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Diário da Resistência


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Henrique Monteiro: “Desacato à autoridade”


05/01/2012 - 10h26

por Henrique Pereira Monteiro

Ao longo do ano passado, o bairro em que moro no distrito de Barão Geraldo, em Campinas, esteve sob presença constante da Polícia Militar. Não demorou para eu e minha companheira Georgia Sarris começarmos a presenciar formas de abuso de autoridade, como abordagens humilhantes de adolescentes. Moramos perto de uma praça que é um dos pontos centrais de tais ações, cujo viés racial e de classe é conhecido. A repetição dos casos começou a nos preocupar. Com o intuito de mostrar a presença de moradores que não se conformariam com abusos, fui até os policiais durante uma batida no final de agosto.

Apresentei-me educadamente, perguntei do que se tratava e disse que ia permanecer no local para verificar se tudo iria transcorrer tranquilamente. Tal atitude, a de um simples cidadão comum observando os procedimentos de um agente público, algo que deveria ser banal em qualquer regime democrático, gerou imediatamente um turbilhão inacreditável de agressividade.

Foi o bastante para que eu fosse intimidado de várias formas ao longo de mais de duas horas, com ameaças de prisão (ilegal) por não portar documento de identidade, por desacato, entre outros exemplos. Deixei claro que estava disposto a denunciar abusos e fiz críticas à estrutura autoritária da PM, mas sempre tratei os policiais da forma mais respeitosa possível. Entretanto, a questão não era de mais ou menos polidez. O problema, na verdade, é que, ao questionar diretamente a PM, atravessei uma fronteira social muito precisa: assim como os jovens pobres que frequentam (ou tentam frequentar) as praças de Barão Geraldo, eu já havia deixado de ser “cidadão” e me tornado um inimigo.

Depois disso, começou um processo de intimidação pessoal discreta, mas clara. Viaturas passando muito vagarosamente na minha porta, em frente à minha mesa no restaurante, faroletes na minha janela à noite, policiais me encarando em vários lugares do bairro etc. Houve outra batida, em frente à minha casa, que era nitidamente uma provocação, com um policial de braços cruzados, peito estufado, pernas abertas bem diante do meu portão. É claro que não fui lá.

No dia 29 de dezembro passado, nova batida na praça, desta vez envolvendo um vizinho. Não pude deixar de ir até o local, inclusive para apoiar minha vizinha, companheira de um dos rapazes detidos, que observava à distância. Quando os policiais disseram que iriam levá-los, nós nos aproximamos. Comecei a fazer as perguntas básicas: “Para onde serão levados? Sob qual acusação?” De novo, fui cercado por vários policiais e intimidado de forma truculenta. Provocações variadas se seguiram até que um dos policiais forçou a minha prisão, completamente arbitrária, por “desacato à autoridade”. Mesmo depois, provocações e ameaças não pararam.

O interesse pessoal que tenho em divulgar esta história – preservar a minha segurança e a de minha companheira – já aponta também o seu evidente interesse público. A violência que sofri – até agora – é ínfima para os padrões de ação da Polícia Militar do Estado de São Paulo, como sabem os jovens das periferias, os militantes de movimentos sociais, os ativistas de direitos humanos. No entanto, ela é da mesma natureza e também serve como documento, ainda que em escala reduzida, de processos sociais que nos afetam a todos e devem ser combatidos. Quando se trata da higienização social das cidades, da criminalização do protesto, da expansão do autoritarismo e da policialização generalizada das relações sociais, nenhuma “escala” é pequena o bastante para ser desprezada.

Henrique Pereira Monteiro é professor e doutorando em Filosofia pela FFLCH-USP.

Leia também:

Antropólogo da USP é espancado por PM na avenida Paulista





53 comentários

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Dinei

15 de janeiro de 2012 às 13h30

A maioria aqui defende ações como esta:
http://www.youtube.com/watch?feature=endscreen&am…
http://www.youtube.com/watch?v=WUfPutjVrYY&fe…

Henrique Pereira Monteiro cadê a sua indignação contra a violencia dos marginais ??

Eu não ví o senhor lamentando a morte destes trabalhadores.

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Ana Paula

15 de janeiro de 2012 às 11h50

1º Se o sr não for pai ou responsável ou advogado da parte envolvida não tem que ficar indagando procedimentos da policia.

2º Praça com muitos fumadores de pedras e traficantes tem que ter abordagem mesmo, a não ser o que o sr perdeu seu fornecedor e está preocupado com isso.

3º Os presídios estão cheios de gente inocentes.

