Especialistas detonam proposta do novo ministro: Usar unidades de saúde para creches e escolas é inexequível, uma asneira

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Posse do novo ministro da Saúde, Gilberto Occhi. Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

Posse do novo ministro da Saúde, Gilberto Occhi. Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

por Conceição Lemes

Tomou posse nessa segunda-feira (02/04), o novo ministro da Saúde do governo Temer, o advogado Gilberto Occhi.

Indicado pelo PP, Occhi deixou a presidência da Caixa Econômica Federal para ocupar o posto deixado por Ricardo Barros (PP-PR), que voltou à Câmara dos Deputados.

Já como ministro da Saúde Occhi afirmou que o governo formula um decreto para dar uma nova utilidade a Unidades Básicas de Saúde (UBS) e Unidades de Pronto Atendimento (UPA) construídas com recursos da União e que ainda não estão em funcionamento.

Publica o Estadão:

A ideia é permitir que os prédios da UBS possam ser usados para abrigar creches, escolas. Se for de preferência da prefeitura, tais unidades poderão funcionar de forma partilhada: escola e posto de saúde.

— Defendemos isso, a múltipla utilização dos equipamentos — afirmou Occhi.

A ideia, que também conta com o apoio de seu antecessor, Ricardo Barros, agrada sobretudo prefeitos das cidades que aceitaram no passado a construção das unidades de saúde com a condição de que, uma vez concluída a obra, eles arcariam com os custos de manutenção do serviço. Muitos dos prefeitos desistiram de arcar com a empreitada. Pela regra atual, as prefeituras deveriam ser obrigadas a ressarcir a União por esses gastos. ê justamente isso que o governo federal quer impedir, em mais uma medida para evitar o descontentamento de prefeitos, sobretudo diante de um governo fragilizado.

A proposta já provoca fortes reações de especialistas da área de saúde.

“Governo Temer insiste em arruinar a saúde pública brasileira”, constata o médico Arthur Chioro, professor de Saúde Coletiva da Escola Paulista de Medicina-Unifesp e ministro da Saúde no governo da presidenta Dilma Rousseff

“Continua o festival da abobrinha”, detona. “Parece que o antecessor e o nomeado desempenhariam melhor seus papéis no Ministerio da Agricultura”.

Chioro considera a proposta de Occhi um escárnio com a saúde e a dignidade do povo brasileiro.

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Na lógica do Novo Regime Fiscal, prossegue Chioro, antecessor e nomeado encontram guarida na irresponsabilidade de gestores e prefeitos municipais descompromissados com a saúde pública e incompententes.

“Não se preocuparam sequer em conhecer as especificidades arquitetônicas e as normas sanitárias que distinguem uma UBS, uma creche ou uma escola antes de advogarem tal disparate”, diz, perplexo.

“Na verdade, nenhum desses três equipamentos públicos parece fazer qualquer sentido para eles”, completa.

“Inacreditável!”, de pronto, reagiu o médico Hêider Aurélio Pinto, mestre em saúde coletiva, doutorando em políticas públicas e criador do programa de construção e reforma de UBSs do Ministério da Saúde, do governo Dilma.

“Impressiona uma pessoa pública dar essa declaração sem nenhum estudo prévio, o que já é temerário, e demonstrar o seu total desconhecimento da área”, observa Hêider.

Não precisa ser especialista, basta frequentar uma UBS, para saber que elas têm arquitetura específica que as tornam muito difíceis de serem adotadas, por exemplo, para a educação.

“O aparelhamento político no qual o ministro importa pelo que agrega de votos e não a capacidade de gerir as políticas públicas de saúde parece ser regra do governo Temer”, nota Hêider.

Ou seja, em vez de uma pessoa da área, um especialista com capacidade de gestão, um operador de interesses e de clientelismo para sua base partidária.

Em vez de um discurso responsável e com o mínimo embasamento técnico, Occhi em seu primeiro dia mostra já mostra que pode superar Ricardo Barros no quesito ministro que mais besteiras falou na história do Ministério da Saúde.

“Resta saber se Gilberto Occhi será o segundo ministro anti-SUS na história do Ministério da Saúde”, atenta.

O primeiro é disparadamente o engenheiro Ricardo Barros.

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