VIOMUNDO

Diário da Resistência


Denúncias

Pagamento de juros cai, mas consome quase 24% dos gastos do governo


25/08/2012 - 12h56

Governo gasta 196 bi com bancos e 4,7 bi de investimento até junho

24/08/2012

Dos R$ 90,073 bilhões para investimentos, autorizados pelo Congresso Nacional, foram liberados 5,3%

Carlos Lopes, da Hora do Povo, reproduzido no site da Central Única dos Trabalhadores

Há tanta confusão no ar (e até nos aeroportos) que é difícil prestar atenção em todas, isto é, em todas que têm alguma importância. Nos últimos dias, deixamos de lado a grita em torno do “superávit primário”. Talvez porque essa grita seja algo esquisita: o governo superou a meta do primeiro semestre, para essa reserva destinada a juros, em mais de R$ 1,2 bilhão (R$ 48.085.318.000 para uma previsão de R$ 46.813.025.000; NOTA: trata-se, aqui, do superávit primário do governo central — soma dos resultados do Tesouro Nacional, Previdência e Banco Central — e não do conjunto do setor público, que inclui governos estaduais, municipais e as estatais).

Por que, então, os bancos – e sua mídia – estão reclamando e prevendo, se não houver “correção”, terríveis consequências econômicas para o país?

Os bancos não conseguiram extrair, via “superávit primário”, o mesmo que no ano passado (R$ 55.993.750.000) — e isso foi o suficiente para desencadear o terrorismo midiático-financeiro. Como se sabe, o mundo vai acabar no dia em que o governo não drenar os recursos da população para os bancos…

Trata-se de uma questão de princípio da agiotagem: sempre achacar o máximo possível — e sempre mais.

Porém, prestemos atenção nas tabelas desta página, copiadas inteiramente de dois relatórios do Tesouro (cf. STN, RREO, junho de 2012 e RREO, junho de 2011).

Na segunda coluna da primeira tabela, está o que foi efetivamente pago pelo governo no primeiro semestre deste ano (ao todo, R$ 822,210 bilhões).

Os bancos receberam, em dinheiro, no primeiro semestre, R$ 61,961 bilhões em juros e R$ 134,465 bilhões em amortizações (sem contar o refinanciamento ou rolagem da dívida, que não é em dinheiro, mas em títulos).

Portanto, somadas essas duas parcelas, os bancos receberam, em dinheiro, R$ 196,426 bilhões – nada menos que 23,89% do total que foi pago pelo governo no primeiro semestre. Se contarmos também os R$ 186,902 bilhões de rolagem (refinanciamento), a parte dos bancos chegaria a R$ 383,328 bilhões, ou seja, 46,62% dos gastos do governo no primeiro semestre deste ano.

Observemos que isto aconteceu apesar de, em valores correntes, o governo ter gasto menos 7,93% em juros que no mesmo período do ano passado (ver segunda tabela, última coluna).

Mas, se o pagamento de juros diminuiu quase 8%, a amortização em dinheiro subiu +208,78%.

Na prática, isso fez com que o gasto do governo com os bancos, em dinheiro, aumentasse R$ 85,578 bilhões (de R$ 110,848 bilhões em janeiro-junho de 2011 para R$ 196,426 bilhões em janeiro-junho de 2012).

Apesar da queda no superávit primário, da queda na rolagem (-26,51%) e da queda no gasto com juros…

INVESTIR

Existe algo inestimável em não ignorar as confusões a que aludimos acima: descobrir coisas que antes não sabíamos.

É verdade que, nesse caso, já tocamos no assunto algumas vezes, mas sempre é bom (ainda que triste) constatar sua verdade.

A verba para investimentos efetivamente liberada no primeiro semestre foi 0,58% do total pago – e apenas 5,3% da verba anual aprovada pelo Congresso. Em dinheiro, o Congresso autorizou investimentos orçamentários de R$ 90,073 bilhões, mas foram liberados apenas R$ 4,774 bilhões.

E foi melhor que o ano passado: no primeiro semestre de 2011, os investimentos foram apenas 0,38% do total pago – e 4,47% do que foi aprovado pelo Congresso.

Enquanto isso, o crescimento do país caía de 7,5% (2010) para (talvez) 1,5% este ano – mas ouvimos um bocado sobre a importância do investimento, sobre como não é possível aumentar os funcionários por causa do investimento, etc, etc, etc & mais etc, etc.





18 comentários

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Fabio Passos

26 de agosto de 2012 às 18h41

E a rapina continua…

A “elite” branca, rica e ladra continua mamando nas testas do Estado brasileiro.

Responder

    João

    26 de agosto de 2012 às 22h26

    dom, 26/08/2012 – 1:08 Chacal

    eita, cara, q recalque, hein!?

    esse papinho de “elite branca” já tá dando na pinta!

    vai fazer terapia e arrumar um emprego q vc faz melhor…
    —————

    perfeito!

