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Henry Giroux: Contra os fundamentalismos, “nós somos aqueles pelos quais estávamos esperando”


27/08/2012 - 22h55

O fascismo veste camisa quadriculada: Paul Ryan à esquerda, com o candidato à Casa Branca Mitt Romney (do site de campanha)

A cultura da crueldade do neoliberalismo

Política autoritária na Idade do Capitalismo de Cassino

por HENRY GIROUX, no Counterpunch, em 27.08.2012

Os Estados Unidos entraram em nova era histórica marcada pelo crescente desinvestimento no estado de bem estar social, nos bens públicos e na moralidade cívica.

Questões de política, ideologia, governança, economia e políticas públicas agora são traduzidas em um desinvestimento sistêmico em instituições e políticas que aprofunda o colapso das esferas públicas, as quais tradicionalmente forneciam condições mínimas para a justiça social, a dissidência e a expressão democrática.

O neoliberalismo, ou o que pode ser chamado de capitalismo de cassino, se tornou a nova norma.

Descarado em sua busca por poder financeiro, autorregulamentação e um sistema de valores em que sobrevivem apenas os mais fortes, o neoliberalismo não apenas solapa a cultura formativa necessária para produzir cidadãos críticos e as esferas públicas que os nutrem, mas também facilita as condições para a produção de um orçamento de defesa inchado, do complexo industrial prisional, da degradação do meio ambiente e da emergência das “finanças como indústria trapaceira e criminosa”.

Está claro que o emergente autoritarismo assombra uma democracia debilitada, agora formatada e estruturada especialmente pelas corporações. O dinheiro domina a política, o fosso entre ricos e pobres está inchando, os espaços urbanos estão se tornando campos armados, o militarismo está surgindo em toda faceta da vida pública e as liberdades civis estão sendo destruídas.

A política de competição do neoliberalismo agora domina a definição de esferas como as escolas, permitindo que sejam retiradas de um projeto cívico e democrático e entregues à lógica do mercado. Infelizmente, não é a democracia, mas o autoritarismo que continua em ascensão nos Estados Unidos quando avançamos no século 21.

A eleição presidencial de 2012 nos Estados Unidos existe como um momento essencial nesta transformação para longe da democracia, um momento em que esferas e forças culturais e políticas — inclusive a retórica usada pelos candidatos — aparecem saturadas pelas celebrações da guerra e do darwinismo social.

Assim, a possibilidade de uma liderança ainda mais autoritária e desfuncional na Casa Branca em 2013 certamente chama a atenção de um grupo de liberais e de outros progressistas dos Estados Unidos.

A política norte-americana em geral e a eleição de 2012 em particular apresentam um desafio aos progressistas, cujas vozes em anos recentes foram crescentemente excluídas tanto da mídia quanto dos corredores do poder.

Em vez disso, a mídia tem dado espaço à visão apocalíptica dos guerreiros fundamentalistas do Partido Republicano, que parecem fixados em traduzir questões previamente vistas como não religiosas — como orientação sexual, educação, identidade e participação na vida pública — na linguagem do revivalismo religioso e da cruzada militante contra o mal.

Não há outra forma de explicar que o candidato nomeado para vice na chapa republicana, Paul Ryan, tenha dito que a batalha do futuro é “uma luta entre o individualismo e o coletivismo”, um aceno para o macartismo e a retórica da guerra fria dos anos 50.

Ou a afirmação de Rick Santorum de que “o presidente Obama está tornando os Estados Unidos viciados ‘no narcótico da dependência do governo'”, promovendo assim a visão de que o governo não tem a responsabilidade de promover redes de segurança para os pobres, os doentes, os deficientes e os mais velhos.

Há mais aqui que simplesmente uma versão revigorada do darwinismo social com sua ética selvagemente cruel de “recompensem os ricos, penalizem os pobres e deixem cada um se virar como puder”: existe também um ataque em ampla escala ao contrato social, ao estado do bem estar social, à busca pela igualdade econômica e a qualquer vestígio viável de responsabilidade moral e social.

A apropriação que Romney-Ryan [a chapa republicana] fizeram da ode de Ayn Rand ao egoísmo é de importância particular porque oferece um vislumbre de uma forma cruel de capitalismo extremo em que os pobres serão vistos com desprezo e como alvo de punições. Mas esta ideologia teocrática do fundamentalismo econômico faz mais que isso.

Destroi qualquer noção de virtude pública na qual o contrato social e o bem comum formam a base para criar laços sociais significativos, dando aos cidadãos um sentido de responsabilidade cívica e social. A ideia de serviço público é vista com desprezo, assim como o trabalho de indivíduos, de grupos sociais e de instituições que beneficiam a cidadania em geral.

Como George Lakoff e Glenn W. Smith apontam, o capitalismo de cassino cria uma cultura da crueldade: “De efeitos terríveis em mortes, doenças, sofrimento, maior pobreza, perda de oportunidades, de vidas produtivas e dinheiro”. Faz mais ainda ao esmagar qualquer noção viável de bem comum e vida pública, ao destruir “os laços que nos mantém juntos”.