4º A maioria desse povo tem descer do muro, e deixar de frescura no rabo, uma hora a culpa é do PT que é o diabo a quatro, outra hora é o PSDB que é o vilão, pq vcs não escolha então que são descentes pra ocupar os cargos públicos ?

5º A PM de SP ainda é a melhor da federação, é a unica que mesmo com gente defendendo marginais, traficantes e viciados ainda resiste, digo ainda pq o mundo di crime está ocupando espaço de promotores de juízes, de políticos nem se fala e estão tentando minar a policia e quando isso acontecer muitos aqui vão chorar, igual a sociedade do Maranhão chorou este mês. Só dá valor ao que tem qdo se perde.

6º Ainda em tempo, teve quem pediu a substituição da PM pela civil, você tem noção do seu pensamento ? Não, não tem, acha que a civil é mais honesta e dócil que a PM ?? Se acha vc não conhece nem 1/10 da civil…

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Paulo César

13 de janeiro de 2012 às 11h39

Triste sina de ser brasileiro. Um povo que distingue policial de bandido pela indumentária da farda. Coloca bandidos no governo porque não sabe votar, ou melhor, é obrigado a votar porque não sabe lutar pela sua vontade e se permite sofrer lavagem cerebral pelo jornalismo governista que sempre predominou na cultura brasileira. É um povo que não desconfia que a ignorância controlada é a chocadeira da burrice que mantém o País submisso a essa política corrupta de um só lado, o deles.

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Victor

09 de janeiro de 2012 às 19h40

Pelo fim da PM. Precisamos que a Polícia Civil substitua completamente a PM.

Igual (cidadão) precisa ser policiado por igual (ciivl).

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    Elton

    12 de janeiro de 2012 às 23h37

    O Sr Henrique Monteiro esta falando que, não quer a pm fazendo rondas pelo seu bairro? ou que se sente intimidado pela presença da policia? eu gostaria muito que a pm estivesse mais presente no meu bairro!
    Eu tambem posso opinar porque conheço bem aquela região de barão geraldo e posso dizer que o Sr Henrique Monteiro só esqueceu de mencionar um pequeno fato, " O DE QUE AS PRAÇAS SÃO USADAS MUITAS VEZES POR USUARIOS DE DROGAS", como eu mesmo ja presenciei as 11 horas da manha jonves fumando maconha em uma destas PRAÇAS que o Sr Henrique Monteiro mencionou!!! então ja que ele quer garantir direitos ( Sr Henrique Monteiro por favor garanta o meu direito de levar meus filhos para a escola as 11 horas da manha sem ter que presenciar pessoas fazendo uso de drogas em nossas praças! se o Sr se sente tão incomodado com a presença da PM então vá morar na USP, porque os "estudantes" acham que lá é terra de ninguem, terra sem lei, onde eles podem usar drogas livremente e não querem que a PM interfira nisto!!!! Ótimo lugar para o Senhor!!!

    marcio

    13 de fevereiro de 2012 às 14h00

    sr elton, o que consegui concordar com ele foi o fato de que a pm não age profisionalmante quando alguem discorda de alguma atitute…simplesmente aproveitam da autoridade que tem, pra te intimidar….de forma arbritraria….é direito de todo cidadão questionar qualquer atividade de um policial, e é obrigação de todo policial dar as devidas satisfações a sociedade….vc acha que isso ocorre? o que acontece é exatamente isso que aconteceu c o sr monteiro….acabou sendo intimidado e preso…

    Ana Paula

    15 de janeiro de 2012 às 12h45

    Victor vc é um cara muito mal informado.

Hugo

08 de janeiro de 2012 às 23h28

O “interesse pessoal” do professor deveria ser o suficiente para que os PMs de Barão Geraldo desistissem de querer prestar segurança a determinados cidadãos, de evidenciar interesse público.
Se parassem pra pensar o quanto ganham, eles não deveriam se expor ao risco de abordar suspeitos e serem denunciados por abusos. Pela filosofia henriquiana, não deveriam dar ‘batidas’, ganhariam mais se fossem omissos, passeando de viatura durante seu turno sem abordar suspeitos e, se por acaso derem uma batida, devem satisfações a quem perguntar.
A violência que sofreu – até agora – o alienado missivista é ínfima para os padrões de que sofrem os próprios PMs, que morrem às dezenas todos os anos em São Paulo enfrentando criminosos alimentados ideologicamente por parte da intelligentsia uspiana da qual faz parte o autor.
continua…

Responder

Hugo

08 de janeiro de 2012 às 23h28

continua…
Quando se trata da vitimização social dos criminosos, da escalada da violência gerada por impunidade, da frouxidão das leis e da pantomima intelectual dos maconheiros da USP, nenhuma “interesse” é pequeno o bastante para ser desprezado.
Os PMs do “planeta Barão Geraldo” onde vive Henrique são heróis, pois lhe dão tranquilidade e segurança suficientes para que possa se preocupar de não poder reclamar das abordagens a adolescentes que eles fazem, e não em ser vítima da violência.

