VIOMUNDO

Diário da Resistência


Denúncias

Denise Niy: Mais um desserviço da Veja


28/09/2011 - 19h57

por Denise Niy

Como mulher, mãe e ativista do parto ativo, porém, sinto-me na obrigação de denunciar mais um desserviço prestado pela Veja, na matéria publicada recentemente sob o título “Parto domicilar: quando o risco não é necessário”. Como sempre, a matéria abunda em julgamentos baseados em ignorância e mentiras.

Bem, não preciso me alongar, pois felizmente já foi publicada uma outra matéria que traz excelente contraponto à Veja, com bases firmes na ciência, na informação e na cidadania:

http://guiadobebe.uol.com.br/parto-domiciliar-refletindo-sobre-paradigmas/ Porém, é evidente que o canal de publicação deste contraponto tem muito menos visibilidade que a Veja e por isso sugiro a divulgação desse texto de autoria da Dra. Melania Amorim.

Muito obrigada!

*****

Trecho:

“Quando começamos a escrever esta coluna para o Guia do Bebê, em 2010, nosso primeiro artigo abordou um assunto que começava então a despertar o interesse da mídia brasileira: o parto domiciliar. Na oportunidade, revisamos as evidências científicas disponíveis e concluímos que o parto domiciliar, uma realidade frequente em outros países, como Holanda, Inglaterra e Canadá, representava uma alternativa segura para as gestantes de baixo risco, resultando em menor taxa de intervenções como episiotomia, analgesia, operação cesariana e parto instrumental (fórceps e vácuo-extrator), sem aumento do risco de complicações para mães e bebês. Destacamos a publicação, em 2009, de um grande estudo de coorte comparando mais de 500.000 partos domiciliares ou hospitalares planejados em gestantes de baixo risco, no qual não se verificou diferença significativa no risco de morte fetal intraparto, morte neonatal precoce e admissão em unidade de terapia intensiva (UTI) neonatal.

Interrompendo temporariamente nossa série de artigos sobre Parto Normal vs. Cesárea, voltamos agora a abordar este tema, que recentemente retoma a atenção da mídia despertando intensa polêmica, depois da publicação de matéria online no site da maior revista de atualidades brasileira, com o título sensacionalista “Parto domiciliar: quando o risco não é necessário”. Depois de publicar uma controvertida matéria sobre os milagrosos efeitos de uma medicação antiobesidade que não é aceita pela comunidade científica com esta finalidade a revista volta a fazer incursões na área de saúde, mas desta vez em paz com os “conselhos de medicina”, ao alertar que o parto domiciliar estaria expondo mulheres e crianças a “complicações que podem ser graves”.

À parte considerações puramente semânticas às quais não iremos nos ater, a matéria presta um desserviço à população com suas afirmações categóricas e sem embasamento científico, em que se confundem mau jornalismo e julgamentos apressados, além de um amontoado de lugares-comuns, como exemplificado no seguinte trecho do primeiro parágrafo: “Depois da revolução pela qual a medicina passou no século 20, hospitais tornaram-se lugares mais seguros e indicados não só para tratamento de doentes, como para o nascimento de crianças. É regra que, dadas as condições, não faz mais sentido realizar um parto dentro casa, sujeito a problemas com consequências potencialmente desastrosas que poderiam ser resolvidas em um hospital. Regra, no entanto, que algumas mulheres moradoras de grandes centros urbanos, com todas as condições de usufruir desses avanços da medicina, questionam e ignoram. Essas mulheres defendem o parto à moda antiga, dentro de casa.”

Ora, quem ditou essa regra que as transgressoras “moradoras de grandes centros urbanos” resolvem agora “questionar e ignorar”, defendendo o “parto à moda antiga”? Por que a revista afirma que hospitais são os “lugares mais seguros e indicados não só para tratamento de doentes, como para o nascimento de crianças”? Por que os representantes de conselhos e sociedades batem tanto na tecla de “riscos eminentes”? Seriam os riscos tão importantes assim ou foi somente um erro de grafia?”

Leia também:

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A mídia descontrolada: Episódios da luta contra o pensamento único
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Por Laurindo Lalo Leal Filho



16 comentários

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foo

29 de setembro de 2011 às 11h56

Ajudem a divulgar a campanha contra a Veja:
http://oi54.tinypic.com/2z85ajc.jpg

Responder

Gerson Carneiro

29 de setembro de 2011 às 11h52

Indico @JornalismoHomer – A voz do PIG na sua TL !

"Não penso; não existo; só assisto! Nascido no dia em que o casal 45 orgulhosamente exibiu o gEmmy do Jornal Emocional."

Deu no @JornalismoHomer

@JornalismoHommer "@Veja Computador consegue escrever notícias sozinho"

É o computador da Veja!

O Azenhão vai perder o emprego.

Responder

Polengo

29 de setembro de 2011 às 11h52

É que a veja, tadinha, quando fez seu parto em casa, naceu ninguém menos que josé serra.
Aí, no quesito "experiência própria" a coisa vai mal.

Responder

Paulo

29 de setembro de 2011 às 10h41

Eu detesto a Veja, mas neste caso eu acho que ela tem razão. O parto normal em casa é seguro se tudo correr bem, mas em caso de uma emergência em que um pronto atendimento para a mãe ou o bebê se fizer necessário? porque arriscar vidas humanas?´Acho um risco desnecessário. O melhor é humanizar as maternidades.

