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Cartas de Minas
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Paulo Moreira Leite: O conservadorismo primitivo de Octávio Cabral

21 de agosto de 2013 às 14h29

Abaixo da dignidade

por Paulo Moreira Leite, no Facebook

Flagrado numa sucessão inesquecível de erros factuais no livro “Dirceu – A Biografia”, o jornalista Otávio Cabral promete através da Folha de S. Paulo que vai fazer correções na próxima edição.

Mas é difícil escapar da pergunta. Se o livro não tivesse erros em tamanha quantidade seria um uma obra aceitável como um produto cultural, destinado a enriquecer o conhecimento dos brasileiros e o debate de nosso tempo?

Essa é a questão. Erros acontecem em toda atividade humana: na medicina, na engenharia, no Direito e no jornalismo.

Mas erros em excesso não são detalhes. Espelham desconhecimento.

Quem erra muito sabe pouco – aprende-se com uma criança em alfabetização ou com um adulto que tenta falar daquilo que não entende.

Os erros de “Dirceu” ajudam a entender o livro. Otavio Cabral escreveu uma obra onde os fatos não tem a importância que deveriam ter numa obra que pretende se enquadrar no gênero das biografias. Aqui, eles são descartáveis.

Podem ser trocados, descartados, substituídos. Não tem valor em si. Servem a um propósito, que é sustentar a visão de Cabral sobre Dirceu.

Além de fatos quimicamente falsos, há outros, em estado vaporoso. Cabral não sabe são verdadeiros, ou se não passam de puros boatos. Mas divulga tudo mesmo assim, sem esconder a vontade de fazer carga – de qualquer maneira, por todo lado.

Como exercício de terrorismo moral, o livro é uma exibição de má pontaria.

O problema real é sua falta de conhecimento sobre personagem e os diversos contextos da vida de José Dirceu.

Você atravessa mais 360 páginas e não consegue entender as causas da influência de Dirceu nas últimas décadas da política brasileira. Não se trata de aprovar ou não o que ele faz.

Trata-se de saber o que ele fez, quando, onde, por que.

O autor não tem conhecimento real sobre a ditadura militar que marcou a geração de Dirceu e de tantos brasileiros.

Não faz ideia de como era a vida no país daquele tempo, limitando-se a produzir julgamentos ideológicos.

Também lhe faltam elementos importantes para entender o que foi o processo de democratização e o processo político que levou Lula e o próprio Dirceu ao Planalto, em 2003.

Já na orelha o livro faz uma afirmação absurda: “em 2003, pela via democrática que não ajudara a construir, (Dirceu) alcançaria o Palácio, ministro de um presidente eleito pela esperança.”

Considerando métodos honestos de discussão, não há como sustentar a noção de que Dirceu “não ajudou” a construir a vida democrática no país.

Maior liderança estudantil dos anos 60, exilado, guerrilheiro, no final da década de 70 Dirceu atuou ainda na clandestinidade junto a movimentos que resistiam a ditadura, pediam anistia aos presos políticos e foi um dos articuladores reconhecidos da campanha das Diretas-Já.

Levando em conta o tamanho reduzido do PT naquele início da década, seu papel como organizador da ala mais combativa do movimento pelas diretas foi equivalente, todas as proporções guardadas, à atuação de um governador como o tucano Franco Montoro.

Sem deixar de ser amigo da ditadura comunista de Fidel Castro, anos depois Dirceu destacou-se no esforço para aproximar Lula e o PT de forças políticas moderadas, capazes de garantir uma base mais ampla para o governo.

Com apoio de Lula foi o principal responsável pela elaboração de uma política de alianças que ajudou a construir o bloco político que permitiu a vitória do PT nas eleições de 2002 e mesmo em 2006 e 2010, quando se encontrava fora do governo

Os principais adversários de Dirceu, durante muitos anos, foram vozes da ala esquerda do PT, que denunciavam sua “aliança com a burguesia”.

Se estivesse em busca do Dirceu real, e não de um mito adequado ao conservadorismo primitivo que marca a formação política do país, Octávio Cabral teria registrado sua atuação no Congresso e na Casa Civil para facilitar aproximações com empresários, negociando acordos e desatando nós – e sempre tomando porradas internas por isso.

Durante a campanha de 2002, Dirceu foi aos Estados Unidos para estabelecer relações com o governo do presidente republicano George W. Bush.

