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A hipocrisia da mídia e os petistas presos na Papuda


25/12/2013 - 17h44

Alguém aí se preocupa com o borracheiro Elson?

por Luiz Carlos Azenha

O texto abaixo é trecho de um post publicado pelo Eduardo Guimarães a respeito da ação da mídia para punir os punidos, ou seja, retirar supostas “regalias” que os condenados do mensalão teriam recebido na penitenciária da Papuda, no Distrito Federal, dentre elas a possibilidade de ler:

A leitura pode ser um bálsamo para o encarcerado que a aprecie. Deveria ser estimulada, aliás. Tira a mente do que não presta. Contudo, a “regalia” que permitia que condenados do mensalão lessem à vontade foi revogada por estarem “lendo mais do que o permitido”.

A tortura psicológica costuma ser vista como até mais intensa e penosa do que a tortura física, que, após algum tempo, o torturado aprende a suportar, até por seu corpo e seus sentidos não resistirem. Já a psique humana é um parque de diversões para o sádico; permite supliciar sem limites.

Se a mídia não quer “regalias” para os condenados do mensalão tais como ler um livro, tampouco quer algum direito constitucional como o de um condenado cumprir sua pena tal como foi preconizada – e nunca de forma mais dura ou mais branda.

O objetivo que excita o sadismo midiático é o de minar o espírito dos dois petistas e o dos companheiros que partilham a dor deles não só por sabê-los condenados injustamente, mas por cumprirem uma pena mais dura do que aquela que deveriam estar cumprindo.

Sob essa sanha pervertida, os sádicos midiáticos já encontraram mais direitos a suprimir enquanto os direitos a preservar são ignorados: os condenados do mensalão poderão ficar com a luz acesa até às 24 horas do dia 24 de dezembro. E, escândalo dos escândalos, após receberem uma “ceia de natal”.

Dizem os instrumentos de tortura conformados em papel impresso que os “mensaleiros” receberão “quentinhas” contendo com arroz, feijão, carne, legumes e verduras. E o luxo é tanto que terão acesso à cantina do presídio, onde poderão comprar cigarros e refrigerante.

Esses “mensaleiros” não se emendam, não é mesmo?

As “regalias” de que desfrutrariam os petistas que atiçam a perversidade midiática, porém, não são regalias coisa alguma. Eles ainda dispõem de alguma diferenciação dos condenados ao regime fechado simplesmente porque estão padecendo sob ele ilegalmente, pois deveriam estar no regime semiaberto.

Isso em um país em que traficantes, estupradores, assassinos e até políticos corruptos conseguem ficar em liberdade contando com a sabida e consabida leniência que o dinheiro ou a influência da mídia podem comprar da Justiça.

*****

Digo eu, Azenha, que desde que O Globo e a Folha, especialmente, passaram a prever rebelião iminente na Papuda, dado o descontentamento de presos com supostos privilégios dos petistas, era óbvio o desenrolar: as autoridades seriam forçadas a agir. Se não agissem e houvesse uma rebelião, seriam condenadas. Se agissem impedindo a rebelião imaginada por O Globo… bem, conseguiram impedir a rebelião, certo?

O que nos choca acima de tudo é que essa gente tente se passar por defensora:

1. Da aplicação rigorosa da lei;

2. Dos presos mais humildes, que não teriam os supostos privilégios dos petistas.

Ora, se é assim, a mídia deveria, em defesa dos presos desprotegidos, denunciar com toda a força o domínio que o PCC tem sobre a maior parte dos presídios paulistas, onde a facção protege alguns, mas explora a maioria.

Trecho de texto publicado por Vasconcelo Quadros no IG:

“O PCC é uma organização criminosa armada, de caráter permanente”, afirmam 22 promotores do Ministério Público paulista na denúncia de 876 páginas – resultado da maior investigação já feita no Brasil e que esquadrinhou a estrutura da quadrilha – em que o Estado brasileiro reconhece, pela primeira vez, a existência da organização.

