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Diário da Resistência


Dr. Rosinha: Patentes, um novo modelo de colonização
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Dr. Rosinha: Patentes, um novo modelo de colonização


22/01/2013 - 16h54

Defensores do colonialismo

DR. ROSINHA, especial para o Viomundo

Sobre este tema sou considerado um chato, mas insisto: as patentes são o novo modelo de colonização. As grandes empresas e os países ricos sabem disso e disputam nos tribunais e nos acordos internacionais. Disputam e exigem privilégios.

Em uma das muitas ações mundo afora, lembro que em 2007 a empresa suíça Novartis entrou com uma ação judicial contestando a lei de patentes indiana. Caso tivesse sucesso, prejudicaria o acesso ao tratamento das pessoas que vivem, não só na Índia, mas em vários países pobres ou em desenvolvimento que necessitam da produção mais barata daquele país.

Na época, a Novartis desejava que a patente do mesilato de imatinibe, princípio ativo do Glivec (medicamento para o tratamento de leucemia), fosse reconhecida na Índia, o que foi rejeitado pelo tribunal indiano por entender que não se tratava de uma droga nova.

Só para se ter uma ideia dos valores: o tratamento de leucemia com o uso do Glivec na Índia custava, na época, US$ 2,6 mil por mês, enquanto o tratamento com o genérico, US$ 260. Dez vezes menos.

No primeiro trimestre de 2011, viajei, a convite do governo alemão, para Bruxelas e Berlim. A pauta de todas as reuniões, tanto em Bruxelas, com as autoridades da União Europeia, como em Berlim, com as autoridades alemãs, era o Acordo de Associação e Cooperação Mercosul-União Europeia. Em todas as reuniões, estiveram em debate temas ligados às áreas de agricultura, serviços e patentes.

A ONG Médicos Sem Fronteira tem acompanhado com atenção e preocupação o processo de negociação do Tratado de Livre Comércio (TLC) entre União Europeia e Índia. Esta preocupação se deve ao fato de que 80% dos medicamentos adquiridos pela ONG para o tratamento de Aids, entre os anos de 2003 e 2008, vieram da Índia, um celeiro na produção de genéricos. Nos seus TLCs ou acordos como os debatidos com o Mercosul, a União Europeia (UE) quer ir além: exigem Trips plus.

O “Acordo sobre Aspectos dos Direitos de Propriedade Intelectual Relacionados ao Comércio”, da Organização Mundial do Comércio (OMC), mais conhecido por seu acrônimo inglês “Trips” (Trade Related Aspects of Intellectual Property Rights) é, hoje, a mais importante fonte do Direito Internacional Público sobre propriedade intelectual, e é quem dita as regras internacionais.

Uma das regras é de que a patente tem validade por 20 anos e os laboratórios fabricantes, entre outras coisas, exigem a extensão para 25 anos. Não podemos aceitar.

Entre nós, há os que defendem que continuemos colonizados, como o ex-governador do Rio Grande do Sul, Antonio Brito, hoje presidente-executivo da Interfarma (Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa) e o (infelizmente) reconduzido ao cargo de presidente do INPI (Instituto Nacional de Propriedade Industrial), Jorge Ávila. Este tem se comportado à frente do INPI como fiel escudeiro das indústrias farmacêuticas.

Em uma entrevista à Folha de S.Paulo em 13/10/2010, Antonio Brito disse que “o jogo do futuro é o jogo da inovação”, com o que concordo. Disse também que a “primeira onda, que era a do insumo básico, do genérico perdemos para a índia e, em parte para a China”.

Mas, ora, por que perdemos?

Perdemos porque ele e o partido dele, PSDB, PFL (agora DEM), com o apoio do PMDB na época, entrou no jogo para perder.

Até a sua independência, a Índia tinha um sistema de patentes calcado no modelo inglês, que assegurava a patenteabilidade de muitos processos e produtos. Após a sua independência, a Índia iniciou progressivamente um processo para tornar a sua normativa sobre propriedade intelectual um “instrumento do desenvolvimento nacional”.

No campo médico, o objetivo específico era essencialmente o de assegurar preços baixos de medicamentos para a população indiana e de prover, eventualmente, drogas em larga escala para o enfrentamento de epidemias.