Julio Silveira

26 de agosto de 2012 às 17h04

Luiz Carlos, perdoe a minha ignorância, mas de onde voce tirou esse numero 32% de queda, se o percentual de 51,5% caiu para 34,9% do PIB, pelos meus cálculos a queda seria de 16,6%.
Mas, mais importante que esses números é perceber a quase docilidade, com que o governo lida com esses grandes grupos financeiros. Me passa a percepção de que economizar não significa transferência da utilidade dos recursos para o setor publico, para os serviços da cidadania, sua responsabilidade.

Responder

Luiz Carlos

26 de agosto de 2012 às 16h01

Na verdade a dívida líquida do setor público caiu de 51,5% do PIB para 34,9% do PIB (redução de 32%)e o governo reduziu em 155 bilhões suas dívidas para com os banqueiros só no primeiro semestre de 2012 em relação a 2011. Isto é fruto da redução da SELIC. O gov. paga menos juros e está aproveitando para quitar sua dívida. E os banqueiros estão migrando para a exploração direta aos seus clientes, a população em geral, porque os juros são bem maiores.
Na verdade deveria haver um esforço para gastar mais em investimentos mas o TCU e o avanço dos corruptores está limitando esta expansão.

Responder

Curioso

26 de agosto de 2012 às 09h23

Eu sou a favor da ESTATIZAÇÃO do controle acionário de todos os bancos privados do mundo. Se os prejuízos dos bancos estadunidenses e europeus foram socializados, os lucros também devem ser, através de um encontro de contas, mantidos os acionistas minoritários.

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    Lucas Cardoso

    26 de agosto de 2012 às 16h02

    Isso seria justo e democrático. Ou seja, não vai acontecer. Até que o sistema capitalista desabe sob o peso de sua própria estrutura carcomida, todo o poder emana dos ricaços e em seu nome será exercido.

Pedro luiz

26 de agosto de 2012 às 08h37

E a classe bancária está mais uma vez a beira de uma greve nacional. E o pedido é 10,25% de aumento no item salarial.Acredito que vão oferecer 6%, sendo 5,25 a inflação e o resto de “ganho real”. E o JN e demais vão mais uma vez nos colocar como “grevistas”. Velhinhos nos crucificaram no ar e a elite dos bancos nos forçará e ameaçara de nos “voltarmos ” ao trabalho.Enquanto isso, os BI estarão entrando nos seus cofres, retirando daqqueles mesmos velhinhos os direitos promulgados na “Constituição Brasileira”. Tudo em nome do BEM, da ordem e da obediência nacional.

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Fabio Passos

25 de agosto de 2012 às 23h26

R$196 bilhões roubados dos trabalhadores pelos miliardários vagabundo do mercado financeiro.

É preciso estancar este roubo institucionalizado.

Responder

    Pimon

    26 de agosto de 2012 às 00h35

    Como é, o articulista reclama de AMORTIZAÇÕES?

    A dívida caiu com elas, cara!

    A dívida feita pelo titio FHC!

    Artigo danado de ruim!

    Dilma tem que pagar, não tem CONGRESSO para votar NADA contra Bancos e seus 20 mil detentores da dívida (não é apenas o Banco que rapina… rapinava muito mais) e etc…. bem como contra Abril, etc.

    Quem mandou você votar no PMDB?

    O_Brasileiro

    26 de agosto de 2012 às 11h25

    Isso é verdade!
    Se dá para amortizar, melhor fazer isso logo, enquanto é possível!

    Fabio Passos

    27 de agosto de 2012 às 11h09

    Não vejo razão p/ comemorar transferência de R$134 bilhões dos trabalhadores para os especuladores.
    Dinheiro transferido dos pobres para os ricos não é motivo para festa.

Avelino

25 de agosto de 2012 às 21h32

Caro Azenha
No orçamento, ainda mais de 45% fica para pagamentos de dividas, articulados na era FHC.Esse núcleo tem que ser explodido, enquanto isso não acontece, ficaremos com as migalhas, em forma de investimentos.
Saudações

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O_Brasileiro

25 de agosto de 2012 às 20h15

Como disse o Rodrigo, a coisa pode ficar pior nos próximos anos.
O governo aumentou o limite de endividamento de vários Estados.
Ou seja, o governo “aposta” (é o tal cassino!) que não haverá queda de arrecadação!
Os governistas defendem que o Estado deve ser o estimulador da economia.
Os empresários, espertamente, deixam seus lucros em paraísos fiscais, em dólar, protegidos das sucessivas crises.
A falta de liquidez mundial tem origem nos saldos bancários destes paraísos fiscais!
Só uma maxi-desvalorização do dólar pegaria esses caras. (Já pensou, Duda?)
A patuleia que se cuide e não se endivide até o pescoço!