[…]

As investigações oficiais confirmam: a organização controla 169.085 dos 201.699 presos paulistas, 137 das 152 unidades prisionais; tem mais de seis mil integrantes trabalhando dentro dos presídios mediando conflitos e 1.800 “soldados” nas ruas da capital. Outros 2.398 detentos filiados estão esparramados por presídios de outros estados.

Qual seria a consequência de um aperto sobre o PCC nestas 137 unidades prisionais controladas pela facção em São Paulo? Uma explosão em ano eleitoral, complicando a reeleição de Geraldo Alckmin.

O acordo é tácito, não declarado. Decidiram até não falar o nome do PCC, para ver se ele desaparece.

No Presídio Central de Porto Alegre o acordo entre o Estado e as facções locais pelo menos é explícito: cada uma controla uma das galerias, em troca de não matar, nem “virar” a cadeia.

Foi o que contamos na reportagem abaixo. O arranjo é sustentado pelas famílias de todos os presos e implica em enriquecer os líderes das facções dentro do presídio:

Um arranjo que custa caro às famílias de presos from Luiz Carlos Azenha on Vimeo.

Se a mídia está realmente preocupada com os presos mais simples, que não contam com os supostos privilégios dos petistas, deveria denunciar também a situação do complexo penitenciário de Pedrinhas, no Maranhão, uma das cadeias mais violentas do Brasil, onde mais de 40 presos foram mortos só em 2013, alguns dos quais degolados e esquartejados.

A segurança foi terceirizada, numa daquelas soluções tão caras aos que defendem o “ajuste do Estado”. Por conta da falta de segurança, o borracheiro Elson, condenado pela receptação de quatro pneus que alegava não saber terem sido produto de furto, foi preso junto com homicidas e ladrões de banco e morreu decapitado num confronto entre facções:

Selvageria no Maranhão from Luiz Carlos Azenha on Vimeo.

No entanto, não se vê, a não ser com raras exceções — como a de Vasconcelo Quadros, no IG — uma tentativa de expor as mazelas do sistema prisional equivalente às manchetes indignadas com o suposto tratamento privilegiado dado a petistas.

Mesmo que houvesse um petista preso em cada uma das penitenciárias brasileiras, justificando a atenção da mídia, dificilmente isso aconteceria.

O motivo é óbvio: na onda dos que acreditam em “direitos humanos para humanos direitos”, ou seja, vale tudo contra quem não é “direito”, a mídia nunca de fato se preocupou com os presos a ponto de atingir a apoplexia causada pela leitura fora de hora dos “mensaleiros”.

O Globo não é porta voz da massa carcerária, como agora se pretende. Quer apenas ter certeza de que os petistas presos vão sofrer tanto — ou mais que os outros. É, como escreveu Eduardo Guimarães, puro sadismo. Só isso.

Leia também:

Lista de privilégios incui ouvir Ilze dizer “pitzolato”





27 comentários

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FrancoAtirador

29 de dezembro de 2013 às 06h53

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GENOÍNO É O ÚNICO PRESO QUE CUMPRE PRISÃO ‘DOMICILIAR’ FORA DO DOMICÍLIO.

Não tivesse uma filha que mora na Capital Federal,

e talvez estivesse em prisão ‘domiciliar’ num Hotel

ou quiçá na casinha do cachorro ao lado da Papuda.
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Notícias STF

Negado pedido de transferência de José Genoíno para São Paulo

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Joaquim Barbosa, negou pedido de transferência de prisão domiciliar de Brasília para São Paulo, apresentado pela defesa do ex-deputado federal José Genoíno, condenado pelo STF na Ação Penal 470.

Leia a íntegra da decisão:

Transferência na Execução Penal 1 Distrito Federal

Relator: Min. Joaquim Barbosa
Polo Pas: José Genoíno Neto
Adv.(a/s): Sandra Maria Gonçalves Pires e Outro(a/s)

Decisão:

Em 21 de novembro de 2013, deferi, parcialmente, pedido da defesa do apenado JOSÉ GENOÍNO NETO, para o fim de permitir-lhe o tratamento médico domiciliar, até o pronunciamento conclusivo da Junta Médica.