Em 1950, a lei de patentes indiana foi emendada para permitir a licença compulsória para produzir medicamentos protegidos por direitos de propriedade intelectual, sem a necessidade de autorização por parte do detentor da patente.

Em 1970, foi dado um passo ainda maior com a aprovação da nova lei de patentes da Índia, que entrou em vigor em 1972. Essa nova lei de patentes excluía medicamentos e quaisquer produtos farmacêuticos do mecanismo de patenteamento.

No entanto, a Índia, que participou ativamente da Rodada Uruguai, assinou o Trips, em dezembro de 1994. Obviamente, isso a obrigou a reformular a sua normativa sobre propriedade intelectual. Contudo, a Índia, aproveitando-se da flexibilidade conferida por este acordo da OMC aos países em desenvolvimento, só modificou a sua lei patentes em 2005, ao final do prazo previsto (dez anos) e incorporou todas as flexibilidades asseguradas no Trips.

O grande resultado prático dessa estratégia da Índia relativa à propriedade intelectual é de que esse país tem hoje a segunda maior indústria farmacêutica do mundo em volume de produção.

E o Brasil?

O Brasil seguiu um rumo diferente. Com o predomínio do paradigma neoliberal no país, comandado por Fernando Henrique Cardoso e pelo PSDB, partido do qual Brito era um dos líderes, PFL e PMDB, o Brasil abandonou progressivamente quaisquer tentativas de implantar uma indústria de fármacos nacional.

Além disso, após ter assinado o Trips, em dezembro de 1994, o Brasil, em vez de ter esperado, como a Índia, dez anos apara aprovar uma lei nacional adaptada às diretrizes daquele acordo da OMC, precipitou-se em promulgá-la já em 1996.

O resultado é a grande dependência da saúde pública brasileira em relação à produção da indústria farmacêutica internacional. E ainda tenho que ouvir loas ao neocolonialismo e suportar a política entreguista do INPI.

Dr. Rosinha, médico pediatra, é deputado federal (PT-PR). No twitter: @DrRosinha

Leia também:

Fórum Popular de Saúde de SP repudia internação compulsória





38 comentários

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Dr. Rosinha: A Monsanto quer patentear a nossa comida - Viomundo - O que você não vê na mídia

16 de abril de 2013 às 15h11

[…] Dr. Rosinha: Patentes, um novo modelo de colonização […]

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Defensores del colonialismo: Patentes, un nuevo modelo de colonización « Voces del 99%

25 de janeiro de 2013 às 09h17

[…] Fuente Original: https://www.viomundo.com.br/denuncias/dr-rosinha-patentes-ou-um-novo-modelo-de-colonizacao.html […]

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Defensores del colonialismo: Patentes, un nuevo modelo de colonización « Blog de Fabián Pena

24 de janeiro de 2013 às 16h17

[…] Fuente: https://www.viomundo.com.br/denuncias/dr-rosinha-patentes-ou-um-novo-modelo-de-colonizacao.html Share this:TwitterFacebookMe gusta:Me gustaSe el primero en decir que te gusta. Esta entrada fue publicada el 24 enero 2013 en 18:16 y publicado el Oficinas de Patentes, Propiedad Industrial, Sistema de Patentes. Puedes seguir las respuestas a esta entrada a través de este feed RSS 2.0 . « Venezuela: Delegación argentina visitó la ciudad de Guarenas para instalar las mesas de debate del Mercosur […]

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Nelson

24 de janeiro de 2013 às 10h28

Abaixo, mais um excerto pescado no endereço http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2002/06/29908.shtml. Ressaltei em maiúsculas os trechos que considero mais importantes.

“Realizador da famosa experiência com a pipa que provava que os raios eram descargas elétricas e autor de invenções como o óculos bi-focal e o pára-raios, Benjamin Franklin sempre se recusou a patentear suas invenções.”

“EM SUA AUTOBIOGRAFIA PODEMOS VER OS MOTIVOS PELOS QUAIS SE RECUSAVA A EXPLORAR COMERCIALMENTE OS INVENTOS.”