Sob o capitalismo de cassino, os espaços, instituições e valores que constituem o público agora se rendem a forças financeiras poderosas e são vistos simplesmente como outro mercado a ser comodificado, privatizado e rendido às demandas do capital.

Com fanáticos religiosos e de mercado no poder, a política se torna extensão da guerra; ganância e interesse pessoal pisoteiam qualquer preocupação com o bem estar alheio; a razão é superada pela emoção baseada em certezas absolutas e em agressão militarista; ceticismo e dissidência são vistas como trabalho de satã.

Se a candidatura republicana de 2012 serve de exemplo, então o discurso político nos Estados Unidos não apenas se moveu para a direita — está introduzindo valores e ideias totalitárias na corrente principal da vida pública.

Fanatismo religioso, cultura consumista e estado de guerra funcionam em parceria com as forças econômicas neoliberais que encorajam a privatização, os incentivos fiscais corporativos, a crescente desigualdade de renda e riqueza e maior fusão entre as esferas financeira e militar para diminuir a autoridade e o poder da governança democrática.

Os interesses neoliberais estão libertando os mercados de constrangimentos sociais, acelerando a competitividade, destruindo os sistemas educacionais, produzindo sujeitos atomizados e tirando dos indivíduos qualquer sentido de responsabilidade social, preparando a população para um lento abraço no darwinismo social, no terrorismo de estado e na mentalidade da guerra — com a destruição dos laços comunitários, a desumanização do outro e jogando indivíduos contra as comunidades em que habitam.

Tentações totalitárias agora saturam a mídia e a cultura geral na linguagem da austeridade como ortodoxia política e econômica. O que estamos testemunhando nos Estados Unidos é a normalização da política que extermina não apenas o estado do bem estar social e a verdade, mas tudo o que carrega os pecados do Iluminismo — ou seja, aqueles que se negam a viver uma vida livre de dúvidas.

A razão e a liberdade se tornaram inimigos não apenas para ser ridicularizados, mas para ser destruídos. E esta é uma guerra cujas tendências totalitárias estão evidentes no assalto à Ciência, aos imigrantes, às mulheres, aos idosos, aos pobres, às pessoas de cor e aos jovens.

O que muitas vezes não é dito, particularmente quando a mídia foca na retórica inflamatória, é que aqueles que dominam a política e a formulação de políticas públicas, democratas ou republicanos, assim o fazem por causa de seu controle desproporcional da renda e da riqueza da Nação.

Crescentemente parece que esta elite escolhe agir de forma a sustentar seu domínio através da reprodução sistemática de uma ordem social iníqua. Em outras palavras, o dinheiro grosso e o poder corporativo governam enquanto a política eleitoral é fraudada.

A cabine de votação secreta se torna a última expressão da democracia, reduzindo a política a uma compra individualizada — uma forma crua de ação econômica. Qualquer forma de política disposta a investir em tal pompa ritualística apenas acresce à natureza desfuncional de nossa ordem social, ao mesmo tempo reforçando o profundo fracasso da imaginação política.

A questão não deve ser mais como trabalhar dentro do atual sistema eleitoral, mas como desmantelá-lo e construir um novo cenário político capaz de reclamar por igualdade, justiça e democracia para todos.

O inspirador chamado de Obama por esperança degenerou numa fuga da responsabilidade. O governo Obama trabalhou para estender as políticas do governo de George W. Bush ao legitimar um arco de políticas domésticas e externas que rasgaram as liberdades civis, expandiram o estado permanente de guerra e aumentaram o alcance doméstico do estado de vigilância punitivo.

E se Romney e seus colegas de ideologia, agora vistos como a mais extrema facção do Partido Republicano, chegarem ao poder, certamente as tendências totalitárias e anti-democráticas em ação nos Estados Unidos serão perigosamente intensificadas.

Um catálogo de provas indiciadoras revela a profundidade e amplitude da guerra em andamento contra o estado social e particularmente contra os jovens.

Além de expor a depravação moral de uma nação que fracassa na proteção de seus jovens, tal guerra demonstra um pervertido desejo de morte, um desejo mal disfarçado de auto-aniquilamento — já que a destruição intencional de toda uma geração não apenas transforma a política dos Estados Unidos em patologia, mas certamente sinaliza a morte do futuro. Quanto mais o público norte-americano terá de esperar antes que o pesadelo tenha fim?

A consciência dos elementos culturais e materiais que produziram essas condições profundamente anti-democráticas é importante; no entanto, não é o suficiente.

A resposta coletiva precisa incluir uma recusa ao atual discurso político de compromisso e acomodação — é preciso pensar além do discurso das concessões fáceis e conduzir as lutas em terrenos mutuamente informados de alfabetização cívica, educação e poder.

