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DCE da Unifesp quer saber: Quem matou o Ricardo?
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DCE da Unifesp quer saber: Quem matou o Ricardo?


07/08/2013 - 17h03

do DCE da Unifesp

O Diretório Central dos Estudantes da Universidade Federal de São Paulo vem a público relatar e se posicionar diante dos fatos ocorridos desde quarta-feira na Vila Mathias, em Santos-SP.

Na quarta feira, 31/07, Ricardo Ferreira Gama – funcionário terceirizado da Unifesp Baixada Santista – após responder a uma ofensa feita a ele, foi agredido pela polícia em frente da Unidade Central, na Rua Silva Jardim. Alguns estudantes agiram verbalmente em defesa de Ricardo e foram ao 1º DP, aonde os policias afirmaram que levariam o funcionário.

Chegando lá, os estudantes foram informados que Ricardo fora levado ao 4º DP. E no 4º DP, que eles estariam na Santa Casa. Ou seja, eles estavam sendo despistados. De volta da Santa Casa, onde realmente estavam os policiais e o funcionário, foram avisados pelos próprios policiais que cometeram a agressão que o rapaz tinha sido liberado e que estava tudo resolvido. Ele não teria feito Boletim de Ocorrência, pois “admitiu” que não fora agredido.

Um dos estudantes quis, ele próprio, abrir um Boletim de Ocorrência e, a partir disso, começou a ser intimidado pelos policiais. Assustados, os estudantes foram embora sem abrir o B.O.

Chegando na Unifesp, os estudantes foram procurados pelo Ricardo que disse ter sido procurado em sua casa pelos policiais dizendo que se estudantes não parassem de ir à delegacia, eles “resolveriam de outro jeito”.

Na quinta-feira (01/08) à noite, viaturas com homens não fardados de cabeça pra fora rondavam a Unifesp. Pessoas também chegaram a ir pessoalmente na Unifesp pedir a funcionários vídeos que estudantes teriam feito da agressão, e disseram que se ele não entregassem, “seria pior”.

Pois, mesmo com o passo atrás em relação ao Boletim de Ocorrência e sem nenhum vídeo publicado, na madrugada de quinta para sexta-feira (02/08) quatro homens encapuzados mataram o Ricardo na frente de sua casa com oito tiros.

Na segunda-feira, 05/08, houve uma roda de conversa no campus sobre o caso puxada pela Congregação. A direção teve momentos vergonhosos, dizendo, por exemplo, que “o caso aconteceu da porta pra fora”, ou ainda, sob risos, que “os terceirizados são tratados da mesma forma que os demais servidores”.

Isso acontece num contexto em que o país ainda se pergunta “Onde está o Amarildo?” e em que a Baixada Santista enfrenta grupos de extermínio matam a juventude com um único critério: a vítima é pobre, preta e periférica.

Sabemos que a polícia não garante a segurança da maioria da população. Pelo contrário, sendo um dos braços do Estado, ela institucionaliza o controle social e exerce a repressão contra os trabalhadores, principalmente os negros e pobres.

As políticas de segurança pública criminalizam qualquer ato resistente às imposições que seguem a lógica do mercado, suas elites e do governo. Não é essa segurança que queremos, que nos oprime, reprime e nos explora! Defendemos a desmilitarização da policia e uma segurança publica a serviço dos trabalhadores e não das propriedades privadas!

O Diretório Central dos Estudantes não se calará e se manterá em luta, junto da comunidade acadêmica e da classe trabalhadora contra a truculência e a violência policial contra a população pobre e trabalhadora.

Não nos calaremos até que seja respondida a pergunta: QUEM MATOU O RICARDO? E até que o Estado seja responsabilizado pelos seus crimes.

06 de agosto de 2013
Diretório Central dos Estudantes da Universidade Federal de São Paulo

 Leia também:

Angelina Anjos: A importância de desmilitarizar a PM

Conceição Lemes: A estranha “amnésia” de Messias





10 comentários

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Jose Mario HRP

09 de agosto de 2013 às 07h11

O MP de Santos já está no caso.
A coisa não será mais abafada.

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leprechaun

08 de agosto de 2013 às 07h46

o problema é que só os praças são presos, quando são….não há mais o que fazer, a única solução é dissolver a PM, a polícia civil, federal, e pensar outra forma de seg, públca; os entes do estados são os principais responsáveis pela existência e continuação da criminalidade em todos os âmbitos, aliada aos grupos de extermínios que sempre existiram no Brasil; aliás há uma simbiose entre criminalidade e poder que até ajuda a reprodução do sistema

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Jose Mario HRP

08 de agosto de 2013 às 07h35

O campus da Unifesp Santos está aterrorizado, e republicas foram invadidas sem mandado, para aterrorizar os alunos!
Santos é terra sem lei!
Minha terra……

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Heitor

07 de agosto de 2013 às 19h31

quem matou Ricardo são os mesmos que mataram a família em São Paulo, ou seja, em nenhum dos casos foi uma criança de 13 anos ^^

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abolicionista

07 de agosto de 2013 às 19h30

São os assassinos uniformizados que mantêm o apartheid brasileiro operante, para orgulho governista.

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renato

07 de agosto de 2013 às 17h34

Quem Matou o Ricardo? São Paulo
Tem alguma coisa haver com :
Onde está Amarildo? Rio de Janeiro
Assim não chegaremos a lugar nenhum!!!!

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renato

07 de agosto de 2013 às 17h31

Esta correndo isto na net. É verdade!!!!
Tem haver com a baixada Paulista!!!!
Se tem haver, ( não duvido), alguma coisa tem que ser feita, imediatamente
por que senão eles desaparecem, como camaleôes.
http://revistaforum.com.br/blog/2013/07/exclusivo-em-entrevista-policiais-revelam-como-agem-os-grupos-de-exterminio-em-sao-paulo/

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Fabio Nogueira

07 de agosto de 2013 às 17h22

1 – Quantas pessoas foram mortas por meio desse mesmo “modus operandi” no Estado de São Paulo?
2 – Quantos PMs e ex-PMs já foram presos por participação em quadrilhas que explodem caixas eletrônicos?

Me parece que isso mostra o tamanho do problema dentro da PM paulista. Certamente não é uma simples disputa entre dois grupos (os que formam grupos de extermínio e os que atuam a mando de facções). Se eu pudesse fazer uma aposta, eu apostaria que a coisa é bem mais complexa: todos atuam em nome de um mesmo grupo. A complexidade, me parece, estaria em que eles não se reúnem em assembleia para escolher delegados para congressos etc, mas são células que se desfazem com a rotatividade e circulação que é própria de seu trabalho. [Se há os que não se envolvem? Tenho certeza que sim, e são a maioria, mas essa maioria não é hegemônica, nem no comando].Sei lá, é só um chute.

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