Naquele momento, a candidatura Lula era alvo de uma campanha reacionária, em Washington, para apresentá-lo como uma combinação de Hugo Chávez, alvo de um golpe de Estado no início daquele ano, com apoio dos EUA, e de Fidel Castro, que a Casa Branca tentou derrubar por meio século.

Dirceu retornou como interlocutor legítimo do novo governo junto ao Departamento de Estado e da embaixadora Donna Hrinak.

O acadêmico Mathias Spektor assinala que naquele período Brasil e Estados Unidos atingiram um padrão de bom entendimento poucas vezes conseguido ao longo da historia diplomática dos dois países – e jamais reconhecido pela imprensa brasileira.

Seria absurdo ignorar que Dirceu teve um papel pioneiro na construção desta situação.

Sem acesso a Dirceu nem a fontes dispostas a ajudá-lo a formar uma visão consistente sobre 50 anos dedicados à política, o livro contenta-se com entrevistas já publicadas e envelhecidas.

Também dá credito a relatos de segunda mão e depoimentos de velhos camaradas que se tornaram adversários e até inimigos de Dirceu, método ideal para produzir uma obra que transpira raiva e ressentimento.

Num exercício de psicanálise à distancia, Cabral escreve que, filho de um pequeno empresário conservador, em 1964 Dirceu apoiava o governo Jango “mais para se opor ao pai do que por ideologia.”

Falando sobre 1968, o livro enxerga a ação da ditadura contra os estudantes de um ponto de vista que poucos observadores já tiveram enunciaram em público.

Comentando o sucesso de uma das ações do líder estudantil Dirceu, a ocupação da Maria Antônia, Otávio Cabral escreve que isso ocorreu por causa da “falta de repressão.”

Então é assim. O leitor precisava chegar a 2013 para Octávio Cabral dizer que em 1968 havia “falta de repressão” no Brasil.

Como sabem até alunos de curso fundamental, o regime militar cuidou de resolver essa situação poucos meses depois, quando baixou o AI-5.

Preso naquele ano, no fim do Congresso de Ibiúna, Dirceu planejava fugir da prisão porque tinha “medo da tortura,” escreve Cabral, o corajoso.

Pelo método da banalização do mal, o livro vai chegando aonde pretende.

Ameniza a brutalidade da ditadura, num esforço necessário para reduzir o valor de quem ousou mobilizar-se contra ela. Ao falar em “medo da tortura” o livro assume um ponto de vista conhecido e lamentável.

A prática da tortura, no mundo inteiro, tem um discurso estabelecido para tentar justificar-se.

Situados na posição confortável de um interrogatório, torturadores profissionais preferem explicar confissões obtidas por uma suposta falta de caráter de suas vítimas, pelo “medo”, pela “covardia,” e não pela ação dos choques elétricos no pau de arara.

Numa tentativa de explicar um comportamento desumano, querem fazer seus contemporâneos acreditarem que, antes de vencer suas vítimas pela dor física, haviam sido capazes de derrotá-las no plano moral.

Conforme esta fabricação imoral, a covardia das vítimas era mais importante do que a dor que efetivamente sentiam.

Lançado nas semanas anteriores ao julgamento dos recursos da ação penal 470, era de se imaginar, com otimismo, que o autor tivesse a ambição de trazer novidades nesse terreno. Mas não.

O livro limita-se a fazer coro com denúncias conhecidas, aproveitando a ocasião para tentar chegar às listas de mais vendidos.

Levando a má investigação policial para o campo jornalismo, “Dirceu” com aspas deduz, infere, quer tornar plausível a visão de que Dirceu sem aspas era o chefe do esquema – mas não tem provas nem fatos novos.

Octavio Cabral entrevistou José Antônio Oliveira Lima, advogado de Dirceu, mas não teve curiosidade de entender os argumentos de uma defesa que, como se sabe, obteve um apertado placar de 5 a 4 numa deliberação importante, sem falar numa condenação ampliada porque o presidente do STF Joaquim Barbosa cometeu um erro de datas na hora em que definia a pena.

Por oposição, a leitura de “Dirceu” me fez pensar em “Hitler”, de Ian Kershaw.

Uma das melhores biografias jamais escritas, “Hitler” contém uma lição bem sucedida para um exercício difícil: narrar a história de vida de uma pessoa pela qual o autor não possui um milímetro de simpatia.