Uma rejeição das formas tradicionais de mobilização política precisa ser acompanhada de um novo discurso político, que revele as práticas obscuras da dominação neoliberal, com o desenvolvimento de modelos rigorosos de reflexão e formas renovadas de engajamento intelectual e social.

Ainda assim, o atual momento histórico parece sem saída para criar um movimento social massivo capaz de enfrentar a natureza totalitária e os custos sociais do fundamentalismo religioso e político que se funde ao extremo fundamentalismo de mercado.

Neste caso, um fundamentalismo cuja ideia de liberdade não se estende além do ganho financeiro pessoal e do consumo sem fim.

Sob tais circunstâncias, os progressistas deveriam focar suas energias no trabalho com o movimento Occupy e com outros movimentos sociais para desenvolver uma nova linguagem de reforma radical e para criar novas esferas públicas que tornem possíveis os tipos de pensamento crítico e ação engajada que são as fundações de uma democracia radical e verdadeiramente participativa.

Tal projeto precisa desenvolver vigorosos programas educacionais, formas de comunicação pública e comunidades que promovam a cultura da deliberação, do debate e da importante crítica pública, numa ampla variedade de sites culturais e institucionais.

Finalmente, precisa focar no objetivo final de criar esferas públicas e formativas que são a pré-condição do engajamento político, vitais para energizar os movimentos democráticos por mudança social — movimentos dispostos a pensar além dos limites do capitalismo selvagem global.

A pedagogia, neste sentido, se torna central para qualquer noção substantiva de política e precisa ser vista como elemento crucial da resistência organizada e de lutas coletivas.

Os elementos profundamente reacionários do neoliberalismo constituem tanto uma prática pedagógica quanto uma função legitimadora de uma ordem social profundamente opressiva. As relações pedagógicas do capitalismo de cassino precisam ser desvendadas e desafiadas.

Sob tais circunstâncias, a política se torna transformativa, em vez de buscar compromissos e deve se voltar para abolir um sistema capitalista marcado por maciças desigualdades econômicas, sociais e culturais. Uma política que desvende as duras realidades impostas pelo capitalismo de cassino deveria trabalhar pelo estabelecimento de uma sociedade na qual as questões de justiça, igualdade e liberdade sejam entendidas como a fundação crucial da democracia substantiva.

Em vez de investir em política eleitoral, valeria mais a pena para progressistas desenvolver as condições formativas para tornar possível uma verdadeira democracia.

Como Angela Davis sugeriu, isso significa engajar “em difíceis processos de construção de coalizões, negociando o reconhecimento que as comunidades inevitavelmente buscam e se reunindo em torno de uma unidade que não é simplista e opressiva, mas complexa e emancipadora, reconhecendo, nas palavras de June Jordan, que “nós somos aqueles pelos quais estávamos esperando”. Desenvolver um movimento social amplo significa encontrar campo comum no qual desafiar formas diversas de opressão, exploração e exclusão pode se tornar parte de um esforço mais amplo para criar a democracia radical.

Em parte, isso significa retomar o discurso da ética e da moralidade, elaborar um novo modelo de democracia política e desenvolver novos conceitos analíticos para entender o social. Uma avenida para desenvolver a política crítica e transformativa é se inspirar nos protestos de jovens de todo o mundo para desenvolver novas formas de desafiar os valores corporativos que dão forma à política dos Estados Unidos e, crescentemente, do mundo.

É especialmente crucial criar valores alternativos que desafiem as ideologias dirigidas pelo mercado, que igualam liberdade com individualismo radical, auto-interesse, super-competitividade, privatização e desregulamentação, ao mesmo tempo em que solapam os laços sociais, o bem público e o estado de bem estar social.

Tais ações podem ser reforçadas com o recrutamento de jovens, professores, sindicalistas, líderes religiosos e outros cidadãos engajados para se tornar intelectuais públicos que estejam dispostos a usar seu conhecimento para tornar visível como funciona o poder e para tratar de importantes questões políticas e sociais.

Naturalmente, o público norte-americano precisa fazer mais que falar. Também precisa reunir educadores, estudantes e trabalhadores e qualquer pessoa interessada em democracia real para criar um movimento social — um bem organizado movimento capaz de mudar as relações de poder e as vastas desigualdades econômicas que criaram as condições para a violência simbólica e sistêmica na sociedade norte-americana.

Tratar de tais desafios sugere que os progressistas terão de invariavelmente assumir o papel de ativistas educadores. Uma opção seria criar micro-esferas de educação pública que fortaleçam modos de aprendizagem crítica e de agência civil, permitindo a jovens e outros que aprendam como governar em vez de como serem governados.

Isso poderia ser alcançado com uma rede de espaços educacionais livres desenvolvidos em diversas comunidades e escolas públicas, assim como em organizações seculares e religiosas afiliadas a instituições universitárias. Estes novos espaços educacionais focados no cultivo tanto do diálogo quanto da ação em defesa do interesse público, poderiam usar modelos desenvolvidos no passado, nestas instituições, por socialistas, sindicatos e ativistas dos direitos civis do início do século 20 e dos anos 50 e 60.