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Rodolfo

08 de janeiro de 2012 às 11h31

Por tudo que li aqui só me resta uma certeza: as pessoas não sabem o que querem. Primeiro partidarizam o debate, como se esse ou aquele partido fossem imunes as sandices da política nacional. Depois percebo um debate sobre a polícia e os policiais que não conhecem. TIveram um ou dois contatos ao longo da vida. Ouviram dizer em alguns casos. Que tal debater a polícia ao invés de somente criticar a polícia? Quem sabe o que fazer aponta caminhos, se reune com outras pessoas e se levanta um grande debate. Envolva-se OAB, Poder Judiciário, Ministérios Público, Partidos Políticos, Associações, afinal, a sociedade organizada. Mas não esqueçam de chamar quem mais entende de polícia neste país. Mas amigos, um debate em alto nível, sobre polícia e não a fulanização da discussão.

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Márcio

07 de janeiro de 2012 às 23h27

Acredito que o senhor Henrique deveria agir da mesma forma que citou quando presenciasse algum assalto. Se é para lugar contra os maus tratos e humilhações, então deve-se atacar o problema por todos os lados.

Se aquele policial mal educado tem a obrigação de respeitar todo mundo, quanto mais um indivíduo que se coloca à margem da sociedade!

Afinal, querem ataque maior à democracia do que termos nossos bens tomados de maneira violenta, às vezes com risco de nossas vidas? Oras, a truculência é a mesma que a da polícia. O uso de armas apontadas para a cabeça, é o mesmo expediente aplicado pelos policiais. Até mesmo as execuções sumárias. Tudo exatamente igual.

Existe algum preconceito contra os criminosos, senhor Henrique? Ou será que o senhor pode não sair vivo de uma situação dessas, por isso ainda não tenha se empenhado em tal desafio? Porque só intervir em ações policiais? Saque sua cidadania e a aponte para brigões no trânsito. Haja da mesma forma contra aqueles baderneiros que atrapalham a vizinhança com som alto, escutando aquela porcaria de barulho que chamam de funk.

Faça blitzes em bairros nobres, nas "baladas", onde vários 'filhinhos de papai" circulam com carros potentes e caros, com a cabeça cheia de bebida alcoólica e drogas.

O grande mal do Brasil é dar ouvidos para gente do tipo do senhor Henrique. Ele é igual a corja de políticos que vemos na época de eleições. Aproveitador barato, que só consegue um incerto e duvidoso sucesso porque há quem seja desatento e não perceba que o ilustre colunista, blogueiro – ou o que seja – nada faz além do que "chover no molhado". E bate sempre na mesma tecla: violência policial.

Ao ver sua formação, e onde leciona, ficaram claras suas motivações. O ótimo exemplo de cidadania prestado por aquele grupo de indivíduos, alunos da FFLCH (acho que o senhor Henrique conhece) que, em detrimento do bem da maioria, estava interessado em defender seu direito a fumar maconha e fazer baderna (não digam que a USP é um santuário, porque não é…) causando aquela confusão, cuspindo na Constituição.

Que se dane o rapaz morto covardemente. Oras, uma vida só? Se fosse mais. Um assassinato só não é violência. Mas violência foi deter (ah, abusivamente) os jovens por porte e uso de drogas ilícitas. A reação dos alunos foi exemplar. Aquilo lá foi "abordagem" correta? Aquilo que o Brasil e o mundo viram pela mídia, é exemplo da "democracia e direitos civis" que o senhor defende? É aquilo que o seu doutorado corrobora? Se sim, tanto não fico surpreso.

Não me lembro de tê-lo visto lá, na TV, intervindo.

Na próxima, senhor Henrique, haja da mesma forma que os exemplares alunos da instituição em que o senhor leciona. Ao ver uma abordagem policial, já chegue na base da porrada. Se tiver um cavalete por perto, arremesse-o contra os policiais, que são raça nojenta, herança da ditadura militar!