Trabalhando quatro décadas depois da morte de Hitler, Kershaw escreveu um total de 1076 páginas. Seu trabalho é impecável.

Não deixa nenhum fato de lado, não perde o rumo nem confunde a realidade com seus argumentos nem afirma o que não pode sustentar.

É um livro repleto de ensinamentos universais de política, de história, de reações humanas.

Aplica-se, à cultura, aquela verdade que Hanna Arendt descobriu para a Justiça.

Mesmo um nazista, como Adolf Eichmann, tinha direito a um julgamento justo.

Por mais errada que seja sua visão de José Dirceu, Octávio Cabral não tinha o direito de lhe dar um tratamento abaixo da dignidade.

Leia também:

André Singer: Coalizão rentista foi às ruas em junho protestar contra Dilma

Igor Grabois: Reação contra Dilma começou com a redução de juros

Maria Lucia Fatorelli: Banqueiros capturaram o Estado brasileiro

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39 Comentários escrever comentário »

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Clodoaldo Massardi

25/08/2013 - 16h34

Homens como Zé Dirceu e Lula se tornaram inimigos e alvos preferencias da grande mídia, são condenados sem ao menos terem sido julgados. alguns jornalistas como Reinaldo Azevedo, Diogo Mainard,Merval Pereira demonstram isso claramente em publicações que, odeiam o PT.

Responder

FrancoAtirador

24/08/2013 - 00h00

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Para o STF, data de homicídio pode não ser a do assassinato

Por Zé Augusto, n’Os Amigos do Presidente Lula

O STF inventa mais um absurdo no julgamento do chamado mensalão.

De hoje em diante, pela jurisprudência criada, quando um matador de aluguel assassinar a vítima, e receber pelo “serviço” em data posterior, a data de homicídio passa a ser a do recebimento, e não a do assassinato.

Não nutro nenhuma simpatia pelo ex-deputado Bispo Rodrigues, e acho que justamente por sua má imagem de político fisiológico (o que é feio mas não é crime) e envolvido em outros escândalos e processos criminais graves, pouca gente se dispõe a lhe conceder o benefício da dúvida de que os fatos que pesam sobre ele, neste caso específico do recebimento de dinheiro de Marcos Valério, possa ter sido só caixa 2 de campanha mesmo, e é por esse motivo que ele deveria responder criminalmente. Afinal ele era líder do PL na época e seu partido tinha o vice-presidente da República José Alencar, além de participar do governo em outros postos importantes, como o ministro dos transportes. Não faz muito sentido imaginar que ele votaria contra orientação do vice José Alencar, se não recebesse os R$ 150 mil de caixa 2 que recebeu.

Mas no embargo de declaração no STF nem era isso que estava sendo discutido. Era apenas a data da ocorrência do fato pelo qual ele foi condenado, como no exemplo do homicídio citado acima. O ministro Lewandovski explicou didaticamente o absurdo de considerar a data do pagamento pelo crime em vez da data do crime. Só três ministros votaram com ele, apesar de muitos elogiarem seu argumento, parecendo ter vergonha de voltar atrás na decisão, que apenas poderia reduzir a pena, sem nem mesmo mudar o regime de detenção que já é semi-aberto no caso de Rodrigues.

Se juízes do Brasil inteiro seguirem a maioria do STF, vai dar muita confusão por aí.
Mas nesse julgamento é como se diz no popular: “de onde menos se espera, daí é que não sai nada.”

(http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com.br/2013/08/para-o-stf-data-de-homicidio-pode-nao.html)

Responder

Urbano

23/08/2013 - 13h52

O conservadorismo é simplesmente o apagão da inteligência.

Responder

Isidoro Guedes

23/08/2013 - 10h55

Pode-se não gostar de José Dirceu, mas ninguém tem o direito de publicar um folhetim de execração contra ele e chamar isso de biografia. Nem contra ele nem contra ninguém.
Quem produziu isso só poderia mesmo ser do Grupo Abril, da revista Veja (se é que podemos chamar esse lixo de revista).
Dirceu realmente não é um primor de simpatia. Mas é um brasileiro que merece todo o respeito por ter lutado com firmeza contra a ditadura militar, e por lutar a vida inteira pela construção de uma país mais justo e menos desigual.
Foi isso que atiçou o ódio contra ele. É isso que levou a mídia direitista e reacionária (capitaneada pelas Organizações Globo) a forçar o STF a condená-lo (sem provas) em um julgamento de exceção, altamente contaminado pelo ódio ideológico que essa mídia (porta voz do poder econômico) sempre devotou ao homem que ajudou a formular as teses que interromperam o ciclo histórico de governos ultra-conservadores e anti-povo neste país.
Dirceu terá lugar de honra na história. Essa gente (e em especial essa mídia abjeta e os que se acovardam diante dela) aparecerá numa nota de pé de página.