O resultado da perícia, e todos os demais laudos médicos juntados aos autos, indicaram a ausência de doença grave que constituísse impedimento para o cumprimento da pena no regime semi-aberto.
Ademais, informações recebidas do Juízo das Execuções Penais de Brasília/DF dão conta de que a assistência médica é garantida aos internos do complexo prisional.

De toda sorte, com base em análise realizada por médicos da Câmara dos Deputados, o Ministério Público Federal opinou pela necessidade de aguardar noventa dias antes de transferir o condenado para o sistema prisional, por cautela.

Agora, por meio da Petição 65.656, de 26 de dezembro de 2013, a defesa do apenado JOSÉ GENOÍNO NETO pleiteia o seguinte:

“Este ínclito Juízo concedeu ao sentenciado, por ora em caráter precário – objetivando resguardar e, dentro dos limites do clinicamente possível, restabelecer seu grave estado de saúde – prisão albergue hospitalar ou domiciliar.

Assim é que, desde sua alta hospitalar, vem convalescendo, por enorme favor, alojado em casa de eupático e generoso parente, situada em endereço neste Distrito Federal, conforme declarado nos autos.

Passados já muitos dias da concessão da medida humanitária, sente-se o peticionário – não obstante a vigência de seu delicado quadro clínico – apartamento a realizar, por meios próprios, deslocamento para a cidade de São Paulo (SP).

Com efeito, é naquela cidade, na Rua Maestro Carlos Cruz, n. 154, que mantém sua única moradia, residência própria adquirida pelo antigo sistema do B.N.H., há mais de trinta anos.

Ali também é que vivem sua companheira, seus dois outros filhos, seu genro e seus dois pequenos netos.
Foi em São Paulo (SP) outrossim que submeteu-se ao sério procedimento cardio-cirúrgico noticiado nos autos, sendo de rigor informar que, devido à necessidade de controle periódico de seu quadro clínico – tudo conforme já esplandado [sic] nestes autos – tem consulta e exames pré-agendados no Hospital Sírio-Libanês para o próximo dia 07 de janeiro, sob a responsabilidade do Professor Kalil Filho, médico que desde a intervenção vem acompanhando e orientando sua convalescença.

É São Paulo (SP), pois, o local correto e mais adequado à continuidade do cumprimento da pena que lhe foi imposta.

Pelo exposto, requer seja autorizado o cumprimento em São Paulo (SP), da prisão albergue domiciliar concedida”.

É o relatório.

Decido.

O pleito não pode ser deferido.

A prisão domiciliar do apenado é meramente provisória. Como indica a própria defesa, seu estado de saúde está evoluindo e, mais do que isso, todas as informações existentes nos autos indicam que sua condição atual é compatível com o cumprimento da pena no regime semi-aberto, dentro do sistema carcerário, nos termos da condenação definitiva que lhe foi imposta nos autos da AP 470.

Acrescente-se, ainda, que o próprio condenado requereu, em 26 de novembro de 2013, “desde já, a desistência dos pedidos formulados para que fosse transferido a instituição penitenciária adequada no Estado de São Paulo, tendo em vista que aceita cumprir a pena privativa de liberdade no Distrito Federal”.

Ademais, é firme a jurisprudência no sentido da “inexistência de direito subjetivo do sentenciado à transferência para estabelecimento penal de sua preferência, ainda que com fundamento em alegada proximidade de seus familiares” (HC 88.508-MC-AgRg, Rel. Min. Celso de Mello).
Noutras palavras: o preso não pode escolher, ao seu livre alvedrio e conveniência, onde vai cumprir a pena que lhe foi definitivamente imposta.

Por fim, considerada a provisoriedade da prisão domiciliar na qual o condenado vem atualmente cumprindo sua pena, e a forte probabilidade do seu retorno ao regime semi-aberto ao fim do prazo solicitado pela Procuradoria-Geral da República, considero que a transferência ora requerida fere o interesse público.

Por todo o exposto, indefiro o pedido de cumprimento da pena em regime domiciliar em São Paulo.