Responder

Rodrigo Meme

25 de agosto de 2012 às 16h17

Vem coisa muito grande por aí,mizifio Azenha.É só observar o George Soros investindo pesadamente em ouro:

http://www.infomoney.com.br/mercados/noticia/2528560/George-Soros-investe-mais-ouro-segundo-trimestre

George Soros investe mais em ouro no segundo trimestre

Apesar de forte dos preços no segundo trimestre, megainvestidor aumenta participação em fundo vinculado ao metal
Por Mariana Mandrote
|15h18 | 15-08-2012

O último GEAB já tinha alertado:

http://resistir.info/crise/geab_66.html

Crise sistémica global

Alerta vermelho para Setembro-Outubro/2012:Quando as trombetas de Jericó soarão sete vezes

…………Todas as outras componentes da situação global estão efectivamente orientadas num sentido negativo, mesmo catastrófico. Aqui, mais uma vez, os media dominantes começam a reflectir uma situação antecipada desde há muito pela nossa equipe para o Verão de 2012. Com efeito, de uma forma ou de outra, mais frequentemente em páginas internas do que em grandes manchetes (monopolizadas há meses pela Grécia e o Euro [4] ), doravante encontra-se os 13 temas seguintes:

Recessão global (mais nenhum motor de crescimento em parte alguma / fim do mito da “retomada estado-unidense”) [5]
Insolvência crescente, e doravante parcialmente reconhecida como tal, do conjunto do sistema bancário e financeiro ocidental.
Fragilidade crescente dos activos financeiros chave como as dívidas soberanas, o imobiliário e os CDS na base dos balanços dos grandes bancos mundiais.
Queda do comércio internacional [6]
Tensões geopolíticas (nomeadamente no Médio Oriente) que se aproximam do ponto de explosão regional
Bloqueio geopolítico global duradouro na ONU
Colapso rápido de todo o sistema ocidental de aposentadoria por capitalização [7]
Fracturas políticas crescentes no seio de potências “monolíticas” mundiais (EUA, China, Rússia)
Ausência de soluções “milagrosas”, como em 2008/2009, devido à impotência crescente de vários grandes bancos centrais ocidentais (Fed, BoE, Boj) e ao endividamento dos Estados
Credibilidade em queda livre para todos os Estados que tenham de assumir o duplo encargo de um endividamento público e de um endividamento privado excessivos.
Incapacidade para dominar/atenuar a progressão do desemprego em massa e de longa duração
Fracassos das políticas de estímulos monetaristas e financeiras assim como das políticas de austeridade “pura”
Ineficácia doravante quase sistemática dos grupos fechados internacionais alternativos ou recentes, G20, G8, Rio+20, OMC, … sobre todos os temas-chave do que já não é de facto uma agenda mundial [8] dada a ausência de qualquer consenso: na economia, finanças, ambiente, resolução de conflitos, combate contra a pobreza…

O que combina bem com o oceano de papel podre que os bancos americanos emitiram:

http://demonocracy.info/infographics/usa/derivatives/bank_exposure.html

Derivatives: The Unregulated Global Casino for Banks

SHORT STORY: Pick something of value, make bets on the future value of “something”, add contract & you have a derivative.
Banks make massive profits on derivatives, and when the bubble bursts chances are the tax payer will end up with the bill.
This visualizes the total coverage for derivatives (notional). Similar to insurance company’s total coverage for all cars.
LONG STORY: A derivative is a legal bet (contract) that derives its value from another asset, such as the future or current value of oil, government bonds or anything else. Ex- A derivative buys you the option (but not obligation) to buy oil in 6 months for today’s price/any agreed price, hoping that oil will cost more in future. (I’ll bet you it’ll cost more in 6 months). Derivative can also be used as insurance, betting that a loan will or won’t default before a given date. So its a big betting system, like a Casino, but instead of betting on cards and roulette, you bet on future values and performance of practically anything that holds value. The system is not regulated what-so-ever, and you can buy a derivative on an existing derivative.
Most large banks try to prevent smaller investors from gaining access to the derivative market on the basis of there being too much risk. Deriv. market has blown a galactic bubble, just like the real estate bubble or stock market bubble (that’s going on right now). Since there is literally no economist in the world that knows exactly how the derivative money flows or how the system works, while derivatives are traded in microseconds by computers, we really don’t know what will trigger the crash, or when it will happen, but considering the global financial crisis this system is in for tough times, that will be catastrophic for the world financial system since the 9 largest banks shown below hold a total of $228.72 trillion in Derivatives – Approximately 3 times the entire world economy. No government in world has money for this bailout. Lets take a look at what banks have the biggest Derivative Exposures and what scandals they’ve been lately involved in. Derivative Data Source: ZeroHedge.

Responder

    Ingmar

    25 de agosto de 2012 às 18h40

    Os Estados Unidos vão quebrar de vez e arrastarão o resto do mundo para o buraco…

    ZePovinho

    25 de agosto de 2012 às 22h55

    Peraí!!!O “Rodrigo Meme” é um troll de esquerda criado pelo ZePovinho para provocar os trolls de direita.

jaime

25 de agosto de 2012 às 15h55

Nada como uma economista no poder!

Responder

    Pimon

    28 de agosto de 2012 às 02h26

    Nada!

    Et pour cause, a dívida caiu para 34% do PIB.

    Nada como um comentário de gente que ignora a realidade nacional.

    Economista… não é!


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