Responder

    Leros Leros

    20/09/2013 - 17h06

    Diga isso ao seu filho no futuro.

Messias Franca de Macedo

23/08/2013 - 01h03

… E por contrariamente(!) “um dos reis do PIg”, Robert(o) Carlos, impediu – na “Justiça” brasileira – a publicação de uma biografia dele escrita por um jornalista e fã do tal “cantor brasileiro”!…

Lamentável!… A incivilidade!…

República de ‘Nois’ Bananas
Bahia, Feira de Santana
Messias Franca de Macedo

Responder

dinarte22

23/08/2013 - 00h35

De repente o julgamento do Ze Dirceu me lembrou o de Tiradentes. A lógica é a do poder. Dos poderosos.

Responder

Renato Valle Bittencourt

22/08/2013 - 19h54

Sugestão ao Paulo. Espera baixar a poeira, espera o final do julgamento, espera o destino que darão ao Zé Dirceu – tentarão lhe dar, pois acredito que Dirceu faz sua história a a história do Brasil até de dentro da cadeia – e escreve, Paulo, uma biografia dele. Além de sucesso garantido, você ainda dá uma contribuição importante e honesta ao conhecimento da história política do Brasil.

Responder

    Wagner Ortiz

    22/08/2013 - 21h03

    Boa ideia. Só um porém: Dirceu pode ser assassinado se for liberado.

Caracol

22/08/2013 - 19h31

Quem é Octavio Cabral?
Alguém aí sabe me dizer?

Responder

pablo

22/08/2013 - 14h48

PML ao abordar o regime político cubano como “Ditadura comunista de Fidel Castro” mostra um ‘conhecimento’ sobre a ilha do caribe similar ao criticado ‘conhecimento’ biográfico de Octavio Cabral sobre Dirceu. Já que o criticado manifesta um “conservadorismo primitivo”, qual seria o tipo de conservadorismo do PML ?

O da esquerda ‘pragmática’, que é “amiga” dos governos revolucionários da AL mas mantêm distanciamento ideológico para não desagradar os donos dos centros de poder mundial ? A que chama Bush de ‘companheiro’? A que segue privatizando, mas com um discurso ‘progressista’?

Para além das ridículas e patéticas perseguições da mídia reacionária (que as vítimas e seus aduladores usam para glorificar a imagem dos perseguidos – já vi petistas compararem Dirceu a Getúlio e a Jango por causa da ação penal 470!), chama a atenção a ingenuidade ‘pragmática’ do Dirceu que, ao dar continuidade à lógica neoliberal dos governos anteriores, costurando acordos com a burguesia e setores conservadores e fisiológicos do governo e congresso, esperava que fosse poupado.

Responder

Hélio Pereira

22/08/2013 - 13h04

Octávio Cabral(?),não sei quem é,nunca ouvi falar!
Afinal quem é este cara ???
O José Dirceu,nosso Brasil inteiro conhece e reconhece nele um Batalhador,um cara que passou a vida inteira defendendo seus pontos de vista,que sempre lutou contra as injustiças neste país,um cara que foi perseguido no passado e continua a ser perseguido nos dias de hoje.
Mesmo os inimigos de Dirceu reconhecem seu papel nas lutas pelas Diretas,pela Redemocratização do brasil,na articulação que levou Lula a vitória em 2002.
Este Octávio Cabral deve ser de outro planeta.

Responder

Djijo

22/08/2013 - 12h27

Para mim esses ideólogos de direita estão todos cooptados no livro “quem pagou a conta”. Eles não estão preocupados com fatos, apenas com a versão que possa atrapalhar o entendimento da história, pois se o pessoal for ver eles ficam feios nas fotos, como os vilões que tentam destruir o mundo porque são simplesmente loucos.

Responder

Paulo

22/08/2013 - 12h24

Não li o livro, nem vou perder meu tempo lendo. Mas, Paulo Moreira Leite tem uma visão muito romântica da importância de Dirceu. Não é isso tudo não.