Relativamente à reavaliação da saúde do condenado, ela deverá ser feita no lugar do cumprimento atual da pena, ou seja, em Brasília. Caso o apenado pretenda trazer o médico de sua preferência para realizar os exames necessários no Distrito Federal, deverá fazê-lo às suas próprias expensas.

Em conclusão, provisoriamente, e pelo período de 90 dias, contados do dia 21 de novembro de 2013, o réu JOSÉ GENOÍNO NETO permanecerá em prisão domiciliar em Brasília/DF.

Brasília, 27 de dezembro de 2013.

Ministro Joaquim Barbosa
Relator

Documento assinado digitalmente

(http://www.stf.jus.br/portal/cms/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=257042)
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Responder

Taiguara

28 de dezembro de 2013 às 13h46

Há, no PIG, duas categorias bem distintas de jornalistas: OS OTIMISTAS E OS PESSIMISTAS.Os otimistas são aqueles que acreditam que em 2014 todos os brasileiros, para sobreviverem, terão que comer merda. E os pessimistas, que são os que afirmam que a merda não vai dar para todo mundo.

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Fabio Passos

27 de dezembro de 2013 às 12h27

A “elite” branca e rica está com saudades da ditadura.
Atirou cidadãos brasileiros inocentes na cadeia… e agora se diverte produzindo tortura e sofrimento.

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Carla

27 de dezembro de 2013 às 12h16

Alguém se lembra do Cacciola na Papuda? E o Arruda esteve preso aonde? quais os privilégios dos “petistas”? Os mesmos do Maluf e filho, presos numa delegacia paulistana?

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Elias

27 de dezembro de 2013 às 10h43

Selvageria no Maranhão from Luiz Carlos Azenha on Vimeo. (assista ao vídeo)

A Globo segue a Folha, a Folha segue o Viomundo. 38 horas depois da reportagem acima (sem contar que foi ao ar na TV Record em 13/12/2013) Josias de Souza, blogueiro da Folha, escreve sobre o sistema carcerário do Maranhão. Trechos dos dois jornalistas: “Se a mídia está realmente preocupada com os presos mais simples, que não contam com os supostos privilégios dos petistas, deveria denunciar também a situação do complexo penitenciário de Pedrinhas, no Maranhão, uma das cadeias mais violentas do Brasil, onde mais de 40 presos foram mortos só em 2013, alguns dos quais degolados e esquartejados.” Luiz Carlos Azenha – 25/12/2013 – 17:44 Viomundo. “Uma das mazelas que convulsionam o maior presídio do Maranhão, o complexo penitenciário de Pedrinhas, é a guerra entre facções criminosas rivais.” Josias de Souza – 27/12/2013 – 6:07 Folha de São Paulo

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Palmeira

26 de dezembro de 2013 às 18h13

Pela capacidade de perversão da verdade e pela capacidade de aglutinação e despropósito visto nos últimos dias eu já posso dizer que a mídiamá é o pior poder, o mais corrupto e perigoso que temos.

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Leo V

26 de dezembro de 2013 às 16h42

A Globo etc. tem saudade de torturar os “vermelhos”.

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Lucas G.

26 de dezembro de 2013 às 16h19

quem parece pouco preocupado com a situação dos encarcerados “normais” são os PTistas, que só pensam no tema quando seus líderes vão presos. (não vai faltar o bobo que venha falar “mas a pastoral…, mas a juventude do partido…”. Oras, é só ver o que o GOVERNO FEDERAL está aprontando com as Comunidades Terapeuticas para ver o quanto o partido se importa com os direitos humanos das pessoas em situação de cárcere).

Responder

Manuel Conceiçao

26 de dezembro de 2013 às 15h55

A RESPOSTA DO PT AO STF E À GLOBO:
A FILHA DE JENUINO E A FILHA ZÉ DIRCEU SERAO CANDIDATAS A DEPUTADA FEDERAL PELO PT.
CADA UMA TERÁ MAIS DE 1 MILHAO DE VOTOS.
O PIG VAI TREMER.