Oras, se os policiais acham correta a maneira deles de agir, haja da mesma forma! Lei é lei para todo mundo. Faça o seguinte, mande os policiais saírem e assuma você a abordagem. Faça tudo do jeito que o seu conhecimento em Filosofia permite utilizar em situações de abordagem policial.

Mas tem que fazer mesmo. Fique a noite rondando pela periferia de São Paulo, onde os abusos são maiores! Junte um grupo de professores da sua faculdade e organize rondas contra abusos, tanto por parte de policiais quanto por parte de criminosos!

Responder

    Mateus

    08 de janeiro de 2012 às 15h32

    Blablabla da pior qualidade.

    Ana Paula

    15 de janeiro de 2012 às 12h10

    Ainda bem que tem gente sensata neste mundo, falou tudo Márcio.

Roberto Valderramos

06 de janeiro de 2012 às 14h51

Eu nunca ofendi ou levantei a voz a qualquer policial. Mesmo assim, já fui levado de camburão à delegacia por "desacato à autoridade". Motivo: apenas respondi perguntas, de maneira sincera e breve. Quando o policial me disse que eu era "bocudo" (queria ter a última palavra), apenas lhe disse que enquanto me fizesse perguntas, eu as responderia, é claro. Desacato seria não responder uma pergunta feita diretamente por um policial!

Nesse mesmo dia, também revelei ao escrivão (que fazia as vezes de delegado) que tive uma arma apontada para a minha cabeça, apesar de eu ter chamado a viatura e de estar com as mãos livres e desocupadas, visivelmente desarmado. Ao que o PM respondeu: "está reclamando de quê? nem puxei o gatilho"…

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Gladis

06 de janeiro de 2012 às 10h36

Ótima sua intervenção, Henrique! Se muitos tivessem a sua postura ética…
Vou tomar seu texto para deixar minha opinião: "Quando se trata da higienização social das cidades, da criminalização do protesto, da expansão do autoritarismo e da policialização generalizada das relações sociais, nenhuma “escala” é pequena o bastante para ser desprezada."
Até quando vamos descer essa inclinada ladeira da barbárie que assistimos cotidianamente? Há esperanças? As minha se estão esvaindo!

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iza

06 de janeiro de 2012 às 01h01

Já aconteceu comigo a mesma situação.
Só que era a PM "democrática" de Aécio Never.
A PM tucana de Minas, tão violenta e corrupta como a de São Paulo.
Prendeu um vizinho meu, um coitado.
Débil mental. Fumava umas maconhas de vez em quando.
Às vezes ficava violento.
Mas nunca violento a ponto de ser necessário agir de forma truculenta.
Machucaram muito o rapaz, sangraram seu rosto, quase quebraram seus braços.
Um menino…….. 16, 17 nos….. e magrinho.
Minha mulher ficou horrorizada.
Questionei os PMs pela violência da abordagem.
Os ignorantes quiseram me prender e me ameaçaram.
Minha sorte????….. foi ter como vizinho coronel aposentado do Exercito que era amigo de meu pai.
Deu na hora uma carteirada.
Os “corajosos” PMs dos tucanodemos, os “machos" viraram frangas.
Foi terrível!
Humilhante pra mim que paga em dia todos impostos.
Que paga o salário daquele meu vizinho salvador e dos policiais bandidos.
Ainda hoje, depois de lutar por justiça, contra esses fascistas, minha cidadania só vale uma carteirada.

Responder

    Ana Paula

    15 de janeiro de 2012 às 12h20

    Teu vizinho deve ser um santo…

Aline C Pavia

06 de janeiro de 2012 às 00h01

Ano passado fui fazer o B.O. devido a um acidente de carro ali naquele posto móvel que tem no Cambuí, em frente ao Pão de Açúcar. Bairro nobre, as outras três pessoas que aguardavam ali pelo mesmo motivo eram proprietárias de carros tops de linha. O meu poisézinho destoava dos sedãzões japoneses reluzentes (porém amassados).
Lá pelas tantas o PM escrivão me disse que eu devia voltar dali a 15 dias, pois eles não tinham cartucho para impressora para imprimir o meu B.O. Respondi, em alto e bom som:
– Isso que dá votar em Serra e Alckmin. O estado mais rico da nação paga um salário de miséria para os policiais e nem cartucho de impressora tem.
Todos os policiais me olharam (tinha uns 4 ou 5 ali no recinto) incrédulos, como se eu fosse uma E.T. E as dondocas de pérolas e Louis Vuitton a tiracolo me fuzilaram com o olhar. Saí de cabeça erguida e senti que por pouco os PMs não me aplaudiram.

