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Altamiro Borges: Até a EBC aderiu à pregação por mais juros
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Altamiro Borges: Até a EBC aderiu à pregação por mais juros


13/01/2014 - 13h41

Mídia rentista exige mais juros

Por Altamiro Borges, em seu blog

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central realiza a sua primeira reunião deste ano nesta terça e quarta-feira. Como já virou rotina, a mídia rentista usa toda a sua artilharia para fazer terrorismo econômico e exigir um novo aumento da taxa básica de juros, a Selic.

Nos últimos dias, a Globonews teve o descaramento de falsear uma tabela da inflação; já os jornalões evitaram realçar que o índice ficou abaixo do teto da meta em 2013 e insistem no risco da “explosão inflacionaria”.

A ofensiva midiática serve aos interesses mesquinhos dos banqueiros e rentistas e, novamente, tende a obter vitória, em detrimento da sociedade que terá retração da economia e contenção do ritmo de emprego.

A própria Agência Brasil, de uma empresa pública de comunicação (EBC), decretou nesta segunda-feira (13) que “a Selic deve subir 0,25 ponto percentual na reunião do Copom desta semana… A expectativa é das instituições financeiras consultadas semanalmente pelo Banco Central”.

O sítio, que deveria ser um pouco mais crítico, afirma que o aumento da Selic visa “conter a demanda aquecida e isso gera reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança”.

Ele só não explica que o aperto monetário eleva a dívida pública e reduz o crédito e o consumo na sociedade, o que tem efeitos perversos sobre a produção e a geração de novos empregos.

Para criar o clima que justifique uma nova alta dos juros, a mídia rentista não vacila na sua “guerra psicológica”.

Os tais “analistas do mercado”, nome fictício dos porta-vozes dos banqueiros que lotam as redações dos jornais e telejornais, garantem que a inflação está fora do controle e “pode” levar a economia ao caos.

Este terrorismo fez com que o acovardado Banco Central elevasse a Selic em 2,75 pontos percentuais no ano passado.

A medida amarga não retraiu os preços conforme a falsa promessa, mas teve péssimo efeito sobre o crescimento da economia em 2013.

Mesmo assim, os rentistas exigem mais juros.

Na prática, eles querem retrair o consumo, rebaixar os salários e elevar a taxa de desemprego.

Na visão do capital, este cenário ideal é que garantiria a tão cobiçada “competitividade” da economia.

“Baixa de custos salariais e provavelmente outros ganhos de eficiência tornaram boa parte do mundo mais ‘competitivo’ em relação ao Brasil, que fica cada vez mais caro”, argumenta, no maior cinismo, o colunista Vinicius Torres Freire, da Folha.

Até parece que os EUA, a Europa e o Japão vivem num paraíso.

Para ele, o “consumo demasiado e o desemprego baixo” ajudam a explicar a persistência da inflação no país, mesmo reconhecendo que a tese de que a inflação saiu do controle “é óbvio exagero tolo ou desconversa”.

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21 comentários

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FrancoAtirador

14 de janeiro de 2014 às 20h17

.
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“Nós temos concorrentes e precisamos trabalhar pensando em tomar índices de audiência da concorrência.
Não adianta ficar pregando para convertidos, fazendo coisas chatas de que só nós gostamos.
E além de ampliar a nossa audiência precisamos fidelizar esse novo público que conquistarmos.
Boni, ex-diretor da Globo, resumiu isso da seguinte forma: a TV Brasil tem que ser uma Globo com conteúdo diferente, tem que se apropriar da mesma linguagem com outro conteúdo.”

Nelson Breve, Presidente da EBC

(http://www.sul21.com.br/jornal/o-campo-publico-de-comunicacao-tem-que-mudar-a-cabeca-defende-presidente-da-ebc)
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Alguma coisa deu errado:

A EBC imita a Globo até no conteúdo.
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Leia também:

(http://www.ebc.com.br/sobre-a-ebc/sala-de-imprensa/2012/02/integra-da-entrevista-do-presidente-da-ebcnelson-breve-a-folha)

Atente para a ‘laicidade’ da EBC…
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Responder

Márcio Gaspar

14 de janeiro de 2014 às 16h05

“A ofensiva midiática serve aos interesses mesquinhos dos banqueiros e rentistas e,(…)”

Não só, acredito, aos interesses dos banqueiros e rentistas, mas aos interesses dela mesma, pois grandes grupos de mídia do país, que se tiveram as suas contas abertas verão que grande parte de seus investimentos estão aplicados em capital especulativo, e que ganham muito dinheiro com a política de juros altos. É meno oneroso ter ganhos especulando do que manter jornais com jornalistas empregados.