Tais escolas representaram esferas públicas de oposição e funcionaram como esferas públicas democráticas no melhor sentido educacional, desde a rede radical de escolas dominicais até a Universidade do Trabalho de Brookwood e a Highlander Folk School do Tennessee.

Stanley Aronowitz insiste que “o atual sistema sobrevive na eclipse da imaginação radical, na falta de oposição viável com raízes na população em geral e no conformismo de intelectuais que, em geral, foram subjugados por suas cadeiras seguras na academia; em empregos menos seguros no setor corporativo privado e em instituições de mídia de centro ou de centro-esquerda”.

Num momento em que o pensamento crítico foi achatado, se torna imperativo desenvolver um discurso de crítica e possibilidades —  um discurso que reconheça que sem uma cidadania bem informada, lutas coletivas e movimentos sociais dinâmicos, a esperança de um futuro democrático viável escape de nosso alcance.

*Henry A. Giroux holds the Global TV Network chair in English and Cultural Studies at McMaster University in Canada. His most recent books include: “Take Back Higher Education” (co-authored with Susan Searls Giroux, 2006), “The University in Chains: Confronting the Military-Industrial-Academic Complex” (2007) and “Against the Terror of Neoliberalism: Politics Beyond the Age of Greed” (2008). His latest book is Twilight of the Social: Resurgent Publics in the Age of Disposability” (Paradigm).

Leia também:

Sara Robinson: A ascensão do fascismo nos Estados Unidos

Fascismo nos Estados Unidos: O futuro do Tea Party

A mídia descontrolada: Episódios da luta contra o pensamento único
A mídia descontrolada

O livro analisa atuação dos meios de comunicação.

A publicação traz uma coletânea de artigos produzidos por um dos maiores especialistas do Brasil no tema da democratização da comunicação.

Por Laurindo Lalo Leal Filho



27 comentários

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Miguel do Rosário: O ódio contra a democracia « Viomundo – O que você não vê na mídia

29 de agosto de 2012 às 00h13

[…] Henry Giroux: Nos Estados Unidos, o casamento do fundamentalismo religioso com o de mercado […]

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Luc

28 de agosto de 2012 às 23h04 Responder

jaime

28 de agosto de 2012 às 22h16

O feudalismo só acabou porque os feudos de per si não tinham força suficiente, portanto, uniram-se em torno dos Estados Nacionais. Foi uma capitulação necessária naquele momento da História mas agora, com o advento das trans e multinacionais – os novos feudos – o Estado está atrapalhando e deve ser eliminado. Não existem mais fronteiras para o capital e tem sido incentivado a que cada um se sinta um cidadão do mundo. O nacionalismo é visto com reservas e o sabugismo tem sido cultivado como uma rara flor. Tudo o que é privado é bom. Tudo o que é público é ineficiente. Esse é o caminho em direção a um estado de coisas onde todos terão salários chineses, exceto os donos do capital. Aí será proclamado novamente o fim da História.

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ZePovinho

28 de agosto de 2012 às 12h43

http://resistir.info/eua/roberts_26ago12.html

A descida da América para a pobreza
por Paul Craig Roberts [*]

Os Estados Unidos entraram em colapso economicamente, socialmente, politicamente, legalmente, constitucionalmente, ambientalmente e moralmente. O país que hoje existe não é nem mesmo uma sombra do país em que nasci. Neste artigo tratarei do colapso económico da América. Em artigos seguintes tratarei de outros aspectos do colapso americano.

Economicamente, a América desceu para dentro da pobreza. Como diz Peter Edelman , “O salário baixo para o trabalho já é pandemia”.

Na América da “liberdade e democracia” de hoje, “a única super-potência do mundo”, um quarto da força de trabalho tem empregos que pagam menos de US$22.000 [por ano], a linha de pobreza para uma família de quatro pessoas. Algumas destas pessoas mal pagas são jovens licenciados em faculdades, sobrecarregados com empréstimos para a educação, que partilham a habitação com três ou quatro outros na mesma situação desesperada. Outras delas são pais solteiros com problemas médicos ou desempregadas.

Outros podem ter Ph.D.s a ensinarem em universidades como professores adjuntos por US$10.000 por ano ou menos. A educação ainda é apregoada como o caminho para sair da pobreza, mas torna-se cada vez mais um caminho para a entrada na pobreza ou para o alistamento nos serviços militares.

Edelman, que estuda esta questões, informa que 20,5 milhões de americanos têm rendimentos de menos de US$9.500 por ano, o qual é a metade da definição de pobreza para uma família de três pessoas.

Food stamps. Há seis milhões de americanos cujo único rendimento é o do auxílio alimentar (food stamps). Isso significa que há seis milhões de americanos que vivem nas ruas ou em casas de parentes ou amigos. Republicanos cruéis continuam a combater o estado previdência (welfare), mas Edelman afirma que “basicamente o estado previdência já se foi”.

