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Petrobras adota a pior opção: vender ativos a preço de banana
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Petrobras adota a pior opção: vender ativos a preço de banana


28/01/2016 - 09h46

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A encruzilhada da Petrobras

Por Paulo César Ribeiro Lima*, no Desenvolvimentistas

Com os sobrepreços e os superfaturamentos, além da desvalorização do Real, o endividamento líquido da Petrobras atingiu um nível muito alto de US$ 101 bilhões. Para manter os investimentos e o aumento da produção no Brasil, é necessária uma capitalização da empresa por parte da União.

Se quiserem utilizar “jogadas” com o BNDES para não aumentarem a dívida pública líquida, que o façam. Eu prefiro uma capitalização convencional.

Essa capitalização, feita com o dinheiro do povo brasileiro, exige uma mudança de postura da Petrobras: a transparência e a publicidade das licitações e contratações, entre outras.

O famigerado Decreto nº 2.745/1998 tem que ser enterrado. Sem isso, é difícil defender que a União capitalize a Petrobras. No entanto, o atual governo continua, ao que tudo indica, promovendo negociatas.

A capitalização, contudo, exige credibilidade do governo. Parece que a Presidente não tem mais credibilidade.

A principal medida a ser tomada neste momento é a interrupção da venda de ativos. O baixo preço do petróleo é consequência, principalmente, de uma “guerra entre Estados”.

Importa ressaltar o “avanço tecnológico” nos Estados Unidos que transformou rochas de baixíssima permeabilidade em reservatórios de petróleo. Isso gerou um grande aumento de produção nesse país.

No entanto, se não houvesse essa “guerra entre Estados”, o preço não estaria tão baixo. Essa “crise artificial” do petróleo reduziu o valor dos ativos.

Vender ativos da Petrobras neste momento é crime lesa-pátria. O Brasil não está entra os principais Estados dessa “guerra entre Estados”. Entretanto, a “destruição da Petrobras” interessa a alguns Estados.

Se a venda de ativos não for interrompida, é preciso, pelo menos, manter o controle das empresas semi-privatizadas.

Também melhor que vender ativos das áreas de transporte, gás natural, distribuição, petroquímica, fertilizantes etc, é a Petrobras buscar sócios nas área da cessão onerosas.

A Petrobras ficou sozinha em uma área que tem 20 bilhões de barris. Com um preço de US$ 100 o barril e com um endividamento menor, a “supercarteira” da Petrobras da época do Gabrielli poderia até ser factível. Hoje não é mais.

O Gabrielli cometeu um grande erro: a Petrobras não é o Estado. O grande erro dele começou com a cessão onerosa. Esse erro foi agravado pela corrupção, pela queda do preço do petróleo e pela desvalorização do Real.

No atual cenário, é difícil a Petrobras investir sozinha para produzir os 20 bilhões de barris das áreas da cessão onerosa e, além disso, investir em refino, logística, fertilizantes, gás natural, energia elétrica etc.

A Petrobras está fazendo uma aposta arriscada. O foco é apenas no Pré-Sal. Com isso, a empresa está sendo desintegrada. O problema é que, no futuro, a “Petrobras do Pré-Sal” tem grande chance de ser privatizada.

Por isso, julgo importante a Petrobras continuar sendo uma empresa integrada e diversificada, de modo a contribuir, de fato, para o desenvolvimento nacional.

O foco não deve ser apenas nas áreas da cessão onerosa do Pré-Sal que, diga-se de passagem, foram “roubadas” da União.

Sempre fui contra o leilão de Libra, mas dadas as circunstâncias, é melhor buscar parceiros nas áreas da cessão onerosa. É melhor perder um dedo que a mão inteira. O melhor parceiro para Petrobras seria a União. Mas também não acredito nessa hipótese. O modelo norueguês é bom demais para ser usado no Brasil.

As prioridades para a Petrobras seriam:

1ª buscar a União para dividir os investimentos nas áreas da cessão onerosa e interrupção da venda de outros ativos;

2ª a capitalização e interrupção da venda de ativos;

3ª buscar parceiros para dividir os investimentos nas áreas da cessão onerosa e interrupção da venda de outros ativos;

4ª venda de ativos sem perder o controle acionário;

5ª venda de ativos com perda de controle acionário.