Responder

sergioa

14 de janeiro de 2014 às 13h45

E devido a este covardismo, que eu que sempre votei no PT e somente no PT, nesta eleição já decidi votar nulo. Talvez meu voto não faça falta ao PT. Mas não dá mais para se indispor com amigos e familiares para defender o PT. Apesar de acreditar que os governos do PT fizeram muitas coisas boas, não dá mais para confiar neles no que tange a coragem de mudar os paradigmas. Cada dia mais eles parecem um governo neo-liberal, cedendo e cedendo à vontade do capital rentista. Se deixam enrolar por esta ladainha que a inflação vai estourar, somente para fazer mais do mesmo: aumentar a taxa de juros.

Não sou economista, mas por todos os números disponíveis que analiso, juros alto só servem para gerar desemprego e desestimular investimentos produtivos. Este é o resultado prático da alta de juros e nada mais. Somente depois de destruir milhões de empregos é que a inflação cede, e cede não pelo motivo justo que seria o aumento da oferta e sim pela redução da demanda.

Enquanto isto quem mais precisa, assalariados, começam a apertar os cintos e os que menos precisam, os rentistas preguiçosos, enchem os bolsos.

Governo Trabalhista???? Faça-me rir.

Responder

Mardones

14 de janeiro de 2014 às 10h31

Aumentar a SELIC é fazer a alegria dos rentistas.

Aumento do compulsório dos bancos para quê?

Viva o ‘Brasil’!

Responder

Paulo Expedito

14 de janeiro de 2014 às 09h25

Existem varias atitudes do governo que envergonham, esta é mais uma.

Responder

Luis

13 de janeiro de 2014 às 20h48

Rentistas, banqueiros, PIG, bandidos assassinos.

Responder

emerson57

13 de janeiro de 2014 às 19h13

quando dona Dilma governava,
ela MANDOU e os juros caíram, muito. (apesar de continuarem os maiores entre todos os países deste lado da galaxia).
depois os juros subiram e a cada reunião do COPOM sobem mais.
o céu é o limite!
o povo fica com a impressão que a presidenta agora é a Mirian Leitão.

Responder

Lukas

13 de janeiro de 2014 às 18h16

Como eu gostaria que nossa presidente entrasse na internet todos os dias, fossem na blogosfera progressista e seguisse todas as orientações dos blogueiros.

Estaríamos livres do PT há anos.

Responder

    Mário SF Alves

    13 de janeiro de 2014 às 20h15

    Eis aí a mais singela e honesta declaração de sonho de consumo da direita tupiniquim sem voto e em prolongadíssimo e insuportável jejum de plenos podres poderes.
    ________________________________________
    Ô, companheiro Lula, não tens consideração, meu?

Urbano

13 de janeiro de 2014 às 17h49

O banditismo do pig é multifacetado…

Responder

Leo F.

13 de janeiro de 2014 às 17h08

Na verdade, isso faz parte da cultura da inflação de demanda, presente no inconsciente coletivo da maioria da população brasileira.

O problema, é que a dinâmica macro-econômica do país, mudou muito dos anos 80 até os dias atuais, e mesmo que em essência passemos por situação mais próxima de inflação de custos, o noticiário econômico das grandes redações, nos leva de volta ao fantasma da demanda sobreaquecida.

É como uma revisão oportunista da história.

Responder

    Mário SF Alves

    13 de janeiro de 2014 às 20h22

    Lembra do tsunami, a crise de 2008, que na propaganda atemorizante e irresponsável do PiG iria acabar com o Brasil?
    ____________________________
    Chegaram a fazer dobradinha com o PSDB e desandaram a dar receita de como o governo teria de agir para evitar tal tragédia. Mas, ah, se governo tivesse seguido tais receitinhas. Tava lascado.

    ____________________________________________
    Lula bateu o pé, fez do jeito que era pra fazer, não deu bola pros agourentos urubólogos de plantão e saiu tranquilo ensinando a todos que aquilo chegaria aqui como simples marolinha. Dito e feito.