Vale a pena citar um longo trecho:

“Tendo inventado, em 1742, um forno aberto para o melhor aquecimento de aposentos e ao mesmo tempo, economia de combustível, na medida que o ar fresco incorporado era aquecido na entrada, fiz um presente do modelo para o Sr. Robert Grace, um dos meus amigos mais antigos, que, tendo uma fornalha de ferro, considerou a disposição das placas desse fogão uma coisa muito útil, já que aumetava a sua procura. Para promover essa demanda, eu escrevi e publiquei um panfleto de título: ‘Um relato do novo forno da Pensilvânia; no qual sua construção e modo de operação são detalhadamente explicados; suas vantagens sobre qualquer outro método de aquecimento de aposentos são demonstradas; e todas as objeções que foram levantadas contra o seu uso são respondidas e esclarecidas, etc.’ O panfleto teve uma boa resposta.”

“O GOVERNADOR THOMAS FICOU TÃO SATISFEITO COM A CONSTRUÇÃO DESSE FOGÃO, TAL COMO ESTÁ DESCRITO, QUE ME OFERECEU UMA PATENTE PARA A VENDA EXCLUSIVA DELES POR UM PERÍODO DE ANOS.

“EU RECUSEI, NO ENTANTO, BASEADO NUM PRINCÍPIO QUE SEMPRE PESOU PARA MIM EM TAIS SITUAÇÕES: UMA VEZ QUE TIRAMOS GRANDES VANTAGENS DAS INVENÇÕES ALHEIAS, DEVEMOS FICAR FELIZES DE TER UMA OPORTUNIDADE DE SERVIR AOS OUTROS COM QUAISQUER DE NOSSAS PRÓPRIAS INVENÇÕES; E ISSO DEVEMOS FAZER DE FORMA GRATUITA E GENEROSA.”

Se um inventor de reconhecida capacidade como Franklin, um dos maiores da história, que tinha tudo para querer se beneficiar com seus inventos, tem uma postura nobre como essa, profundamente altruísta, porque então deveremos ceder aos instintos egoístas, extremamente individualistas, dos que querem manter seu poder via patentes?

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Nelson

24 de janeiro de 2013 às 09h55

Excerto sobre patentes que eu pesquei no endereço
http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2002/06/29908.shtml

“Numa audiência no congresso americano, buscando revisar as leis de direito autoral em 1906, o escritor Mark Twain, autor dos clássicos “As aventuras de Tom Sawyer” e “Huckleberry Finn” simplesmente defendeu o direito natural à propriedade intelectual. Após ser informado que tal doutrina era inconstitucional, passou a defender a extensão do direito para o maior prazo possível. Seus argumentos? “Eu gosto da extensão [do direito de propriedade intelectual] para cinquenta anos porque isso beneficia minhas duas filhas que não têm competência para ganhar a vida como eu ganho pois eu as eduquei como jovens senhoras que não sabem e não conseguem fazer nada.”

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Jerônima V. Beck

23 de janeiro de 2013 às 23h37

Penso que a Presidenta Dilma esta no Caminho Certo, precisamos mesmo é de
Transferencia de Tecnologia, Um trabalho de Pesquisa. O Brasil precisa mesmo é de EDUCAÇÃO. Um povo Educado com plena Educação para todo o cidadão
Tornam um Pesquisador.

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Palomino

23 de janeiro de 2013 às 22h17

Por que no Brasil os remédios são tão caros? Perguntou-me meu velho pai que gasta com remédios quase 50% de sua magra aposentadoria. Pois é, velho, nosso pais só produz medicamentos sob licença de multinacionais que cobram elevados royalties. Isso além de importar também a matéria-prima que não temos por aqui. É tudo protegido por patentes impostas pelos paises ricos e poderosos. Nosso governo neoliberal e entreguista do passado aceitou acordos internacionais que permitem essa escandalosa fórmula de exploração. Mudar isso é o que se espera de um governo autenticamente soberano.

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    Marcelo de Matos

    24 de janeiro de 2013 às 10h03

    Sem contar que os laboratórios aqui instalados conseguem barrar a entrada de fármacos da Índia e da China, por exemplo.

Dilma: “Nenhum risco de racionamento no curto, no médio e no longo prazo” « Viomundo – O que você não vê na mídia

23 de janeiro de 2013 às 21h51

[…]  Dr. Rosinha: Patentes, uma nova forma de colonização […]

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Marcelo de Matos

23 de janeiro de 2013 às 19h05

Aí está uma boa notícia: http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-01-23/brasil-vai-produzir-insulina-em-escala-industrial Brasil, em parceria com laboratório ucraniano, vai produzir insulina.