Na minha opinião como economista, a linha oficial de pobreza está há muito ultrapassada. A perspectiva de três pessoas a viverem com US$19.000 por ano é descabelada. Considerando os preços da renda de casa, electricidade, água, pão e refeições ligeiras, uma pessoa não pode viver nos EUA com US$6.333,33 por ano. Na Tailândia, talvez, até o dólar entrar em colapso, isso possa acontecer, mas não nos EUA.

Como Dan Ariely (Duke University) e Mike Norton (Harvard University) mostraram empiricamente, 40% da população, os 40% menos ricos, possuem 0,3%, isto é, três décimos de um por cento, da riqueza pessoal da América. Quem possui os outros 99,7%?

Os 20% do topo têm 84% da riqueza do país. Aqueles americanos no terceiro e quartos quintis – essencialmente a classe média da América – têm apenas 15,7% da riqueza da nação. Uma distribuição tão desigual do rendimento é sem precedentes no mundo economicamente desenvolvido.

No meu tempo, confrontado com tal disparidade na distribuição do rendimento e da riqueza, uma disparidade que obviamente coloca um problema dramático para a politica económica, estabilidade política e a macro gestão da economia, os democratas teriam exigido correcções e os republicanos teriam concordado com relutância.

Mas não hoje. Ambos os partidos prostituíram-se por dinheiro.

Os republicanos acreditam que o sofrimento dos americanos pobres não está a ajudar os ricos suficientemente. Paul Ryan e Mitt Romney comprometeram-se a abolir todo programa que trate de necessidades que os republicanos ridicularizam como “comedores inúteis” (“useless eaters”).

Os “comedores inúteis” são os trabalhadores pobres e a antiga classe média cujos empregos foram deslocalizados de modo a que executivos corporativos pudessem receber muitos milhões de dólares de pagamento em compensação pelo desempenho e os seus accionistas pudessem ganhar milhões de dólares sobre ganhos de capital. Enquanto um punhado de executivos desfruta iates e garotas Playboy, dezenas de milhões de americanos mal conseguem sobreviver.

Na propaganda política, os “comedores inúteis” não são meramente um fardo sobre a sociedade e os ricos. Eles são sanguessugas que forçam contribuintes honestos a pagarem pelas suas muitas horas de lazer confortável a desfrutar a vida, assistir eventos desportivos e pescar trutas em rios, enquanto sacam seu abastecimento na mercearia ou vendem seus corpos ao MacDonald mais próximo.

A concentração de riqueza e poder nos EUA de hoje vai muito além de qualquer coisa que os meus professores de ciência económica pudessem imaginar na década de 1060. Em quatro das melhores universidades do mundo que frequentei, a opinião [predominante] era que a competição no mercado livre impediria grandes disparidades na distribuição do rendimento e da riqueza. Como vim a aprender, esta crença era baseada numa ideologia – não na realidade.

O Congresso, ao actuar com base nesta crença errónea da perfeição do mercado livre, desregulamentou a economia dos EUA a fim de criar um mercado livre. A consequência imediata foi o recurso a toda acção que anteriormente era ilegal para monopolizar, cometer fraudes financeiras e outras, destruir a base produtiva dos rendimentos do consumidor americano e redireccionar rendimento e riqueza para os um por cento.

A “democrática” administração Clinton, tal como as administrações Bush e Obama, foi subornada pela ideologia do mercado livre. A administração Clinton, vendida ao Big Money, aboliu a Ajuda a Famílias com Crianças Dependentes. Mas esta liquidação de americanos lutadores não foi suficiente para satisfazer o Partido Republicano. Mitt Romney e Paul Ryan querem cortar ou abolir todo programa que amenize a situação de americanos atingidos pela crise e que os impeça de caírem na fome e ficarem sem casa.

Republicanos afirmam que a única razão para a existência de americanos carentes é o governo utilizar dinheiro dos contribuintes para subsidiar os que não querem trabalhar. Tal como os republicanos vêem isto, enquanto nós trabalhadores esforçados sacrificamos nosso lazer e tempo com nossas famílias, a ralé do estado previdência desfruta o lazer que os nossos dólares fiscais lhes proporcionam.

Esta crença vesga, de presidentes de corporações que maximizam seus rendimentos deslocalizando empregos classe média de milhões de americanos, deixou cidadãos na pobreza e cidades, municípios, estados e o governo federal sem uma base fiscal, o que resulta em bancarrotas ao nível estadual e local bem como défices orçamentais maciços ao nível federal que ameaçam o valor do dólar e o seu papel como divisa de reserva.

A destruição económica da América beneficiou os mega-ricos com muitos milhares de milhões de dólares com os quais desfrutam a vida e o seu séquito de acompanhamentos caros sempre que queiram. Enquanto isso, longe da Riviera francesa, o Ministério do Interior (Homeland Security) está a acumular munição suficiente que chegue para manter americanos pauperizados sob controle.
26/Agosto/2012

[*] Ex-secretário do Tesouro dos EUA e antigo editor associado do Wall Street Journal.