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    Luiz Carlos Azenha

    26 de dezembro de 2013 às 16h03

    Pode ser em minúsculas. A gente não liga. abs

Messias Franca de Macedo

26 de dezembro de 2013 às 14h28

“Quanto menos desejos você tem, mais perto está dos deuses”: a atualidade de Sócrates

[A Morte de Sócrates, por Jacques-Louis David]

Sócrates é um formidável remédio contra a presunção. Quando você está se achando o rei do universo, quando você olha para o espelho e admira apaixonadamente o que vê, quando você começa a acreditar que é uma prova viva da existência de Deus, bem, é tempo de pensar em Sócrates. Maior de todos os filósofos, grande mestre de gênios como Platão e Aristóteles, ídolo de todos os pensadores relevantes que vieram depois dele pelos séculos afora, Sócrates pronunciou a maior frase contra a arrogância da história da humanidade: “Tudo o que sei é que nada sei”.

Sócrates (470-399 a.C.) mudou a história da filosofia. Deu a ela um inédito caráter prático, moral e ético. Com ele a filosofia se transformou como que num manual para tornar melhor a vida de todos nós. Para nos ajudar a enfrentar as adversidades. Para nos aprimorarmos interiormente. Pensador nenhum se igualou a ele, e no entanto Sócrates jamais escreveu um único livro. Suas idéias e atitudes foram transmitidas à humanidade sobretudo pelas obras de Platão, seu discípulo. Sócrates é o personagem principal dos textos de Platão (428-348 a.C.).

Ele reuniu um número extraordinário de virtudes. Tinha uma vida simples. “Quanto menos desejos você tem, mais perto está dos deuses”, disse ele. Sêneca, o estóico romano, escreveu com reverência que Sócrates não se deixava perturbar pelos bens materiais: desfrutava deles se os tinha. Abstinha-se deles sem sofrimento se os perdia. Foi corajoso na vida e na morte. Combateu em algumas guerras de Atenas, a cidade que o fez ser o gigante que foi e depois o matou. Recebeu condecoração por bravura. Há registros de resistência invulgar em seus dias de guerreiro: andava de pés descalços e sem casaco sob temperaturas baixíssimas.

Tinha além do mais senso de humor. “Case-se”, recomendava ele a todos. “Ou você encontra uma boa mulher e vira um homem feliz ou acha uma megera e se transforma num filósofo”. Xantipa, sua mulher, era reconhecidamente insuportável. Com ela teve três filhos.

Na maior parte da vida de Sócrates, Atenas estava em seus dias de esplendor. A Guerra do Peloponeso, em que Atenas foi derrotada por Esparta, selou a sorte de Sócrates. Atordoada, humilhada, a cidade procurou culpados por sua derrocada. Sócrates foi acusado de corromper a juventude com suas idéias. Um tribunal condenou-o a tomar cicuta. Seus discípulos armaram uma fuga, mas Sócrates recusou. Ele agiria como um covarde, e então seu exemplo não teria valor para a posteridade. Para ser Sócrates ele sabia que tinha que pegar o copo que seu carrasco lhe passaria e tragar seu conteúdo com gloriosa tranqüilidade.

A morte de Sócrates está registrada num clássico da literatura universal: Fedon, de Platão. Sócrates consolou os discípulos, devastados. Lembrou a um deles que tinha uma dívida que devia ser paga. Pediu instruções ao homem incumbido de dar-lhe veneno, para evitar problemas na execução. Pronunciou, prestes a tomar a cicuta, palavras que o jovem Platão tornaria eternas: “Chegou a hora de partir, vocês para a vida, eu para a morte. Qual dos dois destinos é melhor, só os deuses sabem”.

25 Dec 2014

por Paulo Nogueira

Sobre o Autor
O jornalista Paulo Nogueira é fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.

http://www.diariodocentrodomundo.com.br/quanto-menos-desejos-voce-tem-mais-perto-esta-dos-deuses-a-atualidade-de-socrates/

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henrique de oliveira

26 de dezembro de 2013 às 13h25

Acho que a sociedade ja esta de saco cheio de noticias dos “mensaleiros”, se o pig continuar a requentar essa marmita vão perder as eleições vergonhosamente , pois perde-la eles vão de qualquer jeito.
Agora vamos combinar, o PCC é muito mais justo que o stf , la sim é que estão os quadrilheiros , que protegem seus iguais (bandidos de toga ou com mandato).