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Marcelo de Matos

23 de janeiro de 2013 às 17h56

O PIG gosta de comparar o Brasil com os demais Brics quando a comparação é desvantajosa para nós, por exemplo, quando falam do crescimento do PIB. Há outras comparações que podem ser feitas: 1. Nas olimpíadas de Londres a China ficou em 2º, a Rússia em 4º, o Brasil em 22º e a Índia em 55º; 2. Em termos de edição de livros perdemos de muito para China e Rússia; 3. A Índia tem um desenvolvido parque farmacêutico, enquanto nós importamos remédios e defensivos agrícolas; 4. Na área de telefonia celular o governo esforçou-se para criar uma empresa nacional, mas, nos setores acima citados estamos muito atrasados. O Brasil precisa criar empresas nacionais nos setores de defensivos agrícolas, medicamentos, fertilizantes, etc.

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francisco pereira neto

23 de janeiro de 2013 às 13h12

Antonio Brito, filhote da Globo.

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Eduardo José de Oliveira

23 de janeiro de 2013 às 12h15

Meus respeito ao Dep. Dr Rosinha!
Nenhum interesse deve prevalecer ao direito à vida humana. A indústria farmacêutica só perde, economicamente para a indústria bélica, e ainda assim consegue ser tão impiedosa quanto, pois que, ao limitar o direito a uma sobrevida digna pela via medicamentosa, impõem limites de renda para os que lhes batem à porta em busca de melhoras para uma vida que se debate com a doença e/ou com um possível confronto com a morte iminente. Retomemos nossa estratégica indústria farmacêutica nacional, com direito à vida e como meio de seu prolongamento com dignidade. Senão vamos às quebras de patentes.
Eduardo Oliveira
Farmacêutico Bioquímico

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    Mário SF Alves

    23 de janeiro de 2013 às 19h50

    Eduardo, por gentileza, inclua no universo INDÚSTRIA FARMACÊUTICA a produção de venenos/agrotóxicos/biocidas e sementes transgênicas/OGM de modo geral. É isso que as tornou mega-corporações. Impiedade também no condicionamento ideológico na produção de alimentos. Impiedosos também em relação à ecologia.
    ________________________________
    E la nave va…

Mário SF Alves

23 de janeiro de 2013 às 11h26

Biopirataria e subsequente cobrança de direito de patente sobre modificação genética de espécimes vegetais e animais (organisms vivos); ou, para ser mais sucinto: direito de patente sobre sementes! Você sabe bem o que significa isso, não, ilustre Dr. Rosinha?

__________________________________________________________
A sequência do processo:
1- Os agricultores (quando eles ainda existiam[hoje são quase todos agroindustriais]) levavam milênios para aperfeiçoar as plantas e demais organismos que melhor correspondessem às suas expectativas em relação às necessidades humanas;
2- Com o advento da engenharia genética/biologia molecular, tais organismos, adquiridos, biopirateados ou simplesmente coletados são submetidos às denominados técnicas de melhoramento genético [e Deus sabe por que meios, métodos e atalhos] são postos à venda no mercado. A partir deste ponto é que se inicia este novo modelo de colonização. A semente [não confundir com grão], transgenizada, passa a agregar um novo valor, o custo da patente, e isso, independentemente se ela, a semente, a médio ou longo prazos, se revelar social, ambiental ou economicamente danosa.
_____________________________________________
A sutileza dos “procedimentos tecnológicos” deste “admirável mundo [colonizado] novo” chega ao ponto de idealizar e produzir os chamados TERMINATORS. O nome por si só já assusta, imagine o resto. Em síntese, nada mais nada, menos que a impossibilidade “geneticamente imbutida” de o prudutor/ex-agricultor/agroindustrial reproduzir tal semente. Resumo da ópera: eis aí, de novo, um novo escravo das mega-corporações.
_______________________________________________________
Como chegamos a “tanto”? A TV explica.

Responder

Mardones Ferreira

23 de janeiro de 2013 às 09h45

O doutor Rosinha poderia dizer qual é a proposta do PT para reverter esse quadro. Quem é a favor e contra. Não adianta apenas atirar a pedra nos tucanos, demos e peemedebistas.

Artigozinho mequetrefe este. Santo dios!

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    cláudio

    23 de janeiro de 2013 às 13h35

    Cara ou coroa? Se não fizer nada… é incompetente, se fizer…é quebra de contrato. Não adianta. Acho que a estratégia de não responder a imprensa ‘partidarizada’ e deixar que quebrem a cara é boa.

