Capitalismo à brasileira: Estado garante lucro privado no Mineirão

Tempo de leitura: 3 min

O futebol de bastidor em Minas Gerais

Não existe chance de derrota financeira para o consórcio

por Leonardo Dupin, na edição mineira do Brasil de Fato

A suposta multa dada pelo governo mineiro ao consórcio Minas Arena, que administra o Mineirão, começou a ser paga.

Por ter deixado os torcedores de Cruzeiro e Atlético sem água, sem comida e por não ter aberto o estacionamento no horário prometido na reinauguração do estádio, o consórcio terá que pagar cinco prestações no valor de R$ 200 mil. Foi o que afirmou o secretário da Secretaria Extraordinária da Copa do Mundo (Secopa), Tiago Lacerda, em audiência pública realizada em 16 de abril.

Mas o que representa essa multa? Será um cartão amarelo por incompetência administrativa ou uma justificativa pelas críticas recebidas?

Para entendê-la é preciso conhecer os jogadores e as regras do futebol mineiro, quando a partida acontece nos bastidores. O governo do estado e o consórcio Minas Arena têm sido os principais jogadores e vêm trocando passes.

Para ter direito a operar o Mineirão por 25 anos, o Minas Arena teve que investir R$ 654,5 milhões no estádio, dos quais recolheu do BNDES R$ 400 milhões.

Porém, antes disso, houve outros gastos pagos pelas três empresas que compõem o consórcio Minas Arena (Egesa, Construcap e Hap Engenharia), pouco divulgados. Juntas, essas três empresas doaram para campanhas políticas nas duas últimas eleições, em 2010 e 2012, um montante de R$ 25 milhões. Só para o PSDB mineiro, que governa o estado, foram mais de R$ 6 milhões.

Na eleição municipal do ano passado, o time que recebeu a maior bolada foi o PSB, do prefeito reeleito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda.

Segundo o TRE, R$ 1,540 milhão — mais da metade dos R$ 2,9 milhões que as três empresas doaram — teve como destino os cofres do partido. Lacerda entrou em campo para disputar a reeleição, com apoio do PSDB e seus jogadores mais importantes, o governador Antonio Anastasia e o senador Aécio Neves. Os dois tucanos atuaram na marcação, demovendo dois possíveis adversários eleitorais do prefeito. Délio Malheiros (PV) entrou para o time de Lacerda e se tornou vice-prefeito.

Já Eros Biondini (PTB), aguentou o banco de reservas e após as eleições foi nomeado secretário do governo Anastasia.

Porém, a contratação de meio campo mais interessante do governador tucano, foi a de Tiago Lacerda (filho do prefeito Marcio Lacerda). Ele tornou-se secretário da Secretaria Extraordinária da Copa do Mundo (Secopa), responsável por gerenciar um generoso contrato assinado entre o governo e o Minas Arena.

No mundo da aclamada livre economia de mercado tucana, não existe chance de derrota financeira para o consórcio, uma vez que o contrato assinado impossibilita o prejuízo para a empresa (o mesmo não acontecendo com os cofres públicos).

Durante o período de concessão do estádio, o Minas Arena terá um retorno garantido, que vai variar de acordo com seu desempenho financeiro. Por exemplo, se o negócio não render lucro, o governo repassa ao consórcio um valor mensal que pode chegar até R$ 3,7 milhões por mês.

O contrato assinado estabelece uma faixa de garantia, se o negócio rende até R$ 2,59 milhões por mês, o governo completa a diferença entre R$ 3,7 milhões e R$ 2,59 milhões.

Enquanto paga cinco parcelas de R$ 200 mil referentes à multa, o Minas Arena recebe uma quantia mensal do Estado, que pode chegar a ser 18 vezes maior, durante esses 25 anos.

Assim, ainda que o estádio permanecesse fechado, o faturamento do consórcio nesse período iria passar de R$ 1,1 bilhão.

No mundo do futebol mineiro, políticos e empreiteiras fazem um jogo de cartas marcadas, onde a mídia discute a venda do tropeiro e oculta os grandes lances.

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Comentários

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Bernardino

Um povo que perde seu tempo assistindo a jogos de futebol, merece ter seu dinheiro roubado.
Responder FRASE perfeita INGMAR,merece ser espalhada por todos os blogs na nossa cultura portuguesa vive-se de PATRIOTADA so na copa do mundo se é patriota.Lembro -me o COLLOR tomou o dinheiro de todo mundo ficaram em CASA Bovinamente.Comvoca um movimento de protesto contra corrupçao e violencia nao vão MIL.Coloca a GRETCHEN com a bunda de fora vai 10 mil com apoio da midia Bandida!!È um povo despolitizado e sem vergonha,alias um amigo me dizia: A MASSA É CRETINA e a MIDIA a Emburrece ainda mais!!!

edaurdo.

Embora nao seja especifico do Mineirão, os estádios novos nao fazem mágica quanto ao futebol que hoje se joga no Brasil.
É preciso gostar de rasgar dinheiro para se pagar para ver um jogo de futebol no Brasil, mesmo os chamados clássicos. São peladas, se tivermos boa vontade.

