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Mídia espalha as mentiras de Temer, mas a taxa real de juros subiu
Política

Mídia espalha as mentiras de Temer, mas a taxa real de juros subiu


19/12/2017 - 22h25

O Fracasso Da Política Monetária De Michel Temer

José Martins, Diário do Capital

Ocorreram modificações importantes com as taxas reais de juros internacionais, quatro meses depois que analisamos o mesmo assunto em nosso boletim “Por que o Brasil das ‘reformas’ não vai sair do buraco? Dê uma olhada no ranking mundial de juros reais”

É muito importante atualizar agora os números utilizados naquela análise sobre o rígido desenvolvimento desigual e combinados do sistema monetário internacional.

Observava-se, então, que a redução da taxa básica de juros do Banco Central do Brasil para 9,5% ao ano não tinha aumentado nem um tostão para o consumo individual e nem para o consumo das empresas (investimento).

E que sem o aquecimento dessas duas estratégicas variáveis anticíclicas não haverá chance de retomada do emprego e da produção. A economia brasileira vai continuar no buraco.

Para concluir, afirmou-se então que para sair do sufoco atual seria necessário agir emergencialmente no aumento dos gastos públicos em investimento (grandes obras de infraestrutura) e redução rápida da taxa real de juros da economia.

Continuamos afirmando a mesma coisa. Agora com mais ênfase. Existem razões monetárias para isso.

Desde agosto até 06 de dezembro último, a taxa nominal de juros do Banco Central do Brasil caiu de 9,5% ao ano para 7,0%.

O governo vende ao distinto público que essa redução da Selic é resultado de um grande desempenho da sua política monetária.

Bobagem. Isso só seria verdade se tivesse ocorrido também uma redução proporcional da taxa real de juros (entendida como taxa nominal descontada a inflação projetada para os próximos doze meses).

A taxa nominal de juros pode ser muito importante para quem especula com títulos do governo, ações, e outros ativos financeiros do mercado de capital fictício – desde as aplicações em cadernetas de poupança e “tesouro direto” até inovações tecnológicas do mercado como os bitcoin e outras criptomoedas menos populares.

Mas as variações da taxa nominal de juros não refrescam nem um pouco para a recuperação da demanda e reutilização da capacidade industrial instalada.

Para uma política anticíclica séria de estabilização da demanda pelo produto – e não apenas para voos de galinha, como tem ocorrido ultimamente – o que conta é a adequada redução da taxa real de juros.

Em resumo: nos últimos meses, no Brasil, houve redução rápida da taxa nominal de juros mas ocorreu exatamente o contrário com a taxa real.

O que ocorreu efetivamente entre agosto e dezembro deste ano, como veremos com os números mais abaixo, foi uma forte elevação da taxa real de juros da economia brasileira – de 3,71% ao ano para 4,30%,.

O que o senso comum dos homens do mercado não leva em consideração é que a deflação dos rendimentos e preços evoluiu rapidamente no mesmo período. Muito mais que a taxa nominal de juro do BC, medidos pela Selic.

A deflação dos rendimentos reais e dos preços, como já observamos inúmeras vezes, é o principal problema da economia brasileira. Isso passa longe do estreito entendimento dos capitalistas.

Ao contrário, quando o governo festeja a fantasiosa façanha de ter reduzido ao mesmo tempo os juros e a inflação os iludidos idiotas do mercado riem junto.

A elevação real dos juros tem, repita-se, um efeito letárgico imediato sobre a atividade econômica. Principalmente sobre os estratégicos componentes da demanda agregada da economia.

É por isso que tanto o comércio do varejo quanto o atacado das empresas continuam abaixo dos níveis de 2012, conforme dados mais recentes publicados pelo IBGE. Trataremos desses números separadamente, em outro boletim.

O que se passou entre agosto e dezembro deste ano é que a economia do país continuou no buraco e o Brasil piorou ainda mais sua posição relativa no ranking mundial das taxas de juros reais.

Agora ocupa a vice-liderança da lista do “top 10” das piores taxas de juros reais do mundo. Só está pior que a Turquia, que ainda figura em primeiro. Vejamos os números. Para comparação, as taxas entre parênteses são as do mês de agosto de 2017.

Turquia 5,87% (3,93%).
BRASIL 4,30% (3,71%)
Rússia 4,18% (4,59%).
Argentina 3,00% (0,36%).
Indonésia 2,26% (3,36%).
China 2,00% (1,45%).
México 1,61% (1,43%).
Índia 1,54% (1,39%).
África do Sul 1,46% (0,86%).
Colômbia 0.84% (2,06%)

Para estabelecer a taxa atual de juros reais do Brasil, a Crítica da Economia projeta para os próximos doze meses uma taxa de inflação (IPCA) de 2,70%. Bem diferente da projeção dos 4,00% projetados pelo mercado (último boletim Focus do Banco Central).

Fazem parte desta indesejável lista acima, as quatro maiores economias industrializadas da América Latina – Brasil, Argentina, México e Colômbia.

Como as demais economias deste top 10 dos desvalidos (incluindo a China), são todas elas desafortunadas economias dominadas sem moeda forte (conversível), párias no mercado monetário e cambial mundial.

Precisam manter permanentemente elevadas taxas de juros reais para atrair investidores e moedas conversíveis das economias dominantes. Só assim conseguem continuar circulando suas mercadorias pelo mercado mundial.