O original encontra-se em http://www.paulcraigroberts.org/2012/08/24/americas-descent-poverty-paul-craig-roberts/

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .
28/Ago/12

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Observador

28 de agosto de 2012 às 11h52

penso que o império neoliberal EUA/EUROZONA serão as futuras ruínas romanas. O problema é saber se as colunas e os pedaços irão cair nas nossas cabeças.

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    abolicionista

    28 de agosto de 2012 às 13h25

    Irão.

Luc

28 de agosto de 2012 às 11h05

Alerta!!!

“…Para formular um plano estratégico chamado “São Paulo 2030”, em parceria com o Movimento Brasil Competitivo, a Tony Blair Associates receberá R$ 12 milhões, por um ano de trabalho. É uma consultoria de luxo, paga a um personagem que entende pouco ou quase nada de Brasil, numa parceria que se torna ainda mais estranha num estado como São Paulo, que tem a melhor universidade da América Latina: a USP…”

http://www.brasil247.com/pt/247/poder/77689/Alckmin-ajuda-Tony-Blair-a-ficar-ainda-mais-rico.htm

Responder

RICARDO GODINHO

28 de agosto de 2012 às 09h49

Os processos em curso nos EUA e UE são típicos do apogeu de grandes impérios: as elites, cientes de que não têm qualquer inimigo externo a que temer, e cientes de que nenhuma força interna é capaz de se lhes opor, perdem completamente o pudor de serem gananciosas e tirânicas. Os resquícios da falsa modéstia que previamente era necessária ao engajamento do povo em seus projetos políticos vão pouco a pouco sendo perdidos, até não mais existirem, no mais das vezes extirpando pela violência os últimos direitos e liberdades dos pobres.
É a marcha inexorável da História, tal como Marx bem mostrou: o regime que emergiu do Iluminismo trazia em si o germe do seu antípoda. A dinâmica interna da democracia representativa, num ambiente capitalista, leva, pouco a pouco, ao domínio do capital sobre a política. A acumulação e exclusão inerentes a esse modo de produção geram lentamente uma nova aristocracia, não a da propriedade da terra, mas do capital, e cuja sobrevivência depende da crescente vampirização da riqueza produzida pela sociedade, tal qual na Roma imperial e na Europa da Alta Idade média. E tal qual ocorreu nesses períodos, o esgotamento físico, moral e político da sociedade, exangue e estertorante frente a famélica cupidez de seus senhores-vampiros, abre o caminho para a transformação.
Dói dizê-lo, mas é cedo ainda, neste espetáculo. Mal se abriram as cortinas e foram ditas as primeiras falas do primeiro ato. Mas quem tem ouvidos de ouvir já escuta ao longe as trombetas dessa Jericó. Longe, muito longe ainda, soam já os tambores de guerra, e as entranhas desse monstro que ainda nos oprimirá por muitos anos já gesta quem lhe suceda.
Oxalá seja uma nova aurora para as massas, de democracia direta, igualdade econômica e liberdade sem fim.

Responder

    Mário SF Alves

    29 de agosto de 2012 às 00h18

    Tomara que num cenário deste o Brasil e a America Latina possam jogar o jogo da liberdade. O jogo pela superação do caos. O jogo pela superação da irracionalidade.

ZePovinho

28 de agosto de 2012 às 09h43

Os baixos impostos que se cobram dos ricos no Brasil:

http://www.cartamaior.com.br/templates/postMostrar.cfm?blog_id=6&post_id=1071

I) Ao afrouxar o garrote dos ‘mercados autorreguláveis’, a América Latina teve sucesso na redução da pobreza na última década. Seus pobres hoje são menos pobres, mas os rico continuam muito ricos.

A inércia da desigualdade não será vencida exclusivamente pelos mecanismos de mercado. Melhorar a produtividade e a remuneração do trabalho, por exemplo, requer uma política industrial de Estado Mas não só.
Para investir, os governos tem que ganhar musculatura fiscal. A carga média na região, de 18% a 19%, impede o investimento público. (Dados da CEPAL, “Mudança Estrutural para a Igualdade: Uma Visão Integrada do Desenvolvimento”.).

II) ‘A cobrança de mais impostos sobre os que ganham mais e sobre as fortunas está no radar de vários governos da zona do euro, desafiados a financiar os custos da pior crise mundial desde 1929.

A carga fiscal na UE (impostos e cotizações) varia de 47,6% na Dinamarca a 27,2% na Romênia.

Após longo período de baixa, a alíquota máxima sobre o rendimento das empresas subiu em 2012, confirma a Eurostat, o serviço estatístico da UE. Na média, foi de 25,9% em 2011 para 26,1% neste ano; na França é de 36,1% e de 29,8% na Alemanha.