Responder

FrancoAtirador

22/08/2013 - 11h57

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Lá como cá

Por Janio de Freitas

Como resultado judicial, a “chicana” de que Joaquim Barbosa acusou Ricardo Lewandowski era uma tese agora aplaudida por Luís Roberto Barroso e apoiada pelos votos de Marco Aurélio Mello e José Antonio Dias Toffoli.

O primeiro dos três não votou a favor da tese, por entender que é questão aprovada quando ainda não chegara ao tribunal, e não pretender “achar que a sessão começa quando ele chega”.

Mas, se nota que o filme está invertido, deveria fazer a sessão recomeçar, sim.

Para aprimorar os julgamentos é que recebeu a cadeira ambicionada. Seu argumento adicional não foi melhor: “teríamos que reabrir o processo”.

E deixar uma sentença, seja de condenação ou de absolvição, prevalecer apesar de lhe parecer errada, contanto que não se reabra o processo, é mesmo próprio de magistrado?

Íntegra em:

(http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/midia-liberou-ministros-para-enquadrar-barbosa)

Responder

    FrancoAtirador

    22/08/2013 - 12h17

    .
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    Barroso lavou as mãos…

    com o veneno da injustiça.
    .
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    FrancoAtirador

    22/08/2013 - 12h23

    .
    .
    EMBARGOS DE DECLARAÇÃO COM EFEITOS INFRINGENTES

    STF
    Processo: HC 86139 SP
    Relator(a): ELLEN GRACIE
    Julgamento: 02/09/2008
    Órgão Julgador: Segunda Turma
    Publicação: DJe-182 DIVULG 25-09-2008 PUBLIC 26-09-2008 EMENT VOL-02334-02 PP-00238
    Parte(s): CLÁUDIO CARQUEJO RODRIGUES DE OLIVEIRA
    CÁSSIO FELIPPO AMARAL
    SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA

    “3. A possibilidade de interposição de embargos de declaração com efeitos infringentes é admitida amplamente na jurisprudência brasileira desde que os efeitos modificativos decorram de omissão, obscuridade ou contradição verificada no julgado embargado.”

    (http://www.stf.jus.br/arquivo/informativo/documento/informativo521.htm)
    (http://www.stf.jus.br/portal/processo/verProcessoTexto.asp?id=2429091&tipoApp=RTF)
    (http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=AC&docID=550457)
    (http://bit.ly/15amnG0)
    .
    .

    FrancoAtirador

    22/08/2013 - 12h36

    .
    .
    AI 163047 AgR-ED / PR – PARANA
    EMB.DECL.NO AG.REG.NO AGRAVO DE INSTRUMENTO
    Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO
    Julgamento: 18/12/1995
    Órgão Julgador: Segunda Turma
    Publicação
    DJ 08-03-1996 PP-06223 EMENT VOL-01819-04 PP-00828
    Parte(s)
    AGTE.: ESTADO DO PARANÁ
    ADV.: JULIO CESAR RIBAS BOENG
    AGDO.: ARAMIS DOMINGOS CAVICHIOLO
    ADV.: SIMPLICIO ANTUNES ACOSTA

    Ementa

    “EMBARGOS DECLARATORIOS – APERFEICOAMENTO DO ACÓRDÃO – OPTICA FLEXIVEL.

    Os embargos declaratórios não consubstanciam crítica ao ofício judicante, mas servem-lhe ao aprimoramento.
    Ao apreciá-los, o órgão deve fazê-lo com espírito de compreensão, atentando para o fato de consubstanciarem verdadeira contribuição da parte em prol do devido processo legal.”

    (STF, AI 163047-5, PR-AgRg-Edcl, DJU 8/3/96)

    http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/visualizarEmenta.asp?s1=000113916&base=baseAcordaos

    Mário SF Alves

    22/08/2013 - 20h33

    É… e isso era previsível. E nem precisaríamos um mundo de livros do Marx pra entender como.
    ___________________________
    É o Estado prezado, Franco. É o Estado. Coisas do Estado moldado pela e para a burguesia. E um tanto mais grave por aqui, pátria do capitalismo subdesenvolvimentista naZional.
    ___________________________________
    Democracia é o que eles menos querem. Aliás, minto, serve-lhes relativamente bem a democracia que os generais engendraram. Bom, pelo menos servia. E isso é culpa única e exclusiva do PT. Quem mandou tirar o mel da boquinha dos confiáveis tucanossauros.

