras.
E outra: petróleo é um recurso estratégico, pais que não tem quer ter. Dar de mão beijada o nosso petróleo para estrangeiros é uma tremenda burrice. Petróleo é ouro negro. Quem venderia ouro por um terço do preço ? O Brasil, só o Brasil.
Só trocou os ladrões, o roubo continua o mesmo na Petrobras.
E a refinaria de Abreu e Lima ou as muitas Abreus e Limas que deveriam ser construídas no Brasil, não são necessárias pq são idéias do pt e refinar petróleo nos EUA é bem melhor que refinar no brasil, afinal, petróleo refinado nos EUA a gasolina tem mais octanagem e por isso custa mais caro ou então é o preço do dólar. Gasolina importada é mais chique.

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Peão petroleiro

25 de dezembro de 2017 às 13h39

Por uma questão óbvia tive que “mascarar” meu nome.
Há ainda de se acrescentar que é muito provável que dentre estes 31% estão as Gerências bandidas, incompetentes e “viciadas”, preocupadas única e exclusivamente na manutenção de seu poder. Nós os peões em sua GRANDE maioria, sabemos perfeitamente todos os estragos que vem sendo orquestrados por estes marginais. Na última noticia veiculada na imprensa, sob o pretexto de reestruturação, o que aconteceu verdadeiramente não foi a redução de setores, mas uma explosão de sub gerências como manto de proteção aos cargos de nível superior, demonstrando a conivência e auto preservação por corporatisvismo quando estes já sabiam o que viria. Existem é claro exceções, mas acredito que são poucas!
Tenho muito respeito aos trabalhos da AEPET, mas já estão muito atrasadas as críticas e denuncias aos pilantras que também fazem parte do quadro de seus associados.
Terão coragem?

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Valdeci Elias

25 de dezembro de 2017 às 12h33

Enquanto no Oriente Médio , o petróleo é tomado as custa de muito sangue, no Brasil ele está sendo saqueado sem dar um tiro. O Pentágono aplicou Sun Tzu ,”o grande general derrota o inimigo, perdendo o minimo de soldados , e matando o minimo de inimigos ” .

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Gerson

25 de dezembro de 2017 às 07h25

Uma empresa integrada, do poço ao posto, sempre foi o caminho a ser seguido. Quando o preço do barril está baixo é o refino de produtos acabados do petroleo que mantém as receitas. Quando o preço do barril está alto é a exploração e a produção que mantém a empresa. Infelizmente, os golpistas do PMDB e do PSDB querem acabar com isso e aplicar o desmonte da Petrobras e facilitar a entrega das nossas reservas para as multinacionais gringas.

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    Petroleiro da Tropa de Elite

    26 de dezembro de 2017 às 09h05

    Correto. Por isso devemos exigir que parte dos prejuízos causados pela Oderbrecht, sejam ressarcidos pela devolução de sua participação na Braskem, sem qualquer desembolso por parte da Petrobras..

Jader Oliver

25 de dezembro de 2017 às 00h42

Sou do norte de MG, recebi a visita de uma tia da minha enteada, ela mora no rio, o seu atual companheiro trabalha em uma terceirizada da Petrobras.
Ele me contou (trabalha embarcado) que os gringos chefe de empresas multinacionais quando um trabalhador se acidenta machuca ou morre eles pegam um guardanapo com uma das mãos embolam e jogam na lata de lixo e dizem: Agora é só substituir como esse pedaço de papel.

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Julio Silveira

24 de dezembro de 2017 às 23h30

O Brasil surgiu predestinado a ser nada pela força de sua elite arrogante, preconceituosa, imprudente, incompetente, afetada.
Arrogante com as classes abaixo na escala social, preconceituosa com tudo que fuge de seus padrões de aculturamento.
Imprudente por que nunca teve a preocupação de construir um estado sobenado e independente de fato alem de sofismas.
Incompetente, por que nunca quizeram se afirmar como agente contribuinte com exemplos para o mundo, sempre foram seguidores cordatos, mansinhos com o mundo, gigantes arrogantes com a nacionalidade subalterna.
Afetada, por que nunca produziram nada de autentico apenas replicam, repetem, aceitam o papel de lacaio de seus indutores culturais.
Nenhuma das instituições nacionais todas dominadas por esse tipo de elite fugiu da regra, das F.As aos poderes constituidos, a brasilidade sempre esteve mau servida com o tipo de cidadania servente, que se esconde sob os mais diversos argumentos tipo essa dicotomia Capitalismo contra comunismo para justificar suas almas vendidas.

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