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Jose C. Filho

26 de dezembro de 2013 às 13h05

Pergunto! Quem foi colaborador da ditadura, (globo) invadiu e cercou terreno público, (globo SP.) sonega vultosa soma em imposto federais, cujo processo foi roubado da RF, (globo) e difama pessoas íntegras destruindo reputações, não deveria estar preso? A resposta é sim! Para esses meliantes até “quentinhas” seria privilégio.

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Elias

26 de dezembro de 2013 às 12h16

Li a matéria no blog de Eduardo Guimarães e a ojeriza não me permitiu fazer qualquer comentário. Aqui também, ao ler todos esses absurdos não me vem nenhum raciocínio, apenas espanto e (por que negar?) até medo. Estamos todos expostos à própria sorte. Ai daquele que cair em desgraça com esse tipo de sistema carcerário.

Responder

Socorro Santos

26 de dezembro de 2013 às 11h39

Absurdo. fico imaginado e me perguntando, será que essa mídia maldita não o tem quem a enfrente? cinicamente ficam festejando as impunidades da “justiça” e o pior de tudo; onde são os advogados desses presos meu Deus. não me conformo com tamanha falta de competência.
parabéns pelo texto.

Responder

Francisco de Assis

26 de dezembro de 2013 às 10h58

A GLOBO E O ASSASSINATO DE PETISTAS PRESOS

(*) Neste texto GLOBO significa imprensa golpista brasileira.

Pode-se supor que a GLOBO não saiba o que é uma rebelião num presídio brasileiro? Que não saiba quanto custa o assassínio de algumas pessoas nas estocadas anônimas das penumbras de uma tal situação? Ou que não saiba como encomendá-lo de astutos criminosos, dentre rebelados ou agentes do estado?

Então, quando a GLOBO incentiva a revolta num presídio brasileiro, dizendo que ela pode decorrer de privilégios de petistas ali presos, é possível achar que é isso mesmo, a GLOBO deseja apenas retirar privilégios dos petistas presos?

Como, cinicamente indignados, anunciam seus jornalistas, trompetistas de uma nova era?

E então deve-se apenas discutir com a mão de obra da GLOBO, item a item, que privilégios são estes?

Sem atentar que o desejo incontido da GLOBO é provocar rebelião mesmo, e com ela o assassinato de petistas presos? E alguém ignora que isto favorece o objetivo último da GLOBO, que é despertar o ódio na sociedade brasileira, criando as condições para golpear mais um governo trabalhista?

Pode-se enxergar qualquer escrúpulo da GLOBO quanto a isto, esquecendo que apoiou e colaborou explicitamente com a tortura e assassinato de opositores na ditadura?

Responder

Serralheiro velho

26 de dezembro de 2013 às 10h31

Sempre que leio notícias de “mensaleiros ” e suas regalias consigo enxergar um imprensa cheia de calhordas, que espero um dia vê-los pagando pelos seus desmandos. Como falam os árabes:Allah akbar !

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carlos

26 de dezembro de 2013 às 08h14

Parabens pelo o texto que retrata a realidade, pelo Brasil de norte a sul, isto é o resultado de quem trabalha, com responsabilidade,sem queree se promover, voce é brasileiro que trabalha a favor do BRASIL e dos Brasileiros, bela reportagem, bela intervenção.

Responder

José Carlos lima

26 de dezembro de 2013 às 04h14

Hoje conversei com o pai de um preso que esteve nas Pedrinhas. Ele me disse que no início deste ano o presídio deixou os presos vários dias sem comer como forma de castigo, na iminência de uma rebelião, a fome foi interrompida

Responder

Marcos da Silva

25 de dezembro de 2013 às 21h31

Projeto de progressão de pena incentiva a leitura entre os detentos de Joinville.