    Aristharco

    23 de janeiro de 2013 às 17h22

    Pedras são brandas demais, dr. Rosinha devia atirar paralelepipedos nesses entreguistas da pátria.

Lucas Parente

22 de janeiro de 2013 às 22h43

Dessa vez com o link ;)

http://www.youtube.com/watch?v=-xi_4Lc5mqs

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    Fabio Passos

    23 de janeiro de 2013 às 11h40

    Excelente!

    Gabinete de Registros e Patentes dos EUA = Gabinete de Roubo e Pirataria dos EUA

    Todo brasileiro precisa assistir… principalmente os tratados como imbecis pela mídia-corporativa. rsrs

Lucas Parente

22 de janeiro de 2013 às 22h41

Recomendo esse interessante vídeo com a indiana Vandana Shiva, sobre neocolonização e biopirataria.

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Rodrigo

22 de janeiro de 2013 às 22h34

Não fossem as patentes ainda estaríamos morrendo de doenças como varíola.

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    LEANDRO

    23 de janeiro de 2013 às 09h45

    Isso mesmo. Quebrando as patentes os laboratórios vão parar de investir em pesquisa, já que como toda empresa vivem de lucros dessas pesquisas. Então essa pesquisa caberá aos governos que na maioria, como o nosso, não conseguem nem prover o atendimento médico básico. Voltemos aos chás e rezas para curar doenças.

    Nelson

    23 de janeiro de 2013 às 11h08

    Creio que tua observação não condiz bem com a realidade, Leandro.

    Veja o que escreve Jose Manzaneda no artigo “Vacunas de Cuba y Brasil salvan miles de vidas en África, pero los medios solo hablan de las de Bill Gates”:

    ” A mediados del año 2006, la Organización Mundial de la Salud (OMS) lanzó un SOS internacional: necesitaba la producción masiva, al precio más bajo posible, de la vacuna polisacárida contra la meningitis A y C, con destino a 23 países del llamado “cinturón de la meningitis” de África, que se extiende desde el oeste de Senegal hasta el este de Etiopía, y donde viven 430 millones de personas.

    Sólo una empresa transnacional (la “Sanofi Pasteur”) fabricaba estas vacunas pero, debido a su baja rentabilidad económica, había reducido drásticamente sus volúmenes de producción, algo que ponía a África al borde de la emergencia sanitaria.

    La OMS pidió entonces a laboratorios públicos y privados de todo el mundo que dieran un paso al frente y encontrasen la manera de fabricar millones de vacunas baratas. Ninguna multinacional respondió, pero sí lo hicieron dos laboratorios públicos, curiosamente de sendas naciones del Tercer Mundo.

    Esta alianza entre Brasil y Cuba ha permitido fabricar desde entonces 19 millones de vacunas para África, que son adquiridas y distribuidas por entidades como la propia OMS, UNICEF, Médicos Sin Fronteras o la Cruz Roja Internacional.”

    O interessante artigo de Manzaneda pode ser lido em
    http://www.rebelion.org/noticia.php?id=162049&titular=vacunas-de-cuba-y-brasil-salvan-miles-de-vidas-en-%E1frica-pero-los-medios-solo-

Oliveira

22 de janeiro de 2013 às 22h23

Eu vou mais longe. E as doenças criadas em laboratório, para depois de muitas mortes e sofrimento lançarem os medicamentos patenteados para suas curas?

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Urbano

22 de janeiro de 2013 às 20h39

Rapina-se, rapina-se, rapina-se, mas se chegar nas mãos de outros aí vem a patente… Que beleza… A criação seja lá do que for é proveniente de uma mente coletiva que por sua vez recebeu tudo de uma mente superior a todas aquelas. Verifiquem que o tempo vivido aqui para se ter condições de criar as maravilhas, pelo menos para nós, que se criou até hoje é muito pouco; não há como. Os estudos e as pesquisas são tão-somente necessários para se levantar o véu e pegar o que já está pronto. Daí a necessidade em vida de ser remunerado por isso, nada mais. O que alguém “inventou” hoje aqui na Terra foi provavelmente aprendido de forma direta ou indireta de um outro ontem, nesta mesma dimensão ou mesmo em outra qualquer. Afinal, o conhecimento é coletivo e para servir a todos; o resto é rapinagem para beneficiar pseudas raças avançadas. Por exemplo, quem se beneficiou mais da criação do Von Braum? E da criação do Tesla? E da criação do Santos Dumont? Três dentre milhares…