François Hollande quer cobrar uma “contribuição patriótica” temporária de 75% para quem ganha acima de € 1 milhão (compare-se isso com o 0,01% da CPMF demonizada pelos endinheirados no Brasil).

Até o governo arquiconservador espanhol do PP elevou a alíquota mais alta de imposto, de 45% para 52% sobre ganhos acima de € 300 mil / ano; manteve a taxação sobre grandes fortunas (de 0,5% a 2,5%).

Na Itália a alíquota máxima subiu para 44%; em Portugal chega a 49%.(informações Valor-Eurostat).

III) Várias economias emergentes têm alíquotas muito mais altas que a brasileira que é de 27,5% . Na Turquia, por exemplo,o percentual chega a 35% da renda, idêntica à sempre elogiada Coreia do Sul.No Chile chega a 40% (dados OCDE).

IV) Num universo de 96 países a alíquota máxima de imposto no Brasil figura em 56º lugar em grau de intensidade.Em contrapartida, o país é um dos campeões em rebaixar a faixa de renda penalizada com o teto.
Nos EUA a alíquota máxima de 35% incide sobre ganhos anuais superiores a US$ 379.150.

No Brasil, os 27,5% valem para rendimentos a partir de US$ 25 mil (consultoria KPMG).

V) O Brasil já teve 13 alíquotas. Hoje a tabela ‘progressiva’ brasileira na verdade é regressiva: parte de 7,5% e se esgota em 27,5%.

No mundo, a média é de 5 faixas, com piso de 12,9% e teto de 42%.

No caso brasileiro, a diferença entre a mínima e a máxima sugere que as faixas de renda no país equivalem a uma escada de apenas quatro degraus, sendo que a distância entre o primeiro e o último é pouco maior que o dobro – de R$ 21.453,00/anuais (imposto de 7,5%) a 53.565,00/anuais em diante (imposto de 27,5%).

Mesmo tomando-se R$ 21.453 como piso do universo tributável (abaixo disso é isento) a verdade é que o elástico da desigualdade salarial é muito mais longo. E avança a perder de vista se incluirmos os ganhos financeiros, a riqueza patrimonial etc.

Em resumo, a turma do ‘Cansei’, a rapaziada do ‘impostômetro e os teóricos da ‘carga’ tratam de um problema verdadeiro. Mas de um ponto de vista falso. Isso para não falar da destinação da receita, concentrada em grande parte no pagamento dos juros da dívida pública. Ou seja, redirecionada de volta aos cofres da plutocracia mimada.

Postado por Saul Leblon às 23:14

Responder

Taiguara

28 de agosto de 2012 às 09h17

Um pouco “fora de pauta”, masimprescindível que se espalhe.
http://www.youtube.com/watch?v=-XXtoGOrs7k

Responder

abolicionista

28 de agosto de 2012 às 09h12

Algo mudou no capitalismo, após os anos 70, e não foi somente por conta do neoliberalismo. O problema é que o povo se tornou, para o grande capital, um artigo dispensável. “Deixe-os espernear”, pensam as corporações, “temos um aparato repressivo imenso ao nosso lado e, se quiserem guerra, terão guerra”. E o povo, ainda que imensamente enganado pela ladainha da livre-concorrência, sabe que já não possui força histórica efetiva. A luta é desigual.

Ainda assim, o autor do texto tem razão, só nos resta tentar criar as bases de uma cultura anti-corporativa fora do esquemão. Mas não tenham dúvida de que, assim que o grande capital sentir cosquinhas, como no caso de Occupy, mandarão seus cães armados para estraçalhar o que consideram a ralé mundial (ou seja, mais de noventa porcento da população mundial). Tempos difíceis vem aí.

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Mardones Ferreira

28 de agosto de 2012 às 09h07

A tarefa é árdua, pois a pedagogia está fora do interesse das nações. E as corporações já dominam coraçãoes e mentes.

Romney é pior que Obama. No entanto, Obama segue aprofundando o trabalho do Bush. É um beco, cuja saída só virá depois de muita destruição.

Não vejo outro cenário, dadas as condições de participação política atuais, que se limita a cabine de votação. Lá e aqui.

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Julio Silveira

28 de agosto de 2012 às 08h30

No mundo a voz desses grupos soará mais forte, mais radical sempre que a pratica “progressista” siguir a direção do discurso desses, abrindo mão de ser o contraponto. Como consequencias, tira do publico eleitor a pontinha de esperança de que algo novo possa ser produzido, e gera a natural busca de um novo discurso pela sobrevivência politica. É como dizer, se voces copiaram a nós os originais, então vamos lhes mostrar coisas que voces ainda não ainda não sabem sobre a nossa originalidade, até o proximo embate, cópias de segunda classe. E o povo, aquele que gosta desse tipo de produto, tende a preferir sempre o produto original. Frustrados ficam aqueles que esperavam algo novo, que apostaram em algo novo, que sabem da necessidade das mudanças, das guerra cultural, esses ficam sem defensores perdidos feito cegos em tiroteio. Lá, como aqui, os progressistas tem se revelado grandes fraudadores das proprias pregações.