Responder

    Aline C Pavia

    29 de setembro de 2011 às 11h24

    Parto NÃO É ato hospitalar ou cirúrgico.

    Parto é ato FISIOLÓGICO. Complicações de verdade são 5%. O resto das 95% mulheres PODEM SIM ter parto normal ONDE QUISEREM.

    Isso só mudou de 50 anos pra cá. O resto da história, desde 300 mil anos quando descemos das árvores e andamos em cima de 2 patas e não mais em 4, parimos pela vagina, com dor. E daí?

Caracol

29 de setembro de 2011 às 03h01

Ao ler a citada revista qualquer individuo corre um risco "eminente", por se tratar de um risco "importante": um risco igualmente "iminente", ou seja, de "acontecimento imediato" de parir um ouriço domiciliar ou hospitalar, mesmo não tendo ficado previamente grávido, pois a citada revista emprenha o cérebro dos incautos.

Responder

edv

29 de setembro de 2011 às 00h40

Não li, mas suponho que possa ser algum tipo de lobby (remunerado, obviamente), para maternidades…

Responder

    Aline C Pavia

    29 de setembro de 2011 às 09h30

    No Brasil SUS e convênios pagam ao médico 500 por cesárea e 100 por parto natural.
    Na Europa e EUA um médico que tenta fazer uma cesárea eletiva pode ir para a cadeia e ter seu registro de médico cassado.
    Aqui no Brasil, nós, grávidas, num dos momentos mais importantes e sublimes de toda nossa vida, somos meramente moeda de troca.
    Até parece que um médico obstetra vai querer ficar 5, 8, 12 horas acompanhando aquela "mulher que berra, sua e fica descabelada" durante o trabalho de parto. Ele não estudou para isso. Não é mesmo?

    Veja cumpre bem seu papel de espalhar a desinformação e de quebra levar o seu por fora no mole de alguns muito interessados em manter esse status quo.

    Aline C Pavia

    29 de setembro de 2011 às 09h30

    Hoje parto é aquele corte enorme, invasivo, mutilante, com a mulher tranquila e serenamente anestesiada e amarrada na maca, olhando sorridente para uma câmera que transmite ao vivo para sua família assistir no telão da sala de espera. Há uma epidemia de crianças forçadas a nascer antes do tempo por causa da insistência em bobagens como "38 semanas" e "não teve dilatação". E os partos na TV e nos filmes são como? Berreiro e banho de sangue, como se aquela mulher fosse morrer num altar de sacrifício.

    Que ano é hoje? É 2011 mesmo? Sem mais comentários.

    Vinícius

    29 de setembro de 2011 às 10h25

    Aline, não sei se foi uma decisão estadual ou nacional, mas aqui pelo menos o Conselho de Medicina está obrigando os médicos a cobrarem por fora pelo parto (não pode mais aceitar só a grana do plano). Mas você não precisa pagar a mais pra ter o parto com os médicos do plantão.

    Acontece que médico de plantão = cesárea. Todo mundo sabe disso. E médico próprio = nhenhenhém de vamos ver e na hora cesárea… mas agora é assim, se você quer ter uma chance mínima de ter parto normal em q pagar por fora!

    Mas no SUS a natureza é respeitada, com oxitocina na veia e bisturi na vagina…

    Aline C Pavia

    29 de setembro de 2011 às 11h23

    Falou e disse! Obrigada.
    O ministério da saúde finge que regulamenta cesáreas e o SUS finge que diminui e todo mundo fica feliz.
    O Madre Teodora aqui em Campinas tem uma faixa de 1 parto natural para 200 cesáreas, daquelas cor-de-rosa do telão.

    susu

    29 de setembro de 2011 às 10h51

    E se acontecer uma atonia uterina? Chama a ambulância UTI? Melhor se já estiver parada na porta de casa…

    Aline C Pavia

    29 de setembro de 2011 às 11h26

    Quantas atonias uterinas, mecônios, cordões no pescoço, bolsas rotas e estiramentos de períneo acontecem, DE FATO, na vida real?

    Aquelas índias e ribeirinhas que parem na beira de rios e taperas TODOS OS DIAS não podem fazê-lo então? Estão todas condenadas à morte e serão excomungadas por simplesmente parirem, seja domiciliar, seja desassistido?

Carlos Cruz

28 de setembro de 2011 às 21h24

O que mais me revolta é que AINDA tem pessoas que leem e compram esse lixo. Quem le e compra, acredita no que está escrito ou é &*$#@% ou %¨&*@#! Quem faz um ato de pura $%#@& como esse merece os erros e desacertos indicados pelo tal lixo. Eu não leio. Meu tempo é muito precioso!

Responder

    Paulo Roberto

    03 de outubro de 2011 às 18h03

    Pior que isso, Carlão: tem gente que ainda defende essa porcaria…

@dedozuka

28 de setembro de 2011 às 20h21

que fora da Veja! Vai na contra,ão do que acabei de ler na UOL: "Iphan estuda classificar parteiras de Pernambuco como patrimônio nacional" http://noticias.uol.com.br/cotidiano/2011/09/26/i

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