Projeto de progressão de pena incentiva a leitura entre os detentos de Joinville

29 de março de 2013 – 14:54 – Justiça – Joinville
Os apenados terão direito a menos três dias na condenação a cada 20 dias utilizados na leitura dos livros

A literatura atrás das grades. Um projeto prevê o incentivo à leitura entre os detentos de Joinville. O juiz da Vara de Execução Penal João Marcos Buch explica como vai funcionar o sistema de progressão de pena. Os apenados terão direito a menos três dias na condenação a cada 20 dias utilizados na leitura dos livros.

Hoje pensei muito, não só nos encarcerados petistas, mas na massa carcerária que há muito sofre verdadeiras torturas diárias nas prisões brasileiras.

Responder

ronald

25 de dezembro de 2013 às 20h24

A justiça está sendo usada como instrumento político. Estão esticando a corda pra ver o melhor momento de dar um golpe paraguaio.

Responder

Eduardo Guimarães

25 de dezembro de 2013 às 20h13

Assustador

Responder

Euler

25 de dezembro de 2013 às 20h07

Hipocrisia, sadismo e crueldade contra presos políticos do PT que sequer têm direito de resposta. Eles são covardemente atacados diariamente, em todo o Brasil, mesmo depois de presos. Não bastou condená-los a priori, sem provas, era preciso prendê-los, mesmo que ilegalmente. E depois de presos, é preciso aplicar a mais cruel tortura moral e psicológica, até, quem sabe, provocar a morte física deles dentro da cadeia, provocando supostas rebeliões entre os presos. Só está faltando agora a mídia golpista, porta-voz da oligarquia e do atraso, oferecer uma recompensa para quem executar os presos políticos do PT.

Responder

FrancoAtirador

25 de dezembro de 2013 às 19h59

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Como de praxe, hoje os posts do Viomundo se entrelaçam, no conteúdo.

Após a leitura da matéria jornalística acima, é quase impossível

não se remeter ao artigo do professor e jurista Jorge Souto Maior,

que faz uma avaliação atual do comportamento da sociedade no Brasil

e do funcionamento das instituições estatais, e também das privadas,

com fulcro nas origens histórico-culturais da cidade do Rio de Janeiro.

Analisando texto publicado pelo Professor e Pesquisador José Murilo de Carvalho,
(http://www.forumrio.uerj.br/documentos/revista_8/008_101.pdf)
Souto Maior desvenda sociologicamente os meandros da cultura popular, quando
“trata da tradição de desprezo à lei na realidade da então capital do país… que teria se desenvolvido a partir do acúmulo de forças contraditórias de ordem e desordem, tomando-se como pressuposto o argumento de que seria impossível fazer valer, concretamente, uma ordem jurídica de cunho liberal em uma realidade ainda marcada pela cultura escravista e pelos efeitos do colonialismo, que proporcionava, também, a lógica do favoritismo dentro das estruturas burocratizadas do Estado.”

“…o ajuste entre ordem e desordem, que proporcionava, sobretudo, a fruição das benesses governamentais, visualizando as previsões legais apenas na medida estrita de interesses particulares, constituiu, isto sim, ato de pragmatismo, de sabedoria e de astúcia, do qual adveio, inclusive, a postura do deboche, que incentivou a prática da carnavalização”.

“essa postura de menosprezo à ordem jurídica gerou, também, certo cinismo frente à lei, pois ao mesmo tempo em que esta não se presta à determinação das condutas próprias é utilizada quando é conveniente para a delimitação da conduta alheia.”

Citando Murilo de Carvalho, Souto Maior avança “a propósito das contradições que se situam na formação do ajuste:

‘Por ser Capital da Colônia e depois do Império, o Rio acumulou, mais que qualquer outra cidade brasileira, forças contraditórias da ordem e da desordem.
De um lado, vasta burocracia, ociosa e insaciável, um Estado de grande visibilidade, um comércio dominado por estrangeiros.
De outro, a enorme população escrava que, aos poucos, juntamente com imigrantes do exterior e de outras partes do país, foi gerando o que denominamos de proletariado e que chegava, na época que estudamos, a 50% da população ativa.
Apesar dos inegáveis atritos entre as duas forças, a tradição ibérica da família e das irmandades constituiu campos de convivência que iam aos poucos desmoralizando as normas legais e as hierarquias sociais e construindo um mundo alternativo de valores e de relacionamento.
A escravidão dentro da casa minava a disciplina da família branca, assim como corroía os próprios padrões de relacionamento entre senhor e escravo. O predomínio de homens em relação às mulheres na composição demográfica da cidade impossibilitava, em muitos casos, a formação de famílias regulares.
Mesmo que a autoridade o desejasse, seria impossível a aplicação estrita da lei.
Daí que, da parte do próprio poder e de seus representantes, desenvolveram-se táticas de convivência com a desordem, ou com uma ordem distinta da prevista.
A lei era então desmoralizada de todos os lados, em todos os domínios’.”