A quinta e pior opção, venda de ativos com perda de controle, parece estar a caminho.

A venda do controle acionário poderia valorizar o ativo. Esse será o argumento do governo para a quinta opção, que, na verdade, representa a destruição da Petrobras.

*Paulo César Ribeiro Lima é consultor legislativo e ex-funcionário da Petrobras.

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8 comentários

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lulipe

29 de janeiro de 2016 às 16h56

O PT vai conseguir o inimaginável, vai destruir a Petrobrás!!!

Responder

Luiza

28 de janeiro de 2016 às 18h27

O problema é que Dilma capitulou, gente. [capitular: vint 1 Entregar-se, render-se mediante capitulação; vint 2 Ceder, transigir]
O Brasil nao estaria nessa situaçao apertada se uma auditoria nas contas do endividamento público fosse feita, mas quem é financiado por banqueiro só poderia mesmo é vetar essa auditoria e capitular.
O Estado será desmontado aos poucos. Isso é so o começo do loteamento que vem por aí.

Responder

    Nelson

    29 de janeiro de 2016 às 17h19

    “Nunca seremos afortunados, nunca”, teria dito Simon Bolívar ao constatar que seu sonho de ver construída a Pátria Grande se esvaía.

    Com o governo pusilânime que temos, essa frase serve também a nós brasileiros. Ao entregarmos o que resta de Estado e de patrimônio público ao grande capital privado, nacional ou estrangeiro, estaremos nos desfazendo do que ainda restou de soberania, após passarmos por dois governos vendilhões como o de Collor e o de FHC.

    E após passarmos também por dois governos que foram eleitos para acabar com as privatizações e continuaram a entregar as nossas riquezas.

    Parece que o Millôr Fernandes estava certo quando afirmou que “O Brasil tem um grande passado pela frente”

FrancoAtirador

28 de janeiro de 2016 às 17h40

.
.
“O Modelo Norueguês
É Bom Demais
Para ser Usado no Brasil”
.
É preciso Coragem
E Vontade Política
Para se ter Soberania.
.
.

Responder

Alberto Lima

28 de janeiro de 2016 às 17h32

Mesma coisa acontece com a Eletrobas, já que o governo vai gastar cerca de 4 bilhões de reais com as suas distribuidoras, pra depois privatizá-las.
Assinando assim um atestado de incompetência em gestão.

Vê se dá pra entender: vai usar dinheiro público, pra saneá-las, e depois vendê-las?

Interessante que com a venda elas serão, segundo especialistas, lucrativas.

mas sempre pedem reajustes tarifários!

Assim fica fácil!

Ruim demais!

Responder

Lukas

28 de janeiro de 2016 às 14h18

Por aqui, para qualquer problema, a solução é tirar dinheiro do Tesouro.

Não sei qual o entendimento de vocês para a palavra TESOURO, mas o dinheiro dele é finito.

Responder

Julio Silveira

28 de janeiro de 2016 às 11h27

Não é a toa que a taxa de rejeição ao governo e ao PT só cresce. A gente reluta, mas ao olhar bem chega à conclusão que não é por acaso.

Responder

Nelson

28 de janeiro de 2016 às 11h14

“A capitalização, contudo, exige credibilidade do governo. Parece que a Presidente não tem mais credibilidade.”

Votei na Dilma menos pela credibilidade dela do que para escapar aos tucanos. O caso da Petrobras é chave; ou o governo toma uma medida soberana, de manter íntegra sua maior empresa, ou “entrega a rapadura” de uma vez. Terá, então, um futuro em que passo a passo vai se tornar cada vez mais igual aos governos dos tucanos.

É hora de “virar a mesa”, dar um peitação e romper, realmente, não só na retórica, com o neoliberalismo, apostando no potencial nacional.

Leonel Brizola não titubearia. Quanto ao PT, com sua fascinação por um liberalismo que nunca existiu, eu tenho minhas dúvidas se dará esse necessário basta.

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