Marcelo Pinheiro

A fotografia que ilustra o post é uma montagem. Foi inserido o lay-out da nova arena sobre uma foto aérea do antigo Mineirão. Para construir a arena monstrenga mais de 100 árvores, muitos frondosos flamboyants, foram derrubadas no entorno do estádio. Um verdadeiro crime ambiental que transformou o local em um deserto de concreto. Verde assim só falsificando a imagem. Era só o que faltava …

Ingmar

Um povo que perde seu tempo assistindo a jogos de futebol, merece ter seu dinheiro roubado.

Marcelo Figueiredo

E a coisa é pior do que parece. Vejam os pagamentos que totalizam 81 milhões que o governo de Minas fez à gang do Minas Arena em Março deste ano.

http://migre.me/eLpJ1

Nelson

Sem surpresas. A iniciativa privada – leia-se grandes empresários – segue mostrando o quanto é pujante, quando irrigada com fartos recursos do erário. Erário que podemos também identificar como a “vaca de divinas tetas”, onde esses empresários podem se fartar em lucros.

Mardones

Em qual campo as ‘privadas’ perdem? k k k k

Zé Dirceu: A militância da Folha contra o Mercosul – Viomundo – O que você não vê na mídia

[…] Capitalismo à brasileira: Estado garante lucro privado no Mineirão […]

NONONONONO

nononono

Eduardo

Minas Arena,Centro Administrativo e MG Bh/Confins e Boulevard Arrudas ,dá para financiar campanhas p/ Presidente,Governador e Prefeito.É só dividir certinho que ainda sobra p/ todos!

Murdok

Faltou um detalhe desse jogo: a transmissão da globo com o Galvão Bueno na frente aos berros, vai que é tua Aécio.

Mauro

O autor se esqueceu que se ele trocar a legenda PSDB por PT o resultado é o mesmo!!!!
E o que falar da Chauí que se esqueceu que o PT é um partido formado por sindicalistas e cumpaheiros aburguesados (dirigindo Cherokees) com as caracteristicas mais genuinas da classe média brasileira(arrogância, amoralidade)!!! Ai caramba!

    Julio Silveira

    É, essa verdade nenhum petista sobrio pode negar.

Julio Silveira

Essa questão não é só mineira, também é, mas principalmente é cultural nacional.

Alexandre Tambelli

Lembrando que o Atlético Mineiro não joga na Minas Arena, porque o custo cobrado pelo consórcio para o time jogar no estádio não compensa. Ontem, nem o Cruzeiro jogou lá! Foi jogar no Independência, como faz o Atlético Mineiro quando joga em casa.

    Guilherme

    O Cruzeiro não jogou lá porque o Mineirão já está entregue à Fifa para a Copa das Confederações. O Atlético-MG não joga lá por opção.

J Souza

E na “concessão” das ferrovias, como foi a “jogada”? Fala ai, Bernardo Figueiredo!

“Figueiredo explicou que o modelo do edital previsto pelo governo, no qual a Valec compra toda a capacidade de operação, tem como objetivo possibilitar um preço de acesso mais competitivo e atrair um maior número de investidores.” (Agência Brasil)

    Dialética

    Cada vez mais os textos dos burocratas nas 3 (tres) esferas estão mais cheios de palavras vazias, frases bobas e perídos sintáticos longos demais. Não são bobos não…

Marcelo de Matos

Dá arrepios pensar na enormidade de dinheiro que o estado gasta para a manutenção de estádios. Os arrepios são maiores quando pensamos na dívida dos clubes, hoje por volta de R$ 4,6 bi. E pensar que nós, contribuintes, acabaremos pagando essa dívida. Quando Carlos Lacerda assumiu o governo do Rio, no início da década de 60, ficou surpreso com o estado de abandono em que se encontrava o Maracanã. Parte substancial das verbas públicas foi reservada para recuperar o estádio. Não é essa, porém, a função do estado. O futebol, tanto para a manutenção dos estádios, quanto para o que mais for, tem de ter verba própria. É assim no velho mundo e deveria ser assim aqui. FHC tentou aprovar a Lei Pelé, que criava o futebol empresa, mas, teve que enfrentar a oposição, na época capitaneada pelo PT e a poderosa bancada da bola. Como era de seu feitio, à menor dificuldade desistia da empresa. E cá estamos com o futebol vivendo a era pré-capitalista. O estado escorando daqui e dali e os clubes exportando seus craques. Enquanto isso só dá Bayern e Barcelona.

Governo Alckmin acaba com aulas de Geografia, História e Ciências – Viomundo – O que você não vê na mídia

[…] Capitalismo à brasileiro: Estado garante lucro privado no Mineirão […]

willian

Humm… Parece que só estádios em estados da oposição terão problemas. Aguardemos.

Thiago moraes

Segundo estudos do vereador Gilson Reis (PCdoB), as multas aplicadas à Minas Arena deveriam ser de, no mínimo, R$ 4,5 mi. O estudo foi baseado na análise do contrato de PPP, que define em R$ 100 mil reais diários a multa ém função de atrasos para a finalização de itens fundamentais ao funcionamento do estádio, como as instalações hidro-sanitárias, para ficar em um único exemplo. E ainda não se sabe como será a contabilização desta multa, pois como há a garantia de lucro mínimo de R$ 2 milhões mensais para a Minas Arena, há o risco do valor da multa ser retornado aos cofres da empresa.
Capitalismo sem risco, só para amigos, esse é o choque de gestão tucano em Minas!

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