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Roberto Locatelli

28 de agosto de 2012 às 08h20

Obama usou essa frase na campanha: “nós somos aqueles pelos quais estávamos esperando”. Depois que foi eleito, jogou a frase no lixo.

Mas a frase é fundamental. Significa que os estadunidenses não podem mais ficar esperando que algum presidente ou senador ou juiz mude a situação. Eles têm que agir por eles mesmos.

É necessário, como diz o texto, organizar a sociedade para resistir. Tanto lá, nos EUA, como aqui, em Nuestra America. Só com organizações sociais fortes – centrais sindicais, MST, etc – é que poderemos fazer frente ao enorme poder dos banqueiros, especuladores, grandes latifundiários e grandes industriais.

O momento é de decisão. Ou superamos o capitalismo, que se tornou um imperialismo financeiro, ou o mundo mergulhará na barbárie. Aliás, a barbárie já desponta na Europa e EUA.

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ZePovinho

28 de agosto de 2012 às 08h13

Nos EUA a iniciativa privada vive do governo.É igualzinho ao Brasil.Até que se seguirmos a lógica deles,os republicanos, não seria mal.Devíamos privatizar a “iniciativa privada” e reestatizar o Estado,que está apinhado de empresários vagabundos de todo naipe:banqueiros,fazendeiros,especuladores et caterva.

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ZePovinho

28 de agosto de 2012 às 08h02

Não deviam ter resgatado o soldado Ryan,mizifio Azenha.

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Fabio Passos

28 de agosto de 2012 às 07h31

A minoria branca e rica está roubando despudoradamente a maioria que trabalha e produz.

O regime está destruindo o planeta e a humanidade.
Já passou da hora de derrubar o regime.

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    Lu Witovisk

    28 de agosto de 2012 às 08h34

    Já passou da hora de quebrar tudo MESMO, o pior é que ainda tem povo que acredita nesse tipo de ladainha e se acomoda “pq a vida não é justa” “é assim mesmo”.

    triste demais.

    MARCELO

    28 de agosto de 2012 às 14h11

    Todos gostam de baixar o sarrafo nos EUA,mas mandam
    seus filhos passearem na Disneylândia e na Broadway.
    Nossa hipocrisia é do tamanho do Maracanã.

Rodrigo Barbosa Veríssimo

28 de agosto de 2012 às 07h28

Olá!
Faço das minhas palavras cada frase escrita pelo Henry!
Ouso afirmar que o ‘Apocalipse Bíblico’ tem nesta ‘batalha’ uma importante “guerra” a ser ‘travada’…

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Paciente

28 de agosto de 2012 às 03h57

“Obama esta tornando os EEUU viciados em ajuda do Estado”. Isso é uma verdade!

Os grandes bancos estão na maior “nóia”, fissurados, doidinhos para “cachimbar” uma verba!

Em condições normais eu diria: continuem assim e se matem nessa demência.

Mas as condições não são normais: esses dementes ai, têm 5.000 ogivas nucleares…

Esse Paul Ryan, o que é liderança politica por que é branco, ele não te lembra um daqueles americanos que escutam vozes e resolvem meter bala/ogiva em todo mundo?

Você nunca se perguntou porque tantos judeus não fugiram da Europa se Hitler estava chegando ao poder? Pois é. O que é que tu ainda tá fazendo aí?

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Guilherme

28 de agosto de 2012 às 03h16

Eu acho que estamos ferrados, mundo cada vez mais egoísta e individualista, os ricaços cada vez mais ricos, tiros e despejo em cima dos pobres, fome, miséria, guerras, programa do DATENA na televisão, esse mundão vai de mal à pior.

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    Lu Witovisk

    28 de agosto de 2012 às 08h40

    Concordo com vc, só completando: pais não educam mais seus filhos, se tem $$ é pior ainda, pq cria um “SER” bestializado pelo videogame, longe da grama, de bichos, um SER que só fica satisfeito qdo manipula e TEM tudo o que lhe faça “feliz”. Gente de vida descartável (tudo o que querem muiiito dura só enquanto a midia diz que aquilo está na moda), é a desumanização do homem ou a coisificação do homem.

    Como fugir disso sem virar eremita?? BERRANDO. Se muitos berrarem, muitos homem-coisas não dormirão :D

Mancini

28 de agosto de 2012 às 02h31

Azenha, o mundo cada vez mais unipolar… Outra coisa, em um candidato que não é do Rio, mas vive lá. Ele apareceu em um vídeo, tem que correr! http://refazenda2010.blogspot.com

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    ZePovinho

    28 de agosto de 2012 às 08h57

    Mancini

    Eu não votaria no Aécio,mas temos de ter cuidado se isso(o vídeo) não foi feito a mando de José Serra.


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