Responder

    Aline C Pavia

    06 de janeiro de 2012 às 00h02

    Não são os profissionais. É a instituição. Tenho vários amigos PMs e todos eles são unânimes: alguns são treinados e usados para determinadas funções com propósitos bem específicos, como esses citados pelo Henrique em Barão Geraldo. De resto, a maioria é PM por idealismo, falta de opção, por acharem que é apenas um emprego como outro qualquer, ou ainda pelo mito do heroísmo e da farda. Todos têm medo de serem mortos apenas por serem PMs. Mas os que eu conheço amam o serviço público e a missão de segurança para a população. Sou branca e meu namorado é negro. Já passamos por duas batidas policiais de madrugada. Em ambas fomos tratados com diligente respeito.

    Aline C Pavia

    06 de janeiro de 2012 às 00h03

    Por isso tenho tanto nojo e ódio de Serra e Alckmin. Por que eles estão acabando com a imagem de instituições como educação, saúde e segurança, as quais contavam até uns 15 anos atrás com o respeito, apoio e solidariedade da população.
    Serra e Alckmin conseguiram criminalizar TODOS os movimentos sociais, políticos e de protesto aqui em SP, especialmente os grevistas. Conseguiram voltar a população contra os professores do ensino público. Servidores do Poupatempo, peritos do INSS e profissionais de saúde de hospitais públicos trabalham em condições de estresse, assédio, insegurança e revolta. E a imprensa é o veículo perfeito para perpetuar a lavagem cerebral na pequena parcela da população dita "formadora de opinião". Já vemos os frutos. As manifestações de preconceito, ódio, racismo, violência contra minorias, contra crianças, contra animais, e no trânsito, são cada vez mais comuns. Onde tem "rodeio de gordas"? Onde aconteceu o episõdio Geisy Arruda? Onde aconteceu o episódio Mayara Petruso? Onde é que matam cachorro arrastado pelo carro ou a bala? Onde há espancamento de homossexuais com lâmpada branca? Onde tem rampa anti-mendigo? Onde tem bomba de efeito moral para "limpar" a Cracolândia? Onde tem prefeito chamando camelôs de "vagabundos"? Onde tem COHAB sem garagem para carros? SP está se transformando na cloaca do país e sinto profunda pena disso. Vocês podem mais do que isso. Nós podemos mais do que isso. Eles podem mais do que isso. Este estado pode mais do que isso. Fazer o que.

    Rodollfo

    17 de janeiro de 2012 às 04h42

    Aline, você deve viver em outro mundo ou deve ter de uns 15 a 20 anos de idade.

    Há 15 anos atrás a polícia (** quando aparecia) abordava e pedia PROPINA.

    Os hospitais ESTADUAIS tinham fila de meses (4, 5 ou 6) de espera.

    E a educação, ahhhh como lembro, centenas de crianças em idade de ginásio nas ruas e nos sinaleiros pedindo grana e cheirando cola.

    AHHHH, entendi .vc é petista , né ?!!!

    Ronaldo

    06 de fevereiro de 2012 às 06h08

    PM escrivão???? Onde existe isso?

Outro Antonio

05 de janeiro de 2012 às 22h36

A Polícia Militar precisa acabar. É preciso acabar com essa polícia que vem com a filosofia de regime de exceção. Essa polícia truculenta e seu comando truculento servem para oprimir trabalhadores, estudantes e para agir de forma covarde contra o povo, além de defender estados e políticos corruptos que os governam. Precisamos de guardas civis que saibam defender o povo ao invés de atacá-lo. Em SP é rotina rapazes pardos, mulatos e negros serem abordados pela polícia para revista. Os brancos nunca são suspeitos de nada. Além de tudo essa polícia é preconceituosa.

Responder

Mauro Silva

05 de janeiro de 2012 às 22h32

O povo está desarmado diante de bandidos fardados; togados e agrupados em bandos.
Lembro, num filme de título esquecido, um personagem a pensar em off: "como as pessoas são gentis quando sabem que todos estão armados!"
É por aí, mas há aqueles que "acreditam nas flores vencendo um canhão".
Da minha parte, só se for em sentido figurado pois o que vence um canhão é outro melhor ou alguns outros iguais.

Responder

João-PR

05 de janeiro de 2012 às 21h59

A PM é "filhote da ditadura". Foi criada para defender o Estado do seu próprio cidadão.
Esperar o que de gente preparada para atacar os cidadãos em defesa do Estado?
Quero mais é ver o fim das PMs Brasil afora!
Quero uma Polícia que saiba lidar com a população, e cuja presença não faça surgir o sentimento de medo no povo.