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NIvaldo Eduardo Rizzi

22 de janeiro de 2013 às 19h43

Pois é isto Rosinha.
Mas convenhamos, do Antonio Brito, não se pode esperar outra coisa, mas não dá para o Governo por um dedinho no INPI? Esta coisa de propriedade intelectual quando se refere à Saúde se evidencia melhor. Mas e as outras, tipo, política de produção intectual, incluindo aí a produção de artigos técnicos científicos que o Governo gasta uma grana danada…

Responder

FrancoAtirador

22 de janeiro de 2013 às 19h11

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Curiosidade:

O Brasil continua a importar vacinas de Cuba?
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Responder

    FrancoAtirador

    22 de janeiro de 2013 às 23h21

    .
    .
    América Latina

    Brasil fecha acordo de produção de medicamentos cubanos

    A presidente Dilma Rousseff fechou um acordo, em Cuba, para a transferência de 20 produtos de biotecnologia, um pacote que terá o que há de ponta em termos de medicamentos de tratamento de câncer, transplantes, pé diabético e vacinas. Cuba tem dois grandes centros de biotecnologia.

    A partir de 2013, segundo informou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, as oito maiores empresas brasileiras da área farmacêutica estarão fabricando esses medicamentos no país. As importações com transferência de tecnologia devem chegar aos US$ 100 milhões ao ano. Quando o complexo portuário de Mariel for inaugurado, as empresas devem passar a fabricar também em Havana.

    O acordo conta com o apoio das oito maiores empresas farmacêuticas do Brasil, responsáveis por um faturamento de R$ 8 bilhões ao ano.

    A indústria foi representada na negociação pelo grupo Farmabrasil*, no qual se associaram para tratar de seus interesses corporativos.

    Em setembro, Padilha foi a Cuba com os representantes do grupo Farmabrasil. Na época foram definidos oito produtos que poderiam ser objeto de transferência de tecnologia. São produtos de ponta para o tratamento de câncer, transplantes, pé diabético (complicação que é o principal motivo de amputações no país) e vacinas. “Apenas dois desses produtos consomem 34% do Ministério da Saúde”, disse Padilha.

    Na visita a Havana, Dilma ampliou o acordo: além de produzir no Brasil, os medicamentos também serão fabricados em Cuba, pelas empresas brasileiras, quando o porto de Mariel entrar em funcionamento, o que é previsto para 2014.

    Dilma também firmou mais oito contratos de transferência de tecnologia de produtos para diagnóstico de doenças infecciosas, tratamento de câncer e vacinas. Ficou também acertada a construção, no Brasil, de um grande centro de biotecnologia, com o apoio e a expertise dos cubanos.

    Atualmente, o Brasil importa cerca de US$ 80 milhões de Cuba, US$ 50 milhões na área farmacêutica, na aquisição de apenas dois produtos. Com os acordos, o país passará a importar US$ 100 milhões, com transferência de tecnologia. Mas em contrapartida espera exportar US$ 200 milhões ao ano, pois os produtos serão fabricados no Brasil. “Vamos baixar o preço dos medicamentos, ter acesso a uma tecnologia de que não dispomos e ainda ganharemos com a exportação”, disse Padilha.

    Na conversa que teve com o ex-presidente Fidel Castro, o comandante da revolução cubana deu dois livros para a presidente brasileira, um deles a sua própria biografia como o “guerrilheiro do século”. Dilma deu chocolates a Fidel. O ex-presidente de Cuba, aos 85 anos, se locomove com alguma dificuldade, ainda devido a uma queda, há alguns anos. Ao ver Dilma, Fidel disse que achava que a presidente era mais baixa. O ex-presidente também afirmou que a obra do porto de Mariel era a maior em realização em Cuba, desde 1959 (ano da revolução).