Raimundo Pedroza

22/08/2013 - 10h12

O fato é que, quanto mais esses lacaios da elite brasileira – “a pior do mundo” – tentam destruir moralmente o Jose Dirdeu, mais se compreende a sua importância hisorica na política brasileira. A a esse tal Otávio, meu desprezo!

Responder

Fabio Passos

22/08/2013 - 02h18

O “livro” só revela uma grande verdade: O “escritor” é minúsculo.

Viva José Dirceu, herói do povo brasileiro!

Responder

AlvaroTadeu

21/08/2013 - 22h48

Se não fosse pela militância e coragem de homens como José Dirceu, esse tal, como é o nome dele? Ah, Cabral, esse Cabral não passava da Ilha da Madeira, cara de pau que é. Livro encomendado, se ainda fosse na Ditadura, esse Cabral sem eira nem beira seria censurado, preso, torturado e seria chamado por seus amigos de “mocinha”, por ter chorado ao levar socos e pontapés na tortura, choques elétricos nos genitais e cassetete enfiado no rabo. Método aliás elogiado por Figueiredo, quando disse que esse é o método infalível para o prisioneiro político confessar. Falava com conhecimento de causa. Pois é, seu Cabral, hoje vi suas fezes impressas expostas na Livraria Cultura, ao mesmo tempo que alguém com sua ideologia virou de cabeça para baixo o primeiro exemplar da pilha de livros da obra de Paulo Moreira Leite para escondê-lo dos leitores, “A Outra História do Mensalão”, aquilo sim um livro digno desse nome, pois foi descrito sem paixões, foi honesto, analisava a letra fria da lei e provava que este ministro ou aquele prevaricador geral da república esqueceram das provas e fizeram justiçamento, bem à moda dos linchamentos havidos em Salvador anos atrás.

Responder

Nelson

21/08/2013 - 21h34

Não li e acho que não vou ler a obra.
Não tenho tanto tempo assim para desperdiçar com uma insignificância dessas, para dizer o menos. Por isso mesmo, não posso deixar de parabenizar o Paulo Moreira pela coragem em lê-la e por ter-nos trazido análise tão ponderada livro.
Em tempo. Aos mais apressados, aviso de antemão que não nutro tanta simpatia pelo alvo do livro, não “morro de amores” pelo Sr José Dirceu.

Responder

renato

21/08/2013 - 21h04

Dirceu é Dirceu, não é um
È o senhor Dirceu.

Responder

ricardo silveira

21/08/2013 - 20h15

Não li e não tenho tempo a perder com leitura do que já sei que não presta. Não foi o primeiro comentário que li sobre esse trabalho do jornalista da Veja que o desqualifica. E, a considerar o que PML destaca nos comentários, não se trata de um conservadorismo primitivo, mas de um sujeito leviano, despreparado para o ofício e portador de reacionarismo doentio, do tipo que faz muito mal ao bem comum.

Responder

Luís Carlos

21/08/2013 - 19h50

O livro é mais uma peça de propaganda editada pela oposição.

Responder

FrancoAtirador

21/08/2013 - 18h34

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“Ao inocentar alguns acusados, o ministro do STF manifestou uma voz minoritária e dissonante, que precisa ser respeitada.

Cada vez maior é a movimentação social a favor das minorias e do respeito à liberdade de expressão.

Aqueles que não tinham voz, que estavam à sombra, hoje podem sair às ruas e pleitear um lugar ao sol e o direito de ser diferente.

Ventos democráticos renovaram o poluído ar deixado pelo autoritarismo, pelo sectarismo.

Mas que democracia é essa que atende pelo nome de satisfação pessoal, que inadmite visão discordante, que massacra os que contrariam a corrente majoritária?

A independência do magistrado revela a finalidade precípua de defesa do Estado, das instituições e do cidadão.

Protege-se o juiz nos atos jurisdicionais, para poder concretizar o direito como resultado do processo da submissão do fato à norma, a partir da ciência e consciência, da formação intelectual e humanística possuídas.

Mede-se a maturidade de um país pela observância à decisão formalizada, seja qual for, desde que fundamentada e anunciada publicamente.

Imaginar que a defesa de entendimento minoritário reflete apoio político comprado implica supor que os integrantes da ótica vencedora estão também comprometidos com a mídia ou a opinião pública.