Responder

iza

05 de janeiro de 2012 às 20h19

Nossos intelectuais merecem este nome? (do blog Tijolaço – Brizola Neto)

Sei que estou comprando uma briga, e o faço em nome pessoal, sem sequer conversar sobre o assunto com o titular deste blog.

Porque jornalista que só escreve o que o chefe manda, é escriba, não jornalista.

Tão escandalizante quanto as declarações do sr. Dr. Laco, sem cedilha, chefe de política anti-drogas (?) do Governo paulista, de que usará “dor e sofrimento” como forma de levar os viciados em crack a buscarem tratamento, tão escandalizante quando a polícia paulista estar, esta tarde, atirando bombas contra os zumbis drogados que tentam voltar à Cracolândia é a falta de reação da “inteligência” paulistana e brasileira a este espetáculo dantesco.

Nós, que temos 50 anos, que convivemos na juventude com a generalização da droga, que podíamos ou podemos ter um filho ou uma filha ali, doentes e consumidos por uma situação assim, estamos assistindo silentes a este espetáculo terrível.

Segundo a Folha, diz a própria PM que “havia, na cracolândia da rua Helvétia, 60 crianças e 20 grávidas”.

É a eles, inclusive, que queremos impingir “dor e sofrimentos”, além de bombas?

Não vemos a OAB, o Sindicato dos Médicos, ninguém levantando a voz contra o fato de, segundo os próprios jornais, a dispersão dos viciados da Cracolândia estar sendo feita essencialmente com porretes – e digo que, aí, os policiais são até os menos culpados, porque eles próprios sabem que isso é uma pantomima – e não com assistência médica e social.

Os viciados da cracolândia podem agir como bichos irracionais, porque estão corroídos por uma dependência que lhes tira a razão e a ponderação. Nós é que não temos o direito de agir como bichos.

Muito menos se essa ação espalhafatosa é puro marketing, destinada a cenas no Jornal Nacional que produzam imagem de um “combate à droga” que é, antes, promoção da imagem da “autoridade” do que um ataque real ao problema.

Uma sociedade à qual falta a compaixão, à qual o medo de dizer que aquilo que fere a dignidade humana jamais pode ser feito por ninguém, mas muito menos pelo Estado, que a todos nos representa está mais doente do que aqueles pobres drogados.

Porque nós estamos lúcidos e sabemos discernir o certo do errado.

Ou não sabemos mais? Ou não somos mais viciados em amar o próximo?

Responder

Renato

05 de janeiro de 2012 às 18h41

As policias brasileiras, sejam comandadas por governos do PT ou PSDB, são autoritárias, despreparadas para desempenhar a sua função, corruptas e violentas. Tal qual o povo brasileiro …

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Sérgio

05 de janeiro de 2012 às 17h59

Simples: Se possível, filmem ou batam fotos e coloquem na internet.

Isso está ocorrendo com os agentes de trânsito. O mesmo deve ser feito com a Polícia ou qualquer outra "otoridade" (vide caso do juíz que foi preso por um delegado, posteriormente demitido por Alckmin).

Responder

Ramalho

05 de janeiro de 2012 às 17h45

Pois é, como alguém já insinou com pretensa ironia que só a PM dos estados governados pelo PSDB é truculenta, deve-se dizer, então, em favor da precisão, que a polícia dos estados comandados pelo PSDB é mais truculenta, racista, arrogante e assassina do que as demais polícias. A de SP, pelo que se vê na imprensa, está na vanguarda da truculência.

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Joselito

05 de janeiro de 2012 às 17h15

A PM é mais bandida que os próprios bandidos pois não há punição para os mesmos. Então vender drogas, armas, muniçao, matar, enfim, qquer crime que cometam, por mais hediondos que sejam, nao serao punidos.

Agora, quem dira "pequenos crimes" como abuso de autoridade, lesao corporal…….. é uma piada para eles.

Responder

Ronald

05 de janeiro de 2012 às 17h09

É o preço por escolherem o PSDB! Todos sofrem!

Responder

    Renato

    05 de janeiro de 2012 às 22h37

    Devo acreditar que se o PSDB é a raiz de todos os males, basta votar no PT para que todos os problemas sejam resolvidos ?

