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Gerson Carneiro: O que o Conselho Tutelar tem a dizer?


05/09/2013 - 16h01

por Gerson Carneiro, especial para o Viomundo

Feliz é quem feliz se julga.

Começo afirmando que não sou juiz de vida alheia, mas não posso deixar de opinar sobre fatos que a mim chegam por via pública e que, por variados motivos, atraem minha atenção.

Por isso, quero aqui discorrer sobre algo que tomei conhecimento na noite do último domingo, 1º de setembro, e que desde então tem incomodado minha consciência.

Através do programa televisivo Domingo Espetacular, da TV Record, tomei ciência do caso de um garoto de 14 anos de idade, Peterson Kevyn, que está se lançando, corrijo, que está sendo lançado como cantor de “funk ostentação” na cidade de Carapicuíba-SP. Seu nome artístico: MC Pet.

Alguns fatos do caso me deixaram espantado.

A carreira artística do garoto está sendo administrada por dois empresários. Um deles se chama Sérgio Jaques.

Já ocorreram problemas tanto na gestão da dupla atual de empresários quanto na anterior.

A primeira dupla gravou um videoclipe aonde o garoto aparece cercado por vistosas mulheres que trocam carícias entre si.

Os pais do garoto, José Paulo da Silva e Edna de Santos Castro, apesar de afirmarem que acompanham o trabalho dele, se disseram surpresos e contrariados com as cenas, embora se mostrassem deslumbrados com a carreira artística do filho. Inclusive, diante dos pais, o garoto disse que se pudesse voltar não gravaria o videoclipe.

A segunda dupla de empresários, sob o argumento de resgatar o trabalho do garoto e adequá-lo a um público jovem compatível com a idade do garoto, refez o videoclipe. Dessa vez tendo a escola como cenário. O detalhe é que nesse novo videoclipe o garoto aparece em sala de aula cercado por colegas da mesma faixa etária dele, todas em uniforme que induz sensualidade. E a “professora”, adulta, com o enorme busto saltando no decote.

Para o papel de professora, foi contratada uma “modelo” que se apresenta como Sabrina Boing Boing. Segundo a reportagem, ela já posou nua várias vezes para revistas masculinas.

A reportagem informa que a diretoria da Escola não ficou satisfeita com o que viu e entrou na Justiça contra os produtores do vídeo.

Seguiram-se outros detalhes.

O garoto ostenta um relógio avaliado em quatro/cinco mil reais, presente de um dos empresários, segundo ele próprio revelou. E em breve, estará com uma pesada corrente pendurada no pescoço, sustentando seu nome, tudo feito em “puríssimo” ouro, como fez questão de ressaltar.

Os pais se completam em sorrisos quando o garoto afirma que pretende encontrar uma namorada“loira, de olhos azuis, corpinho violão”.

Fiquei a imaginar qual seria a reação dos pais se fosse uma garota, de mesma idade, afirmando que pretende encontrar um namorado “loiro, de olhos azuis, corpo sarado”… Ou um garoto homossexual, uma garota lésbica, revelando suas pretensões.

Mas nada me deixou mais chocado do que ver e ouvir aquela criança se definindo como sendo possuidora de uma mente adulta em corpo de criança. Pobre criança.

E ver pobres pais pobres deslumbrados com tudo isso.

Eu não sei. Gostaria de saber a opinião do Conselho Tutelar sobre este caso.

Em minha época ser criança era mais valioso que qualquer ouro puríssimo.

Não estou torcendo contra, nem desejando mal ao garoto e sua família. Toda sorte do mundo para eles. Mas, como nem tudo que reluz é ouro, confesso que para mim esse tipo de felicidade parece mais infelicidade.

A conferir.

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17 comentários

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Marcelo Sant'Anna

06 de setembro de 2013 às 10h51

Quadradinho de 4 é manifestação cultural aqui e em Sodoma e Gomorra.

Responder

henrique de oliveira

06 de setembro de 2013 às 09h39

O bom de funkeiro é que ele so fica muito tempo na midia quando toma um tiro.
Essa “manifestação cultural” é fruto da midia que tenta idiotizar a juventude , dizendo façam merda que a gente vende , rebolem as bundas que é melhor que estudar , e por ai vai.

Responder

    Molina

    06 de setembro de 2013 às 12h17

    Se é assim, espero que venham muitos tiros… heheheheh

renato

06 de setembro de 2013 às 09h16

Isto aí acontece no Rio, não é.
Então não tem probrema.

Responder

Mardones

06 de setembro de 2013 às 08h56

É nisso que dá o caráter técnico da SECOM do governo federal. Financia uma empresa que promove duas garotas: uma chamada Anita e outra Bruna. A primeira é vendida como cantora talentosa. A segunda é vendida como ‘celebridade’ porque namora outra ‘celebridade-propaganda’, o Neymar. Resultado: vender os filhos para o sucesso é o caminho que muitas vão buscar.
Antes de provocar o conselho tutelar é preciso provocar os Ministérios da Justiça, Educação, Comunicação e Cultura para que digam qual o projeto de país eles querem e financiam. Esse caso é apenas o reflexo da política implementada pelo governo federal. É preciso sempre buscar a origem dos males. E a origem dessa postura está na política de comunicação e cultural que temos no Brasil.