Censurar posturas diversas daquela que se tem e, a um só tempo, alardear modernidade e pluralidade soa, no mínimo, como hipocrisia.

Uma sociedade aberta, tolerante e consciente pressupõe escolhas pautadas nas várias concepções sobre os mesmos fatos.

Parafraseando Voltaire, afirmo, ministro Ricardo Lewandowski, que, até quando divirjo da interpretação dada ao contido em processo da competência do Supremo, defendo o direito de Vossa Excelência de proclamar o que pensa.

Siga em frente, Ministro!

Caminhamos rumo à quadra em que a coragem de dizer as próprias verdades não será motivo de assombro.”

(Ministro Marco Aurélio Mello, nesta data, em Sessão Plenária do STF)

http://jogodopoderparana.com.br/2013/08/ministros-repreendem-barbosa-censurar-a-divergencia-e-alardear-pluralismo-soa-hipocrita.html

Responder

    renato

    21/08/2013 - 21h02

    Sou seu Fã.

    mdavis

    21/08/2013 - 22h48

    Ótima manifestação do Marco Aurélio, dando uma lição de democracia e liberdade de manifestação ao desequilibrado, midiático, batedor de mulheres e ministro velho (eros grau), autoritário Batmau….

Eduardo Oliveira

21/08/2013 - 18h19

O livro, em sua orelha nos avisa não tratar-se da biografia do José Dirceu, o militante, o político, o ministro e, portanto aquele ser ativo em que se detecta a contribuição pela causa democrática e que em muito tem a contribuir ainda, com sua peculiar força e vigor, para a consolidação de uma democracia plena.

Responder

mineiro

21/08/2013 - 16h55

em resumo , é um imbecil completo e reacionario de quinta categoria. como um idiota desses tem credibilidade para escrever um livro. inventando , mentindo e manipulando os fatos é que esse idiota tentou passar um versao do jose dirceu. claro tudo em nome da democracia , democracia da elite isso sim que esse escroque serve. ele esqueceu que agora existe uma coisa que nao existia antes , chamada internet , sera que esse idiota nao sabe disso nao? ja foi desmascarado antes mesmo do livro ser lançado . imbecil , o povo nao mais idiota nao como voce pensa que é .

Responder

    Mário SF Alves

    22/08/2013 - 10h33

    Ih! Nem se surpreenda. Logo logo será mais um a ser indicado para a ABL. Mervalesco, vejesco, globesco, folhetinesco e por aí vai. Quer melhor do isso para uma vaga na galeria dos imortais?
    __________________________________
    Prefiro um milhão de vezes o azul da verdade nua e crua, pois sei que só os fracos travestidos de fortes o temem. Tudo muito típico dum País ainda dominado por uma elite que mal suporta a ideia de ser uma democracia de verdade.

Bacellar

21/08/2013 - 15h31

Cacete PML….Isso que é profissionalismo…Ler um troço desse inteiro só pra poder criticar com propriedade….Hehehehehe….

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FrancoAtirador

21/08/2013 - 15h15

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De uns tempos pra cá, a Mídia Bandida deu em publicar

panfletos de extrema-direita e chamá-los de livros…
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Responder

    Mário SF Alves

    22/08/2013 - 10h50

    E o que é pior, ainda manda para a ABL todos esses seus “autores”; a maioria dos quais, inclusive, e por isso mesmo, mestres na arte da prostituição ideológica. Imortaliza-os. Carteliza-os. É mole?
    _____________________________
    O ataque tem sido cada vez mais cerrado. É bombardeio aéreo… o odor é forte… o que vem de cima dispensa comentários, e… saiam de baixo.

    FrancoAtirador

    23/08/2013 - 17h17

    .
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    Caríssimo Mario SF Alves.

    Foi pensando na direção
    desta sua conclusão
    que escrevi o comentário.
    A propósito, melhor
    eu não poderia fazê-lo.

    Um abraço camarada e libertário.
    .
    .

Minduin

21/08/2013 - 14h51

Aos poucos com a ajuda desse pessoal “dirceu” vai se transformando em DIRCEU. Insistem em cortar a unha dos dedos do pé com um revólver.

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Icaro

21/08/2013 - 14h41

Mais um lixo!

Responder

    Maurício

    21/08/2013 - 17h26

    Vou te dar o benefício da dúvida, não vou criticar você sem saber o que é lixo na sua opinião, o livro do Octávio ou os argumentos do Paulo?

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