    Sérgio Vianna

    05 de janeiro de 2012 às 23h29

    Não necessariamente no PT. Existem 29 partidos registrados no Tribunal Superior Eleitoral com direito a disputar eleições em qualquer nível.
    Agora, que os tucanos e o seu PSDB estão com prazo de validade vencido, disso não há duvidas.
    O relato desta postagem é apenas mais um de centenas de violações praticadas pelo Poder Público em São Paulo. Se pra você está bom assim, que o seja.
    Mas para muitos já passou da hora de mudar o quadro político de São Paulo. Questão de tempo.

    Renato

    07 de janeiro de 2012 às 23h33

    Lamento informar mas você está redondamente enganado. Em 1º lugar, o PSDB não é meu; nunca votei e jamais votaria neste partido.
    Quanto aos 29 partidos, se juntar todos não dará meio. Quando voto em algum partido, isto não quer dizer que estou lhe dando um cheque em branco como quer fazer crer alguns "especialistas" e também não lhe isentarei de criticas se achar necessário faze-las. Contra minha vontade, sou obrigado a respeitar a vontade das urnas; infelizmente eu moro no estado mais conservador da nação. Torço, da mesma forma que você, que o quadro politico em São Paulo mude o mais rápido possível.

Antonio Carlos

05 de janeiro de 2012 às 16h53

Este é um claro exemplo de que há sim espaço para um novo regime ditatorial no Brasil. Pois, se bem planejado como o de 1964, a classe média SEM DÚVIDA NENHUMA apoiaria tal golpe.
Como não houve e não vai haver punição às arbitrariedades cometidas pelos agentes do regime, civis e militares, nossas polícias tem licença pra tudo. E o Estado de São Paulo é o melhor exemplo. E vai continuar assim, pois seu povo é de centro-direita.

Responder

    Renato

    05 de janeiro de 2012 às 22h33

    Antonio Carlos, não sei se já assistiu ao filme "A Onda". Em caso negativo, recomendo assistir pois o filme trata exatamente da questão colocada por você.

    Antonio Carlos

    05 de janeiro de 2012 às 23h18

    Vou procurá-lo. Lamentável mesmo os tempos atuais. E o que acontece na Europa é uma onda de retrocessos em vários campos. Tenho que admitir que hoje sou muito mais pessimista, na verdade realista, do que há uns 10 anos.

Alexandre Felix

05 de janeiro de 2012 às 16h41

Militares são preparados para o combate, para a guerra. É isso que uma polícia militarizada pode oferecer à população pobre, que é o inimigo escolhido. Já pasou da hora de nos livrarmos dessa herança maldita…mas para os governos autoritários que se repetem em SP, essa militarização da polícia é extremamente conveniente…A Opus Dei trava sua nova cruzada e os novos mouros são o povo de favela…

Responder

    Abdula Aziz

    05 de janeiro de 2012 às 20h42

    Concordo plenamente, Policia militar e policia civil pra que. Tá na hora de mudar essa divisão de policia. Por que não se coloca policia estadual do estado tal?

Erica C. H.

05 de janeiro de 2012 às 16h25

Henrique, fez muito bem em denunciar aqui, se eu fosse vc. tb. usaria desses meios pois se depender do estado, da prefeitura, fica o dito pelo não dito. Já compartilha no FB e no Twitter. Uma andorinha só não faz verão, com muitas andorinhas, a gente impede o sol de passar =) Abraços!

Responder

Archibaldo S. Braga

05 de janeiro de 2012 às 16h16

Que a polícia é arbitrária todos estamos cansados de saber!!!! Quero exaltar a existência da blogosfera, pela possibilidade de ficarmos sabendo disso!!! Imaginem se o pig vagabundo vai noticiar isso!!!! Braga

Responder

O_Brasileiro

05 de janeiro de 2012 às 15h58

Não é só em São Paulo, não. É em todo o Brasil.
E para piorar, nos dias de hoje há os tais "seguranças", que só geram insegurança, muitas vezes espancando clientes.
E para piorar ainda mais, muitos de tais "seguranças" são policiais.
E ainda querem que a gente saia de casa… Mal dá pra ir à escola e ao trabalho!

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Sérgio Cabala

05 de janeiro de 2012 às 15h13

Adolescentes pobres nas praças de Barão Geraldo ?
A sua Campinas é a mesma que a minha, Henrique?

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leandro

05 de janeiro de 2012 às 14h57

Até parece que é só em SP que policial age com abuso, este ano de férias no Recife, parei o carro e fui pedir uma informação em 2 policiais numa esquina e antes me mandaram descer do carro e deram uma geral e com comentários que era porque a placa era do Rio. Idiotice é espalhada por igual no brasil.