Responder

Edno Lima

05 de setembro de 2013 às 22h40

Não sei em que país esse sujeito vive, mas certamente não é no Brasil (dever viver em algum país nórdico). No Brasil, os pobres têm quase que exclusivamente a música e o futebol como formas de ascenção social. O Mc Pet ao menos vai ter 15 minutos de fama como tiveram vários Mcs cariocas do ínício do funk . Existem milhões de crianças/adolescentes vivendo em barracos, palafitas, em áreas de ressacas convivendo com merda boiando na porta de casa; o Mc ao menos deve estar vivendo, por enquanto, uma vida de conforto junto com os pais ( por isso o deslumbramento). Há outras milhões de crianças/adolescentes que nunca experimentarão a sensação pela qual o Mc está passando e o que, o que é pior, nunca terão uma educação formal e informal que permita que esses jovens tenham uma profissão que lhes possibilite uma vida dígna.

Responder

    LEANDRO

    06 de setembro de 2013 às 06h59

    Não fica indignado com crianças se prostituindo e o governo gastando bilhões em estádios, meninos viciados e gastança em propaganda, falta de escolas e segurança e gastança com mordomias e viagens absurdas. Mas, se for para atacar a “mídia golpista”, vale a indignação seletiva. Só se indignar com o que interessa ao partido.

renato

05 de setembro de 2013 às 20h21

O que o dinheiro, e a falta de materia não faz.
Um canal de TV, que propaga porcaria.
E produtores que arrumam dinheiro não sei de onde
para produzir um pia que não sabe nem chacoalhá as
coisa.
Me poupem, pagaram um monte de mulher para puxar o piá.
Depois cai no esquecimento e se mata, e os país não sabem
o por que?
E isto aí que eles cantam, é um atentado ao estomago.

Responder

Ana Raposo

05 de setembro de 2013 às 19h23

Um olhar analítico dos muito bons. Sem falsos moralismos. Muito bem Gerson

Responder

FrancoAtirador

05 de setembro de 2013 às 19h08

.
.
Algo me fez lembrar da obra teatral Roda Viva de Chico Buarque de Holanda. Aquela que, em 1968, foi vandalizada criminosamente no Teatro Galpão em São Paulo e, depois, barbarizada em Porto Alegre pelo Comando de Caça aos Comunistas (CCC).
Na peça, o protagonista era um cantor de ‘iê-iê-iê’ que, nascido Benedito Silva, adotou o pseudônimo de Ben Silver, cuja carreira sucumbiu, após haver entrado na ‘roda-viva’ do sucesso.
É de se pensar…
.
.

Responder

NY

05 de setembro de 2013 às 18h15

Estamos no fim da civilização. Ninguém sente nada. Precisa de estimulos o tempo todo.
Causa:a alimentação está um lixo tóxico, toma-se muitos remédios, não se faz exercícios,as águas estão podres, pessoas estão sendo mal gestadas há gerações. A raça está falida.

Então, inconscientemente procuram excitantes, e excitantes sexuais. Consomem café barato e com mais cafeína, energéticos, usam pornografias, músicas pornô, porém o resultado é consumir mais, e a indústria sabe disso.
Pra mim tanto faz Elvis ou funk, não há diferença.

Responder

Urbano

05 de setembro de 2013 às 18h13

Funckramente…

Responder

Aline C Pavia

05 de setembro de 2013 às 16h15

Na enciclopédia da música brasileira o chamado “funk” (uma saudade> James Brown) ocupa duas linhas. Provando que o emburrecimento e idiotização de parcela da população podem chegar a um poço cada vez mais fundo. Estão aí os prêmios VMA e Multishow que não nos deixam mentir.

Minha esperança está naquela garotinha de 6 anos cantando Heavy Metal no “Ídolos” dos EUA (rock’n’roll rules1)

E o vencedor do “Ídolos” daqui, Everton, que fez Fafá de Belém chorar ao cantar dois trechos de músicas: uma de Cartola e outra de Nelson Cavaquinho. Chorei junto.

Ainda resta uma esperança, embora o dial FM seja cada vez mais difícil. 30% sertanojo e pagode, 30% “funk” (meu pai diz que funk não é música, é barulho) e 40% pastores berrando em nome de Jesus.

Nós já fomos mais inteligentes (Carlos Nascimento)

Responder

    Aline C Pavia

    05 de setembro de 2013 às 16h32

    Garotinha de 6 anos canta uma música de heavy metal “Zombie Skin”

    http://www.youtube.com/watch?v=Gf3EuMuJV_E

    Everton Maciel emociona Fafá de Belém

    http://www.youtube.com/watch?v=cZbXl4cK6Gc

    Fernando

    05 de setembro de 2013 às 16h55

    Aline, funk é uma manifestação cultural como qualquer outra.

    Existem funks bons e positivos e funks ruins.

    Funk é a manifestação da favela. Você não pode pedir para o cara da favela compor como Chico Buarque.

    infelizmente está fora do contexto dele.

    ele canta o que ele vive. e é isso que tem para ele viver.

    Aline C Pavia

    05 de setembro de 2013 às 17h33

    Axé “segura o tchan” passou.
    Felipe Dylon, Restart, Rebeldes etc. passaram.
    Luan Santana, Gustavo Lima e Michel Teló estão passando.
    O cerol passou, Tati quebra-barraco também.
    Naldo, Maravilhas e Ostentações vão passar.

    O bom da música ruim é que dura poucas semanas de tortura.
    O problema é que depois de uma coisa ruim vem outra pior e vai se descendo a ladeira.

    Pode se classificar o “funk” como manifestação, mas não vejo cultura nenhuma em balbucios e proto-beat box como fundo musical de coreografias horrendas e vulgares às raias de cães no cio.

    Sensual para mim era Elvis the Pelvis.

    (Não pretendo convencer ninguém de nada. Isto é minha opinião pessoal.)


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