Julio Silveira

13 de janeiro de 2014 às 16h23

Eles fazem isso por que tem a certeza de que possuem instrumentos para assustar o consumidor e fazer ajoelhar governos. Qualquer deles até os com o chamado viés de esquerda. Governos anteriores, mais a direita, articulavam suas ações com esses grupos de midia, pareciam estar dando uma resposta, mas hoje sabemos, que muitas coisas foram criadas de modo artificial, juntando terror propagandístico com interesses inconfessáveis, o que invariavelmente acabavam por criar as circunstancias que prejudicavam a cidadania, e quase sempre apenas elas, já que esses estão protegidos de diversas formas, inclusive as inconfessáveis. Urge que nosso país fragilize ao máximo esses grupos chantagistas que usam concessões publicas para interesses particulares, desvirtuando a finalidade do interesse publico visando angariar benefícios e poder para minorias.

Responder

mauro silva

13 de janeiro de 2014 às 15h59

fico indignado com tamanha cara-de-pau!
bandidos! meu pai dizia, ha 50 anos, que falta uma revolucao sangrenta no Brasil.
torco por ela…

Responder

    Mário SF Alves

    13 de janeiro de 2014 às 20h28

    Calma, doutor, não precisa disso não. Basta-nos os direitos, garantias individuais e deveres consolidados na Carta Magna. Basta isso.

    E onde foram parar mesmo?
    _______________________________
    Aliás, Carta essa formulada e endossada por boa parte dos representantes do Ancien Régime Casa-Grande-Brasil-Eterna-Senzala.

alfredo de pádua

13 de janeiro de 2014 às 14h56

Em entrevista à Folha de S. Paulo, o sr Gonzaga Belluzzo, na condição de ex-professor da presidente, garantiu que Dilma é “desenvolvimentista” e só não faz o melhor porque “a correlação de forças não deixa”. Afirmou também que como o mercado financeiro não permite que o governo equilibre o câmbio e reduza juros, a indústria nacional só não vai acabar se conseguir ocupar espaço no programa de concessões para a expansão da infraestrutura – um espaçozinho periférico, diga-se de passagem, porque o principal é das múltis e ninguém tasca.
Não custa lembrar que, adotando raciocínio semelhante sobre o problema da correlação de forças, Pétain e Laval entregaram a França às hordas nazistas, se converteram em símbolos da traição nacional e tiveram um futuro sombrio.
Em suas defesas perante os tribunais, eles disseram que, naquelas circunstâncias, era o que de melhor se poderia fazer pela sobrevivência da França. Não era. (Editorial, Jornal Hora do Povo 01/2014)

Responder

    mauro silva

    13 de janeiro de 2014 às 16h10

    petain nao foi fuzilado porque de gaulle salvou-o.
    jah laval…
    foi pouco!
    a vinganca veio ah cavalo, mas laval eh petain mereciam terminar como mussolini.
    soh aquele foi fuzilado.
    foi pouco…

sergioa

13 de janeiro de 2014 às 14h42

Mas com todos os argumentos contra a alta de juros, o governo trabalhista se acovardou e deu vazão aos anseios dos rentistas preguiçosos. Resultado voltamos a tera a maior taxa de juros do mundo, nos amarramos em uma armadilha do mercado, que a cada semana, com a benção do BC e do governo, divulgam números maiores para a inflação e menores para o crescimento, cerceando o governo e o obrigando, já que não teve competência para brigar com os terroristas no começo, a a cada reunião do COPOM elevar os juros, saciando a sede do mercado e jogando contra os reais interesses do povo brasileiro.

Esta briga o governo acovardado já perdeu. Não vai ser neste ano de eleição que vão reagir. E os rentistas preguiçosos riem à toa. GOVERNO TRABALHISTA????? kkkkkkkkk. Nem FHC cederia tão fácil.

Responder

    tiago carneiro

    13 de janeiro de 2014 às 17h35

    Quando eu falo isso por aqui as pessoas ficam com raiva de mim.

    Ainda estou esperando nossa querida presidenta decidir de que lado está…

Mário SF Alves

13 de janeiro de 2014 às 14h37

Quem dirige essa joça de caminhão?

Será que o motorista dessa titica aí, a tal EBC, não respeita diretrizes governamentais, não?

Responder

    Maria Thereza

    13 de janeiro de 2014 às 16h10

    é subordinada à secom, daí….


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