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    Alexandre Felix

    05 de janeiro de 2012 às 16h34

    Já passei por isso, em Recife também…mas a placa do carro que aluguei era de Salvador…aconteceu exatamente o mesmo, só que em 2001…

MARCOS

05 de janeiro de 2012 às 14h28

E eu não consigo telenar aquí em Fortaleza, porque a TIM NÃO DEIXA?

PODE???????????????????????????????????????????????????????
Pagar caro e não conseguir uma ligação??????????????????????????????????????????????????????????????????????????

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Luiz

05 de janeiro de 2012 às 12h51

Acredito que o mal maior eh de como esses policiais receberam treinamento. O pior deve ter cido de deixar eles se convencerem de que eles sao a lei (sempre soube que a lei eh a constituicao). O militarismo das forsas (estou cem o cedilha no note que uso – padrao ingles) de seguransa eh coisa obsoleta.

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Chico Lobo

05 de janeiro de 2012 às 12h34

Enquanto o Estado de São Paulo for governado por um nazista da opus-dei, nada de bom pode se esperar. Mas na democracia é assim: Cada povo tem o governo que escolhe e merece.

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Edson Barbosa

05 de janeiro de 2012 às 12h28

É estarrecedor a "mudança de condição" auto-estabelecida pelos militares. Parecem os Estados Unidos brincando de ser "Deus".
Nenhum questionamento pode ser feito. Em 2005 sofri agressão dentro de uma Ciretran em Guarujá. Uma das aberrações propostas pelos policiais seria de que eu deveria ir até a delegacia depor acompanhado do agressor dentro da mesma viatura e com o nariz quebrado. Quando disse que eu 1º deveria ser atendido num hospital um dos policiais perguntou quem eu era. Ora, com o rosto e roupa ensanguentado a preocupação dele era saber se eu era advogado, ou qualquer outra titularidade pois meus argumentos refutavam a mínima possibilidade de desvio de conduta que tentavam impor. Apenas respondi ser um cidadão ciente de meus direitos e gritei diante de todos para que soubessem que não aceitaria arbitrariedades. Quando levaram-me ao hospital tentaram forçar um atendimento rápido para me levar para a delegacia. Então pedi ao médico que me encaminhasse ao Hospital Ana Dias em Santos, associado ao meu plano de saúde. Foi clara a irritação dos policiais diante de sua própria limitação visto ser o médico a autoridade que eles não tinham como intervir com sua truculência. Felizmente minha mão ensinou-me a fazer bom uso das palavras e fosse eu alguém ignorante trnaria-me presa fácil do agressor e dos policiais que pareciam ser amigos daquele criminoso.

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Bertold

05 de janeiro de 2012 às 12h15

O caro Henrique, já passei por situações como a sua. Quero aproveitar a oportunidade do seu post para dizer a todo aqui que este comportamento truculento e autoritário da PM para com os adolescentes pobres e das pereferias de Campinas (infelizmente, investiguei e constatei isso) conta com as complacências total dos juízes e promotores das varas da infância de da juventude em Campinas. Vou dar nomes aos bois. Notadamente, a promotora de Justiça da Infância e da Juventude Elisa de Divitiis Camuzzo e o juiz Richard Palo Pae Kim, adoram trancafiar na Fundação Casa adolescentes por qualquer motivo.

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Klaus

05 de janeiro de 2012 às 10h43

Impressionante como só a PM de estados governados pelo PSDB comete arbitrariedades, não é verdade? Uma vez, Lula, durante a inauguração de um hospital em Pernambuco, disse que gostaria de ficar doente só para poder ser atendido ali, de tão bom que era. Pois eu, em minha próxima viagem à Bahia, vou cometer uma infraçãozinha só para poder ser recepcionado pela PM baiana.

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    Pedro

    05 de janeiro de 2012 às 17h47

    Cara, a PM baiana é sinistra… mt pior que a do Rio, por exemplo!
    P.S: teus comentários são os melhores desse blog, apesar de despertar a ira da rapaziada da "esquerda suja", "blogueiros sujos", como eles mesmos gostam de se autodenominar.

    petronio

    05 de janeiro de 2012 às 18h50

    Faça isso Klaus, assim vc vai conhecer o andar de baixo. Vai ser uma experiência arrepiante. Na próxima vez que voltar a postar por aqui provavelmente vai se alinhar com a "esquerda suja". Convença o seu amigo (Pedro) a fazer o mesmo.


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