Outra coisa importante: a maioria destas economias – dentre as quais se destaca a China, o “chão de fábrica do mundo” – aumentaram bastante as taxas reais de juros, em curtíssimo espaço de tempo, quando se compara com agosto de 2017.

As economias dominantes (EUA, Alemanha, Japão, etc.) ao contrário, mantiveram praticamente as mesmas taxas de juros reais. Todas negativas ou, como a Alemanha e demais participantes da eurozona, com a taxa zero.

A forte elevação da taxa real de juros dessas grandes economias dominadas quer dizer que elas encontram dificuldades macroeconômicas crescentes e são as economias mais vulneráveis a um próximo choque no sistema monetário internacional.

Esse choque poderá ser detonado no próximo ano com uma súbita elevação da taxa básica de juros do planeta, administrada pelo Federal Reserve Bank, Fed, banco central dos EUA, que também detém o monopólio da emissão da moeda universal (US dólar).

Uma simples elevação de 2 pontos percentuais da taxa de juros do Fed pode disparar o gatilho. Por isso essa taxa é tão popular e tão noticiada nos noticiários da grande mídia, etc.

A explosão do sistema monetário mundial depende do que decidir o novo nomeado de Trump para dirigir o Fed, a partir de fevereiro de 2018, em lugar de Mrs. Janeth Yellen.

Uma observação para concluir este boletim. Esses mesmos perdedores globais compõem também o topo da tabela das dez maiores taxas nominais de juros, conforme abaixo:

Argentina 28,75%.
Rússia 8,25%.
Turquia 8,00%.
BRASIL 7,00%.
México 7,00%.
África do Sul 6,75%.
Índia 6,00%.
Colômbia 4,75%.
China 4,35%.
Indonésia 4,25%.

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Por Laurindo Lalo Leal Filho



4 comentários

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Julio Silveira

20 de dezembro de 2017 às 14h02

A midia corporativa e venal, é corrupta e faz dos seus meios os instrumento para chantagem e coerção.

Responder

Lucas Akira

20 de dezembro de 2017 às 12h15

Péssima análise, vamos aos pontos.

“O governo vende ao distinto público que essa redução da Selic é resultado de um grande desempenho da sua política monetária.”
Política monetária tem como objetivo cortar inflação, que foi o que houve, e como consequência o juro nominal cai. Em contrapartida, o próximo passo seria um corte do juro real para estimular a economia, e pensando no próximo ano com inflação próximo a meta (e um pouco à baixo dado o número de 17), 3%~4% de inflação é plausível e considerando um juro nominal de 6,75 ou 6,5 (que é o mais provável para o ano que vem) temos juro real de 2,5~3,5 e não os 4,3% que citou. Olhando para o longo prazo sim, há um juro real mais alto, que reflete o juro estrutural do país, que pode cair caso haja uma reforma da previdência e tributária necessária.

“Para estabelecer a taxa atual de juros reais do Brasil, a Crítica da Economia projeta para os próximos doze meses uma taxa de inflação (IPCA) de 2,70%. Bem diferente da projeção dos 4,00% projetados pelo mercado (último boletim Focus do Banco Central).”
De onde você tirou 4% de inflação projetado pelo mercado no boletim focus? Foi um erro ou propositalmente mentiroso? Se for um erro, é legal se retratar, se foi mentira, é bem feio fazer isso.
Segue link da página do Banco Central para consulta do boletim focus. Procure pelo dado de IPCA de 2017 e pegue a mediana dessa projeção e verá que está em 2,8%. 4% é a inflação projetada somente para 2018.
Nesse caso, colocar que a inflação de 18 será de 2,7% é algo bem exagerado. Comparando um ano de retomada de economia (18) com um ano de vale (17). Agora, caso essa inflação se concretize em 2,7% fugindo de todas projeções de economistas e inclusive do Banco Central, provavelmente o corte da Selic continuará para se manter o juros real. É esse o papel do Bacen, e ele tem diminuído o ritmo de corte da Selic justamente por projetar essa inflação para o ano que vem.
Em resumo, se a inflação do ano que vem for 2,7% que o escritor fala, as premissas do Bacen mudarão, e com isso o Juro Nominal vai cair mais ainda, no mínimo mantendo o juro real.
https://www3.bcb.gov.br/expectativas/publico/consulta/serieestatisticas

“Uma simples elevação de 2 pontos percentuais da taxa de juros do Fed pode disparar o gatilho. Por isso essa taxa é tão popular e tão noticiada nos noticiários da grande mídia, etc.”
Uma simples elevação de 2p.p.? Por favor, isso seria mais que dobrar a taxa de juro anual dos EUA. 2% é MUITO.

Entre outros absurdos da matéria, como sugerir que país com juro alto trás pra si uma desgraça ao invés de ver que juro é tão somente uma ferramenta de política monetária e não instrumento do mal.

É uma pena pro “jornalismo” brasileiro que tais matérias sejam veiculadas abusando do desconhecimento econômico da população para passar uma ideia que o autor tem. E nada contra o autor ter uma ideia destoante do mercado (tanto que não disse aqui que acho impossível inflação de 2,7% ano que vem, apesar de improvável), mas fazer uma analise no limiar da mentira para basear seu ponto é algo triste de se ler.

Responder

Eliete

20 de dezembro de 2017 às 09h42

elite bancária corrupta e um governo incapaz de retornar os altos impostos como serviços públicos de qualidade!!!? Só se tirando todos ,,, e montar um governo novo e com fiscalização de carácter 24 hs direto

Responder

Lukas

19 de dezembro de 2017 às 23h26 Responder

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