    *(http://www.acessorevista.com.br/acesso.php?edi=336)

    Fonte: Valor Econômico, editado pela Agência Petroleira de Notícias.

    http://www.apn.org.br/w3/index.php/america-latina-brasil/4039-brasil-fecha-acordo-de-produ-de-medicamentos-cubanos

Fabio Passos

22 de janeiro de 2013 às 18h46

Estupidez e servilismo foi a grande marca do (des)governo do presidente joaquim silvério dos reis (vulgo fhc) do psdb.
Reparem que é exatamente por ficar de quatro diante dos interesses das nações superdesenvolvidas que os capachos assumidos de classe média mal (in)formada do Brasil adoram fhc.

É indecente aceitar que corporações capitalistas inescrupulosas se apropriem de parte do conhecimento humano para garantir lucros pornográficos a meia dúzia de acionistas.

As nações superdesenvolvidas querem garantir sua posição de supremacia sobre os demais povos do planeta e impõe barreiras econômicas ao desenvolvimento das nações subdesenvolvidas.
Evidente que a propriedade intelectual, na verdade apropriação indébita(roubo!!!) de parte do conhecimento humano, é uma forma de dificultar o desenvolvimento das nações pobres e assim perpetuar a atual ditadura de uma diminuta “elite” branca e rica no planeta.

O conhecimento humano pertence a toda a humanidade.
O acesso e uso deste conhecimento deve ser ilimitado.

Responder

Nelson

22 de janeiro de 2013 às 18h09

Um governo que se disponha a cumprir sua função de desenvolver seu país de forma autônoma, livre e soberana, para, desta forma, elevar o padrão de vida de seu povo, certamente, não vai assinar acordo do tipo citado pelo deputado. Se, em última instância, o fizer, vai procurar evitar ao máximo algum prejuízo à nação.

É por essas e por outras que os países que estão no topo deploram governos como o de Hugo Chávez, Mahmoud Ahmadinejad, Rafael Correa, Fidel Castro, Evo Moráles e outros. Esses governos, em maior ou menor grau, vão impor dificuldades e restrições no sentido de protegerem suas economias e seus setores produtivos para que estes não sejam “varridos do mapa”. O melhor para os países que estão no topo são os governos plenamente subservientes: já os tivemos “às pencas” no Brasil e na América Latina.

As patentes são uma forma de garantir lucros quase eternos às grandes empresas do primeiro mundo, que são as que têm maior capacidade de investimento em pesquisa e tecnologia, até porque recebem gordíssimos subsídios públicos para isso.

Responder

    Fabio Passos

    22 de janeiro de 2013 às 18h51

    fhc colocou o Brasil de joelhos diante das imposições das nações superdesenvolvidas.

    Maldito seja o PiG e seus militantes. lacaios! Capachos!
    Esta corja de safados entreguistas defende até hoje o neoliberalismo.

    Nelson

    23 de janeiro de 2013 às 17h50

    É isso mesmo, Passos.
    Eu tenho dito que o governo FHC nos deixou genuflexos diante do grande capital nacional e estrangeiro. Dessa posição, só conseguiremos escapar em muitas décadas e, ainda assim, com muita vontade e espírito de entrega à construção de um país digno para todos, Ou seja, precisamos de um ambiente em que o individualismo seja cada vez mais deixado de lado, em prol do interesse coletivo.
    Como, no momento essa visão “comunitária” está, digamos, em baixa, temo que nunca mais consigamos deixar essa posição incômoda que nos legou o “Farol de Alexandria”.

lulipe

22 de janeiro de 2013 às 17h58

O que fez o PT para mudar isso, já que está no poder há mais de 10 anos???

Responder

Willian

22 de janeiro de 2013 às 17h53

Por que as grandes indústrias farmaceuticas investem tanto dinheiro em pesquisas de remédios? Para curar as pessoas? Não! Para ganhar dinheiro curando as pessoas. Caso elas não possam ganhar dinheiro curando as pessoas, por que investiriam tanto dinheiro em pesquisas de remédios? Bem, não investiriam. Aí, caberia a quem estas pesquisas? A governos que tivessem dinheiro, eu acho.

E aí, meus caros, remédio é poder!

Responder

    Nelson

    23 de janeiro de 2013 às 10h59

    “Remédio é poder”. Você está correto William.
    Por isso mesmo que a questão da saúde, remédios aí incluídos, merece rigoroso controle público. Um controle plenamente democrático e transparente, bem o oposto do que querem e aceitam as megacorporações da indústria farmacêutica.

Nabor

22 de janeiro de 2013 às 17h36

Ssó verdades, nada mais.

Responder

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