Souto Maior acrescenta, ainda, “que essa postura de menosprezo à ordem jurídica gerou, também, certo cinismo frente à lei, pois ao mesmo tempo em que esta não se presta à determinação das condutas próprias é utilizada quando é conveniente para a delimitação da conduta alheia.

O autor [Murilo de Carvalho] não o admite, porque sua perspectiva é localizada, mas parece-me que essa característica da postura inaugural, na capital da República, frente à lei e ao Estado forjou uma cultura de âmbito nacional.
A sociedade brasileira, é verdade, luta para quebrar esse estigma, mas é preciso reconhecer que muito ainda precisa ser construído e é sempre bom não perder as oportunidades que se apresentam para tanto, pois, infelizmente, o desprezo à lei, dentro de um contexto de ajuste para satisfação de interesses localizados, persiste bastante visualizável em algumas relações sociais.

Quando se pensa, por exemplo, na legislação trabalhista, essa visão é inevitável, pois esta é frontalmente desprezada por parte considerável do segmento empresarial, que, concomitantemente, apresenta os termos da lei como padrão de conduta necessário aos trabalhadores, na perspectiva de suas obrigações. É assim, por exemplo, que é comum ainda ver alguns empregadores, que sequer registram seus empregados, efetuarem a dispensa por justa causa de um empregado que em poucos dias ao longo de meses chegou atrasado ao serviço…”

(https://www.viomundo.com.br/voce-escreve/souto-maior.html)
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É desse cinismo, dessa hipocrisia e desse conchavo institucionalizado reverberados, ‘megafonizados’ e editorializados pela Mídia Empresarial, com requintes de crueldade e sadismo quando se refere a Pobres, Pretos, Prostitutas e Petistas – atualmente, por questões ideológicas e político-eleitorais, mais acentuados em relação a estes últimos – que tratam os artigos do Viomundo.
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Responder

Gerson Carneiro

25 de dezembro de 2013 às 19h36

Segundo a Globo os livros do José Dirceu são privilégios. Aí eu pergunto: e o salmão defumado do Bob Jefferson?

Responder

FrancoAtirador

25 de dezembro de 2013 às 18h29

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Eu estava propenso a desejar um feliz 1914 para a Mídia Bandida.

Mas pelo visto, historicamente, os bandidos midiáticos de hoje

já ultrapassaram o século 20 e rumam para o Império Colonial.

No momento, estão ainda em fase de transição, nos idos de 1890…

A Crise do Encilhamento foi uma bolha econômica que ocorreu no Brasil, entre o final da Monarquia e início da República, estourando durante o governo provisório de Deodoro da Fonseca (1889-1891), havendo se transformado, por decorrência, em uma grave Crise Financeira.

Os então Ministros da Fazenda Visconde de Ouro Preto e Rui Barbosa, sob a justificativa de estimular a industrialização no País, adotaram uma política baseada em créditos livres aos investimentos industriais garantidos por farta emissão monetária.

Pelo modo como o processo foi legalmente estruturado e gerenciado, junto com a expansão dos capitais financeiro e industrial, vieram desenfreada especulação financeira em todos os mercados e forte alta inflacionária, causadas pela desconfiança oriunda de determinadas práticas especulativas no mercado financeiro, como excesso de lançamento de ações sem lastro, e posteriores Ofertas Públicas de Aquisições (OPAs) visando o fechamento de capital.

(http://pt.wikipedia.org/wiki/Encilhamento)
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